quarta-feira, 10 de junho de 2015

Moisés, Ramsés II e o Êxodo



Não há a menor dúvida de que as narrativas da Bíblia despertam o interesse de milhões de pessoas. Primeiro por ser parte de uma tradição que influenciou diretamente três religiões: a judaica, a cristã e a islâmica. Segundo, por fazer referência aos povos da Antiguidade, cujo legado chegou até nós e moldou a nossa cultura ocidental. Por outro lado fica a dúvida para alguns, de como interpretar tais eventos: aos olhos da fé ou da razão? 
O estudo das religiões e dos mitos requer a perspectiva da compreensão de seus significados para as várias sociedades e civilizações. Para a estudiosa da História das Religiões, Karen Armstrong, os mitos se sobressaem nos momentos de profunda angústia do homem em relação aos problemas concretos da sua existência, os quais muitas vezes não podem ser solucionados de forma puramente racional. O mito busca, por meio das situações passadas, servir de modelo para que as comunidades e sociedades possam transpor determinadas etapas, sendo relembrados por meio de cerimônias ou ritos de passagem, os quais cumprem a tarefa de preparar os indivíduos para situações reais, como por exemplo, a possibilidade de uma guerra, os períodos de fome e o enfrentamento da morte. Da mesma forma que a ciência e a tecnologia, os mitos não estão desconectados do mundo real, pelo contrário, auxiliam o homem a viver de forma plena dentro do mesmo. Nesse sentido, os mitos não necessitam ser interpretados de forma literal ou vistos apenas pelo ponto de vista de serem verdadeiros ou não.
Por sua vez, para o historiador, os textos bíblicos constituem também uma importante fonte para o conhecimento histórico e como tal devem ser interrogados, analisados e confrontados com outras informações. O que mais se têm tentado fazer, por influência do cientificismo do século XIX, é a busca de vestígios arqueológicos, que pudessem amparar os fatos citados na Bíblia. Por outro lado, o estudo apurado dos textos bíblicos feito por eruditos, linguistas e especialistas em História das Religiões pode também trazer informações substanciais, inclusive sobre a influência das demais correntes religiosas da Antiguidade na formação da tradição monoteísta dos hebreus. Evidentemente, a fé em Deus é algo que cabe à individualidade de cada um, até mesmo do historiador. A analise dos fatos históricos, por sua vez, está inserida nos parâmetros metodológicos estabelecidos pela historiografia e do estudo das fontes.
Por falar em fontes, aí está o grande problema com relação aos eventos bíblicos, pois, quanto mais retroagimos no tempo, mais nos defrontamos com a escassez das mesmas, sobretudo as escritas. Em muitas situações, dispomos apenas da própria Bíblia. É o caso dos tempos em que ocorreu a presença dos hebreus no Egito, do Êxodo e da figura de Moisés (na imagem acima, estatua representando o personagem bíblico, esculpida por Miguel Ângelo e concluída em 1515). 



As narrativas bíblicas apontam que, por volta do ano 1.600 a.C., os hebreus deixaram a antiga Canaã (parte da atual Israel, como mostra o mapa acima) e foram viver em terras egípcias. Os hebreus? É complicado afirmar que nessa época os hebreus constituíssem uma coletividade homogênea e que já estivessem seguindo o deus único, Iavé ou Jeová. Muito provavelmente tratava-se de um conjunto de tribos, talvez as 12 tribos citadas no Antigo Testamento (primeira parte da Bíblia). As terras de Canaã comportavam também outras populações de origem semita, que não eram necessariamente parte das famílias hebraicas, mas que conviviam no mesmo território, conhecidas de forma geral como cananeus. Possivelmente, algumas delas também tenham se deslocado para o reino dos faraós.



As condições naturais do Egito, com as cheias do rio Nilo, proporcionavam uma agricultura desenvolvida para a época. A construção dos canais de irrigação aprimorou essa atividade e, com certeza, pode ter atraído outras populações para aquele reino, em busca de alimentos. De acordo com o Antigo Testamento, os hebreus teriam permanecido lá por quase 400 anos e com o tempo acabaram sendo escravizados. A situação teria atingido o seu pior momento nos reinados dos faraós Seth I e de seu filho, Ramsés II, no século XIII a. C.. Com relação a este último monarca, relacionado por muitos estudiosos com a época do Êxodo, existem fontes materiais e documentais, inclusive a sua própria múmia (na imagem acima, a múmia de Ramsés II, no Museu do Cairo). Nenhuma dessas fontes, porém, relaciona esse faraó com os hebreus. Aliás, a própria Bíblia não cita o nome desse faraó. 



Alguns historiadores, inclusive, consideram que o Êxodo poderia ter ocorrido no reinado de algum outro rei egípcio, como Tutmés III, que reinou antes de Ramsés e promoveu a expansão do Egito em direção ao Oriente Médio. Como um evento da dimensão do Êxodo, que teria envolvido centenas de milhares de indivíduos, passou despercebido no próprio Egito, não sendo mencionado pelos escribas dos faraós? Exatamente isto é o que intriga os estudiosos e historiadores. O texto bíblico começou a adquirir forma escrita aproximadamente 700 anos após o evento ter ocorrido (na foto acima, o mais antigo fragmento de texto bíblico conhecido, escrito em folha de prata, referente ao Livro dos Números, datado do século VII a. C.). Como observamos anteriormente, isso não significa desprezar por completo as narrativas bíblicas, mas talvez coloca-las em sua devida dimensão e de acordo com o contexto histórico daquele momento.


As informações sobre a origem do povo hebreu também são imprecisas. Aliás, a referência mais antiga a respeito dos israelitas é uma inscrição encontrada no próprio Egito, datada do reinado do faraó Merneptah, que governou entre 1.224 e 1.214 a. C. e que foi sucessor de Ramsés II. Uma estela de pedra refere-se às campanhas militares desse rei egípcio em Canaã (atual Israel), onde viviam os israelitas, mencionados na segunda linha da inscrição, contada de baixo para cima (na imagem acima, a estela de Merneptah). Tal referência colocava os hebreus dentro de um conjunto de tribos de pastores espalhadas pelas montanhas de Canaã.


Mas, voltemos ao Êxodo. Os hebreus que viviam no Egito poderiam ter feito parte de um grupo ou estamento social inferior, conhecido pelo nome de Habiru ou Apiru. Do primeiro termo, talvez tenha surgido a palavra hebreu. Nessa condição, teriam sido obrigados a participar da construção do templo de Seth I (na imagem acima, a múmia de Seth I, pai de Ramsés II) e na nova cidade de seu sucessor, Ramsés II, o qual reinou entre 1.290 e 1.224 a.C.. Estes dois reis fizeram parte da XIX Dinastia de faraós que governaram o Antigo Egito. Nessa época, teria vivido Moisés. Quando de seu nascimento, o faraó teria decretado que todos os bebês hebreus recém nascidos deveriam ser afogados no rio Nilo. Contudo, Moisés teria sido recolhido das águas e salvo pela própria filha do faraó, crescendo na condição de príncipe da corte egípcia. O próprio nome Moisés, que significa "tirado das águas" é egípcio, lembrando o nome dos reis locais, como o próprio Ramsés. Adulto, Moisés liderou a luta para que seu povo pudesse sair da escravidão e retornar à terra de origem. 


De fato, Seth e Ramsés II foram grandes construtores (na imagem acima, detalhe dos colossos de Abu Simbel com 20 metros de altura, representando o faraó Ramsés II). Contudo, muitos egiptólogos (estudiosos do Antigo Egito) atribuem também a Ramsés o fato de ter usurpado as obras de reis anteriores, mandando raspar o nome dos mesmos. De qualquer forma, isso não tirou-lhe a fama de construtor de cidades e templos.


Para pressionar o faraó, Moisés e Aarão, seu irmão, lançaram as pragas sobre o Egito, a fim de demonstrar os poderes do Deus hebreu. Novamente aqui a dúvida dos historiadores. Os papiros e inscrições não mencionam essa série de pragas, embora a possibilidade de que tais acontecimentos pudessem ocorrer no Egito, fosse verificada. Na descrição das pragas, o texto bíblico remete à alguns aspectos da ecologia do Egito Antigo, como por exemplo, os reveses que poderiam acompanhar as enchentes do rio Nilo, o excesso de lodo trazido pelas águas e os pequenos animais fugindo das inundações, como escorpiões, cobras e rãs, os quais tentavam alcançar os terrenos mais altos (na foto acima, a técnica de construção dos canais de irrigação, usada no Egito até hoje). Essas enchentes, fora dos padrões habituais, poderiam influenciar as colheitas, em função da demora para as águas baixarem e ter início a semeadura. Uma colheita ruim poderia, inclusive, prejudicar a imagem do faraó perante os seus súditos. De acordo com os textos bíblicos, a última dessas pragas atingiu o primogênito de Ramsés II, fazendo com que ele atendesse aos pedidos de Moisés. Os cálculos complexos, realizados por especialistas, apontam o ano de 1.250 a.C., como tendo sido a época do Êxodo, que coincide com o reinado desse conhecido faraó, o qual governou por mais de 60 anos.
Após o rei do Egito permitir que os hebreus retornassem a Canaã, Moisés acabou ele mesmo conduzindo a retirada de seu povo, levando-o até uma massa de água conhecida como "Mar dos Juncos", que muitos identificaram como sendo o Mar Vermelho. O mar se abriu e os hebreus o transpuseram. Posteriormente, Moisés conduziu os israelitas até as encostas do monte Sinai, na península do mesmo nome, que separa a África do Oriente Médio, onde recebeu as leis divinas ou "Tábuas da Lei", contendo os 10 Mandamentos. Os hebreus estabeleceram, nesse momento, a aliança com Deus ou Iavé e empreenderam, durante 40 anos, o retorno para Canaã. 
Do ponto de vista histórico, muitas dúvidas podem ser lançadas sobre os relatos do Êxodo. A primeira diz respeito aos hebreus terem sido escravizados. A escravidão no Antigo Egito era uma forma de trabalho suplementar, uma vez que grande parte das obras eram realizadas pela própria população camponesa, que prestava serviços ao Estado. O escravismo antigo só se desenvolveu de forma plena na Grécia e no Império Romano. Outro aspecto diz respeito à logística exigida para um deslocamento populacional no deserto, envolvendo centenas de milhares de pessoas, algo impensável naquela época. O Mar Vermelho pode não ser o local da travessia, que poderia ter sido feita pelo istmo do Sinai (onde hoje está o canal de Suez), na época o "mar dos juncos". Do ponto de vista religioso, a unidade dos hebreus em torno de seu único Deus somente seria alcançada séculos depois, nos tempos dos reis David e Salomão. 



A unidade política do tempo da monarquia é a que apresenta mais evidências arqueológicas, que podem permitir aos estudiosos analisar os fatos, além daquilo que é descrito no Antigo Testamento (na foto acima, uma inscrição em aramaico, do século IX a.C., que contém a mais antiga referência à dinastia do rei David). 
Por outro lado, a época do Êxodo foi uma fase de grandes deslocamentos populacionais no Oriente Médio. O conflito dos egípcios com os hititas (que viviam na Ásia Menor, onde hoje é a Turquia), a chegada dos "povos do mar" (procedentes de algum ponto do Mediterrâneo), que ameaçaram o Egito após o reinado de Ramsés II. Os invasores filisteus, que se estabeleceram na Palestina e se tornaram vizinhos dos hebreus e dos cananeus (daí vem a origem do nome Palestina, "terra dos filisteus"), trouxeram dificuldades para o estabelecimento de uma unidade política entre as tribos hebraicas. Isso sem contar a ascensão dos assírios, no norte da Mesopotâmia, que viriam a dominar o Oriente Médio. 
Enfim, a perspectiva de que sejam encontradas evidências materiais e documentais para o Êxodo, fora dos textos bíblicos, são muito remotas. Por sua vez, os textos bíblicos também lançam luzes sobre as origens da primeira religião monoteísta da Antiguidade. A pureza nas crenças religiosas era algo muito distante da realidade dos hebreus, no século XIII a. C.. O nome Israel, por exemplo, pode ser uma referência à antiga divindade "El", adorada pelos cananeus. Nesse sentido, o Êxodo têm um significado como marco fundador para os antigos israelitas e na sua luta para se estabelecer na Palestina, que envolveu também o enfrentamento de Iavé com outras divindades locais, como "Baal" e "Asherá".
Se, na condição de historiadores, fizermos a leitura literal do texto bíblico, muitas dúvidas ficarão sem resposta. Por sua vez, lembramos novamente que os mitos têm relação íntima com as dificuldades enfrentadas pelos indivíduos, para buscarem a sua afirmação enquanto povo ou nação. No caso dos hebreus, isso não foi diferente......

Para saber mais:
Raymond P. Scheindlin. História Ilustrada do Povo Judeu. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

Crédito das Imagens:
Estátua de Moisés: Miguel Ângelo. Editora Taschen, 1998, pag. 51.
Mapa do Oriente Médio Antigo. Raymond P. Scheindlin. História Ilustrada do Povo Judeu. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, pag. 27.
Mumia de Ramsés II. Egito: Terra dos Faraós. Coleção Civilizações Perdidas. Rio de Janeiro: Abril Coleções, 1998, pag. 8.
Fragmento de texto bíblico e estela de Mineptah: John Romer. Testamento: os textos sagrados através da história. São Paulo: Editora Melhoramentos, 1991, pags. 89 e 41.
Múmia de Seth I e colossos de Ramsés II: O Mundo Egípcio (volume 2), Coleção Grandes Impérios e Civilizações. Edições del Prado. 1996, pag. 220 e capa.
Canal de irrigação moderno. O Antigo Egito. Biblioteca de História Universal Life. Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1969, pag. 46. 
Inscrição contendo referência à dinastia do rei David: Tesouros da Terra Santa: do rei David ao cristianismo. Catálogo da Exposição do MASP em São Paulo, 2012, pag. 22. 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

CORPUS CHRIST



Existem no decorrer do ano, diversas datas que são definidas como feriado: seja, municipal, estadual ou nacional. Geralmente, um feriado sempre é bem vindo; para muitos sinônimos de folga no trabalho e diversão. Mas, há uma questão muito séria que se encontra por trás de alguns destes feriados, são "dias santos", por conseqüência consagrada há alguma entidade venerada por multidões; estes feriados são uma forma de devotar louvor ou veneração a  personagens declarados como "santos" (1Cor 10,19-20).

Irmãos queridos somos chamados a uma vida santa (separada) e compromissados com as verdades de Deus que estão expressas de forma clara na Bíblia; o Espírito Santo move e faz-nos ver que é incompatível com a fé verdadeira participar destas consagrações  tradicionais  em algumas cidades. E, na condição de separados que somos, é sábio declararmos  diante das trevas que anulamos em nome de Jesus Cristo,  todo poder e autoridade constituída pelos homens às forças espirituais contra nossas vidas. O passo seguinte é procurarmos viver um dia, de muita vigilância e consagração ao Senhor (Mt 26,41), para que não sejamos atingidos pelo inimigo.

Corpus Christi é uma festa ao Corpo de Cristo. É uma data adotada na Igreja Católica, para comemorar a presença real de Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia, pela mudança da substância do pão e do vinho na de seu corpo e de seu sangue (O Catolicismo declara que a hóstia, torna-se literalmente em Carne e Sangue do Senhor Jesus). 

A seguir, veja como se iniciou esta comemoração:

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XII. A Igreja sentiu necessidade de realçar a presença real do "Cristo todo" no pão consagrado. Esta necessidade se aliava ao desejo do homem medieval de "contemplar" as coisas. Surgiu nesta época o costume de elevar a hóstia depois da consagração. Disseminava-se uma controvertida piedade eucarística, chegando ao ponto das pessoas irem à igreja mais "verem" a hóstia do que para participarem efetivamente da eucaristia

A Festa de Corpus Christi foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. O Papa Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico.

Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter ‘visões’, (que retratavam um disco lunar dentro do qual havia uma parte escura. Isto foi interpretado como sendo uma ausência de uma festa eucarística no calendário litúrgico  para agradecer o sacramento da Eucaristia). Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, será o Papa Urbano IV (1261-1264), e tornará mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer.

A ‘Fête Dieu’ começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica.

A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII.

O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada antes de 1270.
O ofício divino, seus hinos, a seqüência ‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno. Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia.

Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar ‘o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia’ e ‘onde for possível, haja procissão pelas vias públicas’, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação.

A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo... Isto é o meu sangue... Fazei isto em memória de mim’. Porque a Eucaristia foi celebrada pela 1ª vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

OS 10 MANDAMENTOS – NÃO COBIÇARÁS



DECIMO MANDAMENTO – NÃO COBIÇARÁS

“De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário.” (At 20, 33).

A cobiça é a raiz da qual surge todo pecado contra o próximo, tanto em pensamento como na pratica.


LEITURA BÍBLICA

“Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” (Êx 20,17).


“1  E SUCEDEU depois destas coisas que, Nabote, o jizreelita, tinha uma vinha em Jizreel junto ao palácio de Acabe, rei de Samaria. 2  Então Acabe falou a Nabote, dizendo: Dá-me a tua vinha, para que me sirva de horta, pois está vizinha ao lado da minha casa; e te darei por ela outra vinha melhor: ou, se for do teu agrado, dar-te-ei o seu valor em dinheiro. 3  Porém Nabote disse a Acabe: Guarde-me o SENHOR de que eu te dê a herança de meus pais. 4  Então Acabe veio desgostoso e indignado à sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jizreelita, lhe falara, quando disse: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão. 5  Porém, vindo a ele Jezabel, sua mulher, lhe disse: Que há, que está tão desgostoso o teu espírito, e não comes pão? 9  E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoai um jejum, e ponde Nabote diante do povo. 10  E ponde defronte dele dois filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei; e trazei-o fora, e apedrejai-o para que morra. 15  E sucedeu que, ouvindo Jezabel que já fora apedrejado Nabote, e morrera, disse a Acabe: Levanta-te, e possui a vinha de Nabote, o jizreelita, a qual te recusou dar por dinheiro; porque Nabote não vive, mas é morto. 16  E sucedeu que, ouvindo Acabe, que Nabote já era morto, levantou-se para descer para a vinha de Nabote, o jizreelita, para tomar posse dela.” (1Rs 21,1-5.9-10.15-16).

I.              INTRODUÇÃO.

O décimo mandamento envolve atos e sentimentos. O sétimo mandamento proíbe o adultério, e aqui Deus proíbe o desejo adulterar. O Senhor Jesus foi direto ao ponto: “Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (Mt 5,28). O ultimo mandamento protege o ser humano de ambições erradas. A cobiça infecta pobres e ricos nas suas mais diversas formas.

II.            O DÉCIMO MANDAMENTO.

1.    Abrangência. O tema diz respeito à proibição da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e da soberba da vida (Gn 3,6; Jo 2,16). Isso envolve muitos tipos de pecado como sensualidade, luxuria, busca desenfreada por possessões ilícitas, obsessão pelo poder, ostentação esnobe e orgulho. Esse mal continua no gênero humano desde a sua queda até a atualidade.

2.    Objetivo. O propósito divino é estabelecer limites à vontade humana, para que haja respeito mútuo entre as pessoas e seus bens. Muitos outros vícios acompanham a cobiça, como lasciva, concupiscência, inveja e avareza, entre outros (Gl 5,20-21; Tg 4,2). Não pode haver paz num contexto como esse. É necessário que cada pessoa se controle para viver uma vida virtuosa, e isso é fundamental na construção de uma sociedade justa e feliz. Melhor é o que domina seu espírito do que o que toma uma cidade (Pv 16,32). Nós levamos vantagem  por termos Jesus e o Espírito Santo (Gl 2,20; 5,5).

3.    Contexto. Há algumas variações entre os dois textos (Êx 20,17; Dt 5,21). A ordem das clausulas está invertida. Em Deuteronômio, aparece um sinônimo do verbo “cobiçar” e acrescenta-se a palavra “campo”. Isso mostra que o formato de Êxodo está adaptado ao estilo nômade de vida de Israel no deserto, ao passo que Deuteronômio é o modelo para o país preste a ser estabelecido na terra de Canaã.

4.    Esclarecimento. Os católicos romanos e os luteranos dividem em dois o décimo mandamento: “Não cobiçaras a casa do teu próximo”; e “Não cobiçaras a mulher do teu próximo” (Êx 20,17). Enquanto essas sentenças são lidas como mandamentos distintos eles consideram “Não terás outros deuses” e “Não farás para ti imagens e esculturas” como um único mandamento. Na soma permanecem os dez mandamentos. Ambos mantiveram a tradição catequética medieval desde Agostinho de Hipona (santo da igreja católica romana). Quanto aos evangélicos segue o sistema das igrejas reformadas, que vem dos judeus e é anterior a tudo isso (cf. Flavio Josefo. História dos Hebreus. Edição CPAD, PP.165-66.

III.           COBIÇA.

1.    Significado. O verbo hebraico hamad indica o ato de desejar aquilo que é gerado pela emoção, que começa com a impressão visual pela coisa ou pessoa desejada. Tudo isso se resume a “desejar, tentar adquirir, almejar, cobiçar”. O ermo é usado para “encontrar prazer em” (Is 1,29; 53,2). Hamad aparece duas vezes aqui no décimo mandamento (Êx 20,17). A septuaginta traduz pelo verbo epithymeo, literalmente, “fixar desejo sobre”; de epi, “sobre”, e thymos, “paixão, ira”. O termo em ambas as línguas pode se referir a coisa boa ou coisa má, dependendo do contexto (Mt 5,28; 13,17).

2.    Cobiçar. Desejar o que pertence a outro é o pecado que o décimo mandamento condena. O Novo Testamento menciona esse último mandamento do Decálogo (Rm 7,7; 13,9). Trata-se de cobiçar a casa do outro, a mulher do próximo e em seguida o mandamento inclui servo e serva, boi e jumento, e termina com as palavras “nem coisas alguma do teu próximo”. A cobiça é o desejo excessivo de possuir aquilo que pertence ao outro. A descrição deixa claro que não se trata de simplesmente almejar uma casa ou um boi, mas desejos incontroláveis de possuir a casa e o boi que já tem dono, e isso por meio ilícito (At 20,33; 1Cor 10,6; Tg 4,2). É o mesmo que roubar (Mq 2,2).

3.    O texto paralelo. Como ficou dito antes, o décimo mandamento em Deuteronômio não segue rigorosamente o registro do Êxodo. Mas isso não altera o sentido da mensagem. O segundo verbo empregado para “cobiçar” é awah, que significa “desejar ardentemente, ansiar, almejar, cobiçar”. Aparece ao lado de hamad (Gn 3,6) e, como termo alternativo, em “não cobiçaras a mulher do teu próximo” (Dt 5,21) a Septuaginta traduz os dois verbos igualmente por epithymeo.

IV.           A VINHA DE NABOTE.

1.    Proposta recusada. O relato bíblico do confisco criminoso da vinha de Nabote é um dos mais chocantes da Bíblia e serve como amostra do que a cobiça é capaz de fazer. A vinha de Nabote era uma propriedade vizinha ao palácio do rei Acabe, em Samaria. O rei apresentou uma proposta de venda ou troca aparentemente justa. Mas Nabote recusou a oferta do rei. “Guarde-me o SENHOR de que eu te dê a herança de meus pais.” (1Rs 21,3). Havia nessa recusa uma questão familiar, cultural e religiosa. A propriedade era um bem sagrado que não se transferia definitivamente para outra família: Assim a herança dos filhos de Israel não passará de tribo em tribo; pois os filhos de Israel se chegarão cada um à herança da tribo de seus pais.” (Nm 36,7; ver Lv 25,23-25).


2.    O direito de propriedade. O rei ficou “desgostoso e indignado à sua casa, por causa da palavra que Nabote, o jizreelita, lhe falara, quando disse: Não te darei a herança de meus pais. E deitou-se na sua cama, e voltou o rosto, e não comeu pão.” (1Rs 21,4). O rei Acabe adoeceu, pois a cobiça por algo que não lhe pertencia o havia dominado. À Bíblia diz que a medida da impiedade de Acabe se completou quando ele se casou com Jezabel, uma princesa fenícia de origem pagã, devota de Baal. Ela era filha Etbaal, rei de Sidom (1Rs 16,29-32). Jezabel não respeitava o sagrado direito de propriedade estabelecido por Deus na lei de Moisés. Ela não hesitou em elaborar um plano criminoso para condenar Nabote à morte e confiscar sua vinha: “9  E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoai um jejum, e ponde Nabote diante do povo. 10  E ponde defronte dele dois filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei; e trazei-o fora, e apedrejai-o para que morra.” (1Rs 21,9,10).


3.    O pecado de Acabe e Jezabel. O plano de Jezabel funcionou com a conivência do marido. Envolveu a elite da sociedade e a corte palaciana, o que por si só mostra que a sociedade de Samaria estava completamente dominada, pois o texto menciona “anciãos e nobres” corrompendo falsas testemunhas (1Rs 21,8-10). A acusação foi a acusação foi a seguinte: “Blasfemaste contra Deus e contra o rei” (v 10). Agora, Nabote devia ser “legalmente” apedrejado até a morte por ter se recusado a negociar sua propriedade com o rei. As duas testemunhas davam consistência legal ao processo (Lv 24,10-16; Dt 17,6).

4.    O casal não contava com uma testemunha verdadeira. Estava tudo acabado e benfeito social e juridicamente. Ao saber da noticia. Acabe ficou curado de sua enfermidade e foi tomar posse da vinha de Nabote (1Rs 21,15-16). Eles violaram o sexto mandamento, “não matarás”, o oitavo, “não furtaras”, o nono “não dirás falso testemunho contra o teu próximo” e o décimo “não cobiçarás” (Dt 5,17,19-21). Isso sem contar os três primeiros mandamentos que já vinham violando, com sua idolatria, desde o principio. Mas Acabe e Jezabel não contavam com uma testemunha que sabia que sabia de tudo e tinha autoridade para se vingar dessa barbaridade (1Rs 21,17-19).

V.            CONCLUSÃO.


O triste episódio de Acabe se repete ao longo da história. Que Deus nos livre de todas essas  maldades. A lei não proíbe e desejo em si, mas o desejo daquilo que pertence a outro. Não é pecado desejar bens e conforto, as coisas boas de que necessitamos  na vida . na verdade, viver é desejar. Desejar uma casa é mais natural do que respirar, mas para isso é necessário trabalhar e fazer economias até conseguir a realização do seu desejo com a ajuda de Deus.

Marco Antonio Lana (Teólogo)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

OS 10 MANDAMENTOS - NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO



NONO MANDAMENTO – NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO.

“Não admitirás falso rumor e não porás a tua mão com o ímpio, par seres testemunha falsa” (Êx 23,1).

O nono mandamento proíbe a mentir; o mexerico e o testemunho falso contra o próximo no dia a dia como nos tribunais.

“16 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.” (Êx 20,16)

“15  Uma só testemunha contra alguém não se levantará por qualquer iniquidade, ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que cometeu; pela boca de duas testemunhas, ou pela boca de três testemunhas, se estabelecerá o fato. 16  Quando se levantar testemunha falsa contra alguém, para testificar contra ele acerca de transgressão, 17  Então aqueles dois homens, que tiverem a demanda, se apresentarão perante o SENHOR, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias. 18  E os juízes inquirirão bem; e eis que, sendo a testemunha falsa, que testificou falsamente contra seu irmão, 19  Far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e assim tirarás o mal do meio de ti. 20  Para que os que ficarem o ouçam e temam, e nunca mais tornem a fazer tal mal no meio de ti. ” (Dt 19,15-20)


I.              INTRODUÇÃO.

O nono mandamento se aproxima do terceiro, pois envolve a questão da mentira. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” não se refere apenas ao depoimento num tribunal mas também ao relacionamento diário com aqueles à nossa volta. Aqui temos a lição para os que agem, ainda que inconscientemente, como se o pecado se restringisse a assassinato, adultério e furto. Ninguém deve pensar que a mentira e o falso testemunho são menos graves que os demais pecados citados no Decálogo. A Bíblia coloca no mesmo nível todo aquele que tem a mentira como estilo de vida.

II.            O NONO MANDAMENTO.

a)    Abrangência. O mandamento não restringe apenas ao campo do processo legal; há implicações vinculadas às atividades da vida diária (Dt 17,13; Lv 19,16). A ruptura desse mandamento podia solapar a característica básica da aliança, a fidelidade de Deus para com o homem, do homem par com Deus e do ho9mem para com o próximo.

b)    Objetivo. É duplo, em defesa da honra e da fé. Trata-se da proteção da honra e da boa reputação no campo social. O propósito divino neste mandamento é erradicar a mentira, a calunia e a falsidade do meio do povo (Dt 19,20; 17,13). E não somente isso, mas também promover o bem-estar social e a fraternidade entre os seres humanos. No tocante à doutrina, o mandamento torna-se uma muralha de proteção contra os falsos ensinos teológicos (2Cor 13,8).

c)    Contexto. O nono mandamento com suas normas na legislação mosaica mostram a administração da justiça em Israel. O termo “juízes”, em hebraico, shophet, “juiz, árbitro, conselheiro jurídico, governante” (Dt 19,17), é há-Elohim, literalmente “Deus” na passagem paralela (Êx 22,8-9). A tradução literal seria “perante Deus” como aparece na Septuaginta e na Vulgata Latina. Este uso é padrão para o verdadeiro Deus no Antigo Testamento e não deve ser traduzido como “deuses” por causa do artigo. O emprego de “juízes” aqui é legítimo e ninguém questiona essa tradução. As versões rabínicas empregam “perante a corte”. Os juízes representavam o Deus de Israel nos julgamentos.


III.           O PROCESSO.

a)    Responder em juízo. O mandamento “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Êx 20,16; Dt 5,20) reflete o aspecto legal e isso é conhecido pelos termos usados e por sua regulamentação na lei. O verbo “dizer”, anah, em hebraico, “responder”, abrange amplo significado. É usado para indicar o ato de declarar solenemente (Gn 41,16; Dt 27,14), de testemunhar a favor (Gn 30,33) ou contra (2Sm 1,16). A resposta, aqui, diz respeito aos interrogatórios na corte. Essa característica forense aparece na legislação sobre o tema (Êx 23,2; Dt 19,16-19).

b)    Falso testemunho. O termo hebraico ed, “testemunho”, emedshaw, literalmente “testemunho vão” (Dt 5,20) ou edshaqer, “falso testemunho” (Êx 20,16) diz respeito a uma mentira, a uma declaração conscientemente falsificada. O termo hebraico Shaw, “vão, inutilmente, à toa” (ver terceiro mandamento), indica algo sem valor, irreal no aspecto material. Aqui se trata de alguém que fala em vão, sem fundamento, que faz acusação sem validade e sem consistência, portanto falso. A tradução de Deuteronômio 5,20 na Septuaginta, acrescenta “com testemunho falso”, assim: “Não testemunharas falsamente contra o teu próximo com testemunho falso”.
  
c)    O próximo. É a primeira vez que o ermo aparece no Decálogo. O próximo, em hebraico, rea, indica outra pessoa, vizinho, amigo, parceiro. Essa palavra  se refere aos Israelitas (Lv  49,18), mas o Senhor Jesus a aplicou a todas as pessoas em seu pronunciamento sobre o segundo e grande mandamento (Mt 22,39). Todavia, a lei já contemplava nessa palavra os estrangeiros (Lv 19,34). Assim, nosso próximo é qualquer pessoa ou eu mesmo, pois devo também ser um próximo, isso está claro quando Jesus manda o judeu e doutro da lei imitar o samaritano (Lc 10,36-37).

IV.          A VERDADE.

a)    Antigo Testamento. Verdade é aquilo que corresponde aos fatos, em contraste com qualquer coisa enganosa, a mentira (Dt 13,14; 17,4; Is 4,3-9). O termo hebraico, emet, significa “verdade, fidelidade, firmeza, veracidade”. Daí derivam as palavras emunah, “fé, fidelidade, firmeza” (Hc 2,4),e amen, “amém, verdadeiramente, de fato, assim seja”. É também um atributo divino o “Deus da verdade” (Sl 31,5). O próprio Deus é a verdade absoluta (Dt 32,4). O Deus verdadeiro espera que seu povo também o seja, pois a ética é a imitação de Deus (Mt  5,48; 1 Cor 11,1).


b)    Novo Testamento. Emprega aletheia, “verdade”, e seus derivados. O termo vem do verbo grego, lanthano/letho, “ocultar ou encobrir algo a alguém”, o prefixo “a” indica negação. Assim, para os gregos, aletheia significa “não oculto, não escondido”. É aquilo que corresponde aos fatos e permanece em oposição à falsidade (At 26,25; Rm 1,25; 9,1). Nisto se alinha com as Escrituras hebraicas. Esta é a verdade como parte da ética, mas as palavras “como está a verdade em Cristo” (Ef 4,21), dizem respeito a “toda sua plenitude e extensão, encarnada nele; Ele é a perfeita expressão da verdade” (Dicionário Vine). Isso está de acordo com sua própria afirmação (Jo 14,6).

c)    O que é a verdade. Foi a pergunta que Pilatos fez a Jesus, mas não esperou pela resposta (Jo 18,37-38). Será que ele estava convencido de que não havia resposta, ou não se interessou de modo algum pelo retorno que Jesus poderia dar? Para os romanos, “verdade”, veritas em latim, significa “precisão, rigor, exatidão de um relato”. Talvez Pilatos estivesse destoado do contexto.


V.            O CUIDADO COM A MENTIRA.

a)    As testemunhas. Ninguém podia ser acusado por uma só testemunha, pois a lei exige  duas ou três testemunha, (Dt 19,15-20). Era a garantia de um julgamento justo. Mas nem sempre isso era possível. Nabote foi acusado, julgado e condenado conforme a lei, mas era inocente, pois as testemunhas eram falsas  (1Rs 21,13). O Senhor Jesus foi vitima de testemunhas falsas (Mc 14,56), da mesma forma que Estevão (At 6,13). Mesmo com todo o rigor da lei, nunca faltou na história quem se dispusesse a testemunhar falsamente.

b)    Os danos. A violação do nono mandamento é um atentado contra a honra e pode destruir a reputação e o bom nome que alguém levou uma vida inteira para construir. Seus efeitos maléficos podem ainda levar a pessoa à morte ou á prisão, destruir casamentos e arruinar famílias. É um pecado grave dos quais muitos ainda não se deram conta. A pena contra a falsa testemunha em Israel era a morte; tal pessoa recebera o mesmo que ela tentou fazer ao seu próximo: “será condenado, e o castigo dele será o mesmo que ele queria para o outro” (Dt 19,19). Será aplicada a lei de talião (Êx 21,23-25).

c)    O pecado da mentira. Quem já viu um irmão ser disciplinado ou cortado da comunhão da Igreja pelo pecado da mentira? A Bíblia trata o assunto com seriedade., pois quem se converteu a Cristo precisa deixar  a mentira e falar a verdade (Ef 4,25; Cl 3,9). Os mentirosos constam da lista dos incrédulos, homicidas, fornicadores, feiticeiros, idólatras, dentre outros (Ap 21,8; 22,15). Na graça, o tema é tratado com profundidade implicando à vida eterna, e não envolvendo tribunais  como no sistema mosaico. É desejo, portanto, de todo cristão se parecer com Jesus e é isso que Deus espera de todos nós (1Pd 1,15-16)

VI.          CONCLUSÃO.


Deus se interessa pelo bem-estar de todos os seus filhos. O desrespeito pelo próximo afronta a Deus. O Senhor Jesus nos ensinou a tratar as pessoas da mesma maneira que gostaríamos de ser tratados (Mt 7,12). Que Deus nos ajude e nos guarde par que possamos viver uma vida irrepreensível.

Marco Antonio Lana (Teólogo)