sábado, 6 de agosto de 2011

Mateus 16,13-23


Comentário

O nome de Pedro significa pedra.

Quando Jesus diz - “Você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la.” Mt 16,18– Jesus aqui está falando bem claro que Pedro é a pedra onde Ele irá construir a sua Igreja. A pedra aqui não é Jesus Cristo como muitos pregam. E no versículo 19 Jesus confirma claramente que Pedro é a pedra do alicerce da sua Igreja dando a chave do seu Reino e disse o que ele ligar aqui será ligado no céu e o que ele desligar aqui será desligado no céu – “Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.” Mt 16,19.

Cf. nota em Mc 8,27-33. Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo. – Bíblia Pastoral.

ARAUTOS DE JESUS - 12 – ANUNCIADO POR JOÃO BATISTA – Jô 1,15-34


Um dos mais poderosos anúncios sobre Jesus foi feito, por intermédio de João Batista. A Bíblia diz que João Batista foi o precursor de Jesus, enviado com a missão exclusiva de preparar o caminho do Senhor. Ou seja, ele foi enviado para preparar as coisas para a vinda de Jesus. Podemos dizer que João Batista foi o maior de todos os arautos (anuncio) do Rei – “Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Não era ele a luz, mas veio para dar testemunho da luz. [O Verbo] era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem.” – João 1,6-9 – Esta era a missão do Batista – anunciar a vinda de Jesus para que todos cressem nele.
  1. A PRIMAZIA DE JESUS.
João sempre teve consciência de sua missão. Nunca desejou ocupar o lugar de Cristo, pois sabia ser um arauto deste, cuja missão era manifestá-lo aos homens. Em seu testemunho sobre Jesus, João disse – “Eis aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim.” Jô 1,15 – No entender de João Batista, Jesus tinha o primeiro lugar, a maior importância. Um dos motivos para isso era justamente o fato de Jesus ser anterior a ele. O arauto (João Batista) era alguns meses mais velho do que Jesus, mas sabia muito bem que Cristo não começou a existir quando nasceu, pois era eterno.
Outro motivo pelo qual se pode dizer que Jesus tem a primazia é a sua obra de ministrar a graça. Não sabemos se as palavras dos versos 16 e 17 são de João Batista ou do próprio evangelista João, porém estão ai para confirmar que Jesus tem a primazia – “Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” – Jô 1,16-17 – O texto disse que a plenitude de Jesus, ou seja, sua divindade e humanidade absoluta promovem “graça sobre graça”. A idéia desse versículo é que mal uma graça começa a escrever já vem outra e ocupa seu lugar. A lei foi dada por Moisés, mas a graça que é superior a lei, pois somente ela proporciona a salvação e o perdão dos pecados veio exclusivamente por Jesus Cristo; por isso ele tem primazia sobre tudo e todos.
Por fim,a primazia de Jesus se vê no fato de ser único anunciador de Deus, conforme as palavras de Jô 1,18 – “Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.” – Deus em sua absoluta santidade e gloria, é inacessível ao homem pecador. Sem a revelação de Jesus, jamais teríamos o conhecimento verdadeiro de Deus. Cristo, que está no meio do Pai, ou seja, que tem com o Todo Poderoso um relacionamento intimo, pois e eterno Deus Filho, é exclusivo revelador da divindade. Isso o faz primeiro.
  1. A DIGNIDADE DE JESUS.
Nas palavras de Jesus, João Batista foi o maior do que os profetas – “Em verdade vos digo: entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista.” Mt11,11ª – mas quando os judeus enviaram sacerdotes e levitas para interpelá-lo, a fim de saber quem era, João humildemente disse – “Eu não sou o Cristo.” Jô 1,20 – A análise que fez de si mesmo foi – “Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3).” Jô 1,23 – Quando os judeus tentaram apertá-lo, perguntando porque ele batizava, uma vês que não era ninguém, João disse – “Eu batizo com água, mas no meio de vós está quem vós não conheceis. Esse é quem vem depois de mim; e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.” Jô 1,26-27 –A fonte da autoridade do batismo de João não era ele próprio, mas aquele que vinha depois dele. Neste texto João fala da dignidade de Jesus.
Num certo sentido, João disse que Jesus era o “ilustre desconhecido”, pois estava no meio do povo, mas neste não o conhecia. É curioso pensar que o Filho de Deus já habitava e havia mais ou menos trinta (30) anos na terra e as pessoas não faziam a mínima idéia disso, isso nos mostra como muitas vezes as ações de Deus são misteriosas. Mais  curioso ainda é pensar que aquelas pessoas eram as estudiosas da lei, as responsáveis pela religião, e não faziam a mínima idéia do que Deus estava realizando aqueles dias. E pensar que Jesus estava no meio delas, mas em seu zelo por denunciar falsos messias, rejeitaram o verdadeiro! Hoje as coisas não são muito diferente, Jesus está no mundo de Deus. Deus tem feito coisas extraordinárias para a salvação de seu povo, mas para muitos, ele continua a ser um ilustre desconhecido.
Sobre Jesus João batista disse – “... e eu não sou digno de lhe desatar a correia do calçado.” Jô 1,27b – Não poderia haver tarefa mais humilde para um homem do que se ajoelhar perante outro homem e tirar deste as empoeiradas sandálias para lavar-lhes os pés. Um discípulo não faria isso por seu mestre, pois seria uma humilhação muito grande. João Batista, porém, considerava essa uma tarefa da qual não era digno perante Jesus, que o sucederia. Não houve pessoa mais digna do que João Batista, mas ele sabia exatamente quem era Jesus e, em comparação com o Cristo, sabia ser muito inferior, como a lua, que apenas reflete a luz, não se compara com o sol, que possui luz própria.
  1. A MISSAO DE JESUS.
Outro anuncio importante que João Batista fez sobre Jesus referia-se especialmente a missão do Senhor. A Bíblia diz que, quando João viu a Jesus disse – “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” Jô 1,29 – Usando a expressão “cordeiro”, João Batista recordava o tipo de expiação do Antigo Testamento, no qual o cordeiro era sacrificado como substituto pelo pecado do povo. Para satisfazer às ordenanças da lei, muitos cordeiros eram mortos. Jesus é imensamente superior a todos os cordeiros do Antigo Testamento porque é o Cordeiro que o próprio Deus oferece em cumprimento de tudo aquilo que se chama sacrifício previsto da lei do Antigo Testamento. A função deste Cordeiro é “tirar o pecado do mundo”. Literalmente, significa “carregar embora” o pecado. O que os cordeiros  de Israel, realizavam diariamente, Jesus cumpriu de uma vez por todas com a sua morte na cruz. João Batista profetizou isso antes que acontecesse.
Alem disso, Jesus não é o cordeiro de Israel apenas, mas o Cordeiro de deus que tira o pecado do mundo, ou seja, de todos os povos, pois em Jesus todos podem ter acesso à presença de Deus. Não devemos pensar que, pelo fato de a Bíblia dizer que Jesus tira o pecado do mundo, todos os homens serão perdoados. Isso não é possível, até porque nem todos crêem nele como Salvador – “Todo o que não foi encontrado inscrito no livro da vida foi lançado ao fogo.” Ap 20,15 – Esse ato de tirar o pecado também para o futuro, pois Jesus veio para redimir toda a criação, todo o mundo de Deus. O pecado que existia é o grande complicador. Ao tirá-lo do mundo, Jesus possibilita a criação de um novo mundo, sem pecado, no qual habia a justiça.
João Batista reconheceu que sua missão era manifestar esse Cordeiro a Israel  e por isso batizava com água na tentativa de levar os homens ao arrependimento – “Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel.” Jô 1,31. Porém, João disse que o Cristo que o seguiria teria um batismo muito superior, batizaria com o Espírito Santo – “Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo.” Jô 1,33 – De certa forma essa é a grande missão de Jesus. Ele veio ao mundo para batizar os homens como o Espírito Santo. Tal batismo aponta o perdão dos pecados, para a conversão e para a nova vida. Também demonstra o poder que derrama sobre o cristãos, a fim que sejam capacitados a desempenhar a missão  que em nesta vida.
O Batista termina seu testemunho com uma solene declaração a qual, na verdade, é o grande objetivo de seu testemunho – “Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.” Jô 1,34 – A expressão “eu vi” certamente se refere ao momento em que Jesus foi batizado e o Espírito desceu sobre ele – “Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus.” Mt 3,16 – ao mesmo tempo em que o Pai dizia dos céus – “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição.” Mt 3,17 – isso lhe dava toda certeza para proclamar – Ele é o filho de Deus.
  1. CONCLUSÃO.
João Batista anunciou a excelência da pessoa de Jesus, falou de sua eternidade de seu poder, da sua dignidade e de sua sofrida missão como Cordeiro para tirar o pecado do mundo. Devemos sempre nos lembrar de que as palavras do Batista não são reflexões posteriores a cruz, mas anteriores, e de fato são anúncios proféticos que foi o maior dos problemas, mas segundo Jesus, “o menor no Reino dos céus é maior do que ele.” Mt 11,11.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A CRUZ DE CRISTO - 02 – A CENTRALIDADE DA CRUZ DE CRISTO


I.                    O SINAL E O SÍMBOLO DA  CRUZ.

Diversas religiões e ideologias possuem um simbolismo que as identifica.

·         O islamismo – meia lua;
·         O judaísmo moderno – a estrela de Davi;
·         O marxismo – o martelo e a foice;
·         O cristianismo – a cruz.

A história da Igreja informa que houve algumas tentativas antes de os cristãos elegerem a cruz como uma referencia. Uma bem conhecida é a figura de um peixe, por esconder nessa marca as iniciais, em grego, o nome de Jesus Cristo.

Nos primeiros anos da historia da Igreja, a cruz era algo extremamente repugnante por ser um instrumento utilizado pelos romanos para executar escravos e estrangeiros à morte. Já os judeus julgavam estarem sob a maldição de Deus todos os que fossem pendurados em madeiros - "o seu cadáver não poderá ficar ali durante a noite, mas tu o sepultarás no mesmo dia; pois aquele que é pendurado é um objeto de maldição divina. Assim, não contaminarás a terra que o Senhor, teu Deus, te dá por herança". (Dt 21,23).

Paulo observa como o incrédulo de seu tempo abominava a mensagem da cruz - "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina". (1Cor 1,18). Houve alguém que desenhou um homem com cabeça de burro, crucificado,a fim de ridicularizar a fé cristã.
Entretanto, mesmo com riscos e afronta que os cristãos sofriam pelo símbolo da cruz, esta figura foi adotada por ser o centro da  mensagem por eles anunciada.

II.                  A PERSPECTIVA DE JESUS.

Quando Jesus, ao iniciar Seu ministério em Caná da Galiléia, afirma a Maria que ainda não era chegada sua hora - "Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou". (Jo 2,4), deixa claro que sempre teve consciência da natureza d e sua morte.

Lucas descreve a clareza que ele tinha a respeito do que as escrituras expunham a seu respeito - "E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava dito em todas as Escrituras". (Lc 24,27). Jesus reconhecia  que nEle se cumpriria a palavra de Isaias, de que seria contado como um malfeitor - "Pois vos digo: é necessário que se cumpra em mim ainda este oráculo: E foi contado entre os malfeitores (Is 53,12). Com efeito, aquilo que me diz respeito está próximo de se cumprir". (Lc 22,37), para que todos nEle cresse tivesse a vida eterna – “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.” (Jo 3,14-15). Sabia que os religiosos buscavam a sua morte,assim como tinham buscado a dos profetas – (Lc 4,28-29).

Diversas vezes, durante o seu ministério, Ele fez menção do seu sofrimento – Mc 9,31; 8,21-32; Lc 18,31-32, expressando que faria o ato redentor em obediência ao Pai - "Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou". (Jo 6,38), mas também de sua própria vontade – “O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.” (Jo 10,17-18).

III.                A ÊNFASE DOS APÓSTOLOS. 

Nada nas mensagens pregadas e nos escritos dos apóstolos é tão enfatizado como o sacrifício do Senhor na cruz.

Para eles, como podermos ver em - "Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;" (1Cor 15,3), na cruz se cumprem os propósitos divinos. Entendiam que os sofrimentos presentes eram uma maneira de compartilhar do cálice do Senhor - "Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária". (1Pd 4,12), e que na cruz estava sua glória - "Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo". (Gl 6,14) em confronto com a vergonha que conserva o incrédulo - "A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina". (1Cor 1,18). Em sua doutrina, viam claramente que a maldição de Deus estava plenamente satisfeita no Calvário - "Cristo remiu-nos da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro (Dt 21,23)". (Gl 3,13).

Até mesmo o apóstolo João, em sua majestosa visão do Apocalipse, identifica o glorioso Senhor como Aquele que foi morto - "Pois estive morto, e eis-me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos". (Ap 1,18). Mais adiante reconhece o Cordeiro que foi morto, o qual possui autoridades para abrir os selos - "Então um dos Anciãos me falou: Não chores! O Leão da tribo de Judá, o descendente de Davi achou meio de abrir o livro e os sete selos". (Ap 5,5).

Assim nem mesmo a ressurreição que foi algo tão motivador, predominou na mensagem apostólica. Os apóstolos entenderam que a vitória sobre a morte só ocorreu por causa do sacrifício de Jesus na cruz.

IV.                A PERSISTENCIA DA IGREJA APESAR DA OPOSIÇÃO.

A verdadeira Igreja tem preservado, no decorrer dos anos de sua história, a fidelidade à genuína fé, mesmo em momentos, tanto do passado como presente, em que é preciso comprová-la com a oferta do próprio da vida.

Logo após a ressurreição de Cristo já havia, como registram os evangelhos, aqueles que buscaram corromper a realidade da vitória do Senhor sobre a morte. E a partir dali, esta tem sido uma luta permanente de muitos contra a fé.

CONCLUINDO


Hoje, um dos desafios ao cristão está m preservar a fé cristã diante de um mundo pó-moderno que se manifesta com a penetração de uma falsa mensagem cristã. Esta leva seus adeptos a acreditar na prosperidade, quando afirma que a cura de um dente cariado deve ser evidenciada, não com a cura da dor, mas com a presença do ouro; que o pecado nem sempre é culpa do desejo do homem caído, mas de uma entidade maligna, que deve ser rejeitada para alcançar o conforto. Enfim, verifica-se em diversas tendências que se apresentam como cristãs, o esfriamento da fé, priorizando o conforto e o prazer.

Através da historia da Igreja, verificamos que a verdadeira mensagem da cruz é demonstrada somente por aqueles que tem sua fé fundamentada na Bíblia.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ARAUTOS DE JESUS - 11 – ANÚNCIOS FINAIS DO SEU NASCIMENTO – Lc 1,26-38; 2,25-38; Mt 2,1-12.


O Antigo Testamento fez poderosos anúncios sobre Jesus. No Novo Testamento encontramos anúncios não menos espetaculares. O nascimento do maior homem que já viveu foi acompanhado desde o inicio por tremendas manifestações de graça e favor da parte de Deus. Ele usou anjos, sábios e profetas para anunciar que seu filho havia nascido e também para esclarecer aos homens qual seria a missão de Cristo.

  1. O ANUNCIO DO ANJO GABRIEL – Lc 1,26-38.

Em Lc 1,28-38 narra a acusação em que o anjo Gabriel foi enviado para dar a noticia a Maria sobre o nascimento do seu filho, o qual chamaria Jesus. Gabriel apareceu na Bíblia muito antes desse acontecimento, quando foi enviado para dar resposta à oração de Daniel – “e ouvi uma voz humana vinda do meio do Ulai: Gabriel, gritava, explica-lhe a visão.” – Dn 8,16; “... sim enquanto estava eu ainda falando na oração, o varão Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio voando rapidamente, e tocou-me à hora da oblação da tarde.” – Dn 9,21 – Ele também foi responsável por anunciar à prima de Maria, chamada Izabel, que esta teria um filho, o qual se chamaria João Batista. O anuncio a Maria, porem foi sem duvida a maior missão que aquele anjo já teve. Coube a ele a tarefa de anunciar que nasceria o Filho de Deus.

Quando Gabriel se apresentou a Maria, saudou-a chamando-a de “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.” – Lc 1,28 – indicando o alto privilegio concedido a ela de ser a mãe do Filho do próprio Deus. O anjo continuou falando: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.” Lc 1,30-31 – Nem sempre paramos para pensar no significado do nome “Jesus”, que é “O Senhor Salva”. Mateus nos diz que Jesus receberia esse nome porque seria o Salvador – “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados.” – Mt 1,21 – Isso nos leva a ter certeza de que não foi um nome escolhido ao acaso. Nem poderia ser, pois foi indicado pelo próprio anjo, que trazia uma mensagem do céu. De fato, o nome de Jesus anunciado pelo anjo Gabriel revela claramente quem seria aquela criança.

O anjo continuou: “Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.” Lc 1,32-33 – Já vimos nos anúncios do Antigo Testamento que o Messias seria chamado de “Filho de Deus” e que se assentaria no “Trono de Davi”. Aqui está a confirmação do anjo, que identificou o menino que nasceria de Maria como o Messias prometido. Notamos também a promessa angelical de um reino que “não terá fim” sobre a casa de Jacó. Essa era a promessa do Antigo Testamento que até o nascimento de Jesus não havia se cumprido nem parecia ter chance de se realizar, mas, segundo o anjo, ela se cumpria integralmente na pessoa de Jesus.

Maria perguntou ao anjo: “Como se fará isso, pois não conheço homem?” – Lc 1,34 – e o anjo respondeu: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.” – Lc 1,35 – Jesus não seria concebido da mesma forma que todos os homens, até porque não seria um homem comum. De alguma forma miraculosa, Maria conceberia do Espírito Santo, que há envolveria com poder e realizaria em seu ventre a fecundação e o nascimento de uma criança. Essa criança, esse “ente Santo”, nas palavras de Gabriel, seria chamado com todo direito de o “Filho de Deus”.

  1. O ANUNCIO DOS MAGOS – Mt 2,1-12

Outro anuncio impressionante sobre o nascimento de Jesus foi dado pelo famoso grupo de sábios que veio do Oriente seguindo uma estrela.

Quando chegaram a Jerusalém, os magos perguntaram: “Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.” – Mt 2,2 – Não sabemos exatamente o que eles viram, mas certamente foi um anuncio esplendido nos céus, o que ligaram com o nascimento de um rei. Há indícios de que naquele tempo aconteceram vários fenômenos no céu. Diz-se que houve uma conjunção entre os planetas Saturno e Júpiter, o que certamente causou admiração. Afirma-se ainda que o cometa Halley andou passando por lá. Nunca, porém, teremos certeza do que os Magos viram, sabemos apenas que viram um anuncio e foram conferir. De alguma maneira Deus revelou aqueles homens o que estava acontecendo.

No dia em que chegaram a Jerusalém, encontraram uma cena estranha, pois não havia festas e nem comemorações pelo nascimento do rei. Jerusalém estava completamente alheia ao nascimento do Messias. Deus estava promovendo o maior  acontecimento desde a criação do mundo, mas o seu povo estava completamente alheio.

Depois do encontro com Herodes e da afirmação do local do nascimento consultado nas Escrituras – “Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:” – Mt 2,5 – eles partiram, e, então, a estrela apareceu novamente e os precedeu, até que parou sobre o lugar onde estava o menino – “Tendo eles ouvido as palavras do rei, partiram. E eis que e estrela, que tinham visto no oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou.” – Mt2,9 – As estrelas, naquela época eram adoradas como deusas, mas a palavra de Deus, elas são do Senhor.

Os magos encontraram o Rei de toda a terra numa casa – “Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram.” Mt 2,11 – O ser mais glorioso que já existiu nasceu neste mundo em uma condição humilde. Eles não encontraram um rei vestido em trajes reais, no esplendor de sua força; encontraram o recém-nascido, uma criança que, como qualquer outra, precisava dos cuidados de sua mãe – ““Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe.” – Mt 2,11ª – e nem sequer o encontraram em um palácio, mas em uma casa humilde. Ainda assim, de todo o coração, prostáram-se e o adoraram – “Prostrando-se diante dele, o adoraram” Mt 2,11b.

Aqueles homens abriram seus tesouros e entregaram ao menino ouro, incenso e mirra – “Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.” Mt 2,11c – Ouro, entre outras coisas , simboliza realeza. Dos presentes que os orientais entregavam aos reis, certamente o ouro era o mais desejado. Aplica-se perfeitamente a Jesus, pois ele é o Rei. Na verdade, o único que tem o direito de ser chamado Rei. Seu reino e espiritual e estabelecido no coração e na vida de sua Igreja. É espiritual porque leva, direta e imediatamente, a um fim espiritual – a salvação do seu povo. Mas podemos dizer também que seu reino tem poder sobre as coisas materiais, sobre os reinos do mundo, pois todas as coisas lhe estão sujeitas.

O incenso, por sua vez, simboliza a oração que sob até Deus. Era função do sacerdote oferecer incenso a Deus. Jesus é considerado o sacerdote por excelência, pois ofereceu a Deus a maior das ofertas – sua própria vida. A função do sacerdote era interceder pelo povo, e Jesus fez a maior das intercessões quando morreu na cruz do Calvário para salvar todo aquele que nele crê. Além disso, ele atua como nosso advogado diante de Deus.

A mirra era uma planta aromática usada para muitas coisas, entre elas para preparar o embalsamento de corpo dos mortos, ela nos traz a idéia de sofrimento. Para Jesus, indicava a natureza do Servo Sofredor, sua humanidade e seu sofrimento. A mirra nos ajuda a lembrar que Jesus daria sua vida pelos pecadores como uma oferta de suave aroma de Deus.

Percebemos, que desde cedo, a vida de nosso salvador já estava descrita. Ele seria o servo que viria sofrer o castigo, a condenação do seu povo; o sacerdote que intercederia por seu povo, diante de Deus; e ao mesmo tempo, o Rei Eterno, que domina todo o universo. A vista dos magos foi um maravilhoso do Messias Jesus.

  1. O ANUNCIO DE SIMEÃO E ANA – Lc 2,25-38.

Outro anuncio interessantíssimo aconteceu dias depois, quando José e Maria levaram o menino Jesus ao templo para ser apresentado e circuncidado conforme a lei ordenava. Duas pessoas, um homem e uma mulher, estavam no templo naquele dia e, de uma forma maravilhosa, receberam aquela pequena criança o Messias de Israel. Eram Simeão e Ana.

De Simeão a Bíblia diz: “Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem, justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava nele.” – Lc 2,25 – Como Deus nunca abandona aqueles que esperam nele, o Espírito Santo revelou ao homem que teria a oportunidade de ver Cristo. E, assim, no dia em que Jose e Maria levaram Jesus ao templo, Simeão foi movido pelo Espírito Santo a ir até lá.

Ao ver o menino Simeão “tomou-o em seus braços e louvou a Deus nestes termos: Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo de Israel.” – 2,28-32 – Nessa primeira declaração, o Espírito Santo usou aquele homem para profetizar o tipo  de salvação que aquele menino significava, uma salvação não só para Israel, mas para todos os povos, mas que glorificaria Israel. Em seguida o homem se dirigiu a Maria e diz: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma.” – Lc 2,34-35 – Não só a gloria da salvação foi profetizada, como também o sofrimento do Messias para efetuar a salvação. Esse foi um poderoso anuncio do Messias.

“Havia também uma profetisa chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser; era de idade avançada. Depois de ter vivido sete anos com seu marido desde a sua virgindade, ficara viúva, e agora com oitenta e quatro anos não se apartava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.” – Lc 2,36-37 – também ela, quando viu o menino ficou extremamente impressionada e “louvava a Deus e falava de Jesus a todos aqueles que em Jerusalém esperavam a libertação.” – Lc 2,38 – A profetiza anunciou que Jesus seria o redentor de Jerusalém e louvou ao Senhor por ter cumprido sua promessa.

  1. CONCLUSAO.

Assim, Jesus foi anunciado por anjos, sábios e profetas. Todos tinham algo em comum para dizer sobre ele – não seria um homem comum. Teria sobre si a responsabilidade de salvar seu povo e seria amplamente capacitado por Deus para essa tarefa. Deveria encarar esta dor e o sofrimento, mas ao final seria coroado como vencedor. Esses foram anúncios espetaculares do Messias, o nosso Senhor Jesus.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A CRUZ DE CRISTO - LIÇÃO 01 – AS PROFECIAS A RESPEITO DA OBRA SALVIFICA DE CRISTO NO A T



Uma das boas lembranças que muitos guardam a infância é o presente de Natal tão esperado, principalmente aquele alcançado em recompensa por metas atingidas.

A leitura nos leva a pensar a respeito de um longo período da história em que o homem esperou por um presente de Deus – a sua salvação.
Vamos analisar alguns pontos das Escrituras, neste sentido, e algumas aplicações que eles nos oferecem.

I.                    REVELAM DEUS COMO AGENTE ATIVO.

Em todo processo preparatório para oferecer ao homem a salvação, Deus foi o coordenador para lhe dar uma oportunidade de restituir o relacionamento com Ele.
Assim, vemos o Senhor trabalhando desde o primeiro contato após a queda do homem, ainda no jardim do Éden, quando afirma sobre a vinda de um salvador - "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar." (Gn 3,15). Posteriormente, na chamada de Abraão para ser uma benção às nações, e por meio de sua descendência, Deus preparou o povo hebreu para ter entendimento da necessidade de um messias. Este conceito amadureceu s partir da aliança com eles no Sinai.
No período dos reis, observamos Saul que, mesmo em um momento de declínio de sua conduta, vê em Deus o seu agente de libertação – “Saul disse: Fazei vir aqui todos os chefes do povo; investigar e dizei-me qual é o pecado que hoje se cometeu. Pela vida do Senhor, libertador de Israel! Mesmo que fosse o meu filho Jônatas, ele morrerá! Mas ninguém na multidão lhe respondeu.” (1Sm 14,38-39). Sem dúvida, Davi tinha compreensão da completa incapacidade do homem em se auto-redimir – Sl 14,1-3 – e entende ser Deus o único capaz de faze-lo – “A salvação vem do Senhor; sobre o teu povo seja a tua bênção”. (Sl 3,8),
Não podemos ler o Primeiro testamento sem ter esta compreensão: sem uma ação exclusiva de Deus, não havia nada que o homem pudesse fazer para reconhecer seus pecados, livrar-se dos seus inimigos ou enxergar algum caminho para reconduzi-lo a Deus.
Foi por instrução divina que os profetas pregaram sobre o grande amor que existe no coração de Deus para oferecer ao homem um ato redentor, seja na particularidade com Israel ou entre povos pagãos, como no caso de Nínive nos dias de Jonas.

II.                  REVELAM SUA EFICACIA POR MEIO DE DIVERSAS FIGURAS.

Este foi um instrumento importante para dar ao homem a compreensão da justiça de Deus e da oportunidade de salvação oferecida por Ele. Diversos acontecimentos na historia registraram evidencias na cruz, como por exemplo:

Þ     A arca de Noé – onde vemos uma família que acreditou na Palavra de Deus e entrou em um abrigo salvador, oferecido por Deus;
Þ     A libertação de Israel do Egito – onde vemos o povo recebendo a providencia de Deus para a redenção da escravidão do jugo egípcio;
Þ     A obediência de Abraão em ir ao monte Moriá – onde Deus apresenta uma vida a favor de Isaque;
Þ     A formação de um povo – que nos faz entender que Deus quer que tenhamos um relacionamento familiar com Ele.

Se fizermos uma leitura minuciosa do Primeiro Testamento, poderemos ver a cruz em muitas outras figuras.

III.                REVELAM A NECESSIDADEDE UMA ALIANÇA DEFINITIVA.

A aliança estabelecida com Israel, no Sinai, permitiu que o povo entendesse que conduta deveria ter para um bom relacionamento com Deus. A lei determinava que tipo de sacrifício deveria ser feito em favor daquele cuja comunhão com o Senhor estivesse interrompida. Porém ninguém podia cumprir a Lei integralmente. Isso demonstra a fragilidade da Lei.
Paulo, escrevendo aos gálatas, disse - "Assim a lei se nos tornou pedagogo encarregado de levar-nos a Cristo, para sermos justificados pela fé". (Gl 3,24). Este texto nos ensina que a aliança do Sinai foi apenas um guardião para os que creram naquele concerto. A obediência à Lei era apenas um caminho para salvação. Ensina também que a plena estabilidade da relação do homem com Deus só se dará na Cruz de Cristo.

IV.                REVELAM QUE A SALVAÇÃO SERÁ REALIZADA POR UM MESSIAS.

Sem dúvida, o profeta que descreveu com maior exatidão a pessoa do Messias e sua obra na cruz foi Isaías.

Þ     Ele nasceria de uma virgem - "Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco". (Is 7,14);
Þ     Ele deveria sofrer em favor de muitos – Is 53;
Þ     Ele é a própria divindade – “chamará Deus Conosco” (Is 7,14);
Þ     Ele faria seu ministério pelo poder do Espírito Santo - "O espírito do Senhor repousa sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção; enviou-me a levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, e aos prisioneiros a liberdade;" (Is 61,1);
Þ     Ele estabelecerá um reino de paz – Is 11.

CONCLUINDO


O autor aos Hebreus afirmou que os cristãos do passado não seriam aperfeiçoados sem nós - "Porque Deus, que tinha para nós uma sorte melhor, não quis que eles chegassem sem nós à perfeição (da felicidade)". (Hb 11,40). Como é bom sabermos que Deus cuidou tão detalhadamente da nossa salvação já desde o período que compreende o Primeiro Testamento!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

ARAUTOS DE JESUS - 10 – ANUNCIADO PELO PROFETA MIQUEIAS – Mq 5,2-5.


Nos tempos de dificuldades sempre brotava na alma do povo de Israel o anseio pelo Messias que o liberta do jugo de seus inimigos. A época que Miquéias viveu foi marcada por esse desejo. O reino de Judá se encontrava numa difícil situação. A poderosa nação Assíria, com fome de conquista, lançava seus olhos para a terra de Judá, uma vez que a nação do norte, Israel, agora denominada Samaria, já havia caído e seus habitantes tinham sido levados cativos. Nesse tempo Miquéias traz à lembrança do povo à pessoa do Messias, indicando até mesmo o lugar onde Ele nasceria. Fala também da eternidade dEle e de seu reino e de sua paz.

  1. O NASCIMENTO DO MESSIAS.

“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá àquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” – Mq 5,2 – Como entender porque tantas pessoas nos dias atuais não conseguem aceitar que a Bíblia é a palavra inspirada por Deus? Não dá para ler um texto como esse sem sentir revolta diante do que falam tantos críticos que, muitas vezes sem sequer o ler, saem por ai falando absurdos sobre a Bíblia, tentando fazer dela uma colcha de retalhos ou um mero produto da experiência religiosa de um povo. Mais de seiscentos anos antes do nascimento de Jesus, Miquéias disse – “O Messias nascerá em Belém”. Esta era a cidade de Davi, que ficava cerca de 8 km de Jerusalém. Não era uma cidade importante da perspectiva nacional (havia muitas cidades mais importantes), mas era o local escolhido por Deus; lá nasceu o Messias, o filho de Deus.

Quando os magos vieram do oriente seguindo a estrela, chegando a Jerusalém, perguntaram a Herodes onde nascera o Messias. O rei consultou os estudos da lei que responderam – “Em Belém, na Judéia, porque assim foi escrito pelo profeta:” – Mt 2,4 – Os estudiosos citaram o texto de Miquéias para Herodes e para os Magos. Eles sempre souberam que o Messias nasceria em Belém, porem não se deram ao trabalho de ir até lá para conferir a verdadeira história.

Deus cumpriu a sua promessa. A pequena Belém, insignificante como a manjedoura em que Jesus nasceu, foi o palco do maior acontecimento da história deste mundo. Acontecimento esse que os poderosos não viram, até porque o Messias não nasceu para os poderosos, mas os humildes contemplaram sua face e assistiram ao nascimento do Rei dos reis.

Miquéias profetizou o local do nascimento do Messias, e ainda acrescentou um dado interessantíssimo sobre ele – “e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.” – Mq 5,2 – Ninguém falaria isso sobre um homem comum. Em sua profecia, Miquéias viu como eterno. Eterno não somente para frente, em direção ao futuro, mas também para trás, para o passado. As origens desde os tempos antigos talvez sejam uma referencia à promessa divina feia a Davi de que um descendente se assentaria no seu trono, mas a expressão “desde os dias da eternidade.” vai para muito alem disso. A origem do Messias, segundo a profecia de Miquéias, é a própria eternidade.

De fato, Jesus cumpriu a profecia de Miquéias, pois nasceu em Belém, porem suas origens é muito anterior a Belém, mergulham na eternidade. Os cristãos ortodoxos confessam que Jesus é o “eterno gerado do Pai”, ou seja, que não houve um momento em que Jesus passou a existir, mas Ele existe eternamente como filho de Deus, como a segunda Pessoa da “Santíssima Trindade”. Para Miquéias o Messias não seria homem comum, seria um ser eterno que nasceria em Belém. Não há duvidas, Miquéias estava falando de Jesus e anunciando.

  1. TEMPO DE SOFRIMENTO.

Miquéias profetizou que haveria muito sofrimento para a mãe do Messias até que ele nascesse – “Por isso, (Deus) os deixará, até o tempo em que der à luz aquela que há de dar à luz. Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.” – Mq 5,3 – Muitos tentam identificar “A que está para dar a luz” com Israel (Igreja), porém é melhor pensar em Maria, pois Jesus a chama de “mulher” por duas vezes (Jô 2,4; 19,26) e é profetizada em – Gn 3,15 e AP 12 – e este fala do nascimento de Jesus Cristo por uma mulher grávida que sente dores do parto. Ai, eu pergunto: Se a mulher é a Igreja como ela poderia ficar grávida e sentir as dores do parto?

Deus sempre mantém um remanescente para si. Quando Elias pensava que estava sozinho, Deus lhe disse que havia mais sete mil que ainda eram fieis a não haviam dobrado os joelhos perante Baal – “Mas reservarei em Israel sete mil homens, que não dobraram os joelhos diante de Baal, e cujos lábios não o beijaram.” – 1Rs 19,18 – Com relação a Israel, nunca foi plano de Deus salvar toda a nação, mas o remanescente – Rm  9,27; 10,22-23 – Este é o povo fiel, o qual Deus vem guardando para si desde o inicio, desde que prometeu a serpente que ela teria a cabeça esmagada pela descendência da mulher – Maria – conforme Lc 1,26-35. Pergunto novamente: quem engravidou? Maria ou a Igreja.

Desde aquele momento Satanás fez todo o esforço para destruir o descendente da mulher. João pinta esse quadro como um dragão diante da mulher pronto para lhe devorar o filho – AP 12,1-4 – querendo, por certo, referir-se a todas as tentativas malignas de impedir a vinda do Messias, que começaram com a morte de Abel e terminaram com a matança dos inocentes em Belém pelas mãos de Herodes.

Até a morte de Jesus, o sofrimento não acabaria para o povo de Deus, porém, quando o Messias nascesse, o restante de seus irmãos voltaria aos filhos de Israel – “Então o resto de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.” Mq 5,3 – Com a vinda do Messias os verdadeiros israelitas seriam congregados outra vez. Novamente precisamos dizer, Jesus é o único que pode cumprir essa profecia. Nunca houve alguém do povo de Deus que pudesse chegar perto do cumprimento desça profecia, mas Jesus a cumpre, não fisicamente, mas espiritualmente, pois na igreja todos os verdadeiros israelitas, descendentes espirituais de Abraão, o pai da fé, são congregados.


  1. O REINO DO MESSIAS.

O Messias, segundo Miquéias, seria o Rei de Israel. Esta foi a profecia – “Ele se levantará para (os) apascentar, com o poder do Senhor, com a majestade do nome do Senhor, seu Deus. Os seus viverão em segurança, porque ele será exaltado até os confins da terra.” – Mq 5,4 – Um rei firme que apascentaria o povo. Certamente essa era uma lembrança de Davi, o rei-pastor. O Messias não seria apenas um tirano que dominaria o povo, mas um bondoso rei que apascentaria o povo como pastor apascenta as ovelhas, cuidando delas, dando-lhes mantimento e segurança.

O profeta disse ainda que o governo desse rei-pastor seria no “poder do Senhor” e “na majestade do nome do Senhor”, ou seja, o poder de Deus estaria à disposição do Messias para governar e apascentar seu povo. O que essa descrição sugere é que o governo seria o próprio Deus, cujo representante na terra seria o Messias. Como conseqüência do governo poderoso do Messias, o povo habitaria seguro.

Poucas vezes Judá habitou seguro, talvez nenhuma. Durante os reinados de Davi e Salomão, Israel alcançou seu apogeu, porem sempre houve inimigos à espreita. Davi chegou a perder momentaneamente o trono. Salomão colheu mais do que ninguém o fruto do trabalho de seu pai e desfrutou do maior período de paz que a nação teve; porem, nem mesmo durante os dias de Salomão, pode ser dito que o povo habitou seguro. No tempo de Miquéias, a Assíria aterrorizava a nação eliminando totalmente as esperanças. Durante o reinado do Messias, essa maravilhosa promessa de segurança se cumpria. Era isso o que Miquéias queria dizer. Não haveria inimigos que assustassem o povo em, portanto, esta habitaria seguro porque o Messias seria engrandecido até os conflitos da terra. A conseqüência disso seria a paz, ou como o profeta declarou – “E assim será a paz.” – Mq 5,5 – A presença do Messias seria a presença da própria paz. Não uma paz feita quando dois inimigos deixam de lutar, mas uma paz soberana quando os inimigos não existem mais. Não haveria mais por quem lutar. Tudo alcançaria o estagio da perfeição do “Shalom” (paz); só restaria desfrutar, regozijar, descansar.

Todas essas afirmações só podem ser aplicadas a Jesus Cristo. Como sua vinda, ele estabeleceu um reino que cada dia cresce mais e mais, apesar de todas as tribulações da vida, seus discípulos têm a promessa da sua presença que garante segurança. Jesus é o verdadeiro rei-pastor que governa e apascenta seu povo. Paz é a conseqüência do seu reinado. Paz intima e paz externa. Em sua segunda vinda, Jesus cumprirá definitivamente todas essas promessas, pois estabelecerá um reino eterno, e o povo habitará em perfeita segurança e em perfeita paz.

  1. CONCLUSAO.

Na profecia de Miquéias, a descrição do Messias que nasceria em Belém, seria eterna, viria para estabelecer um reino que aumentaria progressivamente impulsionado pelo poder de Deus, apascentaria seu povo e lhe traria segurança, somente se encaixa na pessoa e no reino de Jesus. O eterno Filho de Deus nasceu em Belém, estabeleceu seu reino no coração dos homens, faz esse reino prosperar pelo poder de Deus e voltará para estabelecê-lo definitivamente sobre todos. Podemos crer na Bíblia e em Deus, pois suas promessas não falham. Triste, porém, foi o fato de que Jesus nasceu em Belém da Judéia e nos dias de Herodes, mas não foi reconhecido pelos que deveriam reconhecê-lo.