quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

A Bíblia diz que vamos reconhecer amigos e parentes no céu?

Vamos reconhecer parentes e amigos no céu?

 

(1) A Bíblia fala bastante sobre a vida eterna, sobre o céu, porém não nos dá muitos detalhes a respeito dos pormenores de como será essa nossa vida do outro lado e de que tipo de transformações iremos passar para viver essa vida.

 

Paulo explica que haverá uma transformação de nosso corpo, em um corpo incorruptível para viver a nova realidade da vida eterna com Deus:

 

“num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:52).

 

Apesar de não termos tantos detalhes de pormenores, creio que temos elementos suficientes que nos dão boas pistas para afirmar algumas verdades a respeito tanto da vida no céu quanto a vida no inferno.

 

(2) Alguns afirmam ser impossível que nos reconheçamos no céu, baseados no texto de Apocalipse 21:4: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram”.

 

Segundo eles, o fato de nos reconhecermos no céu levaria ao céu dores que a Bíblia afirma não poderem entrar ali. Ou seja, dores que eram da terra não poderiam adentrar o céu.

 

Além disso, a percepção de que algumas pessoas que conhecemos e amamos não estão ali, mas no inferno, também traria dores, pranto e outras questões que não teriam lugar no céu segundo o texto de Apocalipse.

 

Mas essa visão interpretativa não considera que haverá uma transformação em nós. E se essa transformação realizada por Deus em nós nos permitir saber lidar com tudo que tenha acontecido no passado sem qualquer dor?

 

(3) Em minha visão iremos sim nos reconhecer no céu. Explico porquê. Primeiramente, analisando o texto de Apocalipse 21:4 observamos que ele está fazendo referência a nova realidade que será vivida no céu.

 

Dessa forma, não podemos analisar a nova realidade com base na velha realidade. Observando a Bíblia verificamos que seremos transformados (1 Coríntios 15:53-54). Ou seja, haverá uma transformação tanto da nossa realidade quanto de nosso corpo.

 

Essa transformação realizada por Deus em cada um, certamente é para vivermos a nova realidade do céu. Em minha visão, isso indica que a forma com que vamos encarar as coisas não será mais como quando estávamos em nosso corpo carnal (imperfeito), mas, agora, de uma forma melhor, no corpo espiritual.


Isso, com certeza, nos ajudará a encarar da forma como Deus deseja as realidades tanto de reconhecer pessoas no céu quanto de conseguir lidar com o fato de alguns não terem ido para lá.

 

(4) Outro fato que pesa a favor do argumento de que vamos nos reconhecer no céu, é a parábola contada por Jesus sobre o rico e o mendigo (Lucas 16:19-31).

 

Nessa parábola, o rico morre e vai para o inferno. O mendigo Lázaro morre e vai para o céu. O rico, olhando do inferno para o céu, reconhece o mendigo Lázaro e também Abraão (Lucas 16:23).

 

Isso nos indica que existe ali certo reconhecimento de pessoas tanto no céu quanto no inferno. Evidentemente, essa história se trata de uma parábola de Jesus.

 

Porém, não é plausível admitir que Jesus usaria uma mentira como pano de fundo de um de Seus ensinamentos.

 

Ou seja, Jesus colocaria em sua parábola uma realidade mentirosa sobre o céu e contaria isso para as pessoas? Seria bem estranho Ele fazer isso, não é verdade?

 

Isso nos leva a entender que existem sim elementos verdadeiros usados por Jesus nessa parábola que nos indicam como será a realidade do céu.

 

Sim, iremos nos reconhecer. Como Deus fará isso? Não sabemos ao certo, mas sabemos que será da forma como Deus quer, perfeita. A transformação realizada por Deus será perfeita ao ponto de o fato de nos reconhecermos ser uma bênção e não uma maldição.

 

(5) Algo também muito importante a se pontuar é que a vida eterna é uma continuidade da nossa vida e não uma interrupção dela para que comecemos algo como se nada nunca houvesse acontecido a cada pessoa.

 

Como receberemos os galardões citados na Bíblia se sequer saberemos do que se trata? Parece-me estranho pensar assim. Como um atleta poderia chegar ao pódio e, quando fosse receber a medalha, não saber porque está ali e o que aconteceu para que ele recebesse aquele prêmio?

 

Da mesma forma no céu! Penso que saberemos sim das realidades que vivemos e saberemos glorificar a Deus de forma perfeita por isso. Dessa forma, vamos nos reconhecer no céu, sim.

O que significa “não atarás a boca do boi, quando pisa o trigo?

(1) Paulo extraiu essa frase da lei dada por Deus em Deuteronômio 25:4: “Não atarás a boca ao boi quando debulha”. Debulhar é o processo de tirar a semente ou grão de uma espiga ou da casca (beneficiamento).

 

Por exemplo, debulhar o milho é tirar os grãos da espiga. Era muito comum o uso de animais como os bois para fazer esse processo do beneficiamento de trigo, por exemplo.

 

O animal pisava, e com seu peso, conseguia separar o trigo da sua casca. Depois isso era jogado ao ar. A parte mais pesada (o grão) caia, enquanto as cascas voavam no ar, separando, assim, as duas.

 

O texto citado acima significa que o animal, quando fazendo esse trabalho de pisar, era amordaçado (tinha a boca amarrada) por muitos para que não abocanhasse para si algum trigo.

 

Deus considera essa postura incorreta e ordena que não fosse feita. O animal tinha o direito de se alimentar. Amordaçá-lo era crueldade não permitida na lei.

 

Mas esse verso também ganhou significado proverbial e figurativo, ou seja, virou um ensino interessante não relacionado a animais e que Paulo irá explorar em seus textos!

 

(2) Paulo usa essa lei em duas citações diferentes. A primeira em sua carta aos coríntios, onde fala de seus direitos como apóstolo, focando no direito que tinha de ser sustentado pela obra que realizava, mas que não usava para não provocar qualquer impedimento ao evangelho (1 Coríntios 9:12). Nesse contexto, ele cita:

 

“Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi, quando pisa o trigo. Acaso, é com bois que Deus se preocupa?” (1 Coríntios 9:9). 

 

Paulo usa a lei sobre os bois de Deuteronômio como uma figura também aplicável ao trabalhador humano. A ideia aqui é: Se Deus deu uma lei como essa para abençoar bois, quanto mais a Seus servos trabalhadores!

 

Os que trabalhavam pelo evangelho tinham o direito de tirar seu sustento desse trabalho, assim como o boi que comia um pouco do trigo que debulhava na plantação!

 

(3) O segundo uso que Paulo faz está na carta a Timóteo. Ali o assunto é o mesmo, o direito daqueles que serviam ao Senhor em tempo integral de receber sustento por esse trabalho:

 

“Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário” (1 Timóteo 5:18). 

 

É bem possível que Paulo tenha recebido muitas críticas pelo fato de não usar esse direito do sustento como outros usavam. Ele busca mostrar que o direito do sustento não é incorreto, que é amplamente previsto na lei do Senhor, mas que ele optou por não exercê-lo.

 

Com isso ele mostra que seus amigos de ministério não erravam quando sustentados pelas igrejas e ele também não era menos apóstolo por não aceitar exercer esse direito (naquele momento), embora já tivesse recebido salário em uma fase de seu ministério: “Despojei outras igrejas, recebendo salário, para vos poder servir…” (2 Coríntios 11:8).

 

(4) Concluímos que “não atarás a boca do boi, quando pisa o trigo” é, então, usado na Bíblia tanto como uma lei de proteção e cuidado de animais que faziam esse trabalho de debulhar sementes como também, de forma figurada, aplicada a servos de Deus que trabalhavam integralmente dedicados ao evangelho.

 

Assim como os bois, eles tinham o direto de tirar seu sustento do trabalho que realizavam, isso era justo Assim como os bois, eles tinham muito mais o direto de tirar seu sustento do trabalho que realizavam, isso era justo e correto diante de Deus e deveria ser feito nas comunidades cristãs.


Por que houve 30 minutos de silêncio no céu quando Jesus abriu o 7º selo?

Meia hora de silêncio no céu, qual o significado?

 

(1) O contexto sobre a abertura dos sete selos começa quando João visualiza na mão de Deus um livro escrito por dentro e por fora e selado (Apocalipse 5:1). Nessa visão ninguém se achava digno de abrir esse livro selado, o que levou o  Apóstolo João a chorar copiosamente:

 

“e eu chorava muito, porque ninguém foi achado digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para ele” (Apocalipse 5:4).

 

Mas João é lembrado por um dos anciãos de que existe alguém digno de abrir esse livro, e esse alguém é o Senhor Jesus Cristo:

 

“Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos” (Apocalipse 5:5).

 

(2) A narrativa segue com Jesus abrindo cada um dos selos, que geram uma série de acontecimentos no mundo. Mas iremos focar neste estudo na abertura do último selo, que é o sétimo. Quando Jesus o abre, o texto nos narra o seguinte:

 

“Quando o Cordeiro abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu cerca de meia hora” (Apocalipse 8:1). Por que o céu ficou silencioso por 30 minutos diante da abertura desse sétimo selo?

 

Temos aqui pelos menos duas interpretações muito interessantes sobre essa meia hora de silêncio no céu que passo a explicar na sequência:

 

(3) Em primeiro lugar, essa meia hora de silêncio seria o céu que está em êxtase diante do cumprimento da palavra de Deus, ou seja, da chegada da segunda vinda de Cristo!

 

Seria algo como um tempo de admiração, de expectativa, de atenção de todas as criaturas celestes de Deus diante do ponto mais importante da história que estava se desenrolando, que é a proximidade da segunda vinda de Jesus e seu Juízo final!

 

Em outra parte da Bíblia temos um registro semelhante sobre esse tipo de silêncio. Veja como o profeta fala sobre essa presença viva de Deus governando a história: “O SENHOR, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Habacuque 2:20).

 

Talvez tenhamos nesse silêncio de 30 minutos exatamente essa ideia! Todos se calam diante da presença viva de Deus e do desenrolar de Seu plano! Todos estão focados, observando o que está para acontecer!

 

(4) Uma segunda possibilidade interessante é que esse silêncio de 30 minutos no céu indica que os santos estavam orando a Deus, e as orações deles estavam sendo ouvidas e recebidas pelo Senhor, daí um silêncio total, representando algo importante que estava acontecendo:

 

“e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos (Apocalipse 8:4).

 

Lembramos que aqui “santos” são os servos de Deus que estão intercedendo ao Senhor. O Senhor responde a essas orações, derramando juízo sobre a terra, isso é feito na sequência onde as 7 trombetas são tocadas.

 

É importante lembrar também que no Velho Testamento o incenso queimado do tabernáculo e  no templo representavam as orações dos servos de Deus sendo aceitas na presença do Senhor e subindo até Ele (Salmos 141:2).

 

Qual das duas interpretações é a mais correta em sua opinião?

 

(5) Qualquer uma das interpretações nos indica algo fascinante: o céu está vivo, atento, os acontecimentos estão se desenrolando, o Dia da vinda de Cristo se aproxima e os servos do Senhor continuam confiando e orando a Deus, nosso Senhor todo poderoso!

 

Ele tem a história em Suas mãos e todos ficam emudecidos diante da Sua presença, diante do Seu poder e da Sua grandeza! Glórias sejam dadas ao Senhor Jesus Cristo!

Como fazer um propósito com Deus?

 Marco Antonio Lana (Teólogo - Biblista)

 

Um propósito com Deus deve ser feito apenas por devoção ou gratidão a Deus. Não serve como uma forma de negociar com Deus. Antes de fazer um propósito com Deus, analise bem suas intenções.

 

Na prática, fazer um propósito com Deus é a mesma coisa que fazer uma promessa. Você se compromete a fazer algo. A Bíblia avisa que isso não é brincadeira. É melhor não prometer do que prometer e não cumprir (Eclesiastes 5:4-5). Tome cuidado ao fazer um propósito com Deus.

 

Qual é o propósito do propósito?

 

Essa é a primeira pergunta que você deve fazer: por que quero fazer esse propósito com Deus?

 

Você poderá fazer um propósito para se dedicar mais a Deus ou às coisas de Deus. O tempo do propósito servirá então para você se aproximar mais de Deus e aprofundar seu relacionamento com Ele. Um propósito desses também pode ajudar a ouvir melhor a voz de Deus. Um exemplo é o propósito de fazer um jejum.


Outro tipo de propósito que você pode fazer é por gratidão. Algumas pessoas fazem um propósito com Deus para agradecer por algo que Ele fez. Isso é uma forma de dar glória a Deus por Sua bondade (Salmos 116:17-19).

 

Mas um propósito com Deus não serve como negócio. Deus não dá bênçãos por você prometer algo em volta. Você não pode comprar a bênção. Deus dá de graça, como Ele quer. Ele não tem nenhuma obrigação de lhe dar alguma coisa quando você faz um propósito com Ele. Se você fizer um propósito com Deus, deve ser por amor e dedicação a Ele, não como troca comercial.

 

Como fazer o propósito com Deus

 

Depois de analisar por que você quer fazer o propósito, você precisa pensar no que você vai fazer. Essa é outra coisa com que você precisa tomar muito cuidado. Deus não quer que você se machuque ou faça mal a outra pessoa.

 

Analise sua situação e decida se sua ideia é possível e segura. Não prometa fazer algo que está fora de seu alcance, como doar mais dinheiro do que você tem ou fazer um jejum mais prolongado do que seu corpo aguenta. Faça um propósito que você sabe que consegue cumprir.

 

Decida como você vai fazer seu propósito com Deus e cumpra! Mas, se você descobrir que seu propósito não é bom ou sentir de Deus que não deve continuar, pare. Não faça algo que vai lhe prejudicar.


Fiz um propósito com Deus que não consigo cumprir. O que faço?

 

Peça perdão a Deus por ter feito um propósito insensato. Deus sempre perdoa quem se arrepende (1 João 1:9). Ele não lhe vai obrigar a fazer algo que você não consegue. Mas isso não significa que você pode fazer continuamente propósitos com Deus de maneira irresponsável. Da próxima vez, pense melhor sobre o propósito antes de se comprometer.

domingo, 6 de fevereiro de 2022

O QUE NAO HAVERÁ NO CÉU (TERRA)?

Pergunte a uma pessoa comum no meio da rua o que ele pensa sobre o “céu”. Ele provavelmente descreverá um lugar onde não haverá nada do que gostamos aqui nessa vida. 

 

Na cabeça de muitos, coisas como cores vibrantes, boa comida, música alta, amigos próximos e atividade física estarão ausentes no céu. Eles imaginam um lugar em que tudo é branco, esterilizado e, geralmente, quieto – como um hospital cósmico ou uma grande biblioteca nas nuvens. Os habitantes são espíritos desencarnados flutuando por aí, vestidos de couro branco, sentados em bolas de nuvem de algodão e tocando pequenas harpas por toda a eternidade. É como um catálogo da Precious Moments – o oposto de algo animado, apaixonante e eternamente agradável. (Sem querer ofender aqueles que colecionam estatuetas de figuras aladas).

 

A triste realidade é que, normalmente, nós cristãos deixamos que o nosso entendimento sobre o céu seja contaminado com a cultura em que vivemos. Hallmark não deve definir o que é o céu para nós. Hollywood não deve definir o que é o céu para nós. Séculos de tradição monástica não devem definir o que é o céu para nós.

 

Ao contrário, somente a Palavra de Deus pode informar corretamente como devemos entender o céu. E, quando vamos à Escritura, nós descobrimos que o nosso futuro lar é qualquer coisa, menos um lugar chato, parado e entediante.

 

Particularmente, o céu (o qual Apocalipse 21 e 22 descreve como nova terra) será um lugar de cores vibrantes (Apocalipse 21.19-21; 4.3), com boa comida (22.2; 19.7-9), com música alta (5.8-13), de amizade íntima – com o próprio Deus (22.2; 19.7-9) e agradáveis atividades físicas (21.24-26; 1 Coríntios 15.35-49).

 

O melhor dessa vida não pode ser comparado com o céu. As melhores emoções, as melhores alegrias, as melhores memórias que temos nessa vida são apenas sombras. O mais maravilhoso, profundo, afetivo, emocionante e gratificante momento neste mundo não se compara nem com uma vela perto do sol brilhante que é a experiência no céu.

 

Ironicamente, muito do que as pessoas gostam nessa vida e assumem que não estará no céu estará lá, porém será infinitamente melhor e perfeito.

 

Então por que escrever um post cujo título é “O que não haverá no céu”?

 

Porque, de fato, há alguns significantes aspectos de nossa atual experiência que estarão ausentes no céu. Para entendermos certo o quão maravilhoso o céu será, precisamos saber não só o que haverá no céu… mas, também, o que não estará lá.

 

É por isso que em Apocalipse 21-22, o apóstolo João gasta um bom tempo descrevendo a nova terra, contando o que não haverá no céu, assim como ele o faz dizendo o que haverá lá.

 

O que não haverá no céu? Segue uma lista de 17 itens que João afirma que não estarão na nova terra. Cada um deles representa algum aspecto da queda, rebelião ou julgamento divino relacionado a este mundo presente. E não haverá sinal de corrupção ou julgamento no mundo que virá.

 

  1. Não haverá mar (Apocalipse 21.1) – Na Escritura, o mar é normalmente uma representação do mal, desordem e caos. Além disso, os oceanos, como hoje conhecemos, é resultado do julgamento dado por Deus no Dilúvio (Gênesis 6-8).
  2. Não haverá separação entre Deus e o homem (vv. 2-3)
  3. Não haverá lágrima, luto e pranto (v.4)
  4. Não haverá dor (v.4)
  5. Não haverá morte (v.4)
  6. Não haverá nada que não será feito novo (v.5)
  7. Não haverá sede espiritual (v.6)
  8. Não haverá pecador não redimido – quem João lista como covarde, descrente, abominável, assassino, imoral, feiticeiros, idólatras e mentirosos (v.8); ninguém pratique abominação e mentira (v.27)
  9. Não haverá templo (v.22) – porque Deus é o templo
  10. Não haverá necessidade de sol e lua (v. 23; 22.5) – porque Deus é a luz
  11. Não haverá necessidade de lâmpada (v. 23; 22.5)
  12. Não haverá noite (v. 25; 22.5) – e presumivelmente necessidade de que os santos ressuscitados durmam13. Não haverá fechamento dos portões da Nova Jerusalém (v.25)
  13. Não haverá sujeira (v. 27)
  14. Não haverá ninguém cujo nome não estará escrito no livro da vida do Cordeiro (v.27)
  15. Não haverá maldição (22.3)
  16. O eterno reino de Cristo e seus redimidos não terá fim (22.5)

 

Um pequeno artigo de blog não nos permite entrar em detalhes sobre esses itens. Mas a ideia central precisa estar clara:

 

Com o fim de destacar a grandeza da nova terra, João contrasta a nova terra com esta, enfatizando aspectos do mundo caído que não estarão no céu. Porque o pecado e a suas consequências corrompidas são parte normal desta vida. O apóstolo precisa ir longe para enfatizar que absolutamente nada disso estará presente na vida que há de vir.

Temos duas árvores do jardim do Éden?

(1) No capítulo 2 de Gênesis, onde temos uma menção mais detalhada da criação realizada no capítulo 1, observamos um detalhamento da parte da criação das plantas. Vejamos:

 

“Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gênesis 2:9). 

 

Chama a atenção o destaque especial para essas duas árvores. Muitas dúvidas já foram levantadas sobre essas duas árvores, se eram literais ou reais e apenas representam um simbolismo.

 

Vamos examinar duas posições bem interessantes sobre isso:

 

(i) As duas árvores eram plantas reais, mas o efeito delas era simbólico?

 

Isso significa que essas árvores realmente existiram, porém, não tinham em si mesmas algum tipo de poder. Deus as teria escolhido para simbolizar a realidade que Ele queria destacar ao homem.

 

Ou seja, a vida eterna debaixo da obediência a Ele.

 

Quando comia da árvore da vida o homem trazia essa realizada ao seu coração e quando obedecia ao Senhor não comendo da árvore do conhecimento do bem e do mal, o homem também vivia de forma real esse simbolismo de plenitude que a árvore trazia.

 

(ii) As duas árvores eram plantas reais e possuíam propriedades especiais nos frutos?

 

Os que pensam nesse significado defendem que as árvores de fato existiram e que, além de existirem, tinham propriedades especiais em seus frutos (no caso da árvore da vida, uma propriedade especial de fornecer a vida; e no caso da outra árvore, o não comer o fruto é que mantinha o homem longe da queda e, consequentemente, tendo vida eterna).

 

(2) Pessoalmente prefiro a primeira interpretação, pois a Bíblia como um todo, por diversas vezes, usa esse sistema de “sacramentos” (algo visível para comunicar algo invisível) para comunicar verdades ao ser humano.

 

Por exemplo, a água é um elemento visível que no batismo comunica uma realidade invisível, ou seja, a conversão do coração de uma pessoa, que ocorre no interior dela.

 

Também temos o pão e o suco da videira, elementos visíveis que comunicam os efeitos da morte de Cristo, o derramamento de Seu sangue na cruz pelos pecadores.

 

Sendo assim, as duas árvores de Gênesis poderiam sim ser reais e terem sido usadas por Deus como um símbolo da vontade Dele ao ser humano de que comessem do que Deus mandou comer e se afastassem do que Deus mandou se afastar!

 

(3) Falemos agora um pouco sobre significados: A árvore da vida aponta para a plenitude da vida que encontramos dentro da vontade de Deus.

 

Dentro da vontade do Pai podemos viver de forma plena, feliz, pacífica, realmente completa.

 

Interessante notar que essa árvore da vida é novamente citada em Apocalipse (2:7; 22:2; 22:14; 22:19), mostrando que Deus a coloca novamente na história (de forma real, mas com significado simbólico novamente) no final dos tempos.

 

A árvore do conhecimento do bem e do mal é citada como sendo atrativa, boa, agradável (Gênesis 3:6), porém, tomar do fruto dela era andar na estrada da desobediência ao Senhor, um caminho que levou sim ao conhecimento do bem e do mal, porém, também para a destruição, pois não existe vida plena longe da vontade do Senhor.

 

Essa árvore não é mais citada na Bíblia. Não estará no céu, pois, no novo céu e nova terra não haverá mais possibilidade de entrada do pecado!

 

Por que Isaías 45:7 diz que Deus é o criador do mal?

Marco Antonio Lana (Teólogo - Biblista)
 

 

(1) De fato, o texto de Isaías, se considerado de forma isolada, causa certa confusão, veja: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” (Isaías 45:7).

 

Para a compreensão desse texto, primeiro falemos um pouco do contexto: Deus está trazendo uma profecia sobre um homem que Ele mesmo levantaria no futuro, que iria se chamar Ciro (Isaías 45:1).

 

Esse homem não seria alguém que conheceria a Deus, seria um pagão (Isaías 45:4), mas Deus iria usá-lo para trazer juízo a muitas nações (Isaías 45:2). Ciro seria também usado para abençoar a Israel (Isaías 45:4).

 

De fato, Ciro teve importante papel na volta de Israel do exílio babilônico muito tempo depois dessa profecia de Isaías, conforme nos mostra o texto bíblico (Esdras 1:1).

 

(2) Porém, no texto Deus deixa claro que Ele, o Senhor, é quem está na direção de todo esse poder que Ciro teria. Deus diz frases interessantes que mostram isso, como:

 

“Eu irei adiante de ti, endireitarei os caminhos tortuosos, quebrarei as portas de bronze e despedaçarei as trancas de ferro” (Isaías 45:2).

 

Observe a ênfase no próprio Deus agindo por meio de Ciro. Deus queria deixar isso muito claro. Deus também fala de Sua grandeza, soberania e autoridade para fazer essa profecia se realizar:

 

“Eu sou o SENHOR, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheces” (Isaías 45:5). 

 

Dentro desse contexto temos a frase objetivo de nossa análise, onde Deus diz que “cria as trevas” e “cria o mal”. Vamos compreender melhor agora cada uma dessas expressões dentro desse contexto:

 

(3) Deus faz dois contrastes que precisam ficar claros:

 

(i) formo a luz e crio as trevas

 

Observe que no primeiro contraste temos a menção de luz e trevas que, nesse contexto, apontam para a bênção de Deus a Israel (luz) e o terrível juízo que Deus traria a muitos povos (trevas).

 

No contexto, Deus traria através de Ciro bênçãos ao povo de Israel (luz) e juízo para os povos conquistados por Ciro (trevas).

 

Não temos no primeiro contraste nenhuma intenção de apontar Deus como criador do pecado, do que é maligno, do mal moral, mas sim de Deus no controle da bênção derramada e também do juízo que traria muitas dores a muitos.

 

(ii) faço a paz e crio o mal

 

Esse contraste fica ainda mais claro. Observe que paz não é o contrário de mal, mas de guerra, de calamidade, de desordem.

 

E é exatamente esse o foco aqui. Deus mostra que tem o poder em Suas mãos tanto de fazer as condições para a paz (no caso, aqui, da paz sobre Israel que seria conduzida futuramente de volta do cativeiro) como para criar as condições para a calamidade, para o juízo sobre pessoas e povos.

 

E ele fará isso, pois tem o poder em Suas mãos. Trará novamente seu povo de Israel para o caminho da paz e sobre muitas nações malignas trará calamidades, destruição, trará esse “mal” a elas.

 

(4) Portanto, fica claro aqui que o profeta Isaías de forma alguma está ensinando que Deus é o criador do pecado, do mal moral, antes, a Bíblia afirma que Deus é amor (1 João 4:8).

 

Mas também afirma que Deus é justo juiz (Salmos 7:11) e é exatamente no papel de juiz que Ele é mencionado em diversos textos aplicando Sua justiça sobre nações conforme Seu julgamento preciso e conforme Sua soberania plena sobre tudo e todos!

O sol e a lua pararam seu movimento normal no céu?

 Marco Antonio Lana (Teólogo - Biblista)

 

(1) O texto onde encontramos essa narrativa é Josué 10:12: “Então, Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus nas mãos dos filhos de Israel; e disse na presença dos israelitas: Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom”.

 

A primeira coisa a se observar nesse texto é o que ele está descrevendo. Nesse ponto temos duas interpretações que são levantadas para o que significa “Sol, detém-te em Gibeão, e tu, lua, no vale de Aijalom”: 

 

O Sol realmente parou no céu e houve um dia com mais horas:

 

a) Alguns pensam que Deus prolongou o dia para que Josué terminasse a batalha. Isso implicaria em aumentar o número de horas de um dia, o que teria causado muitos impactos de forma global.

 

Inclusive, pensam alguns, que esse acontecimento gerou o que chamamos de ano bissexto… Será? Não sabemos!

 

Os que pensam que essa seria a interpretação correta argumentam que para Deus não existem impossíveis e que o verso de Josué 10:13 indicaria claramente isso:

 

“E o sol se deteve, e a lua parou até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no Livro dos Justos? O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro.”

 

O Sol e a Lua seguiram seu curso normal, o que houve foi alívio do brilho do sol:

 

b) Outros pensam que o que Josué buscou foi sombra, ou seja, que Deus de alguma forma os protegesse do brilho forte do sol e assim, com uma temperatura mais amena, eles teriam mais energia para a batalha.

 

Isso poderia ter sido feito com uma nuvem, por exemplo, à semelhança da nuvem que protegeu o povo de Israel do sol forte na caminhada no deserto.

 

Esses afirmam que a palavra traduzida para o português “deteve” (em 10:13), no hebraico é “Ìamad”, que significa algo como “fique quieto, silencioso ou parado“; e então “descanse”. Seria então Deus dando alívio da ação costumeira do sol a eles.

 

(2) Dito isto, considerando que a primeira explicação fosse a correta e tivéssemos nesse texto a descrição de Deus “parando” o sol e estendendo a luz do dia por mais horas, devemos compreender que a narrativa não tem o objetivo de trabalhar a parte científica dos movimentos dos astros.

 

Até porque nessa época ainda não se entendia dessas questões plenamente. O objetivo da narrativa é descrever o fato ocorrido da perspectiva de quem o estava observando.

 

Nesse sentido, considerando essa primeira hipótese do sol e da lua terem “parado” no céu, isso seria exatamente o que uma pessoa estaria vendo aqui da terra. Quando olhamos o sol, a impressão que temos é que ele se movimenta no céu.

 

(3) A narrativa feita dessa forma, então, não é um erro, até porque expressões como essa são comuns e são usadas até mesmo em nossos tempos modernos:

 

Quando dizemos, por exemplo, que “o sol vai se pôs” também estamos dizendo algo com base na perspectiva da observação e não científica, pois, o correto a se dizer é que a terra está em seu movimento de rotação e a luz do sol vai deixando de incidir naquele local em que estamos.

 

Assim, a Bíblia não está errada, mas correta em sua descrição, que foi feita da perspectiva da observação do autor!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Quem são os cães mencionados em Apocalipse?

(1) A primeira coisa a se observar é que o contexto que observamos é o fechamento do livro de Apocalipse, onde temos a finalização de toda a obra que Deus fará em Seu juízo final.

 

 

Nesse contexto há um contraste que, primeiramente, fala sobre aqueles que irão entrar no céu: “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas” (Apocalipse 22,14).

 

Observe que o autor em nada está falando sobre o estado dos animais no céu, mas sobre as felizes pessoas que foram salvas por Jesus Cristo (Cordeiro sacrificado por elas) e têm agora o direito a entrar na cidade (céu) pelas portas.

 

(2) Em seguida, o apóstolo João traz uma lista de quem ficará fora dessa cidade. Nessa lista observamos diversas práticas pecaminosas que identificam essas pessoas:

 

“Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira” (Apocalipse 22,15).

 

Com o que sabemos até agora fica claro que “cães” usado aqui não se trata de uma fala sobre animais, mas algum tipo de característica pecaminosa apontada pela palavra “cão” usada de forma figurada. Mas qual seria esse pecado ou característica pecaminosa?

 

(3) Partimos agora para a análise da palavra usada nos originais em grego. A palavra usada é a palavra grega “kuon”, que significa “cachorro”, mas que, também, é usada de forma figurada para apontar “pessoas de mente impura, de mente sem vergonha, nojenta”.

 

Podemos usar aqui outras traduções da Bíblia para nos ajudar a entender ainda mais o termo. Até aqui estamos usando a tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada (ARA), que traduz “kuon” por “cães”. Vejamos como traduz a Nova Tradução da Linguagem de Hoje (NTLH):

 

“Mas fora da cidade estão os que cometem pecados nojentos, os feiticeiros, os imorais e os assassinos, os que adoram ídolos e os que gostam de mentir por palavras e ações” (Apocalipse 22,15).

 

(4) Dessa forma, conseguimos então esclarecer que esses cães mencionados em Apocalipse são exatamente pessoas de mente impura, que são guiadas por suas mentes cheias de impureza a cometer pecados nojentos que desagradam profundamente a Deus.

 

Nesse texto Deus deixa claro que em Seu reino todo mal será excluído e toda forma de pecado não entrará no céu, fazendo com que o céu seja um local totalmente livre de qualquer contaminação do pecado.

 

É por isso que a ação de Jesus Cristo na vida do pecador arrependido o purifica de todo pecado, dando a Ele nova mente e novas ações!

 

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5,17)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

PREPARO PARA ENCONTRAR COM DEUS

AMÓS 4:12 – Portanto, assim te farei, ó Israel! E porque isso te farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus.

 

INTRODUÇÃO

 

Deus convida o povo rebelde de Israel que sofreu vários juízos de Deus: falta de pão, gafanhotos, peste, guerras e nem assim se arrependeu. Portanto, só resta se preparar para o encontro com Deus. Assim vive o homem de hoje.

 

DESENVOLVIMENTO

 

Um dia, nós nos encontraremos com Deus. Isso é uma realidade que não podemos negar. A questão é: Você está preparado para esse encontro?

 

0 preparo para o encontro com Deus requer santificação: “Santificação, sem a qual ninguém verá a Deus;” (Heb 12:14).

 

O que é santificar-se? É estar separado do mundo e se entregar ao Senhor e fazer a sua vontade.

 

O que santifica o homem? A Palavra, dons, oração, jejum, enfim, os meios de graça.

 

O que devo fazer para estar verdadeiramente preparado para encontrar com Deus?

 

1. Ouvir e praticar a Palavra: Luc 6:48 – Homem prudente.

 

2. Confessar Jesus como Senhor: “Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10:9).

 

3- Obedecer- “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.” (Atos 5: 29), Entre outros.

 

4- Vigiar –“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. Mateus 26:41.

 

CONCLUSÃO

 

Nós precisamos estar preparados para o encontro com Deus. Não sabemos o dia nem a hora.