Os
hebreus foram um povo da Antiguidade que se estabeleceu na região de Canaã e
disputou com outros povos, como cananeus e filisteus, o domínio daquela terra.
Os
hebreus são um povo de origem semita que, segundo a narrativa bíblica,
estabeleceu-se em Canaã por meio do patriarca Abraão. Ao longo de sua história,
os hebreus migraram para o Egito, retornaram a Canaã, reconquistaram a terra
dos cananeus e filisteus e, depois de serem conquistados por uma série de
povos, passaram a fugir da região por conta da violência romana.
Tópicos
deste estudo
1 - A história hebraica e as fontes
históricas
2 - De onde vieram os hebreus?
3 - Ida ao Egito
4 - Retorno e conquista de Canaã
5 - Monarquia hebraica
6 - Diáspora
A
história hebraica e as fontes históricas
A
história hebraica é bastante peculiar, porque muitas pessoas a identificam pela
grande força da tradição judaico-cristã na formação religiosa do Brasil.
Sabemos que os hebreus eram um povo seminômade que se fixou em Canaã, na
Antiguidade, e uma parte da história desse povo é narrada na Bíblia, o livro
sagrado dos cristãos.
A
Bíblia, assim como outros documentos oriundos da Antiguidade, é tratada pelos
historiadores como fontes históricas. Isso não significa, entretanto, que tudo
o que está na Bíblia é considerado impreterivelmente como verdade histórica,
uma vez que existe todo um trabalho de apreciação para comprovar a veracidade
dos eventos mencionados.
Sendo
assim, algumas das passagens bíblicas sobre a história dos hebreus são
entendidas como míticas e não necessariamente como verdades e acontecimentos
históricos. Essas considerações são parte do ofício dos historiadores, uma vez
que a história moderna possui métodos de comprovação dos acontecimentos. De
toda forma, essa prática de historiadores também é encontrada na Antiguidade, e
historiadores, como Tucídides, já procuravam diferenciar acontecimentos reais
de testemunhos míticos.
Outro
fato que deve ser levado em consideração é que os hebreus começaram a registrar
a sua história somente depois que se tornaram o povo mais poderoso de Canaã.
Sendo assim, muitos dos relatos foram feitos a posteriori de quando de fato
aconteceram. Por isso, na história, é importante tratar os relatos históricos
da Bíblia com certa ressalva.
A
Bíblia é um documento importante no estudo da história hebraica, mas não é a
única fonte de estudo da história dos hebreus. Os historiadores trabalham com
outras fontes, como vestígios arqueológicos, registros feitos por outros povos
etc.
De
onde vieram os hebreus?
Os
relatos bíblicos contam que os hebreus são descendentes diretos de Abraão e
vieram da Mesopotâmia para Canaã, por volta do século XX a.C. Nesse relato,
Abraão era um pastor seminômade que morava em Ur, quando recebeu uma profecia
de Deus que o fez abandonar a sua terra em busca de uma “terra prometida”.
A
historiadora Karen Armstrong afirma que é difícil fazer a comprovação sobre
muitos dos relatos sobre a história de Abraão, uma vez que foram escritos quase
mil anos depois de terem ocorrido. Inclusive, existem historiadores que tratam
os israelitas como um povo que surgiu no seio dos cananeus. De toda forma, no
relato bíblico, vimos que os hebreus eram um povo estrangeiro que se
estabeleceu em Canaã.
A
fixação aconteceu no Vale do Rio Jordão, trecho conhecido por possuir terras
mais férteis. Os hebreus ainda viviam uma vida de seminômade e tinham um
contato frequente com os cananeus, povos originários da região. Esse contato
fez com que muitos hebreus adotassem a adoração de Javé, o deus hebraico, mas
de outros deuses também, como El, um deus cananeu.
Essa
primeira fase da história hebraica é conhecida como período dos patriarcas,
sendo Abraão, Isaque e Jacó os grandes patriarcas hebreus. Os hebreus
sobreviviam da criação de animais, como ovelhas, e também cultivavam víveres.
Existiam aqueles que moravam em regiões mais desérticas, bem como existiam
aqueles que se instalavam em locais com solos férteis.
Ida
ao Egito
A
respeito desse período, a tradição bíblica ainda fala sobre a migração dos
hebreus para a região do Egito, supostamente, por volta de 1700 a.C. Os motivos
seriam uma escassez de alimentos que afetou toda a região de Canaã. O objetivo
da mudança para o Egito seria o de estabelecer-se nas terras férteis das
margens do Rio Nilo.
Essa
ida ao Egito foi alvo de diversos questionamentos a começar pelo fato de que,
novamente, o relato bíblico não responde a todas as perguntas dos historiadores
e, portanto, é encarado mais como um mito de criação, um mito que mais deu
certo sentido à história hebraica do que necessariamente verdade histórica.
Karen Armstrong fala que a história do Êxodo é mais um mito que demonstra um
surgimento do povo e da nação de Israel.
Não
se sabe se essa migração aconteceu em grande número ou se apenas algumas tribos
migraram. Acredita-se que a chegada dos hebreus ao Egito coincidiu com o
momento em que os hicsos dominavam a região, o que garantiu uma boa recepção
aos hebreus. Fala-se até de uma possível cooperação hebraica com os hicsos, e a
expulsão deles acabou sendo prejudicial aos hebreus, uma vez que os egípcios
supostamente teriam decidido vingar-se, escravizando todos os hebreus. Essa
escravização teria se mantido até 1300 a.C., quando Moisés surgiu como
libertador.
Retorno
e conquista de Canaã
Uma
vez libertos, os hebreus retornaram a Canaã, evento esse conhecido como Êxodo.
Historicamente, é impossível comprovar se essa migração teve, de fato, o grande
número de pessoas conforme consta no relato bíblico. Acredita-se que a migração
hebraica aconteceu, mas que teria sido mitificada.
O
retorno a Canaã contou com um breve período em que os hebreus viveram como
nômades na Península do Sinai. Quando chegaram em Canaã, encontraram a região
ocupada pelos cananeus e pelos filisteus. Foi iniciada, então, de acordo com a
narrativa bíblica, a campanha de conquista dessa terra.
A
Bíblia aponta para uma campanha verdadeiramente militar, mas os historiadores
sugerem que essa retomada de Canaã aconteceu de maneira mais lenta e menos
impactante. O escritor André Chouraqui, por exemplo, aponta que a penetração
israelita foi bem mais sutil, uma vez que militarmente o impacto não surtiu
grandes efeitos|4|.
Já
Karen Armstrong fala que os historiadores apontam a não existência de indícios
que comprovem uma invasão israelita em larga escala. Outras evidências apontam
para o surgimento de aldeias por volta de 1200 a.C ao norte de Jerusalém.
Outros historiadores sugerem que houve uma conquista, mas ela não foi total, e
existem também historiadores que sugerem que Israel surgiu no interior da
sociedade cananeia|1|.
Por
fim, essa presença hebraica em Canaã resultou na criação de Israel. Esse foi o
período dos juízes, uma vez que a grande autoridade dos hebreus era chefes
militares conhecidos como juízes.
Monarquia
hebraica
O
último juiz hebreu teria sido Samuel, que, no final do século XI a.C., decidiu
inaugurar a monarquia hebraica. A explicação para o surgimento da monarquia
está relacionada com o enfraquecimento de assírios e egípcios. O
enfraquecimento desses povos permitiu que outros povos se colocassem como
ameaça aos hebreus, como os Amonitas e os moabitas, além dos filisteus.
Surgiu,
dessa forma, a necessidade de uma liderança forte, e a monarquia, com a
nomeação de um rei, foi a saída encontrada para garantir a proteção do povo
hebreu. A monarquia hebraica teria três grandes reis:
·
Saul
(1030-1010 a.C.)
·
Davi
(1010-970 a.C.)
·
Salomão
(970-930 a.C.)
Os
destaques da monarquia hebraica são as conquistas militares realizadas por
Saul, embora a grande conquista militar dos hebreus tenha sido realizada no
reinado de Davi, por volta do ano 1000 a.C. A cidade de Jebus, capital dos
jebuseus, foi conquistada e renomeada como Ir Davi. Não se sabe se a conquista
de Jebus deu-se por meio de uma campanha militar ou por meio de um golpe
palaciano. Atualmente, conhecemos essa cidade como Jerusalém.
Davi
idealizou o Templo de Jerusalém um lugar sagrado para os hebreus, mas quem
realizou a construção desse templo foi o rei Salomão. O reinado de Salomão é
considerado um período de prosperidade para os hebreus, uma vez que eles
gozavam de um comércio próspero e de uma grande segurança garantida pelos
exércitos hebraicos.
Diáspora
Depois
do reinado de Salomão, o Reino de Israel enfraqueceu-se e, dividido em dois
reinos, Judá e Israel, foi conquistado por uma sucessão de povos:
·
assírios,
·
caldeus,
·
persas,
·
macedônios,
·
romanos.
A
conquista pelos caldeus, por exemplo, resultou na primeira destruição do templo
e na escravização dos hebreus na Babilônia.
A
segunda destruição do templo aconteceu durante o domínio romano, uma vez que os
hebreus nunca aceitaram a presença romana e constantemente rebelavam-se. A
procura pela independência dos hebreus teria sido um dos grandes assuntos da
Palestina durante os tempos de Jesus, e acredita-se que sua traição foi pelo
fato de que ele não quis aderir a uma revolta contra os romanos.
Os
conflitos contra os romanos transformaram-se em guerras conhecidas como Guerras
Romano-Judaicas. O Templo de Jerusalém passou pela sua segunda destruição em 70
d.C., e a repressão romana contra os judeus na Palestina foi tão grande que os
hebreus começaram a fugir da região. Essa fuga recebeu o nome de diáspora.