sábado, 16 de maio de 2015

OS 10 MANDAMENTOS - NÃO FURTARÁS




OITAVO MANDAMENTO – NÃO FURTARÁS

“Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.” (Ef 4,28)

O oitavo mandamento diz respeito à proteção da propriedade e abrange grande número de modalidade de furto sobre os quais o cristão precisa vigiar para não cair nas ciladas do diabo.

“15 Não furtarás.” (Êx 20,15).

“1 SE alguém furtar boi ou ovelha, e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois, e pela ovelha quatro ovelhas. 2  Se o ladrão for achado roubando, e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue. 3  Se o sol houver saído sobre ele, o agressor será culpado do sangue; o ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto. 4  Se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha, pagará o dobro. 5  Se alguém fizer pastar o seu animal num campo ou numa vinha, e largá-lo para comer no campo de outro, o melhor do seu próprio campo e o melhor da sua própria vinha restituirá. 6  Se irromper um fogo, e pegar nos espinhos, e queimar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquele que acendeu o fogo totalmente pagará o queimado. 7  Se alguém der ao seu próximo dinheiro, ou bens, a guardar, e isso for furtado da casa daquele homem, o ladrão, se for achado, pagará o dobro. 8  Se o ladrão não for achado, então o dono da casa será levado diante dos juízes, a ver se não pôs a sua mão nos bens do seu próximo. 9  Sobre todo o negócio fraudulento, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miúdo, sobre roupa, sobre toda a coisa perdida, de que alguém disser que é sua, a causa de ambos será levada perante os juízes; aquele a quem condenarem os juízes pagará em dobro ao seu próximo.” (Êx 22,1-9).

I.              INTRODUÇÃO.

O oitavo mandamento é o terceiro da série de proibição absoluta expresso com duas palavras e fala basicamente sobre dinheiro e bens, trabalho e negócios. Não pode haver paz numa sociedade se não houver respeito mútuo pela propriedade. Todo ser humano tem o direito de possuir bens e propriedades e, tendo conseguido as coisas de maneira licita, ninguém tem o direito de privá-lo de suas conquistas.

II.            O OITAVO MANDAMENTO.

1.    Abrangência. Numa leitura superficial, parece tratar-se apenas da proibição de simples furto ou mesmo da aquisição ilegítima de propriedades ou possessões de outras pessoas ou grupos. Mas o mandamento vai muito, além disso. Diz respeito a qualquer negócio com vantagem ilícita e que deixe o outro no prejuízo (Lv 6,2; 19,11.13). Estende-se ainda à provisão de emprego para que todos possam ganhar seu sustento de maneira digna e honrada, e isso envolve justiça social (Pv 14,34). Este é o grande desafio dos governantes no mundo inteiro.

2.    Objetivo. O propósito do mandamento “não furtará” (Êx 20,15; Dt 5,19) é a proteção e o respeito pelos bens alheios e pelo próximo. Vinculado a este mandamento está o trabalho como recurso para que cada um possa obter o sustento de sua família de maneira digna (Ef 4,28). A legislação é dada a Israel numa estrutura hipotética utilizando-se de suposições, um estilo de fácil compreensão (Ex 22,1-15). A desonestidade em todas as suas modalidades é um câncer na sociedade, um mal que precisa ser erradicado.

3.    Contexto. Segundo a tradição rabínica, o sentido primário deste mandamento era a proibição de rapto de pessoas para serem vendidas como escravos. O mesmo verbo hebraico ganav, “furtar”, é usado para tráfico de pessoas (Êx 21,16; Dt 24,7). Esse tipo de crime era comum naquela época; o rapto de José do Egito é uma amostra daquele contexto social (Gn 37,22-28). O Novo Testamento menciona essa prática perversa (1Tm 1,10). A interpretação rabínica é aceitável e tem apoio da maioria dos expositores do Antigo Testamento, mas o oitavo mandamento não se restringe a isso.


III.           LEGISLAÇÃO MOSAICA SOBRE O FURTO.

1.    A pena por furtos de bois e ovelhas. A estrutura do sistema mosaico, aqui, pertence ao campo jurídico. Na nova aliança, ao campo espiritual (1Cor 6,10). A pena para quem furtasse animais em Israel era a restituição de cinco para cada boi e de quatro para cada ovelha (Êx 22,1). Era uma pena mais leve que a do Código de Hamurabi, cuja restituição era de trinta vezes para cada animal. Mas, se o animal estivesse vivo, a punição era restituir o dobro (Êx 22,4). A pena era atenuada ainda mais se o ladrão confessasse voluntariamente o furto: seria então de vinte por cento (Lv 6,4-5).

2.    Furto à noite com arrombamento da casa. Segundo a lei, se o dono da casa se deparar com o ladrão dentro de casa à noite e o matar, ele “não será culpado de sangue” (Êx 22,2). Não se trata, pois, de um assassinato premeditado (Êx 21,12-13); alem disso, a escuridão nem sempre permite identificar o ladrão, e o tal arrombador também pode estar armado, o dono da casa pode ainda alegar legitima defesa.

3.    O ladrão de dia. A lei protege a vida do ladrão. Se ele for apanhado em flagrante durante o dia, o dono da casa “será culpado de sangue” se o matar (Êx 22,3ª). Nesse caso, a pena aplicada ao ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto (Êx 22,3b). Esse trecho parece ter sido deslocado do versículo 1. Se o ladrão capturado se não tiver como restituir o roubo, como manda a lei, ele será vendido como escravo; dentro do regime mosaico, espera-se com isso que ele aprenda a lição (Êx 21,2).

IV.          SOBRE OS DANOS MATERIAIS.

1.    Animal solto. Aqui a lei fala sobre a responsabilidade de cada um pelo bem-estar da sociedade. Quem possui animais deve ter o cuidado para não perturbar o vizinho. O texto se refere à destruição no campo, na lavoura ou nas demais plantações. O dono do animal é condenado pela lei a indenizar o proprietário prejudicado com o melhor de seu campo. Visto que o estrago no campo, ou na vinha do outro, não foi voluntario, ele apenas largou o animal deixando-o solto – “Se alguém fizer pastar o seu animal num campo ou numa vinha, e largá-lo para comer no campo de outro, o melhor do seu próprio campo e o melhor da sua própria vinha restituirá.” (Êx 22,5).

2.    A queimada involuntária. A lei responsabiliza o culpado pela destruição da propriedade da propriedade, ou lavoura de outrem por descuido que tenha levado o fogo a queimá-lo – “Se irromper um fogo, e pegar nos espinhos, e queimar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquele que acendeu o fogo totalmente pagará o queimado.” (Êx 22,6). O responsável pelo estrago em de reparar os prejuízos indenizando o proprietário prejudicado. Havia na Palestina cerca de setenta espécies de espinhos que serviam de muros divisórios de propriedades e rodeavam plantações de trigo (Is 5,5). Isso gerava também conflitos na demarcação de terás (Dt 19,14; Dt 27,17; Pv 22,28).

3.    O furto e o ladrão. A lei aqui trata da guarda de dinheiros e bens. O termo usado para “prata”, em hebraico é kessef, “dinheiro” e “objetos” e kelim, “artigos, utensílios, vasos” traduzido também por “traje, roupa, veste” (Dt 22,5). Se alguma dessas coisas estiver sob a proteção de alguém e for roubada, o ladrão retribuirá em dobro caso seja descoberto (Êx 22,7). Mas, e o autor do furto não for encontrado, o responsável pela custódia terá de provar sua inocência diante dos Juízes (Êx 22,8)

V.            O TRABALHO.

1.    Uma benção. No jardim do Éden, deus pôs o homem para trabalhar, mesmo antes da queda (Gn 1,26-28; Gn 2,15). A Bíblia está cheia de ensinamentos sobre o trabalho (Êx 34,21; 2Ts 3,10). O trabalho realiza o ser o humano. O que pode, às vezes, fazer disso um tédio é os baixos salários, as péssimas condições de trabalho e a opressão dos maus patrões (Tg 5,4-6), mas o trabalho em si é gratificante (Ec 3,22). O patrão deve ter o cuidado para não atrasar o pagamento de seus empregados (Lv 19,13) e estes devem ser honestos naquilo que fazem e dizem (Cl 3,22-25).

2.    Os bens. Jesus renunciou à riqueza (2Cor 8,9; Fp 2,6-7) e, pelo que parece, esperava o mesmo dos discípulos  (Lc 9,3; 10,4; 14,33). Alem disso Jesus mandou que o moço rico desses seus bens aos pobres (Mt 19,21), mas não exigiu isso de Zaqueu, que se prontificou livremente em doar metade de seus bens aos pobres (Lc 19,8). Não é requerido voto de pobreza para ser cristão, mas a riqueza pode ser um tropeço na vida cristã (Mt 13,22). A fé cristã não condena os bens materiais, desde que adquiridos com honestidade. É o amor ao dinheiro, e não o dinheiro em si, a raiz de toda a espécie de males (1Tm  6,9-10).

3.    O Novo Testamento. O oitavo mandamento é reafirmado diversas vezes  no NT (Mt 15,19; Rm 2,21; 13,9; 1Pd 4,15), mas adaptado à graça, pois em na novas sanções previstas no sistema mosaico não aparecem na Nova Aliança. O Senhor Jesus disse: “Meu pai trabalha ate agora, e eu trabalho também” (Jo 5,17). O apostolo Paulo encoraja o trabalho não somente para o sustento da família (1Tm 5,8), mas também para que cada um contribua para suprir a necessidade do próximo (2Cor Cap 8-9).

VI.          CONCLUSAO.

O cristão deve ter bom testemunho (1Cor 10,32) e exalar o bom perfume de Cristo (2Cor 2,15) onde viver e por onde passar, e dessa maneira Deus será glorificado (Mt 5,16).

LEITURAS

“E quem raptar um homem, e o vender, ou for achado na sua mão, certamente será morto.” (Êx 21,16) - O oitavo mandamento diz respeito ao sequestrador.

“11 Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de falsidade cada um com o seu próximo; 12 Nem jurareis falso pelo meu nome, pois profanarás o nome do teu Deus. Eu sou o SENHOR. 13 Não oprimirão o teu próximo, nem o roubarás; a paga do diarista não ficará contigo até pela manhã.” (Lv 19,11-13) – o dever de não atrasar intencionalmente o pagamento.

“13  Na tua bolsa não terás pesos diversos, um grande e um pequeno. 14  Na tua casa não terás dois tipos de efa, um grande e um pequeno. 15  Peso inteiro e justo terás; efa inteiro e justo terás; para que se prolonguem os teus dias na terra que te dará o SENHOR teu Deus. 16  Porque abominação é ao SENHOR teu Deus todo aquele que faz isto, todo aquele que fizer injustiça.” (Dt 25,13-16) – O dever de não usar de dois pesos e duas medidas.

“24 O que rouba a seu próprio pai, ou a sua mãe, e diz: Não é transgressão, companheiro é do homem destruidor.” (Pv 28,24) – Apropriação indébita é roubo, ainda que as coisa pertençam aos pais.

“18 Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho;” (Mt 19,18) – O Senhor Jesus reconheceu a autoridade do oitavo testamento.


“10 nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” (1Cor 6,10). – Os roubadores não herdaram o Reino do céu.

Marco Antonio Lana (Teólogo)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

CBO - Classificação Brasileiro de Ocupações - MTE

CBO – Classificação Brasileira de Ocupações – MTE

 
Categorias: Religião
 
O brasileiro consagrado por ocupação tem direito a contribuir para previdência social. Essa classificação existia também para imigrantes no Reino Unido, antes havia uma classificação para clérigos de outras nacionalidades, mas foi restringida depois da adoção de um sistema de pontos.Mais informações no departamento de imigração do UK.

2631 :: Ministros de culto, missionários, teólogos e profissionais assemelhados

Títulos
2631-05 – Ministro de culto religioso
Abade, Abadessa, Administrador apostólico, Administrador paroquial, Agaipi, Agbagigan, Agente de pastoral, Agonjaí, Alabê, Alapini, Alayan, Ancião, Apóstolo, Arcebispo, Arcipreste, Axogum, Babakekerê, Babalawô, Babalorixá, Babalossain, Babaojé, Babá de umbanda, Bikkhu, Bikkuni, Bispo, Bispo auxiliar, Bispo coadjutor, Bispo emérito, Cambono , Capelão, Cardeal, Catequista, Clérigo, Confessor, Cura, Curimbeiro, Cônega, Cônego, Dabôce, Dada voduno, Daiosho, Deré, Dirigente espiritual de umbanda, Diácono, Diácono permanente, Dom, Doné, Doté, Dáia, Egbonmi, Ekêdi, Episcopiza, Evangelista, Frade, Frei, Freira, Gaiaku, Gheshe, Gãtó, Humbono, Hunjaí, Huntó, Instrutor de curimba, Instrutor leigo de meditação budista, Irmã, Irmão, Iyakekerê, Iyalorixá, Iyamorô, Iyawo, Izadioncoé, Kambondo pokó, Kantoku (diretor de missão), Kunhã-karaí, Kyôshi (mestre), Lama budista tibetano, Madre superiora, Madrinha de umbanda, Mameto ndenge, Mameto nkisi, Mejitó, Metropolita, Meôncia, Ministro da eucaristia, Ministro das ezéquias, Monge, Monge budista, Monge oficial responsável por templo budista (Jushoku), Monsenhor, Mosoyoyó, Muzenza, Muézin, Nhanderú arandú, Nisosan, Nochê, Noviço , Oboosan, Olorixá, Osho, Padre, Padrinho de umbanda, Pagé, Pastor evangélico, Pegigan, Pontífice, Pope, Prelado, Presbítero, Primaz, Prior, Prioressa, Pároco, Rabino, Reitor, Religiosa, Religioso leigo, Reverendo, Rimban (reitor de templo provincial), Roshi, Sacerdote, Sacerdotisa, Seminarista, Sheikh, Sokan, Superintendente de culto religioso, Superior de culto religioso, Superior geral, Superiora de culto religioso, Swami, Sóchó (superior de missão), Tata kisaba, Tata nkisi, Tateto ndenge, Testemunha qualificada do matrimônio, Toy hunji, Toy vodunnon, Upasaka, Upasika, Vigário, Voduno ( ministro de culto religioso), Vodunsi (ministro de culto religioso), Vodunsi poncilê (ministro de culto religioso), Xeramõe (ministro de culto religioso), Xondaria (ministro de culto religioso), Xondáro (ministro de culto religioso), Ywyrájá (ministro de culto religioso)

2631-10 – Missionário
Bikku – bikkhuni, Jushoku, Kaikyôshi, Lama tibetano, Missionário leigo , Missionário religioso , Missionário sacerdote, Obreiro bíblico , Pastor, Pastor evangelista, Swami (missionário), Sóchó, Zenji (missionário)

2631-15 – Teólogo
Agbá, Bokonô, Consagrado , Conselheiro correicional eclesiástico, Conselheiro do tribunal eclesiástico, Cádi, Especialista em história da tradição, doutrina e textos sagrados, Exegeta, Imã,Juiz do tribunal eclesiástico, Leigo consagrado , Mufti, Obá, Teóloga, Álim

Descrição Sumária
Realizam liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirigem e administram comunidades; formam pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orientam pessoas; realizam ação social junto à comunidade; pesquisam a doutrina religiosa; transmitem ensinamentos religiosos; praticam vida contemplativa e meditativa; preservam a tradição e, para isso, é essencial o exercício contínuo de competências pessoais específicas.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

OS 10 MANDAMENTOS - NÃO ADULTERARAS




SÉTIMO MANDAMENTO  – NÃO ADULTERARÁS

“Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (Mt 5,28).


O sétimo mandamento diz respeito a pureza sexual e à proteção da sagrada instituição da família., assim como o mandamento anterior fala sobre a proteção à vida.

“Não adulteras” (Êx 20,14).
“22  Quando um homem for achado deitado com mulher que tenha marido, então ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher, e a mulher; assim tirarás o mal de Israel. 23  Quando houver moça virgem, desposada, e um homem a achar na cidade, e se deitar com ela, 24  Então trareis ambos à porta daquela cidade, e os apedrejareis, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim tirarás o mal do meio de ti. 25  E se algum homem no campo achar uma moça desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ela, então morrerá só o homem que se deitou com ela; 26  Porém à moça não farás nada. A moça não tem culpa de morte; porque, como o homem que se levanta contra o seu próximo, e lhe tira a vida, assim é este caso. 27  Pois a achou no campo; a moça desposada gritou, e não houve quem a livrasse. 28  Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados, 29  Então o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinquenta siclos de prata; e porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias. 30  Nenhum homem tomará a mulher de seu pai, nem descobrirá a nudez de seu pai.” (Êx 22,22-30).

I.              INTRODUÇÃO.

O sétimo mandamento condena o adultério e a impureza sexual com o objetivo de proteger a família. A Bíblia não condena o sexo; a santidade dele é inquestionável dentro do padrão divino, mas sua prática ilícita tem sido um dos maiores problemas do ser humano ao longo dos séculos. O sétimo mandamento é tratado de uma maneira na lei, e de outra na graça. Um olhar no episódio d mulher adúltera (Jo 8,1-11) mostra que tal preceito foi resgatado pela graça e adaptado a ela, e não á lei.

II.            O SÉTIMO MANDAMENTO.

1.    Abrangência.  Trata de um tema muito abrangente, que envolve casamento num contexto social contaminado pelo pecado. O mandamento consiste em uma proibição absoluta, sem concessão, expressa de maneira simples em duas palavras “não adulteras” (Êx 20,14; Dt 5,18). Sua regulamentação para os israelitas pode ser encontrada nos livros de Levíticos e Deuteronômio, que dispõem contra os pecados sexuais, a prostituição e toda forma de violência sexual com respectivas sanções.

2.    Objetivo. O Decálogo segue uma lógica. Primeiro aparece a proteção da vida, em seguida vem a família e depois os bens e a honra. O mandamento “não adulteras” veio para proteger o lar e dessa forma estabelecer uma sociedade moral e espiritualmente sadia. A proibição aqui é contra toda e qualquer imoralidade sexual, expressa de maneira genérica, mas especificada em diversos dispositivos na lei de Moisés.

3.    Contexto. A lei foi promulgada numa sociedade patriarcal que permitia poligamia – A poligamia não era comum nos tempos bíblicos, embora fosse permitido o casamento com mais de uma mulher ao mesmo tempo, como quando Jacó casou com Lia e Rebeca. O marido tinha de ser muito rico para ter mais de uma esposa. Portanto, a realeza é que tendia a ter varias esposas.Nesse contexto social, o adultério na lei de Moisés consistia no fato de um homem se deitar com uma mulher casada com outro homem, independentemente de ser ele casado ou solteiro. Os infratores da lei deviam ser mortos, tanto o homem quanto a mulher (Dt 22,22; Lv 20,10).

III.           INFIDELIDADE.

1.    Adultério. É traição e falsidade. É a queda de uma aliança assumida pelo casal diante de Deus e da sociedade, uma infidelidade que destrói a harmonia no lar e desestabiliza a família. A tradição judaica - cristã leva o assunto a sério e considera o adultério um pecado grave. Trata-se de uma loucura que compromete a honra e a reputação de qualquer pessoa, independentemente de sua confissão religiosa ou status social (Jr 29,23; Pv 6,32-33).

2.    Sexo antes do casamento. Esta prática está muito em voga na sociedade moderna, mas nunca teve a aprovação divina, e por isso os jovens devem evitar coisas (Sl 119,9). Em Israel, os envolvidos em tal prática, desde que a mulher não fosse casada ou comprometida, não eram condenados à morte. A pena era mesmo rigorosa, mas o homem tinha de se casar com a moça, pagar uma indenização por danos morais ao pai da jovem e nunca mais se divorciar dela (Dt 22,28-29). Hoje, esse tipo de pecado requer aplicação de disciplina da Igreja, mas nem sempre o casamento deles é a solução.

3.    Fornicação. A “moça virgem, desposada com algum homem” (Dt 22,23) diz respeito, no contexto atual, à noiva que ainda não se casou, mas está comprometida em casamento. Trata-se do pecado sexual de formicação praticado com consentimento mútuo. A pena da lei é a morte por apedrejamento, como no caso de envolvimento com uma mulher casada (Dt 22,24). A razão desta pena vai alem do simples ato, pois se trata da quebra da fidelidade, “porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim, tirarás o mal do meio de ti” (Dt 22,24b).

IV.          OUTROS PECADOS SEXUAIS.

1.    Estupro. A lei contrasta a cidade com o campo para deixar clara a diferença entre estupro e ato sexual consentido. Em Dt 22,25-27 tratam de caso de violência sexual, pois no campo a probabilidade de socorro era praticamente nula, e a moça era forçada a praticar o ato (22,25). Neste caso, somente o estuprador era morto, acusado de crime sexual, mas a moça era inocentada (Dt 22,26-27).

2.    Incesto. A lei estabelece a lista de parentesco em que deve e não deve haver casamento, para evitar a endogamia e o incesto (Lv 18,6-18). Mais adiante, a lei prescreve  as penas de cada grupo desses pecados (Lv 20,10-23). “nenhum homem tomará a mulher de seu pai” (Dt 22,30). A lei dispõe contra a prática sexual execrável de abusar da madrasta. É o pecado que desonra o pai, invade e macula o seu leito. Quem pratica tal abominação está sob a maldição divina (Dt 27,20). Na lei o assunto pertence ao campo jurídico e a condenação prevista é a morte (Lv 20,11). Entretanto, estamos debaixo da graça e por essa razão o tema é elevado à esfera espiritual, cuja sanção se restringe à perda da comunhão da Igreja (1 Cor 5,1-5). A sabia decisão apostólica é a base para o princípio disciplinar que as igrejas aplicam hoje.

3.    Bestialidade. É uma aberração sexual, tanto masculina como feminina, contra a qual a lei dispõe tendo como sanção a pena de morte, seja para o homem ou seja para a mulher e para o animal, que devia ser morto (Lv 20,15-16). Bestialidade e homossexualismo desonram a Deus e eram práticas cananéias, razão pela qual os cananeus foram vomitados da terra (Lv 18,23-28).

V.            O ENSINO DE JESUS.

1.    O sétimo mandamento nos Evangelhos. O Senhor Jesus reiterou o que Deus disse no principio da criação sobre o casamento, que se trata de uma instituição divina, uma união estabelecida pelo próprio Deus (Mt 19,4-6). Ele também se referiu ao tema do sétimo mandamento de maneira direta e indireta. Direta ao fazer o uso das palavras “não adulteras” ou “não cometerás adultério” no sermão da montanha (Mt 19,18)e nas passagens paralelas  (Mc 10,19; Lc 18,20). Indireta quando fala acerca do divorcio, tema pertinente ao sétimo mandamento (Mt 19,9; Mc 10,11-12).

2.    O problema dos escribas e fariseus. Mais uma vez Ele corrige o pensamento equivocado das autoridades religiosas de Israel. Os escribas e fariseus haviam reduzido o sétimo mandamento ao próprio ato físico, pois desconheciam o espírito da lei, apegavam-se à letra dela (2Cor 3,6). Assim, como é possível cometer assassinato com a cólera ou palavras insultuosas, sem o ato físico (Mt 5,21-22), da mesma forma é possível também cometer adultério só no pensamento (Mt 5,27-28).

3.    A concupiscência. Há diferença entre olhar e cobiçar. O pecado é o olhar concupiscente. O sexo é santo aos olhos de Deus, desde que dentro do casamento, nunca fora dele. O livro de Cantares de Salomão mostra que o sexo não é apenas para procriação, mas para o prazer e a felicidade dos seres humanos. Jesus não está questionando o sexo, mas combatendo a impureza sexual e o sexo ilícito, a prostituição. O Senhor Jesus disse que os adultérios procedem do coração humano (Mt 15,19).


VI.          CONCLUSÃO.


Cremos que Deus sabe o que é certo e o que é errado para a vida humana. A Bíblia é o manual divino do fabricante e é loucura ir contra Ele. A sanção contra os que violarem o sétimo mandamento, na fé cristã, não vai alem da disciplina da Igreja e, em alguns casos, do caos na família. Mas o julgamento divino é tão certo quanto a sucessão dos dias e das noites, e a única salvação de Jesus (At 16,31; 17,31). 


MARCO ANTONIO LANA (TEÓLOGO)

segunda-feira, 11 de maio de 2015

OS 10 MANDAMENTOS - NÃO MATARÁS



SEXTO MANDAMENTO – NÃO MATARÁS

“De palavras de falsidade te afastarás, e não matarás o inocente e o justo; porque não justificarei o ímpio.” (Êx 23,7).

O direito a vida é um bem pessoal e inalienável; sua preservação e proteção devem ser parte da responsabilidade do homem cristão.

“13 Não matarás”. (Êx 20,13).
“16 Porém, se o ferir com instrumento de ferro e morrer, homicida é; certamente o homicida morrerá. 17 Ou, se lhe ferir com uma pedrada, de que possa morrer, e morrer, homicida é; certamente o homicida morrerá. 18  Ou, se o ferir com instrumento de pau que tiver na mão, de que possa morrer, e ele morrer, homicida é; certamente morrerá o homicida. 19  O vingador do sangue matará o homicida; encontrando-o, matá-lo-á. 20  Se também o empurrar com ódio, ou com mal intento lançar contra ele alguma coisa, e morrer; 21  Ou por inimizade o ferir com a sua mão, e morrer, certamente morrerá aquele que o ferir; homicida é; o vingador do sangue, encontrando o homicida, o matará. 22  Porém, se o empurrar subitamente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum instrumento sem intenção; 23  Ou, sobre ele deixar cair alguma pedra sem o ver, de que possa morrer, e ele morrer, sem que fosse seu inimigo nem procurasse o seu mal; 24  Então a congregação julgará entre aquele que feriu e o vingador do sangue, segundo estas leis. 25  E a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e a congregação o fará voltar à cidade do seu refúgio, onde se tinha acolhido; e ali ficará até à morte do sumo sacerdote, a quem ungiram com o santo óleo”. (Nm 35,16-25).


I.              INTRODUÇÃO.


O sexto mandamento manifesta o propósito de Deus pela proteção da vida. Sua vontade é que os seres humanos façam o mesmo. O tema é abrangente e complexo, razão pela qual deve ser estudado com diligencia. A lei diz “não matarás”. Isso não contraria a guerra, a pena capital e o próprio pensamento cristão? Mas o assunto não se encerra por ai. Esse é o tema do presente estudo.

II.            O SEXTO MANDAMENTO.

1.    Abrangência - Este é o primeiro mandamento que consiste em uma proibição absoluta. Sem concessão, expressa de maneira simples com duas palavras: “não matarás” (Êx 20,13; Dt 5,17). A legislação mosaica dispõe sobre o tema ao longo do Pentateuco, cuja abrangência fala contra a violência, o assassinato premeditado e o não premeditado. Temas como guerra, pena capital, suicídio, aborto e eutanásia são pertinentes ao sexto mandamento.

2.    Objetivo - O sexto mandamento reflete o ensino geral do Antigo Testamento sobre o respeito à santidade da vida. O Senhor Jesus incluiu aqui o ensino sobre o amor (Mt 5,21-22). No novo concerto Ele inclui “pensamentos e palavras, ira e insultos”. O Novo Testamento considera homicida quem aborrece a seu irmão (1Jo 3,15). O objetivo deste mandamento é religioso e social, com o propósito de proteger a vida e trazer a paz entre os seres humanos (Mt 5,44; Rm 12,18).

3.    Contexto - “Não matarás” já era um mandamento antigo, mas agora é introduzido de uma forma nova. O respeito à vida era conhecido na Antiguidade pelos mesopotâmios, egípcios e gregos, entre outros. O Código de hamurabi (1750 a.C) rei da Babilônia, é um exemplo clássico, contudo não se revestia de autoridade divina. Essa é a primeira distinção entre os códigos antigos e a revelação do Sinai. A outra é que Deus pôs sua lei no coração e na consciência dos demais povos (Rm 1,9; 2,14-15).

III.           IMPORTÂNCIA.

1.    Da vida - A vida é um dom de Deus e ninguém tem o direito de tirá-la (Gn 9,6). Somente Deus, que criou o homem à sua imagem, tem o direito de por fim à vida humana (Gn 1,26-27; Dt 32,39). Três grandes personagens da Bíblia pediram a morte e não foram atendidas: Moisés, Elias e Jonas (Nm 11,15; 1Rs 19,4; Jn 4,3). Tudo isso nos mostra que a vida pertence a Deus, e não a nós mesmo. Deus sabe hora em que a vida humana  deve cessar. Ele é soberano de toda a existência.

2.    Não matar - A proibição do sexto mandamento é não assassinar. O verbo hebraico ratsach, “matar, assassinar, destruir”, aparece 47 vezes no Antigo Testamento, em sua maior parte nos textos legais. A primeira ocorrência é nos dez mandamentos (Êx 20,13). A tradução mais precisa das palavras lo e tirtsach seria: “não assassinarás”, ou “não cometerás assassinato”, pois “não matarás” é uma expressão genérica. O dispositivo mosaico proíbe o homicídio premeditado, o assassinato violento de um inimigo pessoal (Êx 21,12; Lv 24,17). O termo refere-se também a homicídio culposo, aquele em que não há intenção de marcar (Dt 4,42; Js 20,3).

3.    Etimologia - São raros os termos correspondentes ao verbo ratsach nas línguas cognatas; só no norte da Arábia foi encontrado o verbo radaha, “quebrar em pedaço, estilhaçar”. O termo ratsach não é usado na guerra nem na administração da justiça e não aparece no contexto judicial e militar. Parece haver uma única ocorrência em que ele aplicado á pena de morte (Nm 35,30), mas estudos mostram que originalmente a ideia de verbo era de vingança de sangue.

IV.          PROCEDIMENTO JURÍDICO.

1.    Significado do homicídio - O homicídio é o maior crime que um ser humano pode cometer. À proibição do assassinato, apesar de constatar dos códigos de lei anteriores ao sistema mosaico, já havia sido estabelecido pelo próprio Criador desde o limiar da raça humana: "Quem derramar sangue do homem, pelo homem seu sangue será derramado; porque à imagem de Deus foi o homem criado”. (Gn 9,6). É contra Deus que o homicida está desferindo seu golpe ao tirar a vida de alguém, pois a imagem é a representação de uma pessoa ou coisa.

2.    Homicídio doloso - “16 Porém, se o ferir com instrumento de ferro e morrer, homicida é; certamente o homicida morrerá. 17  Ou, se lhe ferir com uma pedrada, de que possa morrer, e morrer, homicida é; certamente o homicida morrerá. 18  Ou, se o ferir com instrumento de pau que tiver na mão, de que possa morrer, e ele morrer, homicida é; certamente morrerá o homicida. 19  O vingador do sangue matará o homicida; encontrando-o, matá-lo-á. 20  Se também o empurrar com ódio, ou com mal intento lançar contra ele alguma coisa, e morrer; 21  Ou por inimizade o ferir com a sua mão, e morrer, certamente morrerá aquele que o ferir; homicida é; o vingador do sangue, encontrando o homicida, o matará.” (Nm 35,16-21).

Aqui são dadas instruções específicas acerca do procedimento jurídico sobre o homicídio doloso. Se alguém ferir ou matar seu próximo, “com instrumento de ferro” (v 16), “com pedra à mão” (v 17) ou ainda “com instrumento de madeira” (v 17) ou por qualquer outra forma (vs 20-21), e a pessoa golpeada morrer, o autor da ação é considerado homicida. O substantivo “homicida”, rotsach, vem do verbo ratsach e aparece repetidas vezes aqui. Trata-se de homicídio doloso.

3.    Homicídio culposo - “22  Porém, se o empurrar subitamente, sem inimizade, ou contra ele lançar algum instrumento sem intenção; 23  Ou, sobre ele deixar cair alguma pedra sem o ver, de que possa morrer, e ele morrer, sem que fosse seu inimigo nem procurasse o seu mal; 24  Então a congregação julgará entre aquele que feriu e o vingador do sangue, segundo estas leis. 25  E a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e a congregação o fará voltar à cidade do seu refúgio, onde se tinha acolhido; e ali ficará até à morte do sumo sacerdote, a quem ungiram com o santo óleo” (Nm 35,22-25).

Era o crime involuntário e acidental., razão pela qual o autor não devia morrer, e a lei estabeleceu o procedimento a ser seguido para livrar o réu da pena de morte. Ele precisava se refugiar numa das cidades de refugio até provar que o homicídio foi acidental – “4  E este é o caso tocante ao homicida, que se acolher ali, para que viva; aquele que por engano ferir o seu próximo, a quem não odiava antes; 5  Como aquele que entrar com o seu próximo no bosque, para cortar lenha, e, pondo força na sua mão com o machado para cortar a árvore, o ferro saltar do cabo e ferir o seu próximo e este morrer, aquele se acolherá a uma destas cidades, e viverá; 6  Para que o vingador do sangue não vá após o homicida, quando se enfurecer o seu coração, e o alcançar, por ser comprido o caminho, e lhe tire a vida; porque não é culpado de morte, pois o não odiava antes.” (Dt 19,4-6). A outra maneira de escapar das mãos do vingador do sangue era agarrar-se nas pontas do altar – “12 Quem ferir alguém, de modo que este morra, certamente será morto. 13 Porém se lhe não armou cilada, mas Deus lho entregou nas mãos, ordenar-te-ei um lugar para onde fugirá. 14 Mas se alguém agir premeditadamente contra o seu próximo, matando-o à traição, tirá-lo-ás do meu altar, para que morra.” (Êx 21-12-14); “50 Porém Adonias temeu a Salomão; e levantou-se, e foi, e apegou-se às pontas do altar. 51 E fez-se saber a Salomão, dizendo: Eis que Adonias teme ao rei Salomão; porque eis que apegou-se às pontas do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará o seu servo à espada.” (1Rs 1,50-51). Esses dois recursos equivalem ao habeas corpus concedido atualmente.

V.            PUNIÇÃO.

1.    O sangue de Abel - O tema “sangue de Abel” em “E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.” (Gn 4.10), está no plural, no hebraico, que segundo o Talmude, antiga literatura religiosa dos judeus, significa “sangue de sua descendência” ou seja: “todo aquele que destruir uma vida em Israel a Escritura reputa como se tivesse destruído o mundo inteiro” (Samedrin 4.5). Tal crime interrompe para sempre a posteridade da vitima. Em Hebreus é dito que: “E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.” (Hb 12,24). Isso porque o sangue de Jesus clama por misericórdia, mas o de Abel por vingança – 10  E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. 11  E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão.” (Gn 4,10-11)

2.    O vingador - A lei dava o direito ao “vingador do sangue” – “19 O vingador do sangue matará o homicida; encontrando-o, matá-lo-á. 21b - o vingador do sangue, encontrando o homicida, o matará” (Nm 35,19.21b), goel, em hebraico, “redentor, remidor, vingador”, de matar o assassino onde quer que o encontrasse. Vingar o sangue era, no Oriente Médio, uma questão de honra da família – “Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé” (Êx 21,24); “Quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.” (Lv 24,20); “O teu olho não perdoará; vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.” (Dt 19,21). Era uma grande desonra para a família não vingar o assassinato de um ente querido. Isso é mantido ainda hoje nessa parte do mundo. Porém, o Senhor Jesus mandou substituir a vingança pelo perdão – “38  Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. 39  Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;” (Mt 5,38-39).

3.    Expiação pela vida - O crime de assassinato podia ser expiado por uma das duas maneiras estabelecidas na legislação mosaica. A primeira, no caso de homicídio doloso, em que uma vida é expiada por outra – “E não recebereis resgate pela vida do homicida que é culpado de morte; pois certamente morrerá.” (Nm 35,31), o assassino deve ser morto, ou seja, era “vida por vida” (Êx 21,23). A segunda diz respeito ao homicídio culposo, a busca da proteção em uma das cidades de refúgio. A expiação, nessa caso, é a morte do sacerdote da cidade – “25  E a congregação livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e a congregação o fará voltar à cidade do seu refúgio, onde se tinha acolhido; e ali ficará até à morte do sumo sacerdote, a quem ungiram com o santo óleo.” (Nm 35,25)

VI.          CONCLUSÃO.

O Senhor Jesus vinculou o sexto mandamento à doutrina do amor ao próximo. Devemos manter nossa posição em favor da paz e da fraternização dizendo “não” à violência em suas diversas modalidades, para a gloria de Deus.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

OS 10 MANDAMENTOS - HONRARÁS PAI E MÃE



QUINTO MANDAMENTO – HONRARÁS PAI E MÃE

Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor”. (Cl 3,20)

Honrar pai e mãe vai alem da simples obediência, implica amar e respeitar de forma elevada, demonstrando espírito de consideração.

LEITURA BÍBLICA

"Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá”. (Êx 20,12.
“Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe, este é o primeiro mandamento com promessa: para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra". (Ef 6,1-3).
“Pois Moisés disse: ‘Honra teu pai e tua mãe’, e ‘quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado’. Mas vocês afirmam que se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: ‘Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é Corbã’, isto é, uma oferta dedicada a Deus, vocês o desobrigam de qualquer dever para com seu pai ou sua mãe. Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa". (Mc 7,10-13).

I.              INTRODUÇÃO.

O quinto mandamento era originalmente uma ponte entre as obrigações do israelita com Deus e as do israelita com seu próximo,, e liga os quatro primeiros mandamentos aos cinco seguintes. Oito dos dez mandamentos do Decálogo são proibições e dois são positivos, o quarto e o quinto. Temos aqui o segundo mandamento apresentado em fórmula positiva.

II.            O QUINTO MANDAMENTO.

1.    Os pais biológicos. O propósito divino é a sustentabilidade da estrutura familiar e a santificação da ordem social. Os pais são representantes de Deus na família; honrá-los e temê-los significa fazer o mesmo em relação a Deus. São eles que geram os filhos e são responsáveis pelo bem-estar deles, pelo seu sustento, alimentação, vestes, saúde e educação. Não existe na vida alguém mais importante para o filho do que o pai e a mãe, pois eles são seus heróis. Esse relacionamento é semelhante ao de Javé com seu povo Israel (Dt 1,31; Mt 1,6).

2.    Os pais espirituais. A expressão “o teu pai e tua mãe” se aplica também aos pais espirituais, que devem ser honrados e respeitados pelos filhos na fé. Isso é visto na lei (2Rs 2,12; 13,14) e na graça (1Tm 1,2; 2Tm 1,2; 2,1; Tt 1,4). A figura do governante também se assemelha a dos pais; veja como Débora se considera mãe de Israel (Jz 5,7). Assim o mandamento abrange as autoridades espirituais e civis, que devemos respeitar.

3.    Os pais intelectuais. O respeito e a honra se devem também a que se destaca pelo conhecimento em qualquer área. Isso é visto no Faraó que constituiu José como primeiro ministro do Egito (Gn 45,8). Isso deve servir como exemplo nas igrejas atuais. Muitos cristão hoje precisam a prender a lição desse Faraó. Em qualquer lugar em que chegarmos, iremos sempre encontrar alguém melhor do que nós em alguma área, e devemos ter humildade suficiente para reconhecer essa autoridade.

III.           OBEDIÊNCIA.

1.    O verbo honrar. Honrar pai e mãe é mandamento divino, e não sugestão humana (Êx 20,12; Dt 5,16; Mt 15,4). O verbo honrar, kaved, é um imperativo intensivo hebraico, do qual vem o substantivo kavod, “honra, glória”. A raiz desse verbo aparece em todas as línguas semíticas, com exceção do aramaico, e o significado é de “ser pesado”, sentido figurado, cuja idéia é de ser importante (Nm 22,15). É usado no Antigo Testamento com vários significados. Um deles diz respeito ao temor, ao reconhecimento, responsabilidade e autoridade; em nosso contexto, refere-se a alguém merecedor de respeito, atenção e obediência (Lv 19,3).

2.    Filho adulto. A ordem divina é para os adultos; não se restringe à infância e a adolescência. Não importa o estado civil ou o status social, todos devem respeitar e reverenciar de coração os pais. Em nenhum lugar da Bíblia ensina que esa ordem seja semelhante para crianças e adolescentes. Quando o moço e a moça chegam à maioridade, ou mesmo se casam, seus pais continuarão sendo seus genitores e os filhos devem honrá-los e respeitá-los.

3.    À luz da exegese. O termo grego usado em Efésios para “filhos” é tekna, plural de teknon; que indica descendente imediato sem especificar sexo ou idade. Aparece cinco vezes nesta epístola; “filhos da ira” (Ef 2,3); “filhos amados” (Ef 5,1); “filhos da luz” (Ef 5,8). Somente Ef 6,4 sugere criança ou adolescente. Em 6.1 parece ambíguo; seria precipitação aplicar esse ensino apenas às crianças e adolescentes. O verbo “obedecer” está na voz ativa, mostrando que se trata de pessoas moralmente livres para assumir uma responsabilidade Diane de Deus (Ef 6,1).

IV.          SUSTENTO.

1.    Cuidado. O sentido de deixar pai e mãe  quando se casa (Gn 2,24) é a construção de um novo lar, e não o abandono dos pais. Deus é justo e retribuirá tudo que o filho fizer com o pai e com a mãe. Quem age dessa forma está semeando para o seu próprio futuro, pois colherá isso na velhice. Há inúmeros exemplos no Antigo Testamento da responsabilidade do filho em cuidar do sustento dos pais (Gn 47,12; Js 2,13.18; 6,3; 1Sm 22,3). O Senhor Jesus citou e viveu este mandamento (Mt 15,4-5; 19,19; Mc 7,10-12; Lc 2,51).

2.    Oferta Corbã. O termo “corbã”, korban, é aramaico e significa literalmente “sacrifício”, mas o contexto aqui é algo muito triste. Trata-se de um artifício para fugir “legalmente” do compromisso de sustentar pai e mãe na velhice. O filho podia ser absolvido dessa responsabilidade se fizesse uma promessa de doação em dinheiro destinada ao Templo (Mc 7,11-12). Era uma desculpa para não ajudar os pais, pois se consagrava a Deus tudo o que possuía. Assim, ele dizia aos pais que não podia oferecer ajuda nem fazer nada por eles porque tudo já estava comprometido diante de Deus.

3.    Ensino de Jesus. Deus não exige esse tipo de oferta de ninguém em sua Palavra, por isso o Senhor Jesus foi contundente com as autoridades religiosas de Israel. Essa doutrina dos fariseus era uma afronta a Deus e à sua Palavra (Mc 7,13). Eles violavam a lei sob um manto de santidade, exibindo uma religiosidade, exibindo uma religiosidade externa e falsa. Ninguém precisa sacrificar a família pela causa do evangelho. Quem cuida do pai e da mãe já esta fazendo a obra de Deus, o cuidado da família deve ser  prioritário, só depois é que vem a Igreja (!Tm 5,8). Esse é o pensamento cristão, que muitas vezes, infelizmente, é invertido entre nós.


V.            ENTRE A LEI E A GRAÇA.

1.    Autoridade dos pais. Honrar pai e mãe é um ensinamento que ocupa um lugar de elevada consideração na Bíblia. Desobedecer aos pais é desobedecer a Deus, pois estão investidos de autoridade divina sobre a vida dos filhos e receberam de Deus a responsabilidade pelo bem-estar deles. A observação “porque isto é justo” (Ef 6,1 - NVI) ou “porque isto é correto” como diz outra tradução (NTLH), significa tratar-se de uma lei natural que existe desde o princípio do mundo. Deus já havia colocado a sua lei no coração de todos os homens, mesmo antes de se revelar a Moisés no Sinai (Rm 1,19; 2,14-15). Essa norma existe em todas as civilizações antes e depois de Moisés, e foi dada a Israel como revelação e mandamento divino (Mt 15,4).

2.    O sistema mosaico. A promessa os filhos que honraram e obedecem aos pais, descrita no Decálogo, é a longevidade: “para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá” (Êx 20,12). A passagem paralela de Deuteronômio acrescenta o sucesso econômico: “para que te vá bem” (Dt 5,16). Temos aqui uma prova incontestável de que originalmente este mandamento era exclusividade de Israel, pois fala sobre herdar a terra de Canaã.

3.    Adaptado sob a graça. O apóstolo Paulo deliberadamente combina as palavras do quinto mandamento em ambos os textos do Decálogo. Êxodo e Deuteronômio: “Honrar a teu pai e tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (Ef 6,2-3). Aqui, a Terra Prometida não é cidade nem especificada como no Decálogo: “que te da o SENHOR, teu Deus”. A igreja, o povo de Deus do novo concerto, não tem terra para herdar, pois a nossa herança é o céu (Fp 3,20). Somos uma congregação de estrangeiros e peregrinos no mundo (1 Pd 2,11).

VI.          CONCLUSÃO.


O quinto mandamento é de fundamental importância para conservar uma sociedade estável. Todavia, o cristão o observa como resultado da sua nova vida em Cristo, e não coerção da lei, que condena à morte os filhos rebeldes (Êx 21,17.17; Lv 20,9; Dt 21,18-21) pois na graça somos guiados pelo Espírito Santo para as boas obras que Deus preparou para andarmos nelas. Não desperdice, portanto, o privilegio e a oportunidade de honrar seu pai e mãe, para não perder as bênçãos de Deus.

MARCO ANTONIO LANA (TEÓLOGO)