domingo, 1 de dezembro de 2019

AS MULHERES NA GENEALOGIA DE JESUS



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Você aprecia o estudo das genealogias? Em geral não gostamos muito desse tema e quero confessar que na minha juventude, sempre pulava o texto bíblico em que elas apareciam.  Por que todo esse desinteresse, se elas estão inseridas nas Escrituras Sagradas? Creio que o desinteresse está associado ao fato de não sabermos o seu real significado e a sua importância dentro da Palavra de Deus. Então, antes que você desista da leitura do texto, quero ver com você a definição do termo e a sua relevância. Segundo o Dicionário Bíblico Wycliffe o termo pode ser definido “como a relação de nomes indicando os ancestrais ou descendentes de um indivíduo ou de vários”.  No entanto, as genealogias bíblicas não são somente uma relação de nomes, pois tudo que está no livro de Deus tem um propósito e com as genealogias não é diferente. Elas têm duas funções principais: Preservar a pureza do sacerdócio arônico e conservar a linhagem de Davi, pois de sua descendência viria o Cristo, o Messias. 

Quem era Mateus

Mateus era um cobrador de impostos, publicano, escolhido por Jesus para fazer parte do seu grupo de apóstolos. Ele inicia seu Evangelho com a genealogia do homem mais importante que já viveu nesta terra. O homem que dividiu a história em antes e depois do seu nascimento: Jesus Cristo, o Messias prometido desde o Éden. Mateus está escrevendo para os judeus, por isso sua preocupação em mostrar a origem de Jesus como Messias e descendente de Abraão (o pai da nação de Israel) e de Davi (o rei da promessa messiânica). Porém, ele também mostra que Jesus é o Filho de Deus e que foi gerado pelo Espírito Santo, em cumprimento das profecias do Antigo Testamento.

Esta linhagem de Abraão a Jesus através dos reis da casa de Davi, tem a intenção explícita de apresentar os direitos de Jesus ao trono de Davi. Ainda que o trono estivesse vago por quase seis séculos, ninguém poderia esperar a devida consideração dos judeus para com o Messias se Ele não pudesse provar sua descendência real. 

Entretanto, o que chama a atenção na genealogia de Mateus e a difere das demais do Antigo Testamento e dos outros Evangelhos, é a referência que ele faz a algumas mulheres (Mt 1.3,5,6).

Por que Mateus insere o nome dessas mulheres? 

O que levou Mateus, vivendo em uma sociedade patriarcal, incluir o nome dessas mulheres? Não sabemos ao certo. Lawrence Richards, afirma que uma das possibilidades é o fato de que Mateus era um publicano, ou seja, um coletor de impostos ou fiscal dos romanos. Sabemos que os coletores eram odiados pelo povo, pois sempre cobravam além dos encargos. Podemos ver o quanto eram desprezados quando os textos bíblicos dizem “publicanos e pecadores” (Mt 9.10) e “publicanos e meretrizes” (Mt 21.31). Em diversas ocasiões eles são comparados aos gentios (Mt 18.17).  Sabemos que ninguém gosta de pagar impostos, porém estes se enriqueciam com a miséria do povo e em geral, extorquiam as pessoas (Lc 3.12). Mateus, com certeza, sabia o que era ser desprezado, deixado de lado, excluído. 

Mateus, de alguma forma, se identificava com as mulheres e desejava mostrar que o Messias predito pelos profetas veio ao mundo para salvar a todos (Mt 1.21). Ele escreveu para os crentes judeus e certamente sabia como as mulheres eram vistas dentro do judaísmo, talvez, por isso, tenha desejado revelar ao seu povo que agora, na nova aliança, todos eram alvos do amor do Salvador. Pois, Jesus durante o seu ministério terreno, mostrou que os publicanos, ou melhor, que  todos os seres humanos mereciam o seu amor, o seu olhar, a sua atenção. O Mestre se assentou à mesa com algumas pessoas que eram desprezadas, colocadas à margem da sociedade, pois Ele acolhia os indefesos e oprimidos.  Atualmente falamos a respeito de educação inclusiva, mas Jesus já acolhia os excluídos (publicanos, mulheres, crianças, leprosos, pobres). Certamente o fato dEle ter chamado Mateus para ser um dos seus apóstolos deve ter impressionado e escandalizado a muitos (Mc 2.14-17). Não fomos alcançados por Jesus por nossa bondade, nobreza ou realeza, mas por sua misericórdia e graça (Ef 2.4,5). 

Um pouco da história dessas mulheres

Tamar (Gênesis 38.1-30).
Tamar, a primeira mulher mencionada, era casada com um dos três filhos de Juda. Ele chamava-se Her. No entanto Her, primogênito de Juda, desagradou a JAVÉ que o fez morrer. Tamar casou-se com o segundo filho de Juda, Anã que também desagradou JAVÉ, que também o fez morrer. Restava então o terceiro filho de Juda, Sela, mas com uma desculpa, de que Sela era muito jovem para casar, Juda manda a nora de volta para a casa dos pais com a promessa de que, quando Sela crescesse, seria seu marido. Mas Tamar viu que Sela já era adulto e não lhe fora dado como marido. Passado algum tempo Juda ficou viúvo e sua nora Tamar soube que ele subiu para Tamma, junto com Hira, seu amigo de Odolam para tosquiar o rebanho. Então Tamar tirou o traje de viúva, cobriu-se com véu e, disfarçada de prostituta, deitou-se com o próprio sogro, com a promessa que ele lhe daria um cabrito como pagamento. Ela pediu-lhe que deixasse com ela um penhor, que era o anel de Sela, com o cordão e o cajado. Juda os entregou e foi com ela deixando-a grávida. Juda mandou o cabrito por meio de seu amigo a fim de recuperar os objetos que havia deixado com a mulher. Mas ele não a encontrou. Passado algum tempo foram contar para Juda que sua nora Tamar estava grávida e a punição para a viúva que ficava grávida era a morte, porque tinha fornicado. Quando Tamar estava sendo levada para seu suplicio ela diz: “Eu fiquei grávida do homem que possui este anel de selo e o cajado”. Juda admirado exclama: Essa mulher é mais justa que eu, pois não lhe dei meu filho Sela. Quando chegou o tempo de parir, Tamar teve gêmeos, Fares e Zara. Fares foi descendente em linha reta de JESUS. 

Raabe (Josué 6.22-25). 
A segunda mulher mencionada, Raab, que era uma prostituta em Jericó. Por ter escondido espiões mandados por Josué ela e toda a sua família foram poupados quando ele conquistava Jericó. Mais tarde casou-se com um hebreu, provavelmente um dos espiões, chamado Salmon, também descendente de JESUS.

Rute (Rute 4.13-22).
A terceira mulher mencionada é a moabita Rute, uma viúva virtuosa, cuja origem era vergonhosa porque os moabitas originam-se também de um incesto. Quando Abraão deixou a Mesopotâmia e foi para a terra de Canaã levou consigo seu sobrinho Ló. Mas na terra de Canaã houve uma contenda entre os servos de Abraão e os servos de Ló por causa dos rebanhos. Então eles se separaram indo Ló morar em uma planície chamada Sodoma e Gomorra. Passado algum tempo DEUS, através de seus emissários manda avisar que iria destruir Sodoma e Gomorra, por causa da abominação que ali se cometia que se deu o nome de sodomia para o lesbianismo e homossexualismo. Os emissários advertiram Ló e sua família que não olhassem para traz quando saíssem da cidade; a mulher de Ló olhou para traz e se transformou em uma coluna de sal. Ló subiu de Segon e se estabeleceu na montanha com suas filhas. A mais velha disse à mais nova: “Nosso pai já está velho e na terra não há homem para ter relação conosco, como se faz em todo lugar. Vamos embriagar nosso pai para ter relação com ele, assim daremos uma descendência a nosso pai”. Embriagaram o pai e a mais velha deitou-se com o pai. No outro dia tornaram a embriagá-lo e a mais nova também se deitou com o pai. Ambas engravidaram e a mais velha deu à luz um filho e o chamou Moabe, que é o antepassado dos atuais moabitas. A mais nova deu à luz um filho e o chamou Ben Ani que é o antepassado dos atuais amonitas. Rute era moabita mas não deixou sua sogra Noemi porque a amava muito. Foi trabalhar na eira de Booz. Um parente de Noemi a pediu em casamento e teve um filho chamado Obed que foi o avô do Rei Davi.

Bate-Seba (2 Samuel 12.24,25). 
A quarta mulher mencionada é Bate-saba que era mulher de Urias, o Hitita, mas teve um relacionamento com o Rei Davi porque o marido estava em batalha. Deste relacionamento engravidou-se. O Rei Davi então ordena a Joab, seu general, colocar Urias, o marido de Bate-saba, no ponto mais quente da batalha com o intento que ele morresse na batalha. Estando Urias morto, o Rei leva Betsabeia ao palácio vivendo maritalmente com ela. O primeiro filho de ambos nasceu morto, mas Bat-saba engravidou novamente e teve um filho chamado Salomão que foi descendente em linha reta de JESUS.

Maria (Mt 1.16). 
A quinta e última mulher mencionada é Maria – a virgem, representante da comunidade dos pobres que esperam libertação. Dela, pelo divino Espírito Santo, nasceu JESUS, o Messias, o jovem senhor do universo, o filho de DEUS, Aquele que vai iniciar a nova história; ELE surge dentro da história de maneira totalmente nova. O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de DEUS para libertá-los através de JESUS. Cumprida a promessa, DEUS assume o partido dos pobres e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social. Os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história. 

Basta uma lida rápida na biografia dessas mulheres para percebermos, que de acordo com a cultura judaica, não haveria possibilidade alguma delas fazerem parte da linha sucessória do Messias. Tamar enganou seu sogro, Raabe era prostituta, Rute estrangeira, Bate-Sabe foi tomada pelo rei Davi de forma errada e Maria além de ser muito jovem, de uma família humilde, estava noiva. Tal fato nos mostra que Deus jamais esteve ou estará sujeito a padrões humanos, religiosos ou culturais. Ele está acima disso, e seu olhar contempla os corações, independente do gênero, da condição social e da família a quem pertencemos.

Conclusão

Não importa a sua descendência, a sua condição social, civil, seu sexo e os erros que você tenha cometido. Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba também erraram. Deus pode escrever uma nova história para você. Decida crer nEle, apesar das circunstâncias adversas.  Entregue a sua vida a Jesus, o Rei dos reis e deixe que Ele se encarregue de mudar o que for preciso. Saiba que Jesus não é o príncipe, o cavaleiro que vem salvar as mocinhas indefesas dos contos de fada. Ele é real!  Jesus é o Rei dos reis, aquEle que nos ama e deu a sua vida em nosso favor. Deixe que Ele cuide de você e mude a sua história.

Se o leigo se chocar pelo fato de haver incesto, prostituta, adultério na genealogia de JESUS pense que: "A Missão de JESUS na Terra foi Remir os Pecadores”.

Por - Marco Antonio Lana - Teólogo Bíblico