sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

Hoje em dia quem é o devorador que é citado em Malaquias 3:11?


Quem é o devorador hoje em dia?


(1) Sabemos que o devorador citado em Malaquias nada tinha a ver com demônios que agem freando ou destruindo a vida financeira daqueles que não davam o dízimo.


“Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos” (Malaquias 3:11).


Tratava-se provavelmente de um gafanhoto ou de algum animal que assolava as plantações do povo que desobedecia a Aliança feita com Deus. Já que a quebra da aliança com Deus previa esse tipo de maldição sobre o povo:


“Lançarás muita semente ao campo; porém colherás pouco, porque o gafanhoto a consumirá” (Deuteronômio 28:38).


Observe, por exemplo, como o profeta Ageu profetiza exatamente essa maldição sobre o povo desobediente se continuassem nesses maus caminhos:


“O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor” (Joel 1:4).


Portanto, no contexto de Malaquias Deus está falando as bênçãos e maldições da aliança! O devorador nada mais é do que Deus ordenando que a natureza “jogue contra” o povo como forma de juízo contra ele!


Mas e hoje em dia? Quem seria esse devorador?


(2) O texto de Malaquias tem um significado válido para aquele momento da vida do povo de Israel, momento em que eles estavam debaixo da Lei de Moisés, tempo que toda essa lei vigorava de forma completa, antes da Nova Aliança de Cristo!


Hoje não estamos mais no tempo da Lei, mas no da graça de Cristo. Muitas pessoas insistem em usar alguns textos bíblicos específicos para um determinado momento e tentam contextualizar para os dias de hoje.


O grande problema disso é que tem textos que não tem como serem contextualizados e aplicados da mesma forma como eram aplicados à nação de Israel.


Dai surgem diversos desvios absurdos, ao ponto de pregadores até ameaçarem pessoas hoje em dia com o tal “demônio que devora as finanças” de quem porventura não deu o dízimo!


(3) Sendo assim, a resposta é que, nos moldes do texto de Malaquias, não há nenhum devorador hoje. Não há nada na Bíblia que nos aponte para algum tipo de devorador específico que assole as finanças do povo de Deus em caso de desobediência.


Como dissemos, o texto de Malaquias aponta para um devorador que era provavelmente um gafanhoto ou outro animal que assolava as plantações no caso específico do povo de Israel não ser fiel nos dízimos. Essa era uma penalidade prevista na Aliança feita pelo povo de Israel com Deus e não se aplica ao nosso tempo.


Porém, algumas pessoas atribuem, por exemplo, tragédias na vida financeira como uma batida de carro, uma crise, um momento de desemprego e outras, como sendo a ação desse “devorador” (quase sempre um demônio) devido a pessoa não ser fiel nos dízimos. Esse pensamento não tem embasamento bíblico algum.


(4) Se eu pudesse atribuir o status de “devorador” a alguma coisa hoje em dia, eu atribuiria ao pecado, que age através do Diabo, do mundo e da nossa carne.


Essas coisas têm a capacidade de “devorar” nossas vidas em todas as áreas, não apenas na financeira. Assim, um coração duro e dominado pelo pecado, sem Deus, traz muitas dores e perdas à vida de uma pessoa. Não se trata desse devorador de Malaquias, mas da natureza pecaminosa.


Assim, com relação as finanças, a nossa vida pode ser “devorada” pelo egoísmo, pela falta de envolvimento na obra de Deus, pela avareza, pela insensibilidade, pela falta de intimidade com Deus!


(5) E para finalizar, precisamos aprender que todas as leis cerimoniais, após a vinda de Cristo, não são mais observadas pelos crentes. Estamos debaixo de uma nova aliança, a aliança de Cristo. Assim, as maldições da Lei não são aplicáveis àqueles que estão debaixo da graça de Cristo.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

HÁ MAIS DE UM ARCANJO NA BÍBLIA

 


Marco Antônio Lana (Teólogo Bíblico)

 

Não é possível saber com certeza quantos arcanjos existem. Isso porque a Bíblia não fornece informações específicas sobre essa questão. Na verdade, com base no texto bíblico é possível saber com exatidão que existe pelo menos um arcanjo que recebe o nome Miguel.

 

1 - O que é um arcanjo?

 

Um arcanjo é um “anjo principal”, e a Bíblia menciona de forma nominal apenas um ser espiritual ocupando essa posição (Judas 1:9). Mas de fato há muito discussão sobre esse assunto entre os estudiosos. Alguns sugerem que apesar de a Bíblia não ser clara a respeito de quantos arcanjos existem, há indícios suficientes para se acreditar que há vários arcanjos. Já outros defendem que Miguel é realmente o único arcanjo existente.

 

Um arcanjo é um líder dos anjos. O único arcanjo cujo nome é revelado na Bíblia é o arcanjo Miguel. A Bíblia não diz quantos arcanjos existem.

 

O nome “arcanjo” aparece apenas duas vezes na Bíblia, em 1 Tessalonicenses 4,16 e Judas 1,9. Arcanjo significa líder de anjos e provavelmente significa um anjo com grande autoridade, que comanda outros anjos.

 

A Bíblia não fala diretamente sobre a função do arcanjo mas fala um pouco sobre o que o arcanjo Miguel faz:

·         Lidera o exército dos anjos de Deus – Apocalipse 12:7

·         Luta contra o diabo

·         Dá apoio a outros anjos – Daniel 10:12-13

 

2 - Existem vários arcanjos?

 

Quem defende que existem vários arcanjos, se apoia em alguns detalhes que estão especialmente no livro do profeta Daniel, no Antigo Testamento. Em primeiro lugar, no texto de Daniel é feita uma referência a um grupo de sete anjos que estão diante do trono de Deus (Apocalipse 8,2).

 

Nessa passagem fica claro que provavelmente esses anjos ocupam uma posição distintiva entre os demais anjos. Então, algumas pessoas acreditam que talvez esses sete anjos sejam arcanjos. Se esse raciocínio estiver correto, então existem sete arcanjos. Por isso algumas tradições cristãs também contam Gabriel como um dos arcanjos, visto que no Novo Testamento ele é identificado como um anjo que assiste diante de Deus (Lucas 1,19).

 

Em segundo lugar, o mesmo livro do profeta Daniel se refere a Miguel como “um dos primeiros príncipes” (Daniel 10,13). Essa expressão é usada por muitos intérpretes como evidência de que há outros seres celestiais ocupando posições semelhantes à posição do arcanjo Miguel.

 

Em terceiro lugar, a palavra “arcanjo” só aparece originalmente na Bíblia em duas ocasiões, e somente no Novo Testamento. Em uma delas, o apóstolo Paulo usou a palavra “arcanjo”, mas não aplicou o artigo definido (1 Tessalonicenses 4:16). Por causa dessa ausência do artigo definido, alguns intérpretes dizem que Paulo escreveu sobre “um arcanjo”, e não sobre “o arcanjo”. Quem pensa assim argumenta que se existisse somente um arcanjo, o apóstolo teria aplicado o artigo definido para designá-lo.

 

Alguns círculos do cristianismo também afirmam de forma oficial que existem outros arcanjos além de Miguel. Por exemplo: o livro de Tobias, presente na Septuaginta e aceito pelas igrejas Católica e Ortodoxa, menciona um anjo chamado Rafael (Tobias 5-6). E dentro dessas tradições Rafael é identificado como um arcanjo ao lado de Miguel e Gabriel.

 

Alguns livros apócrifos — especialmente na literatura apocalíptica judaica — e escritos rabínicos, também falam sobre outros supostos arcanjos. É assim que Uriel, Baraquiel, Jegudiel, Fanuel e Salatiel são identificados por algumas pessoas também como arcanjos.

 

Curiosidades:

 

1. São os mais próximos aos humanos

 

Desde Pseudo-Dionisio, Padre da Igreja do século VI, está acostumado a se enumerar três hierarquias de anjos. Na primeira estão os Serafins, Querubins e Tronos. Depois vêm as Dominações, Virtudes e Potestades. Enquanto que na terceira hierarquia estão os Principados, Arcanjos e Anjos. Estes últimos são os que estão mais próximos às necessidades dos seres humanos.

 

2. São mensageiros de anúncios importantes

 

A palavra Arcanjo provém das palavras gregas “Arc” que significa “principal” e “anjo” que é “mensageiro de Deus”. Vejamos o que diz São Gregório Magno:

 

“Deveis saber que a palavra ‘Anjo’ designa uma função, não uma natureza. Na verdade, aqueles santos espíritos da pátria celeste são sempre espíritos, mas nem sempre se podem chamar Anjos. Só são Anjos quando exercem a função de mensageiros. Os que transmitem mensagens de menor importância chamam-se Anjos; os que transmitem mensagens de maior transcendência chamam-se Arcanjos.

 

3. Existem sete Arcanjos segundo a Bíblia

 

No livro do Tobias (12,15), São Rafael se apresenta como “um dos sete anjos que estão diante da glória do Senhor e têm acesso a sua presença”. Enquanto que no livro do Apocalipse (8,2), São João descreve: “vi os sete Anjos que estavam diante de Deus, e eles receberam sete trombetas”. Por estas duas citações bíblicas, afirma-se que são sete Arcanjos.

 

4. Somente conhecemos três nomes

 

A Bíblia Católica somente menciona o nome de três Arcanjos: Miguel, Rafael e Gabriel. Os outros nomes (Uriel, Barachiel ou Baraquiel, Jehudiel, Saeltiel) aparecem em livros apócrifos de Enoc, o quarto livro do Esdras e em literatura rabínica. Entretanto, a Igreja somente reconhece os três nomes que estão nas Sagradas Escrituras. Os outros podem servir como referência, mas não é doutrina.

 

5. Gabriel significa “a força de Deus”

 

No Antigo Testamento, São Gabriel Arcanjo aparece no livro sagrado de Daniel explicando ao profeta uma visão do carneiro e o cabrito (Det. 8), assim como instruindo-o nas coisas futuras (Det. 9,21-27). Nos Evangelhos, São Lucas (1,11-20) o menciona anunciando a Zacarias o nascimento de São João Batista e à Maria (Lucas 1,26-38) que conceberia e daria a luz Jesus.

 

São Gabriel Arcanjo é conhecido como o “anjo mensageiro”, representado com uma vara de perfumada açucena e é padroeiro das comunicações e dos comunicadores, pois através da Anunciação trouxe ao mundo a mais bela notícia.

 

6. Rafael em hebreu é “Deus cura”

O único livro sagrado que menciona a São Rafael Arcanjo é o de Tobias e figura em vários capítulos. Ali se lê que Deus envia este Arcanjo para que acompanhe a Tobias em uma viagem, na qual se casou com Sara.

 

Da mesma maneira, São Rafael indicou a Tobias como devolver a visão ao seu pai. Por esta razão é invocado para afastar doenças e conseguir terminar bem as viagens.

 

7. Miguel significa “Quem como Deus”

 

O nome do Arcanjo Miguel vem do hebreu “Mija-El” que significa “Quem como Deus ” e que, segundo a tradição, foi o grito de guerra em defesa dos direitos de Deus quando Lúcifer se opôs aos planos salvíficos e de amor do Criador.

 

A Igreja Católica teve sempre uma grande devoção ao Arcanjo São Miguel, especialmente a fim de pedir-lhe que nos liberte dos ataques do demônio e dos espíritos infernais. Costuma ser representado com a roupa de guerreiro ou soldado centurião pondo seu calcanhar sobre a cabeça do inimigo.

 

 

3 - Só há um arcanjo?

 

Quem defende que só existe um arcanjo, se baseia no fato de que a Bíblia realmente só menciona Miguel como arcanjo. Na verdade, a palavra “arcanjo” nunca aparece no texto bíblico em sua forma plural.

 

Sobre a possibilidade de Gabriel ser um arcanjo, quem acredita que não há outros arcanjos além de Miguel reconhece que, de fato, Gabriel é um anjo que ocupa uma posição de destaque no corpo de seres celestiais; mas também observa que Gabriel nunca é citado na Bíblia como um arcanjo.

 

Já com relação aos outros nomes de supostos arcanjos além de Miguel, os críticos da posição de que existem vários arcanjos apontam para o fato de que esses nomes não aparecem em nenhum livro que faz parte do Cânon Hebraico. Isso significa que jamais os livros do Antigo Testamento presentes na Bíblia hebraica, mencionam pelo nome qualquer outro arcanjo além de Miguel.

 

Pela informação que temos sobre o arcanjo Miguel, um arcanjo deve ser um anjo muito poderoso, enviado por Deus para missões mais difíceis (como lutar pessoalmente com o diabo).

 

Todos os anjos servem e louvam a Deus, ajudam os crentes e lutam contra as forças do diabo. Os anjos estão organizados e têm hierarquia de comando. Um arcanjo será um anjo alto na hierarquia, com grande responsabilidade.

 

CONCLUSÃO

A Bíblia não diz quantos arcanjos existem. As duas passagens onde a palavra “arcanjo” aparece falam apenas sobre um arcanjo. Por isso, só podemos ter a certeza que existe um arcanjo – Miguel.

 

Por outro lado, Daniel 10,13 indica que Miguel é um dos “príncipes supremos”, que provavelmente significa que existem outros anjos com a mesma posição de autoridade que ele. Por isso, é possível que existam outros arcanjos, mas a Bíblia não diz quantos são nem seus nomes.

 

Então em resumo, Miguel é o único arcanjo citado de forma direta na Bíblia. Isso não quer dizer, necessariamente, que não existam outros arcanjos, mas apenas indica que a Bíblia não entra nesse detalhe. Seja como for, se existirem outros arcanjos, o que parece claro é que Miguel é o mais proeminente entre todos eles.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

“A mendiga e o samurai”

“A mendiga e o samurai”: surpreendente conto japonês que fará com que você repense seus relacionamentos

 

Conta-se que um bravo samurai viveu na ilha de Hokaido, no norte do Japão.


Ele era um senhor feudal que possuía grandes áreas de terra, tendo, assim, muitos súditos. Tudo adquiriu após diversas batalhas, no comandando as tropas do Imperador.
 

Certa feita, após uma guerra, voltou para a sua terra natal e decidiu que iria casar-se. Tratava-se de um homem forte e belo e, quando a notícia de que o Samurai desejava casar-se se espalhou, por toda a ilha as mulheres ansiavam por desposá-lo.

 

As mulheres mais bonitas da ilha e de outras ilhas mais distantes o visitavam em seu palácio, sendo que muitas delas lhe ofereceram, além de sua beleza e encantos, muitas riquezas. Nenhuma, contudo, o satisfez o suficiente para se tornar sua esposa.


Um dia, uma jovem maltrapilha e simples chegou ao palácio do samurai e, com muita luta, conseguiu uma audiência: “Eu não tenho nada material para lhe oferecer, só posso lhe dar o grande amor que sinto por você”. Como prova, complementou: “Se você me permitir, eu posso fazer algo para te mostrar esse amor.”
 

Isso despertou a curiosidade do samurai, que lhe pediu para dizer o que poderia fazer. “Vou passar 100 dias em sua varanda, sem comer ou beber nada, exposta à chuva, sereno, sol e frio à noite. Se eu aguentar esses 100 dias, você me fará a sua esposa”, afirmou a jovem.

 

O samurai, surpreso (embora não comovido), aceitou o desafio. Ele disse: “Eu aceito. Se uma mulher pode fazer tudo isso por mim, ela é digna de ser minha esposa.” Dito isto, a mulher começou seu sacrifício.

 

Os dias começaram a passar e a mulher suportou bravamente as piores tempestades. Muitas vezes ela sentia que desmaiava de fome e frio, mas encorajou-se a por imaginar que que finalmente estaria ao lado de seu grande amor.


De tempos em tempos, o samurai mostrava seu rosto do conforto de seu quarto para vê-la e acenava com o polegar. À noite a temperatura caiu para muitos graus negativos e isso por si só deveria ser de uma grande penúria, porque ela não tinha um único cobertor.
 

Foi assim que o tempo passou: 20 dias, 50 dias… As pessoas da ilha ficaram felizes porque pensaram: finalmente teremos uma esposa para o nosso senhor! 90 dias… O samurai continuou a mostrar a cabeça de vez em quando para ver como estava o sacrifício de sua pretendente: “Esta mulher é incrível”, ele pensou consigo mesmo, e lhe deu encorajamento novamente.

 

O dia 99 finalmente chegou e todos os habitantes da ilha começaram a se reunir nos arredores do palácio para ver o momento em que aquela mulher se tornaria a esposa do samurai. Eles estavam contando as horas, às 12 horas daquele dia, eles teriam um casamento.

 

A pobre mulher, em sua grande simplicidade, foi ainda acometida por extrema fraqueza e por doenças… Então algo inesperado aconteceu: às 11 da noite do centésimo dia, a mulher corajosa se rendeu e decidiu se retirar daquele palácio. Deu uma olhada triste no samurai que o fitava surpreso e saiu sem dizer uma palavra.


As pessoas ficaram chocadas! Ninguém conseguia entender por que aquela mulher corajosa desistira de apenas uma hora a mais para ver seus sonhos se tornarem realidade. Ela já havia suportado tanto! Ao chegar em sua casa, seu pai já sabia da sua desistência e perguntou: “Por que você desistiu de ser a esposa do grande samurai?”
 

E, para seu espanto, ela respondeu: “Eu tinha 99 dias e 23 horas em sua varanda, suportando todos os tipos de calamidades e ele foi incapaz se me liberar desse sacrifício. Ele meu viu sofrendo e só me encorajou a continuar, sem mostrar nem um pouco de compaixão pelo meu sofrimento. Eu esperei todo esse tempo por um vislumbre de bondade e consideração que nunca veio. Então eu entendi: uma pessoa tão egoísta, imprudente e cega, que só pensa em si mesma, não merece meu amor!”

 

Isso nos faz refletir: quando você ama alguém e sente que para manter essa pessoa ao seu lado você tem que sofrer, sacrificar sua essência e até implorar, mesmo que doa, se retire. E não tanto porque as coisas ficam difíceis, mas porque quem não faz você se sentir valorizado, quem não é capaz de lhe doar o melhor de si mesmo, será incapaz de retribuir o compromisso e a entrega que você dispenso a ele e, definitivamente, você merece um amor do tamanho de si.

Ilustrações Cristãs: Você prefere a esposa ou a amante?

 Não adulterarás.Ex 20,14

Um homem casado estava passando por vários problemas e tribulações em seu casamento e estava com a decisão tomada de encontrar uma amante para tentar ter uma relação amorosa um pouco melhor (mais quente) do que a que vinha tendo com sua esposa.

 

Mas antes de colocar essa decisão em prática ele decide pedir uma opinião a um velho sábio cristão que todos os dias estava ali na igreja de seu bairro para aconselhar pessoas.

 

– Olá, querido irmão! Muitos falam que você é muito sábio, estou confuso, preciso da sua ajuda!

– Por que, meu filho?

– É que estou tendo muitos problemas no meu casamento e estou com o desejo de buscar uma outra mulher para ver se encontro a verdadeira felicidade. Talvez uma amante possa me dar aquilo que minha atual esposa não tem me dado atualmente

– Compreendo! Venha aqui até meu jardim, rapaz!

O sábio cristão, então, apanhou duas plantas em sua mão: uma rosa e um cacto. A seguir perguntou ao jovem rapaz:

– Se você tivesse de escolher uma dessas plantas, qual das duas escolheria, a rosa ou o cacto?

– A rosa, claro!

– Por quê? Pergunta o sábio testando o jovem rapaz

– A rosa é bem mais bonita e agradável aos olhos

– É verdade, a rosa é realmente muito bonita. Mas aprenda uma coisa: Os homens muitas vezes agem com pouca sabedoria. Escolhem aquilo que tem alguma beleza externa ou aquilo que lhes parece brilhar mais.

– A rosa realmente é mais bela que o cacto, porém, ela morre logo e perde toda sua beleza. Se o clima estiver desfavorável a rosa morre ainda mais rápido, fica seca e feia.

– Já o cacto, mesmo com todas as intempéries do clima, permanece o mesmo, sempre verde e com seus espinhos. E dele, nos tempos certos, surge uma das mais belas flores que se tem conhecimento e que surpreende a todos.

– Sua esposa não é perfeita como você também não é. Ela conhece seus defeitos, suas fraquezas e seus erros. Com ela você desabafa em seus momentos ruins, ela cuida de você e está sempre pronta a te ajudar da melhor forma que ela encontra.

– Já uma amante se mostra como uma linda rosa. Mas ela quer apenas seu dinheiro, sua felicidade, suas fantasias, seu sorriso. Na primeira dificuldade ela te deixará e te trocará por outro que dê a ela mais do que você pode dar.

– Agora, rapaz, me diga, com quem você quer ficar? Com a rosa ou com o cacto?

 

Oração de arrependimento

 
Ó Senhor, meu Deus e meu Pai!
Mais uma vez pedimos perdão. Nossas almas se encontram humilhadas de vergonha. Por causa do nosso pecado, a consciência nos acusa de dia e de noite, de sorte que já não encontramos prazer em mais nada desta vida. As nossas transgressões me têm sido o pão de cada dia. Não podemos culpar ninguém por isto; nós somos os únicos culpados, pois fizemos o que é mau aos Teus olhos e contra Ti pecamos. Já não somos dignos de sermos considerados filhos Teu... Lava-nos completamente das nossas iniquidades, no sangue do Teu Filho Jesus, e restitui-nos a alegria da Tua salvação. Cria em nós, ó Senhor nosso Deus, um coração puro, e renova dentro de nós um espírito inabalável. Permita-nos ficar na Tua presença, pois do contrário nós não suportaríamos mais a vida. Tu disseste: "Aquele que vier a mim, de maneira alguma o lançarei fora." (João 6:37), e a Tua palavra não pode voltar atrás. Portanto, aceita-nos de volta e enche-nos do Espírito Santo. E os nossos lábios manifestarão o Teu louvor para todo o sempre.
Em o nome do Senhor Jesus Cristo.

 

Marco Antonio Lana (Teólogo)
 

O que significa abandonar o primeiro amor?

Essa fala de Jesus Cristo ocorre no envio de uma carta à igreja de Éfeso. Jesus começa elogiando essa igreja, dizendo da grandeza de seus trabalhos, da sua perseverança e da sua forte resistência contra falsos apóstolos que tentaram se infiltrar ali (Apocalipse 2:2-3).

 

Portanto, temos aqui uma igreja amada por Jesus. No entanto, era uma igreja com problemas. Jesus aponta que o principal problema era o abandono do primeiro amor. 

 

(2) Não temos nesse texto uma explicação clara do que seria em detalhes esse abandono do primeiro amor citado por Jesus e todas as suas características.

Mas uma análise dos contextos bíblicos nos mostra que em diversos textos a igreja é comparada a uma noiva e Cristo a um noivo. Jesus parece usar aqui essa figura para chamar a atenção dessa igreja.

 

Primeiro amor, então, seria o amor puro de uma esposa para com seu marido. No entanto, alguns também apontam que Jesus possa estar falando aqui do amor fraternal (de irmãos). A dureza doutrinária, o combate aos falsos mestres pode ter deixado o coração dessa igreja endurecido para a prática do amor ao próximo!

 

Mas quais as características desse primeiro amor?

 

(3) Levanto aqui algumas características importantes desse primeiro amor como a submissão, o amor sacrificial, o amor fervoroso, o amor desejoso de estar junto, o amor fraternal. Todas essas são características que acompanham o amor a Deus e aos irmãos.

 

Essa igreja parece ter perdido essa “paixão” por Jesus Cristo, parece ter se esfriado, perdido o avivamento espiritual, desanimado do relacionamento em aspectos importantes e essenciais. 

 

Isso parece ser verdade, pois Jesus chega a considerar tais coisas como uma queda, solicitando que houvesse arrependimento, mudança de postura e um retorno as atitudes do começo desse relacionamento (primeiras obras):

 

“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Apocalipse 2:5).

 

A importância do primeiro amor

 

(4) É muito comum também relacionar o período em que nos convertemos e temos um encontro sincero com Jesus Cristo como sendo o primeiro amor.

 

Nesse período geralmente se tem muito amor por Deus e pelo próximo, fervor espiritual, amor por missões, etc. Essa igreja de Éfeso parece ter perdido essas boas características iniciais tão importantes na vida da igreja e da cada cristão. 

 

(5) Assim, abandonar o primeiro amor é um grave erro que aconteceu na igreja de Éfeso e que também pode acontecer conosco como igreja e particularmente em nossa vida. 

 

Não podemos deixar o amor se esfriar, não podemos deixar as características poderosas e marcantes do verdadeiro amor cristão serem apagadas de nossas vidas e, consequentemente, serem apagadas de todo o serviço que prestamos como igreja relevante de Cristo. Isso é um grave risco e não agrada a Deus.

 

Marco Antonio Lana (Teólogo)
 

PERGUNTA - "O que significa dizer que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27)?

RESPOSTA - No último dia da criação, disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1:26). Então, Ele terminou Seu trabalho com um “toque pessoal”. Deus formou o homem do pó e deu a ele vida, compartilhando de Seu próprio fôlego (Gênesis 2:7). Desta forma, o homem é único dentre toda a criação de Deus, tendo tanto uma parte material (corpo) como uma imaterial (alma/espírito).


Em termos bem simples, ter a “imagem” e “semelhança” de Deus significa que fomos feitos para nos parecermos com Deus. Adão não se pareceu com Deus no sentido de que Deus tivesse carne e sangue. As Escrituras dizem que “Deus é espírito” (João 4:24) e portanto existe sem um corpo. Entretanto, o corpo de Adão espelhou a vida de Deus, ao ponto de ter sido criado em perfeita saúde e não ser sujeito à morte.


A imagem de Deus se refere à parte imaterial do homem. Ela separa o homem do mundo animal, e o encaixa na “dominação” que Deus pretendeu (Gênesis 1:28), e o capacita a ter comunhão com seu Criador. É uma semelhança mental, moral e social.


Mentalmente, o homem foi criado como um agente racional e com poder de escolha: em outras palavras, o homem pode raciocinar e fazer escolhas. Isto é um reflexo do intelecto e liberdade de Deus. Todas as vezes que alguém inventa uma máquina, escreve um livro, pinta uma paisagem, se delicia com uma sinfonia, faz uma conta ou dá nome a um bichinho de estimação, esta pessoa está proclamando o fato de que somos feitos à imagem de Deus.


Moralmente, o homem foi criado em justiça e perfeita inocência, um reflexo da santidade de Deus. Deus viu tudo que tinha feito (incluindo a humanidade), e disse que tudo era “muito bom” (Gênesis 1:31). Nossa consciência, ou “bússola moral” é um vestígio daquele estado original. Todas as vezes que alguém escreve uma lei, volta atrás em relação ao mal, louva o bom comportamento ou se sente culpado, esse alguém está confirmando o fato de que somos feitos à própria imagem de Deus.


Socialmente, o homem foi criado para a comunhão. Isto reflete a natureza triúna de Deus e Seu amor. No Éden, o primeiro relacionamento do homem foi com Deus (Gênesis 3:8 indica comunhão com Deus), e Deus fez a primeira mulher porque “não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18). Todas as vezes que alguém escolhe uma esposa e se casa, faz um amigo, abraça uma criança ou vai à igreja, esta pessoa está demonstrando o fato de que somos feitos à semelhança de Deus.


Parte de sermos feitos à imagem de Deus significa que Adão tinha a capacidade de tomar decisões livres. Apesar de ter sido dada a ele uma natureza reta, Adão fez uma má escolha em se rebelar contra seu Criador. Fazendo isto, Adão manchou a imagem de Deus dentro de si, e passou adiante esta semelhança danificada a todos os seus filhos, incluindo a nós (Romanos 5:12). Hoje, ainda trazemos conosco a imagem de Deus (Tiago 3:9), mas também trazemos as cicatrizes do pecado. Mentalmente, moralmente, socialmente e fisicamente, mostramos os efeitos.


As boas novas são que, quando Deus redime uma pessoa, Ele começa a restaurar a imagem original de Deus, criando “o novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24; veja também Colossenses 3:10).

 


 Marco Antonio Lana (Teólogo)

domingo, 21 de novembro de 2021

JESUS PISOU NA CABEÇA DA SERPENTE.


'Porei inimizade entre você (Satanás) e a mulher (Igreja ou Maria), entre a sua descendência (Satanás) e o descendente dela (Igreja ou Maria); este (Jesus) lhe ferirá a cabeça, e você (Satanás) lhe ferirá o calcanhar.' (Gn.3,15 N.V.I.).


Ao desobedecerem a ordem divina, Adão e Eva foram sentenciados por Deus e passaram a viver uma vida de dificuldades pós Éden. Por sua vez, a serpente que foi o instrumento usado por Satanás, também foi castigada: "Maldita és entre todos os animais domésticos e entre todos os animais selvagens! Sobre o seu ventre rastejará, e pó comerá todos os dias da sua vida" (Gn 3.14). Essa maldição é dirigida a serpente que o diabo usou. No entanto, a declaração de que o descendente da mulher ferirá a cabeça da serpente, e está ferirá o calcanhar de seu descendente, aplica-se de modo específico a Satanás. Quatro mil anos depois, o Descendente da mulher Jesus Cristo, cumpri esta profecia e esmaga a cabeça de Satanás durante o seu ministério e ao derrota-lo na cruz com sua morte e ressurreição. Em Apocalipse 12.9, Satanás é chamado de "antiga serpente". Após a derrota de Satanás, o império da morte foi vencido e Jesus declara: "Sou Aquele que vive. Estive morto mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do inferno" (Ap.1.18). É me dado todo o poder no céu e na terra (Mt.28.18). Ele esmagou a cabeça da serpente (Satanás), e nos deu poder para pisar sobre toda força do inimigo: "Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum." (Lc.10.19). Jesus pisou na cabeça da serpente e deixou a calda para a igreja pisar. O apóstolo Paulo escrevendo a igreja em Roma, disse: E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés (Rm.16.20). A derrota final de Satanás será quando ele for pisado pela igreja e em seguida lançado no tártaro, no lago de fogo e enxofre (Ap.20.10). O apóstolo João declarou, que o Filho de Deus se manifestou para desfazer as obras do diabo ('Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio. Eis por que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do demônio.' -  IJo.3.8).



Jesus Cristo, foi o único que cumpriu a profecia de Gênesis 3.15, só Ele teve o poder de vencer Satanás e trazer salvação para humanidade. O nosso Campeão Jesus Cristo, venceu Satanás, venceu a morte e o inferno, e também nos faz vencedores pelo poder do seu sangue. A primeira promessa da vinda do Redentor foi feita no Éden, com o advento de Cristo, esta promessa foi cumprida. O Descendente da mulher, o Salvador da humanidade, esmagou a cabeça da serpente e garantiu a nossa libertação e salvação para sempre. Amém!

 

POR - Marco Antonio Lana (Teólogo Bíblico)

O Que Significa a Visão da Escada de Jacó?

A escada de Jacó é como ficou conhecida a visão em que Deus apareceu para Jacó através de um sonho em Betel. Na visão, Jacó viu anjos de Deus que desciam e subiam pela escada.

 

O significado dessa visão tinha aplicações práticas para Jacó, pois confirmava a presença protetora e abençoadora de Deus em sua vida. Mas a visão da escada de Jacó também possui um significado mais profundo que aponta para Cristo.

 

Quando ocorreu a visão da escada de Jacó?

 

Jacó teve a visão da escada durante uma noite enquanto seguia para Padã-Harã (Gênesis 28). Isso aconteceu logo depois do episódio em que ele enganou seu pai, Isaque, e recebeu a bênção patriarcal em lugar de seu irmão Esaú. Esaú ficou enfurecido pelo que Jacó havia feito, e se comprometeu a matá-lo assim que seu pai morresse. Nesse contexto Jacó foi enviado à casa de seu tio Labão em Padã-Harã até que o ódio de seu irmão passasse (Gn 27).

 

Enquanto seguia pelo caminho de Berseba para Harã, ele parou num determinado lugar para passar a noite. Ali ele pegou uma das pedras do local e a pôs por sua cabeceira. Essa era uma prática comum naquela época. Inclusive, é provável que a pedra tenha servido mais como proteção para sua cabeça do que como travesseiro. Foi enquanto dormia que Jacó teve a visão da escada.

 

O conteúdo do sonho de Jacó

 

A Bíblia diz que em seu sonho, Jacó viu uma enorme escada cuja base estava apoiada na terra e o topo atingia o céu. Por essa escada, os anjos de Deus subiam e desciam. Conforme o texto bíblico registra, Deus estava perto de Jacó e se revelou a ele.

 

As palavras do Senhor para Jacó foram realmente significativas. Ele disse: “Eu sou o SENHOR, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu a darei a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, e para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até que eu cumpra aquilo que tenho lhe falado” (Gênesis 28:13-15).

 

Quando acordou do sono ainda de madrugada, Jacó reconheceu que havia recebido a visita do próprio Deus. Isso explica sua declaração: “Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não sabia. E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus” (Gênesis 28:16,17).

 

Logo em seguida, Jacó pegou a pedra que tinha apoiado sua cabeça durante a noite e a colocou como uma coluna e a consagrou. Nesse ponto o texto bíblico esclarece a localização em que Jacó estava.

 

O lugar, até então anônimo, é apresentado como sendo a cidade Luz, uma das maiores e mais importantes cidades cananitas da época. Mas aquela grande cidade se tornou insignificante diante da revelação de Deus. Inclusive, seu nome foi trocado por Jacó de Luz para Betel, que quer dizer "Casa de Deus". Depois disso, Jacó fez um longo voto a Deus em que se comprometeu servi-lo com exclusividade.

 

O significado da visão da escada de Jacó 


O significado da visão da escada de Jacó é melhor compreendido à luz do contexto que se apresenta. Jacó teve aquela visão numa ocasião muito difícil e complicada de sua vida pessoal. Ele teve que fugir da casa de seus pais porque seu irmão queria matá-lo; mas ele também estava indo para uma casa em que seu tio estava pronto para explorá-lo.

 

Diante desse quadro, o significado da visão da escada de Jacó revela muito claramente que o filho fugitivo de Isaque e Rebeca não estava sozinho, mas o Senhor estava com ele. O Deus da aliança que escolheu Abraão e Isaque também havia escolhido Jacó e cuidava dele; seus anjos estavam ali para protegê-lo e servi-lo.

 

Tudo isso fica muito claro na importante declaração que Jacó ouviu do próprio Senhor durante aquela Teofania. Deus garantiu a Jacó sua presença protetora, provedora e abençoadora. Ele também renovou as promessas da aliança com Abraão dizendo que daria a Jacó e a sua descendência a posse daquela terra em que ele era peregrino, e por meio de sua linhagem todos os povos da terra seriam abençoados.

 

Nesse ponto, um significado ainda mais maravilhoso pode ser percebido na visão da escada de Jacó. Aquela visão prenunciava Cristo. O próprio Senhor Jesus aplicou essa imagem a si mesmo: “Em verdade, em verdade vos digo que d’aqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do homem” (João 1:51).

 

A Bíblia diz que Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5). Ele é quem nos dá acesso ao Pai por meio de um só Espírito (Efésios 2:18).

 

Lições sobre a visão da escada de Jacó

 

A visão da escada de Jacó nos ensina algumas lições. Em primeiro lugar, ela nos ensina que Deus cumpre seu propósito apesar da falha humana. Jacó era um fugitivo que tinha acabado de enganar seu próprio pai. Mas Deus, pelo beneplácito de sua vontade soberana, havia escolhido Jacó, e iria moldar o seu caráter. O homem que estava cercado de desconfiança, medo e ódio, agora longe de sua casa começaria a experimentar a graça misericordiosa do Senhor.

 

Em segundo lugar, a visão da escada de Jacó nos ensina sobre o envolvimento pessoal do Senhor com os assuntos da terra, com especial atenção ao que diz respeito à vida de seu povo. A presença protetora de Deus sobre seu povo em certo sentido também se expressa através do ministério dos anjos. Esses seres criados por Deus são espíritos ministradores que, por ordem do Senhor, servem aos que herdarão a vida eterna (Hebreus 1:14).

 

Em terceiro lugar, a sequência dos acontecimentos após a visão da escada de Jacó nos ensina que servir a Deus não significa ter uma vida fácil. Nos anos seguintes àquela maravilhosa experiência com Deus, Jacó enfrentou muitas tribulações. Muitas vezes a presença protetora de Deus não nos livra da aflição, mas nos livra na aflição. Inclusive, frequentemente o sofrimento é um instrumento através do qual Deus refina o caráter do crente e aperfeiçoa a sua fé. Foi assim com Jacó.

 

Em quarto lugar, a visão da escada de Jacó nos ensina que a menos que Deus queira, o homem não pode ter acesso ao céu. Por contraste, aquela visão nos lembra outra história bíblica. Depois do dilúvio, os homens começaram a construir uma torre cujo objetivo era tocar o céu (Gênesis 11:1-9).

 

Mas há uma grande diferença entre a Torre de Babel e a escada da visão de Jacó. A torre partia da terra para o céu, mas a escada que Jacó viu partia do céu para a terra. A expressão hebraica nesse texto significa literalmente que a escada estava “direcionada para a terra”. Seu alicerce era celestial, não terreno.

 

Nenhum empreendimento humano pode ligar a terra ao céu. A comunhão entre o céu e a terra é estabelecida somente por uma iniciativa divina. Curiosamente a palavra Babel vem de uma raiz que significa “portão de Deus”. Mas o contato divino que seus rebeldes construtores buscaram, acabou dando lugar ao juízo de Deus sobre eles. Muitos anos depois, por iniciativa de Deus, Jacó pôde contemplar o “porta dos céus”. Somente pela graça de Deus é que pode haver contato entre o céu e a terra.

 

Em quinto lugar, a visão da escada de Jacó tipifica Cristo. Em Betel Jacó viu o eixo de ligação entre o céu e a terra, por isso ele chamou aquele lugar de a “casa de Deus, a porta dos céus”. Em Jesus nós temos o Elo vivo entre Deus e o homem; Ele faz do seu povo aqui nesta terra a própria casa de Deus onde o Espírito Santo habita (1 Coríntios 3:16; Efésios 2:22). Jesus é a nossa Porta do céu! Ele é o Caminho para a casa do Pai (João 10:9).