segunda-feira, 14 de maio de 2012

MARIA – A MAE DO MEU SENHOR (DEUS) - Lc 1,43


INTRODUÇAO

Respeitada, admirada e adorada por muitos em todo o mundo, Maria continua sendo assunto repleto de controvérsias em muitos lugares. Entretanto o propósito aqui não é causar discussões, e, sim, a partir da autoridade bíblica, responder duas simples perguntas: quem foi Maria e qual o seu papel no plano eterno de Deus?

Minha informação sobre Maria se encontra quase inteiramente nos evangelhos de Mateus e Lucas. Em Mateus 1,18-25, o anjo aparece a José; enquanto, em Lucas 1,26-38, o anjo aparece a Maria. Em Lucas 2,5, está escrito que, quando José se casou com Maria, ela estava grávida de Jesus, ou seja, estava gestando o Cristo de Deus.

  1. O QUE A BIBLIA TODA DIZ SOBRE MARIA.

Antes de tudo, você precisa saber que todas as referencias que o Novo Testamento faz a Maria estão a Seguir. Pode 100% seguro. Não há nenhuma menção que a Bíblia faça sobre Maria que não esteja aqui citada. É um simples esboço para lhe oferecer segurança total sobre o assunto.

Os cinco tópicos são os nomes pelos quais nossa personagem é citada nas paginas do Novo testamento.

a)      Maria – Mt 1,16; 1,18; 1,20; 2.11; 13,55; Mc 6,3; Lc 1,27; 1,30; 1,34; 1,38; 1,39; 1,41; 1,56; 2,5; 2,16; 2,19; 2,34; At 1,14.
b)     Mãe de Jesus - Jo 2,1; 2,3; 19,25; At 1,14.
c)      Mãe do Senhor* – Lc 1,43.
d)     Sua Mãe – (alguns mencionam também o nome “Maria”); Mt 1,18; 2,11; 2,13, 2,14; 2,20; 2,21; 12,46; 13,55; Mc 3,31; Lc 2,48; 2,51; 8.19; 11;27-28; Jo 2,12; 19,26.
e)     Mulher – Jo 2,4; 19,26.

*A palavra Senhor aqui significa Deus. Isabel cheia do Espírito Santo diz: “E donde me provém isto, que venha visitar-me a [mãe do meu Senhor]?” Lc 1,43. Mudando a palavra Senhor para Deus lemos: “E donde me provém isto, que venha visitar-me a [mãe do meu Deus]?” Lc 1,43. Aqui nos deixa bem claro que Isabel estava cheia do Espírito Santo e o próprio Espírito Santo falou através de Isabel que Maria é a mãe do Deus filho aqui na terra.

  1. O MAGNIFICAT – Lc 1,46-56

O nome se deve ao fato de que na Vulgata (versão latina da Bíblia) esse poema começa pela palavra magnificat. A frase completa é magnificat anima mea Domiminum – “minha alma magnífica ao Senhor”.

As palavras deste cântico revelam a pequenez humana em face da intervenção divina. Ao declarar que Deus é o Salvador dela (Lc 1,47), Maria está reconhecendo que é uma serva como outra pessoa. O esboço proposto a seguir nos ajuda a ter uma idéia geral do conteúdo do poema de adoração.
a)      Alegria e gratidão ao Senhor (Lc 1,46-49);
b)      A misericórdia e a soberania do Senhor (Lc 1,50-51);
c)      O amor especial do Senhor pelos humildes no mundo (Lc 1,52-53);
d)      A aliança e a misericórdia do Senhor para com Israel (Lc 54-55).

  1. FATOS REVELADORES.

a)      Jô 2,3-4 – “E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho. Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” Temos dois fatos importantes nesse texto bíblico.
·         Jesus não chama Maria de “mãe”, mas sim de “mulher” (no grego gyne, de ginecologia);
·         “O que tenho eu contigo?”. Esse não é um tratamento áspero. Parece que Jesus reclama a Sua emancipação do lar (cf. Lc 3,23), pois agora, ele “não tem onde reclinar a cabeça” (lc 9,58); e a sua comida “consiste em fazer a vontade daquele que me enviou” (Lc 4,34). Leia o comentário de uma autoridade em exegese do Novo Testamento.

“Quando o Senhor disse “mulher”, não se expressou rudemente. Pelo contrario, foi um ato de carinho de sua parte ao usar esta palavra para fazer Maria ver que já não devia continuar pensando Nele como se fora unicamente seu filho; pois quanto mais o tivesse como filho, mais sofreria quando Ele sofresse. Maria deveria se empenhar a olhar para Jesus como seu Senhor, e não como seu filho” (El Evangelio Según San Juan, pg. 123).

b)     Jo 19,25-27 – O mesmo acontece em Jo 19,25-27, em que novamente Jesus chama de Maria de “mulher” e não de mãe.

c)      At 1,12-14 – Finalmente temos em At 1,12-14 a ultima referencia à Maria no Novo Testamento. Ela estava entre os discípulos, aguardando o derramamento do Espírito Santo.

  1. MARIA E A IGREJA

a)      Maria era uma pobre e humilde mulher que vivia em Nazaré da Galileia, noiva de um carpinteiro. (Mt 1,18).
b)      Maria, como ser humano e mãe, é uma testemunha da verdadeira humanidade de Jesus, mas também da verdadeira divindade de Jesus (Filho do Homem – Filho de Deus- Lc 1,35).
c)      Maria deve ser reconhecida como bem-aventurada de Deus (Lc 1,,48) e um exemplo de obediência e fé a serem seguidos (Lc 1,38).
d)      Maria foi uma vida que Deus usou para cumprir a Sua promessa de enviar o Salvador do mundo (Lc 1,30-31)
e)      Maria foi uma mulher que creu nas palavras do Senhor Jesus Cristo (Lc 2,19.51; At 1,4.14)
f)        Maria é um exemplo de mulher humilde – e de mulher exaltada (Lc 1,48).
g)      Maria á mãe de Deus (Lc 1,43).
h)      Dogmas de Maria

CONCLUSÃO

Se você tiver interessado em estudar mais sobre este assunto, recomendo o livro O Papado e o Dogma de Maria, Hernandes Dias Lopes, São Paulo – Editora Hagnos – http://www.hagnos.com.br/.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

ENTREVISTA COM O DIABO








QUEM O CRIOU?
Lúcifer: Fui criado pelo próprio Deus, bem antes da existência do homem. [Ezequiel 28,15].
A QUANTO TEMPO QUE VOCÊ ESTÁ AQUI NA TERRA?
Lúcifer:  Fui criado a mais de dez mil anos. Vivi no céu e no Jardim do Éden. Vi tudo que Deus criou. Minha queda se deu quando o homem foi criado. Da queda do homem até hoje são seis mil anos.
COMO VOCÊ ERA QUANDO FOI CRIADO?
Lúcifer: Vim à existência já na forma adulta e, como Adão, não tive infância. Eu era um símbolo de perfeição, cheio de sabedoria e formosura e minhas vestes foram preparadas com pedras preciosas. [Ezequiel 28,12-13]
ONDE VOCÊ MORAVA?
Lúcifer: No Jardim do Éden e caminhava no brilho das pedras preciosas do monte Santo de Deus. [Ezequiel 28,13]
QUAL ERA SUA FUNÇÃO NO REINO DE DEUS?
Lúcifer: Como querubim da guarda, ungido e estabelecido por Deus, minha função era guardar a Glória de Deus e conduzir os louvores dos anjos. Um terço deles estava sob o meu comando. [Ezequiel 28,14; Apocalipse 12,4]
ALGUMA COISA FALTAVA A VOCÊ?
Lúcifer: (reflexivo, diminuiu o tom de voz) Não, nada. [Ezequiel 28,13]
O QUE ACONTECEU QUE O AFASTOU DA FUNÇÃO DE MAIOR HONRA QUE UM SER VIVO PODERIA TER?
Lúcifer: Isso não aconteceu de repente. Um dia eu me vi nas pedras (como espelho) e percebi que sobrepujava os outros anjos (talvez não a Miguel ou Gabriel, Rafael) em beleza, força e inteligência. Comecei então a pensar como seria ser adorado como deus e passei a desejar isto no meu coração. Do desejo passei para o planejamento, estudando como firmar o meu trono acima das estrelas de Deus e ser semelhante a Ele. Num determinado dia tentei realizar meu desejo, mas acabei expulso do Santo Monte de Deus. [Isaías 14,13-14; Ezequiel 28,15-17]
O QUE DETONOU FINALMENTE A SUA REBELIÃO?
Lúcifer: Quando percebi que Deus estava para criar alguém semelhante a Ele e, por conseqüência, superior a mim, não consegui aceitar o fato. Manifestei então os verdadeiros propósitos do meu coração. [Isaías 14,12-14]
O QUE ACONTECEU COM OS ANJOS QUE ESTAVAM SOB O SEU COMANDO?
Lúcifer: Eles me seguiram e também foram expulsos. Formamos juntos o império das trevas. [Apocalipse 12,3-4]
COMO VOCÊ ENCARA O HOMEM?
Lúcifer: (com raiva) Tenho ódio da raça humana e faço tudo para destruí-la, pois eu a invejo. Eu é que deveria ser semelhante a Deus. [1Pedro 5,8]
QUAIS SÃO SUAS ESTRATÉGIAS PARA DESTRUIR O HOMEM?
Lúcifer: Meu objetivo maior é afastá-los de Deus. Eu estimulo a praticar o mal e confundo suas idéias com um mar de filosofias, pensamentos e religiões cheias de mentiras, misturadas com algumas verdades. Envio meus mensageiros travestidos, para confundir aqueles que querem buscar a Deus. Torno a mentira parecida com a verdade, induzindo o homem ao engano e a ficar longe de Deus, achando que está perto. E tem mais. Faço com que a mensagem de Jesus pareça uma tolice anacrônica, tento estimular o orgulho, a soberba, o egoísmo, a inimizade e o ódio dos homens. Trabalho arduamente com o meu séquito para enfraquecer as igrejas, lançando divisões, desânimo, críticas aos líderes, adultério, mágoas, friezas espirituais, avareza e falta de compromisso (ri às escaras). Tento destruir a vida dos Cristãos, principalmente com o sexo, ingratidão, falta de tempo para Deus e orgulho. [1Pedro 5,8; Tiago 4,7; Gálatas 5,19-21; 1 coríntios 3,3; 2 Pedro 2,1; 2 Timóteo 3,1-8; Apocalipse 12,9]
E SOBRE O FUTURO?
Lúcifer: (com o semblante de ódio) Eu sei que não posso vencer a Deus e me resta pouco tempo para ir ao lago de fogo, minha prisão eterna. Eu e meus anjos trabalharemos com afinco para levarmos o maior número possível de pessoas conosco. [Ezequiel 28,19; Judas 6; Apocalipse 20,10.15]
MEDITE NESSA MENSAGEM. VEJAM QUE FOI ELABORADA COM BASE NOS VERSÍCULOS BÍBLICOS, POR ISSO É UMA ILUSTRAÇÃO DA MAIS PURA VERDADE.
"COMO DIZ O ESPÍRITO SANTO: HOJE, SE OUVIRDES A SUA VOZ, NÃO ENDUREÇAIS OS VOSSOS CORAÇÕES." HEBREUS 3,7-8
"Ninguém tem maior amor do que este: de dar a Sua vida em favor dos Seus amigos." João 15,13
Jesus te ama...



SERMÃO DA MONTANHA - LIÇAO 16 – O COMPROMISSO DO CRISTÃO.




 
“Samuel replicou-lhe: Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz? A obediência é melhor que o sacrifício e a submissão valem mais que a gordura dos carneiros.” (1 Sm 15,22).

  1. INTRODUÇAO.

Quando Jesus terminou seu Sermão da Montanha, ficou clara uma proposta de contracultura (ia de encontro à pratica dos religiosos de então). O Mestre condena o conhecimento da letra sem conhecimento do espírito da letra; Ele condena abrir os lábios em divagações (elocuções) sem fim, com o coração longe da palavra.

Jesus leva os ouvintes a um confronto próprio e a um compromisso incondicional da mente, da vontade e da vida com seus ensinamentos. Somos advertidos por Cristo dois perigos a que estamos sujeitos no relacionamento com Ele.

  1. O PERIGO DE NOS CONTENTARMOS COM O QUE FALAMOS – (Mt 7,21-23).

Jesus descreve aqui pessoas que confiam para sua salvação no que elas dizem a Cristo ou a respeito de Cristo – “Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.” Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?”(Mt 7,21-22).

De fato, a Bíblia insiste que para sermos salvos precisamos confessar verbalmente a Cristo (“Portanto, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. É crendo de coração que se obtém a justiça, e é professando com palavras que se chega à salvação.” – Rm 10,9-10). Jesus neste texto descreve uma confissão absolutamente admirável.

                               I.      Uma confissão respeitosa (v 21) – Chama-O de senhor, como de fato é.
                            II.      Uma confissão ortodoxa (v 21) – Chama-O de Senhor com uma perspectiva divina, ou seja, condenando-O como Senhor absoluto.
                         III.      Uma confissão fervorosa (v 22) – “Senhor, Senhor”, não formal, mas com entusiasmo, zelo e devoção.
                          IV.      Uma confissão pública (v 22) – profecias, exorcismo e milagres são atividades públicas e não particulares.

A razão por Jesus rejeitar tal profissão de fé é ela ser apenas verbal e não moral; de lábios e não de vida.

  1. O PERIGO DE NOS CONTENTARMOS COM O QUE SABEMOS – (Mt 7,24-27).

No primeiro parágrafo o contraste é entre o dizer e o fazer, e aqui é entre ouvir e fazer.

É importante notar que Jesus não está falando de cristão e não cristãos, e, sim, de pessoas iguais no que diz respeito a ouvir as palavras do Mestre (v 24-26). Os dois são colocados por Jesus de um lado o que ouve e pratica; e do outro, o que não pratica apesar de ouvir. Os dois são membros da comunidade cristã visível, lêem a Bíblia, vão à igreja, ouvem sermões, compram literatura cristã. A única diferença está nos alicerces que não podem ser vistos. Apenas uma tempestade revelará a verdade.

O que é essencial para nossa vida é ser praticamente da Palavra e não somente ouvinte (Tg 1,22-25; 2,14-20), ou seja, acima de saber, está fazer o que sabemos.

  1. CONCLUSÃO.

Temos então a alternativa de seguir a multidão ou o nosso Pai que está nos céus; ser como a cana agitada pelo vento da opinião publica ou ser dirigido pela Palavra de Deus, pela revelação do Seu caráter e por Sua vontade.

Mais importante do que  escolha de uma carreira profissional ou de um companheiro para a vida, é a escolha da própria vida.

sábado, 5 de maio de 2012

SERMAO DA MONTANHA - LIÇÃO 15 – RENUNCIA! ESCOLHA A VIDA PARA QUE VIVA.




 
“Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a I tua posteridade,” (Dt 30,19).

  1. INTRODUÇÃO.

As contraposições de escolha são uma constante por toda Bíblia:

  • Qual árvore? A árvore da Vida; ou a árvore do conhecimento do bem e do mau?
  • Qual jovem? Caim ou Abel?
  • Entrar ou não na arca?
  • Terra Prometida (desconhecida) ou Ur dos Caldeus (tudo sob controle)?
  • Sacrificar o filho a Deus ou não?
  • Nínive ou Jope?
  • As finas iguarias do rei ou água e legumes?
  • A cruz (cálice amargo) ou a coroa?
  • A mão no arado ou olhar atrás?
  • Os pais ou o reino?
  • Deus ou as riquezas?
  • O reino ou “estas coisas”?

As contraposições de escolhas são uma constante por toda a Bíblia porque ela fala acerca de seres criados à imagem e semelhança de um Criador que arbitra; decide por um lado e não por outro, anda por um caminho e não por outro... Sempre bem (graças a Ele mesmo). Nós fomos feitos seres arbitrários. Projetados com a capacidade, e muito mais que isto, com a permissão (do Altíssimo) de fazer qualquer escolha: boa ou ruim, certa ou errada. E nem sempre nossa “raça humana” tem escolhido bem (infelizmente, graças a nós mesmo)..

Hoje temos um texto maravilhoso pela frente, que ele nos inspire a fazer boas escolhas na vida.

  1. A PORTA ESTREITA: RENUNCIA.

“Não se faz omelete sem quebrar ovos”. Certamente você já ouviu esse ditado popular. Ele é muito usado para justificar prejuízos assumidos como preço de uma conquista maior. Não se pode seguir a Jesus sem renunciar.

Lembra quando Jesus falou a respeito da peculiar dificuldade dos riscos em passar pela estrada do reino de Deus (Lc 18,24-30)? “Vendo-o entristecer-se, disse Jesus: Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus! É mais fácil passar o camelo pelo fundo duma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.” (v 24-25).

Ninguém pode ter tudo na vida. É preciso aprender a abandonar para abraçar, deixar para encontrar, soltar para pegar. Infelizmente a “Teologia da Prosperidade” tem convencido cristãos de que podem ter tudo na vida. Há somente um Evangelho, o Sermão da Montanha, o Evangelho da renuncia, da Porta Estreita, por onde passa só um coração órfão: sem pai nem mãe (“Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim.” Lc 10,37); um coração “solteiro” (“Disse também outro: Casei-me e por isso não posso ir.”); uma alma falida (“Aquele que tentar salvar a sua vida, perdê-la-á. Aquele que a perder, por minha causa, reencontrá-la-á.”), nua.

Logicamente estou falando por figuras, e estas são fortes. Veja a parábola da grande ceia em Lc 14,15-24 no qual os convidados escolheram não aceitar o convite para o banquete colocando outros assuntos na frente: compras de imóveis (“Mas todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um terreno e preciso sair para vê-lo.” – Lc 14,18), móveis (“Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las”. – Lc 14,19) e casamento (“Disse outro: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las.” – Lc 14,20). Eu já cansei de ouvir cristãos dando varias desculpas porque não puderam ir à igreja no domingo. Mas não faltaram às festas, botecos, dormiram até mais tarde e outras desculpas.

Alem de uma porta estreita para começar, há um caminho apertado para continuar.

  1. CAMINHO APERTADO: RENUNCIA, RENUNCIA, RENUNCIA...

O problema da igreja na Galácia é que havia começado bem e estragado tudo logo em seguida (“Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou à graça de Cristo para um evangelho diferente.” – Gl 1,6; “Sois assim tão levianos? Depois de terdes começado pelo Espírito, quereis agora acabar pela carne? – Gl 3,3). Esse é um defeito comum em ter os cristãos de todos os tempos, se a vida cristã começa com renuncia, por que deveria continuar com egoísmo? Se a salvação se dá com a confissão do Senhorio de Cristo (“ Portanto, se com tua boca confessares que Jesus é o Senhor, e se em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” – Rm 10,9), por que a santificação se daria com “eu sou o senhor e ando por onde e como quiser”? Se o discipulado é iniciado com a cruz (“E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim”. Mt 10,38), por que não se continua com ela?

Lucas, o evangelista, sempre meticuloso, em seu registro acerca do “custo do discipulado” acrescenta “o dia a dia” depois do “a si mesmo se negue”, (“A vida vale mais do que o sustento e o corpo mais do que as vestes.” Lc 12,23; conferir com Mt 16,24 e Mc 8,34). Essa é a obra do Espírito Santo para nos lembrar que a porta é estreita, tanto quanto o caminho é apertado.

A renuncia, a devoção, o choro, a entrega desmedida, o “salto” pela fé nos braços do Bom Pastor, não é só no dia da conversão, é todo dia.


  1. CONCLUSÃO.

Certa vez um homem disse: “Eu criei minha própria religião”. Certamente ele só permitiu que fizesse parte de suas escolhas tudo quando lhe conviesse, como os seus desejos, gostos, idéias, vontades, prazeres, outros.

Todos nós preferimos ter muito mais que uma opção para fazermos nossas escolhas. Mas Jesus não nos deixa tantas opções. Ele ensinou que temos que escolher apenas uma, entre duas opções.

a)       Ha dois caminhos;
b)       Há duas portas;
c)        Há dois destinos;
d)       Há duas multidões;

Você já fez sua escolha?

domingo, 29 de abril de 2012

SERMÃO DA MONTANHA - LIÇÃO 14 – UM CONVITE À ORAÇÃO.


“Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?” (Lc 18,7-8).


  1. INTRODUÇÃO.

Este é definitivamente  um assunto apaixonante a possibilidade de parar o sol, acalmar a tempestade, ressuscitar mortos, levar pecadores ao Senhor, reconciliar irmãos, fertilizar mulheres estéreis pelo exercício da fé. A oração é um mistério ainda a ser revelado integralmente ao povo de Deus. Há tantas perguntas, tantas dúvidas! Porém, aqui, Jesus nos convida à oração. Esse é, com certeza, seu grande propósito nessa palavra.

  1. QUANDO, APARENTEMENTE, A ORAÇÃO NÃO FUNCIONA – exceções que comprovam a regra.

                    I.    Quando o filho pede mal; pedra, cobra ou escorpião.

a)       Tiago 4,2-4 – esbanjar em prazeres.
b)       Tiago 4,24 – amizade do mundo.

É muito natural, pela pista de figura do filho que pede, imaginar que pedimos mal. Alias, a oração ensinada por alguns grandes comunicadores cristãos (livros, TV, radio, conferencias de avivamento, outros) é, em muitos casos, uma pós-graduação em “como pedir mal e ainda receber”, pelo menos é o que concluímos pelos mentirosos na Igreja do que pensamos.

“Se um filho, de 16 anos, pedir o carro pra dar um ‘rolê’, não dê”.

                  II.    Quando o filho não pede ou não pede com todo coração.

A importância da progressão “pedir, buscar e bater” – talvez haja aqui o sentido de progressão ou processo ou diferentes tipos de bênção. Sugerimos algumas trilhas possibilidades:

a)    A estratégia de uma criança (Mt 18,1-5; Mt 21,16).

“Estando à mãe perto e visível, pede; caso contrário, longe, a criança busca; se a mãe estiver inacessível no seu quarto, ela bate(Richard Glover).

Assim é que o filho de Deus REM nessa figura um espelho de sua experiência real. Há situações em que basta pedir (caso de cura da sogra de Pedro – Lc 4,38-39); outras há em que é necessário buscar com insistente humildade (caso do paralitico que desceu pelo telhado – Lc 5,17-26); e ainda outras em que a posição é grande. Nesse caso é preciso bater até quebrar certos protocolos para ver a porta do céu ser aberta (caso de Zaqueu – subiu numa arvore, não dar importância à torcida contra, abrir mão do estilo de vida, abrir mão do dinheiro amado, por ter certeza de que a resposta está logo ali “atrás da porta” – Lc 19,1-10).

b)    A experiência acontece em níveis.

·         Primeiro nível – pedir – é o estágio em que o filho simplesmente pede. Ainda está descobrindo o que “quer” ou quase já sabe, com certeza. Aqui é preciso repetir muito: “seja feita a Tua vontade”.
·         Segundo nível – buscar – o filho já o que quer, ou o que deve querer, mas tem de perseverar (“Não temas, Daniel, disse-me, porque desde o primeiro dia em que aplicaste teu espírito a compreender, e em que te humilhou diante de teu Deus, tua oração foi ouvida, e é por isso que eu vim. O chefe do reino persa resistiu-me durante vinte e um dias; porém Miguel, um dos principais chefes, veio em meu socorro. Permaneci assim ao lado dos reis da Pérsia. Aqui estou para fazer-te compreender o que deve acontecer a teu povo nos últimos dias; pois essa visão diz respeito a tempos longínquos.” Dn 10,12-14). Quase sempre, nesse ponto da caminhada, os obstáculos surgem em maior qualidade. A palavra de oração muda para: “dá-me forças para não desanimar, não desviar, não desistir”; e “confirma a Tua vontade”.
·         Terceiro nível – bater – o filho chega até a resposta, mas “a porta esta fechada”. Precisa bater, insistir, conquistar. Muitas confirmações foram dadas, mas um detalhe final ainda impede. Daí é preciso orar com insistência ainda maior. Não é mais uma petição, mas uma oração de invasão. Agora, sim, a oração é: “Em nome de Jesus: levanta e anda” ou “sai deste homem” ou “caia fogo do céu”. Lembre-se da história de José do Egito no cárcere à espera da lembrança do copeiro no palácio para falar em seu favor. Tudo indicava que logo poderia ser libertado, mas o copeiro não se lembrou de José. Esse era o momento de “bater” – foi quando Faraó sonhou e o copeiro lembrou-se de seu compromisso “de cela” com José.

c)     Tipos de bênçãos I.

·         Para pedir: perdão, cura, socorro, sustento;
·         Para buscar: poder, santificação, crescimento espiritual, dons espirituais;
·         Para bater: libertação, conversões, justiça.

d)    Tipos de bênçãos II

·         Bênçãos da criação e bênçãos da redenção – J. Stott acrescenta outra possibilidade quanto aos tipos de bênçãos, da seguinte forma: ”Ao pensarmos nisso, é preciso diferenciar entre as dádivas como Pai, ou entre os dons da criação e os dons da e amor; na verdade redenção. É realmente verdade que Ele dá certas coisas (colheitas, filhos, alimento, vida), quer oremos ou não, quer creiamos ou não. Ele dá vida e respiração a todos. Ele envia chuva do céu e as estações do ano a todos. Ele faz o sol nascer para os maus e os bons igualmente. Ele visita uma mãe quando ela concebe e, mais tarde, quando ela dá à luz. Nenhum desses dons depende do conhecimento que as pessoas têm do seu Criador ou de orar. Mas os dons divinos da redenção são diferentes. Deus não concede salvação a todos, mas é “rico para todos os que invocam”, pois ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’”.

O mesmo aplica às bênçãos pós-salvação, as “boas dádivas” que Jesus diz que o Pai dá a seus filhos. Não são bênçãos materiais, mas espirituais: perdão diário, livramento do mal, paz, aumenta de fé, esperança e amor; na verdade é a benção completa de Deus na obra do Espírito Santo que habita em nós, que é, como Lucas traduz, as “as boas dádivas”. Por esses dons certamente devemos orar.

Stott conclui dizendo que quando pedimos “o pão de cada dia” na verdade não estamos pedindo, já que sabemos que Ele nos dará de qualquer modo. O que estamos fazendo e isso é correto e bom, é reconhecer nossa dependência de Deus em todas as áreas da vida, especialmente a vital: sobrevivência.

Por fim, neste ponto, ressaltamos que precisamos perseverar em oração, individualmente e como Igreja. Os cristãos costumam dizer que a igreja “tradicional”  tem um problema histórico com a oração. Isso não é verdade. As igrejas históricas evangelizaram o mundo com oração, poder e consagração. A oração deve estar em primeiro lugar:

  • A liderança da igreja deve reunir-se muito mais para orar do que para administrar;
  • Os jovens precisam reunir-se menos para socializar-se e cantar – mais para orar e estudar a Bíblia;
  • As mulheres, as crianças e os lideres das igrejas, especialmente, devem orar mais e compartilhar menos em suas reuniões.

Não se esqueça: estamos verificando as exceções que comprovam a regra: o filho não pode, pode sem “força”, pede mal ou ainda...

                III.    Deus respondeu e o filho não percebeu.

Aprenda com esta pequena “parábola” sobre provocação, tribulação e oração (Rm 8; 2Cor 4,7-18).

“O único sobrevivente de um naufrágio foi parar em uma pequena ilha desabitada, fora de qualquer rota de navegação. Ele orava fervorosamente pedindo a Deus para ser resgatado, mas os dias passavam e nenhum socorro vinha. Mesmo exausto, construiu um pequeno abrigo de madeira para que pudesse se proteger do sol, da chuva e de animais; também para guardar seus poucos pertences. Um dia, saiu em busca de alimento e, quando voltou, encontrou seu abrigo em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça.

Terrivelmente desesperado e revoltado ele gritava chorando: “O pior aconteceu! Perdi tudo! Deus, porque fizeste isso comigo?” chorou tanto que adormeceu profundamente cansado.

  No dia seguinte, bem cedinho, foi despertado pelo sim de um navio que se aproximava:
- Viemos resgatá-lo, disseram.
- Como souberam que eu estava aqui? Perguntou ele.
- Nós vimos o seu sinal de fumaça!”

Essa história ilustra a situação pela qual todos nós passamos ao “acharmos” que a resposta não chegou. A resposta pode ter chegado e você não viu. Já ouviu o “caso” do homem na enchente que não aceitou socorro das pessoas porque tinha certeza do livramento prometido por Deus? Os vizinhos o chamaram  para correr, outros passaram mais tarde com botes, por fim até um helicóptero, mas ele sempre se negava dizendo: Deus vai enviar livramento em resposta a minha oração”. Por fim, morreu. Quando chegou ao céu reclamou com Deus sobre o n ao atendimento de sua prece, ao que o Senhor respondeu: “Enviei vizinhos para ajudá-lo; outros, mais tarde, com botes; até um helicóptero e você não aceitou”.

Enxergar, entender, aceitar e interpretar a resposta é tão importante quanto pedir.

Mas a força do texto bíblico está no desafio de Jesus a uma vida de oração intensa, aguerrida, corajosa, consagrada e sincera. Isto funciona. Veja como.

  1. QUANDO A ORAÇÃO FUNCIONA – A REGRA.

                    I.    Um convite à oração.

Claramente essa palavra de Jesus é um convite à oração. É quase uma provocação do Mestre. Ele, que já havia depreciado a hipocrisia (Mt 6,5-8), agora desfere uma poderosa palavra positiva a respeito da oração sincera, objetiva e fervorosa. Sempre devemos pensar: “Eu preciso orar mais”.

                  II.    A oração funciona.

Faz parte de nossa natureza “material” crer apenas no que se vê. Viver baseado nos códigos do reino dos céus é um constante desafio para os “olhos de nossa alma”.

Vocês se lembram do caso da prisão e primeiro martírio de um apóstolo (Tiago) em At 12,1-19? A Igreja reunida orava pedindo a libertação de Pedro (v 5.12), o Senhor atendeu pronta e milagrosamente (v 6-8), ma Pedro demorou a acreditar (v 9-11). A igreja, em oração, mais ainda titubeou  diante da PRONA e imediata resposta (v 13-16).
Nossa carne é assim mesmo. Quando o cristão ora, abandona os códigos deste mundo e passa a trabalhar com outras leis: as do reino de Deus. Essa foi a lição para Israel na peleja contra os amalaquitas: enquanto Moisés, apoiado por Arão e Hur, levantava as mãos ao céu (oração), Israel prevalecia; quando, porem, ele abaixava, prevalecia Amaleque (Ex 17,8-16). Moisés escreveu isto e deve ter repetido muitas vezes para Josué, a fim de que o moço jamais se esquecesse de que a oração funciona.

Quando Jesus amaldiçoou a figueira sem fruto os discípulos estranharam o fato de ela secar imediatamente. A palavra de Jesus diante da incredibilidade dos seus seguidores foi no sentido de que eles deveriam dores foi no sentido de que eles deveriam passar a andar sobre os trilhos do reino de Deus – invisível, mas real. Deveriam estranhar se nada acontecesse. A oração deve ir tomando conta da nossa alma de modo que a gente estranhe quando nada acontece, e não o contrario – porque a oração funciona, nosso Deus funciona, Jesus esta vivo (Mt 21,18-22).

  1. CONCLUSÃO.

A prática da oração é um desafio que supera comunitariamente. Note que em Mt 7,12 – “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.” – Jesus, abruptamente, volta os olhos dos discípulos para o próximo. Alias, nosso Mestre fez isso nos capítulos 6 e 7; misturou a esmola com a oração e o jejum; a questão do dinheiro e o céu com o vicio do julgamento. Isso quer dizer que o desafio da oração será vencido pelos “filhos do Pai celeste” operando juntos.

Em Mt 6 Jesus incentiva a oração secreta ao Pai e em  Mt 18,19 – “Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus”. Leia também os Salmos 122 e 133. Na oração modelo (Mt 6,9-15), Jesus fala do perdão mútuo vinculado ao perdão divino. A lição da oração é para ser aprendida pela família de Deus.