sábado, 30 de março de 2013

DOMINGO - PÁSCOA DA RESSURREIÇAO

 
 
Leitura (Atos 10,34.37-43)
Leitura dos Atos dos Apóstolos.
10 34 Então Pedro tomou a palavra e disse: “Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, 
37 Vós sabeis como tudo isso aconteceu na Judéia, depois de ter começado na Galiléia, após o batismo que João pregou. 
38 Vós sabeis como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com o poder, como ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com ele. 
39 E nós somos testemunhas de tudo o que fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, suspendendo-o num madeiro. 
40 Mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e permitiu que aparecesse, 
41 não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia predestinado, a nós que comemos e bebemos com ele, depois que ressuscitou. 
42 Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. 
43 Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome”. 
Palavra do Senhor.

Salmo responsorial 118
Este é o dia que o Senhor fez para nós:
alegremo-nos e nele exultemos!

Dai graças ao Senhor, porque ele é bom!
“Eterna é a sua misericórdia!”
A casa de Israel agora o diga:
“Eterna é a sua misericórdia!”

A mão direita do Senhor fez maravilhas,
a mão direita do Senhor me levantou.
Não morrerei, mas, ao contrário, viverei 
para cantar as grandes obras do Senhor!

A pedra que os pedreiros rejeitaram
tornou-se agora a pedra angular.
Pelo Senhor é que foi feito tudo isso:
que maravilhas ele fez a nossos olhos!


Leitura (Colossenses 3,1-4)
Leitura da carta de são Paulo aos Colossenses. 
3 1 Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus. 
2 Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra. 
3 Porque estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. 
4 Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. 
Palavra do Senhor.
Seqüência
Cantai, cristãos, afinal: “Salve ó vítima Pascal!” Cordeiro inocente, o Cristo abriu-nos do Pai o aprisco. Por toda ovelha imolado, do mundo lava o pecado. Duelam forte e mais forte: é a vida que enfrenta a morte. O rei da vida, cativo, é morto, mas reina vivo! Responde, pois, ó Maria: no teu caminho o que havia? “Vi Cristo ressuscitado, o túmulo abandonado. Os anjos da cor do sol, dobrado ao chão o lençol. O Cristo, que leva aos céus, caminha à frente dos seus!” Ressuscitou de verdade. Ó rei, ó Cristo, piedade!
 
Evangelho (João 20,1-9)
Aleluia, aleluia, aleluia.
O nosso cordeiro pascal, Jesus Cristo, já foi imolado. Celebremos, assim, esta festa na sinceridade e verdade (1Cor5,7s).


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. 
20 1 No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. 
2 Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: “Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!” 
3 Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro. 
4 Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. 
5 Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou. 
6 Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão. 
7 Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte. 
8 Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu. 
9 Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos. 
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
O SEPULCRO VAZIOOs discípulos começaram a se dar conta da ressurreição do Senhor, ao se depararem com o sepulcro vazio. Maria Madalena, alarmada, pensou que o corpo de Jesus tivesse sido retirado, à surdina, e colocado num outro lugar. Pedro, tendo acorrido para se inteirar dos fatos, apenas constatou onde estavam o lençol e os demais panos com que Jesus havia sido envolvido. O discípulo amado, este sim, começou a perceber que algo de muito extraordinário havia acontecido. Por isso, foi capaz de passar da constatação do sepulcro vazio à fé: "Ele viu e acreditou".
O sepulcro vazio, por si só, não podia servir de prova para a ressurreição do Senhor. Seria sempre possível acusar os cristãos de fraude. Poderiam ter dado sumiço ao cadáver de Jesus, e sair dizendo que ele ressuscitara. Era preciso ir além e descobrir, de fato, onde estava o corpo do Mestre. 
O discípulo amado, de imediato, cultivou a esperança de encontrar-se com o Senhor. Sua fé consistiu na certeza de que o Mestre estava vivo, não no sepulcro, porque ali não era o seu lugar. Senhor da vida, não poderia ter sido derrotado pela morte. Filho amado do Pai, as forças do mal não poderiam prevalecer sobre ele. Embora sem ter chegado ao pleno conhecimento do fato, a fé na ressurreição despontava no coração do discípulo amado.

Oração
Espírito de ressurreição, como o discípulo amado, creio que o Crucificado venceu a morte e as forças do mal.
 

 

A VERDADEIRA PASCOA



A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes do nosso calendário. Atualmente, tornou-se uma data tão comercial, que poucos lembram ou conhecem seu verdadeiro significado. Para além dos chocolates e presentes, reforço a origem do termo, que remonta a aproximadamente 1.445 anos antes de Cristo.

Para contextualizarmos, neste período, de acordo com a Bíblia, os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó viviam como escravos há mais de quatrocentos anos no Egito. A fim de libertá-los, Deus designou Moisés como líder do povo hebreu (Êxodo 3-4). 

Em obediência ao Senhor, Moisés dirigiu-se a Faraó a fim de transmitir-lhe a ordem divina: “Deixa ir o meu povo”. Para conscientizar o rei da seriedade da mensagem, Moisés, mediante o poder de Deus, invocou pragas como julgamentos contra o Egito. 

No decorrer de várias dessas pragas, Faraó concordava deixar o povo ir, mas, a seguir, voltava atrás, uma vez a praga sustada. Soou a hora da décima e derradeira praga, aquela que não deixaria aos egípcios nenhuma outra alternativa senão a de lançar fora os israelitas: Deus mandou um anjo destruidor através da terra do Egito para eliminar “todo primogênito... desde os homens até aos animais” (Êx.12,12). 

A primeira Páscoa

Como os israelitas também habitavam no Egito, o Senhor emitiu uma ordem específica a seu povo. A obediência a essa ordem traria a proteção divina a cada família dos hebreus, com seus respectivos primogênitos. Cada família tomaria um cordeiro macho, de um ano de idade, sem defeito e o sacrificaria. Famílias menores podiam repartir um único cordeiro entre si (Êx. 12,4). 

Os israelitas deviam aspergir parte do sangue do cordeiro sacrificado nas duas ombreiras e na verga da porta de cada casa. Quando o destruidor passasse por aquela terra, ele não mataria os primogênitos das casas que tivessem o sangue aspergido sobre elas. Daí o termo Páscoa, do hebreu pesah, que significa “pular além da marca”, “passar por cima”, ou “poupar”. 

Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação à morte executada contra todos os primogênitos egípcios. Deus ordenou o sinal do sangue, não porque Ele não tivesse outra forma de distinguir os israelitas dos egípcios, mas porque queria ensinar ao seu povo a importância da obediência e da redenção pelo sangue, preparando-o para o advento do “Cordeiro de Deus,” Jesus Cristo, que séculos mais tarde tiraria o pecado do mundo (Jo 1,29). 

De acordo com a Bíblia, no livro de Êxodo, capítulo 12, versículo 31, naquela mesma noite Faraó, permitiu que o povo de Deus partisse, encerrando assim, séculos de escravidão e inaugurando uma viagem que duraria quarenta anos, até Canaã, a terra prometida.

A partir daquele momento da história, os judeus celebrariam a Páscoa toda primavera, obedecendo as instruções divinas de que aquela celebração seria “estatuto perpétuo” (Êx 12,14). Era, porém, um sacrifício comemorativo, exceto o sacrifício inicial no Egito, que foi um sacrifício eficaz.

Libertação

Assim sendo, lembremos, não somente nesta data, mas em todos os dias, o verdadeiro significado da Páscoa. Assim como o Todo Poderoso libertou os hebreus da escravidão no Egito, Deus quer nos libertar da escravidão do pecado e por isso, enviou seu Filho, Jesus Cristo, para que “todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo. 3,16) Vida esta conquistada com sangue “porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós.” (I Cor 5,7)

Marco Antonio Lana -  Teólogo

sexta-feira, 29 de março de 2013

GÊNESIS - LIÇÃO 09 – ABRAÃO – o pai dos cristãos



Desde que Deus chamou Abraão, ficou evidenciado nele o alto propósito divino – fazer do patriarca uma grande nação, um grande povo. Abraão foi chamado para uma vocação sem precedentes. Esse alto propósito de Deus precisava de preparo, e era isso que o Senhor faria com Abraão.

I.                    AS RAZÕES DA FÉ – Gn 15,1-21.

Abraão, mais do que nunca, precisava viver pela fé. Deus deu a Abraão três razões para que vivesse por sua fé.

1.      Deus prometeu a Abraão um filho, e sua descendência seria inumerável – vv 4-6. Abraão reconheceu que esta promessa era humanamente irrealizável, mas creu no Senhor. Esta expressão “creu”, no hebraico, significa literalmente “apoiou-se”, ou seja, creu incondicionalmente, mesmo em face às impossibilidades.

2.      Deus confirmou Sua promessa fazendo uma aliança solene com Abraão – vv 9-17. Deus fez com Abraão um pacto unilateral, pois era uma iniciativa divina  e somente Deus poderia cumpri-la. Abraão devia aceitar a aliança e continuar crendo em Deus.

3.      Deus prometeu uma terra que se estenderia do Nilo até o Eufrates  - vv 18-21. Canaã está na encruzilhada do mundo, entre três continentes – Europa, Ásia e África. Deus escolheu uma terra estratégica onde seu povo pudesse exercer maior influencia no mundo.

“Deus promete e o homem aspira; mas nada ainda acontece. Deus desafia novamente Abrão com a promessa, e este acredita e confia. A justiça do homem consiste numa entrega confiante ao Deus que garante cumprir o que promete, quando ainda nada pode ser verificado (cf. Hb 11,1). Abrão pede um sinal; e como sinais, além da criação e da aliança com Noé, têm aqui a terceira grande aliança. Ora, a aliança era um acordo em que ambos os contraentes se empenhavam entre si; era concluída com um rito, no qual os contraentes passavam entre animais divididos: quem violasse a aliança teria a mesma sorte que esses animais. Notemos que somente Javé (fogueira, tocha) passa entre os animais: a aliança com Abrão é um empenho exclusivo de Deus: só Deus pode realizar aquilo que prometeu.” – Bíblia Pastoral.
“O esquema do Êxodo é fortemente representado no texto: Deus faz Abrão sair de Ur para dar-lhe a terra (v. 7); da mesma forma, os descendentes de Abrão serão escravos no Egito e Deus os fará sair daí para lhes dar a terra (vv. 13-20). Sair para: é o movimento de libertação que torna possível, tanto para o indivíduo, como para o povo ao qual ele pertence, caminhar para a vida.” – Bíblia Pastoral.

II.                  AS OSCILAÇÕES DA FÉ – Gn 16,1-16; 17,17.

Já havia passado dez anos desde a primeira vez que Deus prometera uma descendência a Abraão – Cap. 12. Com a idade avançando, cada ano parecia uma eternidade. E a promessa? Como Deus vai fazer? Não vai dar tempo!
A fé de Abraão oscilou em momentos cruciais de sua vida.

1.      Quando a Fé foi confundida pela vontade própria – Gn 16,2. Evidentemente havia no coração de Sara e Abraão um grande desejo de possuir o grande galardão – “Depois destas coisas veio a palavra do Senhor a Abrão numa visão, dizendo: Não temas, Abrão; eu sou o teu escudo, o teu galardão será grandíssimo.” – Gn 15,11; “Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.” – Sl 127,3.

2.      Quando a Fé foi sucumbida pela impaciência – Gn 16,3.  Por que Deus tardou tanto em cumprir Sua promessa? Deus queria que Abraão e Sara soubessem que o cumprimento da promessa seria por graça  e não por méritos humanos. Eles sucumbiram a esta prova e os resultados foram tristes – Gn 16,4-16. Também por impaciência ante o longo tempo de espera, Abraão quase comprometeu o plano de redenção ao entregar sua esposa nas mãos de Abimelec – Gn 20,1-18. Já pensou um homem de fé mentindo! Como a mentira é triste na vida do crente!

3.      Quando a Fé foi comparada com a impossibilidade – Gn 17,17  Abraão descobriu que a descendência prometida não viria pelo filho que demorou onze anos para chegar – Gn 16,16, mas por outro que viria após mais quatorze anos – Gn 21,15, nas seguintes circunstancias:

§         "(Abraão e Sara eram velhos, de idade avançada, e Sara tinha já passado da idade.)" (Gn 18,11).
§         "Abraão prostrou-se com o rosto por terra, e começou a rir, dizendo consigo mesmo: “Poderia nascer um filho a um homem de cem anos? Seria possível a Sara conceber ainda na idade de noventa anos?”" (Gn 17,17).
§         "Sarai, mulher de Abrão, não lhe tinha dado filho; mas, possuindo uma escrava egípcia, chamada Agar," (Gn 16,1).

E um milagre aconteceu!

§         "Porque a Deus nenhuma coisa é impossível". (Lc 1,37).
§         "Respondeu Jesus: O que é impossível aos homens é possível a Deus". (Lc 18,27).
§         "Mas minha aliança eu a farei com Isaac, que Sara te dará à luz dentro de um ano, nesta mesma época." (Gn 17,21).
§         "Será isso porventura uma coisa muito difícil para o Senhor? Em um ano, a esta época, voltarei à tua casa e Sara terá um filho." (Gn 18,14).

“No Antigo Oriente, uma legislação permitia que a esposa estéril cedesse ao marido uma escrava para a procriação; o filho nascido da escrava era reconhecido como legítimo. Recorrendo a esse artifício legal, Abrão está querendo facilitar a realização da promessa; mas não é isso que Deus quer. Ismael, filho da escrava, é abençoado, mas não é através dele que Javé realizará a promessa. Deus faz um grande projeto para o homem; contudo, muitas vezes, o homem acha impossível realizá-lo, e recorre a subterfúgios, traindo o desafio contido na promessa e que está dentro da aspiração humana.” Bíblia Pastoral.


III.                AS EXPERIENCIAS DA FÉ – Gn 15, 1-21; 17,1-27; 18,16-33.

Abraão teve experiências miraculosas com Deus por causa de sua fé . estas experiências foram marcadas pelas visitas que Deus fez ao seu servo.

1.      Visita de compromisso – Gn 15,1-21. Abraão parecia estar temeroso - "Depois desses acontecimentos, a palavra do Senhor foi dirigida a Abrão, numa visão, nestes termos: “Nada temas, Abrão! Eu sou o teu protetor; tua recompensa será muito grande.”" (Gn 15,1), apreensivo a respeito do rumo que tomara sua vida; Deus então faz uma visita onde reafirma sua presença, sua promessa, sua fidelidade.

“Deus promete e o homem aspira; mas nada ainda acontece. Deus desafia novamente Abrão com a promessa, e este acredita e confia. A justiça do homem consiste numa entrega confiante ao Deus que garante cumprir o que promete, quando ainda nada pode ser verificado (cf. Hb 11,1). Abrão pede um sinal; e como sinal, além da criação e da aliança com Noé, tem aqui a terceira grande aliança. Ora, a aliança era um acordo em que ambos os contraentes se empenhavam entre si; era concluída com um rito, no qual os contraentes passavam entre animais divididos: quem violasse a aliança teria a mesma sorte que esses animais. Notemos que somente Javé (fogueira, tocha) passa entre os animais: a aliança com Abrão é um empenho exclusivo de Deus: só Deus pode realizar aquilo que prometeu.” – Bíblia Pastoral.

2.      Visita de confirmação – Gn 17,1-27. Deus não brinca em seus propósitos. Para leva-los  a cabo em Abraão como pai de descendência numerosa, Deus confirma sua aliança com dois sinais:

§         "De agora em diante não te chamarás mais Abrão – pai enaltecido –, e sim Abraão – pai de uma multidão – , porque farei de ti o pai de uma multidão de povos". (Gn 17,5).
§         "Circuncidai-vos em honra do Senhor, tirai os prepúcios de vossos corações, para que meu furor se não converta em fogo, e não vos consuma, sem que ninguém possa extingui-lo, por causa da perversidade de vossos atos". (Jr 4,4).


Esta visita ocorreu quando Abraão estava já achando remota a possibilidade de um filho por meio de Sara – G17.17. deus se revelou a Abraão  como El Shaddai – o Deus todo poderoso – Gn 17,1.

“A mudança do nome indica um compromisso com Deus para realizar uma missão. A circuncisão é um rito que indica a pertença ao povo com o qual Deus faz aliança. Esse rito, como o batismo, supõe o compromisso de viver conforme Deus quer (v. 1). Notemos que tanto os livres como os escravos são circuncidados: o povo de Deus nasce aberto para todos, e diante de Deus são todos iguais. É um convite para que os homens também realizem essa igualdade entre si.” – Bíblia Pastoral.

3.      Visita do juízo – Gn 18,16-33 – Deus afirma sua amizade e confiança em Abraão, quando revela a ele seus propósitos quanto ao pecado de  Sodoma e Gomorra. Abraão precisava compreender juízo de Deus para poder inculcar em seus descendentes o temor de Deus – Gn 18,19; Jo 15,15; Sl 25,14. A Fé de Abraão e a amizade de Deus para com ele garantiram-lhe uma intercessão proveitosa em favor dos justos da cidade condenada – Gn 18,23-33.

“Do povo da aliança Deus espera a prática da justiça e do direito, que realizam o projeto de Deus. Esse projeto provoca a destruição da cidade injusta. A intercessão de Abraão mostra que o justo se compadece do povo da cidade. Mas o texto levanta perguntas: Quantos justos são necessários para que uma cidade não seja destruída pela injustiça? Até onde Deus está disposto a agir com misericórdia? O texto não responde. O Novo Testamento mostra que Deus, na sua misericórdia, está disposto a salvar não só uma cidade, mas a humanidade toda, e por causa de um só justo: Jesus Cristo.” – Bíblia Pastoral



CONCLUINDO

Deus fez um desafio a Abraão - "Abrão tinha noventa e nove anos. O Senhor apareceu-lhe e disse-lhe: “Eu sou o Deus Todo-poderoso. Anda em minha presença e sê íntegro; "” (Gn 17,1).

A cada dia o patriarca tomava conhecimento do seu alto propósito e sua necessidade de crer em Deus – Gn 21,22-34.

Apesar das dificuldades, Deus levou o bom termo o seu propósito na semente de Abraão. Abençoou Ismael, mas manteve a aliança com Isaque – Gn 17,20-21; 21,1-21.

quinta-feira, 28 de março de 2013

DOUTRINA DOS ANJOS - LIÇAO 12 – Os Demônios Em Ação.



No capitulo anterior estudamos sobra a atuação dos demônios, quando declaramos que eles são ajudantes do diabo no cumprimento de seus propósitos:

a)       Atrapalhar o desenvolvimento do plano de Deus em favor de toda a humanidade, e
b)       Estender a autoridade e o domínio de Satanás, o seu chefe.

Sendo assim, o crente em Cristo está em constate guerra com os demônios. Enquanto ele serve a Deus para dar cumprimento ao seu plano na terra, implantando o Seu Reino, os demônios, de algum modo, agem para dificultar ou interromper o trabalho. As formas de atuação demoníacas são várias! A questão, então, é como enfrentar este confronto vitoriosamente.

Vamos relacionar algumas atividades dos demônios e procurar compreender a extensão  dos prejuízos de sua ação para a Igreja e para o crente, em particular.

I.                  A AÇÃO DOS DEMÔNIOS NO CAMPO DAS DOENÇAS FÍSICAS.

Muita confusão tem se estabelecido quanto à atuação dos demônios em relação às enfermidades. Vamos buscar esclarecimento na Bíblia?

Þ    Os demônios infligem doenças físicas.

Eles são capazes para isso e realmente o fazem. Podem causar a mudez  - "Logo que se foram, apresentaram-lhe um mudo, possuído do demônio. O demônio foi expulso, o mudo falou e a multidão exclamava com admiração: Jamais se viu algo semelhante em Israel". (Mt 9,32-33),  a cegueira e a mudez juntas - "Apresentaram-lhe, depois, um possesso cego e mudo. Jesus o curou de tal modo, que este falava e via". (Mt 12,22), a epilepsia - "dizendo: Senhor, tem piedade de meu filho, porque é lunático e sofre muito: ora cai no fogo, ora na água. Já o apresentei a teus discípulos, mas eles não o puderam curar. Respondeu Jesus: Raça incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Até quando hei de aturar-vos? Trazei-mo. Jesus ameaçou o demônio e este saiu do menino, que ficou curado na mesma hora". (Mt 17,15-18). Entretanto, nem toda enfermidade física é resultado de uma atividade demoníaca. Precisamos aprender a distinguir enfermidades físicas naturais daquelas que são provocadas por demônios. Os textos acima mencionados indicam que aquelas enfermidades não eram naturais (conseqüências naturais da debilidade física do homem, herdada do pecado). Mas em Mt 8,16 se diz - "Pela tarde, apresentaram-lhe muitos possessos de demônios. Com uma palavra expulsou ele os espíritos e curou todos os enfermos". Duas ações distintas foram praticadas pelo Mestre, porque havia dois males distintos - "Jesus percorria toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, curando todas as doenças e enfermidades entre o povo. Sua fama espalhou-se por toda a Síria: traziam-lhe os doentes e os enfermos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos. E ele curava a todos". (Mt 4,23-24). Quando Jesus curou um leproso, a Bíblia não menciona que a lepra estava associada à ação de demônios – Mt 8,1-4; quando debelou a febre alta da qual estava acometida a sogra de Pedro, nenhuma relação se faz entre a doença e a atividade dos demônios - "Foi então Jesus à casa de Pedro, cuja sogra estava de cama, com febre. Tomou-lhe a mão, e a febre a deixou. Ela levantou-se e pôs-se a servi-los." (Mt 8,14-15); nem quando curou os dois cegos se menciona que a cegueira deles era provocada pelos espíritos malignos – Mt 9,27-31. Poderíamos multiplicar  os exemplos. Mas bastam este para estarmos convencidos de que não devemos atribuir toda doença á influencia dos demônios.

Þ    Os demônios causam distúrbios mentais.

Parece que o homem geraseno estava acometido de distúrbios mentais causados por demônios. Suas atitudes demonstravam ser ele mentalmente desequilibrado – Mc 5,1-9; 9,20-27. outra vez é necessário que sejamos prudentes, não fazendo generalizações. Há distúrbios mentais que são naturais, que não são infligidos pelos demônios nem estão associados à possessão demoníaca. Esquizofrenia, por exemplo, pode ano ter relação nenhuma com o mal espiritual. Há casos que o doente precisa de tratamento psiquiátrico e não de expulsão de demônios, porque não está possuído por eles.

Þ    As doenças não são “demônios”.

Os adeptos da doutrina da Confissão Positiva e da Teologia da prosperidade crêem que as doenças de modo geral, são “demônios” ou “espíritos maus” alojados nas pessoas. Dois graves erros são por eles cometidos.

a)      Acreditam que todas as doenças são causadas por demônios.

Ora, já vimos acima que isto é falso. Há doenças de causas naturais, que sofremos devido à nossa debilidade física em conseqüência da natureza pecaminosa que herdamos, e há doenças infligidas por demônios. Não podemos tratar todas as doenças como se fossem demônios, porque assim toda pessoa estaria endemoninhada ao ficar enferma, inclusive o cristão! E teríamos de admitir que alguns personagens bíblicos como Timóteo - "Não continues a beber só água, mas toma também um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes indisposições". (1Tm 5,23) e Trófino - "Erasto ficou em Corinto. Deixei Trófimo doente em Mileto". (2Tm 4,20) tinham demônios alojados em seu corpo, pois a Bíblia menciona que eram enfermos. Absurdo!

b)      Enganam-se quanto à natureza dos demônios.

Tratam-nos como se fossem coisas, doenças. Os demônios têm existência real, são seres pessoais e espirituais, como já vimos, que causam grandes males aos homens. Um espírito maligno pode provocar uma enfermidade, mas não se pode confundi-lo com ela - "Havia ali uma mulher que, havia dezoito anos, era possessa de um espírito que a detinha doente: andava curvada e não podia absolutamente erguer-se". (Lc 13,11).

II.               A AÇÃO DOS DEMÔNIOS NO CAMPO DA MORAL.

Os demônios incentivam a impureza moral. O fato de serem chamados de espíritos imundos - "Jesus reuniu seus doze discípulos. Conferiu-lhes o poder de expulsar os espíritos imundos e de curar todo mal e toda enfermidade". (Mt 10,1) – já indica que eles agem para perverter tudo aquilo que é puro, nobre e justo. A imoralidade dos canaanitas parecia ser determinada pela atividade dos demônios – Dt 18,9-14.

Esta ação dos demônios é tão sutil e velada que nós, os cristãos, não apercebemos dela. Depois de ensinar os crentes de Éfeso a praticarem a vida cristã, a andarem “em Cristo”  e na “plenitude do Espírito” evidenciando-a nos diversos relacionamentos pessoais, o apóstolo Paulo os adverte - "Finalmente, irmãos, fortalecei-vos no Senhor, pelo seu soberano poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares.” (Ef 6,10-12).

Os demônios são os dominadores deste mundo tenebroso. Eles estão sempre agindo no campo das idéias, dos pensamentos e dos sentimentos, pervertendo-os.

Muito nos enganamos quando achamos que a atuação do diabo e dos demônios se prende à possessão demoníaca, ao infligir doenças ou  a dominar certos grupos. Há muitos sinais da presença do maligno e dos demônios mesmo dentro das igrejas. Num artigo “Sinais do Maligno na comunidade da fé” – O jornal Batista (114/7/96) por José M. Salgado está escrito o seguinte:

“As manifestações do Maligno dentro da comunidade cristão se dão, sobretudo”:

a)      Quando se coloca interesse humano contra a vontade de Deus - "Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens". (Mc 8,33);
b)      Quando se é empecilho à continuidade ou progresso da obra - "Os príncipes dos sacerdotes e os escribas buscavam um meio de matar Jesus, mas temiam o povo". (Lc 22,2);
c)       Quando se é dominado pela mentira, pelo egoísmo ou pelo interesse da autopromoção – At 5,1-11;
d)     Quando não se perdoa o outro – "A quem vós perdoais, também eu perdôo. Com efeito, o que perdoei - se alguma coisa tenho perdoado - foi por amor de vós, sob o olhar de Cristo". (2Cor 2,10);
e)      Quando há ociosidade, falação e intriga – 2Tm 2,14-16;
f)       Quando não há solidariedade concreta para com o necessitado e oprimido – Mt 25,31-46;
g)      Quando não há prática de amor e de justiça – 1Jo 3,6-10;
h)      Quando não há bom testemunho esterno – "Importa, outrossim, que goze de boa consideração por parte dos de fora, para que não se exponha ao desprezo e caia assim nas ciladas diabólicas". (1Tm 3,7);
i)       Quando a resistência e contendas – 2Tm 2,23-26”.


III.           A AÇÃO DOS DEMÔNIOS NO CAMPO DAS DOUTRINAS.

Os demônios operam conterá Deus, promovendo as falsas religiões.

Þ    Promovem a idolatria.

No curso de sua oposição a Deus, os demônios tentam tornar os homens adoradores de ídolos. Isto ocorria na antiguidade – Lv 17,1; Dt 32,17; Sl 106,36-38 - , ainda ocorre - "Não! As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios". (1Cor 10,20). No fim dos tempos, esta operação maligna será mais intensa - "Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos. Não cessaram de adorar o demônio e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar". (Ap 9,20).

Þ    Promovem as falsas doutrinas.

Há muitos artifícios usados por eles para promover a criação e a difusão de falsas doutrinas.

a)      Ensinam erros sobre a Pessoa do Salvador.

João exortou os seus leitores a provar os espíritos, porque os demônios influenciam os falsos profetas –  1Jo 4,1-4 – A razão por que João manda provar os espíritos é que “por trás de cada profeta está um espírito e por trás de cada espírito esta Deus ou o diabo. Antes de podermos confiar em quaisquer espíritos, precisamos prová-los, se procedem de Deus. O que importa é a sua origem” – Stott no seu comentário sobre 1,2 e 3 João – O teste especifico que João ensina a aplicar é o da encarnação de Jesus. Os verdadeiros profetas proclamavam a vinda “em carne” do Salvador; os falsos, inspirados pelo “espírito erro” - "Nós, porém, somos de Deus. Quem conhece a Deus, ouve-nos; quem não é de Deus, não nos ouve. É nisto que conhecemos o Espírito da Verdade e o espírito do erro". (1Jo 4,6) ou pelo “espírito do anticristo”  "todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo". (1Jo 4,3) negam a vinda do Senhor “em carne”. Se Cristo não encarnou, então não poderia morrer  para tornar-se o Salvador.

Paulo também desfere seu ataque aos “ensinos de demônios”1Tm 4,1-5 – Estabelecendo uma ligação entre este texto  e o anterior da verdade sobre Cristo e Sua obra - "Sim, é tão sublime - unanimemente o proclamamos - o mistério da bondade divina: manifestado na carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, anunciado aos povos, acreditado no mundo, exaltado na glória!" (1Tm 3,16), deduzimos que os falsos mestres não só negavam histórica e a ascensão de Jesus Cristo.

b)      Ensinam erros sobre a obra de Jesus Cristo.

Todo ensino que diminui o valor e eficácia da obra de Jesus Cristo não vem de Deus. Isto também é mostrado em 1Tm 4, onde os falsos mestres acusados por Paulo ensinavam a necessidade de práticas ascéticas e das boas obras para alcançar a graça de Deus – vv 1- 4.

Quando escreva aos crentes de Colossos, além de asseverar a absoluta suficiência que encontramos em nosso Senhor, lembra-lhes para não aceitarem nenhum aditivo espiritual, como a filosofia – Cl 2,8-10 – o legalismo – Cl 2,16-17 – o misticismo – Cl 2,18-19 – e o ascetismo -  Cl 2,20-23 – que os falsos mestres sugeriam.


CONCLUINDO

Constatamos, portanto, que os demônios estão em ação. Afligem os homens impingindo-lhes enfermidades, pervertendo a moral e arrebatando sua alma com as falsas doutrinas. Se não estivermos apercebidos disso, se ignorarmos estas estratégias de ação do inimigo teremos maior dificuldade em combater sua oba. E podemos estar certos que temos autoridade outorgada por Cristo para atacar os demônios e sua obra – Mc 16,15-18 – Os demônios “se nos submetem” pelo nome de Jesus, isto é, pela autoridade  que aos verdadeiros cristãos foi outorgada – Lc 10,17-20.

sexta-feira, 22 de março de 2013

GÊNESIS - LIÇÃO 08 – ABRÃO – enfrentando os ataques de Satanás.





Não foi fácil para ele deixar sua terra, seus parentes e sua família, e começar uma vida de fé, como peregrino.

Uma vez que ele começou a obedecer ao Senhor, começou também a enfrentar os ataques de Satanás para derrubá-lo.

§  É a mesma coisa com a gente. Uma vez que começamos a obedecer ao Senhor e demonstrar uma vida de santificação, podemos ter a certeza que Satanás não vai gostar e fará tudo para nos derrubar.

Vamos notar seis maneiras em que Satanás atacou Abrão.

I.              PROBLEMA MATERIAL – Gn 12,1-10.

De sua própria localidade, Abrão desceu mais ao sul do país, para a região denominada Neguebe, sujeita a secas periódicas. Deu-se, então, uma dessas, havendo fome. Por causa da fome, sem consultar o Senhor, ele desceu ara o Egito. É bom notar que Abrão não voltou pa Harã e nem para Ur dos caldeus, o que seria retomar a idolatria. O verdadeiro cristão nunca faz isso. Mas Abrão descia para o Egito, que tipifica o mundo; e infelizmente esse passo errado muito cristão dá também.

Abrão errou, porque ainda não tinha aprendido que o Senhor é Jeová-jiré  - o Deus que Provê.

“A história de Abraão está diretamente ligada à história de toda a humanidade: com ele começa a surgir o embrião de um povo que terá a missão de trazer a bênção de Deus para todas as nações da terra. Esse povo será portador do projeto de Deus: toda nação que se orientar por esse projeto estará refazendo no homem a imagem e semelhança de Deus, desfigurada pelo pecado. O caminho começa pela fé: Abrão atende o chamado divino e aceita o risco sem restrições. Ele percorre rapidamente a futura terra prometida: isso mostra que o projeto do qual ele é portador é um projeto histórico, encarnado dentro da ambigüidade e conflitividade humana. O que Deus promete a Abrão? Simplesmente aquilo que qualquer nômade desejava: terra para os rebanhos e filhos para cuidar deles. Em outras palavras, o que Deus promete é exatamente aquilo a que o homem aspira para responder às suas necessidades vitais. E hoje, quais são as supremas necessidades do homem? Por trás das necessidades estão as aspirações e, dentro destas, a promessa de Deus.” – Bíblia Pastoral


II.            PROBLEMA ÉTICO – Gn 12,10-20; 20,1-18.

1.    Mentira perante os príncipes de Faraó – Gn 12,10-20.

Uma vez  que deixou o caminho da obediência e foi para o Egito – o mundo (idolatria) – Abrão, amedrontado com as atitudes dos egípcios, planejou uma mentira e serviu-se de Sarai, sua esposa, para difundi-la. Não foi pequena sua culpa. "Dize, pois, que és minha irmã, para que eu seja poupado por causa de ti, e me conservem a vida em atenção a ti." (Gn 12,13). Sarai era uma verdadeira “princesa”, muito bonita, e Abrão teve medo que os egípcios o matassem para  possuir a sua esposa. Abrão quis salvar a sua pele! Um homem, gigante na fé, caiu e mentiu.

Sem duvida, esta foi uma tentativa de Satanás para frustrar a promessa da semente da mulher. Se ele estivesse conseguido corromper Sarai, teria estragado o plano divino. Graças  a Deus, Ele interveio e Abrão foi repreendido e despedido, sem que houvessem tocado em Sarai.

“12,10-20: O texto é uma antevisão da escravidão no Egito e do êxodo. Sarai, com a mudez feminina dentro do mundo patriarcal, é símbolo do povo oprimido que clama por libertação.” – Bíblia Pastoral.

2.    Mentira perante Abimelec – Gn 20,1-18.

Mas, o lamentável é que houve uma reincidência dessa mentira - "Ele dizia de Sara, sua mulher, que ela era sua irmã. Abimelec, rei de Gerar, arrebatou-lha". (Gn 20,2) – perante a Abimelec, rei de Gerar, quando Abraão (seu novo nome) negou que Sara (seu  novo nome) era sua mulher. É difícil acreditar que, nesta altura das suas experiências com Deus ele ainda cometesse essa falta; mas é para que a gente aprenda a “não confiar na carne”. Abraão perante Abimelec, não só impedindo que este tocasse  em Sara, mas declarando que Abraão era profeta a que suas orações eram atendidas – vv 3-8.

20,1-18: “O episódio é uma repetição de 12,10-20 (cf. nota). O texto procura também justificar a atitude de Abraão. – Bíblia Pastoral.”

III.           PROBLEMA ESPIRITUAL – Gn 13,4.

1.    A importância do altar do Senhor.

Quando Abrão chegou ao carvalho de More – Gn 12,6-7, o Senhor apareceu a ele, prometendo dar a sua descendência a terra de Canaã. O Senhor ainda não tinha prometido dar, e sim mostrar; agora explica que dará a terra sua posteridade. Que benção! Como um sinal de gratidão a Deus, Abraão edificou um altar ao Senhor e o adorou. Logo depois, Abraão viajou para Betel – Casa de Deus – que ficava bem no centro da Terra Prometida, na região montanhosa da Judéia, e mais uma vez edificou um altar ao Senhor e “invocou o nome do Senhor” – Gn 19,8.

2.    A negligência do altar do Senhor.  – Gn 12,10-20.

Parece que quando Abrão desceu para o Egito de manter comunhão com seu Deus, por isso ficou vulnerável ao ataque de Satanás.

O segredo de uma vida vitoriosa é a manutenção desta comunhão gostosa com Deus diariamente. Só quando Abrão deixou o Egito (idolatria) voltou para o caminho do Senhor, para o lugar onde primeiro estivesse entre Betel e Ai, "no lugar onde se encontrava o altar que havia edificado antes. Ali invocou o nome do Senhor". (Gn 13,4), é que Abrão voltou a gozar a sua comunhão com Deus, oferecendo um culto aceitável a Deus.

“O texto é uma antevisão da escravidão no Egito e do êxodo. Sarai, com a mudez feminina dentro do mundo patriarcal, é símbolo do povo oprimido que clama por libertação.” – Bíblia Pastoral.


IV.          PROBLEMA DE RELACIONAMENTO – Gn 13,1-18.

Com o aumento do gado de Abrão e Ló, surgiu o problema de pastagem. Daí as contendas entre os servos de um e os servos do outro. A situação ameaçava envolver Abrão nas contendas dos servos. Não é possível! Abrão foi chamado por Deus para ser uma benção – "Farei de ti uma grande nação; eu te abençoarei e exaltarei o teu nome, e tu serás uma fonte de bênçãos". (Gn 12,2), em vez disso estava começando a criar problemas com seu próprio sobrinho.

Abrão percebeu a ameaça, e fez uma proposta generosa a Ló, propondo a separação, mas dando ao sobrinho o direito de escolher o melhor para si.

“Lot, levantando os olhos, viu que a toda a planície de Jordão era regada de água (o Senhor não tinha ainda destruído Sodoma e Gomorra) como o jardim do Senhor, como a terra do Egito ao lado de Tsoar. Lot escolheu toda a planície do Jordão e foi para o oriente. Foi assim que se separam um do outro. Abrão fixou-se na terra de Canaã, e Lot nas cidades da planície, onde levantou suas tendas até Sodoma. Ora, os habitantes de Sodoma eram perversos, e grandes pecadores diante do Senhor.” Gn 13,10-13.

Mas Abraão foi recompensado pela sua fidelidade. Deus o mandou dali mesmo olhar – “O Senhor disse a Abrão depois que Lot o deixou: “Levanta os olhos, e do lugar onde estás, olha para o norte e para o sul, para o oriente e para o ocidente. Toda a terra que vês, eu a darei a ti e aos teus descendentes para sempre. – Gn 13,14-45, e mas uma vez Abrão mudou suas tendas – "Abrão levantou as suas tendas e veio fixar-se no vale dos carvalhos de Mambré, que estão em Hebron; e ali edificou um altar ao Senhor". (Gn 13,18)

“13,1-18: Ló escolhe a região onde estão localizadas cidades-estado como Sodoma e Gomorra; assim ele entra no âmbito de uma estrutura que se sustenta graças à exploração e opressão do povo. Abrão, ao invés, fica aberto para uma história nova, fundada unicamente na promessa e no projeto de Javé. Não tomando a dianteira para escolher a sua parte, mais uma vez Abrão entrega-se a Deus na fé, para que este lhe aponte o caminho.” – Bíblia Pastoral.

V.            PROBLEMA PSICOLÓGICO – MEDO – Gn 15,1-21.

Um dos grandes problemas no meio cristão é o medo de fazer a vontade do Senhor. Aqui notamos que o Senhor teve de chegar a Abrão e dizer:

"Depois desses acontecimentos, a palavra do Senhor foi dirigida a Abrão, numa visão, nestes termos: “Nada temas, Abrão! Eu sou o teu protetor; tua recompensa será muito grande. ”" (Gn 15,1).

É bom notar que estamos em boa companhia! Abrão tinha medo, como também Moisés – Ex 3,11; 4,1.10 – e Jeremias – Jr 1,5-9 – Foi por causa do medo que os espias perderam 40 anos  da sua vida no deserto, uma experiência triste – Nm 13,16-33 – E Jesus contou a parábola  dos talentos, mostrando o grande perigo de não  usarmos os nossos talentos no serviço do Senhor – Mt 25,14-30, especificamente o v 25 - "Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra.". (Mt 25,25a).

“15,1-21: Deus promete e o homem aspira; mas nada ainda acontece. Deus desafia novamente Abrão com a promessa, e este acredita e confia. A justiça do homem consiste numa entrega confiante ao Deus que garante cumprir o que promete, quando ainda nada pode ser verificado (cf. Hb 11,1). Abrão pede um sinal; e como sinal, além da criação e da aliança com Noé, temos aqui a terceira grande aliança. Ora, a aliança era um acordo em que ambos os contraentes se empenhavam entre si; era concluída com um rito, no qual os contraentes passavam entre animais divididos: quem violasse a aliança teria a mesma sorte que esses animais. Notemos que somente Javé (fogueira, tocha) passa entre os animais: a aliança com Abrão é um empenho exclusivo de Deus: só Deus pode realizar aquilo que prometeu. – Bíblia Pastoral.”

VI.          PROBLEMA MORAL – Gn 16,1-16.

À proporção que os anos iam passando, Sarai continuava sem filhos. Tendo perdido a esperança de que nela se cumpriria a promessa, persuadiu Abrão, conforme o costume da época, para que tomasse Agar , a criada egípcia, e tivesse relações sexuais com ela, para, por meio dela, ver cumprida a promessa tão esperada. Assim nasceu Ismael!

Não era este o plano de Deus. E sabemos que logo surgiu uma desarmonia entre Agar e Sarai, começo de uma irremediável incompatibilidade entre a livre e a escrava, entre o filho da escrava e o filho da livre. As conseqüências desse ato se vêem até hoje, na briga entre árabes (descendência de Ismael) e os judeus (descendentes de Isaque).

Há muitas lições que devemos aprender aqui. Há um grande perigo em aceitar  os padrões morais. Tantos jovens cristãos praticam relações sexuais antes do casamento, porque é costume dos nossos dias. É o costume do mundo ir a um motel com a secretária do escritório.

"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possa discernir qual é à vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito". (Rm 12,2)

“16,1-16: No Antigo Oriente, uma legislação permitia que a esposa estéril cedesse ao marido uma escrava para a procriação; o filho nascido da escrava era reconhecido como legítimo. Recorrendo a esse artifício legal, Abrão está querendo facilitar a realização da promessa; mas não é isso que Deus quer. Ismael, filho da escrava, é abençoado, mas não é através dele que Javé realizará a promessa. Deus faz um grande projeto para o homem; contudo, muitas vezes, o homem acha impossível realizá-lo, e recorre a subterfúgios, traindo o desafio contido na promessa e que está dentro da aspiração humana. “– Bíblia Pastoral.