segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

40 ANOS NO DESERTO



 As peregrinações que os filhos de Israel realizaram, marchando desde o Egito até à terra de Canaã, foram uma escola importante para sua instrução.

Foi em Ramessés que principiou a marcha dos israelitas. O caminho direto deste lugar para Canaã teria sido pela terra dos filisteus, ao norte dos lagos Amargos, e ao longo da orla setentrional do deserto de Sur. Todavia, essa direção foi-lhes proibida (Ex 13.17,18); e por isso, depois de por certo tempo tomarem o rumo oriental, prosseguiram para o sul, exultando certamente com isso o Faraó, porque julgava assim em seu poder. 

Acamparam a primeira noite em Sucote, que não devia ter sido longe de Ramessés. Pela segunda tarde chegaram à orla do deserto, em Etã. Provavelmente agora deviam ter seguido para o Oriente, mas foi-lhes ordenado que "retrocedam e que acampem defronte de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baat-Zefom" (Ex 14.2); era um estreito desfiladeiro, perto da costa ocidental do Golfo, entre os montes que guarnecem o mar e uma pequena baia ao sul. Ficavam deste modo "desorientados na terra". 

Esse movimento teve o efeito  de atrair o Faraó, para junto deles; e o desígnio de alterar desta forma a linha da sua marcha foi revelada a Moisés (Ex 14.17). Os egípcios aproximaram-se dos israelitas quando estes estavam acampados diante do braço ocidental do mar Vermelho. Como, quer na extensão, quer na profundidade do golfo de Suez, se operou uma notável mudança  no decorrer destes últimos trezentos anos, em virtude duma grande acumulação de areia, é por esta razão impossível determinar o lugar onde os israelitas atravessaram. Eles passaram pelo mar  em seco para o lado oriental, perto do sítio agora chamado Ayun Musa (poços de Moisés), principiando aqui o deserto de Sur (Ex 15.22), ou o deserto de Etã (Nm 33.8). Estas duas expressões de aplicam à parte superior do deserto; este deserto estende-se desde o Egito até à praia oriental do mar Vermelho, e alarga-se para o Norte até à Palestina.

O caminho que os israelitas tomaram é uma larga vereda pedregosa, entre as montanhas e a costa, na qual correm no inverno vários ribeiros, que nascem nos montes. Nesta ocasião tudo devia estar seco. O lugar onde primeiramente estacionaram foi Mara (amargo), onde foi operado o  milagre de se tornar doce a água amarga (Ex 15.23-25). O sítio onde isto aconteceu é, provavelmente, Ain Hawara, perto do riacho, chamado Wady Amarah, que tem a mesma significação de Mara.

A seguinte estação foi Elim, "onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras" (Ex 15.27); este sítio fixado por Niebhr e Burckhardt no vale onde corre  Ghurundel, que é a maior de todas as correntes, no lado ocidental da península. Este vale contém agora tamareiras, tamargueiras, e acácias de diferentes espécies. Obtém-se aqui água em abundância, cavando poços; há, também, uma copiosa nascente, com um pequeno regato. 

Chegaram depois os israelitas ao deserto de Sim, "entre Elim e Sinai" (Ex 16.1), no sopé da escarpada cumeeira de et-Tih,  um nome que significa "divagação"; é "um deserto medonho, quase inteiramente destituído de vegetação". Foi logo depois de terem entrado neste deserto que os israelitas obtiveram miraculosa provisão de codornizes e de maná. Os estudiosos supõe que eles tomaram em seguida a direção do sueste, marchando para a cordilheira do Sinai. Neste caso, a sua passagem teria sido pelo extenso vale, a que os árabes chamamWady Feiran. Passaram depois por Dofca e Alus. O vale Feiran é o sítio mais fértil de toda a região; e é aqui que devemos procurar Refidim, onde pela primeira vez foram atacados (Ex 17.8-13). Jetro, sogro de Moisés, também o visitou em Refidim; e pelo seu conselho foram nomeados juízes para ajudar o chefe israelita na ação judicial (Ex 18). E aqui, entre elevados picos, estava a rocha que, por mandado de Deus, foi ferida por Moisés, saindo dela depois abundância de água.

Em seguida fizeram seu acampamento no ermo do Sinai, onde o Todo-Poderoso revelou à multidão a Sua vontade por meio de Moisés; foi dado o Decálogo (dez mandamentos) ao homem, e foi estabelecido o Pacto (Ex 20.1-17; 24.7,8). Neste deserto também se deu o caso do culto prestado ao bezerro de ouro, e a enumeração do povo, e a construção do Tabernáculo; além disso, Arão e seus filhos foram consagrados, celebrou-se a segunda Páscoa, e morreram Nadabe e Abiú por terem oferecido fogo estranho ao Senhor. 

O monte, onde a Lei foi dada, chama-se Horebe no Deuteronômio, e Sinai nos outros livros do Pentateuco (5 livros: Gn, Ex, Lv, Nm e Dt). Provavelmente o primeiro nome designa todo o território, e o outro simplesmente a montanha, onde foi revelada a Lei.

Permaneceram os israelitas no deserto do Sinai um ano  aproximadamente, aparecendo de novo o sinal para a partida. Desde então as suas marchas e acampamentos foram sempre dirigidos pelo Senhor. Uma nuvem, que manifestava a Sua presença, cobria o tabernáculo de dia, e à tarde estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até à manhã" (Nm 9.15). O levantar da nuvem era sinal de avançar, caminhando eles após ela; e, quando parava a nuvem sobre o tabernáculo, queria isso dizer que deviam acampar de novo. As suposições, são que eles passaram para o norte, ao longo do Wady esh-Sheikh, entrando numa grande planície chamada el-Hadharah, na qual estava Taberá, nome que significa "incêndio", e que lhe foi dado em virtude de ser ali destruído pelo fogo, que caiu do céu, num certo número de israelitas insurgentes (Nm 11.1-3).
A estação seguinte foi Quibrote-Taavá, ou os "sepulcros da concupiscência" (Nm 11.34; 33.16). De Quibrote marcharam para Hazerote onde ocorreu a sedição de Miriã e Arão (Nm 12). As estações nesta parte do deserto foram Ritmá, Rimom-Perez, Libna e Cades-Barneia, sendo alcançado provavelmente este último lugar pelo mês de junho mais ou menos.

Quando se aproximava da Terra Prometida, foram mandados alguns espias (espiões) para a examinarem; mas, quando voltaram, as suas informações foram de tal modo aterrorizadores que o povo se revoltou; e por esta razão os hebreus tiveram de errar no deserto pelo espaço de quarenta anos. Saindo os israelitas de Cades-Barneia, depois da sua segunda visita, em que houve a provocação ao Senhor nas águas de Meribá, vieram eles até ao monte de Hor, perto de Petra, onde morreu Arão.

Esse monte, verdadeiro trono de desolação, consta de quebradas, de ruínas e de escuras profundidades. Os árabes chamam-lhe Jebel Neby Hayran, que quer dizer: o "monte do profeta Arão"; e ainda hoje, quando uma caravana oriental avista seu cume, sacrifica um cordeiro em memória daquele grande sacerdote. Passando pelo Wadi Arabah (provavelmente o "deserto de Zin") para Eziom-Geber (da segunda vez) e Elate, o povo chegou ao golfo oriental do mar Vermelho, e voltou para o norte pelo deserto oriental da Arábia. Neste lugar existe um grande desfiladeiro, vindo do nordeste através das montanhas, constituindo a principal passagem no Wadi Arabá para o deserto. A ascensão dos israelitas foi, sem dúvida por esta estreita passagem, quando de desviaram do mar Vermelho, e voltaram aos territórios de Edom. Nesta ocasião o povo estava muito desanimado por causa do caminho, e murmurou conta Deus e contra Moisés. As suas murmurações foram castigadas, aparecendo entre eles umas serpentes ardentes, cujas mordeduras produziam a morte; mas, por mandado do Senhor, foi levantada uma serpente de bronze, sendo curados os que para ela olhavam com fé. Prosseguiram  depois a sua viagem pelas faldas orientais das montanhas de Seir.

Os edomitas que primeiramente lhes haviam recusado a passagem pela sua terra, agora consentiam, fornecendo-lhes também alimentos para o seu caminho (Dt 2.3-6). Nada se sabe  das suas passagens até que chegaram a Zerede, um pequeno ribeiro que corre pelas montanhas até à extremidade ocidental do mar Morto. E partindo daquele Sítio "acamparam-se na outra margem de Arnom, que... é o termo de Moabe, entre Moabre e os Amorreus" (Nm 21.13). E dali se dirigiram para Beer, ou Beer-Elim, o poço dos nobres do povo, onde vendo que estavam quase chegados ao fim do deserto, e na perspectiva duma rápida entrada na Terra Prometida, entoaram o "cântico do poço" (Nm 21.17,18).

Os israelitas, após este acontecimento, desbarataram o seu terrível inimigo Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e cujos territórios se estendiam ao longo das praias do mar Morto, e pelo vale oriental do Jordão até ao rio Jaboque. Saindo vitoriosos na guerra contra Ogue, que ganhara os territórios ao oriente do mar da Galiléia, os israelitas apoderaram-se da parte oriental do vale do Jordão. Estas terras conquistadas, sendo boas para pastagens, foram cedidas às tribos de rúben e Gade, e à meia tribo de Manassés, que tinha muito gado; mas foi com a condição de auxiliarem as outras tribos na sua conquista de Canaã, ao ocidente do Jordão (Nm 32; Dt 3.8-20; Js 1.12-18). E por este motivo a seguinte estação foi chamada Dibom-gade, para distinguir de outra Dibom pertencente aos rubenitas (Js 13.17). As ruínas desta povoação, com o nome de Dibom, vêem-se cerca de seis quilômetros ao norte do rio Arnom. Deste lugar caminharam para Almom-Diblatain ou Diblataim, de onde seguiram para as serras de Abarim, em frente do monte Nebo. Finalmente acamparam perto do Jordão, desde Bete-Jesimote até Bete-Sitim, em frente de Jericó (Nm 33.49).

E assim terminou uma jornada de quarenta anos, atravessando principalmente lugares desertos, viagem que podia ter-s efetuado nalgumas semanas. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

A FÉ CRISTÃ




  I- Definição da Palavra

A simples fé implica uma disposição de alma para confiar noutra pessoa. Difere de credulidade, porque aquilo em que a  fé tem confiança é verdadeiro de fato, e, ainda que muitas vezes transcenda a nossa razão, não lhe é contrário. A credulidade, porém,  alimenta-se de coisas imaginárias, e é cultivada pela simples imaginação. A fé difere da crença porque é uma confiança do coração e não apenas uma aquiescência intelectual. A fé religiosa é uma confiança tão forte em determinada pessoa ou princípio estabelecido, que produz influência na atividade mental e espiritual dos homens, devendo, normalmente, dirigir a sua vida. A fé é uma atitude, e deve ser um impulso.

A fé cristã é uma completa confiança em Cristo, pela qual se realiza a união com o Seu Espírito, havendo a vontade de viver a vida que Ele aprovaria. Não é uma aceitação cega e desarrazoada, mas um sentimento baseado nos fatos da Sua vida, da Sua obra, do Seu Poder e da Sua Palavra. A revelação é necessariamente uma antecipação da fé. A fé é descrita como "uma simples mas profunda confiança Naquele que de tal modo falou e viveu na luz, que instintivamente os Seus verdadeiros adoradores obedecem à Sua vontade, estando mesmo às escuras". A mais simples definição de fé é uma confiança que nasce do coração.

II- A Fé no AT

A atitudes para com Deus que no NT a fé nos indica, é largamente designada no AT pela palavra "temor". O temor está em primeiro lugar que a fé; a reverência em primeiro lugar que a confiança. Mas é perfeitamente claro que a confiança em Deus é princípio essencial no AT, sendo isso particularmente entendido naquela parte do AT, que trata dos princípios que constituem o fundamento das coisas, isto é, nos Salmos e nos Profetas. Não es está longe da verdade, quando se sugere que o "temor do Senhor" contém, pelo menos na sua expressão, o germe da fé no NT. As palavras "confiar" e "confiança" ocorrem muitas vezes; e o mais famoso exemplo está, certamente, na crença de Abraão (Gn 15.6), que nos escritos tanto judaicos como cristãos é considerada como exemplo típico de fé na prática.

III- A Fé, nos Evangelhos

Fé é uma das palavras mais comuns e mais características do NT. A sua significação varia um pouco, mas todas as variedades se aproximam muito. No seu mais simples emprego mostra a confiança de alguém que, diretamente, ou de outra sorte, está  em contato com Jesus por meio da palavra proferida, ou da promessa feita. As palavras ou promessas de Jesus estão sempre, ou quase sempre, em determinada relação com a obra e a palavra  de Deus. Neste sentido a fé é uma confiança na obra, e na palavra de Deus ou de Cristo. É este o uso comum dos três primeiros Evangelhos (Mt 9.29; 13.58; 15.28; Mc 5.34-36; 9.23; Lc 17.5,6). Esta fé, pelo menos naquele tempo, implicava nos discípulos a confiança de que haviam de realizar a obra para a qual Cristo lhes deu poder; é a fé que opera maravilhas. Na passagem de Mc 11.22-24 a fé em Deus é a designada. Mas a fé tem, no NT, uma significação muito mais larga e mais importante, um sentido que, na realidade, não está fora dos três primeiros Evangelhos (Mt 9.2; Lc 7.50): é a fé salvadora que significa salvação. Mas esta idéia geralmente sobressai no quarto evangelho, embora seja admirável que o nome "fé" não se veja em parte alguma deste livro, sendo muito comum o verbo "crer". Neste Evangelho acha-se representada a fé, como gerada em nós pela obra de Deus (Jo 6.44), como sendo uma determinada confiança na obra e poder de Jesus Cristo, e também um instrumento que, operando em nossos corações, nos leva para a vida e para a luz (Jo 3.15-18; 4.41-53; 19.35; 20.31, etc). Em cada um dos evangelhos, Jesus proclama-Se a Si mesmo Salvador, e requer a nossa fé, como uma atitude mental que devemos possuir, como instrumento que devemos usar, e por meio do qual possamos alcançar a salvação que Ele nos oferece. A tese é mais clara em João do que nos evangelhos sinóticos, mas é bastante clara no último (Mt 18.6; Lc 8.12; 22.32).

IV- A Fé, nas Cartas de Paulo

Nós somos justificados, considerados justos, simplesmente pelos merecimentos de Jesus Cristo. As obras não tem valor, são obras de filhos rebeldes. A fé não é uma causa, mas tão somente o instrumento, a estendida mão, com a qual nos apropriamos do dom da justificação, que Jesus pelos méritos expiatórios, está habilitado a oferecer-nos. Este é o ensino da epístola aos Romanos (3 a 8), e o da epístola aos Gálatas. Nos realmente estamos sendo justificados, somos santificados ela constante operação e influência  do Santo Espírito de Deus, esse grande dom concedido à igreja e a nós pelo Pai por meio de Jesus. E ainda nesta consideração a fé tem uma função a desempenhar, a de meio pelo qual nos submetemos à operação do E. Santo (Ef 3.16-19).

V- Fé e Obras

Tem-se afirmado que há contradição entre Paulo e Tiago, com respeito ao lugar que a fé e as obras geralmente tomam, e especialmente em relação a Abraão (Rm 4.2; Tg 2.21).

Fazendo uma comparação cuidadosa entre os dois autores, acharemos depressa que Tiago, pela palavra fé, quer significar uma estéril e especulativa crença, uma simples ortodoxia, sem sinal de vida espiritual. E pelas obras quer ele dizer as que são provenientes da fé. Nós já vimos o que Paulo ensina a respeito sa fé. É ela a obra e dom de Deus na sua origem, e não meramente na cabeça; é uma profunda convicção de que são verdadeiras as promessas de Deus em Cristo, por uma inteira confiança Nele; e deste modo a fé é uma fonte natural e certa de obras, porque se trata duma fé viva, uma fé que atua pelo amor (Gl 5.6).

Paulo condena aquelas obras que, sem fé, reclamam mérito para si próprias; ao passo que Tiago recomenda aquelas obras que são a conseqüência da fé e justificação, que são, na verdade, uma prova de justificação. Tiago condena uma fé morta; Paulo louva uma fé viva. Não há pois, contradição. A fé viva, a fé que justifica e que se manifesta por meio daquelas boas obras, agradáveis a Deus, pode ser conhecida naquela frase já citada: "a fé que atua pelo amor".

terça-feira, 28 de outubro de 2014

QUAL PARENTESCO ENTRE ÁRABES E JUDEUS?



Nos estudos históricos não bíblicos ha referencias de um povo chamado literalmente "vagabundos das areias" (Ara-Bar). Esse era o vocábulo com o qual o povo egípcio designava todos os nômades semitas que giravam em volta do Egito, que depois darão origens aos árabes, e hebreus. outros antropólogos defendem que os dois povos são, ao mesmo tempo, os "habiru" nômades presentes em todo Oriente próximo, em 2000 e 2200 a.C. A partir deste ponto de vista, portanto é difícil separar a etnia dos árabes e os hebreus. São ambos  povos semitas, nascidos no mesmo contexto.

No mundo Bíblico existe a figura de Abraão, o pai espiritual das três religiões monoteísticas:
- Judaísmo,
- islamismo,
- cristianismo.

Da história de Abraão fica evidente também que ele não é só pai espiritual de hebreus e árabes, mas também pai carnal. A Bíblia conta, em Gênesis, que Abraão não podia ter filhos com sua esposa Sara. Esta, recorrendo a uma espécie de prática moderna da "barriga de aluguel", pede ao marido que tenha um filho com a escrava Agar. nasce então Ismael (pai dos ismaelitas, depois conhecido como muçulmanos ). Mais tarde também Sara conseguirá ter um filho (Isaac). O texto de Gênesis conta que ouve conflitos entre Agar e Sara e por causa disso Abraão teve de mandar embora Agar, contra a sua vontade, com o filho Ismael. Os dois vão então para o deserto, mas sempre protegidos por Deus que conforta Agar dizendo que também Ismael vai dar origem a um grande povo. Isso significa que temos duas alianças, uma feita com Abraão e sua descendência (Isaac, Jacó...) e outra similar com Ismael e seus descendentes, muçulmanos. 

Depois, na sequência da narração bíblica, se dá muita ênfase na Aliança com os patriarcas, mas também não deixa de ser mencionado o sucesso da outra aliança com Ismael: Isaac encontra com seu irmão Samuel, na vida adulta; Ismael participa do enterro de Sara e também de Abraão; quando Ismael morre é descrito como o justo.

Quem disse que os árabes descendem de Ismael é o próprio Maomé. supõe-se que uma separação entre os dois povos tenha acontecido quando uma parte da descendência de Abraão vai para o Egito. onde vive pacificamente. Depois a situação do Egito modifica-se quando Moisés com o povo Hebreu sai do Egito e volta para a Palestina, onde formam uma nova realidade social e histórica.

Da parte árabe, os vestígios arqueológicos dizem que os primeiros reinos surgem com os Mineus e os Sabeus, na Península Arábica, onde se estabilizaram as tribos nômades.

São vários os elementos que testemunham a origem comum, antropologicamente falando, dos dois povos. A raiz comum se dá também no campo religioso. Prova disso é que o próprio Moisés é evocado até mesmo no nome dos Muçulmanos (Moslen), que reconhecem Moisés como profeta.

DEUS PROIBE A CONFECÇÃO DE IMAGENS?

DEUS PROÍBE A CONFECÇÃO DE IMAGENS?




O primeiro mandamento da Lei dada por Deus a Moisés, no Sinai, diz: "Não terás outros deuses diante de Mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma do que há em cima no céu, e do que há em baixo na terra, nem do que nas águas debaixo da terra. Não adorarás tais coisas, nem lhes prestarás culto." (Ex. 20, 3-5 e Deut. 5, 8).
No Deuteronômio Deus repete essa proibição, dizendo: "Não farás para ti, nem levantarás nenhuma estátua, coisas que o Senhor, teu Deus, aborrece." (Deut. 26, 21).

Baseados nesses textos da Bíblia, os protestantes de todos os naipes - repetindo a heresia dos iconoclastas - acusam a Igreja Católica de não acatar a ordem de Deus, pois permite que se façam esculturas e imagens de Cristo e dos santos, para serem veneradas.

Esse raciocínio dos hereges peca, porque isola esse texto de outros. Se houvesse apenas essas frase na Escritura a respeito de imagens, eles teriam razão. Acontece que o mesmo Deus que deu essa lei em outras passagens disse o contrário, pelo menos aparentemente.

Assim, vejamos.

No mesmo Êxodo, quando Deus - cujo primeiro mandamento proibira fazer esculturas do que há no céu - mandou fazer a Arca da Aliança para que nela se guardassem as tábuas da Lei, Deus diz: 

"Farás também dois querubins de ouro batido, nas duas extremidades do oráculo. Um querubim esteja dum lado, o outro do outro. Cubram ambos os lados do propiciatório, estendendo as asas e cobrindo o oráculo, e estejam olhando um para o outro com os rostos voltados para o ropiciatório, com o qual deve ser coberta a arca, na qual porás o testemunho, que Eu te hei de dar. De lá te darei as minhas ordens, em cima do propiciatório e do meio dos querubins, que estarão sobre a arca do testemunho, e te direi todas as coisas que por meio de ti intimarei aos filhos de Israel" (Ex. 25, 17-22). Esse texto será repetido em Ex 37, 7.

Se Deus proibira fazer "figura alguma do que há em cima do céu", como é que depois manda fazer as figuras de dois querubins, determinando colocá-los exatamente sobre a arca em que se guardaria a Lei que proibia fazer estátuas? 
Aparentemente é uma contradição, e em Deus não pode haver contradição. Logo, deve haver uma explicação para fazer estátuas. 

Qual? 

Há ainda várias outras passagens em que Deus ordenou que se fizessem esculturas. Eis algumas: 

No Livro dos Números, quando os judeus se rebelavam contra Deus porque os tirara do Egito, Deus os puniu, castigando-os com serpentes. E o povo rogou a Moisés que intercedesse a Deus por ele, dizendo: "Roga [a Deus] que afaste de nós as serpentes. E Moisés orou a Deus pelo povo, e o Senhor disse a ele: " Faze uma serpente de bronze, e põe-na por sinal; aquele que, sendo ferido, olhar para ela, viverá. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e pô-la por sinal; e os feridos que olhavam para ela, saravam." (Num. 21, 7-9).

De novo: se Deus proibiu fazer figuras e esculturas do que havia sobre a terra, como então ordena que Moisés faça uma serpente de bronze? E, mais, quem olhasse para a serpente era curado, ocasionando aos judeus mais rústicos a ideia - que poderia ser uma tentação -- de considerar que na serpente de bronze havia algo de espiritual ou divino capaz de curar.

Poderia haver contradição em Deus? Claro que não. Então deve haver alguma explicação para isso: Deus proíbe fazer imagens e Deus manda fazer imagens. Uma delas, uma imagem de serpente que curava sendo olhada.
Repare ainda -- de passagem -- que na Bíblia se admitem intercessores humanos diante de Deus, ao contrário do que erradamente ensinam os protestantes de todas as seitas, que não admitem intercessores...

Quando Deus mandou fazer o Templo, ordenou que se fizesse um mar de bronze, isto é, uma grande bacia de bronze, e disse: "e [o mar] estava assente sobre doze bois, três dos quais olhavam para o setentrião, três para o ocidente, três para o meio dia e três para o oriente, e o mar estava em cima deles; as partes posteriores deles escondiam-se todas para a parte interna" (I Reis, 7, 25).
Como se explica que o mesmo Deus que proibira, no Sinai, fazer esculturas do que existe sobre a terra, mande fazer doze bois? Afinal, é proibido ou não fazer esculturas? 

Que confusão fazem os protestantes lendo apenas uma frase isolada da Bíblia, esquecendo -- de propósito -- outras.

Descrevendo o mar de bronze, diz a Bíblia: "O trabalho da base era a cinzel e havia esculturas entre as junturas. Entre as coroas e festões havia leões, bois, querubins e também nas junturas da parte de cima; debaixo dos leões e dos bois pendiam como que umas grinaldas de cobre." (I Reis, 7, 28-29).

No Livro I das Crônicas ou I dos Paralipômenos se leem outras particularidades das esculturas que Deus ordenou que fossem feitas por ordem de Salomão para o Templo de Deus, em Jerusalém.

"Pôs no oráculo dois querubins feitos de madeira de oliveira., de dez côvados de altura"(...) "adornar todas as paredes do Templo em roda com várias molduras e relevos, figurando nelas querubins, palmas e diversas figuras, que pareciam destacar-se saindo da parede" (...) "Nestas duas portas de madeira de oliveira entalhou figuras de querubins, palmas, relevos de muito realce de ouro tanto os querubins como as palmas, e todas as outras coisas" (...) "esculpiu nelas querubins palmas e relevos muito salientes; "(I Rs. 6, 23-24; 29; 32; 35).

"Também para os garfos, copos, turíbulos de ouro puríssimo, para os leõezinhos de ouro, segundo os seus tamanhos, destinou o peso de ouro para cada um dos leõezinhos. Do mesmo modo, para os leões de prata, separou outro peso de prata. Para o altar, em que se queima o incenso, deu do ouro mais fino, para que dele se fizesse a figura dum carro de querubins, que estendessem as asas e cobrissem a arca da aliança do Senhor" (I Cr. 28, 17-18).

Quando a Arca da Aliança caiu em mãos dos filisteus, Deus os puniu com uma praga. Para se livrarem dela, os filisteus consultaram os seus adivinhos, que mandaram que eles fizessem cinco objetos de ouro representando a parte de seu corpo ferida pela praga, e cinco ratos de ouro, colocando esses objetos junto com a Arca da Aliança, sobre um carro de boi, deixando-o livre para partir. E o carro foi em direção dos judeus, que recuperaram a Arca.
Ora, o fato de que Deus atendeu os filisteus, curando-os, comprova que Ele aceitara a dádiva dos cinco ratos de ouro e dos cinco objetos representando a parte ferida pela praga. Portanto, nem sempre as esculturas são condenáveis.

Todas essas citações comprovam que, se Deus proibiu fazer esculturas e imagens no primeiro mandamento, Ele mandou, em outras ocasiões, e por diversas vezes, que se fizessem esculturas e figuras. Como explicar, repetimos essa aparente contradição, já que em Deus é impossível haver contradição? 

A explicação não é difícil.

Há dois tipos de proibições: as proibições absolutas e as proibições relativas.

Imagine você, um professor irritado com sua classe barulhenta, que lhes grita: "Proíbo que abram a boca". 

A seguir, ele chama um dos alunos para pedir-lhe a lição, numa chamada oral. Ele pergunta uma coisa ao Zezinho, que nada responde. Pergunta outra, Zezinho se mantém absolutamente de boca fechada. Pergunta pela terceira vez, e Zezinho fica absolutamente silencioso. O professor lhe dá nota zero.

A seguir, o professor surpreende um outro aluno comendo um sanduíche. Irritado de novo, diz que doravante proíbe que comam.

Terminadas as aulas, Zezinho vai para casa e recusa comer e falar: mantém-se de boca fechada. A mãe insiste e Zezinho se mantém inamovível; a boca dele não abre. Afinal explica por escrito porque não fala e não come: o professor proibira comer e falar. Por isso tirou zero na lição oral e recusa comer qualquer coisa.

Evidentemente, Zezinho é pouco entendedor... O professor "proibira abrir a boca em classe", no sentido que proibia conversar, mas não repetir a lição oralmente. Ele proibira comer durante a aula, mas não em casa. As proibições do professor eram de caráter relativo, e não absoluto. O professor não dissera nenhuma contradição. Falta de inteligência indicava Zezinho ao entender proibições para a classe, durante a aula, como proibições absolutas, válidas para sempre e em todas as circunstâncias.

Da mesma forma, se Deus proibiu fazer imagens e, depois, por diversas vezes, mandou fazer imagens, como em Deus não pode haver contradição, segue-se que a proibição de fazer imagens é relativa e não absoluta.

Deus proibiu fazer imagens para adoração. Deus proibiu fazer ídolos, e não fazer imagens. 

Por isso a Igreja, que compreende e aceita tudo o que Deus disse na Sagrada Escritura e que não isola uma frase de outra, mas a todas harmoniza, a Igreja sempre permitiu o uso de imagens e sua veneração, mas nunca a sua adoração. 

Aliás, qualquer protestante, na prática diária, desobedece o que eles dizem ser a verdadeira interpretação do primeiro mandamento, porque tiram fotografias de si e de seus parentes, guardam-nas e, se têm carinho por uma pessoa, beijam sua foto.

Se eles cressem mesmo que é proibido fazer imagens, nunca poderiam tirar fotos de nada. E nem ter espelhos em casa, porque em cada espelho se formam imagens.
Nem poderiam ter filhos, porque cada homem é feito à imagem de Deus.

domingo, 26 de outubro de 2014

O QUE É A BÍBLIA


Ao contrário do que parece à primeira vista, a Bíblia não é um livro único e independente, mas sim uma biblioteca que destaca a aliança e o plano de salvação de Deus para com a humanidade.  palavra Bíblia provém do grego biblos e significa livros, quando usamos a palavra "Bíblia", nos referimos a esse conjunto de livros.

É conhecida também como Sagradas Escrituras e trata de diversos assuntos: orações, rituais, história, sabedoria, exortações e até mesmo poesia..., tudo em grande harmonia - já que é inspirada por Deus - relacionando o homem com o único e verdadeiro Deus, e vice-versa.

A Bíblia é muito antiga e o conteúdo de suas histórias rremete-se a acontecimento de antes do século XV a.C. (antes de Cristo), que foram transmitidos por tradição oral, mas passaram a ser redigidos a partir do século II a.C., com o surgimento da escrita hebraica e até o final do século I d. C. (depois de Cristo). Esse, aliás, o motivo pelo qual muitas passagens são difíceis de serem compreendidas, obrigando-nos, ás vezes, a recorrer a cursos Bíblicos ou outros livros de apoio. Ela foi escrita em aproximadamente 1.600 anos, mais  de 80 autores e em três idiomas: aramaico, hebraico e grego.

Para os judeus, a Bíblia é composta de 39 livros, para os católicos 73 livros e para os protestantes 66 livros. Cada um desses livros foi escritos em épocas diferentes e cada livro, sobretudo o do Antigo Testamento, tem uma gênesis complicada e nem sempre é possível dar uma data exata. Por exemplo, a data de composição da história contada pelos livros de Samuel, que contêm parte parte daquilo que os estudiosos chamam "história deuteronomística", é definida por alguns como tendo sido desenvolvida em 800 a. C., par outros que foi escrita na época do Exilo na Babilônia, em 500 a.C. Esse é apenas um exemplo, mas vários livros, sobretudo do Antigo Testamento, apresentam problemas de discordância entre os especialistas. Muitas vezes um mesmo livro foi escrito em diversas fases, e por isso, não é possível determinar uma data com precisão.

Apresento a seguir um quadro geral, sobre a composição dos livros da Bíblia. Lembre-se, porém, que é apenas um quadro estimado não exato. 

900 - 700 a.C. - Ciclos de narrativa: tradições orais e escritas, elaborado por um grupo de autores proféticos-sacerdotais. Ciclo de Abraão, Jacó, história de José, história do Êxodo, ciclo da tomada da terra, Gênesis e Números.

A partir de 700 a.C - Escribas reais que recolhem as sentenças e provérbios de Salomão e continuam a compor salmos par a liturgia no Templo. Têm início a obra deuteronomística da história, escrita em Jerusalém nos livros de: Deuteronômio, Juízes, Livro de Samuela, Reis e Crônicas.

580 a 540 a.C. (Exílio da Babilônia) - Revisão da obra Deuteronomistica. Ampla interpretação da história desde o inicio até o exílio. O livro das Lamentações. Nasce a obra sacerdotal, inspirada na teologia do profeta Ezequiel, com os livros Jeremias e o Dêutero-Isaías. 

A partir de 450 a.C. - As diferentes obras sobre a história de Israel são reunidas em parte dos livros históricos da Bíblia.

400 a. C. - Composição final do pentateuco. Obra histórica da Crônicas e literatura profética nos livros de Ageu, Zacarias, Malaquias, Joel e Isaías. o Saltério recebe novos salmos e também os livros de Provérbios, Jó, Rute, Jonas e Cânticos.

330 a 63 a.C -  Os livros de Ester, Daniel, Macabeus, Eclesiastes, Tobias, Judite e Baruc.

50 d.C. - 1 e 2 a carta de Paulo aos Colossenses.

50 a 95 d.C. - Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Outras do Novo Testamento.

100 d.C. - Apocalipse.

sábado, 25 de outubro de 2014

QUEM FOI BARRABÁS


Barrabás foi um personagem mencionado nos Evangelhos do Novo Testamento da Bíblia. Ele era um prisioneiro que foi libertado no lugar de Jesus Cristo por decisão popular, durante o julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos, o governador romano da Judeia.

 

Segundo os evangelhos (Mateus 27:15-26, Marcos 15:6-15, Lucas 23:18-25 e João 18:40), era costume libertar um prisioneiro por ocasião da Páscoa judaica, e Pilatos ofereceu ao povo a escolha entre Jesus e Barrabás. O povo escolheu libertar Barrabás, e Jesus acabou sendo condenado à crucificação.

 

Sobre Barrabás em si, sabe-se pouco. Ele é descrito como um criminoso, possivelmente um revolucionário ou insurgente que participou de uma rebelião contra os romanos e cometeu assassinato (Marcos 15:7; Lucas 23:19). Alguns manuscritos antigos indicam que seu nome completo poderia ser “Jesus Barrabás”, o que torna ainda mais interessante a escolha feita pelo povo entre “Jesus, chamado Cristo” e “Jesus Barrabás”.

 

Barrabás do ponto de vista histórico

 

Barrabás é uma figura envolta em incerteza, pois as informações sobre ele vêm exclusivamente dos Evangelhos do Novo Testamento — não há registros fora da Bíblia que comprovem sua existência ou detalhem sua vida. No entanto, há alguns elementos que podem ser contextualizados historicamente:

 

1. Contexto político da época

A Judeia, no tempo de Jesus, era uma província controlada pelo Império Romano. Havia grande tensão entre os judeus e os romanos, e surgiram diversos grupos revolucionários (como os zelotes) que lutavam contra a dominação romana. Muitos desses insurgentes eram considerados "bandidos" ou "assassinos" pelos romanos, mas vistos como heróis ou mártires por parte da população judaica.

 

2. Barrabás como insurgente

O Evangelho de Marcos (15:7) diz que Barrabás foi preso por participar de uma insurreição em que houve assassinato. Isso sugere que ele pode ter sido um dos muitos revolucionários judeus da época, e não apenas um criminoso comum. A palavra usada em grego (“lēstēs”) pode se referir tanto a bandido quanto a um rebelde político.

 

3. Prática de libertar prisioneiros na Páscoa

Historicamente, não há registros romanos que confirmem oficialmente o costume de libertar um prisioneiro durante a Páscoa, como descrito nos Evangelhos. Alguns estudiosos acreditam que isso pode ter sido uma prática local, informal, usada para apaziguar tensões com o povo judeu.

 

4. Barrabás e o simbolismo do nome

O nome “Barrabás” significa literalmente “filho do pai” (Bar-Abbá, em aramaico). Curiosamente, alguns manuscritos antigos do Evangelho de Mateus trazem o nome completo como “Jesus Barrabás”, o que teria criado um contraste dramático no julgamento: o povo escolheu libertar “Jesus, filho do pai”, e rejeitar “Jesus, o Filho de Deus” — uma escolha altamente simbólica.

 

Conclusão

Historicamente, é possível que Barrabás tenha sido um rebelde político, preso por ações contra o domínio romano. Sua libertação, segundo os Evangelhos, contrasta a rejeição de um homem acusado de ser rei messiânico com a escolha de um homem acusado de violência revolucionária — o que diz muito sobre as tensões políticas e religiosas da época.

 

 



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

LIVRO CANTARES (Ct)



LIVRO CANTARES (Ct)


Autor: Salomão
Data: Entre 970 a 930 aC


Autor e Data


A autoria de Salomão é contestada, mas a glória do simbolismo salomônico é essencial em Cantares. Jesus referiu-se duas vezes à glória e sabedoria de Salomão (Mt 6.29; 12.42). Como filho real de Davi, Salomão tece um lugar singular na história da aliança (2Sm 7.12,13). Seus dois nomes de nascimento, que simbolizam paz (Salomão) e amor (Jedidias), aplicam-se diretamente a Ct (2Sm 12.24-25); 1Cr 22.9). O glorioso reino de Salomão foi como uma restauração do jardim do Éden (1Rs 4.20-34), e o templo e o palácio que construiu personificam as verdades do tabernáculo e a conquista da Terra Prometida (1Rs 6.7). Salomão encaixa-se perfeitamente como a benção personificada do amor da aliança, visto que ele aparece em Ct com toda a sua perfeição real (1.2-4; 5.10-16).



Embora Ct não forneça informações precisas sobre o contexto, Salomão reinou em Israel de 970 a 930 aC. Linguagem e ideais similares também são encontrados na oração que Davi fez no templo por Salomão e pelo povo durante a entronização de Salomão (1Cr 29)


Características e Conteúdo

O livro de Ct é a melhor de todas as canções, um trabalho literário de arte e uma obra– prima teológica. No séc. II, um dos maiores rabinos, Akida bem Joseph, disse: “No mundo inteiro, não há nada que se iguale ao dia em que o Cântico dos Cânticos foi entregue a Israel.” O livro de Ct, em si, é como a sua fruta favorita, a romã, em cores vivas e repleto de sementes. Bastante diferente de qualquer outro livro bíblico. Ele merece consideração especial como arquétipo bíblico que apresenta, de um modo novo, as realidades básicas das relações humanas. Ct emprega linguagem simbólica pra expressar verdades eternas, em semelhança ao Livro de Apocalipses.

Ct contém descrições da mulher sulamita juntamente com uma exibição completa dos produtos de seu jardim. Isso deve ser entendido como um paralelo poético do amor conjugal e como bênçãos ao povo da aliança, em sua terra.

Claras indicações são dadas na descoberta das bênçãos da aliança: “sai-te pelas pisadas das ovelhas” (1.8). Aqui, o termo “pisadas” é, literalmente, “marcas de calcanhar”, e pode ser uma alusão a Jacó, o patriarca cujo nome conota “um calcanhar”. A função pastoril de Jacó e a sua constante luta pela bênção de Deus e do homem são citadas como a norma bíblica para o povo de Deus (Os 12.3-4,12,14). Ele nasceu segurando o calcanhar do seu irmão, um manipulador congênito. Foi “desconjuntado” com ardil no âmago de seu ser, como ilustrado por seu mancar em Maanaim (Gn 32). Foi forçado a viver fora de sua terra sob a ameaça de uma irmão irado. Retornou pra sua terra depois de 20 anos com uma instituição familiar defeituosa. Ardil, falta de amor, ciúme, raiva e amor de aluguel (de mandrágora, um suposto afrodisíaco) entraram nessa fraca estrutura. Os próprios nomes das Doze Tribos mostram a necessidade de uma nova história familiar.

A sulamita ajuda e reescreve essa história. Ela executa a dança memorial de Maanaim (6.13); ver Gn 32.2). Quando encontra a quem ama, ela o detém e não o deixa partir (3.4; ver Gn 32.26). Mandrágoras perfumadas crescem nos campos dela (7.11-13; ver Gn 30.14). Quando as filhas vêem, chama-na bem– aventurada ou feliz (6.9; ver Gn 30.13). Na sulamita, a corrompida árvore familiar produz “frutos excelentes”, os melhores (7.13; ver Dt 33.13-17). As bênçãos da aliança que havia sido distorcidas são redimidas.

Os mesmos acontecimentos também podem ser visto como retratos do amor conjugal. Dessa maneira, ela detém o seu marido e não o deixa partir (3.4). É o seu marido que elogia sua beleza (6.4-10). E a procissão de um casamento real e a alegria recíproca do noivo e da noiva aparecem retratadas em 3.6-5.1.

O Espírito Santo em Ação

De acordo com Rm 5.5, “o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo ES”. Baseado em Jesus Cristo, o ES é o poder de ligação e união do amor. A feliz unidade revelada em Ct é inconcebível à parte do ES. A própria forma do livro como cântico e símbolo é adaptada especialmente ao Espírito, pois ele mesmo faz uso de sonhos, linguagem figurada e o canto (At 2.17; Ef 5.18,19). Um jogo de palavras sutil, baseado no “sopro” divino do fôlego da vida (o ES, Sl 104.29,30) de Gn 2.7 parece vir à tona em Ct. Isso acontece em “antes que refresque o dia” (2.17; 4.6), no “soprar” do vento no jardim da sulamita (4.16) e, surpreendentemente, na fragrância da respiração e do fruto da macieira (7.8).

Esboço de Cantares

I. Cenas de abertura 1.1-2.7
Lembrando o amor do rei de bom nome 1.1-4
A morena e agradável guarda de vinhas 1.5,6
Procurando amor nas pisadas do rebanho 1.7,8
Removendo as marcas da escravidão 1.9-11
A linguagem do amor 1.12-17
O espírito e a árvore 2.1-6
A primeira súplica 2.7
II. A busca por abertura 2.8-3.5
Começando a busca 2.8-15
A alegria do amor no frescor do dia 2.16,17
A procura determinada pelo objetivo principal 3.1-4
A segunda súplica 3.5
III. A busca por mutualidade 3.6-5.8
A carruagem matrimonial real do amor da aliança 3.6-11
Conhecendo sulamita 4.1-7
Uma visão sobre a terra de cima do monte Hermom 4.8
Uma vida de união íntima num banquete no jardim 4.9-5.1
A queda da sulamita 5.2-7
A terceira súplica 5.8
IV. A busca por unidade 5.9 –8.4
Conhecendo Salomão 5.9-6.3
A glória triunfante da sulamita 6.4-10
O nobre povo da sulamita 6.11-12
A dança memorial de Maanaim 6.13-7.9
O início do novo amor de iguais 7.9 –8.3
A quarta súplica 8.4
V. Últimas cenas com resumo de realizações 8.5-14


alcançando o objetivo principal 8.5
Alcançando o amor autêntico 8.6,7
Alcançando ao maternidade e a paz 8.8-10
Obtendo uma vinha igual a de Salomão 8.11-12
Obtendo a herança 8.13-14