sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

TIAGO A FÉ EM AÇÃO - LIÇAO 12 - A MALEDICÊNCIA É CONDENADA


“O homem perverso espalha contendas; e o difamador separa amigos íntimos.” Pr 16,28.

  1. INTRODUÇÃO.

Na Bíblia não está escrito a palavra pecado no aumentativo ou no diminutivo. Ela traz somente o tempo pecado. Mas nós temos uma lista de “pecadinhos” (que consideramos menos grave) e uma de “pecadões” (que consideramos mais grave; como adultério, assassinato, prostituição, outros...). Certamente na nossa lista de pecadinhos temos a famosa e familiar maledicência. Muitas vezes toleramos alguém falando mal de um irmão e até nos associamos a uma leve critica ao defeito do próximo. Não é raro nos corredores da igreja ouvimos irmãos falando mal uns dos outros.

Muitas vezes, por considerar a maledicência menos grave, nos damos o direito de falar mal de alguém. A maledicência é tão discreta, que as vezes até vem disfarçada de correção e preocupação com o caráter do outro. Para detectar as necessidades de mudanças no caráter alheio, somo levados a revelar as áreas menos nobres e fracas de algum irmão. Veremos que a maledicência é explicitamente condenada por trazer consigo outros pecados que funcionam como suas raízes.

  1. REJEIÇAO À ESCRITA SAGRADA (Tg 4,11).

a)    A Bíblia proíbe a maledicência.

O que será que Tiago quis dizer com a idéia de que ao falar mal do irmão ou julgá-lo, falamos mal da Lei e a julgamos? Será que nossos irmãos representam a lei? É claro que não! Deus representa sua própria Lei; e Ele mesmo proíbe falar mal ou julgar o irmão. Todo aquele que fala mal ou julga o irmão está quebrando essa lei. O pecado é a transgressão da lei (“Todo aquele que peca transgride a lei, porque o pecado é transgressão da lei.” 1 Jô 3,4); e o maledicente a transgride. Não importa se o mal que falamos do irmão corresponde a uma verdade ou não, importa que a Palavra nos proíba de fazê-lo. E aquele que tropeça num só ponto é culpado de todos (“Pois quem guardar os preceitos da lei, mas faltar em um só ponto, tornar-se-á culpado de toda ela.” Tg 2,10). Vemos em Tito que por causa do nosso comportamento, a Palavra de Deus pode ser difamada (“Tt 2,1-5).

b)   O ser humano coloca-se acima da Lei.

Desobedecer é a forma mais direta de desprezar e respeitar a Lei de Deus. Ao desobedecê-la estamos dizendo que não concordamos com ela. Quando tomamos à liberdade de não cumprir a Lei, é porque já avaliamos em nossa mente e julgamos desnecessário obedecê-la. Neste ponto, deixamos de sermos cumpridores e passamos a sermos o seu juiz. Assim nos colocamos acima da Lei e a julgamos.

A distancia entre nossa posição e a do juiz é contrastado na pergunta de Tiago: “Mas quem és tu, que julgas o teu próximo?” – Tg 4,12b. A pergunta de Tiago é ofensiva, e evidencia a realidade de que não somos capazes de ocupar tal posição. Essa é a mais uma das perguntas retórica da Bíblia; tais como: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” – Rm 8,31; “Quem poderia acusar os escolhidos de Deus?” – RN 8,33; “Mas qual de vós, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?” – Lc 12,25; “Mas quem és tu, que julgas o teu próximo?” – Tg 4,12. A resposta para todas elas e a mesma: Ninguém!

c)    O ser humano distancia-se da Lei.

A palavra de Deus funciona como um espelho. Quanto mais olhamos nela, mais vemos como somos. Quando tiramos os olhos da Palavra de Deus, passamos a observar mais a vida e o comportamento dos outros. Por isso, quanto menos fixarmos nossos olhos na Palavra de Deus, mais os fixarmos nos outros e mais facilidade teremos de nos tornar maledicentes. Falar mal dos outros é uma forma de revelar que estamos olhando pouco para a Bíblia. Alguém que está com os olhos fitos na Palavra será incomodado pelo Espírito Santo ao falar mal do irmão, porque será lembrado dos mandamentos que condenam essa atitude (“não falem mal dos outros, sejam pacíficos, afáveis e saibam dar provas de toda mansidão para com todos os homens.” – Tt 3,2), e também porque também vai encontrar em si mesmo defeitos suficientes para criticar: “Que cada um se queixe de seus pecados. – Lm 3,39.

  1. ASSOCIAÇAO COM O SERVIÇO DO DIABO (Tg 4,11).

a)    O nome “diabo” significa caluniador.

Falar mal de alguém é falar contra tal pessoa. Aquele que fala para diminuir ou rebaixar alguém o faz com a intenção de denegrir sua moral e imagem. Daí vem o termo maledicente. É aquele que se detém nos defeitos do outro, que degrada, rebaixa ou difama. Mesmo quando todos vêem qualidades, o maledicente procura encontrar falhas. Tais qualificações negativas são atribuídas ao diabo. Em Ap 12,10 – “Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus.” – o diabo é o “acusador”  dos irmãos. Em 1Tm 5,14 – “Quero, pois, que as viúvas jovens se casem, cumpram os deveres de mãe e cuidem do próprio lar, para não dar a ninguém ensejo de crítica.” – o diabo é o adversário “maledicente”. Em Ap 13,6 – “Abriu, pois, a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar o seu nome, o seu tabernáculo e os habitantes do céu.” – o diabo é o “difamador” do nome de Deus e seu tabernáculo.

b)   O diabo fala mal de Deus aos homens.

Vemos que ainda no Éden, o maligno levou Eva a desconfiar de Deus, através de um diálogo carregado de maledicência – Gn 3,1-5. O maligno insinuou que Deus estava escondendo algo bom; que Ele era egoísta. Toda boa impressão que Eva possuía a respeito de Deus foi substituída por má impressão ao ser lembrada pela serpente que ele a proibiu de comer da árvore que estava no meio do jardim. Assim, aos olhos de Eva, o maligno conseguiu diminuir a boa fama e o bom nome de Deus. Isso é maledicência.

c)    O diabo fala mal dos homens a Deus.

No livro de Jó, vemos o episodio onde o próprio Deus, que é santo e tem um padrão santo, reconhece algumas virtudes em Jó –“O Senhor disse-lhe: Notaste o meu servo Jó? Não há ninguém igual a ele na terra: íntegro, reto, temente a Deus, afastado do mal.” Jó 1,8. Porem o maligno, perito em denegrir a imagem de alguém, argumenta lançando questões que punham em duvida o caráter de Jó – “É a troco de nada que Jó teme a Deus?” Jó 1,9b; “Não cercaste como de uma muralha a sua pessoa, a sua casa e todos os seus bens?” Jó 1,10ª; “Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele possui; juro-te que te amaldiçoará na tua face.” Jó 1,11. A maledicência é uma especialidade do maligno. Ele se destina a encontrar defeitos até naqueles em quem o próprio Deus vê qualidades. Não é a toa que recebe o titulo de “acusador de irmãos” (“Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus.” Ap 12,10).

d)   O diabo é a essência da maledicência.

O maledicente não precisa necessariamente encontrar um mal em alguém. Questionar a bondade, a idoneidade do próximo já é maledicência. O que ele não percebe é que o maior mal está em si próprio. Paulo fala em 1Tm 5,14 – “...para não dar a ninguém ensejo de crítica.” – Mesmo uma pessoa de bom procedimento pode ser vitima maledicente. Pedro desafia seus leitores a estar preparados contra aqueles que difamam o bom procedimento – “Tende uma consciência reta a fim de que, mesmo naquilo em que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam o vosso santo procedimento em Cristo.” 1Pd 3,16.

  1. USSURPRAÇAO DOS DIREITOS DE DEUS (Tg 4,12).

a)    Direito exclusivo de Deus.

A proibição de Tiago não se restringe ao ato de falar mal, mas também ao ato de julgar o irmão. Ele mistura duas advertências, e a quebra de qualquer uma delas constitui um mesmo pecado, que é a transgressão da lei. Em ambos os casos à pessoa ainda comete uma usurpação; porque falar mal é algo próprio do maligno, e julgar é especifico de Deus. Se falarmos mal, nos associamos a algo errado que é a maledicência do maligno; se julgarmos, usurpamos algo  que é correto e justo, porém, pertence exclusivamente a Deus. Um só é legislador e juiz – “Não há mais que um legislador e um juiz” Tg 4,12.


b)   Capacidade exclusiva de Deus.

Quando alguém julga o irmão, é porque supostamente está detectando algo de mal na vida dele; e com base no que detectou, se acha no direito de declarar as más qualidades do outro. Mas o grande problema do nosso julgamento é que ele é ineficaz. Não temos a capacidade de salvar ou fazer perecer. Nosso julgamento só tem poder de expor a situação do pecador, mas nada pode fazer para mudá-la. Deus, porém, é o juiz capaz de salvar ou fazer perecer – “aquele que pode salvar e perder.” Tg 4,12; Ele não apenas expõe a situação do pecador, mas também define o final dele. Deus é quem atribui justiça – “É assim que Davi proclama bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente das obras.” Rm 4,6. Nós só podemos ver o pecado, mas não podemos fazer algo eficaz contra ele. Deus pode ver e definir sua sentença. Se houver arrependimento, há salvação, se não houver, há condenação.

c)    Promessa feita por Deus

Deus promete que vai fazer justiça a todos nós; Ele vai julgar o mundo  através de Jesus – “Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou. Para todos deu como garantia disso o fato de tê-lo ressuscitado dentre os mortos.” At 17,31 – Quando tomamos a frente disso, estamos ocupando um lugar que só pertence a Deus. Se o ato de falar mal é claramente visto como pecado porque traz embutida a maldade do maligno, o ato de julgar também deve ser visto como pecado porque é a usurpação de algo nobre que traz embutida a autoridade que só pertence a Deus e foi prometido a Deus.

Devemos ter também claro na mente que julgar os irmãos é passar por cima da autoridade de Deus; porque Ele proibiu julgar, só Ele tem direito de julgar e já prometeu que vai julgar.

  1. CONCLUSÃO

Os cristãos são propriedade exclusiva de Deus – “Vós, porém, sois uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa.” 1Pd 2,9 – são também Seus filhos – “Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus,” Jô 1,12 – Falar mal do irmão é falar mal de um filho de Deus, uma propriedade de Deus – “Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” 1Jo 2,1.

Talvez você já tenha passado a experiência de tentar reabilitar alguém que fracassou. Ao dar-lhe uma nova chance você é aconselhado a pensar direito. Alguém diz: “Tome cuidado com fulano, veja que ele já pisou na bola uma vez; lembre-se que tal dia ele fez isso e aquilo outro”. Esses são os conselhos do maledicente; ele nunca tem uma palavra positiva sobre ninguém, seus comentários sempre visam colocar em dúvida a idoneidade dos outros. Proponha-se o seguinte desafio: pondere antes de falar algo sobre alguém, questionando se não será maledicência.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

MOISÉS



De acordo com Êxodo 2:10 (ALA), é explicado que "quando o menino era já grande, ela [a mãe natural] o trouxe à filha de Faraó, a qual o adoptou; e lhe chamou Moisés, dizendo: Porque das águas o tirei." Para os judeus, o nome Moisés, em hebr. Móshe (מֹשֶׁה), é associado homofonicamente ao verbo hebr. mashah, que têm o significado de "tirar". Na etimologia judaica popular, têm o significado de "retirado [isto é, salvo]" da água. Veja também Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo, Livro II, Cap. 9 § 6.
Estudiosos da História acreditam que o período que Moisés passou entre os egípcios serviu para que ele aprendesse o conceito do "Monoteísmo", criado pelo faraó Akhenaton, o faraó revolucionário, levando tal conceito ao povo judeu.
Segundo o Livro do Êxodo, Moisés foi adotado pela filha do faraó, que o encontrou enquanto se banhava no rio Nilo e o educou na corte como o príncipe do Egito. Aos 40 anos (1552 a.C.), após ter matado um feitor egípcio levado pela "justa" cólera, é obrigado a partir para exílio, a fim de escapar à pena de morte. Fixa-se na região montanhosa de Midiã, situada a leste do Golfo de Acaba. Por lá acabou casando-se com Séfora e com ela teve dois filhos, Gérson e Eliézer. Quarenta anos depois (1512 a.C.), no Monte de Horebe, ele depara-se com uma sarça ardente que queimava mas não se consumia e assim é finalmente "comissionado pelo Deus de Abraão" como o "Libertador de Israel".
Ele conduziu o povo de Israel até ao limiar de Canaã, a Terra Prometida a Abraão. No início da jornada, encurralados pelo Faraó, que se arrependera de te-los deixado partir, ocorre um dos fatos mais conhecidos da Bíblia: A divisão das águas do Mar Vermelho, para que o povo, por terra seca, fugisse dos egípcios, que tentando o mesmo, se afogaram. Logo no início da jornada, no Monte de Horebe, na Península do Sinai, Moisés recebeu as Tábuas dos Dez Mandamentos do Deus de Abraão, escritos "pelo dedo de Deus". As tábuas eram guardadas na Arca do Concerto. Depois, o código de leis é ampliado para cerca de 600 leis. É comumente chamado de Lei Mosaica. Os judeus, porém, a consideram como a Lei (em hebr. Toráh) de Deus dada a Israel por intermédio de Moisés. Em seguida, os israelitas vaguearam pelo deserto durante 40 anos até chegarem a Canaã.
Durante 40 anos (segundo a maioria dos historiadores, no período entre 1250 a.C. e 1210 a.C.), conduz o povo de Israel na peregrinação pelo deserto. Moisés morre aos 120 anos, após contemplar a terra de Canaã no alto do Monte Nebo, na Planície de Moabe. Josué, o ajudante, sucede-lhe como líder, chefiando a conquista de territórios na Transjordânia e de Canaã.
No Cristianismo, Moisés prefigura o "Moisés Maior", o prometido Messias (em grego, o Cristo). O relato do Êxodo de Israel, sob a liderança por Moisés, prefigura a libertação da escravidão do pecado, passando os cristãos a usufruir a liberdade gloriosa pertencente aos filhos de Deus.
Na Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, é venerado como santo, sendo a festa celebrada a 4 de setembro.
Segundo a Edição Pastoral da Bíblia seu nome é citado 894 vezes na Bíblia.
Moisés foi avisado de que não seria permitido levar os israelitas através do rio Jordão, por causa da sua transgressão nas águas de Meribá (Deuteronômio 32:51), porém morreria em sua costa oriental (Números 20:12). Desta forma, ele reuniu as tribos e entregou a eles um endereço de despedida, que é tomado para formar o livro de Deuteronômio.
Quando Moisés terminou, ele cantou uma música e pronunciou uma bênção sobre o povo. Ele então subiu ao monte Nebo para o cume de Pisga, olhou para a terra prometida de Israel espalhada diante dele, e morreu, na idade de 120 anos, segundo a lenda talmúdica em 7 de Adar, exatamente no seu aniversário de 120 anos. O próprio Deus o sepultou em um túmulo desconhecido em um vale na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor (Deuteronômio 34:6).
Moisés foi, assim, o instrumento humano na criação da nação de Israel, comunicando-lhe a Torá. Mais humilde do que qualquer outro homem (Números 12:3), ele gozava de privilégios únicos, pois "nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, a quem o SENHOR conhecera face a face" (Deuteronômio 34:10). Ver também Juízes 1:9 e Zacarias 3.
Moisés era da Tribo de Levi, mas seus filhos são contados como sendo da tribo de Davi.





SIGNIFICADO


  • Significado: Salvo das águas.
  • Origem: Hebráico





PONTOS FORTES E EXITOS
§  Educação egípcia; treinamento no deserto.
§  Maior líder judeu, promoveu o êxodo.
§  Profeta e legislador, entregou os Dez Mandamentos ao povo.
§  Autor do Pentateuco.





FRAQUESAS E ERROS


§  Não entrou na Terra Prometida em razão de sua desobediência a Deus.
§  Nem sempre reconheceu e usou os talentos de outros.




LIÇOES DE VIDA

§  Deus prepara, e então usa. Seu tempo oportuno dura por toda a vida.
§  Deus realiza seu maior trabalho através de pessoas frágeis.





INFORMAÇOES ESSENCIAIS

§  Locais: Egito, Midiã, deserto do Sinai.
§  Ocupação: Príncipe, pastor de ovelhas, líder dos israelitas.
§  Local de Nascimento: Egito
§  Localização Temporal: 1250 a.C.
§  Motivo de Morte: Não há relatos específicos da morte
§  Local de Morte: Monte Nebo, Planíce de Moabe
§  Familiares:
§  Irmã – Miriã; irmão – Arão;
§  esposa – Zípora;
§  filhos – Gérson e Eliézer.




VERSICULOS - CHAVE


“Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado” (Hb 11.24,25)


SUA HISTORIA É EMCONTRADA EM:


  • Encontrada nos livros de Êxodo a Deuteronômio.
  • Atos 7.20-44;
  • Hebreus 11.23-29.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Evangelho (João 1,35-42)

1 35 No dia seguinte, estava lá João outra vez com dois dos seus discípulos.
36 E, avistando Jesus que ia passando, disse: “Eis o Cordeiro de Deus”.
37 Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus.
38 Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: “Que procurais?” Disseram-lhe: “Rabi (que quer dizer Mestre), onde moras?”
39 Vinde e vede, respondeu-lhes ele. Foram aonde ele morava e ficaram com ele aquele dia. Era cerca da hora décima.
40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e que o tinham seguido.
41 Foi ele então logo à procura de seu irmão e disse-lhe: “Achamos o Messias (que quer dizer o Cristo)”.
42 Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: “Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)”.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
VINDE E VEDE!

O modo como se dava o discipulado de Jesus era muito distinto daquele dos rabinos. Na tradição rabínica, o discípulo escolhia seu mestre e por este era instruído na arte de interpretar as Escrituras. Esta atividade de caráter intelectual desenvolvia-se numa escola onde o mestre distinguia-se pela excelência do saber e o discípulo, pelo desejo de conhecer.

O método adotado por Jesus consistia na transmissão de um modo de ser, mais do que uma ciência. Os discípulos não estavam confinados numa escola, mas se colocavam no seguimento do Mestre e aprendiam, ouvindo suas palavras e presenciando o que ele fazia em favor do povo. Este aprendizado existencial ia transformando a vida do discípulo, num processo paulatino de assimilação de tudo que o Mestre realizava.

O discipulado, neste caso, consistia num duplo movimento. "Vinde" indicava que o discipulado se dava pela iniciativa de Jesus que convocava para o seu seguimento. Era ele quem chamava. Cabia ao discípulo aceitar o convite. "Vede" supunha concentrar a atenção na pessoa de Jesus para captar os valores que regiam sua ação e deixar-se moldar por eles.

Os primeiros discípulos aceitaram o convite de Jesus, ficaram fascinados por ele, e saíram para partilhar com os irmãos a experiência deste encontro transformador. Quem quiser se fazer discípulo do Senhor deverá trilhar o mesmo caminho.

Oração 
Senhor Jesus, tu me chamaste para seguir-te. Faze de mim um discípulo autêntico, e que minha vida se espelhe na tua.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TIAGO, A FÉ EM AÇÃO - LIÇAO 11 – A ORIGEM DOS CONFLITOS E OS MEIOS PARA VENCÊ-LOS.


“Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?” Tg 4,1.


  1. INTRODUÇÃO.

Esta lição tratará de um dos problemas mais comuns entre as pessoas, seja no âmbito familiar, conjugal, profissional ou mesmo cristão: conflitos interpessoais. A epístola de Tiago é muito prática e relevante ao abordar o assunto, através da origem dos conflitos e seus efeitos, e mostra a sedução para o problema.

  1. ORIGEM DOS CONFLITOS (Tg 4,1).

Quanto à origem dos conflitos interpessoais, Tiago inicia sua argumentação fazendo uma pergunta e respondendo-a por meio de outra pergunta: “Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?” O autor reconhece a fraqueza humana e a tendência natural (carnal) para os conflitos de natureza interpessoal. A presença de conflitos, contendas e confusão entre aqueles cristãos não poderia encontrar justificativa em fatores externos como, por exemplo, sua dispersão. No capitulo três da epístola, vemos claramente  duas forças aliadas aos conflitos interpessoais: a língua descontrolada (Tg 3,1-12) e a sabedoria terrena (Tg 3.13-18). A primeira incendeia, destrói, contamina, envenena, amargura, facções, vanglória, mentira e confusão. Essas duas forças andam de mãos dadas ao que Tiago chama de “guerras” e “contendas” ou batalhas de uma guerra.

A origem das guerras e dos pequenos conflitos interpessoais se encontra no interior humano, por isso a pergunta: “Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros?” Tg 4,1b.

Todo aquele que se envolve numa contenda é responsável por ela. Há um ditado popular que ilustra esta verdade: “quando um não quer, dois não brigam”. A palavra de Deus é clara ao afirmar que a origem dos conflitos humanos vem do coração humano (Mc 7,21-23) como resultado das obras da carne (Gl 5,19-21).

Por esta razão Paulo exortou os cristãos de Éfeso e de Colossos: “Toda amargura, ira, indignação, gritaria e calúnia sejam desterradas do meio de vós, bem como toda malícia.” – Ef 4,31 – e “Mortificai, pois, os vossos membros no que têm de terreno: a devassidão, a impureza, as paixões, os maus desejos, a cobiça, que é uma idolatria. Agora, porém, deixai de lado todas estas coisas: ira, animosidade, maledicência, maldade, palavras torpes da vossa boca, nem vos enganeis uns aos outros. Vós vos despistes do homem velho com os seus vícios.” – Cl 3,5,8-9.


  1. OS EFEITOS DOS CONFLITOS (Tg 4,2-6).

Baseados na natureza pecaminosa, os conflitos se desenvolvem, causando efeitos danosos ao ser humano. Bem escreveu Tiago: “A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” Tg 1,15. Como já visto nas palavras de Jesus, o que contamina extremamente o homem provém, primeiramente, de uma contaminação interna. Os conflitos entre os leitores de Tiago geraram, pelo menos, quanto efeitos.

                      I.    Frustração espiritual (vs 2-3).

N o que resultam cobiça, inveja, violência (“matais”), contenda (“viveis a lutar e fazer guerras”) e avareza (“pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”) senão em improdutividade de vida? Tiago afirma que os conflitos não levam a nada e a lugar algum: “nada tendes”, “nada podeis obter” e “não recebeis”. Paulo escreveu: “Porque o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição” – Gl 6,7-8ª. No plano espiritual, conflitos nada produzem!

                    II.    Infidelidade espiritual (vs 4ª).

Os conflitos expressam a influencia ativa da natureza pecaminosa, que mostra tanto o padrão como os princípios e valores mudamos. Em outras palavras, os conflitos concordam com o mundo e se rebelam contra a santidade de Deus. Por esta razão, Tiago os chama de “infiéis” (v 4). O termo corresponde a uma pessoa adúltera, aludindo à infidelidade a Deus, no A.T. mediante a idolatria.

                   III.    Inimizade espiritual (vs 4b).

“Adúlteros, não sabeis que o amor do mundo é abominado por Deus? Todo aquele que quer ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” A inimizade com Deus é resultado da infidelidade para com Deus, João também escreveu: “... Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai.” – 1Jo 2,15. As guerras interpessoais revelam ausência do amor. Conflitos interpessoais afetam a comunhão prática do cristão com Deus, não a sua posição em Cristo. Viver conforme as regras do mundo corresponde a tornar-se inimigo de Deus. Quem está em Cristo quer ser amigo de Deus!

                  IV.    Insensibilidade espiritual (vs 5-6)

“Ou imaginais que em vão diz a Escritura: Sois amados até o ciúme pelo espírito que habita em vós? Deus, porém, dá uma graça ainda mais abundante. Por isso, ele diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes (Pr 3,34).” A desobediência a Deus revela insensibilidade à sua voz. Tiago traz à mente de seus leitores que as Escrituras Sagradas apelam para o santo e zeloso ciúme de Deus, quando seus filhos não andam corretamente. Deus resiste aos soberbos, mas da graça a quem se humilha.



  1. SOLUÇAO PARA OS CONFLITOS (Tg 4,7-10)

Após tratar da origem e dos efeitos dos conflitos, Tiago passa a oferecer a solução para tais problemas. Apresenta, então, sete  meios para o cristão vencer seus conflitos mediante o uso de nove verbos que expressam ordem (imperativos).

                      I.    Sujeição a Deus (v 7ª).

Primeira ordem: “sujeitai-vos”. A ordem do verbo exige uma ação passiva, a qual implica o alinhar-se sob a autoridade de alguém. O mesmo verbo aparece na atitude de Jesus para com seus pais (“Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração.” – Lc 2,51) e na submissão dos demônios à pessoa de Jesus (“Voltaram alegres os setenta e dois, dizendo: Senhor, até os demônios se nos submetem em teu nome!” – Lc 10,17). O cristão submisso a Deus evita o cultivo de conflitos em sua vida.

                    II.    Resistência a Satanás (v 7b).

Segunda ordem: “resistir”. O verbo implica uma ação urgente, a qual está ligada ao ato do cristão sujeitar-se a Deus e condiciona a fuga de Satanás à ação de resistir através da força do Senhor. O diabo também tem interesse em nossos conflitos: “Mesmo em cólera, não pequeis. Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio. – Ef 4,26-27. Ver também 2 Cor 2,5-11.

                   III.    Aproximação de Deus (v 8ª).

Terceira ordem: “aproximai-vos”. O verbo exige uma ação ativa dos cristãos. Esta atitude resulta numa reciprocidade de Deus, “Aproximai-vos de Deus, e ele se aproximará de vós.”. Como já abordado no estudo dos efeitos gerados pelos conflitos, a amizade com os padrões do mundo atrapalha a comunhão com Deus.

                  IV.    Limpeza interior (v 8b).

Quarta ordem: “limpai”. O uso do verbo aqui tem mais a ver com uma limpeza interna do que externa. Tiago está falando de uma limpeza mental, de intenções. Aqueles que são de ânimo dobre, ou seja, tem uma forma de pensar  dividida (mentalidade dupla), precisam desta purificação, caso contrario cederão facilmente aos conflitos. João usou o mesmo verbo ao escrever: “E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro.” – 1Jo 3,3.

                   V.    Purificação pessoal (v 8c).

Quinta ordem: “purificai”. O verbo tanto pode significar purificação quanto limpeza. Jesus usou este verbo para falar dos escribas e fariseus que somente se preocupavam com a limpeza de objetos, como sinal de religiosidade (“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança.” – Mt 23,25). A purificação espiritual ocorre no ato da salvação (“e não fez distinção alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé.” – At 15,9; “que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras.” – Tt 2,14) e, por isso, exige de todo crente uma purificação pessoal, prática e constante: “... purifiquemo-nos de toda a imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus” – 2Cor 7,11. Esta purificação exige o abandono das atitudes que geram conflitos.

                  VI.    Arrependimento verdadeiro (v 9).

*      Sexta ordem: “afligi-vos”. O verbo significa sentia sua própria miséria.
*      Sétima ordem: “lamentai”. O verbo significa lacrimejar, expor um choro contido.
*      Oitava ordem: “chorai”. O verbo significa das gritos de choro, um choro audível.

Tiago tem em mente mudanças de atitude em relação às guerras e contendas que havia entre eles.

                 VII.    Humilhação perante Deus (v 10)

Nona ordem: “humilhai-vos”. A ordem deste verbo, ta, como a do primeiro desta lista, exige comportamento passivo. O cristão deve humilhar-se na presença de Deus, mesmo quando houver injustiça por parte dos homens. Jesus dignificou a humildade nos seus ensinos e no seu próprio exemplo (Mt 18,4; Fp 2,5-11).  Tiago e Pedro afirmam que o resultado da humilhação presente é a exaltação futura: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte.” – 1Pd 5,6.

  1. CONCLUSÃO

A tendência humana é ver num conflito existente a culpa do outro. A Bíblia nos leva para outra direção; os conflitos se originam em nós, mostram seus efeitos externamente e só podem ser solucionados através de amor, obediência e santidade. A vitória ou a derrota em nossos conflitos depende de quem estamos melhor alimentando no coração.

*      Qual natureza estamos alimentando melhor: a antiga, pecaminosa, ou a nova, em Cristo?

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Mulher e o Dragão no Apocalipse

O capítulo 12 do livro do Apocalipse onde é narrado o relato sobre a mulher e o dragão, é um dos mais conhecidos e debatidos desse livro. A figura do dragão como símbolo de Satanás, e a figura do filho da mulher como sendo Jesus, é praticamente um consenso. Porém, todo esse debate fica por conta da seguinte pergunta: Quem é a mulher em Apocalipse 12?
 

Existem diversas interpretações que se propõem a responder esta pergunta. A seguir, conheceremos algumas destas interpretações, e qual delas é a que se apresenta mais coerente com as Escrituras.

 

Quem é a mulher em Apocalipse 12?

 

  • A mulher é Maria: essa é a interpretação defendida pela Igreja Católica, que entende que a mulher é um símbolo de Maria. Essa é uma das passagens mais utilizadas pelo catolicismo para defender uma ascensão de Maria ao céu.
  • A mulher é a Nação de Israel: essa é a interpretação preferida por quem defende o Pré-Milenismo Dispensacionalista, mas também existem estudiosos de outras linhas escatológicas que defendem essa posição. Nessa interpretação, os 1260 dias em que a mulher foge para o deserto, representam o período de Grande Tribulação.
  • A mulher é a Igreja: essa interpretação entende que tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento, a Igreja é uma só, logo, a mulher é um símbolo da Igreja.

 

A Mulher e o Dragão: Qual a melhor é a melhor interpretação?

 

Primeiramente, é importante entender a estrutura de organização do conteúdo do Apocalipse, bem como seu estilo literário. Sabemos que basicamente existem duas maneiras de organizar o livro, sendo: em ordem sucessiva e cronológica; e em ordem paralela progressiva.


Após entender que a Leitura de Recapitulação, ou Paralelismo Progressivo, é a que melhor se encaixa ao conteúdo do livro, é possível identificar as sete seções as quais o livro está internamente dividido, ou seja, no Apocalipse a mesma história que compreende desde a primeira até a segunda vinda de Cristo é contada várias vezes, porém com ângulos ou focos diferentes.

 

As sete seções também podem ser organizadas em duas grandes seções, sendo a primeira entre os capítulos 1 ao 11 (agrupando três seções menores), e a segunda entre os capítulos 12 ao 22 (agrupando quatro seções menores, e totalizando as sete seções).

 

O tema de ambas as divisões maiores do livro é o mesmo, isto é, a vitória de Cristo e de sua Igreja. Mas, enquanto a primeira grande seção nos mostra a luta externa entre a Igreja e o mundo, a segunda grande seção nos mostra a profundidade por trás das cenas, ou seja, nos mostra uma guerra que os olhos carnais não podem ver. Então, enquanto na primeira seção vemos o conflito entre a Igreja e o mundo iníquo, na segunda seção vemos porque existe esse conflito, quando João nos informa de outro conflito, o conflito entre Cristo e Satanás (o dragão).

 

Voltando às sete seções menores, na primeira seção (Os Sete Candeeiro caps. 1-3) vemos como Cristo se revela através de sua Igreja, e como Ele a conhece profundamente. Na segunda seção (Os Sete Selos caps. 4-7) vemos a perseguição clara do mundo contra essa Igreja. Na terceira seção (As Sete Trombetas caps. 8-11) temos o juízo parcial de Deus, também como resposta às orações da Igreja perseguida, sendo derramado em forma de aviso contra o mundo perseguidor. E, finalmente, na quarta seção em questão (caps. 12-14) temos o dragão e seus aliados atacando a Igreja como reflexo da luta que os olhos não veem, como já foi citado.

 

No capítulo 12 vemos que o propósito principal do dragão é destruir o filho da mulher (Cristo). Por conta disso, a mulher é perseguida por ele, a fim de que o nascimento do menino fosse evitado. Esse conflito é anunciado ainda no livro de Gênesis 3:15:

 

  • E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. (Gn 3,15)

 

A “semente” da mulher em Gênesis 3 é o “filho varão” em Apocalipse 12, bem como a “serpente” é o “dragão” (Ap 12:9). Podemos ver a realidade desse conflito anunciado no primeiro livro da Bíblia e por todo o Antigo Testamento, com a tentativa de Satanás em frustrar a promessa inicial de Gênesis.

 

Ainda no Antigo Testamento temos várias referências que comprovam que a o simbolismo da mulher no Apocalipse é uma referência a Igreja (cf. Is 50:1; 54:1; Os 2:1;), e essa Igreja forma um só povo escolhido em Cristo, um só rebanho, um só corpo, uma só esposa, uma única nação santa, um povo de propriedade exclusiva de Deus (Is 54; Am 9:11; Mt 21:33; Rm 11:15-24; Gl 3:9-16,29; Ef 2:11; Ef 5:32; 1Pe 2:9; Ap 4:4; 21:12-14). O Apóstolo Paulo afirma que Abraão é pai de todos os crentes, circuncidados ou não.

 

Com base nisso tudo, creio que já começa ficar claro qual é a posição mais coerente sobre a identidade da mulher, não é mesmo? O tema principal do livro do Apocalipse é a vitória de Cristo e de sua Igreja. Portanto, não faria qualquer sentido uma citação repentina sobre Maria ou sobre o Israel étnico. Isso quebraria o estilo, a organização e o raciocínio do conteúdo do livro do Apocalipse.

 

Além do mais, qual seria a importância prática para os irmãos das sete igrejas da Ásia menor, que estavam vivendo uma intensa perseguição pelo Império Romano, uma descrição de Israel ou de Maria como sendo a mulher perseguida no capítulo 12?

 

Considerando o contexto histórico, não faria muito mais sentido aqueles irmãos entenderem que a mulher é um símbolo da Igreja? Certamente essa foi a interpretação daqueles irmãos, que puderam ver a guerra que existe por trás da perseguição a Igreja de Cristo sofre.

 

É claro que Maria está incluída como membro que desempenhou um papel fundamental nesse grupo simbolizado pela mulher, bem como o próprio Israel, a qual tivera a revelação especial de Deus (Rm 2; 3) e formava a Igreja do Antigo Testamento, embora claramente não devemos entender que todos os judeus do Antigo Testamento fizeram parte da Igreja, portanto há uma diferença entre o Israel étnico e o Israel como Igreja do Antigo Testamento.

 

Logo, a mulher é um símbolo da única Igreja de Cristo em todos os tempos. Para uma melhor compreensão, devemos perceber que o capítulo 12 primeiramente enfatiza a Igreja do Antigo Testamento, e após o versículo 13 a descrição passa a incluir os santos da nova dispensação, enfatizando a Igreja do Novo Testamento. O versículo 17 deixa isto muito claro ao dizer que o dragão “foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus“.

 

A descrição da mulher

 

O capítulo 12 faz uma descrição da mulher. Ela está vestida de sol (vers. 1), o que significa que ela é gloriosa e exaltada, e reflete o brilho da glória de Deus. Ela tem a lua debaixo de seus pés (vers. 1), isto é, ela exerce domínio pela autoridade outorgada pelo próprio Cordeiro. Ela tem em sua cabeça uma coroa de doze estrelas (vers. 1), ou seja, ela é vitoriosa, ela é vencedora.

 

A mulher está grávida (vers. 2), o que significa que ela tem uma grande missão: dar a luz a Cristo segundo a carne (Rm 9:5). Aqui é mais uma clara referência a Igreja do Antigo Testamento, através de um povo especialmente escolhido por Deus pela qual o Messias viria ao mundo. Esse processo não foi nada fácil. O dragão perseguiu ferozmente esse povo, essa igreja, essa mulher, mas Deus a guardou, e na plenitude dos tempos Jesus nasceu.

 

Por fim, vemos também que a mulher é protegida por Deus (vers. 6, 14). O livro do Apocalipse mostra essa proteção de forma maravilhosa. Nele, sabemos que a Igreja é selada (Ap 7:3; 9:4), é medida e separada (Ap 11:1), e no capítulo 12 vemos que ela recebe asas (vers. 14).

 

Tudo isto significa que Deus protege pessoalmente o seu povo do poder perseguidor do dragão e de seus aliados. Durante 1260 dias, que simboliza o período da Igreja e da pregação do Evangelho, a Igreja estará protegida. Isso não significa ausência de problemas, ao contrário, significa que nada pode parar o avanço da pregação da Palavra, de modo que, se for preciso, Deus concede poder aos seus eleitos para que sejam mortos por amor ao seu nome (Ap 6:9,11; 14:13).

 

A descrição do Filho da mulher

 

Aqui não há qualquer dúvida de que o Filho da mulher é o Messias. No versículo 5 mostra esse “Filho homem” como alguém muito poderoso “que há de reger as nações com cetro de ferro“. Essa é uma citação do Salmo 2:9, que é um salmo messiânico, inclusive aplicado pelo próprio Cristo em Apocalipse 2:27.

 

O versículo 5 mostra que esse Filho subiu ao céu para assentar-se no trono. Aqui está englobado todo o processo de exaltação de Cristo, desde sua humilhação, morte, ressurreição até sua ascensão ao céu. Finalmente o versículo 10 deixa explicito de que o Filho da mulher se trata de Jesus, ao dizer que “agora é chegada a salvação, e a força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo“.


A descrição do dragão

 

O dragão simboliza Satanás (Ap 20:2), um ser pessoal que possui uma grande obsessão em atacar o Filho da mulher. Ele possui sete cabeças coroadas, que simbolizam seu domínio mundial (cf. Lc 11:20-22; At 26:18; Ef 2:2; 6:12; Cl 1:13). Essas coroas não são coroas de glória e de vitória, mas coroas de pretensa autoridade, pois ele tenta ser um imitador do Cordeiro. Os dez chifres simbolizam o seu poder destrutivo. O próprio Jesus disse que o dragão “veio para matar, roubar e destruir” (Jo 10:10).

 

Porém algo importante é descrito: Satanás cai. O capítulo 12 mostra que Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão e seus anjos, e o dragão e seus anjos não foram apenas derrotados, mas também foram expulsos do céu e lançados à terra (vers. 9).

 

Aqui sabemos que, ao contrário do que muita gente pensa, a morada de Satanás é a terra. Essa expulsão não se refere a uma queda inicial de Satanás, mas de sua derrota no tempo da crucificação e ressurreição de Cristo (Jo 12:31; Cl 2:15; Ap 12:12)

 

No versículo 10 se escuta uma grande voz no céu dizendo que “o acusador de nossos irmãos é derrubado“. O significado dessa expressão fica claro em Jó 1:9-10. Com a morte, ressurreição e ascensão de Cristo ao céu, Satanás sofre uma derrota esmagadora, anulando qualquer acusação contra aqueles que estão em Cristo Jesus. O capítulo 12 revela Satanás sendo lançado na terra, já o capítulo 20 revela Satanás sendo lançado definitivamente no Lago de Fogo.

 

Como ele falhou em destruir o Filho da mulher, agora ele volta sua atenção para a mulher. Ele tenta afogar a Igreja com um rio de mentiras, desilusões e falsas teorias filosóficas, e, com toda sua cólera ele pelejará contra os fiéis (vers. 17), porém Deus os protege.

 

Por fim, nos capítulos seguintes do Apocalipse, vemos que conforme o dragão vai sendo frustrado em seus planos, e vê suas mentiras e fraudes não surtirem efeito diante da Igreja verdadeira, ele recruta alguns aliados para lhe servirem nessa missão: a besta que sobre do mar, a besta que sobe da terra e a grande Babilonia. Mas o dragão, e todos os seus aliados serão derrotados (caps. 17-20).

 

Para concluir, reconheço que todas as correntes escatológicas possuem suas dificuldades, isso pelo simples fato de que a segunda vinda de Cristo e a consumação da presente era ainda não ocorreram. Portanto, embora pessoalmente eu não concorde com algumas interpretações por não encontrar fundamentação bíblica suficiente, respeito meus irmãos em Cristo que adotam uma posição diferente da minha. O melhor de tudo é que juntos temos a esperança de que um dia iremos compreender todas essas coisas definitivamente ao lado do nosso Senhor.


Por Marco Antonio Lana