terça-feira, 17 de julho de 2012

DOUTRINA DO ESPIRITO SANTO - LIÇAO 10 – PECADOS CONTRA O ESPIRITO SANTO.


O que acontece quando um cristão peca? Por que há certos pecados que são cometidos contra o Espírito Santo e não se menciona o Pai ou o Filho? É possível alguém blasfemar contra o Espírito Santo hoje? Qual é op pecado para a morte? Vamos procurar responder estas e outras perguntas.

I.                  EXEMPLOS DE PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO.

Podemos afirmar que, historicamente falando, esta é a “era” do Espírito Santo. Jesus deixou muito claro que ele tinha que  ir para que o Espírito Santo pudesse vir – “Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei.”  (Jo 16,7). Mas não é apenas o aspecto da época ou da dispensação (como queiram). Há muitos exemplos no 1.º Testamento e no 2.º Testamento que indicam que o Espírito Santo estava sendo diretamente ofendido pelo pecado de homens ou mulheres, eis alguns.

  1. Sansão – o Espírito Santo veio poderosamente sobre ele varias vezes – Jz 13,25; 14,6.19; 15,14; - mas depois o abandonou quando ele persistiu no pecado – “E disse ela: Os filisteus vêm sobre ti, Sansão! Despertando ele do seu sono, disse: Sairei, como das outras vezes, e me livrarei. Pois ele não sabia que o Senhor se tinha retirado dele.” (Jz 16,20).

  1. Saul – persistiu na desobediência, e o Espírito se retirou dele – “Ora, o Espírito do Senhor retirou-se de Saul, e o atormentava um espírito maligno da parte do Senhor.” (1Sm 16,14).

  1. O povo de Israel – quando o povo foi rebelde, entristeceu o Espírito Santo, e assim Deus se voltou contra os israelitas – “Eles, porém, se rebelaram, e contristaram o seu santo Espírito; pelo que se lhes tornou em inimigo, e ele mesmo pelejou contra eles.” (Is 63,10).

Talvez seja por isso que na vida de Jesus, que foi completamente sem pecado, o Espírito Santo veio sobre  Ele com poder – Jo 1,32; At 10,38 – e não lhe foi dado por medida – “Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; porque Deus não dá o Espírito por medida.” (Jo 3,34). Ele afirmou que fazia somente o que agradava ao Pai, e por isso gozava sempre da presença  dEle – “E aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque faço sempre o que é do seu agrado.” (Jo 8,29); o que é uma grande lição para nós. Mas no 2.º Testamento há uma lista de pecados que podem ser cometidos contra o Espírito Santo.  Vamos analizá-los.

II.               A BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO.

Certamente este é o conceito mais difícil de ser interpretado. Então, vamos devagar.

  1. Considerações Gerais.

a)      Os textos bíblicos que falam sobre a blasfêmia cont5tra o Espírito Santo só aparecem em Mt 12,31-32; Mc 3,28-29 e Lc 12,10, e são correlatos, ou seja, os três evangelistas estão se referindo ao mesmo episódio. Embora Lucas esteja um pouquinho ma]is a frente – veja Lc 11,14-23 – continua sendo uma palavra proferida contra os fariseus.

“E a todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado.”  (Lc 12,10).

b)      Nenhuma epístola do 2.º Testamento, que é a base doutrinária da Igreja, menciona este pecado.

c)       O substantivo grego blasfêmia ocorre 14 vezes no 2.º Testamento e o verbo blasfemeo 34 vezes. O significado básico é “insultar”, “caluniar”, “injuriar”, “ultrajar”, “desprezar”, “hostilizar”, “difamar”.

d)     Paulo chamou a si mesmo de blasfemo e perseguidor antes de conhecer a Cristo, mas alcançou misericórdia porque o fez na ignorância e na incredulidade – “Ainda que outrora eu era blasfemador, perseguidor, e injuriador; mas alcancei misericórdia, porque o fiz por ignorância, na incredulidade.” (1Tm 1,13). Pelo fato do apóstolo ter sido perdoado, concluímos que a blasfêmia contra o Espírito Santo é, de fato, um pecado muito específico.

  1. Em que consiste a blasfêmia contra o Espírito Santo.

Em Mt 12,24 – “Mas os fariseus, ouvindo isto, disseram: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios.” – os opositores de Jesus, no caso, os escribas, os fariseus estavam atribuindo a Satanás o poder que Jesus tinha para expulsar os demônios. Belzebu era o nome antigo de algum ídolo dos cananeus, que depois se tornou nome de um demônio principal. É como se fosse assim: o demônio maior expulsa o demônio menor. Sendo assim, os escribas  e fariseus estavam chamando o bem de mal. Atribuíram ao maligno uma obra que era do Espírito Santo. E foi isto que Jesus chamou de blasfêmia contra o Espírito Santo. Vale lembrar que os opositores não tentaram negar que Jesus estava expulsando demônios, mas creditavam o poder ao maligno e não a Deus.

Toda via, a grande questão permanece: alguém ainda hoje pode cometer este pecado?

Uma simples regra de interpretação bíblica nos ensina que “uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que resuma e inclua tudo o que a Bíblia ensina sobre ela”. Como a expressão blasfêmia contra o Espírito Santo não aparece em nenhum outro lugar além dos três textos citados acima, temos que “tirar” daí a doutrina do Espírito Santo.

Cremos que todo texto tem uma só interpretação primária, mas podendo ter muitas explicações. Então, a interpretação deste pecado está muito clara: atribuir a Satanás algo que foi realizado pelo Espírito Santo. O  Senhor Jesus chamou isto de “pecado eterno”. “Ms aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno.” (Mc 3,29).

Há eruditos e estudiosos do 2.º Testamento que, acreditam que este pecado só poderia ser cometido durante o ministério terreno de Jesus. Que era uma espécie de “pecado nacionalista”, ou seja, somente os israelitas poderiam comete-lo. O principal defensor desta  tese é J. Dwight Pentecost, professor emérito de exposição bíblica no Seminário Teológico de Dallas, EUA, e devido à importância e seriedade do assunto, temos que citar seu precioso comentário:

“Se a nação Israelita rejeitou o testemunho que Jesus deu de Si mesmo, eles poderiam vir a crer em Sua palavra através da palavra de Seu pai. O pai autenticou a pessoa de Cristo – “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as suas obras.” (Jo 14,10). As obras de Cristo eram as obras do Pai, e estas obras confirmaram a palavra do Pai dada no batismo de Cristo, que o Pai estava muito satisfeito com a vida de Seu Filho, Se alguém rejeitou a palavra do Pai, ele ainda poderia ser trazido à fé na pessoa de Cristo por meio do testemunho do Espírito Santo. Os milagres eram o testemunho do Espírito para Cristo. O Espírito abriu caminho para o testemunho final tanto para a pessoa quanto para a palavra de Cristo. Se alguém rejeitasse este testemunho final, Deus não teria outro testemunho a oferecer. Enquanto rejeitar a palavra de Cristo fosse pecado, uma pessoa poderia ser levada à confissão de tal pecado e reconhecer a verdade através do testemunho do Pai. Rejeitar o testemunho do Pai era um pecado; ainda alguém poderia ser levado à fé em Cristo através do testemunho do Espírito. Se alguém rejeitasse o testemunho final, não haveria mais testemunho para traze-lo a Cristo. Por esta razão não poderia haver perdão para o pecado de atribuir a obra de Cristo ao diabo quando, na verdade, a obra tinha sido realizada pelo espírito Santo.

É evidente que este pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo poderia ser cometido apenas enquanto Cristo estava pessoalmente presente na terra. O pecado só poderia ser cometido no tempo em que à nação estava sendo dada evidencias de pessoas de Cristo, através dos milagres que ele realizava pelo poder do Espírito Santo. As circunstancias necessárias não existem hoje e, conseqüentemente, este mesmo pecado não pode ser cometido hoje. Cristo estava avisando àquela geração em Israel que se eles rejeitassem o testemunho do Pai e o testemunho do Espírito  para a sua pessoa e sua obra, não haveria outra evidencia que pudesse ser dada. Estes pecados iriam se tornar imperdoáveis  e resultariam no julgamento temporal sobre aquela geração. Aquele julgamento finalmente caiu no ano 70 d.c. quando Jerusalém foi destruída. Este pecado, então, não era visto como o pecado de um individuo, mas ao contrário, como o pecado deixou toda aquela geração debaixo do julgamento divino.” -  The Words and Works of Jesus Chist (As Palavras e as Obras de Jesus Cristo), J. Dwight Pentecost (1981 – USA).

  1. É possível blasfemar contra o Espírito Santo hoje?

Se aceitarmos esta interpretação de Dwight Pentencost, então o que temos a fazer de resto são possiveis aplicações deste assunto para nós hoje.

Algumas pessoas acham que toda a pessoa que rejeita o testemunho que o Espírito Santo dá a Jesus Cristo hoje, e continua rejeitando até o final da vida, está blasfemando contra o Espírito Santo, e por isso não tem perdão; porque rejeitou o ultimo testemunho de Deus. Cremos que isto é uma aplicação e não uma interpretação do texto. Por que? Porque as igrejas estão cheias de pessoas que durante muitos anos rejeitaram claramente a Jesus Cristo, mas finalmente se arrependeram e creram no Senhor, algumas até no leito de enfermidade.

É evidente que toda pessoa que rejeita Cristo está condenada – “Quem vos ouve, a mim me ouve; e quem vos rejeita, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.” (Lc 10,16); “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Mc 16,16). Mas em nenhum lugar da Bíblia chama este ato de blasfêmia contra o Espírito Santo. E se você quer saber qual é o pecado para a morte de 1 Jo 5,16 – “Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore.”, eis a resposta: apostasia. Abandonar a fé, se rebelar contra Deus e Sua vontade. Se você  rejeitar a Cristo, que é a vida, não terá outra conseqüência senão a morte. Finalmente, o fato é que podemos estar certos de que os que temem ter cometido a blasfêmia contra o espírito Santo, e com isso se afligem, podem estar certos que não cometeram tal pecado.

III.           OUTROS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO.

  1. Entristecer o Espírito – “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.” (Ef 4,30).

Este pecado sim pode ser cometido pelo filho de Deus hoje. A advertência do apóstolo é justamente para evitar o pecado. Como é que se entristece o Espírito Santo? Cremos que todos os pecados citados no contexto deste versículo causam tristeza ao Espírito: a mentira, a ira não controlada, o furto, a amargura, a gritaria, a malicia, a falta de perdão, etc. (Ef 4,25-32).

  1. Apagar o Espírito – “Não extingais o Espírito.” (1Ts 5,19).

O verbo grego para apagar ocorre 06 vezes no 2.º testamento e, com exceção deste texto de Tessalonicense, todos os outros estão ligados a “apagar o fogo” – Mt 12,20; 25,8; Ef 6,16; 1Ts 5,19; Hb 11,34 – Novamente a pergunta: como podemos apagar o Espírito Santo? O principio da interpretação e da aplicação precisa entrar em cena aqui também. O contexto de Tessalonicense sugere uma interpretação ligada a dons espirituais, dos quais a profecia é um – “não desprezeis as profecias, mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom. Abstende-vos de toda espécie de mal.” (1Ts 5,20-21). “Significa que uma igreja precisa tomar cuidado para não ser hostil ou indiferente a certos dons, o,que implicaria apagar ou abafar a ação do Espírito Santo. Em 2 Tm 1,6  - “Por esta razão te lembro que despertes o dom de Deus, que há em ti pela imposição das minhas mãos.” – Paulo recomendou ao seu discípulo, “reavives o dom que há em ti”. O verbo reaviver era usado no grego secular para uma brasa que estava se apagando, daí a necessidade de ser soprada.” (Howard Marshall).

Billy Grahan sugere duas maneiras pelas quais podemos apagar o Espírito.

a)      Quando não alimentamos nossa alma com a Palavra e não oramos, o fogo do Espírito fica abafado e nossa alma fica adormecida. Porque estes são os caminhos que Deus usa para fornecer o combustível e manter acesa a chama do Espírito em nós.
b)      Quando pecamos intencionalmente, abafamos o Espírito. É co o jogar água ou a terra sobre Ele, ou sufoca-lo com um cobertor. Criticas e o ato de rebaixarmos o trabalho dos outros, palavras depreciativas sufocam a ação do Espírito Santo em nós. Cuidado! Muitas vezes o Espírito Santo pode estar  agindo em pessoas e situações muito diferentes das que você está acostumado a ver. Deus não está  preso a métodos, portanto deixe que Deus seja Deus onde Ele quer ser Deus. A incredulidade apaga o Espírito Santo, que é poder, mas também é sensível – “E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.” (Mt 13,58); “Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós.” (At 7,51).

CONCLUINDO


É certo que devemos  tomar o cuidado para não pecar contra o Espírito Santo. Ele não irá se impor a nossa vontade. Se resistirmos e nos opusermos a Ele e apagamos, então Seu poder será retirado e Ele renovará de nossa vida grande parte das bênçãos de Deus. Por outro lado, na vida do cristão que é agradável a  Deus, o Espírito Santo tem prazer em derramar grandes bênçãos. A promessa de Jesus é de rios de água viva fluindo do nosso interior – “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva. Ora, isto ele disse a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.” (Jo 7,38-39). Aproveite!

MARCO ANTONIO LANA (TEOLOGO)

sábado, 14 de julho de 2012

DOUTRINA DO ESPIRITO SANTO- LIÇÃO 09 – A LUTA INTERIOR DO CRENTE.




Prestem bem atenção nesta história que pode abrir caminho para entendermos melhor. A luta interior do crente. Todas as tardes de sábado, um pescador esquimó ia à cidade com dois cachorros, um branco e um preto. Ele os tinha ensinado a lutar quando eram ordenados a faze-lo. Cada sábado um dos cachorros vencia, seus amigos intrigados com o revezamento das vitórias entre o cachorro branco e o preto, perguntaram-lhe como ele fazia isso. O esperto esquimó disse: “É muito fácil: deixo um passar fome durante uma semana e só alimento o cachorro que quero que vença a luta.”

Esta história é muito apropriada para nos ensinar algo sobre a luta que se desenvolve no interior da pessoa que nasceu de novo. Nós temos dentro de nós duas naturezas que lutam para ter domínio: a natureza carnal, o velho homem; à natureza espiritual, o novo homem (natureza adâmica e natureza cristã). Cada cristão pode se identificar como apóstolo Paulo, quando ele diz – “Pois o que faço, não o entendo; porque o que quero, isso não pratico; mas o que aborreço, isso faço. Acho então esta lei em mim, que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal está comigo. mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros.” (Rm 7,15.21.23). nessa luta intensa que o crente trava no seu interior, vence a natureza mais fartamente alimentada.

I.                  A LUTA DO CRISTÃO.

“Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Pv 4,23).

“Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios.” (Mc 7,21).

Vamos trabalhar este assunto tomando como texto básico Gl 5,16-26. As duas forças neste conflito são chamadas de “a carne” e “o Espírito”“Digo, porém: Andai pelo Espírito, e não haveis de cumprir a cobiça da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.” (Gl 5,16-17).

  1. A palavra carne, para Paulo, quer dizer o que somos por natureza hereditária – nossa condição caída.

  1. A palavra Espírito para o apóstolo  é o próprio Espírito Santo, que nos renova e regenera, dando-nos uma nova natureza.

Estes dois conceitos de carne e Espírito vivem em ferrenha oposição dentro do cristão. Não há como estabelecer um acordo entre eles. Disse Jesus – “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” (Jo 3,6).

II.               AS OBRAS DA CARNE.

Paulo diz que as obras da carne são conhecidas. A carne propriamente dita – a nossa velha natureza – é secreta, é invisível, mas as suas obras são públicas e evidentes. Podemos resumir essas obras da carne em quaro áreas.

  1. A área do sexo – “Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia.” (Gl 5,19). Defini-se prostituição como sexo em troca de uma remuneração (dinheiro, favores, presentes). Algo em troca fora do próprio sexo. A palavra impureza pode ser entendida por um comportamento anormal – Rm 1,24-27. Lascívia pode ser traduzida por indecência, falta de decoro.
  2. A área da religião – “A idolatria, a feitiçaria.” (Gl 5,20). É importante observar que a idolatria e feitiçaria são tão obras da carne quanto a imoralidade. Se a idolatria é importante culto prestado a outros deuses; a feitiçaria é intercambio secreta com os poderes das trevas.

  1. A área do social – “Inimizade, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas” (Gl 5,20-21). São essas oito obras da carne, indicados por Paulo, que criam um colapso nos relacionamentos interpessoais.

  1. A área do físico – “Bebedices e glutonarias” (Gl 5,21). Esses dois termos dão a idéia de orgias como aparecem nos textos de Rm 13,13 – “Andemos honestamente, como de dia: não em glutonarias e bebedeiras, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e inveja.”; 1Pe 4,3 – “Porque é bastante que no tempo passado tenhais cumprido a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias.”. A esta lista das obras da carne, Paulo acrescenta – “....que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus.” (Gl 5,21).

III.           O FRUTO DO ESPÍRITO.

Não podemos deixar incompleto o texto que trata dessa luta interior do cristão. Vamos indicar o fruto do Espírito que vem aglomerado em nove graças distintas divididas em três grupos.

  1. “Amor, alegria e paz” – (Gl 5,22a). Esse grupo refere-se a nossa atitude para com Deus.

  1. “Longanimidade, benignidade e bondade” – (Gl 5,22b). Estas são virtudes sociais, especialmente voltadas para os outros.

  1. “Fidelidade, mansidão e domínio próprio” – (Gl 5,23). Também são virtudes do cristão voltadas para o próximo. Fidelidade descreve a certeza de se poder confiar; mansidão é atitude de humildade que Cristo tem – “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.” (Mt 11,29) e domínio próprio é a capacidade de dominar as nossas próprias reações.

CONCLUINDO


Diante dos três tópicos do corpo deste capitulo – A luta do crente, as obras da carne e o fruto do Espírito – o que o cristão deve fazer para ser um cristão vitorioso?

  1. Crucificar a carne – Gl 5,24. A rejeição que o cristão faz da sua velha natureza. Paulo diz – “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gl 2,20).

  1. Andar no Espírito – Gl 5,25. Andar no Espírito significa ser guiado pelo Espirito conforme aparece em Gl 5,18 – “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.” O texto Rm 8,26-27 – “Do mesmo modo também o Espírito nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos”. É relevante para a clareza deste andar no Espírito. Não basta submeter-nos passivamente ao controle do Espírito; também  temos de andar ativamente no caminho do Espírito. Só assim alcançaremos a vitória.

Como vai a sua vida cristã? Tem sido de altos e baixos, com muitas derrotas? Aqui temos o segredo de uma vida vitoriosa.

  1. Mata de fome a nossa velha natureza (a carne), eliminando as coisas impuras que enfraquecem o nosso Espírito;
  2. Fortalecer o nosso espírito com as coisas do Senhor, especialmente com o leite racional e o alimento sólido da palavra de Deus – “desejai como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, a fim de por ele crescerdes para a salvação,” (1 Pe 2,2); “mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal.” (Hb 5,14).


Marco Antonio Lana (Teologo)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Avaliação Médica da Morte de Jesus

 

Autor: Dr. Barbet (médico francês)

Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo.

Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de morte. Jesus entrou em agonia no Getsêmani e seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra.

O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas, e o faz com a decisão de um clínico. O suar sangue, ou “hematidrose”, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo. O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produziu o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas; o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.

Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus. Os soldados despojam Jesus e o prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos.

Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de sangue. A pele se dilacera e se rompe; o sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de sangue.

Depois o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo). Pilatos, depois de ter mostrado aquele homem dilacerado à multidão feroz, entrega-O para ser crucificado. Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos… A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário.

Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados o puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros; Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos e os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando ele cai por terra, a viga lhe escapa, escorrega, e lhe esfola o dorso. Sobre o Calvário tem início a crucificação. Os carrascos despojam o condenado, a sua túnica está colada nas chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida sabe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, se laceram as terminações nervosas postas em descoberto pelas chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.

O sangue começa a escorrer; Jesus é deitado de costas; as suas chagas se incrustam de pó e pedregulhos. Depositam-no sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado.

Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos: provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego; quando o corpo for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.


O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical. Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa o impede de apoiar-se na madeira.

Cada vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor.

Pregam-lhe os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu nada desde a tarde anterior. Seu corpo é uma máscara de sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir. Tem sede… Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços se enrijecem em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos, se curvam. É como acontece a alguém ferido de tétano. É isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios.



A respiração se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho, depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico. Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais se esvaziar. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.

Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-se a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.

Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem”.

Logo em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça.

Foram transmitidas sete frases pronunciadas por ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se tendo como apoio o prego dos pés.

Inimaginável!

Atraídas pelo sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas ele não pode enxotá-las. Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui.

Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas, todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos lhe arrancam um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?”

Jesus grita: “Tudo está consumado!”. Em seguida num grande brado diz:

“Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito”

E morre… Em meu lugar e no seu.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

DOUTRINA DO ESPIRITO SANTO - LIÇÃO 08 – O BATISMO COM O ESPIRITO SANTO.


Certamente este é um assunto polêmico quando visto como uma simples experiência cristã e não como uma doutrina bíblica. A constatação de tal realidade é fácil quando se vê o número enorme de grupos e de perspectivas teológicas sobre o batismo com, pelo ou no Espírito Santo. Precisamos estar dispostos a estudar este assunto sem colocar as tradições denominacionais como uma barreira à clareza bíblica.

I.                  O ENSINO BÍBLICO SOBRE O BATISMO COM O ESPIRITO SANTO.

“Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo. Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” (1Cor 12,12-13).

A Bíblia ensina que o batismo do Espírito Santo é a obra pela qual o Espírito coloca o crente numa inseparável união com Cristo, fazendo-o membro do seu corpo espiritual que é a Igreja (1Cor 12,12-13.20.27; Rm 6,3; Gl 3,17). O batismo do Espírito Santo é freqüentemente confundido co a plenitude do Espírito, e como tal, reconhecido como a “Segunda Benção”.

Interessante que há somente sete passagens no 2.º Testamento que falam diretamente deste assunto, e podemos dividir as passagens em três grupos.

1.       O batismo de Espírito Santo como acontecimento futuro – (Mt 3,11; Mc 1,7-8; Lc 3,6; Jo 1,33; e At 1,4-5).
2.       O batismo do Espírito Santo como cumprimento das promessas de João Batista e de Jesus – (At 11,15-17).
3.       o batismo do Espírito Santo  como uma experiência mais ampla de todos os crentes – (At 11,15-17).

II.               TRÊS POSSÍVEIS EXCEÇÕES.

Billy Graham expõe em seu livro “O Espírito Santo”, nas pág. 66 e 67, os seguintes argumentos.

  1. A primeira exceção é de At 8, onde é relatada a viagem de Filipe a Samaria. Os apóstolos mandaram Pedro e João para investigar o que estava acontecendo naquela localidade. Eles depararam com uma grande agitação, com pessoas prontas para receberem o Espírito Santo – “Então lhes impuseram as mãos, e eles receberam o Espírito Santo.”(At 8,17).
  2. A segunda exceção é de At 9. Para alguns Paulo recebeu duas bênçãos. A primeira quando ele foi tocado pelo Espírito com uma luz do céu que brilhou ao seu redor – “Mas, seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu;” (At 9,3), e a segunda quando ele foi cheio do Espírito na presença de Ananias – “Partiu Ananias e entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, enviou-me para que tornes a ver e sejas cheio do Espírito Santo.” (At 9,17).
  3. A terceira exceção é At 19,1-7. Paulo passou em Éfeso e encontrou 12 discípulos que não tinham recebido o Espírito Santo. O Texto deixa claro que esses homens não conheciam nada sobre o Espírito Santo.

A Igreja histórica teve início no dia do Pentecostes, e o que cabia fazer era integrar, com destaque, esses crentes retardatários no corpo vivo de Cristo. Essa integração aconteceu nas três exceções já mencionadas e em outros fatos históricos, como At 10, que conta a conversão de Cornélio.

III.           UM SÓ BATISMO.

Aqui tratamos do fundamento da unidade da Igreja como corpo de Cristo. No mesmo nível dos outros elementos – um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só Deus e Pai de todos – que formam os alicerces do Cristianismo, está “UM SÓ BATISMO” – Ef 4,4-6. É o nivelamento desses elementos que promove a unidade do corpo de Cristo. Paulo diz – “Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só.” (1Cor 12,13). Com certeza, neste versículo, o batismo com o Espírito Santo do Corpo de Cristo. Ele é o grande fator de união.

CONCLUINDO


Enceramos este capítulo apontando alguns fatos importantes ao batismo do Espírito Santo.

1.       Pelo batismo do Espírito Santo os crentes são unidos no corpo de Cristo – 1Cor 12,12-13; Gl 3,17; Rm 6,14; Cl 2,9; Ef 4,4-6.
  1. Todo verdadeiro crente é batizado com o Espírito Santo – 1Cor 12,12-13.
  2. O batismo com o Espírito Santo é um único – Ef 4,4-6.

Marco Antonio Lana

sábado, 30 de junho de 2012

DOUTIRNA DO ESPIRITO SANTO - LIÇÃO 07 – O ESPIRITO SANTO NA VIDA DO CRENTE.


Ao estudar a questão do Espírito Santo na vida do crente, precisamos estabelecer, de princípio, que não existe salvação sem o Espírito Santo e que o Espírito Santo na vida do crente é a garantia da salvação. Paulo diz – “no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.” (Ef 1,13-14).

Quando Paulo esteve em Éfeso, encontrou alguns discípulos perguntou-lhes se haviam recebido o Espírito Santo quando creram. A resposta foi negativa – “Não, nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo”. (At 19,2). Paulo estranhou  a resposta e novamente interrogou – “Em que fostes batizados então? E eles disseram: No batismo de João.” (At 19,3). Paulo não descartou o batismo de João, ele simplesmente procurou  colocar em ordem a doutrina da salvação dizendo – “João administrou o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que após ele havia de vir, isto é, em Jesus.” (At 19,4). Naquele momento manifestou-se a presença do Espírito Santo na vida daqueles discípulos – “Quando ouviram isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. Havendo-lhes Paulo imposto as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falavam em línguas e profetizavam. E eram ao todo uns doze homens.” (At 19,5-7).

Partindo desta introdução que é o pano de fundo para esta lição, vamos considerar, a seguir, a atuação do Espírito Santo na vida do crente.

“Ninguém quer um Cristianismo frio, intelectual, sem alegria e sem frutos; e só o Espírito Santo na vida do crente pode proporcionar essas experiências para  o cristão” – John Stott.


I.                   O ESPÍRITO SANTO ILUMINA A MENTE DO CRENTE.

“Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1Cor 3,16).

Paulo diz – “Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus.” (1 Cor 2,10); “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12,2); “...a vos renovar no espírito da vossa mente;” (Ef 4,23). O espírito conhece as profundezas de Deus. Só ele sabe realmente o que Deus pensa, é dessa maneira que podemos alcançar o milagre de termos a “mente de Cristo” (1Cor 2,14-16). Em – “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2Cor 3,18) – está dito que o crente é trabalhado e transformado pelo Espírito à medida que, iluminado pelo mesmo Espírito, ele é capaz de contemplar a glória do Senhor como por um espelho. O crente vê a imagem de Cristo no espelho da Palavra de Deus. O Espírito Santo inspirou a Palavra, revelou a Palavra e continua iluminando a Palavra.

II.               O ESPÍRITO SANTO CONVENCE O CRENTE DO PECADO.

Não foi por acaso, ou pressionado pelas necessidades, que o filho pródigo resolveu voltar para casa de seu pai. A expressão “caído em si” de Lc 15,17 deixa claro que aquele moço foi convencido por alguém que ele estava em pecado e precisava confessar esse pecado à pessoa ofendida – “Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.” (Lc 15,21). O apóstolo João descreve este ministério do Espírito Santo em três dimensões – “E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais, e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado.” (Jo 16,8-11).

III.           O ESPÍRITO SANTO ENSINA O CRENTE AS VERDADES DE DEUS.

João declara -  “Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras.” (Jo 16,13). Nos textos de Mt 20 e Lc 12,11-12, Jesus fala aos discípulos que na hora do aperto, da tribulação, da angustia, da opressão, dos tribunais, dos questionamentos, o Espírito Santo lhes daria sabedoria de forma tão profunda e poderosa que ninguém lhes poderia resistir.

O apóstolo João trabalha este assunto nestas palavras – “E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei.” (1Jo 2,27).

IV.             O ESPÍRITO SANTO GUIA O CRENTE.

Mais do que a expressão joanina “Ele vos guiará a toda a verdade” (Jo 16,13), Paulo diz aos gálatas – “Andai no Espírito” (Gl 5,16). Lucas,  descrevendo as viagens missionárias de Paulo, confirma a direção do Espírito Santo na vida do apóstolo – “Atravessaram a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia; e tendo chegado diante da Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu.” (At 16,6-7). Foi exatamente neta situação que o Espírito do Senhor guiou Paulo para a Macedônia – “De noite apareceu a Paulo esta visão: estava ali em pé um homem da Macedônia, que lhe rogava: Passa à Macedônia e ajuda-nos. E quando ele teve esta visão, procurávamos logo partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciarmos o evangelho.” (At 16,9-10).

CONCLUINDO

Resumindo o que foi dito neste capítulo, a atuação do Espírito Santo na vida do crente pode ser definida em três palavras: SOBRE – COM – NO.

1.       No 1.º Testamento Ele veio SOBRE algumas pessoas à sua escolha – Ex 35,30-31; Jz 14,6.19; Jz 15,14.
2.       Os Evangelhos mostram como ele morava COM os discípulos na Pessoa de Cristo – “a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós.” (Jo 14,17).
3.       A partir do segundo capítulo de Atos em diante, a Bíblia diz que ele está No povo de Deus – “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 9,19).

Marco Antonio Lana (Teologo)