quarta-feira, 11 de abril de 2012

SERMAO DA MONTANHA - LIÇÃO 10 – A PIEDADE DO CRISTÃO


“Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.” (Mt 6,1).

  1. INTRODUÇAO.

O cuidado de não praticarmos publicamente nossos deveres espirituais para que sejamos admirados pelos outros (Mt 6,1) introduz toda a seção que vamos estudar nesta lição. Os três exemplos de piedade cristã considerados por Jesus – a esmola, a oração e o jejum – são tão inerentes à vida do cristão que o propósito de Jesus no sermão não foi levar os discípulos a praticar essas coisas, mas ensinar-lhes a maneira correta de fazê-lo, diante de Deus.

Os assuntos aqui analisados integram o corpo doutrinário de praticamente todos os sistemas religiosos ao redor do mundo. Essa semelhança com o cristianismo bíblico não diminui a importância da esmola, oração e jejum para nós. O importante não está na semelhança, mas na diferença entre o que a Bíblia ensina e os demais credos. E é exatamente para fazer diferença que fomos chamados.

  1. A ESMOLA CRISTÃ – (Mt 6,2-4).

                      I.    A palavra grega para esmola significa compaixão, alivio imediato aos pobres em dinheiro ou outras coisas.

A ajuda ao necessitado é parte integrante da conduta ideal do povo de Deus – “Nunca faltarão pobres na terra, e por isso dou-te esta ordem: abre tua mão ao teu irmão necessitado ou pobre que vive em tua terra” (Dt 15,11). O Sl 41,1 – “Bem-aventurado é aquele que considera o pobre; o Senhor o livrará no dia do mal” – apela para o interesse pessoal que se deve ter pelos pobres. Jesus falou da benção da doação – “Em tudo vos tenho mostrado que assim, trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber!” (At 20,35). Isso implica que o cristão não pode se esquecer de que ter sido salvo pela graça mediante a fé, e “não por obras”, não contradiz a verdade de que foi salvo “por boas obras” (Ef 2,8-10). Boas obras certamente incluem as esmolas. Mas isso n ao é dar indiscriminadamente. São palavras do Didaqué (antigo documento cristão): “Que tua esmola sue em tuas mãos, até saberes a quem dar”.

                    II.    A qualidade de esmola tem muito a ver com a motivação.

Exatamente o contrário do que faziam os escribas e fariseus, que buscavam a gloria dos homens – “Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a glória que é só de Deus?” (Jô 5,44); “Assim preferiram a glória dos homens àquela que vem de Deus.” (Jô 12,43), Jesus disse que o cristão não deve dar esmolas com um espírito de auto - gratificação, para engrandecer seu ego. Mas se Jesus proíbe a busca de louvor dos outros e até de nós mesmos quando damos esmolas, por que nos incentiva a procurar a recompensa de Deus? Não seria apenas mudar a forma da vaidade?

a)    Ser motivado por recompensa nem sempre está errado.

O próprio Jesus suportou a cruz em troca da alegria que o aguardava:

“Em vez de gozo que se lhe oferecera, ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus.” (Hb 12,2).

Moisés fez uma grande renuncia por causa do galardão de Deus:

“Foi pela fé que Moisés, uma vez crescido, renunciou a ser tido como filho da filha do faraó, preferindo participar da sorte infeliz do povo de Deus, a fruir dos prazeres culpáveis e passageiros. Com os olhos fixos na recompensa, considerava os ultrajes por amor de Cristo como um bem mais precioso que todos os tesouros dos egípcios. Foi pela fé que deixou o Egito, não temendo a cólera do rei, com tanta segurança como estivesse vendo o invisível.” (Hb 11,24-27).

E não apenas ele, mas todos os heróis da fé se motivaram na justa recompensa divina:

“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram. Pela fé na palavra de Deus, Noé foi avisado a respeito de acontecimentos imprevisíveis; cheio de santo temor, construiu a arca para salvar a sua família. Pela fé ele condenou o mundo e se tornou o herdeiro da justificação mediante a fé. Foi pela fé que Abraão, obedecendo ao apelo divino, partiu para uma terra que devia receber em herança. E partiu não sabendo para onde ia. Foi pela fé que ele habitou na terra prometida, como em terra estrangeira, habitando aí em tendas com Isaac e Jacó, co-herdeiros da mesma promessa. Porque tinha a esperança fixa na cidade assentada sobre os fundamentos (eternos), cujo arquiteto e construtor é Deus.” (Hb 11,6-10).

Isso tem tudo a ver com cada um de nós:

“Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo.” (2 Cor 5,10).

b)   Deus não vê como vê o homem.

“Mas o Senhor disse-lhe: Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração.” (1 Sm 16,7).
A natureza da recompensa divina difere da recompensa dos homens. Uma forma de recompensa é ver o alivio do necessitado por nosso intermédio.

  1. A ORAÇAO CRISTÃ – Mt 6,5-8).

No segundo exemplo da piedade cristã, Jesus novamente chama nossa atenção para a diferença entre a hipocrisia e a realidade. É interessante a referencia aos hipócritas quando diz que eles “gostam de orara”. Contudo, a intenção era se exibirem nos lugares mais públicos como as sinagogas e os cantos das praças. O problema não estava na postura (em pé) nem na diferença de lugares (sinagogas e praças), mas na motivação – “serem vistos dos homens”. Apenas oravam de si para si mesmos:

 “O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali.” (Lc 18,11).

A recompensa que recebiam não passava do aplauso dos homens. Esse tipo de farisaísmo continua vivo ainda hoje.

Em contraste com a hipocrisia exibicionista dos fariseus, Jesus nos chama para a oração secreta. Imagina-se que ser hipócrita na oração a soas com Deus seria o cúmulo do fingimento. O quarto referido em Mt 6,6 representa uma despensa onde se guardavam tesouros. Era um lugar privativo ao administrador da casa. A implicação é que quando vamos orar em secreto, os tesouros de Deus nos aguardam, pois essa é a promessa: “Teu pai, que vê em secreto, te recompensará”. Se não conseguirmos entrar no nosso quarto, fechar a porta e ficar a sós em comunhão com nosso pai celestial, pergunta-se: De que espécie de cristãos nós somos?

A “hipocrisia” era a marca dos fariseus e as “vãs repetições” identificavam os gentios ou pagãos.

“Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.” (Mt 6,7).

Jesus não está proibindo repetição nas orações, pois ele não só recomendou como também praticou.

“Deixou-os e foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras.” (Mt 26,44).

O apóstolo Paulo também essa pratica;

“Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim.” (2 Cor 12,7-8).

O que ele condena é a verbosidade do “muito falar” quando se ora.
“Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras.” (Mt 6,7).

Dizem-nos muitos santos que quando nossa oração se aprofunda, cada vez mais precisamos de menos palavras. O Deus do cristão não se impressiona com o volume de palavras e o tempo gasto na oração.

Se Deus sabe do que precisamos antes de orarmos, porque então orar?

“Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais.” (Mt 6,8).

Os cristãos não oram com a intenção de informar a Deus de suas necessidades, mas para mostrar confiança e dependência dele.

  1. O JEJUM CRISTÃO – (Mt  6,16-18).

Muitos cristãos vivem hoje como se Mt 6,16-18 tivesse sido arrancado de suas Bíblias. Mas não temos nenhuma razão para destacar mais o dar e o orar dop que jejuar.

                      I.    Quem praticava o jejum?

a)    O povo de Israel recebeu a ordem de jejuar uma vez por ano, nos dia da Expiação (Lv 16,29-31; 23,26-32; Nm 29,7)

b)   Depois do cativeiro na babilônia passou-se a praticar quatro jejuns, para lembrar os dias do exílio (Zc 7,3-5; 8,19).

c)    Os fariseus jejuavam duas vezes por semana (Lc 18,12).

d)   Os discípulos de João Batista também jejuavam (Mt 9,14; Lc 5,33).

e)    O próprio Jesus jejuou antes de começar o seu ministério publico (Mt 4,1-2).

f)     A igreja primitiva seguiu o exemplo de Jesus (At 13,1-3; 14,23.

g)   Os apóstolos jejuavam (2 Cor 6,5)


                    II.    O jejum é um meio ou um fim em si mesmo?

O jejum não obtém um favor automático de Deus, pois se não for acompanhado de uma conduta correta, sua prática perde o sentido (Is 58,1-12; Jr 14,11-12). Ele não deve chamar as atenções para nós mesmos, mas expressar nossa humildade diante de Deus, que tudo conhece.

                   III.    Que é jejum?

O jejum é a abstenção total ou parcial de alimentos e de água durante períodos de tempos longos ou curtos, a critério de quem vai jejuar, sempre com razoes especificas.

                  IV.    Quando o jejum é praticado?

O jejum sempre foi praticado em ocasiões de grandes decisões (2 Cr 20,1-4; Ed 8,21-23; Et 4,16); em momentos de tristezas (1Sm 31,13; Ne 1,4); de arrependimento (Ne 9,1-2; Jn 3,5-9); e sempre acompanhado de orações (Sl 35,13). O jejum pode ser individual ou coletivo (2Sm 12,22; Jz 20,26; Jr 1,14).

  1. CONCLUSÃO.

Devemos concluir esta lição lembrando a todos que o Deus da Bíblia odeia a hipocrisia, pois Ele é o Deus da verdade e da realidade. Mantenhamo-nos conscientes de que estamos sempre na sua presença, e que a nossa dádiva, a nossa oração e o nosso jejum devem ser para agradar a Deus.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A PÁRABOLA DO GRÃO DE MOSTARDA E DO FERMENTO


(Evangelho de Lucas cap.13 vers: 18-21)
 
"Dizia Jesus : a que é semelhante o reino de Deus e a que o compararei ? É semelhante a um grão de mostarda que um homem plantou na sua horta ; e cresceu e fez-se árvore ; e as aves do céu aninharam-se nos seus ramos . Disse mais : A que compararei o reino de Deus ? É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha , até ficar tudo levedado .
 
Lição que extraímos :
 
A parábola do grão de mostarda e a do fermento, que se lhe segue , completam-se entre si.  Falam do crescimento do mal dentro do atual reino visível de Deus .   A parábola do grão de mostarda fala do pequeno começo desse reino e seu desenvolvimento subseqüente no decurso do tempo.  Ele começou apenas com Jesus e um grupo de discípulos dedicados.  No entanto, a manifestação atual e visível do reino crescerá até tornar-se grande organizado e poderoso . Ele aceitará nos seus “ramos”,(isto é, na sua comunhão) as aves do céu, isto é, elementos malignos que removem as sementes da verdade ; onde as aves figuram os agentes do mal .

O fermento é normalmente , considerado nas Escrituras, tipo de presença do mal ou da impureza .  Ele fermenta, desintegra ou corrompe . No Novo Testamento o fermento    é empregado para representar o falso ensino e as doutrinas malignas dos fariseus ,  dos saduceus e dos herodianos.

Todo cristão deve tomar cuidado para que o fermento do mal não afete sua vida .

O segredo da vitória contra isso consiste em sempre olhar para Jesus com fé ; em desprezar as coisas do mundo ; em permanecer na Palavra de Deus ; e aguardar a volta de Cristo;  em constantemente ouvir e obedecer a voz do Espírito Santo., em estar disposto a sofrer com Cristo ; e por Cristo ; em lutar contra todas as formas do mal; em defender o evangelho ; e em revestir-se de toda a armadura de Deus .
 
Quem eram os saduceus ?
 
Eram os que negavam a validade permanente de qualquer escrito sagrado , além das leis escritas do Pentateuco. Rejeitavam as doutrinas mais adiantadas da alma e do após-vida , da ressurreição , das recompensas , das retribuições, dos anjos e demônios. Acreditam que não existe destino, que os homens tem a livre escolha entre o bem do mal, sendo que a prosperidade ou a advertência era o resultado de seu próprio curso de ação.
 
Quem eram os fariseus ?

Eram os membros de uma seita dos judeus , que ostentavam grande santidade exterior
na sua vida .    Aquele que não tem senão a ostentação da virtude : hipócrita . Sob um rigorismo aparente , os fariseus escondiam os hábitos mais depravados. Jesus Cristo, tendo-lhes desmascarado o orgulho e a hipocrisia , comparou-os a sepulcros  caiados , por fora, e cheios por dentro de podridão e negrura ; os fariseus ligaram-se com os príncipes dos sacerdotes contra Ele , amotinaram a população e fizeram-no condenar ao suplicio da cruz . Esta palavra (fariseu) diz-se, no figurado , dos beatos falso e d’aquele que só tem a máscara da piedade e virtude .
 
Quem eram os herodianos ?

Eram os inimigos de Jesus 
 

domingo, 8 de abril de 2012

SERMAO DA MONTANHA - LIÇAO O9 – NEGAÇÃO E AFIRMAÇÃO NA VIDA DO CRISTÃO.


            “Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens.” Rm 12,17.

1-    INTRODUÇÃO.

Um sagaz observador do cristianismo disse certa vez: “Vocês, cristãos, parecem possuir uma religião que os faz miseráveis. Vocês se assemelham a um homem com dor de cabeça. Ele não deseja livrar-se de sua cabeça, mas ela lhe é uma continua aflição. Não esperem que os de fora estejam ansiosos por conseguir coisa tão desoladora”. Será que alguém que pauta sua vida pelos princípios do Sermão da Montanha é um desolado? Pelo contrário, sem ignorar a abnegação implícita, é o único padrão de felicidade que alguém pode conhecer. Nisso está a diferença nas relações interpessoais.

2-    REAÇÃO POSITIVA SEM RETALIAÇÃO – Mt 5,38-42.

Não é exatamente o que alguém faz contra nós que nos prejudica, mas amaneira como reagimos. É verdade que não podemos controlar o que as pessoas fazem, mas na qualidade de cristãos podemos controlar nossas reações. Firmado nisso, ninguém deve sentir vitima de circunstancias. Muitos são convertidos em suas ações: não roubam, não mentem, não cometem adultério. Mas reagem negativamente diante do que lhes acontece. As reações erradas os levam para a amargura e o ódio.

Nossas reações dizem muito sobre nosso nível de maturidade cristã. Jesus nos ensina que devemos nos desfazer do espírito de relação a respeito de qualquer ofensa ou dano que nos tiverem fito.

          I.    A vingança não nos pertence – Mt 5,38-39.

As punições para as infrações morais e legais eram atribuídas às autoridades constituídas e ao próprio Deus (Ex 21,22-25; Lv 24,19-20; Dt 19,14-21; Sl 94,1; Rm 12,19; 13,1-7; Hb 10,30-31). O erro dos escribas e fariseus foi estenderem as prerrogativas dos tribunais para as relações pessoais. Embora a lei proibisse a vingança – “Não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos de teu povo.” (Lv 19,18), eles ensinavam exatamente o contrario.

Quando Jesus disse: “Não resistais ao perverso” (Mt 5,39), ele não estava contradizendo o principio verdadeiro e justo da retribuição. Embora esse princípio pertença aos tribunais legais e ao juízo de Deus, nunca deve ser aplicado aos relacionamentos pessoais.

Quando maltratado, o cristão deve reagir com o perdão, nunca com a retaliação – “Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” (Mt 18,21-22).

        II.    Quatro ilustrações – Mt 5,39-42.

As ilustrações mencionadas nesse texto não devem ser entendidas literalmente; elas são usadas para destacar o fato de que o cristão, para não se vingar de alguém que o tenha ofendido pessoalmente, vai ao extremo oposto.

a)    A outra face – (v 39)

Nossa tendência natural quando ofendidos é revidar imediatamente, se possível, aplicando um sofrimento maior do que aquele que recebemos, Jesus nos ensina que devemos estar preparados para sofrer sem responder com vingança. Se Jesus e os apóstolos não revidaram quando ultrajados, não deve ser diferente conosco (1 Pd 2,21-23; 1 Cor 4,9-13).

b)   A capa – (v 40).

De acordo com as leis judaicas um credor podia tomar a túnica (roupa interior) do devedor como fiança. Mas se a roupa externa (a capa) lhe fosse tomada, teria de ser devolvida antes do por do sol, porque era natural que o devedor precisaria dela contra o frio da noite – “Se tomares como penhor o manto de teu próximo, devolver-lho-ás antes do pôr-do-sol, porque é a sua única cobertura, é a veste com que cobre sua nudez; com que dormirá ele?” (Ex 22,26-27). O cristão deve estar disposto a sofrer a injustiça e o dano – “Na verdade, já é um mal para vós o fato de terdes processos uns contra os outros. Por que não preferis sofrer injustiça? Por que não preferis ser espoliados?” (1 Cor 6,7).

c)    A segunda milha – (v 41).

Havia um costume romano de que qualquer cidadão do império podia ser recrutado compulsoriamente para levar uma carta ou fazer outro serviço que lhe impusessem. A milha romana media um quilometro e meio. O ensino de Jesus é que o cristão deve fazer além daquilo que lhe for solicitado.

d)   O pedinte – (v 42).

Nesse ponto, Jesus trata da questão do dar e do emprestar. Uma vez mais está em pauta a negação do próprio “eu”, mostrando o quanto esta errada a nossa tendência natural de agarrar as coisas e dizer: o que é meu é meu. Acreditamos que Jesus não está nos ensinando a dar indiscriminadamente, pois existem os escroques e pedintes profissionais que são verdadeiros sanguessugas e devem ser tratados como merecem – “Aliás, quando estávamos convosco, nós vos dizíamos formalmente: Quem não quiser trabalhar, não tem o direito de comer.” (2 Ts 3,10). Isso não diminui o principio de que o cristão deve ser dotado de impulsos generosos (Gl 6,10; 1 Jo 3,17-18).



3-    AMOR ATIVO COM DISTINÇAO – Mt 5,43-48.

Jesus não espera que tenhamos apenas uma atitude passiva diante do perverso, mas que tenhamos também um amor ativo para com os nossos inimigos. Nas palavras de Agostinho (Santo Católico): “Muitos tem aprendido a oferecer a outra face, mas não sabem como amar a pessoa que os esbofeteou”.
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A lei dizia: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Alem de omitirem as palavras “como a ti mesmo”, os escribas acrescentavam: “odiaras o teu inimigo” (Mt 5,43). Para eles “o próximo” era apenas outro judeu, colocando todas as demais pessoas na categoria de inimigos. E, sendo inimigos, poderiam ser também odiados. Desprezavam outros mandamentos que regulavam a conduta do judeu para com os inimigos (Ex 23,4-5).

Para Deus, nosso “próximo” inclui nosso inimigo. Todo ser humano é nosso próximo. Nesse sentido foi que Jesus apresentou aos discípulos um padrão bem mais abrangente do amor ao próximo.

                      I.    Amor pelos inimigos (v 44).

Mesmo odiado, é dever de o cristão buscar o bem – estar material e espiritual do próximo (Lc 6,27.35; Rm 12,20-21).

                    II.    Orar pelos perseguidores (v 44).

Para orar por quem nos perseguem é necessário amar tal pessoa e, à medida que continuamos a orar por ela, passamos a amá-la ainda mais. Jesus orou por seus algozes enquanto era crucificado – “E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.” (Lc 23,34). Estevão “Posto de joelhos, exclamou em alta voz: Senhor, não lhes leves em conta este pecado... A estas palavras, expirou.” (At 7,60).

                   III.    O amor que faz a diferença (v 45-47).

Os escribas e os fariseus faziam do ódio aos inimigos parte integrante de sua religião. Ao contrario disso, o que nos identifica como filhos de Deus é o amor para com todas as pessoas indistintamente (v 45). Se amarmos apenas nossos queridos e amigos, estamos na mesma categoria dos incrédulos sem Jesus, pois esse nível de amor era praticado até entre os vigaristas publicanos (v 46). Se saudarmos apenas os membros da nossa igreja, que fazemos de mais? Até os pagãos fazem isso com seus companheiros (v 47). O que Jesus espera de seus discípulos é o extraordinário. É aquilo que somente o cristão nascido de novo pode fazer, pela graça de Deus.






                  IV.    O padrão do amor cristão (v 48).

É claro que quando Jesus fala de sermos perfeitos como Pai celeste ele não se refere ao estado de perfeição sem pecado, por isso ninguém atinge nesta vida. O texto paralelo de Lucas – “Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.” (Lc 6,36) – ajuda a entendermos que Deus nos chama para sermos perfeitos em amar, ou seja, amar até os nossos inimigos com a mesma quantidade do amor de Deus.

4-    CONCLUSÃO.

Há quem diga que o conceito “ame os vossos inimigos” não se encontra em nenhum outro livro tido como inspirado. Isso ilustra o fato de que os princípios apresentados no texto básico desta lição são próprio do cristianismo bíblico, e que, postos em pratica, produzem uma diferença impar na vida do cristão. Estamos vivendo essa diferença?

segunda-feira, 2 de abril de 2012

SERMÃO DA MONTANHA - LIÇÃO 08 – A PALAVRA DE HONRA DO CRISTÃO


“Antes de mais nada, meus irmãos, abstende-vos de jurar. Não jureis nem pelo céu nem pela terra, nem empregueis qualquer outra fórmula de juramento. Que vosso sim, seja sim; que vosso não, seja não. Assim não caireis ao golpe do julgamento.” Tg 5,12.

  1. INTRODUÇAO.

“Possuímos um coração tão altissonante quanto um sino, e a língua é o badalo, pois o que o coração pensa a língua fala” (William Shahespeare). O controle desse badalo (língua) expressa o que a Bíblia expressa:

“Se alguém pensa ser piedoso, mas não refreia a sua língua e engana o seu coração, então é vã a sua religião.” (Tg 1,26).

“Se alguém não cair por palavra, este é um homem perfeito, capaz de refrear todo o seu corpo.” (Tg 3,2).

Isso é tão relevante para o cristão que ele deve pedir a Deus que guarde os seus lábios, para que as palavras proferidas sejam agradáveis na sua presença:

“Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios!” (Sl 141,3).

“Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!” (Sl 19,14).

A bíblia não questiona a pratica de juramento, mas a leviandade dos perjúrios e o tomar o nome de Deus em vão. Jesus condenou os juramentos na vida do cristão e propôs um padrão mais elevado, que é a credibilidade em tudo o que falarmos e não apenas no que juramos.

  1. OS JURAMENTOS E OS ANTIGOS.

“Ouvistes ainda o que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.” (Mt 5,33).

A prática de fazer juramento vem dos tempos mais remotos.

 Levanto a minha mão para o Senhor Deus Altíssimo que criou o céu e a terra, respondeu Abrão, de tudo o que é teu não tomarei sequer um fio nem um cordão de sandália, para que não digas: Enriqueci Abrão.” (Gn 14,22-23).

Essa foi à maneira encontrada de garantir a palavra do homem:

“Os homens, com efeito, juram por quem é maior do que eles, e o juramento serve de garantia e põe fim a toda controvérsia.” Hb 6,16.

O uso de juramentos era feito na confirmação de pactos:

“Eles responderam: ‘Nós vimos que o Senhor está contigo, e pensamos conosco: Haja um juramento entre nós e ti. Queremos, pois, fazer aliança contigo. ’” (Gn 26,28).

“Foi assim que Jônatas fez aliança com a casa de Davi, e o Senhor vingou-se dos inimigos de Davi. Jônatas conjurou ainda uma vez a Davi, em nome da amizade que lhe consagrava, pois o amava de toda a sua alma.” (1 Sm 20,16-17).

Em decisões nos tribunais:

“Se um homem confiar à guarda de outro um boi, uma ovelha ou um animal qualquer, e este morrer, ou quebrar um membro, ou for roubado sem que haja testemunha, o juramento do Senhor intervirá entre as duas partes para que se saiba se o responsável pela guarda do animal não pôs a mão sobre o bem do seu próximo. O proprietário aceitará esse juramento, sem que haja restituição.” (Ex 22,16-17).

Na obrigação de se realizar os deveres sagrados:

“Se um homem fizer um voto ao Senhor ou se comprometer com juramento a uma obrigação qualquer, não faltará à sua palavra, mas cumprirá toda obrigação que tiver tomado.” (Nm 30,2; ver também: 2Cr 15,14-15; Ne 10,29; Sl 133,1-5).

E em muitas outras circunstancias.

a)    Os juramentos não foram ordenados, mas permitidos.

Mesmo não sendo diretamente ordenados, os juramentos eram permitidos, responsabilizando assim que deles se utilizava:

“Abraão disse ao servo mais antigo de sua casa, que administrava todos os seus bens: ‘Mete tua mão debaixo de minha coxa. Quero que jures pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não escolherás para mulher de meu filho nenhuma das filhas dos cananeus, no meio dos quais habito’. Pôs, então, o servo sua mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e fez-lhe o juramento que ele pedia.” (Gn 24,2-3.9; ver também Gn 28,20-22; Nm 30,2; Dt 23,21; 2Cr 6,22-23; Esd 10,5; Ne 5,12; Jr 4,2).

b)   Os juramentos muitas vezes eram precipitados.

“É um laço dizer inconsideradamente: Consagrado; e não refletir antes de ter emitido um voto.” (Pr 20,25).

A Bíblia mostra vários exemplos de pessoas que se precipitaram em seus juramentos, como:
·         Esaú – “... Esaú jurou e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó.” (Gn 25,33);
·         Josué – “Josué concedeu-lhes a paz e fez com eles uma aliança que lhes assegurava a vida, e os principais da assembléia confirmaram-na com juramento. Três dias depois desse tratado, souberam que aquela gente era vizinha e habitava no meio deles.” (Js 9,15-16);
·         Jefté – “Jetfé fez ao Senhor este voto: ... Meu pai, disse ela, se fizeste um voto ao Senhor, trata-me segundo o que prometeste, agora que o Senhor te vingou de teus inimigos, os amonitas.” (Jz 11,30-36);
·         Saul – “Mas Jônatas, ignorando o juramento que o seu pai obrigara o povo a fazer, estendeu a ponta da vara que tinha na mão, mergulhou-a num favo de mel e o levou à boca. Então seus olhos (fatigados) brilharam. Saul disse: Trate-me Deus com todo o rigor, se não morreres, Jônatas!” (1 Sm 14,27.44);
·         Herodes – “Por isso, ele prometeu com juramento dar-lhe tudo o que lhe pedisse. ... O rei entristeceu-se, mas como havia jurado diante dos convidados, ordenou que lha dessem”. (Mt 14,7-9);
·         Os judeus que queriam matar Paulo – “Mas tu não creias, porque mais de quarenta homens dentre eles lhe armam traição. Juraram solenemente nada comer, nem beber, enquanto não o matarem. Eles já estão preparados e só esperam a tua permissão.” (At 23,21).

c)    Os juramentos exigiam cumprimento.


Ninguém era obrigado a jurar ou fazer votos, mas se obrigava a cumprir quando os fazia:

    • “Quando tiveres feito um voto ao Senhor, teu Deus, não demorarás em cumpri-lo, porque o Senhor, teu Deus, não deixará de pedir-te contas dele, e contrairias um pecado. Se não fizeres voto, não pecarás. Mas a promessa saída dos teus lábios, tu a cumprirás, e observarás fielmente o voto que fizeste espontaneamente ao Senhor, teu Deus, como disseste por tua própria boca.” (Dt 23,21-23; ver também Sl 50,14; 61,8; 66,13-14; Ecl 5,4-6; Ez 17,11-21).

Usar nos juramentos expressões como; “Juro por Deus” (2 Sm 19,7); “Pela vida de Deus” (2 Sm 2,27); “Tomo a Deus por testemunho” (2Cor 1,23); e depois deixar de cumprir o voto, era questionar a realidade da própria existência de Deus.

O AT empregava o juramento para combater a mentira; mas isso não impedia que ela se infiltrasse pela prática do perjúrio.

  1. OS JURAMENTOS E JESUS.

“Eu, porém, vos digo: não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus.” (Mt 5,34).

No sermão da montanha, Jesus condena os juramentos falsos ou perjúrios:

“Não pronunciarás o nome de Javé, teu Deus, em prova de falsidade, porque o Senhor não deixa impune aquele que pronuncia o seu nome em favor do erro.” (Ex 20,27; ver também Lv 19,12)

A distorção farisaica de querer limitar o cumprimento dos votos. Diziam que apenas os juramentos que incluíam o nome de Deus se tornavam obrigatórios. Jesus disse que não há como evitar referencia a Deus, mesmo que não se mencione diretamente seu nome (Mt 23,16-22). Ao contrario de contradizer o ensino do AT, Ele apresenta um modelo mais excelente para o cristão.

Se um juramento exige toda a verdade  naquilo que se fala, isso pressupõe que na conversação diária há bastante mentira. Jesus ensina que não apenas aquilo que se diz sob juramento, mas certamente a totalidade do que falamos é proferida na presença de Deus que tudo conhece.

Por que Jesus disse “de modo algum jureis”, se o próprio Deus fez uso de juramentos?

    • “Juro por mim mesmo, diz o Senhor...” (Gn 22,16);
    • “Quando Deus fez a promessa a Abraão, como não houvesse ninguém maior por quem jurar, jurou por si mesmo, Em verdade eu te abençoarei, e multiplicarei a tua posteridade (Gn 22,16s)” (Hb 6,13-14).

“A isto creio que devemos responder que o propósito dos votos divinos não foi aumentar a sua credibilidade (considerando que Deus não é homem para que minta – “Deus não é homem para mentir, nem alguém para se arrepender. Alguma vez prometeu sem cumprir? Por acaso falou e não executou?” (Nm 23,19) – mas sim despertar e confirmar a nossa fé. A falha que levou a Deus a condescender com o nível humano não se deve a qualquer falsidade da parte dele, mas de nossa incredulidade”. (J. Stott).

O alvo de Jesus ao proibir os juramentos é exigir a verdade total de toda e qualquer palavra do homem.

  1. OS JURAMENTOS E OS CRISTÃOS.

“Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno.” (Mt 5,37).

O que Jesus nos pede nesse versículo é que a nossa palavra seja sincera e normal, pois todo e qualquer exagero já constitui uma mentira. Devemos falar sempre como quem vive na presença de Deus, tendo em Jesus o exemplo de quem falou sempre a verdade:

“Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca (Is 53,9)”. (1 Pd 2,22).

O cristão não deve recorrer a juramentos para receber credibilidade, mas deve ter uma palavra tão confiável como se fosse um juramento. O que passar do sim, sim e não, não, será produto da maldade de nossa natureza caída, como também influencia do maligno, que é “o pai da mentira”.

“Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (Jô 8,44).

Você tem plena consciência de que sua palavra é aceita com naturalidade, ou percebe que, quando fala às pessoas, ficam com um “pé atrás”?

  1. CONCLUSAO.

No sermão da montanha Jesus nos ensina que a qualidade de vida do cristão deve exceder em muito dos religiosos fariseus. Essa diferença, entre outras coisas, se manifesta naquilo que falamos, mostrando assim que a mudança é de dentro pra fora. Ele mesmo disse: “A boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12,34). Tudo o que falamos deve ser verdadeiro e confiável, refletindo tão somente o sentido daquilo que se quer dizer. Para isso, não se faz necessário jurar para autenticar a palavra dita. Pois o caráter co cristão dispensa tal recurso.

domingo, 1 de abril de 2012

A Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém- O Burrinho



Na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém fora trazido um burrinho para que o Senhor o montasse e entrasse naquela cidade. Era o primeiro dia de trabalho daquele burrinho, nunca houvera sido montado antes. Estava eufórico com o primeiro emprego.
Chegando à porta da cidade uma grande multidão estava a espera, um alarido muito alto, gritos de Hosana e canções que enalteciam o Mestre. O burrinho todo cheio de si, orgulhoso, porque por onde quer que suas patas fossem colocadas, sobre elas jogavam flores, palmas, mantos. Era demais! Não via a hora de contar para sua mamãe que ficara no pasto e para os seus coleguinhas da fascinante experiência que estava tendo.
Por fim, chegou a hora de retornar para casa. Correndo, não vendo a hora de encontrar com os outros e os primeiros que encontrava à sua frente vai logo despejando as palavras:
Eu sou o burrinho mais feliz do mundo! No meu primeiro dia de trabalho fizeram uma grande festa, porque eu estava iniciando minha jornada como trabalhador.
E contava isso a todos, e inclusive à sua mãe que não demonstrou tanta alegria assim, mas, não pôde falar nada porque o impetuoso filho foi compartilhar com mais alguns que ainda não sabiam da novidade.
No dia seguinte, levantou-se e pensou: Quero voltar lá e reviver aquilo tudo, foi maravilhoso!
Foi, e chegando lá à porta da cidade havia apenas algumas crianças brincando, que ao verem o burrinho começaram a atirar-lhe pedras e a correr atrás dele querendo bater.
Ele volta para o pasto fugido dos seus algozes malfeitores, muito triste.

Não quer conversa com ninguém, com as orelhas murchas, cabisbaixo, chega próximo à sua mamãe e conta a ela como eram ingratos os humanos, pois num dia faziam-lhe festa e em outro o escorraçava.
A mãe em sua sabedoria diz a ele: Filhinho, ontem, você foi com Jesus à Jerusalém, por isso a festa. Hoje você foi sozinho. Sem Jesus, meu filho, você é um burrinho qualquer. Pensem nisso!!!!!!!