quinta-feira, 14 de março de 2013

DOUTRINA DOS ANJOS - LIÇÃO 10 – SATANÁS – O Agente Da Tentação




I.                  JESUS – TENTADO EM TUDO.

O escritor aos Hebreus declara que “passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado.” (Hb 4,15b). certamente esta declaração precisa ser entendida a luz da humanidade de Cristo. Ele foi tentado como homem. Tendo assumido, na encarnação, a humanidade e na sua plenitude, Jesus submeteu-se a toda a experiência humana. A tentação foi uma das humilhações a que o Senhor sujeitou. E ele a venceu também na condição de homem, para nos servir de modelo.
Como Jesus enfrentou a tentação? Vamos examinar Lc 4,1-13 para obter a resposta

Þ    Jesus foi tentado com relação a uma necessidade física – vv 3-4.

Ao final de 40 dias e quarenta noites passados no deserto, Jesus estava fisicamente debilitado. Necessitava de alimento. Como consegui-lo? Satanás surge com a sugestão para ele usar do seu poder de “Filho de Deus”, como acabara de ser chamado por ocasião do batismo - "e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição". (Lc 3,22), transformando pedra em pão. Seria a usurpação do poder divino para suprimento de uma necessidade física. Jesus não o fez. Rejeitou a opinião satânica, e o rebateu com as Escrituras – “Não só de pão viverá o homem”, Jesus ensinou, com isso, que a vida do homem não tem apenas uma dimensão material. Ele deve interessar-se por outras coisas, alem do pão - "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu sinal". (Jo 6,27).

Þ    Jesus foi tentado com relação à posse e poder – vv 5-8.

O diabo fez aparecer diante de Jesus toda a pompa deste mundo. Alegou que era dele (como “o príncipe deste mundo” – Jo 12,31; 14,30; 16,11) e o ofereceu a Jesus. Bastasse que Este  o adorasse. Era a possibilidade de Jesus Cristo assumir um reino que seria muito mais poderoso do que o império romano. Certamente Ele governaria visando o bem estar genuíno do povo e abriria o caminho para excelentes realizações. Mas o diabo exigia que Ele transgredisse um mandamento. Isto significava virar as costas à sua vocação. Seu reino não era aquele. Era bem diferente - "Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo". (Jo 18,36). Ele não procurava uma coroa terrestre e nem a soberania mundana . mais uma vez Ele citou as Escrituras, demonstrando que a adoração a Deus é exclusiva. Venceu a segunda tentação, ensinando-nos que o poder e a glória  não valem a desobediência a Deus e à Sua Palavra.

Þ    Jesus foi tentado com relação à segurança – vv 9-12

Conduzindo Jesus ao pináculo do templo, em Jerusalém, Satanás sugeriu-lhe que se atirasse, porque receberia a proteção divina por meio dos anjos. A tentação pode ter sido a de ser presunçoso com Deus ao invés de confiar nele humildemente. Para assegurar a Jesus que ele estaria bem seguro, o maligno citou as Escrituras – “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos. Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.” (Sl 91,11-12) empregando de forma errônea a Palavra de Deus, torcendo um texto para servir ao seu propósito. Jesus vence também esta terceira tentação, citando a Bíblia e aplicando-a corretamente. Ninguém pode submeter Deus a teste - "Jesus disse: Foi dito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16)". (Lc 4,12).
Þ    Porque Jesus foi tentado?

·        Ele daria, pela tentação, prova de sua verdadeira humanidade, de que possuía uma alma humana (alem do corpo humano);
·        Seria parte do seu exemplo para nós.
·        Faria parte de sua disciplina pessoal;
·        Faria parte de sua preparação para ser um intercessor compassivo. (Hb 2,18.4,15);
·        Era parte da grande batalha na qual “a semente da mulher pisaria na cabeça da serpente” (Gn 3,15).

Þ    Algumas lições praticas devemos extrair deste episódio da vida de Jesus.

·        Jesus enfrentou todas as tentações fazendo o uso das Escrituras;
·        Ele foi tentado em relação a problemas que são vivenciados por todos os homens: alimentação, poder e segurança;
·        Nenhum poder extraordinário lhe foi concedido párea vencer as tentações.

II.               OS CRENTES – EXPOSTO A TENTAÇÃO.

Do mesmo modo com Satanás tentou a Jesus, ele também tenta os crentes. Seu principal alvo nisso é levar-nos a praticar o mal. Há, especialmente, duas áreas em que os crentes são tentados.

Þ    Os crentes são tentados a encobrir seu egoísmo.

Ser altruísta não é natural. O que já faz parte da natureza humana é o egoísmo, pecado que pode ser confessado e perdoado, defeito do caráter que pode ser corrigido. Entretanto, a tendência do homem é encobri-lo e Satanás se empenha para que faça. A história de Ananias e Safira é um exemplo clássico. O casal queria reter consigo parte do dinheiro conseguido com a venda de sua propriedade e ao mesmo tempo receber louvor por sua contribuição. Satanás induziu-os a mentir, para parecerem altruístas e alimentarem seu egoísmo (At 5,1-11).  Eles tinham direitos a possuir e a vender a propriedade. Eles não tinham a obrigação de dar todo o resultado da venda à igreja. Mas eles também não foram obrigados a fingir generosidade e ao mesmo tempo suprir o seu orgulho, guardando parte do dinheiro recebido. Caíram em tentação.

Þ    Os crentes são tentados a praticar imoralidade.

A área do sexo é visada por Satanás. Ele tenta os crentes a participarem relações sexuais ilícita, alem de os levar a cometerem outros pecados da sensualidade. Deus proveu o casamento para proporcionar ao homem e à mulher a satisfação sexual mútua. Quando isto não acontece, Satanás tem a oportunidade de tentar os cristãos a praticarem o sexo ilícito - "Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornai novamente um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência". (1Cor 7,5).

A “natureza carnal” é o campo de ação de Satanás. Essa nossa inclinação à pratica das coisas más é uma atração  ao diabo, que disso se aproveita para levar-nos ao pecado. Quando somos seduzidos a satisfazer de forma ilícita nossas necessidades físicas e psicológicas, estamos cedendo à tentação. Paulo compreendia que era também dotado desta fraqueza humana. Por isso  disse – “Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros.” (Rm 7,21-23). Certamente que a fonte mais poderosa da tentação é a nossa própria carne. Tiago diz que - "Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia". (Tg 1,14).

Þ    Os crentes são exortados a resistir à tentação.

Jesus disse a seus discípulos que deviam “vigiar e orar” para não caírem em tentação - "Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca". (Mt 26,41). Quando ensinou-lhes a orar incluiu na oração um pedido ao Pai - "e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal". (Mt 6,13).

Mas a mais contundente exortação está nas palavras de Pedro - "Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós". (1Pd 5,9) e de Tiago - "Sede submissos a Deus. Resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós". (Tg 4,7). Basta que o cristão seja “firme na fé” e dependente da “graça de Deus”, que é capaz de resistir.

Mesmo sendo Satanás mais forte e mais sábio do que o homem, é possível, resistir às tentações? Sim, o texto de 1 Cor 10,13 - "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela".  - nos ensina duas verdades a esse respeito:

a)                            A tentação não é sobre-humana. Deus não permite que Satanás invista sobre crente além da resistência que este possa oferecer-lhe;
b)                            Deus mesmo provê o livramento. Além de não permitir  que Satanás se exceda, o Senhor enseja ao crente a oportunidade de livrar-se das tentações. Ele pode socorrer o cristão na sua debilidade para resistir a Satanás - "De fato, por ter ele mesmo suportado tribulações, está em condição de vir em auxílio dos que são atribulados". (Hb 2,18).


CONCLUINDO

Exatamente por que se dedica a tarefa de tentar os cristãos é que Satanás é denominado na Bíblia de “o tentador”  - "O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães". (Mt 4,3). Não devemos nos esquecer disso e estar certos de que nosso inimigo não descansa neste serviço. Estejamos preparados para resistir as tentações!

domingo, 10 de março de 2013

PARÁBOLAS DE JESUS / A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO




Evangelho de Lucas cap.15 vers. 11 a 32)

Lição que extraímos: 

Nesta parábola, o Senhor ensina que uma vida de pecado e de egoísmo, no seu sentido cabal, é a separação do amor, comunhão e autoridade de Deus. O pecador ou desviado é como o filho mais jovem da parábola, que em busca dos prazeres do pecado, desperdiça os dotes físicos, intelectuais e espirituais que Deus lhe deu .  O resultado é desilusão e tristeza e, as vezes , condições pessoais degradantes, e, sempre, a falta da vida verdadeira e real, que somente se encontra no relacionamento correto com Deus. 

Antes de um perdido vir a Deus, ele precisa reconhecer seu verdadeiro estado, de escravidão do pecado e de separação de Deus.  Precisa voltar humildemente ao Pai, confessar seus pecados e estar disposto a fazer tudo quanto o Pai quiser.  É o Espírito Santo quem convence o perdido pecador da sua situação pecaminosa. 

A descrição que Jesus faz da reação favorável do pai, diante da volta do filho, ensina várias verdades importantes: 

(1)  Deus tem compaixão dos perdidos por causa da triste condição deles;
(2)  o amor de Deus por eles é tão grande que nunca cessa de sentir pesar por eles e esperar a sua volta;
(3)  Quando o pecador, de coração, volta para Deus, ele sempre está plenamente disposto a acolhê-lo com perdão, amor, compaixão, graça e os plenos direitos de um filho. Os benefícios da morte de Cristo, a influencia do Espírito Santo e a graça de Deus estão à disposição daqueles que buscam a Deus;
(4)  A alegria de Deus pela volta dos pecadores é imensurável;

No versículo 24 – o pai diz : Meu filho estava morto...perdido- “Perdido” é empregado no sentido de estar perdido em relação a Deus, como “ovelha desgarrada”. A vida afastada da comunhão com Deus é morte espiritual. Voltar-se para Deus é alcançar vida verdadeira.

No versículo 28 - O filho mais velho se indigna, O filho mais velho representa aqueles que têm sua religião e que exteriormente guardam os mandamentos de Deus, porém interiormente estão longe d'Ele e dos seus propósitos para o seu reino.

Por  - Marco Antônio Lana (Teólogo Bíblico)

quinta-feira, 7 de março de 2013

GÊNESIS LIÇÃO 06 – O GOVERNO HUMANO.


    

Deus havia se voltado para o homem pré-diluviano e concluído que este havia se arruinado, se corrompera totalmente; não estava vivendo dentro dos princípios para os quais Deus o criara. Após a queda de Adão, no Éden, o homem foi se degenerando, se afastando cada vez mais dos propósitos de Deus. Num dado momento, Deus interveio com um plano para mudar o curso da história da humanidade. Então mando o dilúvio, salvando-se dessa tempestade apenas Noé e sua família.

Após o dilúvio, houve por algum tempo paz na face da terra, mas com o desenrolar da historia aumentou a população no muno e o homem veio a se corromper de novo.

Eles foram habitar na planície na terra de Senaar, contrariando a vontade de Deus que era “povoar a terra”. Num certo momento tiveram uma idéia – "Depois disseram: “Vamos, façamos para nós uma cidade e uma torre cujo cimo atinja os céus. Tornemos assim célebre o nosso nome, para que não sejamos dispersos pela face de toda a terra. ”" (Gn 11,4). Havia só uma língua entre eles.

É nesse momento histórico da vida da humanidade que Deus desceu, contemplou as obras dos homens e tomou uma decisão com base a sua relação com  homem. Vejamos como foi o desenrolar dos fatos:

I.                    A DESCENDENCIA DE NOÉ – Gn 10.1-32.

Apresenta uma relação dos diferentes povos que descenderam dos três filhos de Noé – Sem, Cão e Jafét.

Do comentário de Dr. A Almeida podemos aprender o seguinte:

  1. Três raças básicas da humanidade.

a)      Descendentes de Sem – a raça amarela, incluindo os israelitas e os indígenas americanos; desta veio o povo da eleição;
b)      Descendentes de Cam – a raça preta ou etiópica (África);
c)      Descendentes de Jafét – a raça branca ou caucásia (Europa).

  1. Classificação dos descendentes – vv 5,20,31.

a)      Etnológico – "segundo as suas famílias".
b)      Glotológico – “segundo as suas línguas”.
c)      Geográfico“em suas terras”.
d)      Políticos – “em suas nações”.

Diz Saphir – “É bem notável o décimo capitulo de Gênesis. Antes que Deus deixe as nações, por assim dizer, entregues a si mesmas e comece a tratar com Israel, seu povo escolhido desde Abraão, faz ele uma amável despedida de todas as nações da terra, como se lhe dissera – vou deixar-vos por um pouco, mas amo-vos. Eu vos criei, eu ordenei todo vosso futuro. Com este fim em vista, ficam aqui traçadas suas diferentes genealogias”.

“A lista dos povos é uma espécie de geografia política da época. É colocada aqui para explicar como foi que o mundo se repovoou depois do dilúvio. Mostra ainda que o povo de Israel, que nascerá de Abraão, é um povo eminentemente histórico, inserido no meio das nações; não é um povo mítico, isto é, provindo do mundo dos deuses.” – Bíblia Pastoral,


II.                  A CONFUSÃO DAS LINGUAS – Gn 11,1-9.

Existiram pessoas descendentes de Noé que continuaram a adorar ao Deus vivo e verdadeiro, mas a maioria afastou-se de Deus, esquecendo-se do terrível julgamento de Deus sobre a terra no dilúvio.

  1. O pecado do homem.

a)      Ignoraram a Deus deliberadamente.

Não queriam conhecer o Senhor e crer nele como Abel, Sete e Noé fizeram. Recusaram considerar a vontade do Senhor para suas vidas. Não estavam interessados em adorar a Deus, confiar nele; nem tampouco em obedecer a sua  palavra.

b)      Estavam sobre o controle de Satanás e pensavam como ele.

§         Queriam se exaltar, serem grandes e famosos.
§         Esculpiram imagens de pessoas e as adoravam.
§         Adoravam também aos animais e pássaros.
§         Chegaram até adorar serpentes e outros répteis

c)      Não queriam se espalhar por diferentes partes do mundo como Deus ordenara.

Ajuntaram-se em um só lugar.

d)      Queriam construir uma torre, numa tentativa de chegar até o céu – Gn 11,4.

Foi nesse cenário de total afastamento e irreverência dos princípios de Deus que os habitantes do vale de Senaar desprezaram o governo de Deus e partiram decididos para a construção de uma torre para não só alcançarem os céus, mas ficaram famosos e não serem espalhados. Queriam ser célebres, para ao invés de proclamar o nome de Deus, divulgar seus próprios nomes, visto que o céu é a morada de Deus Altíssimo, de onde ele governa o mundo – Gn 11,4.

Construíram para si uma cidade onde o governo será exclusivamente seu, e a impiedade seria a força desse governo. Depois começaram a edificar uma grande e alta torre, como forma de suprir suas próprias necessidades espirituais, morais e sociais. Eles se afastaram do que sabiam ser a verdade sobre Deus; e seus pensamentos foram ficando cada vez mais perversos e fúteis.

  1. O julgamento de Deus.

Os construtores da Babilônia não estavam pensando em Deus, mas Deus é supremo e soberano, e mão dá a sua glória a ninguém.

O Senhor desceu até a terra e os confundiu com línguas, fazendo-os se dispersarem pelo mundo afora. Antes eles falavam uma só língua, mas Deus colocou entre eles diversidades de línguas de forma que ninguém entendia ninguém. É justamente isso que Deus fala em Isaias – “Eu sou o Senhor, esse é meu nome, a ninguém cederei minha glória, nem a ídolos minha honra". (Is 42,8), resgatando para si a sua sabedoria.

“O texto apresenta outra explicação para a diversidade de povos e línguas: é um castigo contra a pretensão coletiva que, como a dos antepassados (Gn 3), é uma falta provocada pelo orgulho (v. 4). Babel lembra certamente Babilônia (Senaar), a civilização que se tornou o modelo das grandes potências. Babel se apresenta como símbolo da cidade deformada pela auto-suficiência, que produz uma estrutura injusta, exploradora e opressora. A reunião dos povos e línguas acontecerá no Pentecostes (At 2) e na consumação da história (Ap 21-22).” – Bíblia Pastoral.
“Na mesma linha de Gn 3-11, a ambigüidade humana produz uma relação social competitiva (Gn 4,1-16), uma cultura ambígua (Gn 4,17-26), um processo histórico caótico (Gn 6-8) e uma cidade idolátrica (Gn 11,1-9). Daqui para frente, começa uma nova história, voltada para uma relação social justa, para uma cultura verdadeiramente humana, para um processo histórico dirigido para a vida, e uma cidade fundada na justiça e na fraternidade.” – Bíblia Pastoral.
III.                OS DESCENDENTES DE SEM – Gn 11,10-26.

Sem representa uma família genealógica, cuja cabeça torna-se o canal para a realização do plano divino da redenção. Ele era o filho mais velho de Noé – Gn 5,32; 6,10.

Quando seu pai se embebedou, foi ele e seu irmão Jafét que cobriram a nudez do pai – Gn 9,23-27.

1.      Sem gerou 100 anos de idade a Arfaxad – Gn 11,10, por meio de quem passaria a linha de descendência do Messias – Lc 3,36.
2.      Abraão, Isaque e Jacó são descendentes de Sem. Eram homens tementes a Deus, que honraram seu nome, amaram ao Senhor e foram usados por ele.
3.      Foi dessa linhagem que surgiu o Messias, o Salvador, Cristo Jesus – Lc 3,23.36.

“Esta genealogia acompanha a de Gn 5, procurando apresentar Abraão como herdeiro legítimo das bênçãos e promessas de Deus, feitas na criação e após o dilúvio.” – Bíblia Pastoral.

CONCLUINDO

O homem é pecador, necessita de Deus e é incapaz de se salvar. A Bíblia nos dá discernimento quanto a historia antiga; porém mais do que isso, ela nos mostra como Deus é e como lida com o homem.

Você já deve ter notado algumas semelhanças de padrão  de comportamento entre as pessoas dessas histórias e as pessoas de hoje – homens e mulheres ainda estão  se rebelando contra Deus. Mas Deus também não mudou – Ele se importa com cada individuo:

§         Sabe exatamente o que esta acontecendo em cada vida.
§         Ainda julga o pecado.
§         E continua convidando pessoas a crerem nele.

quarta-feira, 6 de março de 2013

DOUTRINA DOS ANJOS - LIÇÃO 09 – Nomes E Atividades Do Inimigo.




Já conhecemos um pouco deste arqui inimigo do cristão. Neste tentaremos conhecê-lo ainda mais. Deve-se sempre ter em conta de que conhecer o inimigo tem o objetivo prático de estar preparado para atacá-lo ou dele se defender. É bom também estarmos sempre lembrados que não o vencemos só porque o conhecemos, mas sim porque conhecemos aquele que o derrotou. Jesus Cristo, que esta em nós, e a força que necessitamos para vencer.

I.                  OS NOMES DO INIMIGO.

Os nomes e títulos de uma pessoa revelam seu caráter. Mas a variedade de nomes de Satanás alerta-nos também para o fato de que ele pode atacar seu oponente de vários modos. Considerando alguns nomes:

Þ    Diabo:

Esta palavra é a transliteração do vocábulo grego diabolos, cujo significado é “caluniador, acusador” - "Nada temas ante o que hás de sofrer. Por estes dias o demônio vai lançar alguns de vós na prisão, para pôr-vos à prova. Tereis tribulações durante dez dias. Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida". (Ap 2,10); "Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus". (Ap 12,10). É o nome mais comum. A Bíblia relata  a historia de um servo de Deus sendo acusado pelo diabo (Jó 1,9-11). Outros servos de Deus são constantemente acusados por ele. Sendo pai da mentira, ele forja acusações contra os eleitos.

Þ    Satanás:

Este nome passou a ser aplicado a ele depois da queda. Significa “adversário” - "O Senhor mostrou-me o sumo sacerdote Josué, de pé diante do anjo do Senhor; Satã estava à sua direita como acusador". (Zc 3,1); "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar". (1Pd 5,8). Desde o momento que Lúcifer caiu no céu e foi lançado por terra - "Então! Caíste dos céus, astro brilhante, filho da aurora! Então! Foste abatido por terra, tu que prostravas as nações!" (Is 14,12) – tornou-se adversário e opositor constante de Deus, da sua criação e da sua obra. Um exemplo da oposição de Satanás à obra de Deus temos em  - "Jesus disse-lhes: Vi Satanás cair do céu como um raio". (Lc 10,18). Enquanto os discípulos proclamavam o Reino de Deus, Jesus “via Satanás caindo do céu como um relâmpago”.

Þ    Dragão e serpente.

Estes são títulos aplicados figuradamente a Satanás e indicam seu caráter monstruoso, de traidor e de astucioso - "Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos". (Ap 12,9). “Serpente” foi o nome que recebeu por causa da associação com este animal - "A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha formado. Ela disse a mulher: É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?” (Gn 3,1). “Dragão” é titulo apocalíptico, ás vezes colocado junto ao da serpente - "Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o acorrentou por mil anos". (Ap 20,2).

Þ    Belzebu:

“Belzebu” é um nome decorrente de “Baal-Zebube”, título de um deus de Ecrom, ao qual Acazias desejou consultar, mas foi impedido por Elias (2Rs 1,16.16). Significa “senhor das moscas”. No 2.º Testamento encontramos Jesus sendo acusado, pelos fariseus, de expulsar demônios pelo poder de Belzebu, “o maioral dos demônios”  (Mt 2,24-29). A resposta de Jesus identifica Belzebu como próprio Satanás.
 
Þ    Maligno:

Este titulo descreve bem seu caráter. Ele é malvado, cruel e tirânico para com todos os que consegue tornar seus súditos. Seus atos são sempre motivados pela maldade, mesmo quando pareçam bons - "Sobretudo, embraçai o escudo da fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno". (Ef 6,16); "Estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Encontrou no templo os negociantes de bois, ovelhas e pombas, e mesas dos trocadores de moedas."(Jo 2,13-14).

Þ    Abadon e Apolion:

Como o próprio texto bíblico esclarece - "Têm eles por rei o anjo do abismo; chama-se em hebraico Abadon, e em grego, Apolion". (Ap 9,11), são os mesmos nomes, em duas línguas – hebraico e grego. O significado é “destruidor”. O contexto de Ap 9 assim o apresenta. Ele é o chefe dos terríveis gafanhotos que causarão dano ao homens.

Þ    Deus deste século:

"Para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste século obcecou a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de Cristo, que é a imagem de Deus". (2Cor 4,4). Ele tem seus “ministros” - "parece bem normal que seus ministros se disfarcem em ministros de justiça, cujo fim, no entanto, será segundo as suas obras". (2Cor 11,15); suas “doutrinas” - "O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas," (1Tm 4,1); seus “sacrifícios” - "Não! As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios". (1Cor 10,20) e suas “sinagogas”. "Eu conheço a tua angústia e a tua pobreza - ainda que sejas rico - e também as difamações daqueles que se dizem judeus e não o são; são apenas uma sinagoga de Satanás". (Ap 2,9).

Þ    Príncipe deste mundo:

"Agora é o juízo deste mundo; agora será lançado fora o príncipe deste mundo". (Jo 12,31). Deus lhe impõe limites, é claro. Mas ele assim a tua até que, no fim, seja subjugado pelo governo dAquele que tem direito de governar, Jesus Cristo - "Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos". (Ap 12,9).

Þ    Príncipe da potestade do ar:

"Que cometestes outrora seguindo o modo de viver deste mundo, do príncipe das potestades do ar, do espírito que agora atua nos rebeldes". (Ef 2,2). Este título também indica uma organização dos anjos maus. Satanás é o líder deles - "Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate," (Ap 12,7);. Ele comanda uma grande companhia de servos, que executam, debaixo do seu poder despótico, as suas ordens, onde quer que sejam enviados.

Þ    Lúcifer.

Esse nome não aparece escrito na Bíblia. É decorrente da linguagem figurada de Isaias, que se refere a “estrelada manhã” e “filho da alva” - "Então! Caíste dos céus, astro brilhante, filho da aurora! Então! Foste abatido por terra, tu que prostravas as nações!" (Is 14,12). Em seu primeiro estado ele possuía estas características. Era um ser reluzente. Mas depois da queda, ele apenas se mostra como tal; apareceria ser um “anjo de luz”, com a finalidade de enganar os homens - "o que não é de espantar. Pois, se o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz," (2Cor 11,14).


II.               AS ATIVIDADES DO SATANÁS.

Muitas são as atividades de Satanás, desenvolvidas contra o Pai, contra Cristo, contra a humanidade e contra a Igreja. Vejamos algumas:

Þ    Contra Deus:

A principal tática de satanás é atacar Deus e se opor à implantação de Seu Reino. Isto já se havia tornado evidente quando caiu pecando por querer ser igual a Deus. Demonstrou, pela primeira vez, que fazia oposição a Deus quando ofereceu a Eva chave de ser como Deus, conhecendo o bem e o mal - "Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.” (Gn 3,5).

A tentação de Cristo foi também  uma demonstração de que ele se opõe ao reino de Deus. Satanás ofereceu a Jesus a glória deste mundo, tentando demove-lo da idéia de conquistar o domínio pelo sacrifício na cruz – “O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares". (Mt 4,8-9).

Hoje ele continua agindo com a mesma intenção de desfazer a obra de Deus. Por isso como ensina o apóstolo Paulo, para que “Satanás  não alcance vantagem sobre nós” não podemos ignorar os seus desígnios - "Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos as suas maquinações". (2Cor 2,11). Para atingir aos seus propósitos ele pode transformar os seus ministros em “ministros da justiça” - "parece bem normal que seus ministros se disfarcem em ministros de justiça, cujo fim, no entanto, será segundo as suas obras". (2Cor 11,15). Ele promove um sistema religioso no qual 0s demônios levam as pessoas praticam um falso ascetismo e uma desenfreada licenciosidade –

A ultima tentativa de Satanás contra o reino der Deus será quando vítima do anticristo que agirá - "Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o resplendor da sua vinda". (2Ts 2,8).




Þ    Contra Cristo:

A animosidade entre Satanás e Cristo foi pela primeira vez predita depois do pecado de Adão e Eva - "Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gn 3,15). Cristo descendente de mulher, desferiria um golpe fatal sobre a cabeça de Satanás. Este por sua vez, causaria grande sofrimento ao descendente da Mulher.

Quando o Senhor veio a terra, Satanás empreendeu vários ataques contra ele, tentando impedir que realizasse obra para a qual avia sido destinado. Sem duvida a morte das criancinhas, determinada por Herodes, era de inspiração satânica - "Vendo, então, Herodes que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou massacrar em Belém e nos seus arredores todos os meninos de dois anos para baixo, conforme o tempo exato que havia indagado dos magos". (Mt 2,16)

Mais tarde Pedro mesmo alinha-se a Satanás, quando reprova a Jesus, depois de ouvir o seu plano - "Desde então, Jesus começou a manifestar a seus discípulos que precisava ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas; seria morto e ressuscitaria ao terceiro dia.... Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo; teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!". (Mt 16,21-23).

Mas o principal e mais direto ataque de Satanás a Cristo foi pela tentação no deserto (Mt 4,1-11). O principal alvo de Satanás na tentação era eliminar o sofrimento de Cristo na cruz. Ele sugeria que sua morte substitutiva era desnecessária. Satanás tentou Cristo a ser independente de Deus - "O tentador aproximou-se dele e lhe disse: Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães. Jesus respondeu: Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8,3)". (Mt 4,3-4), a ser indulgente - "O demônio transportou-o à Cidade Santa, colocou-o no ponto mais alto do templo e disse-lhe: Se és Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; proteger-te-ão com as mãos, com cuidado, para não machucares o teu pé em alguma pedra (Sl 90,11s). Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus (Dt 6,16)" (Mt 4,5-7) e ser idolatra - "O demônio transportou-o uma vez mais, a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-lhe: Dar-te-ei tudo isto se, prostrando-te diante de mim, me adorares. Respondeu-lhe Jesus: Para trás, Satanás, pois está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás (Dt 6,13)" (Mt 4,8-10).

Uma vez que Satanás não logrou sucesso em sua tentativa de impedir Cristo fosse à cruz, ele ataca o evangelho, os seguidores de Cristo, e tudo aquilo que apresenta o cumprimento do plano de Deus para o mundo.

Þ    Contra a humanidade:

Em relação aos homens incrédulos, Satanás cega seus olhos para que não percebam as verdades espirituais divinas contidas no Evangelho e o abracem - "para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de Cristo, que é a imagem de Deus". (2Cor 4,4). Ele geralmente faz a humanidade pensar que não existe um único caminho para o céu, como o evangelho propaga. Alem disso, há outras obras que realiza contra os incrédulos:

·        Arrebata a semente da Palavra de Deus dos ouvintes, para impedir que venha a germinar - "quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho". (Mt 13,19);
·        Provoca a destruição do homem. Embora ele mesmo não tenha por final sobre a vida, ele age com o fim de levar o homem à destruição moral, espiritual e física - "O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância". (Jo 10,10);
·        Põe no coração o desejo da traição - "Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, faze-o depressa". (Jo 13,27);
·        Age impulsionando o homem para o suicídio - "Judas, o traidor, vendo-o então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, dizendo-lhes: Pequei, entregando o sangue de um justo. Responderam-lhe: Que nos importa? Isto é lá contigo! Ele jogou então no templo as moedas de prata, saiu e foi enforcar-se." (Mt 27,3-5);

Para atingir seu intento, tudo que puder fazer, o inimigo faz. Ele perverte o coração, levando o homem a usar indevidamente tudo o que Deus criou - "Fez ele um chicote de cordas, expulsou todos do templo, como também as ovelhas e os bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos trocadores e derrubou as mesas. Disse aos que vendiam as pombas: Tirai isto daqui e não façais da casa de meu Pai uma casa de negociantes. Lembraram-se então os seus discípulos do que está escrito: O zelo da tua casa me consome (Sl 68,10)." (Jo 2,15).

sexta-feira, 1 de março de 2013

GÊNESIS - LIÇÃO 05 – O SINAL DO ARCO-ÍRIS.




ARCO-ÍRIS – a palavra ordinária que significa arco de guerra em hebraico (QESHETH)  é empregada em Gn 9,13-15 – “Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra. Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, e me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie, e as águas não causarão mais dilúvio que extermine toda criatura.”

O arco-íris tornou-se o símbolo de paz e misericórdia em virtude de ter sido posto nas nuvens. Contra as escuras nuvens tempestuosas, o Arco de Guerra de Deus foi transformado num arco-íris de sua misericórdia e graça. Deus estava em paz com o povo da sua Aliança. Semelhantemente, em – "Como o arco-íris que aparece nas nuvens em dias de chuva, assim era o resplendor que a envolvia. Era esta visão a imagem da glória do Senhor". (Ez 1,28) – o arco-íris da misericórdia aparece em redor do trono da glória divina e do julgamento.

O mundo e tudo que nele há pertencem a Deus, mas Deus o deu ao homem para que este cuidasse do mundo para ele. Deus submeteu as demais criaturas ao domínio do homem, mas estabeleceu princípios para sua regência sobre a natureza – "Acima dessa abóbada havia uma espécie de trono, semelhante a uma pedra de safira; e, bem no alto dessa espécie de trono, uma silhueta humana". (Ez 1,26).

Deus deu a Noé e a seus filhos, Sem, Cão e Jafé, o controle sobre todos os animais, pássaros e peixes, assim como dera a Adão, no princípio.

Deus manteve uma relação de autoridade e intimidade com Noé e seus filhos. Deus os abençoou e lhes ordenou – "Deus abençoou Noé e seus filhos: “Sede fecundos, disse-lhes ele, multiplicai-vos e enchei a terra”". (Gn 9,1).

O pacto de Deus com Noé teve por finalidade preservar a raça humana da contaminação total do pecado e do impacto causado pelo dilúvio (morte coletiva)

O homem continuaria sendo regente de Deus na terra, dominando sobre tudo – Gn 9,1. Só não dominaria sobre o pecado. É neste misto de poder e fragilidade do homem que Deus anuncia seu pacto com o ser humano.

I.                    A NATUREZA DO PACTO – Gn 9,1-17.

Fica claro à família de Noé, depois da experiência do dilúvio, que Deus continuaria a olhar favoravelmente para o homem justo, mas não toleraria o pecado de forma alguma. Noé e seus filhos não  foram informados de como jogar o jogo da vida, mas informados claramente onde estariam fora dos limites.

Os animais que entraram na arca foram animais dóceis, que obedeceram à ordem divina e se submeteriam ao domínio do homem, o que antes era proibido ao homem pela insubmissão de seres ferozes agora era possível pela natureza submissa dos animais. Antes, o homem primitivo viva em constate medo das bestas selvagens, agora o domínio do homem seria demonstrado pelo temor e pavor que eles (animais selvagens) tinham dele – "Vós sereis objeto de temor e de espanto para todo animal da terra, toda ave do céu, tudo o que se arrasta sobre o solo e todos os peixes do mar: eles vos são entregues em mão". (Gn 9,2).
A essência deste pacto é constituída de condições e caráter irrevogáveis, em sua natureza. A natureza do pacto divino se estabelece de maneira:

1.      Permanente – vv 12-16.

O arco foi dado como um sinal de Deus para mostrar que ele jamais destruiria a terra de novo através de um dilúvio.

2.      Divina – v 2.

Vemos aqui a soberania divina. Deus mostrou neste ato o seu amor, dando a salvação, e abriu um novo caminho, uma opção para redenção da humanidade e sobrevivência do homem – "Tudo o que se move e vive vos servirá de alimento; eu vos dou tudo isto, como vos dei a erva verde". (Gn 9,3). Foi assim que Deus consolidou o pacto.

3.      Universal – vv 16-17.

“Quando eu vir o arco nas nuvens, eu me lembrarei da aliança eterna estabelecida entre Deus e todos os seres vivos de toda espécie que estão sobre a terra.” Dirigindo-se a Noé, Deus acrescentou: “Este é o sinal da aliança que faço entre mim e todas as criaturas que estão na terra.” – vv 16-17. Deus mostrou a abrangência de sua aliança – “todos os seres viventes”.

II.                  O SINAL DO PACTO – Gn 9,12-19.

Há várias definições para o sinal:

§         Símbolo ou objeto a que se dá uma significação moral fundada em relação natural.
§         Algo que serve de advertência e que transmite uma mensagem.
§         Meio de transmitir à distancia ordens ou noticias.

Veja Salmo 104,6-9:

§         Milhares de ano se passaram desde o dilúvio.
§         Deus manteve sua palavra.
§         Quando você vir um arco no céu, lembre-se de que Deus o deu como um sinal de que jamais destruiria o mundo novamente com um dilúvio.


III.                O ENFRAQUECIMENTO DO PACTO – Gn 9,20-29.

O principio ativo da aliança de Deus com o homem foi tornando-se ao fio do tempo um tanto quanto esquecido.

No esquecimento também ficaram os efeitos da terrível conseqüência do dilúvio; a verdade é que Noé passou a ter uma vida bastante normal – vivia de maneira tranqüila, era lavrador e cultivava vinha.
Na mente de Noé, o arco já não exercia tanta força. Ficou debilitado aos seus olhos o significado da aliança. Dos vv 20-24, vemos um Noé que apesar de ter sido poupado por Deus, não deixou de ser um homem  vulnerável ao pecado. Ele havia superado o dilúvio, mas isso não significava que também havia superado  pecado.

O fato ocorrido com Noé (o seu pecado) proporciona aos cristãos as seguintes admoestações:

  1. Não estamos jamais imunes ao pecado e às tentações;
  2. Pequenos deslizes cometidos durante o curso normal da existência poderão acarretar perigos graves.
  3. Não devemos dar ocasião a que outros cometam pecados – mesmo os familiares.
  4. Devemos estar conscientes da imparciabilidade com que Deus pune o pecado.

CONCLUINDO


Noé, sua família e os animais da arca foram mantidos a salvo por Deus como prenuncio de uma aliança.

Hoje temos uma nova aliança de Deus conosco, firmada pelo sangue de Jesus, e o Senhor nos garante o cumprimento de sua promessa – "Feliz o homem que suporta a tentação. Porque, depois de sofrer a provação, receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam". (Tg 1,12).

“O arco-íris, que aparece depois da chuva, torna-se o sinal da aliança de Deus com toda a criação. Através dessa aliança, Deus garante a vida para todos. Doravante, qualquer destruição que aparecer na história humana será devida aos homens, e não a Deus. A narrativa mostra que o pecado continua no mundo. Sem é abençoado, porque dele se formará o povo de Israel. Cam é o antepassado dos cananeus, adversários ferrenhos de Israel. A maldição de Cam foi abusivamente interpretada na história como maldição da raça negra.” – Bíblia Pastoral