sábado, 30 de agosto de 2014

FAMÍLIA NA BÍBLIA - LIÇÃO 08 – DEUS PROTEGE A FAMÍLIA.


FAMÍLIA NA BÍBLIA - LIÇÃO 08 – DEUS PROTEGE A FAMÍLIA.

“Se queremos preservar a família, devemos dar a Deus o lugar de relevância que Ele merece no seu seio” (Merval Rosa).

Os profetas também se preocuparam em fortalecer e proteger a família.

A título de introdução, é oportuno pensar nas famílias dos próprios profetas. Um caminho é estudar o significado de seus nomes. Como sabemos os nomes dados pelos pais nos tempos bíblicos expressavam um pouco da vida religiosa da família. Sendo, assim, podemos afirmar que quase todos os profetas receberam algum tipo de influencia familiar, embora muitos deles nada sabemos sobre suas vidas.

Sabemos por exemplo, que Isaias (Jeová salvou) era filho de um homem chamado Amós (não o profeta). Ele era casado com uma profetisa – “E fui ter com a profetisa.” (Is 8,3a) e teve filho – “Então disse o Senhor a Isaías: saí agora, tu e teu filho Sear-Jasube,” (Is 7,3). Outros profetas eram casados, Ezequiel (Deus é fortaleza) era oriundo de uma família sacerdotal – “veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar; e ali esteve sobre ele a mão do Senhor.” (Ez 1,3). Casou-se no sexto ou no nono depois do exilo e morou na Babilônia – “Sucedeu pois, no sexto ano, no mês sexto, no quinto dia do mês, estando eu assentado na minha casa, e os anciãos de Judá assentados diante de mim, que ali a mão do Senhor Deus caiu sobre mim. Assim falei ao povo pela manhã, e à tarde morreu minha mulher;” (Ez 8,1; 24,18). Oséias (salvo), o que mais sofreu em sua vida familiar, casou com Gomer e teve dois filhos e uma filha (Os 1). Jeremias (Jeová estabelece), filho de Hilquias – “As palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim” (Jr 1,1) exerceu seu ministério profético solteiro – “Não tomarás a ti mulher, nem terás filhos nem filhas neste lugar.” (Jr 16,2). De Joel (Jeová é Deus) sabemos que era “filho de Petuel.” (Jl 1,1). De Daniel (Deus é meu Juiz), a Bíblia diz que pertencia a uma família real de Judá (Dn 1,3-7). Jonas (pomba) só sabemos que era “filho de Amitai” (Jn 1,1). Sobre Sofonias (Jeová escondeu) diz que era filho de Cuche descendente de Ezequias – “A palavra do Senhor que veio a Sofonias, filho de Cuche, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá” (Sf 1,1). Sobre Zacarias (Jeová se lembrou) diz a Bíblia que ele era filho de Berequias, neto de Ido – “No oitavo mês do segundo ano de Dario veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias, filho de Berequias, filho de Ido, dizendo:” (Zc 1,1). Em relação a Amós (fardo), Obadias (Servo de Jeová), Miquéias (quem é como Jeová), Naum (Compassivo) e Habacuque (Abraço), Ageu (Festivo) e Malaquias (Mensageiro de Jeová) nada sabemos sobre suas famílias.

I – CUIDADO PARA COM AS VIÚVAS E ÓRFÃOS.

Os profetas em suas palavras duras contra os governantes da época procuraram alertar sobre leis injustas, especialmente aquelas atingiam as viúvas e órfãos:
·         “Para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!” (Is 10,2);
·         “Não oprimirdes o estrangeiro, e o órfão, e a viúva.” (Jr 7,6; 22,3; 49,10);
·         “No meio de ti foram injustos para com o órfão e a viúva.” (Ez 22,7);
·         “Não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre” (Zc 7,10a);
·         “Serei uma testemunha veloz contra os feiticeiros, contra os adúlteros, contra os que juram falsamente, contra os que defraudam o trabalhador em seu salário, a viúva, e o órfão,...” (Ml 3,5).

Através dessas palavras, percebemos Deus demonstrando sua compaixão e proteção para com as viúvas e órfãos. A lei mosaica era muito severa para quem não tratasse as viúvas e os órfãos com misericórdia. Os profetas falando da parte de Deus, ao preferirem essas palavras, estavam alertando o povo o quanto Deus se entristecia com a desobediência da lei e que no tempo oportuno iria agir com justiça. Esses textos nos lembram também em nossos dias devemos estar atentos às necessidades das viúvas e dos órfãos que estão próximas de nós.

II – DEUS COMO ESPOSO.

Dois profetas, Isaías e Jeremias afirmaram que Deus é como esposo para com o povo de Israel – “Pois o teu Criador é o teu marido.” (Is 54,5); “Porque eu sou como esposo para vós.” (Jr 3,14b). a referencia de Isaías é em relação a Sião. Sua aplicação, embora tenha sido para Sião, podemos apropriar-nos também dessa verdade e aplicar à nossa vida. Deus é como um marido para nós e está sempre pronto a fazer-nos companhia e a nos dar o apoio que precisamos para todos os momentos que precisamos dEle ao nosso lado. Muitas mulheres viúvas, divorciadas e solteiras têm encontrado nesses textos palavras de apoio, consolo e ânimo para continuarem a viver de uma forma altaneira e vitoriosa.

III – PECADOS NA FAMÍLIA.

As mensagens referidas pelos profetas ainda são relevantes para as famílias hoje. Basta ler  palavras ditas por Ezequiel 22,7-11. Naqueles temos, Ezequiel dirigiu uma dura mensagem às famílias. Conforme o relato, não estava havendo, por parte dos filhos, respeitos para com os pais – “No meio de ti desprezaram ao pai e à mãe.” (v 7a),estavam sendo injustos para com os órfãos e as viúvas – “no meio de ti foram injustos para com o órfão e a viúva.” (v 7c), o adultério era uma prática comum – “Um comete abominação com a mulher do seu próximo.” (v 11) e o incesto era praticado com freqüência – “outro contamina abominavelmente a sua nora, e outro humilha no meio de ti a sua irmã, filha de seu pai.” (v 11).

IV – UMA TRAGÉDIA FAMILIAR E UMA MENSAGEM A PROCLAMAR.

De todos os profetas, Oseias foi o que mais sofreu em família. Sua história é conhecida. Basta ler os três primeiros capítulos do livro que leva o seu nome. Sua vida conjugal foi uma das maneiras que Deus usou para mostrar o quanto Ele ama o seu povo. Gomer, sua esposa. O traiu e tornou-se uma prostituta. Motivado por um apelo divino. Oseias não só a perdoou, mas a comprou de volta e restituiu-lhe a condição de esposa.

A partir de sal história pessoal. Deus usou poderosamente Oseias para mostrar ao povo o quanto Ele o amava. Deus, em sua sabedoria, usou uma história de amor, traição, perdão e reconciliação conjugal para ilustrar o seu amor para com a humanidade. Mais uma vez, podemos ver Deus se apropriando de uma cena familiar para nos transmitir uma mensagem do amor, perdão e reconciliação.


V – CUIDADO PARA COM O CASAMENTO.

O profeta que mais levantou a voz para alertar seus contemporâneos acerca dos pecados que atingiam diretamente a família foi, sem duvida, Malaquias. Uma boa parte dos seus oráculos é destinada a alertar as famílias de sua época a voltarem os olhos para a vontade de Deus. Se Malaquias vivesse nos dias de hoje, com certeza iria dedicar-se ao ministério com família, tal a sua preocupação com a degradação que via nas famílias de sua época. Esse profeta, a exemplo de Isaías e Jeremias, apropria-se de uma figura familiar, o pai, e aplica-o a Deus – “Não temos nós todos um mesmo Pai? não nos criou um mesmo Deus? por que nos havemos aleivosamente uns para com outros, profanando o pacto de nossos pais?” (Ml 2,10). Deus é o pai da nação de Israelita – “Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito; e eu te tenho dito: Deixa ir: meu filho, para que me sirva. mas tu recusaste deixá-lo ir; eis que eu matarei o teu filho, o teu primogênito.” (Ex 4,22-23). Após esta lembrança, Malaquias dirige duas palavras importantes para a família: o perigo dos casamentos inter-raciais e a tragédia do divorcio.

Ao tratar a questão dos casamentos inter-raciais, é preciso voltar no tempo e compreender o contexto histórico-religioso. Não havia no seu coração um preconceito para com outras raças. Sua preocupação estava no fato do perigo que representava para o povo de Deus ter os seus filhos se casando com pessoas que não professavam a mesma fé. Esdras e Neemias também chamaram atenção do povo para este perigo (Es 9-10; Ne 13,23-31).

Outra palavra de alerta que Malaquias proferiu foi em relação à fidelidade conjugal. Já naquele tempo a infidelidade conjugal fazia parte do comportamento humano. Para Deus, o casamento é mais do que um contrato, conforme rezava a lei de Hamurabi. O casamento, de acordo com a visão  bíblica, é uma aliança – “Todavia perguntais: Por que? Porque o Senhor tem sido testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, para com a qual procedeste deslealmente sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança.” (Ml 2,14). Malaquias termina seu discurso fazendo duas afirmações:
  • “Ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade.” (Ml 2,15). Este texto deveria ser mais pregado em nossas igrejas. Infelismente, temos visto muitos casos de adultério, tanto por parte dos homens como também das mulheres. Trair o cônjuge tem-se tornado uma prática em nossa sociedade, que infelizmente tem adentrado em nossas igrejas.
  • “Eu detesto o divórcio, diz o Senhor Deus de Israel.” (Ml 2,16). O Deus que instituiu o casamento se entristece quando um casal decide separar-se! O casamento foi instituído e consagrado por Deus para ser indissolúvel.

CONCLUINDO



As páginas do Velho Testamento se fecham com um belo texto profético sobre o ministério de João Batista – “Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição.” (Ml 4,6). O texto trata a importância da harmonia na família. “O quinto mandamento deixava subtendido que o lar era essencialmente a escola da vida em comunidade. Ali, num ‘mundo em miniatura’, autoridade e submissão, amor e lealdade, obediência e confiança podiam ser aprendidos como em nenhum outro lugar, e a sociedade seria mudada, com a palavra de Deus como guia nos lares” (J. G. Baldwin, em seu comentário sobre o livro de Malaquias). Ao realizar-se esse desejo, a maldição seria afastada. A benção ou a maldição depende do que se passa no interior da família. Assim que termina o Velho Testamento.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

TOBIAS



TOBIAS

O JUSTO É SEMENTE DE ESPERANÇA

Introdução

O livro de Tobias foi escrito pelo ano 200 a.C. Apesar das aparências, não conta uma história real, pois os acontecimentos aí descritos dificilmente se enquadram na história desse período. O livro pertence ao gênero sapiencial e é uma espécie de romance ou novela, destinado a transmitir um ensinamento.

O autor está preocupado em apresentar o exemplo de um judeu justo e fiel a Deus, mostrando que a verdadeira sabedoria, caminho para a fidelidade, consiste em amar a Deus e obedecer à sua vontade (mandamentos), aconteça o que acontecer.

Para que foi escrito este livro? Sabemos que nesse tempo o império grego dominava todo o Oriente Médio, inclusive a Palestina. Além do domínio político e da exploração econômica, os povos dominados sofrem também a influência da cultura, religião e costumes gregos, ficando ameaçados na própria identidade.

É precisamente com a identidade do povo judeu que o autor está preocupado. Principalmente dos que vivem fora da Palestina. Por isso o livro procura estimular e fortalecer a fidelidade e confiança, levando-os a redescobrir e  revalorizar a fé, tradições e valores de Israel.

A finalidade do livro, portanto, é ensinar. Destaca-se, entre outras coisas, a descoberta da providência divina na vida cotidiana (arcanjo Rafael), a fidelidade à vontade de Deus (Lei), a prática da esmola, o amor aos pais, a oração e o jejum, a integridade do matrimônio e o respeito pelos mortos. O autor mostra, sobretudo, que o homem justo não vive sozinho: está sempre acompanhado e protegido por Deus.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

ESDRAS E NEEMIAS



ESDRAS E NEEMIAS

ORGANIZAÇÃO DA COMUNIDADE

Introdução

Os livros de Esdras e Neemias continuam a história de Israel, relatando os acontecimentos entre 538 e 400 a.C. O tema central é a organização da comunidade, que se formou a partir da volta dos judeus exilados na Babilônia.

No início, tratava-se de um livro único, mais tarde separado em duas partes, denominadas 1° e 2° de Esdras. Depois, o segundo recebeu o nome de Neemias. Em conjunto, os vinte e três capítulos não se encontram na ordem cronológica e literária original. Em vista dessa dificuldade, é interessante ler todo o texto conforme a seguinte cronologia:

586: Exílio na Babilônia

539: Ciro, rei da Pérsia, conquista a Babilônia

538: Edito de Ciro, permitindo a repatriação dos exilados (2Cr 36; Esd 1)

537: Primeiro grupo de repatriados com Sasabassar; recomeça o culto (Esd 2-3)

536: Preparativos para a reconstrução do Templo; obstáculos internos e externos (Esd 4-5)

520: Atividade dos profetas Ageu e Zacarias

518: Obras do Templo interrompidas e retomadas (Esd 5-6)

515: Dedicação do Templo (Esd 6)

448: Uma colônia de judeus muda para Jerusalém (Esd 4,8-22)

445: Neemias vai para Jerusalém; construção da muralha (Ne 1-2). Neemias é nomeado governador (Ne 5,14)

433: Neemias volta para Susa (Ne 13). Atividade do profeta Malaquias

430: Neemias e Esdras em Jerusalém; leitura da lei; reformas (Ne 8-10; 13)

429: Artaxerxes autoriza Esdras a promulgar a Lei (Esd 7-8)
428: Reformas de Esdras (Esd 9-10).


423-404: Os samaritanos constroem um templo no monte Garizim.

Embora sua leitura implique dificuldades, os livros de Esdras e Neemias mostram como um grupo se reúne e se organiza para formar comunidade. Certamente, o grupo deverá enfrentar dificuldades econômicas para sobreviver, políticas para constituir o seu espaço e ideológicas para manter a própria identidade original. Na confluência dessas três dificuldades está a espinhosa questão da liderança, para que a comunidade não fique entregue ao arbítrio dos poderosos internos ou externos, mas tenha meios de resolver seus conflitos, defender seus direitos e abrir perspectivas para o futuro.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

DÍZIMOS E OFERTAS



DÍZIMOS E OFERTAS  

               Textos iniciais: Malaquias 3:8-10 e Mateus 25:14-30

INTRODUÇÃO:

            A infidelidade a Deus nos Dízimos e nas Ofertas tem impedido muitos crentes de viverem a vida abundante que a Palavra de Deus promete.

            O estudo deste tema para crentes fiéis e super-atraente e motivo de louvor e júbilo! Porém, para os infiéis se mostra pesado, e pouco atraente!

            Vejamos o que nos diz a Palavra de Deus...

I - O QUE É DÍZIMO?
            R = É 10% (dez por cento) ou 1/10 avos.
            Deus é muito bom, de 100% Ele permite que fiquemos com 90%, nos pede apenas 10%!
            Não é OFERTA! Oferta é tudo aquilo que damos além do dízimo.
            OFERTA ALÇADA - Vem do Hebraico “teruma” = PESADAS, ALTAS, ELEVADAS, PRODUTIVAS...

II - NÓS SOMOS MORDOMOS DO SENHOR

            Mordomo é o Administrador de Bens Alheios
            Tudo o que temos, na verdade, não é nosso - É do Senhor!

I Cor 10:26 “Porque do Senhor é a terra e a sua Plenitude”
Ageu 2:8 “Minha  é a prata, meu é o ouro, diz o Senhor dos Exércitos.”
SL 50:10 “Porque meu é todo o animal da selva, e o gado sobre milhares de montanhas. Conheço as aves dos montes e minhas são todas as feras do campo...”
Col 1:16 “... tudo foi criado por meio dele e para Ele.”
Gn 2:15 - “E tomou o Senhor Deus ao homem e o pôs no Jardim do Éden para o lavrar e guardar.” - Deus não deu o jardim ao homem,  pôs o homem no jardim para o lavrar e guardar...
Mt 25:14-30 - Na parábola dos talentos vemos que o Senhor entregou os talentos para os servos administrarem... Mas tarde o Senhor volta para pedir contas de tudo!

III - TUDO O QUE TEMOS VEM DO SENHOR
I CRÔNICAS 29:14
Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes? Porque tudo vem de ti, e do que é teu to damos.

Os 2:8-9 “Ela, pois, não soube que eu é que lhe dei o grão, e o vinho, e o óleo, e lhe multipliquei a prata e o ouro... Portanto, tornar-me-ei e reterei a seu tempo o meu grão, e o meu vinho; e arrebatarei a minha lã e o meu linho...”

IV - UM DIA TEREMOS QUE PRESTAR CONTAS
É o que aprendemos na Parábola dos Talentos - Mt 25:14-30
Rm 14:12 “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus.”
II cor 5:10 “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo...”

Prestaremos conta de TUDO! Dos dízimos (10%) e até mesmo dos restantes 90% que também não é nosso! (somos apenas mordomos...)

V - O DÍZIMO É BÍBLICO

            A) NO VELHO TESTAMENTO
           
1) No Éden - Já vemos o princípio do dízimo quando o Senhor separou uma árvore para Ele
2) Abraão dizimou - Gn 14:20 - Note que Abraão não viveu debaixo da Lei e sim da Graça - Gál 3:17.
3) Jacó dizimava - Gn 28:20-22 - também viveu antes da lei!
4) Melquisedeque (Sacerdote) recebia dízimos - Hb 7:1-2 - antes da lei!
5) O dízimo foi depois incluído na Lei - Lv 27:30-32 - Nm 18:21-24 - Dt 14:22-29 “O dízimo será santo ao Senhor” - Os que costumam dizer que não dão o dízimo porque é coisa da lei, saibam que Jesus afirmou que a Lei não foi revogada “Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas: não vim para revogar, vim para cumprir” - Mt 5:17 ( leia até o verso 20).
6) Salomão, que foi o homem mais sábio da terra, afirmou: - “Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de toda a tua renda e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.” (Prov 3:9-10).

            B) NO NOVO TESTAMENTO:
1) Em Jesus foi restaurado o tempo da graça (que existiu no tempo de Abraão) - e a graça não exclui o dizimar...
2) O Novo Testamento não anula, cancela ou revoga o V.T. apenas modifica ou adiciona... E não alterou a lei do dízimo!
3) Exemplos:  O Fariseu da parábola (Lc 18:12) - Os fariseus em geral  (Mt 23:23).
4) Levi (=Mateus) recebia dízimos - de quem? Sinal de que era prática apostólica Hb 7:9
5) Judas Iscariotes era Tesoureiro do colégio apostólico - para quê havia um Tesoureiro? Certamente para recolher dízimos e ofertas!
6) Jesus ratificou a prática do dízimo:
            “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” - Mt 5:20
            Exceder - significa fazer tudo de correto que eles faziam e muito mais.
            “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas, pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé. Deveis porém fazer estas coisas e não omitir aquelas.” - Mt 23:23
            “Estas coisas” - deveis fazer... ( praticar o juízo, a misericórdia e a fé )
            e “Não omitir aquelas” = ( dar o dízimo )
7) “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” - Lc 20:19-26
            De César - era o imposto
            De Deus - o dízimo!!!
8) Cristo é Sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque - SL 110:4 - Hb 7:17,21.
            Melquisedeque recebia dízimos de Abraão...
            Cristo recebe dízimos dos filhos de Abraão... (nós somos filhos na fé de Abraão)
9) Outros textos em que Cristo aprova a contribuição financeira e reprova a avareza:
            Aprovou a oferta da viúva pobre Lc 21:1-4;
            Lc 11:42; Lc 12:15,22-31,42-44; Lc 16:1,2,10-12; Lc 18:18-23; 29-30; Lc 19:11-27

VI - DESCULPAS INFUNDADAS ( QUE DEUS JAMAIS ACEITARÁ! )

1) “NÃO ENTREGO O DÍZIMO MAS DOU OFERTAS” - Lv 27:30-32 “ O dízimo é santo ao Senhor” - A lei não foi revogada! Mal 3:8 diz que quem não dizima rouba a Deus - Uma oferta que é menor (não pelo valor!) não subistitue uma dívida maior! O dízimo é mais importante!

2) “EU ADMINISTRO O MEU DÍZIMO...” - Errado! Está escrito: “Trareis à Casa do Tesouro” - Deve ser entregue publicamente na Igreja onde se é membro ou participante;

3) “NÃO DOU O DÍZIMO PORQUE GANHO POUCO” - Injustificável... Sendo o dízimo percentual, ele é proporcional... É cálculo justo, igual para todos (10%).  - Jesus não olha apenas o que damos, mas o que nos sobra! (caso da viúva pobre, ele percebeu que não lhe sobrou nada!)

4) “NÃO DOU PORQUE NÃO SOBRA” - O Dízimo deve ser “primícia” para Deus. Deve ser o primeiro pagamento quando recebemos o nosso salário. Deve ser dado pela fé! Deus está em primeiro lugar, e deve ocupar o primeiro lugar na sua vida, e também no seu orçamento.

5) “NÃO CONCORDO COM A ADMINISTRAÇÃO DA IGREJA”
- Ao entregar o dízimo, o estamos entregando para Deus...
- Os Administradores dos recursos de Deus, terão que prestar contas da sua administração...
- E você prestará contas do que não deu!
- concordando ou não, devemos entregar o dízimo na igreja onde somos membros ou participantes.

VII - UMA TERRÍVEL VERDADE:

Deus não permite que o crente use o dinheiro do dízimo em seu próprio benefício! Deus promete bênçãos, mas também maldição!

Adão quis usar o dízimo do Senhor ( A árvore separada por Deus para Ele ) - Veja que terrível punição recebeu!

Agora veja que terrível verdade está em Ageu Cap. 1:2-11 - Leia!

O muito que você espera se tornará pouco... O dinheiro vai estar sempre faltando na sua vida, não vai render!
Deus, com assopro, dissipa o seu dinheiro!
É como se você pegasse todo o seu salário e pusesse em um saco, e, segurando-o pela boca, vai levando a bolada para casa... Só que o “saco” está furado, e o dinheiro perde-se todo pelo caminho.
A terra retém seus frutos... O Céu o seu orvalho!

SACO FURADO NA VIDA DO CRENTE É...
- médico, farmácia, hospital, batida do carro, ladrão, etc.

O dinheiro de Deus em nossas mãos é maldição! Ele assopra porque nos quer bem... Ele quer nos dar prosperidade - precisamos confiar n´Ele e ser fiel nos dízimos e nas ofertas.

O correto seria termos no culto público um Ato exclusivo para entrega de dízimos. As ofertas seriam entregues em outro momento distinto. E, no ritual de entrega dos dízimos, deveríamos observar a seguinte ordem: - Primeiro, o Pastor; Segundo, Os Oficiais e demais líderes; Terceiro, a congregação em geral.

VIII - BÊNÇÃOS PARA OS DIZIMISTAS

“Fazei prova de mim se eu não vos abrir as janelas do céu... e derramar bênçãos sem medida”
Deus não quer filhos pobres e necessitados!
Nossa fidelidade é a porta da prosperidade!
Faça prova, decida ser dizimista a partir de hoje

CONCLUSÃO

Se há dívida acumulada (dízimos atrasados) - Ele perdoa! Ele perdoa “todos” os teus pecados...
Mas agora te diz: “Vá, e não peques mais, para que não te suceda mau pior...”
Faça um propósito de dar o dízimo a partir de hoje! ( e se puder, dê também os atrasados...)

Nota: Em II Cor 9:7 quando Paulo diz “cada um contribua segundo propor no seu coração” não está falando de dízimos ou de contribuições para Deus em geral, e sim de “esmolas” que eram recolhidas para os pobres de Jerusalém.

PRIMEIRO E SEGUNDO CRÔNICAS



PRIMEIRO E SEGUNDO CRÔNICAS

REVISÃO DA HISTÓRIA DO POVO

Introdução

Quando o autor escreveu os livros das Crônicas, já existia a grande história, formada pelos livros de Josué, Juízes, Samuel e Reis. Bastaria acrescentar alguns capítulos sobre a volta do exílio e a vida da comunidade até o início do séc. IV a.C. O autor, porém, tinha sérios motivos para apresentar outra versão de toda a história do seu povo (cf. «A história desde Adão até a fundação do judaísmo»).

À primeira vista, sua história parece repetição de narrações já existentes. A leitura atenta, porém, perceberá muitas diferenças, devidas à exclusão de materiais, ao acréscimo de outros e, muitas vezes, manipulações sutis dos relatos. O que o autor pretende é reconsiderar o passado, a partir da situação da comunidade judaica do seu tempo. Assim, a personagem principal dessa história é o Templo e os sacerdotes e levitas que nele exercem suas funções; os sacerdotes com o culto e os levitas com a transmissão das legítimas tradições do povo. É fácil perceber que toda a história precedente atinge seu ápice no Templo e que dele dependem todas as reformas político-religiosas posteriores; os reis são julgados a partir de suas relações com o Templo e o culto de Javé. Além disso, toda a história do reino do Norte é omitida, pois no tempo do autor os samaritanos eram inimigos acirrados da organização da comunidade judaica centrada em Jerusalém.

Ponto importante é a atenção especial que se reserva aos levitas, nas listas genealógicas e na narrativa propriamente dita. Os levitas pontilham essa história com sua presença, palavra e ideologia. É a maneira que o autor, certamente um levita, encontra para recuperar as tradições das tribos do Norte, que haviam mais bem conservado os ideais democráticos e igualitários. Como os levitas eram muito ligados aos círculos proféticos do Norte, encontramos muitas menções de profetas e o título de profeta é dado até mesmo ao levita (cf. 1Cr 25,1-5). Essa é uma diferença essencial com a história narrada nos livros dos Reis, onde o levita Abiatar e com ele certamente o levitismo foi expulso de Jerusalém por Salomão (cf. 1Rs 2,26-27, passagem que o autor de Crônicas omite).



Os livros das Crônicas, portanto, oferecem uma versão da história que reivindica e justifica a função do levita na liderança da comunidade judaica. Graças a ele, os ideais do êxodo e de uma sociedade igualitária permanecem vivos, à espera de uma ocasião histórica propícia que torne possível a sua concretização.


Os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de Esdras e Neemias, formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do séc. IV a.C. Temos aqui um grande conjunto narrativo, que vai desde Adão até a organização da comunidade judaica depois do exílio na Babilônia (por volta de 400 a.C.). Essa história pode ser dividida em três grandes partes:

- 1Cr 1-9: História de Adão até Saul, cuja seqüência é construída graças a árvores genealógicas, elaboradas a partir de tradições antigas, de palavras de profetas e material acrescentado pelo próprio autor.

- 1Cr 10-2Cr 36: História da monarquia, desde Davi até Sedecias. O autor parece repetir as narrativas dos livros de Samuel e Reis. A leitura atenta, porém, mostra que ele recorre a outras fontes.

- Esdras e Neemias: História dos repatriados, desde o retorno do exílio até o ano 400 a.C. O autor se preocupa em mostrar os problemas dos judeus repatriados e a ação de Neemias e Esdras para organizar a comunidade judaica.
O conjunto dessa história procura mostrar o estatuto da comunidade judaica, reunida em Jerusalém e centrada no culto e na lei. Sob o domínio persa, os judeus agarram a única possibilidade que lhes resta para recuperar e preservar a sua identidade como povo: a tradição religiosa dos antepassados, que agora se transforma em lei. No contexto pós-exílico, o Templo passa a ser o centro da vida da comunidade, como lugar de culto e da transmissão da lei, que fornecem a estrutura social da comunidade.

O autor, porém, não pretende apenas narrar a história dos judeus. Ele quer discutir e abrir perspectivas sobre a estrutura da própria comunidade judaica. Questão central é o problema da liderança que vai governar. Como os judeus só podem se estruturar a partir da religião, é natural que os sacerdotes detenham a liderança. Resta, porém, uma pergunta: Qual é o sacerdócio legítimo? Os descendentes do levita Aarão ou os descendentes de Sadoc? No exílio, os sacerdotes tinham elaborado complicadas genealogias para ligar Sadoc a Aarão, resolvendo assim a questão da legitimidade em favor dos descendentes de Sadoc. Diante disso, fica outra pergunta: E os levitas, descendentes diretos de Aarão? Desde o tempo de Salomão, eles tinham sido expulsos de Judá e passaram a exercer suas atividades entre as tribos do Norte, que formaram o reino de Israel. Ligados aos profetas, eles preservaram e produziram tradições que formaram o livro do Deuteronômio, o qual influenciou grandes reformas no reino de Judá. Depois do exílio, esses levitas se viram reduzidos a meros empregados dos sacerdotes.

O autor, muito provavelmente levita, produz toda essa literatura para reabilitar historicamente a figura do levita e, assim, reivindicar sua importância ao lado do sacerdócio para o governo da comunidade. É nesse sentido que podemos interpretar a expressão «aliança dos sacerdotes e levitas» em Ne 13,29 e a insistência contínua do autor em mostrar a importância do levitismo em toda a sua versão da história.

É claro que o autor não quer apenas arrumar emprego para os levitas. O que ele pretende é preservar a tradição profética, conservada pelos levitas, a fim de que a comunidade judaica não fique reduzida ao culto formal, mas seja capaz de se organizar socialmente, segundo o projeto de Javé, dentro da legítima tradição do Êxodo. É inegável que essa tradição foi transmitida pelos levitas, que procuravam atualizá-la e aplicá-la às situações concretas, visando sempre em primeiro lugar à causa do povo e à defesa de uma sociedade justa e igualitária. Podemos, portanto, dizer que essa obra histórica é uma grande reivindicação para a reabilitação daqueles que se colocam como defensores dos interesses do povo, protegendo-o de possíveis arbitrariedades, tanto internas como externas.


domingo, 24 de agosto de 2014

PRIMEIRO E SEGUNDO REIS



PRIMEIRO E SEGUNDO REIS

DA GLÓRIA À RUÍNA

Introdução

Os livros dos Reis relatam acontecimentos que vão de 971 a 561 a.C., continuando a história da monarquia iniciada com Saul e Davi. Depois de Salomão, o império se divide (931 a.C.) em dois reinos: o reino de Israel, com sede em Samaria, que caiu em poder da Assíria em 722 a.C., e o reino de Judá, com sede em Jerusalém, que caiu em poder da Babilônia em 586 a.C. Mais do que uma relação pormenorizada de acontecimentos, estes livros fornecem uma reflexão crítica sobre a história do povo e dos reis que o governaram: a fidelidade a Deus leva à bênção e à prosperidade; a infidelidade leva à maldição, à ruína e ao exílio (cf. 2Rs 17,7-23).

No início, encontramos de novo uma teologia da autoridade política: o rei deve ser fiel a Deus (1Rs 2,3) e governar com sabedoria e justiça, servindo o povo (1Rs 12,7), que pertence unicamente a Deus (1Rs 3,8-9). Mas os reis são sempre infiéis, pois fazem «o que Javé reprova»: praticam a idolatria; «vendem» a nação para os estrangeiros; perseguem os profetas; dividem, exploram e oprimem o povo. Como conseqüência, Israel e Judá são levados à ruína.

O Templo e o profetismo têm um papel importante nessa história. O Templo é o lugar da reunião de todo o povo para o encontro com Deus, em todas as circunstâncias da vida nacional (1Rs 8). A reforma de Josias procura reunir novamente todo o povo a partir do culto no Templo (2Rs 22-23). Os profetas são aqueles que mantêm viva a consciência do povo, os vigias das relações sociais e os grandes críticos da ação política dos reis. Sua intenção de fazer respeitar a justiça e o direito está sempre em primeiro plano, e eles se ocupam tanto de religião como de moral e política, pois tudo deve estar submetido a Deus, o único rei sobre o povo (cf. Is 6,5; 44,6; Zc 14,16).

As decepções com a monarquia se multiplicaram e, com a queda dos reinos de Israel e de Judá, volta o antigo ideal igualitário das tribos, formulado agora por Jeremias como Nova Aliança: uma sociedade sem mediações, na qual o próprio povo governa a si mesmo, graças ao conhecimento de Deus (Jr 31,31-34). De fato o poder pertence à essência de Deus, e não à essência da humanidade. A humanidade é formada de pessoas relativas, isto é, de seres que se descobrem, se desenvolvem e se realizam dentro de relações que, para serem verdadeiramente humanas, devem ser de partilha e fraternidade.

A Bíblia mostra que o Reino de Deus, sempre vindono horizonte da história, é o advento da humanidade unida e democrática, onde não há mais pobres e ricos, nem fracos e poderosos, e sim a partilha e a fraternidade. O sentido último da existência de qualquer autoridade é servir ao advento do Reino de Deus, o que significa também ter a vocação de diminuir-se a si mesma, até tornar-se desnecessária e desaparecer. A marcha da história caminha para a comunhão e a partilha entre os homens, e todas as formas de absolutismo significam uma regressão no processo histórico. Regressão voltada para o fracasso, pois a história caminha para a meta que Deus fixou: o Reino.

sábado, 23 de agosto de 2014

PRIMEIRO E SEGUNDO SAMUEL



PRIMEIRO E SEGUNDO SAMUEL

FUNÇÃO DA AUTORIDADE

Introdução

Os livros de Samuel relatam acontecimentos que se situam entre 1040 e 971 a.C. Temos aí uma análise crítica do aparecimento da realeza em Israel, análise que pode ajudar a avaliar nossos sistemas e homens políticos, bem como qualquer outra autoridade.

Em 1Sm temos duas versões do surgimento da autoridade política central: a primeira é contrária e hostil à monarquia (1Sm 8; 10,17-27), representando a visão mais democrática das tribos do Norte, que viviam em terras mais produtivas. A segunda versão é favorável à monarquia (1Sm 9,1-10,16; 11) e representa a visão da tribo de Judá, que vivia em terras menos produtivas. Unindo as duas versões, vemos que a autoridade é um mal necessário (embora justificável, ela pode se absolutizar, explorar e oprimir o povo) e, ao mesmo tempo, um dom de Deus (uma instituição mediadora, que deve re-presentar, isto é, tornar presente o próprio Deus, único rei que liberta e governa o seu povo).

1Sm oferece, portanto, uma visão crítica da autoridade política. Mostra que Deus é o único rei sobre o seu povo. Para ser legítimo, o rei humano (e seus equivalentes) deve ser representante de Deus, isto é, servir a Deus através do serviço ao povo. E isso compreende duas funções:
função externa: reunir e liderar o povo, auxiliando-o a proteger-se e a libertar-se dos seus inimigos (1Sm 9,16; Sl 110,2);

função interna: organizar o povo e promover a vida social conforme a justiça e o direito (Sl 72; Dt 17,14-20; Pr 16,12; 29,14).

As duas funções se resumem, portanto, numa dupla relação: obedecer a Deus e servir ao povo. Qualquer autoridade que não obedece a Deus e não serve ao povo é ilegítima e má, pois acaba ocupando o lugar de Deus para explorar e oprimir o povo.

2Sm está centrado na figura de Davi, cuja história começa propriamente em 1Sm 16, e nas lutas dos pretendentes ao trono de Jerusalém. Podemos dizer que 2Sm continua a avaliação do sentido e da função da autoridade política.

Davi é apresentado como o rei ideal, que obedece a Deus e serve ao povo. Graças à sua habilidade política, ele consegue aos poucos captar a simpatia das tribos, sendo primeiro aclamado rei de Judá, sua tribo, e depois rei também das tribos do Norte. Após ter conseguido reunir todo o povo, Davi conquista Jerusalém e a torna, ao mesmo tempo, o centro do poder político e da religião de Israel. O ponto mais alto da sua história é a profecia de Natã (2Sm 7), em que o profeta anuncia que o trono de Jerusalém sempre será ocupado por um messias (= rei ungido) da família de Davi. É a criação da ideologia messiânica: o povo será sempre governado por um messias descendente de Davi. Logo depois começa a competição pelo poder e pela sucessão e, finalmente, o trono é ocupado por Salomão que, por si, não era o herdeiro direto (2Sm 9-1Rs 2).

Davi passou para a história como o modelo da autoridade política justa. Por isso, mesmo com o fim da realeza, os judeus permaneceram confiantes no ideal messiânico e ficaram à espera do messias que iria reunir o povo, defendê-lo dos inimigos e organizá-lo numa sociedade justa e fraterna. Dizendo que Jesus é descendente de Davi, os Evangelhos mostram que ele é o Messias esperado (daí o nome gregoCristo = Messias). Ele veio para reunir todos os homens e levá-los à vida plena, na justiça e fraternidade do Reino de Deus.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

RUTE



RUTE

LUTA DOS POBRES PELOS SEUS DIREITOS

Introdução

Sob forma de uma história familiar, o livro de Rute apresenta um roteiro para a luta do povo pobre em busca de seus direitos. Foi escrito em Judá, depois do exílio na Babilônia, pela metade do séc. V a.C.

O período após o exílio foi muito difícil. Era preciso recomeçar tudo. As antigas tradições tinham sido esquecidas, e se tornava necessário fazer sérias reformas, que atingissem os fundamentos econômicos, políticos e sociais, para que o povo de Deus não perdesse sua identidade.

O autor do livro coloca princípios de orientação para reorganizar a comunidade, que sofreu grandes abalos. E isso acontece a partir da situação do povo pobre, apontando-se o caminho para a luta em vista do pão, da terra e da família. Por outro lado, o livro salienta: Deus não quer leis que, em nome da ordem, acabam obrigando as pessoas a sacrificar seus direitos básicos. É também uma grave advertência para aqueles que fazem as leis e para quem obedece à letra e não ao espírito das leis. Elas devem, acima de tudo, ser meios eficazes para que os pobres tenham como defender seus direitos. Quando não servem para proteger o povo pobre, devem ser modificadas, atualizadas ou abolidas. A protagonista do livro é uma estrangeira, e isso mostra que a salvação não tem fronteiras: o amor de Deus não é nacionalista, nem exclusivista. Ele quer liberdade e vida para todos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

FAMÍLIA NA BÍBLIA - LIÇÃO 07 – CELEBRANDO A SEXUALIDADE NO CASAMENTO.


FAMÍLIA NA BÍBLIA - LIÇÃO 07 – CELEBRANDO A SEXUALIDADE NO CASAMENTO.

 

“Limitar a sexualidade à função biológica da reprodução, considerando essa função mais importante que a relação entre os cônjuges, é esvaziá-la de seu sentido pessoal é colocar o casal humano no mesmo nível dos animais” (C. René Padilla).

A sociedade em que vivemos respira sexo. Conforme dados divulgados, os sites mais visitados na internet são aqueles que apresentam cenas de sexos. Por mais que as leis procurem coibir, as revistas pornográficas estão em todas as bancas. Os jornais, mesmo aqueles mais tradicionais, apresentam ofertas nos classificados de sexo fácil, sem compromisso. É raro não encontrar um filme que não trate o tema de uma imprópria e inadequada para os padrões cristãos.

Sem duvida, este é o lado distorcido do sexo, o lado contaminado pelo pecado.

Quando lemos a Bíblia, especialmente os livros poéticos, encontramos o ideal de Deus para a sexualidade humana.

Provérbios, Eclesiastes e, de uma forma especial, o livro de Cantares (Cântico dos Cânticos, conforme algumas Bíblias) de Salomão apresentam a sexualidade humana de forma bela, santa e pura.

I – EXPEREINCIA COMPARTILHADA.

No capitulo anterior, vimos que o ideal de Deus para o homem ser feliz em sua sexualidade é vivenciá-lo no contexto do casamento (Pr 5,15-20). Em Eclesiastes, mais uma vez Salomão – “Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.” (Ecl 1,1) – recomenda aos mais jovens que uma sexualidade fora dos padrões de Deus não proporciona, de maneira alguma, felicidade verdadeira – “Ajuntei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, concubinas em grande número.” (Ecl 2,8). Devemos lembrar-nos de que Salomão tinha autoridade para fazer tal tipo de recomendação, pois a história bíblica registra que chegou a ter 700 esposas e 300 concubinas (1Rs 11,1-4). Após experimentar todo tipo de luxuria e devassidão sexual, pode afirmar que tudo era vaidade e desejo vão, não tendo nenhuma espécie de proveito para o ser humano – “Então olhei eu para todas as obras que as minhas mãos haviam feito, como também para o trabalho que eu aplicara em fazê-las; e eis que tudo era vaidade e desejo vão, e proveito nenhum havia debaixo do sol.” (Ecl 2,11). Em contrapartida, Salomão encomenda que para experimentar a felicidade o homem que deseja agradar a Deus deve, dentre outras coisas, valorizar o casamento e desfrutar a vida com a mulher que ama – “Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vida vã; porque este é o teu quinhão nesta vida, e do teu trabalho, que tu fazes debaixo do sol.” (Ecl 9,9).

II – CELEBRANDO A BELEZA DO AMOR CONJUGAL


Cantares de Salomão – “O cântico dos cânticos, que é de Salomão.” (Ct 1,1) celebra a beleza da sexualidade conjugal. Cantares ou Cântico dos Cânticos já causou muitas controvérsias na história do cristianismo. Theodoro de Mopsuéstia, por exemplo, foi condenado pelo Concilio de Constantinopla por insistir na tese de que esse livro tinha sido escrito para celebrar o amor humano. Bernardo de Clairvaux defendia a idéia de que Cantares era apenas uma alegoria do amor de Deus para com o povo de Israel. Na Espanha, um professor, Frei Luiz de Leon, foi expulso de sua cátedra e ficou preso por 04 anos por traduzires Cantares para o Espanhol.
Sem dúvida, é um livro que fala de amor, também, ser lido com a perspectiva do amor de Deus para com seu povo Israel, pode também ser lido do ponto de vista do amor de Cristo, o Noivo para com a Igreja, a Noiva, mas um fato precisa ficar bem claro para os leitores da Bíblia. É um livro que descreve o amor entre o homem e uma mulher, do amor que deve existir no casamento. Cantares celebra o amor romântico que deve existir entre um homem e uma mulher que se unem pelos laços conjugais. Não se trata de um manual de sexo, como muito que são vendidos por ai, mas apresenta de forma poética, santa, bela e pura para o amor Eros na vida de um casal, sem a influencia de uma sexualidade manchada pelo pecado.

Ao ler cantares os casais e futuros cônjuges, com certeza, serão instituídos a vivenciarem toda a beleza, felicidade e realização que Deus deseja que maridos e esposas, tenham no contexto do casamento.

O livro de Cantares apresenta alguns princípios para que os casais sejam felizes nessa área:

1 – DEDICAÇAO DE TEMPO.

Para que os casais experimentem alegria nessa área da vida, é preciso, como recomenda Cantares, dedicar tempo um ao outro – “Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascenta o teu rebanho, onde o fazes deitar pelo meio-dia; pois, por que razão seria eu como a que anda errante pelos rebanhos de teus companheiros? Se não o sabes, ó tu, a mais formosa entre as mulheres, vai seguindo as pisadas das ovelhas, e apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.” (Ct 1,7-8). O texto descreve o desejo ardente de a jovem encontrar-se com seu amado. Não podia esperar até tarde. Desejava saber onde ele se encontrava para ir estar com ele. Muitos estão frustrados na relação conjugal porque não dedicam tempo ao amor romântico. A Sulamita ensina aqueles que desejam viver em um casamento de sucesso é preciso desejar ardentemente estar com o outro. É na dedicação de tempo que o casamento é fortalecido e cria-se a intimidade tão importante para o casal.

2 – ELOGIO.

Quando lemos Cantares algumas comparações podem soar como sendo bem estranhas para nós que vivemos numa cidade grande ou numa sociedade ocidental, como, por exemplo – “A uma égua dos carros de Faraó eu te comparo, ó amada minha.”(Ct 1,9), ou – “O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado.” (Ct 2,9a), ou – “Os teus seios são como dois filhos gêmeos da gazela.” (Ct 4,5; 7,3).

Temos sempre que lembrar de dois princípios fundamentais. A maioria das comparações é de fundo emocional e são figuras enaltecedoras para aquela época. A maneira mais adequada, para aquela época, de elogiar a mulher que amava era recorrer a essas figuras que lhe causavam admiração. Com isto, Cantares lembra que fazer elogio ao cônjuge faz bem para a relação e enriquece a sexualidade conjugal.

3 – ROMANTISMO.

Romantismo é essencial para um casal ser feliz no casamento. Cantares está repleto de frases românticas, como por exemplo – “Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, para que assim nos conjures?” (Ct 5,9). A grande reclamação das mulheres é que os homens são românticos até a data do casamento. Depois sofrem de amnésia de palavras e atos românticos. A mulher carece de palavras e de atos românticos por parte do esposo. Para tanto, os maridos devem aprender a ser românticos para que mantenham a chama do amor.

4 – CUIDADO.

A expressão – “Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas; pois as nossas vinhas estão em flor.” (Ct 2,15) deseja ensinar aos casais que para manterem o casamento viçoso é preciso estar sempre eliminando aquelas pequenas coisas que prejudicam a relação. São aquelas pequenas ervas daninhas que tiram a força do casamento, e, com o tempo podem matar de vez o amor conjugal.

5 – TOQUES.

Varias vezes Cantares descreve os toques físicos  como ingrediente importante para a relação conjugal. Beijos, caricias e abraços faziam parte do relacionamento – “Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho. A sua mão esquerda estaria debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abraçaria.” (Ct 1,2; 8,3). Daí a importância do contato físico que deve haver num casamento. Andar de mãos dadas, abraços e beijos são importantes para um casamento feliz.

6 – COMPROMISSO PÚBLICO E PRIVACIDADE.

No relacionamento conjugal, é preciso haver um equilíbrio entre o compromisso público e a privacidade. Ct 8,1-3 – “Ah! quem me dera que foras como meu irmão, que mamou os seios de minha mãe! Quando eu te encontrasse lá fora, eu te beijaria; e não me desprezariam! Eu te levaria e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me instruirias; eu te daria a beber vinho aromático, o mosto das minhas romãs. A sua mão esquerda estaria debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abraçaria.” – trata a importância destes dois itens. O amor puro entre o casal era conhecido publicamente, daí a expressão – “Quando eu te encontrasse lá fora, eu te beijaria; e não me desprezariam!” (v1), mas a troca de caricias era algo que se dava a intimidade conjugal e por isso aparece a expressão – “Eu te levaria e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me instruirias.” (v 2a). Um casal que teme a Deus deve aprender estas duas  verdades. Deve demonstrar para a sociedade que existe amor genuíno, amor aprovado por Deus, mas deve resguardar parta a intimidade da vida a dois as demonstrações mais intimas desse amor. Isto se chama pudor.

CONCLUINDO


Ao escrever esse capitulo, uma música de Rita Lee tem sido muito tocada pelas rádios. A letra de Arnaldo Jabour diz em um determinado trecho que o amor é cristão e sexo é pagão. Das inúmeras tolices que Rita Lee interpreta ao cantar a música “amor e sexo”, essa é uma delas. Amor e sexo, vividos no contexto de uma relação conjugal aprovada pelos princípios bíblicos, ambos são divinos, belos, puros, santos e proporcionam prazer tanto para o homem como à mulher – “As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios afogá-lo. Se alguém oferecesse todos os bens de sua casa pelo amor, seria de todo desprezado.” (Ct 8,7).


Não há nenhum pecado neste tipo de relação. Por ser tão puro, belo, santo e prazeroso, devemos estudar mais ainda os livros poéticos e aplica-los à vida conjugal e ensinar os casais  e futuros casais  que não será preciso fugir dos parâmetros traçados por Deus para experimentar prazer nessa área tão importante na vida humana