quarta-feira, 25 de março de 2020

TRÊS ÁRVORES QUE SIMBOLIZAM ISRAEL


A VIDEIRA, A FIGUEIRA E A OLIVEIRA.

“...A vós é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora todas essas coisas se dizem por parábolas” (Mc 4. 11).

Mais de cinqüenta espécies de plantas são mencionadas nas Escrituras Sagradas, entre elas diversas possuem grande utilidade e encerram algum simbolismo.

O cedro foi tão comum em Jerusalém como as figueiras bravas (1 Rs 10,27). Isto aconteceu no tempo do rei Salomão que, em seus cânticos, falou desde o cedro do Líbano até hissopo que nasce na parede. Dá a entender que era a maior ou mais importante árvore conhecida (1 Rs 4,33). O cedro é emblema da majestade ou força (Is 2,13). Naquele tempo do auge da grandeza de Israel, o cedro poderia ser o símbolo nacional. Em Ezequiel 17,22-23, referindo-se à restauração do reino, Deus diz que tirará um renovo do topo do cedro e o plantará num monte alto.

Depois do cativeiro na Babilônia, Israel ficou sem rei, sem independência política, perdeu a majestade e a soberania, não pôde mais ser representado pelo cedro altaneiro.

Há até um pensamento de que a árvore que servia de emblema aos judeus após o cativeiro era a murta. Quando a rainha Ester nasceu, recebeu o nome de Hadassa, murta, na língua hebraica, que é uma planta bem menor e de menos valor e utilidade que o cedro. Significando a escolha deste nome, que o povo judeu estava em condições humilhante.

Na linguagem do Novo Testamento, Jesus Cristo e depois o apóstolo Paulo usam os símbolos de Israel três árvores, a saber: a videira, a figueira e a oliveira.

Aparecem as três juntas no cântico de Habacuque (HC 3,17). A videira é símbolo dos privilégios espirituais de Israel, a figueira, dos privilégios nacionais, e a oliveira, dos privilégios religiosos.

A VIDEIRA

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É um arbusto bem conhecido pela produção de uvas, cultivada desde os tempos antigos e mencionada muitas vezes nas Escrituras. Noé plantou uma vinha (Gn 9,20). Existia no Egito (Gn 40,9) e em Canaã (Dt 8.,8). O tempo da vindima inspirava regozijo e festas (Jz 9,27; Jr 25,30).

A mesma figueira de Israel às vezes é expressa pela videira, outras vezes pela vinha. Em linguagem figurada, é a nação de Israel mencionada como parábola em Salmo 80. 8-16. Deus trouxe uma vinha do Egito e plantou numa terra, cujas nações foram lançadas fora (v 8). Sob a direção de Moisés o povo foi liberto da escravidão do Egito e, comandado por Josué, venceu os povos de Canaã.

Fez com que suas raízes se aprofundassem, seus ramos se tornassem como cedros e chegassem até o mar (vv 9-11). Tornou-se um reino próspero com a sabedoria e a grandeza de Salomão. Aparece também a parábola da videira em Isaías 5,1-7, apelando para o concerto que Deus fez com os pais quando os tirou do Egito: “...julgai, vos peço, entre mim e a minha vinha. Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu não lhe tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas, veio a produzir uvas bravas” (Is 5,3b-4).
Israel foi escolhida por Deus para tornar conhecida a lei de Deus aos outros povos. Sua missão era servir de exemplo, de testemunho às nações que não conheciam a vontade do Senhor. “E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Lv 20,26).

Os judeus falharam nessa missão, “produziram uvas bravas”; em vez de justiça, praticaram opressões, caíram na idolatria, indo a uma condição de que Deus disse: “... andaram após deuses estranhos para servi-los”.

Como resultado, veio o castigo, cumprindo-se as predições de Deuteronômio 28 e dos profetas, especialmente Jeremias. Vieram os exércitos da Assíria contra Samaria e de Babilônia contra Jerusalém, destruíram as cidades, os muros e o Templo e levaram para suas terras o restante do povo como cativo. Acabou-se a glória do povo de Israel. É o que significa a expressão “O Javali da selva a devasta, e as feras do campo a devoram” (Sl 80,13). Deus mesmo declarou: “... tirarei a sua sebe, para que sirva de pasto...” (Is 5,5b).

Jesus Cristo pronunciou uma parábola para os judeus nos mesmos termos daquelas do Salmo 80 e Isaías 5. Um homem plantou uma vinha, tomou todas as providências de proteção e segurança e arrendou-a a uns lavradores. Estes, no tempo de dar conta dos frutos, espancaram uns servos, mataram outros e por fim mataram o próprio filho do proprietário (MT 21,33-39).

Os judeus espancaram e mataram os profetas e crucificaram o Filho de Deus. Então Jesus perguntou “...o Senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?” E eles responderam: “...Dará afrontosa morte aos maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe deem os frutos...Portanto eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (MT 21. 41b, 43).

A FIGUEIRA

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Árvore originária do oriente, é muito abundante na Ásia e na Europa. Adão e Eva fizeram roupas de folhas de figueira (Gn 3,7) para esconder sua nudez, mas quando ouviram a voz de Deus, se esconderam. Aquela roupa não satisfazia.

Era costume oriental descansar debaixo da figueira, ato que significava paz e prosperidade (1 Rs 4.,25; Mq 4,4; Zc 3,10).

O fruto da figueira é comido fresco e pode ser conservado em forma de passas (1 Sm 25,18). Servia o figo ainda de remédio, como no exemplo da doença do rei Ezequias, quando foi colocada na chaga uma pasta de figos e sarou (2 Rs 20,7). Foi usada também massa de figos para animar um moço desfalecido pela fome de três dias (1 Sm 30,11-12).

Jeremias teve uma visão de dois cestos de figos. Um cesto figos bons; e o outro, figos tão ruins que não se podiam comer. Os figos bons representavam os judeus fiéis, que iam para o cativeiro, mas Deus havia de trazê-los de volta para Jerusalém. Os figos maus eram os que acompanhavam o rei Zedequias na maldade e na desobediência a Deus, que seriam castigados, levados para Babilônia e destruídos por lá. (Ver Jr 24,1-10).

Jesus avistou uma figueira perto do caminho por onde passava, dirigiu-se a ela procurando frutos e não achou senão folhas, então disse à figueira: “Nunca mais nasça fruto em ti. E a figueira secou imediatamente” (MT 21,19 e Mc 11,12-14). Foi como aquela geração dos judeus de seu tempo, que não produziu os frutos que Deus queria e foi destruída.

Quando os discípulos pediram um sinal da vinda de Jesus e do fim do mundo, Ele disse: “Aprendei pois esta parábola da figueira...”(MT 24,3.32).

A figueira foi castigada com a destruição de Jerusalém no ano 70d.C. pelo exército romano. Os judeus foram dispersos e ficaram sem Pátria durante quase dois mil anos. Ultimamente a figueira está reverdecendo. Em 1948 foi proclamado o Estado de Israel, e na guerra dos seis dias, em junho de 1967, o povo judeu reconqistou o território que formava a Palestina nos dias de Jesus Cristo. De lá pra cá, o progresso vai avançando passo a passo. Segundo a profecia de Jesus, “verão está próximo” (MT 24,32b).

A OLIVEIRA 

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Árvore muito comum em toda a parte mencionadas no Velho Testamento. Seus frutos, esmagados, produziam óleo ou azeite. Era símbolo de prosperidade e bênçãos divinas (Sl 52,8 e Jr 11,16). Tornou-se também o ramo de oliveira em emblema de paz. Tanto óleo como a árvore se usavam na Festa dos Tabernáculos.

O azeite de oliveira era empregado de várias maneiras no ritual do culto judaico. Usava-se no Castiçal do Tabernáculo, servindo para alumiar. Fazia parte do óleo da unção (Ex 27,20; 30,24; Lv 24,2). Ainda servia de remédio. O samaritano aplicou, nas feridas do homem que encontrou moribundo, azeite e vinho (Lc 10,34). Na santificação das coisas do Tabernáculo e na unção para exercer o ministério, usava-se azeite. Neste uso é símbolo do Espírito Santo, que nos santifica e unge para o testemunho de Jesus Cristo (Ver Ex 30,29 e Lv 10,7).

A oliveira, como símbolo de Israel, vem na parábola apresentada por Paulo em Romanos 11,17-27. Os judeus são a boa oliveira (v24), os gentios são a oliveira brava ou zambujeiro (v17). Foram quebrados alguns ramos da boa oliveira e enxertados os da oliveira brava (vv17-19). Que maravilha não é mesmo?

Os frutos da oliveira brava são pequenos e menos abundantes. Enxertando-se um ramo da boa árvore na oliveira brava, os frutos são melhores. Na alegoria de Paulo o processo foi diferente, os gentios, oliveira brava, foram enxertados na boa oliveira. Foi à bondade de Deus para com os gentios que fez isto. Recebemos assim a seiva que vem da raiz da boa árvore. “Se a raiz é santa, os ramos também o são” (v16).

A raiz da árvore judaica é Abraão. Deus disse a Moisés: “... Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó...”(Ex 3,15b). Aparece como um Deus tríplice. Abraão é tipo de Deus Pai (Lc 16,22-25); Isaque é tipo de Deus Filho, especialmente na história do casamento (Gn 24); Jacó, pelo modo como foi guiado por Deus (Gn 28,15; 31,3; 32,24-30; 35,1), lembra o ministério do Espírito Santo, que nos guia em toda a verdade (Jô 16,13).

Deus não rejeitou seu povo de Israel, não temos razão para considerá-los rejeitados; foram separados, mas os que não permaneceram na incredulidade serão enxertados (v23). “Se tu foste cortado do natural zambujeiro, e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais serão enxertados na sua própria oliveira” (Rm 11,24).

Além do óleo, a madeira da oliveira que é utilizada pelos marceneiros estava nos objetos sagrados. Os querubins do Templo eram feitos de madeira de oliveira (1 Rs 6,23) e a porta do Santo dos Santos (1 Rs 6,31-33). Quer dizer que os judeus tomaram parte na fundação da Igreja de Jesus Cristo. Os apóstolos, colunas da Igreja, e os primeiros crentes eram judeus.

Por Marco Antonio Lana (Teólogo)


terça-feira, 24 de março de 2020

5 lições que podemos aprender no deserto


deserto

Várias pessoas na Bíblia passaram tempo no deserto, onde enfrentaram desafios e aprenderam lições importantes de Deus. Algumas épocas da vida são como um deserto: um lugar seco e quente, sem muita vida, difícil de suportar. Enfrentamos dificuldades e temos pouco alívio. No entanto, nesses tempos de passagem pelo “deserto”, podemos aprender lições valiosas, que vão transformar nossa vida:

1. Depender de Deus

No deserto não há comia nem água, sombra nem abrigo. O deserto é… deserto. Mas foi no deserto que o povo de Israel descobriu que seu sustento vem de Deus. Ele providenciou o maná e a água onde não havia nada (Deuteronômio 8:2-4). Ninguém passou fome. Deus cuidou de seu povo.

A verdade é que toda nossa vida depende de Deus. Mas, quando estamos em circunstância normais, muitas vezes nos esquecemos disso. Pomos nossa confiança em outras coisas, como o dinheiro, a família, a inteligência, a carreira, a felicidade … No deserto, as coisas em que confiamos falham. Temos de depender de Deus. Então vemos como Deus é poderoso e descobrimos que Ele está no controle. E, quanto mais dependemos de Deus, mais fortes ficamos.

2. Descobrir o que é essencial

João Batista vivia e pregava no deserto. Sua vida era muito simples, sem comodidades como roupas bonitas ou comida variada, mas ele não precisava dessas coisas (Mateus 3:3-5). Sua missão era mais importante. João Batista sabia o que era essencial: ter comunhão com Deus.

Quando passamos por uma fase que parece um deserto, podemos perder muitas comodidades da vida. As coisas que nos davam conforto e prazer falham e temos de aprender a viver com menos. Mas é então que descobrimos que muitas das coisas que achamos essenciais são desnecessárias. Vivendo com muito ou com pouco, o que é realmente essencial é seguir Jesus. Somente Deus dá sentido para nossa vida e nos sustenta, mesmo nas horas mais difíceis. Quando centramos toda nossa vida em Jesus, encontramos paz e contentamento em todas as circunstâncias.

3. Vencer a tentação

Antes de começar seu ministério, Jesus foi levado pelo Espírito para o deserto, onde foi tentado pelo diabo. Ele enfrentou todo tipo de tentação mas não pecou, usando a palavra de Deus para vencer o diabo (Lucas 4:1-4). Depois que venceu a tentação no deserto, Jesus teve um ministério cheio de poder.

No deserto, somos confrontados com a realidade do pecado. Temos uma escolha: sucumbir ao pecado ou dedicar a vida a Jesus. Não há lugar para esconder, temos de admitir nossas fraquezas a Deus e encontrar força nele para superar a tentação. Quando encontramos essa força em Deus, saímos do deserto muito mais preparados para tudo que nossa vida tem pela frente.

4. Resolver nossos problemas

Quando Elias foi para o deserto, ele não estava bem. Ele tinha realizado milagres incríveis diante de todo o povo de Israel mas, em vez de ver um grande avivamento, Elias foi ameaçado de morte! No deserto, ele pediu para morrer mas Deus o levou a um monte, falou com ele e restaurou Elias (1 Reis 19:9-11). Quando saiu do deserto, Elias tinha uma nova visão e estava pronto para continuar sua missão como profeta.

Por vezes circunstâncias difíceis nos empurram para um deserto emocional e espiritual. Nos sentimos acabados, sem mais força para nada e só queremos fugir da situação. Mas Deus nos leva para o deserto para nos restaurar. O sofrimento do deserto é o lugar onde podemos nos encontrar a sós com Deus e ouvir melhor Sua voz nos consolando. Ele nos ajuda a confrontar nossos problemas e a consertar o que está errado em nossa vida. Se deixamos Deus agir no nosso tempo no deserto, saímos restaurados, mais fortes e prontos para novos desafios.

5. Ter esperança

Nos 40 anos que o povo de Israel vagou no deserto, houve um homem que não perdeu sua esperança em Deus: Josué. Ele se manteve fiel a Deus durante todo o tempo no deserto e não desistiu (Números 14:6-9). Não foi fácil, mas ele nunca se esqueceu de quanto Deus já tinha feito por ele e, por fim, ele liderou o povo na conquista da terra prometida.

A verdadeira esperança não morre no deserto. Quando vem a dificuldade, aprendemos a confiar em Deus, lembrando de todas as coisas que Ele já fez no passado. Se Deus sempre foi fiel, Ele vai continuar nos ajudando, mesmo no deserto. Na hora mais difícil, quando não vemos a saída, descobrimos se realmente cremos em Deus. Ele vai nos ajudar a sair do deserto, rumo à vitória. E, quando tivermos saído do deserto, nossa esperança em Deus será muito mais firme.

Por Marco Antonio Lana

sexta-feira, 20 de março de 2020

EXPLICANDO Gn 3,15


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“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” = GÊNESIS 3,15

Estas palavras são ditas por Deus à serpente, que é satanás por ocasião em que este induziu Adão e Eva ao pecado. Em partes, vejamos o significado delas:

“Porei inimizade entre ti e a mulher”

Nestas palavras Deus está afirmando que deverá de existir inimizade permanente entre satanás (“ti”) e a mulher (Maria ou a Igreja)

“Entre a tua descendência e o seu descendente”

Estas palavras são uma repetição da afirmação anterior de Deus, ou seja, que a inimizade estará estabelecida entre todos os que estão sujeitos a satanás (“tua descendência”) e o descendente da mulher que, neste caso, é Cristo.

Por que afirmo que o descendente da mulher, neste caso, é Cristo? Porque vários textos do Novo Testamento apontam para Cristo como o descendente da mulher (Gl 4,4, por exemplo). Além disso, na seqüência de Gn 3,15, é dito que o descendente da mulher iria esmagar a cabeça da serpente. E isto, quem fez, foi Cristo. Cristo é quem derrotou a satanás quando ressuscitou dentre os mortos. Ler: (Jo 12,31; At 26,18; Rm 5,18-19; Hb 2,14; Ap 12,1.7)

“Este te ferirá a cabeça”

Estas palavras apontam para o descendente da mulher (este), que, como já vimos, é Jesus. Jesus ferirá como de fato feriu a cabeça da serpente (satanás). Isto aconteceu quando Cristo completou a sua obra de redenção, salvando os pecadores e ressuscitando dentre os mortos. Os textos bíblicos acima indicados mostram isso.

“E tu lhe ferirás o calcanhar”

Aqui Deus conclui a sentença, dizendo que satanás (tu), representado na serpente, iria ferir o calcanhar do descendente da mulher (lhe), Jesus. Isto é uma referência à crucificação de Jesus. Foi necessário que Jesus fosse crucificado, mas isto, comparado com a sua ressurreição, é apenas um ferimento no calcanhar. Notar bem a diferença: cabeça e calcanhar. Um ferimento no calcanhar nunca tem as conseqüências que o tem ferimento na cabeça. Aliás, no calcanhar é um ferimento, mas na cabeça da serpente, é um “esmagar”, conforme registram os textos do Novo Testamento. E, cabeça, aqui, representa o poder. É o poder de satanás que Cristo derrotou na sua ressurreição.

Marco Antonio Lana - Teólogo

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Quem era Zaqueu na Bíblia?


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Jesus entrou em Jericó e atravessava a cidade. Havia ali um homem rico chamado Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos.Tentava ver Jesus, mas era baixo demais e não conseguia olhar por cima da multidão.Por isso, correu adiante e subiu numa figueira-brava, no caminho por onde Jesus passaria. Quando Jesus chegou ali, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desça depressa! Hoje devo hospedar-me em sua casa”. Sem demora, Zaqueu desceu e, com alegria, recebeu Jesus em sua casa. Ao ver isso, o povo começou a se queixar: “Ele foi se hospedar na casa de um pecador!”. Enquanto isso, Zaqueu se levantou e disse: “Senhor, darei metade das minhas riquezas aos pobres. E, se explorei alguém na cobrança de impostos, devolverei quatro vezes mais!”. Jesus respondeu: “Hoje chegou a salvação a esta casa, pois este homem também é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar os perdidos”. Lucas 19,1-10

Zaqueu era um publicano (cobrador de impostos) que se converteu quando Jesus se hospedou em sua casa. Quando se converteu, Zaqueu se tornou honesto e generoso.

Zaqueu era um homem rico, com uma boa carreira como chefe dos publicanos em Jericó (Lucas 19,1-2). Os publicanos eram cobradores de impostos que trabalhavam para o império romano. Os outros judeus não gostavam dos publicanos porque muitos eram corruptos e roubavam o povo quando cobravam os impostos.

Na sua viagem para Jerusalém, um pouco antes da entrada triunfal, Jesus passou por Jericó. Zaqueu sabia que Jesus estava passando, mas não conseguiu vê-lo, porque era baixo e a multidão o impedia de ver. Como queria muito ver Jesus, Zaqueu correu na frente da multidão e subiu a uma figueira brava que ficava no caminho que Jesus ia percorrer (Lucas 19:3-4).

Jesus chegou à árvore e olhou para cima. Chamando Zaqueu pelo nome, ele lhe mandou descer, porque queria ficar em sua casa. Alegre, Zaqueu desceu depressa e levou Jesus para sua casa. Lá, ele declarou que iria dar metade de seus bens aos pobres e devolver quatro vezes mais a qualquer pessoa que tivesse extorquido. Jesus respondeu dizendo que a salvação tinha chegado nesse dia à casa de Zaqueu (Lucas 19:8-9).


O que podemos aprender com Zaqueu?

Não desistir – Zaqueu enfrentou obstáculos para ver Jesus, mas ele não desistiu; na vida surgem obstáculos, mas não devemos desistir de seguir Jesus – “Portanto, não abram mão de sua firme confiança. Lembrem-se da grande recompensa que ela lhes traz.Hebreus 10,35

Humildade – para receber Jesus em sua casa, Zaqueu teve de descer de sua árvore, revelando sua baixa estatura perante Jesus e a multidão; muitas vezes, para sermos abençoados por Jesus, precisamos largar nosso orgulho e reconhecer nossas falhas

Jesus ama todos – a multidão não gostou quando Jesus ficou na casa de um odiado publicano, mas Jesus disse que tinha vindo para salvar quem estava perdido – “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar os perdidos” Lucas 19,10

Uma vida com Jesus é diferente – depois que conheceu Jesus, Zaqueu abandonou o pecado e decidiu viver de forma honesta; Jesus pode transformar a vida de até a pessoa mais odiada! – “Logo, todo aquele que está em Cristo se tornou nova criação. A velha vida acabou, e uma nova vida teve início!2 Coríntios 5,17

domingo, 1 de dezembro de 2019

AS MULHERES NA GENEALOGIA DE JESUS



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Você aprecia o estudo das genealogias? Em geral não gostamos muito desse tema e quero confessar que na minha juventude, sempre pulava o texto bíblico em que elas apareciam.  Por que todo esse desinteresse, se elas estão inseridas nas Escrituras Sagradas? Creio que o desinteresse está associado ao fato de não sabermos o seu real significado e a sua importância dentro da Palavra de Deus. Então, antes que você desista da leitura do texto, quero ver com você a definição do termo e a sua relevância. Segundo o Dicionário Bíblico Wycliffe o termo pode ser definido “como a relação de nomes indicando os ancestrais ou descendentes de um indivíduo ou de vários”.  No entanto, as genealogias bíblicas não são somente uma relação de nomes, pois tudo que está no livro de Deus tem um propósito e com as genealogias não é diferente. Elas têm duas funções principais: Preservar a pureza do sacerdócio arônico e conservar a linhagem de Davi, pois de sua descendência viria o Cristo, o Messias. 

Quem era Mateus

Mateus era um cobrador de impostos, publicano, escolhido por Jesus para fazer parte do seu grupo de apóstolos. Ele inicia seu Evangelho com a genealogia do homem mais importante que já viveu nesta terra. O homem que dividiu a história em antes e depois do seu nascimento: Jesus Cristo, o Messias prometido desde o Éden. Mateus está escrevendo para os judeus, por isso sua preocupação em mostrar a origem de Jesus como Messias e descendente de Abraão (o pai da nação de Israel) e de Davi (o rei da promessa messiânica). Porém, ele também mostra que Jesus é o Filho de Deus e que foi gerado pelo Espírito Santo, em cumprimento das profecias do Antigo Testamento.

Esta linhagem de Abraão a Jesus através dos reis da casa de Davi, tem a intenção explícita de apresentar os direitos de Jesus ao trono de Davi. Ainda que o trono estivesse vago por quase seis séculos, ninguém poderia esperar a devida consideração dos judeus para com o Messias se Ele não pudesse provar sua descendência real. 

Entretanto, o que chama a atenção na genealogia de Mateus e a difere das demais do Antigo Testamento e dos outros Evangelhos, é a referência que ele faz a algumas mulheres (Mt 1.3,5,6).

Por que Mateus insere o nome dessas mulheres? 

O que levou Mateus, vivendo em uma sociedade patriarcal, incluir o nome dessas mulheres? Não sabemos ao certo. Lawrence Richards, afirma que uma das possibilidades é o fato de que Mateus era um publicano, ou seja, um coletor de impostos ou fiscal dos romanos. Sabemos que os coletores eram odiados pelo povo, pois sempre cobravam além dos encargos. Podemos ver o quanto eram desprezados quando os textos bíblicos dizem “publicanos e pecadores” (Mt 9.10) e “publicanos e meretrizes” (Mt 21.31). Em diversas ocasiões eles são comparados aos gentios (Mt 18.17).  Sabemos que ninguém gosta de pagar impostos, porém estes se enriqueciam com a miséria do povo e em geral, extorquiam as pessoas (Lc 3.12). Mateus, com certeza, sabia o que era ser desprezado, deixado de lado, excluído. 

Mateus, de alguma forma, se identificava com as mulheres e desejava mostrar que o Messias predito pelos profetas veio ao mundo para salvar a todos (Mt 1.21). Ele escreveu para os crentes judeus e certamente sabia como as mulheres eram vistas dentro do judaísmo, talvez, por isso, tenha desejado revelar ao seu povo que agora, na nova aliança, todos eram alvos do amor do Salvador. Pois, Jesus durante o seu ministério terreno, mostrou que os publicanos, ou melhor, que  todos os seres humanos mereciam o seu amor, o seu olhar, a sua atenção. O Mestre se assentou à mesa com algumas pessoas que eram desprezadas, colocadas à margem da sociedade, pois Ele acolhia os indefesos e oprimidos.  Atualmente falamos a respeito de educação inclusiva, mas Jesus já acolhia os excluídos (publicanos, mulheres, crianças, leprosos, pobres). Certamente o fato dEle ter chamado Mateus para ser um dos seus apóstolos deve ter impressionado e escandalizado a muitos (Mc 2.14-17). Não fomos alcançados por Jesus por nossa bondade, nobreza ou realeza, mas por sua misericórdia e graça (Ef 2.4,5). 

Um pouco da história dessas mulheres

Tamar (Gênesis 38.1-30).
Tamar, a primeira mulher mencionada, era casada com um dos três filhos de Juda. Ele chamava-se Her. No entanto Her, primogênito de Juda, desagradou a JAVÉ que o fez morrer. Tamar casou-se com o segundo filho de Juda, Anã que também desagradou JAVÉ, que também o fez morrer. Restava então o terceiro filho de Juda, Sela, mas com uma desculpa, de que Sela era muito jovem para casar, Juda manda a nora de volta para a casa dos pais com a promessa de que, quando Sela crescesse, seria seu marido. Mas Tamar viu que Sela já era adulto e não lhe fora dado como marido. Passado algum tempo Juda ficou viúvo e sua nora Tamar soube que ele subiu para Tamma, junto com Hira, seu amigo de Odolam para tosquiar o rebanho. Então Tamar tirou o traje de viúva, cobriu-se com véu e, disfarçada de prostituta, deitou-se com o próprio sogro, com a promessa que ele lhe daria um cabrito como pagamento. Ela pediu-lhe que deixasse com ela um penhor, que era o anel de Sela, com o cordão e o cajado. Juda os entregou e foi com ela deixando-a grávida. Juda mandou o cabrito por meio de seu amigo a fim de recuperar os objetos que havia deixado com a mulher. Mas ele não a encontrou. Passado algum tempo foram contar para Juda que sua nora Tamar estava grávida e a punição para a viúva que ficava grávida era a morte, porque tinha fornicado. Quando Tamar estava sendo levada para seu suplicio ela diz: “Eu fiquei grávida do homem que possui este anel de selo e o cajado”. Juda admirado exclama: Essa mulher é mais justa que eu, pois não lhe dei meu filho Sela. Quando chegou o tempo de parir, Tamar teve gêmeos, Fares e Zara. Fares foi descendente em linha reta de JESUS. 

Raabe (Josué 6.22-25). 
A segunda mulher mencionada, Raab, que era uma prostituta em Jericó. Por ter escondido espiões mandados por Josué ela e toda a sua família foram poupados quando ele conquistava Jericó. Mais tarde casou-se com um hebreu, provavelmente um dos espiões, chamado Salmon, também descendente de JESUS.

Rute (Rute 4.13-22).
A terceira mulher mencionada é a moabita Rute, uma viúva virtuosa, cuja origem era vergonhosa porque os moabitas originam-se também de um incesto. Quando Abraão deixou a Mesopotâmia e foi para a terra de Canaã levou consigo seu sobrinho Ló. Mas na terra de Canaã houve uma contenda entre os servos de Abraão e os servos de Ló por causa dos rebanhos. Então eles se separaram indo Ló morar em uma planície chamada Sodoma e Gomorra. Passado algum tempo DEUS, através de seus emissários manda avisar que iria destruir Sodoma e Gomorra, por causa da abominação que ali se cometia que se deu o nome de sodomia para o lesbianismo e homossexualismo. Os emissários advertiram Ló e sua família que não olhassem para traz quando saíssem da cidade; a mulher de Ló olhou para traz e se transformou em uma coluna de sal. Ló subiu de Segon e se estabeleceu na montanha com suas filhas. A mais velha disse à mais nova: “Nosso pai já está velho e na terra não há homem para ter relação conosco, como se faz em todo lugar. Vamos embriagar nosso pai para ter relação com ele, assim daremos uma descendência a nosso pai”. Embriagaram o pai e a mais velha deitou-se com o pai. No outro dia tornaram a embriagá-lo e a mais nova também se deitou com o pai. Ambas engravidaram e a mais velha deu à luz um filho e o chamou Moabe, que é o antepassado dos atuais moabitas. A mais nova deu à luz um filho e o chamou Ben Ani que é o antepassado dos atuais amonitas. Rute era moabita mas não deixou sua sogra Noemi porque a amava muito. Foi trabalhar na eira de Booz. Um parente de Noemi a pediu em casamento e teve um filho chamado Obed que foi o avô do Rei Davi.

Bate-Seba (2 Samuel 12.24,25). 
A quarta mulher mencionada é Bate-saba que era mulher de Urias, o Hitita, mas teve um relacionamento com o Rei Davi porque o marido estava em batalha. Deste relacionamento engravidou-se. O Rei Davi então ordena a Joab, seu general, colocar Urias, o marido de Bate-saba, no ponto mais quente da batalha com o intento que ele morresse na batalha. Estando Urias morto, o Rei leva Betsabeia ao palácio vivendo maritalmente com ela. O primeiro filho de ambos nasceu morto, mas Bat-saba engravidou novamente e teve um filho chamado Salomão que foi descendente em linha reta de JESUS.

Maria (Mt 1.16). 
A quinta e última mulher mencionada é Maria – a virgem, representante da comunidade dos pobres que esperam libertação. Dela, pelo divino Espírito Santo, nasceu JESUS, o Messias, o jovem senhor do universo, o filho de DEUS, Aquele que vai iniciar a nova história; ELE surge dentro da história de maneira totalmente nova. O cântico de Maria é o cântico dos pobres que reconhecem a vinda de DEUS para libertá-los através de JESUS. Cumprida a promessa, DEUS assume o partido dos pobres e realiza uma transformação na história, invertendo a ordem social. Os ricos e poderosos são depostos e despojados, e os pobres e oprimidos são libertos e assumem a direção dessa nova história. 

Basta uma lida rápida na biografia dessas mulheres para percebermos, que de acordo com a cultura judaica, não haveria possibilidade alguma delas fazerem parte da linha sucessória do Messias. Tamar enganou seu sogro, Raabe era prostituta, Rute estrangeira, Bate-Sabe foi tomada pelo rei Davi de forma errada e Maria além de ser muito jovem, de uma família humilde, estava noiva. Tal fato nos mostra que Deus jamais esteve ou estará sujeito a padrões humanos, religiosos ou culturais. Ele está acima disso, e seu olhar contempla os corações, independente do gênero, da condição social e da família a quem pertencemos.

Conclusão

Não importa a sua descendência, a sua condição social, civil, seu sexo e os erros que você tenha cometido. Tamar, Raabe, Rute e Bate-Seba também erraram. Deus pode escrever uma nova história para você. Decida crer nEle, apesar das circunstâncias adversas.  Entregue a sua vida a Jesus, o Rei dos reis e deixe que Ele se encarregue de mudar o que for preciso. Saiba que Jesus não é o príncipe, o cavaleiro que vem salvar as mocinhas indefesas dos contos de fada. Ele é real!  Jesus é o Rei dos reis, aquEle que nos ama e deu a sua vida em nosso favor. Deixe que Ele cuide de você e mude a sua história.

Se o leigo se chocar pelo fato de haver incesto, prostituta, adultério na genealogia de JESUS pense que: "A Missão de JESUS na Terra foi Remir os Pecadores”.

Por - Marco Antonio Lana - Teólogo Bíblico