terça-feira, 27 de setembro de 2016

SÃO MIGUEL ARCANJO


SÃO MIGUEL ARCANJO - (AQUELE COMO DEUS)



(em hebraico: Micha'el ou Mîkhā'ēl; em grego, Mikhaḗl; em latim: Michael ou Míchaël; em árabe: Mīkhā'īl). 
É um arcanjo nas doutrinas religiosas judaicas, cristãs e islâmicas.
Os católicos, anglicanos e luteranos se referem a ele como São Miguel Arcanjo ou simplesmente como São Miguel. Os ortodoxos se referem a ele como Texiarca Arcanjo Miguel  ou simplesmente como Arcanjo Miguel.
Em hebraico, Miguel significa "aquele que é similar a Deus" (mi-"quem", ka-"como", El-"deus"), o que é tradicionalmente interpretado como uma pergunta retórica: "Quem como Deus?" (em latim: Quis ut Deus?), para a qual se espera uma resposta negativa, e que implica que "ninguém" é como Deus. Assim, Miguel é reinterpretado como um símbolo de humildade perante Deus.
Na Bíblia Hebraica, Miguel é mencionado três vezes no Livro de Daniel, uma como um "grande príncipe que defende as crianças do seu povo". A ideia de Miguel como um advogado de defesa dos judeus se tornou tão prevalente que, a despeito da proibição rabínica contra se apelar aos anjos como intermediários entre Deus e seu povo, Miguel acabou tomando um lugar importante na liturgia judaica.
Em Apocalipse 12,7-9, Miguel lidera os exércitos de Deus contra as forças de Satã e seus anjos e os derrotam durante a guerra no céu.
Na Epístola de Judas, Miguel é citado especificamente como "arcanjo". Os santuários cristãos em honra a Miguel começaram a aparecer no século IV, quando ele era percebido como um anjo de cura, e, com o tempo, como protetor e líder do exército de Deus contra as forças do mal. Já no século VI, a devoção a São Miguel já havia se espalhado tanto no oriente quanto no ocidente. Com o passar dos anos, as doutrinas sobre ele começaram a se diferenciar.

ETIMOLOGIA

Do termo “Arcanjo”
Arcanjo tem duas raízes, “arch” e “angelos”.
O prefixo grego “arch” deriva de “arché” que se refere tanto a “começo, ponto de partida, princípio”, como “suprema substância subjacente” ou “princípio supremo indemonstrável”.
A partir dessa raiz “arché” temos o antepositivo “arch”, em português, com o sentido de “aquilo que está na frente, o que está no começo, na origem, ponto de partida de um entroncamento”, sendo traduzido “acima”, “superior” ou “mais importante” e “o que governa, que dirige, que comanda, que lidera” e ainda carregando consigo ideias de poder, autoridade, império e superioridade.
Quanto ao grego “angelos”, vertido para “anjo”, significa simplesmente “mensageiro”.
A partir dessas raízes, portanto, a palavra “Arcanjo” se traduz “Líder dos Mensageiros”, “Chefe dos Mensageiros” "Capitão dos Anjos", "Primeiro Anjo", “Acima dos Anjos”, “Superior aos Anjos” “Anjo Superior” ou “Anjo Chefe”, num aspecto qualitativo de liderança e substancialmente de superioridade, da mesma maneira que se traduz palavras com o mesmo radical, tal como “arquiteto” (chefe dos construtores), “arcebispo” (classe hierárquica superior a Bispo), “hierarquia” (poder sagrado) ou “anarquia” (falta ou ausência de poder).

Do termo “Miguel”
A tradução literal para o nome Miguel é “Aquele/Quem como Deus”.
·         Mi = Aquele/Quem(?)
·         Ka = Como
·         El = Deus
Como no hebraico não existia sinais de pontuação, algumas palavras trariam consigo um significado inquisitivo. Por isso a partícula “Mi” que significa “quem” muitas vezes é traduzida sintaticamente como interrogação, ocorrendo em 350 textos do Antigo Testamento onde é mencionada.
Exemplo
“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.” (Is. 6,8)
Dessa forma, o Talmude sugere uma interpretação inquisitiva para o nome Miguel, tendo a tradução contextual “Quem é como Deus?” ou “Quem é semelhante a Deus?”. Este entendimento hoje não é compartilhado somente pela comunidade judaica, pois mais tarde foi incorporado pela cristandade em geral “para não colocar em causa a própria Escritura”, tanto por católicos e evangélicos, como adventistas, e também por outras comunidades religiosas, como as testemunhas de Jeová e os islâmicos. Mas para as cosmo visões judaica, jeovista e muçulmana, o pressuposto de não haver nenhuma outra pessoa igual a Deus (Sl. 35,10; 89,8) é literal, implicando sugestivamente a resposta “Ninguém é Igual a Deus” num entendimento retórico.
Quanto ao sufixo “El”, é também relacionado de forma regular com nomes significando afirmativamente “Deus” em todos os casos, tal como em Daniel (Deus é Juiz), Emanuel (Deus é Conosco), Ezequiel (A Força é de Deus), Samuel (Chamado pelo Nome de Deus), Gamaliel (Deus me Faz o Bem), Ananias (Deus é Clemente), João (A Graça é de Deus),Ismael (Deus Ouve), etc. Esse entendimento é compartilhado por algumas denominações cristãs trinitarianas e alguns famosos comentaristas bíblicos como Matthew Henry e até o próprio João Calvino, pai da Igreja Congregacional, da Presbiteriana e de muitas outras reformadas, trinitarianos convictos, entendendo o termo segundo a tradução literal. Para esses, diferentemente dos judeus, muçulmanos e testemunhas de Jeová, o Arcanjo Miguel não tem natureza angélica, e sim divina, sendo o próprio Cristo que veio com esse “nome de guerra” fazendo um desafio a Satanás que, desde o princípio, sempre desejou estar acima dos anjos e ser igual ao Criador (Is. 14,12–14).

REFERENCIA NAS ESCRITURAS.

Bíblia Hebraica
Na Bíblia Hebraica e, portanto, no Antigo Testamento, o profeta Daniel teve uma visão após um jejum (em Daniel 10,13-21), um anjo identifica Miguel como o protetor de Israel. O profeta se refere a Miguel como "um dos primeiros príncipes". Posteriormente, em Daniel 12,1, Daniel é informado sobre o papel de Miguel durante o "tempo de tribulação" que "nunca houve desde que existiu nação até aquele tempo" e que:
Assim, embora as três referências a Miguel no Livro de Daniel sejam referentes ao mesmo indivíduo que age de forma similar nos três casos, o último se coloca no "fim dos tempos", enquanto que os outros dois são na época contemporânea na Pérsia. Estas são as únicas referências ao arcanjo Miguel na Bíblia Hebraica.
As referências ao "capitão das hordas do Senhor" que estão no Livro de Josué nos primeiros dias da campanha pela Terra Prometida (veja Josué 5,13-15) foram por vezes interpretadas como sendo referentes ao arcanjo Miguel, mas não há nenhuma base teológica para esta proposição, dado que Josué claramente adorava essa figura e os anjos não eram adorados, o que indica que a figura possa se referir ao próprio Yahweh, ou algum representante especial do mesmo.

Novo Testamento
O Apocalipse (Apocalipse 12,7-9) descreve uma guerra no céu na qual Miguel, sendo o mais forte, derrota Satã:
Após o conflito, Satã foi atirado à terra juntamente com os anjos caídos de onde eles ainda tentam "desviar o caminho da humanidade”.
Em outro trecho, na Epístola de Judas (Judas 1,9), Miguel é referido especificamente como sendo um "arcanjo" quando ele novamente confronta Satã:
Uma referência a um "arcanjo" também aparece em I Tessalonicenses (I Tessalonicenses 4,16):
Porém, o arcanjo que marca a Segunda Vinda de Cristo não é mencionado. Alguns estudiosos sugerem que ele seja algum representante de Deus ou até mesmo o próprio Jesus Cristo, pois as referências sobre o que Jesus fará como líder do exército dos anjos de Deus é as mesmas do Arcanjo Miguel. Um fato interessante é que existe apenas um Arcanjo e ele, nas escrituras, faz as mesmas coisas que Jesus fez e/ou fará no futuro.
Nos Apócrifos

No livro de Enoque Miguel é designado como o príncipe de Israel. No livro dos jubileus ele é retratado como o anjo que instruiu Moisés na Torá. Nos manuscrito do Mar Morto é retratado lutando contra Beliel.

CRISTIANISMO

Cristianismo Primitivo
Os primeiros cristãos consideravam alguns mártires - como São Jorge e São Teodoro - como patronos militares. Porém, a São Miguel, eles entregavam bem-estar dos doentes e foi como um curador que ele era venerado na Frígia (na moderna Turquia).
O mais antigo e mais famoso santuário de São Miguel no antigo Oriente Próximo era associado com suas águas medicinais. Ele era chamado de Michaelion e foi construído no início do século IV pelo imperador romano Constantino I em Calcedônia, no local de um templo anterior chamado Sosthenion .
Uma pintura do Arcanjo Miguel matando uma serpente se tornou a principal no Michaelion após Constantino ter derrotado Licínio nas redondezas em 324, eventualmente tornando-a o padrão da iconografia de Miguel como um santo guerreiro, assassinando um dragão. O Michaelion tinha uma magnífica igreja e ela se tornou o modelo para centenas de outras igrejas no cristianismo oriental, que espalhou a devoção ao arcanjo.
No século IV, a homilia de Basílio de Cesareia, De Angelis, colocou Miguel acima de todos os outros anjos. Ele foi chamado de "Arcanjo" por ser o príncipe dos outros anjos. No século VI, a imagem de Miguel como curador continuava em Roma, algo visível pelo costume de os doentes, após uma epidemia, dormirem uma noite no Castel Sant'Angelo (dedicado a Miguel por ter salvo Roma), esperando a sua manifestação.
No século VI, o crescimento da devoção ao santo na Igreja Ocidental se manifestou pelas festas dedicadas a ele, como se pode ver no Sacramentário Leonino. No século VII, o Sacramentário gelasiano incluia uma festa para "S. Michaelis Archangeli", assim como o Sacramentário Gregoriano. Alguns destes documentos mencionam uma hoje inexistente Basilica Archangeli na Via Salária, em Roma.
A angeologia de Pseudo-Dionísio, que era amplamente lida já no século VI, dava a Miguel uma alta posição na hierarquia celestial. Posteriormente, no século XIII, outros, como Boaventura, acreditavam que ele seria o príncipe dos Serafins, a primeira das nove ordens angélicas. De acordo com Tomás de Aquino, ele seria o príncipe da última e mais baixa ordem, a dos anjos.
Catolicismo
Os católicos romanos e os ortodoxos geralmente se referem a Miguel como "São Miguel", um título honorífico cuja origem não foi uma canonização. Ele é geralmente nas litanias cristãs como "São Miguel Arcanjo". Os ortodoxos adicionalmente o chamam de"Archistrategos"  ou "Comandante Supremo das Hostes Celestiais"
Nos ensinamentos católicos, São Miguel tem quatro papéis principais. O primeiro é como comandante do Exército de Deus e o líder das forças celestes em seu triunfo sobre os hostes infernais. Ele é visto como um modelo angélico para as virtudes do "guerreiro espiritual", em guerra contra o mal, por vezes também visto como sendo a "batalha interna".
O segundo e o terceiro papel de Miguel lidam com a morte. No segundo, Miguel é o anjo da morte, levando a alma de todos os falecidos para o céu. Neste papel, na hora da morte, Miguel desce e dá à alma uma chance de se redimir antes da morte, atrapalhando assim o diabo e seus asseclas. As orações católicas em geral se referem a este papel de Miguel. No terceiro papel, ele mede as almas numa balança perfeitamente equilibrada (daí o motivo de ele ser também muitas vezes representado segurando uma balança)
Em seu quarto papel, São Miguel, o patrono especial do povo escolhido no Velho Testamento, é também o guardião da Igreja. Era comum o anjo ser reverenciado por ordens militares de cavaleiros durante a Idade Média. Este papel também se estende a ser o santo padroeiro de numerosas cidades e países.
O catolicismo romano inclui ainda tradições como a Oração de São Miguel, que pede especificamente que os fiéis sejam defendidos pelo santo. O Terço de São Miguel Arcanjo é composto por nove saudações, uma para cada ordem angélica.

Protestantismo primitivo

Alguns dos primeiros acadêmicos protestantes identificaram Miguel com a pré-encarnação de Cristo, baseando sua visão parcialmente na justa posição de "criança" e arcanjo no capítulo 12 do Apocalipse e também nos atributos dados a ele por Daniel.

Testemunhas de Jeová

As Testemunhas de Jeová acreditam que há apenas um "arcanjo" no céu e na Bíblia. Eles ensinam que o Jesus de antes da encarnação e após a ressurreição, e o Arcanjo Miguel são a mesma pessoa: "a evidência indica que o Filho de Deus era conhecido como Miguel antes de vir à Terra e é conhecido também por este nome após o seu retorno ao céu, onde ele agora está na forma do glorificado espírito Filho de Deus." Eles notam que o termo "arcanjo" na Bíblia só é usado no singular, jamais de forma clara no plural. Eles também afirmam que Miguel é o mesmo "Anjo do Senhor" que conduziu os israelitas no deserto. Sob este ponto de vista, o espírito que leva o nome de Miguel é chamado de "um dos principais príncipes", "o grande príncipe que tem o comando de seu [de Daniel] povo" e "o arcanjo" (Daniel 10:13, Daniel 12:1.

Adventistas do Sétimo Dia

Adventistas do Sétimo Dia acreditam que Miguel era outro nome para o Verbo Divino (como em João 1,1) antes d'Ele ter se encarnado como "Jesus". Ele seria o Verbo, não criado, por conta de quem todas as coisas são criadas. O Verbo então se fez nascer encarnado como Jesus.
Eles acreditam que o nome "Miguel" é importante para mostrar a sua verdadeira identidade, assim como Emanuel (que significa "Deus conosco"). Eles acreditam que o nome significa "aquele que é Deus" e que, como "Arcanjo" ou "comandante ou líder dos anjos", ele liderava os anjos e, por isso, a afirmação em Apocalipse 12,7-9 que identifica Jesus como sendo Miguel. Além disso, "Miguel" seria um dos muitos títulos associados ao Filho de Deus, a segunda pessoa da Divindade. E este ponto de vista não estaria de modo algum em conflito com a crença em sua Divindade Plena, pré-existência eterna e, também de maneira nenhuma, seria uma diminuição de Sua pessoa ou obra.
Ainda na visão adventista, a afirmação em I Tessalonicenses 4,16 identifica claramente Jesus com Miguel, assim como João 5,25.
Nas Escrituras ele é mostrado fazendo coisas que também se aplicam a Cristo desde o início, ele é também Cristo pré-encarnado.

Mórmons

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias acredita que Miguel é Adão, o Antigo de Dias (de Daniel 7), um príncipe e um patriarca da família humana e que Miguel ajudou Jehovah (a forma celeste de Jesus) na criação do mundo sob a direção de Deus Pai.

O ANJO MIGUEL NOS MANUSCRITOS DO MAR MORTO
Desde a publicação, em 1991, da quase totalidade dos textos descobertos no deserto da Judeia, comumente conhecidos como os manuscritos do Mar Morto, que o estudo acerca da angeologia judaica sectária e extra-bíblica teve um grande desenvolvimento.
Nestes textos, numa perspectiva que viria a ser recuperada pelos movimentos gnósticos do Século I, Miguel é apresentado como a figura celestial de Melquisedeque exaltado, elevado aos céus. É similarmente referido como o "príncipe da luz", conforme 11Q13, que dará combate ao "príncipe das trevas", Satã, Belial ou Melkireshah (o príncipe das profundezas da Terra). Este confronto dar-se-á aquando da grande batalha celeste que antecederá o fim dos tempos e a nova vinda do fundador da comunidade essênia, o "Mestre da Justiça", como Messias escatológico.
Neste contexto, e numa descrição profundamente ambivalente, em 4Q529 e 6Q23 o triunfo definitivo da paz não lhe é atribuído, conforme alguns depreendem de Judas 1,9, acima transcrito, onde Miguel recusa a função de juiz escatológico, mas apenas é o seu arqui-estratega. Miguel recusa inclusive o título de "Senhor" e de "Salvador", ao mesmo tempo que, segundo 4Q246, aguarda que, tal como o seu modelo histórico apresentado neste texto, Antíoco Epifânio, se possa autoproclamar "um deus" e ser adorado como deus, tal como aquele em Daniel 11,36-37.
Para outros, segundo a interpretação que fazem de alguns dos manuscritos do Mar Morto, Miguel é mesmo apresentado como o grande usurpador do senhorio de Deus numa opinião que, com alguns matizes, é idêntica à de movimentos para-cristãos nascidos no Século XIX. Segundo aquela referida interpretação, Miguel louvaria o malquisto rei Sedecias, referido em 2 Reis 24,19, prometendo-lhe, inclusive, uma aliança para que este leve a bom termo os seus planos malévolos.
Em síntese, a angeologia apresentada pela interpretação destes textos não é homogénea, mas aduz um grande leque de orientações desde as menos negativas como as que consideram Miguel como Melquisedeque exaltado, mas com desejos de ser adorado, até às profundamente negativas, as que o concebem como próximo do malévolo rei Sedecias. Nos primeiros séculos da nossa era, esta literatura teve muita influência em círculos gnósticos vindos do helenismo platonizado na medida em que a sua falta de clareza e a ambiguidade esotérica, quase a roçar o paganismo (de fato, tais perspectivas jamais poderiam ser tidas como inspiradas, quer pelo judaísmo, quer pelo cristianismo), serviu plenamente os seus intuitos de estabelecerem pontes de contacto com o crescente influxo cultural do cristianismo e, assim, não perderem a sua importância religiosa.

FESTAS, PATRONATOS E ORDENS.

Festas

Nas Igrejas Católica, Anglicana e Luterana, a festa do Arcanjo Miguel ocorre em 29 de setembro (no calendário ocidental), quando também se comemoram os anjos Gabriel e Rafael, chamada de "Festa de São Miguel e todos os anjos”.
Na Igreja Ortodoxa, a principal festa de São Miguel é em 8 de novembro (21 de novembro na maior parte das denominações ortodoxas, que ainda usam o calendário juliano), quando ele é homenageado com o resto dos "Poderes não encarnados do Céu" (os anjos) como sendo seu "comandante supremo". O "Milagre de São Miguel em Chonae" é comemorado em 6 de setembro.

Patronatos e ordens.

No cristianismo medieval, Miguel, juntamente com São Jorge, se tornaram santos patronos da cavalaria medieval e é hoje considerado como o santo patrono dos oficiais de polícia e militares.
No século XV, Jean Molinet glorificou o ato de guerra do arcanjo como o "primeiro feito de cavalaria e habilidade de cavaleiro que jamais fora realizado”. Assim, Miguel se tornou o patrono natural da primeira ordem de cavalaria da França, a Ordem de São Miguel, de 1469. No sistema de honras britânico, uma ordem de cavalaria fundada em 1818 também foi batizada em homenagem aos dois santos guerreiros, a Ordem de São Miguel e São Jorge. A Ordem de Miguel, o Valente é a mais alta condecoração militar na Romênia.
Além de ser o patrono de guerreiros, os doentes e os aflitos também consideram o Arcanjo Miguel como seu santo padroeiro. Baseando-se na lenda de sua aparição do século VIII em Mont-Saint-Michel, na França, o Arcanjo também é o santo patrono dos marinheiros em seu mais famosos santuário. Após a cristianização da Alemanha, onde as montanhas eram geralmente consagradas aos deuses pagãos, os cristãos colocaram-nas sob o patronato do Arcanjo Miguel e diversas capelas ao santo foram erigidas por todo o país. Ele também é o santo padroeiro de Bruxelas desde a Idade Média. A cidade de Arkhangelsk, na Rússia, foi batizada em sua honra e a Ucrânia - e sua capital,Kiev - considera o Arcanjo como seu padroeiro.

CONCLUSAO:
A CRIATURA espiritual chamada Miguel é mencionada poucas vezes na Bíblia. Mas, quando é mencionada, está sempre em ação. No livro de Daniel, Miguel guerreia contra anjos maus; na carta de Judas, ele tem uma disputa com Satanás; e em Apocalipse, guerreia contra o Diabo e seus demônios. Por defender o governo de Jeová e lutar contra os inimigos de Deus, Miguel faz jus ao significado de seu nome: “Quem É Semelhante a Deus?” Mas quem é Miguel?
Há casos em que as pessoas são conhecidas por mais de um nome. Por exemplo, o patriarca Jacó é conhecido também como Israel, e o apóstolo Pedro, como Simão. (Gênesis 49,1, 2; Mateus 10,2) Da mesma forma, a Bíblia indica que Miguel é outro nome de Jesus Cristo, antes e depois de sua vida na Terra. Vejamos algumas razões bíblicas para chegarmos a essa conclusão.
Arcanjo. A Palavra de Deus fala de Miguel, “o arcanjo”. (Judas 9) Esse termo significa “anjo principal”. Note que Miguel é chamado dearcanjo. Isso sugere que existe apenas um anjo assim. De fato, a palavra “arcanjo” ocorre na Bíblia apenas no singular, nunca no plural. Além do mais, o cargo de arcanjo se relaciona com Jesus. Sobre o ressuscitado Senhor Jesus

Cristo, 1 Tessalonicenses 4,16 diz: “O próprio Senhor descerá do céu com uma chamada de comando, com voz de arcanjo.” A voz de Jesus é descrita aqui como de arcanjo. Portanto, esse texto indica que o próprio Jesus é o arcanjo Miguel.

Líder militar. A Bíblia diz que “Miguel e os seus anjos batalharam contra o dragão. . . e os seus anjos”. (Apocalipse 12,7) De modo que Miguel é o Líder de um exército de anjos fiéis. Apocalipse também se refere a Jesus como Líder de um exército de anjos fiéis. (Apocalipse 19,14-16) E o apóstolo Paulo menciona especificamente o “Senhor Jesus” e “seus anjos poderosos”. (2 Tessalonicenses 1,7) Portanto, a Bíblia fala tanto de Miguel e “seus anjos” como de Jesus e “seus anjos”. (Mateus 13,41; 16,27; 24,31; 1 Pedro 3,22) Visto que a Palavra de Deus em nenhuma parte indica que existem dois exércitos de anjos fiéis no céu — um comandado por Miguel e outro por Jesus —, é lógico concluir que Miguel não é outro senão o próprio Jesus Cristo no seu papel celestial.

Marco Antonio Lana (Teólogo)




sábado, 16 de abril de 2016

INSUBORDINAÇÃO DE ARÃO E MIRIÃ


INSUBORDINAÇÃO DE ARÃO E MIRIà


Números capítulo 12

Ob.: LEMBRANDO A VOCÊS COMO BIBLISTA ESSA É A MINHA VISÃO. NÃO QUERO ABRIR POLEMICA NENHUM AQUI. CERTO!






Pouco sabemos sobre a vida doméstica de Moisés, pois ele foi muito discreto a esse respeito. Quando fugiu do Egito aos 40 anos era, ao que parece, solteiro, e depois casou-se com a midianita Zípora (Êxodo 2,21). É improvável que ela fosse cuxita (preta; Etíope), e a maioria dos comentaristas pensa que agora se tratava de uma segunda mulher, etíope, com quem ele teria se casado, talvez depois de se enviuvar. Cuxe era um dos filhos de Cam (Gênesis 10,8).

Miriã, mais velha que seus irmãos Moisés e Arão, era profetisa (Êxodo 15,20), esperta, talentosa e ambiciosa. Arão havia acompanhado Moisés em seu ministério, e fora designado por Deus para o alto cargo de titular do sacerdócio entre o seu povo, cargo esse que deveria continuar a ser desempenhado exclusivamente pelos seus descendentes.

O casamento com a cuxita (seu nome não é dado) rebaixou Moisés aos olhos de Miriã e Arão, de quem Moisés era o irmão mais novo. Parecia ser um problema familiar, mas trouxe à tona os ciúmes que sentiam pela posição e influência de Moisés sobre o povo e eles próprios.

Eles então procuraram pôr-se em pé de igualdade com Moisés, declarando que o SENHOR não havia falado só por Moisés, mas também por eles. No hebraico o verbo falaram (versículo 1) está no feminino singular, indicando que Miriã foi quem tomou a iniciativa. Antes de criticarmos os outros, pensemos bastante em nossos motivos: muitas vezes o que justificamos como "crítica construtiva" não passa de ciúmes destrutivos, pois a maneira mais fácil de nos elevar é baixar a reputação alheia.

O SENHOR, porém, sabia o que se passava.
"Moisés era um homem muito manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra". Se foi ele mesmo que escreveu isso, ele expressa um sentimento que nós também sentimos muitas vezes quando suportamos ofensas dos outros! Mas sabemos que o Espírito Santo inspirava Moisés quando escrevia a Sua Palavra, portanto é a expressão da verdade.
Mansidão não é fraqueza, ao contrário, ela consiste em uma índole calma, pacífica, que não se deixa provocar facilmente (Tiago 3,13). Existem promessas especiais para os mansos (Mateus 5:5, Isaías 66:2), e essa qualidade deve ser cultivada em nós (Colossenses 3,12, 1 Timóteo 6,11, Sofonias 2,3), exemplificada em Cristo (Mateus 11,29). Ser manso é, afinal de contas, ser obediente a Deus e fazer a Sua vontade.

O SENHOR mandou que os três saíssem à tenda da congregação (era um assunto de família). Quando os três chegaram lá, Ele também desceu na coluna da nuvem e se pôs à porta, chamando Arão e Miriã até a Sua frente. Ele então mostrou que havia uma enorme diferença entre seu relacionamento com Moisés e o que tinha com seus irmãos: Ele se fazia conhecer e falava aos profetas (como Arão e Miriã se consideravam) em visão e em sonhos, mas a Moisés falava frente a frente, claramente, e não por enigmas, porque ele era fiel em toda a casa de Deus. Como ousavam eles falar contra o Seu servo, Moisés?

Nenhum outro profeta no Velho Testamento teve este relacionamento com o SENHOR. Moisés foi um tipo de Cristo em seu serviço e em seu ofício de profeta, e ele profetizou de Cristo quando disse que Deus suscitaria ao povo um profeta semelhante a ele (Deuteronômio 18,15.18).

O que eles fizeram foi uma loucura, como Arão reconheceu ao pedir perdão de Moisés, chamando-o Senhor meu. Mas Miriã foi castigada com a temida doença da lepra. Lepra é uma figura externa e visível da corrupção do ser interior: assim como ela começa com um ponto minúsculo na pele e espalha gradualmente, desfigurando sua vítima e finalmente destruindo o seu corpo, o pecado aos poucos corrompe e degrada moralmente o ser humano, obrigando-o a ficar longe da presença de Deus, que é puro e santo.

No caso de Miriã, ela ficou toda leprosa instantaneamente: prova que era de origem sobrenatural, um julgamento da parte de Deus. Arão não foi feito leproso, provavelmente por causa do seu cargo de sumo - sacerdote: o povo precisava dele no tabernáculo. Além disso, Miriã foi quem havia iniciado a insubordinação. Arão era de caráter fraco e facilmente se deixava convencer pelos outros. Assustado, ele pediu perdão a Moisés, e pediu misericórdia para que sua irmã fosse curada.
É fácil olhar para trás, ver nossos erros, e reconhecer como fomos tolos. É bem mais difícil perceber com antecedência a tolice de algo que pretendemos fazer simplesmente porque nos agrada. Devemos eliminar pensamentos e motivos errados a fim de evitar ideias tolas que se convertem em ações tolas. Miriã e Arão tiveram que sofrer porque não o fizeram.

Moisés novamente deu prova da sua mansidão, clamando imediatamente ao SENHOR e rogando que a curasse. As intercessões de Moisés nos lembram as que Cristo, nosso advogado perante Deus, faz por nós (1 João 2,1).

O SENHOR respondeu a Moisés, lembrando-o que, no caso da ofensa de uma filha contra seu pai, em que ele a repreendesse cuspindo-lhe no rosto, seguir-se-ia um período de sete dias de vergonha (Deuteronômio 25:9, Isaías 50:6). Quanto mais envergonhada deveria ser Miriã, por ter ofendido não somente Moisés, mas também a Deus que o havia honrado com a sua posição!

Embora curada, ela foi obrigada a passar sete dias em reclusão fora do arraial (a primeira menção de prisão como castigo entre os israelitas). O povo teve que ficar acampado ali durante toda essa semana, detido por causa dela. Deus foi misericordioso, mas manteve a disciplina. Como a sua insubordinação foi pública, todos foram envolvidos na humilhação e castigo que ela sofreu.

Em seguida, o povo seguiu viagem pelo deserto em direção ao norte até Cades-Barnéia, no deserto de Parã, onde acampou outra vez.

domingo, 3 de janeiro de 2016

A Síndrome de Caim

A Síndrome de Caim



Gênesis 4,1-16


1      Introdução

 

a. Porque duas pessoas criadas de maneira igual, com o mesmo amor, o mesmo cuidado e o mesmo ensino religioso, se transformam mais tarde em pessoas completamente diferentes?

b. Vejamos o exemplo de Caim e Abel, que nasceram como fruto do amor de seus pais. O nascimento de Caim foi motivo de alegria para sua mãe, que assim falou: “com o auxilio do Senhor tive um homem” (Gn 4,1). O nascimento de Abel também foi recebido com alegria.

c. Certamente Adão criou aos dois filhos com o mesmo carinho e amor. Fico imaginando que Adão tenha contado aos dois filhos as histórias de suas vidas no Éden, sobre os encontros pessoais que eles tinham com Deus.  Eram filhos amados que tiveram as mesmas oportunidades.

c.1. Imagino que Caim recebera a mesma formação familiar que Abel, eles aprenderam sobre a justiça de Deus, sobre o seu amor, haviam escutado de seus pais sobre a misericórdia e a graça experimentada por eles pelos seus próprios pais.

c.2. Max Lucado, faz um retrato muito interessante sobre a maneira que esses filhos eram tratados por seus pais: “…pareciam iguais. Compatíveis. Criados na mesma cultura, brincando nas mesmas colinas. Brincando com os mesmos animais, falavam com o mesmo sotaque. Adoravam o mesmo Deus”.

c.3. Mas, porque um filho que tem as mesmas oportunidades e recebe o mesmo amor que outro, mata transformando-se num assassino? Quem poderia imaginar que o filho mais velho assassinaria o filho mais novo?

d. Caim e Abel tornam-se diferentes, mesmo sendo criados nas mesmas circunstâncias. Em um deles vemos a humildade em outro soberba. Em um, amor incondicional, no outro vingança gratuita. Um torna-se filho obediente, devoto a Deus, que honra seus pais, enquanto o outro simplesmente escolhe ser a ovelha negra. Um transforma-se no orgulho do pai, o outro no motivo de insônia da mãe. Um torna-se cristão dedicado, o outro um descompromissado com Deus. A bondade era a definição de um, o egoísmo a marca do outro.

e. Filhos criados da mesma maneira podem se tornam totalmente diferentes. É possível numa mesma casa um filho ser bom e outro matar seus pais de forma cruel, ou ainda roubar as economias da família. Foi assim com Caim e Abel. Mesma família, mesma devoção, mesma educação no lar, mesmo carinho, as mesmas oportunidades. Todavia, duas pessoas diferentes.

f. Observamos que no dia a dia, diante dos mesmos problemas e circunstâncias há pessoas que tiram de letra todas as crises que a vida lhes apresenta, vencendo mágoas, enquanto outros que enfrentam as mesmas coisas, deixam-se levar pela derrota, tornando-se pessoas fracassadas e ressentidas. Vemos casais que mantem a qualidade do casamento, e outros, que apesar de terem o mesmo amor, simplesmente se rendem a intrigas, ofensas, agressões e vivem apenas suportando um ao outro. Enquanto alguns aproveitam ao máximo o casamento, outros mal conseguem permanecer juntos.

f.1. O que é que justifica situações como estas? Falta de amor, falta de sorte? São pessoas que possuem boa experiência, boa formação, mas reagem de formas diferentes em situações idênticas pelas quais outros passam com dignidade e retidão. Há indivíduos que embora provados em tudo, mantêm uma vida de devoção e agrado a Deus, e outros expostos as mesmas provações e dificuldades entregam-se a vícios e a tantos outros pecados, e finalmente a derrota.

g. Como podemos perseverar na Tonica da vitória, com o nosso maior inimigo batendo a porta?

g.1.  uma resposta para esta pergunta. Vejamos Gênesis 4,7.: “Se  você fizer o bem, não será aceito? Mas, se não fizer, saiba que o pecado ameaça a sua porta, ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo”. Caim não procedeu de forma adequada permitindo que o pecado o dominasse. É isto que chamamos de “Síndrome de Caim”. Ele não teve a atitude certa de dominar o pecado, deixando-se conduzir pelo erro

2 - A origem da Síndrome de Caim

 

a. Quando temos um problema, uma situação difícil em nossas vidas ou um momento indesejável, se tivéssemos o poder de mudar tais situações, com certeza absoluta o faríamos. Se nós pudéssemos acabar instantaneamente com todos os nossos problemas, se pudéssemos mudar uma situação que nos causa desagrado, acho que sem hesitar, assim nós faríamos.

a.1. Rick Warren diz: “…A chave para uma amizade com Deus não é mudar o que fazemos, mas mudar a atitude em relação ao que fazemos…”.

a.2. De fato, mudar a nossa atitude em relação a uma situação é muito importante. A vida é feita de escolhas, toda situação sempre oferece escolha. Você escolhe como reagir a ela. Pertence a mim e a você, a escolha de como iremos reagir aos problemas e circunstâncias da vida.  As nossas reações e escolhas diante dos diversos momentos desta vida, determinam nosso sucesso ou fracasso.

a.3. Quando um jovem tem um problema em seu emprego, ele pode ver neste problema, um obstáculo ou uma oportunidade para seu crescimento. Tudo depende da escolha de fazemos nestas horas. Diante das maiores contrariedades da vida, somos responsáveis por aquilo que nos tornamos.

b. É nossa escolha desistir ou prosseguir, amar ou odiar, optar pelo animo ou desânimo, esperar ou desesperar-se, viver contente em toda e qualquer situação ou escolher a murmuração, suportar tudo e acomodar-se ou reagir em busca de melhora e mudanças positivas. As nossas escolhas determinam o sucesso ou fracasso. Tanto a derrota como a vitória de um cristão começam com o tipo de escolha que este faz.

b.1. Veja o que diz Jeremias 7:24.: “Mas, eles não me deram ouvidos nem deram atenção. Antes, seguiram o raciocínio rebelde dos seus corações maus. Andaram para trás e não para frente.” O povo de Israel serve de exemplo. As escolhas erradas do povo os fizeram regredir e andar para trás. Por causa de escolhas erradas, estabeleceu-se a derrota e não a vitória, castigo em vez de alivio, maldição em lugar de benção.

b.2. As nossas escolhas determinam resultados bons ou ruins. Se nossas escolhas forem coerentes com os propósitos de Deus, elas podem transformar maldição em benção, tristezas em alegrias, noites em dias, vale de trevas e morte em céu, problemas em soluções, capacitando-nos a celebrar a vida, mesmo vestida de dor.

c. Deus nos deixa livre para escolhermos. Porém, uma vez que a nossa é efetuada, não temos mais como controlar as consequências, porque acionamos a lei das consequências não planejadas. Se continuarmos a fazer o que sempre fizemos vamos continuar recebendo o que sempre recebemos. Em outras palavras, se queremos evitar os mesmos resultados de sempre, precisamos mudar os mesmos comportamentos de sempre.

c.1. Assim, por exemplo, se uma pessoa peca contra Deus, adulterando. A partir desse momento, ela não controla mais as consequências desta escolha. Escolha tem consequência. Portanto, antes de tomar alguma decisão importante, é bom pensarmos nas consequências.

c.2. Apesar do pecado ter perdão. Lembre-se que temos que enfrentar as consequências do pecado. David adulterou com Batseba, e desse adultério nasceu um filho. Mas, o profeta Natã repreende David, e o filho nascido de uma união adultera mais tarde morre.  Pecado tem consequência.

d. Há algumas coisas que nós não podemos controlar:

d.1. Não controlamos o passado, mas podemos impedir que as lembranças do passado nos atrapalhem no presente. Há muita gente vivendo do passado, sendo perturbada por ele, e por isso precisa de libertação.

2      - O problema de Caim:

 

Escolha influenciada pelo mal

a. É a falta de boas escolhas que tem destruído a vida de muitas pessoas.

Os insucessos na vida espiritual, emocional ou física, começam com a realização de más escolhas. Uma escolha divorciada da vontade de Deus pode levar uma pessoa a ruína. Esse foi o problema de Caim. Por isso, sua oferta não foi aceita, uma vez que suas atitudes a estragaram.
b. Mas, quanto a Abel, Deus aceita sua oferta. A aceitação de Abel não estava relacionada com sua simpatia pelo que ele era fisicamente. Deus tampouco tinha preferências por Abel e rejeição por Caim. A razão da aceitação de um e rejeição de outro começa no coração.

b.1. Veja o que diz  Genesis 4,4-5.: “….o Senhor aceitou com agrado Abel e sua oferta, mas não aceitou Caim e sua oferta“.

b.2. Neste versículo, Deus atenta para duas coisas: para a vida e a oferta. Primeiro Deus olha para a vida de Abel – para o seu coração – e o aceita, para depois aprovar a sua oferta.  O mesmo acontece com Caim – Deus olha para a atitude em seu coração – rejeita-o e, consequentemente a sua oferta também.

b.3. Vejamos um pouco da atitude de Abel nas analises de Ann Splangler:

“Quando um animal dos rebanhos de Abel dava cria pela primeira vez, o recém nascido era marcado. “Este pertence ao Senhor”. Era o que pensava Abel. “É o mais perfeito, merece ser premiado”.

Por outro lado, como um homem que procura uns trocados no bolso para atirar na bandeja de oferta, Caim apresentou apenas uma porção “do fruto da terra”. “Isso será suficiente”, raciocinou Caim. Sua intenção era guardar para si mesmo o melhor da sua colheita.

b.4. A diferença entre Abel e Caim era clara. Abel escolhia sempre fazer e dar o melhor para Deus. Caim escolhia não dar e fazer o melhor por Deus. As escolhas fizeram com que um fosse aprovado e outro rejeitado. As intenções nos corações de um e outro geraram aprovação e rejeição da parte de Deus.

c. A atitude interior de Caim estragou a oferta, pois ela tornou-se a expressão da maldade que havia dentro de um coração divorciado de Deus. Acerca disso a palavra do Senhor diz: “Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim. Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus aprovou as suas ofertas. Embora esteja morto, por meio da fé ainda fala. Não sejamos como Caim, que pertencia ao maligno e matou o seu irmão. E porque matou? Porque suas obras eram más e as de seu irmão eram justas.”

c.1. O âmago do problema de Caim estava na má atitude do seu coração. Ele resistia em proceder de forma aparentemente justa, mas Deus viu que suas obras eram más, e sua oferta portanto, não tinha o mesmo valor que a de Abel.

d. Pense em seus pensamentos como sementes. Alguns tornam-se flores. Outros ervas daninhas espinhosas. Plante sementes da esperança e desfrute o otimismo. Plante sementes de dúvida e espere insegurança.  Lembre-se do que diz a palavra: “tudo aquilo que o homem semear, isto também colherá”

d.1. Deveríamos escolher melhor os pensamentos que entram em nossas mentes. Deveríamos colocar uma sentinela, para que não entrem em nossos corações as sementes ruins.  Lembremos do que diz a palavra: “…sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida.”

4 - Um exemplo de vitória nas escolhas – Daniel

 

a. A história de Daniel merece atenção. Daniel não pode evitar ser preso e levado cativo para a Babilônia (leia nisso: as circunstâncias contrárias). Na condição de prisioneiro, recebeu a determinação de morar no palácio (Veja nisso as limitações de Daniel), a fim de ser instruído em toda a sabedoria dos caldeus, com o propósito de servir ao rei (Leia nisso: outras pessoas contra o desejo de servir a Deus). Seu nome foi mudado, seus alimentos determinados e até sua bebida foi escolhida (Veja nisso uma formação pagã).

a.1. Mas, a atitude de Daniel fez diferença nesta situação para ele, para Deus, para seus opressores e também para aqueles que viveriam a seu lado. Daniel não alimentou o ódio, sentimentos de fracasso, não se acomodou com aquela situação. Daniel escolheu nutrir a atitude correta em seu coração. Ele plantou a semente de boa qualidade, a fim de produzir frutos bons.

b. Daniel optou pela atitude de não pecar contra Deus; por isso, propôs, em seu coração, não se contaminar com a comida do rei, nem com o vinho que ele bebia. A vitória de Daniel começou com a escolha que ele fez em seu coração. Antecipadamente, decidiu qual seria seu comportamento, qual seria sua ação: “Daniel propôs no seu coração não se contaminar”.

b.1. Foi neste ponto que Daniel venceu, e exatamente neste aspecto que Caim se destruiu. Daniel venceu por causa das atitudes existentes em seu coração para com Deus.  Somos o produto das atitudes que estabelecemos no coração. Manter uma boa atitude é o que nos diferencia como pessoas neste mundo, pois “nossas escolhas não apenas direcionam o nosso futuro como também afetam o que nós somos hoje”.

c. Ao falarmos de atitudes e escolhas, lembremos de que Paulo nos ensina a ter a atitude vitoriosa  de Cristo Jesus. Vejamos Filipenses2: 5.: “Tendes em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo”.  Jesus, quando neste mundo em forma humana, viveu movido pela atitude de glorificar a Deus, alcançando o homem perdido em seus pecados. Foi essa escolha que levou Jesus, mesmo sendo em forma de Deus, a esvaziar-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. Foi essa escolha que gerou a sua vitória, foi essa escolha que o fez ser exaltado.

c.1. A atitude de glorificar o pai fez toda a diferença quando Jesus enfrentou a agonia, a angústia no Getsêmani e a humilhação da cruz. Foi essa escolha que o fez dizer: “Que não seja a minha vontade e sim a tua. Por estar com um coração rendido ao pai Jesus, fez a escolha certa, e mais tarde foi exaltado, passando a ter um nome que está acima de todo nome.

c.2. Quando rendemos nosso coração a Deus, recebemos também o coração dEle em nós, e quanto mais próximo estamos do seu coração e  do conhecimento de sua vontade, mais fácil se torna obedecer-lhe. É isso que nos mantêm no caminho da vitória. É isso o essencial para a vida!

c.2.1. Mas, para nos rendermos a vontade de Deus precisamos praticar as palavras de Jesus conforme estão Lucas 9:23-25.: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.   Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.   Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?”

c.2.2. Eugene peterson interpretou estas palavras de Jesus da seguinte maneira:  “Qualquer um que deseja estar comigo tem que me deixar liderar: Você não está no lugar do motorista – eu estou.”

c.2.3. Mas, qual tem sido a sua escolha? Você tem agido como o motorista da sua vida, de suas decisões, de suas atitudes? Então, você está num carro completamente desgovernado, que a qualquer momento pode sair da pista e bater contra uma árvore. Mas, se sua escolha é colocar Jesus como este motorista, então, pode ter plena certeza de que este carro vai chegar ao seu destino!

5 - As atitudes da Síndrome de Caim

a. Pegue um pote de barro e pinte com uma tinta qualquer. Aquela fina camada de tinta será capaz de esconder o barro. Talvez ninguém perceba que o pote seja de barro, por causa de uma fina camada de tinta. Mas, se o pote quebrar todos verão que ele é feito de barro.

a.1. Veja o que diz Provérbios 28,14.: “como uma camada de esmalte sobre um vaso de barro, os lábios amistosos podem ocultar um coração mau”.

a.2. Alguém já disse que as aparências enganam. Ao examinarmos a vida de Caim constatamos essa realidade. Ele tinha a aparência de alguém correto, interessado ofertar a Deus, mas a aparência de Caim escondia suas reais intenções e atitudes.

b. Existem atitudes na vida de um homem, que podem até parecer boas e corretas, porém podem impedir este de avançar, fazendo-o cair em ruína.

5.1. Incapacidade de assumir responsabilidades

a. A oferta de Caim não era adequada. Deveria conter sangue. Afinal, todo sacrifício animal continha sangue. Mas, Caim apresenta a Deus um produto próprio de suas mãos, desconsiderando as regras estabelecidas para a realização de um sacrifício, e dessa forma, ignorando, os princípios da expiação vicária, que mais tarde teria cumprimento total na crucificação.

b. Na oferta oferecida a Deus, Caim revela sua indisposição para assumir responsabilidades. Sua responsabilidade era oferecer uma oferta segundo os princípios estabelecidos, mas não o faz. Ele erra ao agir assim, mas erra mais ainda ao não reconhecer que errou. Deveria ter agido com responsabilidade, reconhecendo que sua oferta estava aquém das expectativas divinas, e portanto, ter corrigido seu erro. Mas, em vez de agir, reage!

b.1. Veja sua reação: “Mas (Deus) não aceitou Caim nem a sua oferta. Por isso, Caim se enfureceu e o seu rosto se transtornou.” Eis aqui, uma reação de caráter negativo.

b.2. Caim deveria ter reagido de outro modo, admitindo que agira de forma incorreta e então voltar a apresentar novamente a sua oferta do jeito certo. Mas, sua atitude de não admitir erros e não assumir responsabilidades por seus atos, o lança-o no rumo da sua própria destruição.

c. A incapacidade de assumir responsabilidades é um problema presente em nossos dias. Quantos resistem a idéia de que precisam admitir sua culpa, reconhecer seus erros e responsabilidades pelos infortúnios e fracassos pessoais. Alguns não poupam sequer seus antepassados. Dominados pela síndrome de Caim, culpamos pais, avós,  etc… Outros, estão prontos para culpar igreja, amigos, pastor, pelos seus fracassos e crises pessoais. Como é difícil para muitos admitirem: “Eu sou o culpado e responsável por essa ou tal situação.”

d. A síndrome de Caim transforma-nos em pessoas muito mais inclinadas para reagir do que agir. Pessoas que estão concentradas em reações, podem ser tentadas a se deixar levar pelas piores e mais negativas atitudes.

5.2. Viver como se a vida fosse uma competição

a. Ao invés de ficar alegre com as conquistas de Abel, Caim se amargura, fica desgostoso. Caim vê a vida como uma competição. Ao ver assim, não se alegra com o crescimento, conquistas pessoais dos outros. Caim era o tipo de pessoa que precisava empatar com os outros que viviam ao seu lado. Caim ansiava pela igualdade. Ele não admitira que sua oferta fosse recusada enquanto a do outro fosse aceita.

b. Em quantas famílias as pessoas são destruídas por essa atitude errada. Patrões, empregados, cônjuges, pais, filhos, amigos que se arrebentam por enxergar a vida dessa forma – uma verdadeira e continua competição! Um lugar onde se deve sempre ter um  vencedor e um derrotado. Não consideram a possibilidade de que poderiam se alegrar com o sucesso daqueles que convivem a seu lado, apenas adorando a Deus de todo coração. São dominados pela Síndrome de Caim!

5.3. Valorização exagerada de si mesmo

a. O orgulho impediu Caim de tentar ofertar novamente, de modo a procurar ser aceito por Deus. A soberba é a maior parceira das desgraças na vida de um homem. Tentar de novo? Reconhecer o erro? Isso é uma vergonha! É assim com Caim. Ele permite que o orgulho domine seu coração por inteiro.

b. O orgulho de Caim o faz pensar que sua vontade era mais importante que a vontade de Deus. O jeito de Caim de ser, era a seu ver, a única maneira de viver a vida.

b.1. Veja o que faz Caim em Gênesis 4:16-17: “Então Caim afastou-se da presença do Senhor e foi viver na terra de Node, a leste do Éden. Caim teve relações com uma mulher, e ela engravidou e deu a luz Enoque. Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Enoque.”

b.2. Preste atenção as palavras do texto acima: …foi viver… teve relações… fundou uma cidade… Qual foi o nome da cidade? Enoque, o nome de seu filho! Caim no controle de tudo, vivendo a vida do seu jeito, conforme sua vontade, auto suficiente, determinado em fazer as coisas a seu modo, baseado em sua própria força, rejeita a direção e soberania de Deus sobre sua vida.


c. Caim age a seu jeito, à sua maneira, como um orgulhoso convicto.  A filosofia de Caim era: “Já que Deus não me aceitou, vou fazer do meu jeito. Nada de clamar pela bondade e misericórdia de Deus. Nada de buscar direção e harmonia com Deus.