sábado, 22 de fevereiro de 2014

VIVENDO NO AMOR DE DEUS - LIÇÃO 11 – NÓS AMAMOS COMO DEUS NOS AMA?



VIVENDO NO AMOR DE DEUS - LIÇÃO 11 – NÓS AMAMOS COMO DEUS NOS AMA?

“11. Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros.” (1Jo 4,11).

      I.        INTRODUÇÃO.

Num mundo marcado pelo egoismo, pela arrogância, pela avareza, pela crueldade, pelo certicismo e por tantos outros substantivos que retratam a realidade dos corações, a pessoa que não trabalha para si mesma, que não visa a lucros próprios, está se comportando de maneira singularmente estranha. O mundo espera que cada um olhe por si mesmo.

O comportamento cristão, diferente, que causa estranheza e perplexidade ao mundo, é motivado pelo amor de Deus, que nos impede, nos domina, supera nosso natural interesse próprio, e nos faz agir contrariamente à natureza.

No texto que estudaremos, João, de forma brilhante e inteligente, demonstra sistematicamente que toda atividade de Deus é atividade amorosa: porque Deus é amor, Ele nos amou em Cristo, continua a amar em nós e através de nós; por isso devemos amar uns aos outros.

    II.        AS CARACTERÍSTICAS DO VERDADEIRO AMOR.

“7. Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1Jo 4,7-8).

Nesse trecho, provavelmente, João estava combatendo mais uma heresia dos gnósticos, que ensinavam que a matéria é essencialmente má porque o mundo físico é produto do poder do mal. Por isso, negavam a encarnação de Cristo, assim não podiam alcançar a compreensão de que Deus é amor.

1.    Sua origem e natureza são divinas.
João faz duas afirmações contundentes:”o amor procede de Deus” e “Deus é amor”. Ao dizer isso, João não estava oferecendo uma definição de amor, mas apenas estabelecendo um fato. Se igualarmos o amor de Deus, cometeremos um erro e estaremos destruindo o conceito da personalidade de Deus.

Seria como afirmar que os raios do Sol são o próprio sol. Quando dizemos: “fulano é a bondade em pessoa”, não queremos dizer que a pessoa de quem falamos e a bondade sejam idênticas, e ninguém interpretaria nossas palavras nesse sentido. Da mesma forma, quando dizemos que Deus é amor, estamos afirmando que o amor é algo verdadeiro a respeito de Deus, mas não é Deus. O amor de Deus é um ato livre da Sua vontade, não uma emoção produzida Nele em virtude de uma situação.

Deus não só é amor, como também é a fonte e a origem do verdadeiro amor. A natureza do amor é ativa, benigna e criativa e, por isso, não pode permanecer imóvel. No amor há a necessidade de se dar àqueles que são objeto dele, o que no pensamento gnóstico era algo inconcebível.

2.    Sua dimensão é imensurável.

O amor é um atributo essencial de Deus e expressa algo que Deus é em Seu ser unitário, assim como justiça, santidade, fidelidade, etc. Aliás, outros atributos de Deus nos auxiliam no aprendizado a respeito do amor de Deus, como atributos. Exemplo: sendo Deus auto-existente, o Seu amor não pode ter fim; sendo Deus infinito, Seus amor não tem limites; sendo Deus soberano, Ele está completamente capacitado a assegurá-lo.

3.    Sua evidência é inquestionável.
O argumento usado é bastante simples e conclusivo: aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus. O amor é a manifestação da natureza daquele que dizemos ser nosso Pai, logo, se amamos, evidenciamos nossa filiação em Deus. Amar uns aos outros não nos torna filhos de Deus, mas mostra que o somos.

   III.        A MANIFESTAÇÃO DO AMOR.

“9. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. 10. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados. (1Jo 4,9-10).

Infelizmente, muitos imaginam Deus como um Ser distante, carrancudo, velhinho, apático, sombrio e vingativo – essa é uma visão errada de Deus.

“Já antes da vinda de Cristo ao mundo, as grandes nações filosóficas, Grécia, China e Índia, haviam completado suas filosofias e, depois delas, nada de significativo surgiu. Baseadas nessas filosofias, surgiram também muitas religiões, mas nenhuma delas se assemelha ao evangelho, pois a religião é a busca do homem a Deus, por isso há muitas religiões. Mas o evangelho é Deus buscando o homem, por isso, há um só evangelho” (E. Stanley Jones).

Deus, sendo amor, nunca desistiu de Se repartir com as pessoas. Mesmo quando as pessoas desobedeceram a Deus e contraíram uma dívida impagável. Ele planejou enviar o Messias para pagar a dívida e restaurar o relacionamento. Essa foi a demonstração concreta e inquestionável do amor de Deus – “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.” (Jo 15,13).

Cristo, pela Sua expiação, removeu a barreira que impedia a comunhão com Deus. Esse amor é incondicional, espontâneo, busca o bem de outrem à custa do seu próprio bem e se sacrifica pelo outro. Nisso consiste o amor.

  IV.        A ATIVIDADE CONTINUA DO AMOR DE DEUS.

“11. Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros. 12. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito.” (1Jo 4,11-12).

Um dos motivos de termos sidos criados à imagem e semelhança de Deus foi a capacidade de relacionamento. Deus desejava e deseja Se repartir com alguém e esse foi um dos alvos da criação. Mesmo quando entrou o pecado, como vimos anteriormente, Deus providenciou o meio para restaurar o relacionamento.

Portanto, a primeira razão pela qual devemos amar uns aos outros é porque Deus é amor e o amor procede Dele. A segunda razão não está baseada na verdade abstrata da natureza de Deus, mas no fato concreto de Deus enviar Seu Filho ao mundo para Se sacrificar por nós.

A atividade continua do amor de Deus apresenta três aspectos:

1.    Um aspecto íntimo e pessoal.

João trata desse aspecto pessoal ao usar a expressão – “...e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.” (1Jo 4,7). Podemos afirmar então que Deus não ama as populações, ama as pessoas. Deus não ama as massas, ama os seres humanos.

Que prazer e segurança saber que Deus nos ama individualmente, e que nada poderá nos separar do seu amor! – “38. Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, 39. nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8,38-39).

2.    Um aspecto coletivo.
Não é um raro ouvirmos pessoas dizendo que não precisam de igreja para se relacionar com Deus. Isso é uma falácia do inimigo. A presença e o amor de Deus podem ser experimentados quando entramos em contato com pessoas que pertecem a Ele. Ed René Kvivtz, em seu livro Koinomia – manual para líderes de pequenos grupos, afirma que pessoas precisam de Deus, e pessoas precisam de pessoas.

O amor não pode ser uma especialidade de alguns poucos na igreja. Todos aqueles que individualmente foram objetivos do amor de Deus e agora pertencem a Ele devem agora amar o outro e não viver uma vida egocêntrica. Isso é parte do sacerdócio de cada cristão. A forma como João usa o verbo amar (agapão, no grego) indica uma atitude habitual e contínua de amar.

Jesus ensinou a grande necessidade de não discriminar as nossas amizades – “Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis? Também os pecadores amam aqueles que os amam.” (Lc 6,32). A nossa grande dificuldade está em amar aquele irmão que nos maltratou, que não nos cumprimentou, aquele que se entristece quando estamos alegres, o que nos ofendeu e não pediu perdão, o que pecou e, arrependido, precisa de perdão, ao invés de críticas. E quanto aos filhos, amar aquele filho obediente e dócil é fácil, mas e o rebelde?

Lembremo-nos de que essa era a nossa condição diante de Deus! – “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.” (Rm 5,8).

3.    Um aspecto sobrenatural.

Notemos a afirmação, aparentemente fora de contexto, de que ninguém jamais viu a Deus. Será isto possível? A resposta de João seria enfática: Sim! É completamente possível amar alguém que não vimos, mas é impossível amar alguém que não conhecemos. Exemplo: uma mãe cega afaga, acaricia, se deleita, ama seu bebê com o mesmo amor que uma mãe com visão normal. Embora não tenha visto, experimentou-o, conheceu-o  através de diversas maneiras doces e intimas.

Da mesma forma, o mesmo Deus que Se revelou em Seu Filho, agora pode ser conhecido pela revelação de Jesus Cristo e pelo amor que os Seus filhos demonstram uns para com outros, pois esse amor é evidência da habitação de Deus nele. Pedro diz: “Este Jesus vós o amais, sem o terdes visto; credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa,” (1Pd 1,8).

    V.        CONCLUSÃO.

No cristianismo, há um conteúdo que o diferencia de tudo o mais, quer sejam religiões ou filosofias. É o próprio Deus ressurreto vivendo e manifestando Seu amor em seu povo e através dele.

Assim como não podemos apanhar uma estrada e mostrá-la a alguém, mas podemos apontar para ela, nao podemos falar de maneira completa do amor de Deus, mas enquanto estendemos o nosso coração ao alto e brilhante amor de Deus, alguém que não O conhece poderá animar-se, e olhar para cima, e ter esperança.

A igreja deve agir, em amor, na plenitude do Espírito Santo, orientada, capacitada e ungida por Ele. Quando isso acontece, os perdidos são salvos, os solitários são abençoados, os tristes são consolados, os famintos são saciados.

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