segunda-feira, 5 de novembro de 2012

DOUTRINA DA IGREJA - LIÇÃO 10 – O GOVERNO DA IGREJA



“E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, que é o seu corpo, o receptáculo daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos.” (Ef 1,22-23).

                                                                                                                                                                 I.      INTRODUÇAO

Podemos olhar para a comunidade dos remidos, a Igreja que se encontra peregrinando na terra, de duas formas:

  1. O primeiro olhar pode defini-la como um organismo. Como um grande corpo vivo onde cada cristão que foi lavado e remido pelo sangue de Jesus é membro. E à semelhança do nosso corpo, cada membro da igreja local está interligado e interdependente um do outro (assim também com relação aos cristãos de todo o mundo). Isso produz a prazerosa sensação de que onde houver uma igreja e dela eu me aproximar, estou entrando em contato com membros do mesmo corpo de que faço parte. Essa maneira de ver a igreja que compõe o corpo de Cristo só é possível com os olhos espirituais que o Espírito Santo nos concede. Ele ainda ajuda a decifrar os segredos do evangelho.

  1. Um segundo olhar lançado sobre a igreja pode facilmente perceber que ela é também uma organização. A conexão da igreja com os céus a transforma em organismo. O fato de a igreja estar na terra a transforma em organização.

Hoje ela é tanto uma coisa como a outra. No céu não seremos mais organização, seremos apenas  organismo. A parte burocrática e funcional deixará de existir. Sumirá da vida da Igreja tudo que diz respeito a estudo, regimento, pagamento de contas, orçamentos, reuniões, planejamento, etc.

Todos esses itens são importantes na presente era. Não obstante perderão seu valor e não farão mais sentidos quando estivermos no céu,

                                                                                                                        II.      O GOVERNO DIVINO DA IGREJA.

Só pela revelação divina é que podemos perceber e entender que o governo último da igreja vem do Alto. Todavia, uma vez regenerados, fazendo parte de uma comunidade e desfrutando da sua comunhão, podemos constatar esse fenômeno.

  1. Cristo é o Cabeça da Igreja – (Ef 1,22-23; 5,23).

Quando se fala de Cristo como o Cabeça da Igreja, se pensa principalmente na aspecto do Seu senhorio. Nesse sentido, ressalta-se a soberania do Cristo que governa a Igreja. Jesus é o Senhor absoluto. O senhorio de Jesus está sobre todas as coisas – “E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja,” (v 22). Vejam que esse verso fala que Jesus é cabeça sobre todas as coisas, não apenas da Igreja. Deus o tornou SENHOR de tudo. O seu senhorio é universal. Sendo assim, anjos e demônios, principados e potestades, poderes do céu, da terra ou do inferno, todos estão subordinados à pessoa bendita de Jesus Cristo. Ninguém pode deter a marcha da Igreja. A Igreja marcha vitoriosamente porque temos como cabeça o SENHOR do céu e da terra.

Animo! Você faz parte de um exercito mais que vencedor. Olhe para a Igreja e saiba que quem ousar tocar nela estará tocando no corpo de Cristo e é dEle que virá a contra-ofensiva!



  1. Cristo amou a Igreja – (Ef 5,25-27).

O governo de Cristo sobre a Igreja não tem como base o poder ou a demonstração de força, muito menos a imposição própria dos ditadores. Na base do seu governo está o amor. Diferente de tudo o que podermos ver neste mundo, Jesus governa a Igreja sem que isso Lhe renda qualquer acréscimo. A relação de Jesus com a Igreja está fundamentada no amor. Isso significa dizer que nesta relação Jesus apenas oferece e nada recebe em troca. Por, pelo menos, duas razoes isso acontece.

  1. Porque a Igreja não tem atributos qualificados para recompensar a Jesus por tudo o que Ele fez por ela.
  2. Porque o que Cristo fez, por amor o fez. A palavra que Paulo usou para descrever o relacionamento de Jesus com a Igreja foi uma tipicamente cristã – agapao – que nas palavras de Francês Foulkes  significa “amor que não guarda qualquer resquício de egoísmo, que não procura a satisfação própria, nem mesmo afeição, mas que luta pelo mais alto bem da pessoa amada”. Quem faz algo por amor recebe a recompensa no próprio ato de fazer.

  1. Cristo comprou pelo seu sangue a Igreja – (At 20-28).

Eis uma verdade que precisamos assimilar e entender até as suas ultimas conseqüências. A Igreja foi comprada. Ela pertence a Cristo por direito de propriedade. O preço pago foi o próprio sangue de Jesus. Pedro faz coro com Paulo ao afirmar que “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” (1Pd 2,9). Não pertencemos a nós mesmos. A Igreja não se pertence. Por ser propriedade alheia precisa seguir as ordens do seu dono.

                                                                                                                 III.      O GOVERNO HUMANO DA IGREJA.

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16,18-19).

Deus escolheu, vocacionou e capacitou homens e mulheres para conduzirem a igreja, definindo-a tanto como organismo como organização. É uma contradição marchamos em direção à gloria celestial enquanto na terra não honramos nossos compromissos. A igreja não deve ser conhecida como aquela que proclama o céu, mas envergonha a terra. A Bíblia deixa claro que Deus escolheu alguns para estarem à frente da igreja. Como organismo o governo é divino; como organização o governo é humano. Mas é muito bom relembrar que mesmo no governo humano é Deus quem dá as diretrizes.

Jesus deu toda autoridade a Pedro pra tomar decisões em seu nome “dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”. Pedro foi o primeiro líder da Igreja de Jesus Cristo.

A Igreja Católica Apostólica Romana considera Pedro como o primeiro Papa da Igreja de Jesus Cristo.

  1. Pastores e Mestres (Ef 4,11).

A expressão – “outros para pastores e mestres” – é citada em conjunto, havendo assim a possibilidade de que os dois nomes - pastores e mestres – se refiram ao mesmo ministério. Há quem afirme que se trata de ministérios diferentes. Calvino é um destes.

As duas principais características do ministério pastoral podem ser enumeradas como: prover alimento espiritual para o rebanho e proteger o rebanho de perigos espirituais. A principal característica do mestre, como próprio nome dá a entender, é ensinar. O dia-a-dia da igreja parece revelar que nem todo pastor é mestre e nem todo mestre é pastor. O que realmente importa é que Deus institui ambos para edificar a igreja local. E que ambos os ministérios não podem ser negligenciados sob pena de sérios prejuízos para o corpo de Cristo.

  1. Presbíteros e Diáconos (1Tm 3,1-13).

Evidente, desde que esse texto foi composto pelo apóstolo Paulo muita “água passou debaixo da ponte”! Hoje, há vários modelos de governo de igreja. O que um destes termos significa para uma igreja local pode não ser necessariamente o que significa para outra. Isto é secundário. O que tem real valor é que Deus escolhe pessoas para desempenhar funções diferentes e complementares no corpo de Cristo. É de fundamental importância entender que quem é chamado para ser presbítero exercerá uma função diferente daquele que é chamado para ser diácono e que uma função não é melhor, nem superior à outra. Alguém pode achar, erroneamente, que o ministério de diácono é um estágio para chegar ao ministério de presbítero.

No tempo neotestamentário, os presbíteros, também chamados de bispos, eram dirigentes da igreja cristã. Eles se dedicavam ao ensino da doutrina e à pregação do evangelho. Os diáconos eram pessoas que ajudavam nos trabalhos de administração da igreja e cuidavam dos pobres, das viúvas e dos necessitados em geral. Ambos trabalhavam na Igreja do Senhor. O dom dos presbíteros os habilita, principalmente, para trabalhar com o abstrato no corpo de Cristo, que é o ensino, a pregação do evangelho e funções correlacionadas a essas. O dom dos diáconos os habilita, principalmente, para trabalhar com o palpável, como por exemplo, o cuidado com os pobres, viúvas, órfãos, e necessitados em geral.

                                                                                                                                                             IV.      CONCLUSAO.

A igreja é governada por Deus. Jesus Cristo é o SENHOR dela. Isto não quer dizer que tudo o que acontece na igreja reflita a vontade e divina, mas que ninguém pode deter o avanço dela e sua existência não depende de homens. O governo humano da igreja foi instituído por Deus. Nem todos os pastores, presbíteros, diáconos e demais lideres fazem exatamente o que Deus quer, e muitos desses ouvirão da boca dEle o “apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. Tal realidade mostra que há entre os que lideram aqueles que são fieis e os que não são; o “trigo e o joio”, que no momento adequado serão separados (Jo 13,1-20).

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

PAÍS NA BIBLIA - ABRAÃO – UM PAI AMIGO DE DEUS




Estudar a vida de Abraão, enquanto pai, há de nos ensinar muitas lições sobre o exercício da paternidade.

Seu nome, provavelmente quer dizer “o pai é exaltado”. Com Sara, sua esposa; Agar, a egípcia serva de Sara, e Quetura, sua mulher após a morte de Sara, nosso personagem teve oito filhos: de Agar, nasceu Ismael – “E Agar deu um filho a Abraão; e Abraão pôs o nome de Ismael no seu filho que tivera de Agar”. (Gn 16.15); de Sara, o conhecido de Isaque – “Sara concebeu, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, de que Deus lhe falara; e, Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque”. (Gn 21.2-3); de Quetura, nasceram Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá - “Ora, Abraão tomou outra mulher, que se chamava Quetura. Ela lhe deu à luz a Zinrã, Jocsã, Medã, Mídia, Isbaque e Suá”. (Gn. 25.1-2).

Amigo de Deus

Para começar, ele é conhecido na Bíblia como sendo amigo de Deus – “Ó nosso Deus, não lançaste fora os moradores desta terra de diante do teu povo Israel, e não a deste para sempre à descendência de Abraão, teu amigo? (2Cr. 20.7). Que título tão importante Abraão possuía! Ser conhecido como alguém que mantinha comunhão intima com Deus! Nossos filhos sabem se temos comunhão com Deus ou não. O maior legado que podemos deixar para eles é a lembrança de nosso relacionamento intimo com Deus. E um dia eles ao se referirem a nós dizendo: “Papai e mamãe eram pessoas que viveram todos os dias de suas vidas em profunda comunhão com Deus”.

Deus cuida dos nossos filhos

Sabemos que Deus, ao prometer um filho a Abraão – Gn 15.1-16 – não queria que esse filho nascesse de um relacionamento com Agar, mas de Sara. Mas o nascimento de Ismael nos proporciona oportunidades excelentes para uma reflexão sobre a paternidade.

A primeira delas é que as circunstâncias de uma gravidez podem ser ilegítimas, mas o filho não!

Um filho nascido fora do casamento, embora este não seja o plano de Deus, deve ser amado e respeitado pelos pais.

Uma outra grande lição que podemos aprender da história de Ismael e Abraão é a certeza de que Deus cuida dos nossos filhos.

Quando Ismael já estava crescido, houve um atrito entre Sara com Agar. A ordem de Sara em expulsar Agar e Ismael foi muito dura para Abraão – “e disse a Abraão: “Expulsa esta escrava com o seu filho, porque o filho desta escrava não será herdeiro com meu filho Isaac.” Isso desagradou muitíssimo a Abraão, por causa de seu filho Ismael.”. (Gn 21.10-11), mas esse fez uma opção pelo casamento e obedeceu. Podemos imaginar quão triste foi aquela madrugada para Abarão, quando preparou o suprimento para Agar e seu filho Ismael. Embora a tristeza talvez tenha sido grande, Abraão guardava no coração as palavras confortadoras de Deus dando-lhe a certeza de que Ele não abandonaria Ismael. Muito pelo contrario, faria daquele filho uma grande nação – “Mas Deus disse-lhe:  “Não te preocupes com o menino e com a tua escrava. Faze tudo o que Sara te pedir, pois é de Isaac que nascerá a posteridade que terá o teu nome. Mas do filho da escrava também farei um grande povo, por ser de tua raça.””. (Gn 21.12-13).

Quantas vezes ficamos preocupados quando nossos filhos saem de casa para cursar uma faculdade ou trabalhar num lugar distante ou até mesmo para uma viagem! Lembremos as palavras de Deus a Abraão dizendo que estaria com seu filho Ismael.

Mesmo que passem por privações, como foi o caso de Ismael com sua mãe – “Acabada a água do odre, deixou o menino sob um arbusto, e foi assentar-se em frente, à distância de um tiro de flecha,  “porque, dizia ela, não quero ver morrer o menino”. Ela assentou-se, pois, em frente e pôs-se a chorar.” Gn. 21.15-16), Deus vê e no momento certo oferece o recurso necessário para continuar a jornada – “E abriu-lhe Deus os olhos, e ela viu um poço; e foi encher de água o odre e deu de beber ao menino” (Gn 21.19).

Esforçar-se em dar o melhor para os nossos filhos é saudável, mas precisamos deixá-los seguir os seus próprios caminhos e saber que mesmo que estejam longe do alcance de nossos olhos, jamais estarão dos olhos de Deus.

Filhos consagrados a Deus.

Se dos relatos históricos do nascimento e da vida de Ismael podemos aprender a lição da legitimidade dos filhos e o cuidado de Deus na vida deles, da história de Isaque podemos aprender várias lições.

A primeira delas é que nossos filhos devem ser consagrados a Deus.

Gênesis 22 nos mostra que Deus deve ocupar o primeiro lugar em nossos corações. Abraão tinha tudo, humanamente falando, para dizer não a Deus. Mas, ao ouvir de Deus as ordens para sacrificar seu querido filho Isaque, não hesitou. Embora tenha sido difícil para ele a caminhada até o monte Moriá – “Respondeu Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. E os dois iam caminhando juntos” (Gn 22.8), havia no seu coração o desejo de provar a Deus toda sua fidelidade.

Gênesis 22 nos ensina que, embora os métodos sejam diferentes, Deus quer que coloquemos nossos filhos no altar para Ele usá-los da maneira que desejar.

Colocar os filhos no altar deve ser o primeiro gesto de um pai ou uma mãe logo ao saberem da gravidez. Essa entrega deve se estender por toda a vida.

Significa também deixar Deus agir na vida profissional deles e incentivá-los a serem bênção independentemente da profissão que escolherem.

A Segunda lição que extraímos do Gênesis 22 refere-se às oportunidades que Deus nos dá de ensinar nossos filhos a respeito da provisão de Deus em todas as circunstancias. No caminho em direção ao monte Moriá, Abraão ensinou a Isaque que vale a pena, sempre e em todas as circunstâncias, confiar em Deus – Gn 22.8 – Ao dizer “Deus proverá”, Abraão estava ensinando a Isaque que Deus nunca falha e nem nos abandona.

O dever de ensinar aos nossos filhos acerca de Deus que provê é, em primeiro lugar, dos pais.

Casando os filhos

Sara já tinha morrido. A idade já estava avançada – “Ora, os anos da vida de Sara foram cento e vinte e sete. Depois sepultou Abraão a Sara sua mulher na cova do campo de Macpela, em frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã.” – Gn. 23.1 e 19. Abraão agora toma uma atitude que para nós parece bem estranha: envia um dos seus servos para buscar uma esposa para Isaque – “E disse Abraão ao seu servo, o mais antigo da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe a tua mão debaixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo Senhor, Deus do céu e da terra, que não tomarás para meu filho mulher dentre as filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito; mas que irás à minha terra e à minha parentela, e dali tomarás mulher para meu filho Isaque. Gn 24.2-4”.

Era costume da época. Não devemos fazer o mesmo hoje. Mas desse texto, podemos aprender que como pais devemos estar interessados no futuro matrimonial de nossos filhos. Como isto pode acontecer?

Devemos orar pelo casamento de nossos filhos desde quando eles estão no ventre da mãe. Devemos orar para que eles busquem a vontade de Deus também nessa área de vida.

Uma outra atitude que podemos tomar para demonstrar o quando estamos interessados na vida sentimental dos nossos filhos é ser um referencial positivo para eles. Como isso deve acontecer? Demonstrar o amor conjugal para os filhos servirá mais do que muitos livros sobre casamento.

Também podemos demonstrar nosso interesse pelo futuro matrimonial ensinando-lhes os ideais de Deus acerca do casamento. Nossos filhos estão sendo bombardeados por idéias erradas acerca do casamento. Ouvem falar que o divorcio não traz problemas e que deve  ser sempre uma opção séria a ser considerada. Ouvem anedotas que denigrem o casamento e recebem conselhos no sentido da coabitação não – formal. Não podemos deixar de mostrar-lhes que o casamento é uma idéia de Deus e tudo que Ele faz é o melhor para a humanidade. Nós é que não sabemos usufruir.

Um pai amigo

Cremos que o despeito das suas falhas, Abraão cultivou boas relações com seus filhos, principalmente com Ismael e Isaque.

Ao morrer, seus filhos Ismael e Isaque o sepultaram ao lado de Sara – “Então Isaque e Ismael, seus filhos, o sepultaram na cova de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, que estava em frente de Manre” – Gn 25.9.

Através desse gesto, podemos aprender o quanto seus filhos o amavam e o respeitavam.

Ao lado daquela sepultura, provavelmente Ismael e Isaque se lembraram de todos os acontecimentos de suas vidas e puderam agradecer a Deus o pai que tiveram.

No final da vida, é isso que vai indicar se formos ou não pais bons o bastante.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

DOUTRINA DA IGREJA - LIÇÃO 09 – AS 0RDENS DA IGREJA CATÓLICA APOSTOLICA ROMANA

 

 

                                                                                                           I.    INTRODUÇÃO

 

Tradição histórica da Igreja herdada de épocas apostólicas, a subdivisão da Ordem em quatro graus menores e quatro graus maiores providenciava e promovia a dignificação da liturgia, além da manutenção integral das igrejas e por extensão da educação religiosa dos próprios fiéis. Com as reformas implantadas por Paulo VI, cinco graus (os quatro menores e um dos maiores) foram extintos da Igreja ou redirecionados para outros graus, sendo estes acumulados para o Sacristão na grande maioria das vezes, "concedidos” à leigos e leigas e mesmo acumulado para os não menos atarefados Padres.

 

Para se entender o porquê da existência de cada função, inicialmente é necessário conhecer o significado do sacramento da Ordem na Igreja. A Ordem é um sacramento instituído por Jesus Cristo, pelo qual se confere o poder de consagrar, oferecer e administrar a eucaristia, e exercer as outras funções eclesiásticas. Especialmente, aqueles que recebiam este sacramento possuíam uma tonsura na cabeça como sinal de submissão à Deus, utilizando-se por conseqüência do Solideu para cobrir sua tonsura. Este sacramento dá virtude e graça aos sacerdotes e outros ministros da Igreja para bem cumprir os seus ofícios. Desta maneira, somente compete aos Bispos, que possuem o grau mais elevado, em plenitude, da ordem, a conferência deste sacramento.

 

 

                                                                                                    II.    GRAUS MENORES

 

Os graus menores compreendem quatro vias: Hostiário, Leitor, Exorcista e Acólito.

·         O Ostiário é o primeiro dentre os graus menores e também o mais antigo (mencionado em cartas do Papa Cornélio do ano de 251), e, embora com muita simplicidade em suas funções, não se constitui como menos necessário no cumprimento dos parâmetros litúrgicos, dado que seus atos ocorrem no mesmo momento de outros, sendo por isso necessário um encarregado especial que possa garantir o cumprimento pleno das ações litúrgicas. Cuidam os Ostiários das chaves e das portas das Igrejas, além de zelar pelo sino e pelas badaladas deste, zela ainda pela proteção do cumprimento dos atos litúrgicos mantendo o altar livre de crianças e pessoas estranhas que venham a incomodar o Padre no momento da celebração do Santo Sacrifício; também em algumas paróquias é o responsável pela manutenção estrutural simples das Igrejas. "Na ordenação de Hostiários até à abolição das ordens menores, suas funções são assim enumeradas no Pontifical: "Cymbalum Percutere et campanam, ecclesiam aperire et sacrário, et librum ei qui aperire prædicat" (para tocar o sino, para abrir a igreja e a sacristia, para abrir o livro para o pregador) [tradução livre].
·         O leitor é o responsável direto por lecionar as leituras na Santa Missa, zelando pela dicção e pelo entendimento de todos mediante uma leitura razoável efetuada segundo diretrizes litúrgicas. Excetuando-se o Evangelho e as lições da Liturgia das Horas, as demais leituras são proferidas pelo Leitor. Assim como as demais Ordens Menores, somente varões (homens) de boa reputação podem se candidatar e receber esse grau de ordenação tendo em vista que os Apóstolos chamados a servir N.S.J.C. eram todos homens. 
·         O terceiro grau de Exorcista é aquele responsável pelo auxílio dos padres e curas nos exorcismos, preparando os livros, objetos litúrgicos, espaço físico e as próprias orações. A expulsão do Demônio ou dos Demônios é um bem precioso da Igreja que é narrado pelos Santos Evangelhos como múnus concedido por N.S.J.C. à Igreja e aos Apóstolos. Pela excepcionalidade dos exorcismos, estes (os Exorcistas) eram mais encontrados nas Catedrais das Dioceses e Arquidioceses, de onde toda a Freguesia poderia ser atendida pelos seus serviços à Deus, podendo ser encontrado também em pequenas cidades, sem nenhum impedimento. Somente após a Tonsura tal grau era recebido pelo Varão, sendo que este somente poderia praticar o exorcismo em catecúmenos a se Batizar (algo mais simples), cabendo ao Padre ou Cura o exorcismo dos demônios. Sua veste distinta é a Sobrepeliz.
·         O Quarto e último grau dentre as ordens menores é o de Acólito, encarregado especial do auxílio dos padres na realização do Santo Sacrifício Salvífico. Cabe ao mesmo auxiliar o Diácono e ao Padre na celebração da Santa Missa, zelar pelo altar e a rígida disposição dos objetos litúrgicos além de também ser um ministro extraordinário em casos especiais e de urgência. Existem em vários países subdivisões da Ordem do Acolitato em Acólitos de Coro (responsáveis pelos cânticos gregorianos), Acólitos Juniores (menos funções que os Seniores) e Acólitos Seniores (mais funções que os Juniores). Somente pessoas do gênero masculino podem assumir o Acolitato. O significado de Acólito vem do verbo acolitar, que quer dizer acompanhar no caminho. Não se pode confundir o Coroinha atual pós-conciliar, que não dispõe da ordenação e por isso não pode proceder à entrega da Eucaristia (embora muitos padres façam usufruto de uma disposição cerimonial em que em casos extra-ordinários pode-se delegar o poder temporário para a entrega da eucaristia ou o portar do cálice ou âmbula) com o Acólito, sendo coroinha, como já explicitado, aquele que pode auxiliar no coro das igrejas ou ser uma subdivisão do Acolitato.

 

                                                                                                  III.    GRAUS MAIORES



Os posteriores graus compreendem quatro vias:
·         Subdiaconato, Diaconato, Presbiterado e Episcopado. Ordem maior que a do Leitor e menor do que o Diaconato, o Subdiaconato já contempla algumas regras que são características da Ordem, como o uso da Batina (além do Cíngulo, Alva, Manípolo e Tunicelas) e o Celibato Clerical. A idade canônica mínima para o Subdiaconato é de 20 anos, cabendo ao mesmo o auxílio, assim como os demais graus menores, do Diácono nas disposições litúrgicas que contemplem uma missa pontifical ou não. É papel do subdiácono o de portar do Lecionário para a leitura do evangelho ou mesmo a leitura de uma epístola em Liturgia Solene. Obriga-se ao Subdiácono a Castidade perpétua e a recitação cotidiana do Ofício Divino; a recepção deste grau da Ordem ocorre quando o Bispo manda o ordinando tocar o cálice, a patena e o livro das epístolas.
·         O Diaconato é considerado a principal etapa formativa para os egressos ao sacramento da Ordem, tendo em vista que precede o Presbiterado, além de possuir o singular papel de auxiliar o Padre no Santo Sacrifício de Cristo e nos demais exercícios litúrgicos e espirituais. Somente pode o Diácono pregar ou batizar com a permissão do Bispo de sua Diocese, recebendo este grau com a imposição das mãos do Bispo e os dizeres: Recebe o Espírito Santo, para terdes força de resistir ao demônio e suas tentações. O Diaconato somente pode ser recepcionado pelos candidatos ao Presbiterado, tornando-se uma etapa ou Ordem Maior, regra modificada pelo Vaticano II. Utiliza-se este - o Diácono - da Dalmática como paramento característico, sendo necessária sua presença no Santo Sacrifício que se realize em paróquias já estabelecidas; também a preferência como ministro extra-ordinário é sua. S. Pedro, como narra o Evangelho, conferiu inicialmente o sacramento da Ordem a Sete Diáconos, para que estes auxiliassem os Sacerdotes no exercício do ministério e na entrega de esmolas aos mais pobres.
·         O presbiterado é o grau responsável por conceder à Igreja os Sacerdotes, vulgarmente - não no sentido pejorativo - conhecidos como Padres. Diz-nos o Catecismo Ilustrado: "Há uma diferença quase infinita entre os sacerdotes e os que não são. Basta dizer que o Filho do Altíssimo lhe obedece, vindo à terra realmente em um instante toda a vez que o sacerdote o diz na consagração". Herdada de época apostólica, o grau do Presbiterado concede um caráter indelével que o torna eternamente sacerdote de Cristo, mesmo abandonando o estado de graça e a disciplina eclesiástica. Cabe ao sacerdote rezar o Santo Sacrifício, pregar o Evangelho e Administrar os sacramentos aos fiéis; recebendo este grau o Diácono quando por imposição das mãos do Bispo e, tocando ao Cálice e a Patena com a Hóstia consagrada, ouve as seguintes palavras: Recebe o poder de oferecer a Deus o sacrifício e de celebrar a missa pelos vivos e pelos mortos.
·         O último e mais precioso grau da hierarquia Católica é a do Episcopado, cujo múnus advém diretamente dos Apóstolos. Governando uma jurisdição delegada pelo Papado (diocese) ou não, não deixando por isto de ser Bispo já que o Sacramento advém do poder espiritual e não temporal (Bispos sagrados mas sem Diocese, situação em que se encontrava D. Lefebvre e se encontram os Bispos por ele sagrados). Compete ao Bispo a administração dos Sacramentos da Ordem e do Crisma, já que este possui a posse em plenitude dos Sete Dons do Espírito Santo, além de ensinar e admoestar os fiéis e governar a Igreja (O Papa). Poderes temporais e espirituais podem ser divididos no grau do Episcopado da seguinte maneira, em ordem crescente: Bispo ou Bispo Auxiliar ou Bispo Coadjutor ou Primaz, Arcebispo ou Arcebispo Maior ou Arcebispo Metropolitano, Cardeal ou Patriarca e Papa. Somente varões que possuem exemplar e sólida fé, dignidade, bons costumes, zelo pelas almas dos fiéis, sabedoria, prudência e outras qualidades podem receber esta Ordem Maior, além de ser necessária a Idade Mínima de trinta e cinco anos e 5 anos de exercício do grau do Presbiterado. É necessário também que o candidato seja perito em Teologia, Direito Canônico ou outra matéria que diga respeito a fé por meio de uma universidade comprovadamente católica; a fim de apascentar com responsabilidade e sapiência o rebanho de fiéis congregados em torno do mesmo. O Bispo pode usufruir de alguns paramentos não permitidos nas ordens subjacentes, como: Báculo, Anel, Mitra, Cruz Peitoral, Capa Magna, Barrete Roxo, mas somente podendo se utilizar em sua jurisdição, devendo possuir permissão expressa de outra jurisdição diocesana para que utilize-se das insígnias livremente.
Para a recepção do sacramento da Ordem, como nos afirma o Catecismo Ilustrado de Leão XIII, são necessárias três disposições:
1º vocação, isto é, ser chamado por Deus para o estado eclesiástico,
2º uma vida exemplar e devota
3º suficiente doutrina.
Claramente pode-se observar que tais diretrizes hoje não mais são obedecidas pela grande maioria dos adidos aos seminários (seminaristas e vocacionados), porque, se basicamente falta-lhes o último que é a base, isto é, suficiente doutrina, então as demais disposições não virão senão por uma graça especial de Deus. Desde os anos 60, revolucionários anos 60, o Catecismo vem entrando em declínio na educação, e sem dúvidas é a família a primeira progenitora e estimulante da vocação ao sacerdócio; perdeu-se as bases, perde-se o produto destas.
Deve o Bispo, ainda, legislar e atuar como juiz de Direito canônico na sua Diocese, além de manter contato de pelo menos de cinco em cinco anos com a Sé Petrina em visitas ad limina. A benção de Igrejas e Altares, Patenas e Cálices, além da conferência dos graus da Ordem, são de responsabilidade do Bispo. Os Imprimaturs são também responsabilidade direta do Bispo Diocesano, concedidas após avaliação de documentos, devendo este condizer com a Doutrina Católica e o Sagrado Depósito da Fé.

Enfim, estes são os Oito Graus em que se divide a Ordem na Igreja, todos harmônicos e singulares, propiciatórios e santificantes. Um bem inestimável que fora abreviado ou aberto indiscriminadamente aos leigos, algo ratificado por diversos Pontífices após o Vaticano II e lamentável para a Igreja de sempre, a Roma de Sempre. É mister o retorno a veneração e inspira-se cuidados maiores em relação ao Sacramento da Ordem, pois ele é o cerne do Santo Sacrifício, o meio mais especial e santificante de se alcançar a salvação, fonte inextinguível de santidade.




sábado, 27 de outubro de 2012

LITURGIA DA PALAVRA

 
Leitura (Jeremias 31,7-9)
Leitura do livro do profeta Jeremias.

31 7 Porque isto diz o Senhor: “Lançai gritos de júbilo por causa de Jacó. Aclamai a primeira das nações. E fazei retumbar vossos louvores, exclamando: ‘O Senhor salvou o seu povo, o resto de Israel’. 8 Eis que os trago da terra do norte, e os reúno dos confins da terra. O cego e o coxo estarão entre eles, e também a mulher grávida e a que deu à luz. Será imensa a multidão que há de voltar, 9 e que voltará em lágrimas. Conduzi-la-ei em meio às suas preces; levá-la-ei à beira de águas correntes, por caminhos em que não tropeçarão, porque sou para com Israel qual um pai, e Efraim é o meu primogênito”.

Palavra do Senhor.

Salmo 126

Leitura (Hebreus 5,1-6)
Leitura da carta aos Hebreus.

5 1 Em verdade, todo pontífice é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. 2 Sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza. 3 Por isso, ele deve oferecer sacrifícios tanto pelos próprios pecados quanto pelos pecados do povo. 4 Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus, como Aarão.
5 Assim também Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”, 6 como também diz em outra passagem: “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec”.

Palavra do Senhor.

Evangelho (Marcos 10,46-52)
Aleluia, aleluia, aleluia.

Jesus Cristo, salvador, destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.

Naquele tempo, 10 46 Jesus e seus discípulos chegaram a Jericó. Ao sair dali Jesus, seus discípulos e numerosa multidão, estava sentado à beira do caminho, mendigando, Bartimeu, que era cego, filho de Timeu. 47 Sabendo que era Jesus de Nazaré, começou a gritar: "Jesus, filho de Davi, em compaixão de mim!" 48 Muitos o repreendiam, para que se calasse, mas ele gritava ainda mais alto: "Filho de Davi, tem compaixão de mim!" 49 Jesus parou e disse: "Chamai-o" Chamaram o cego, dizendo-lhe: "Coragem! Levanta-te, ele te chama." 50 Lançando fora a capa, o cego ergueu-se dum salto e foi ter com ele. 51 Jesus, tomando a palavra, perguntou-lhe: "Que queres que te faça?” “Rabôni”, respondeu-lhe o cego, “que eu veja!” 52 Jesus disse-lhe: “Vai, a tua fé te salvou." No mesmo instante, ele recuperou a vista e foi seguindo Jesus pelo caminho.

Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A GRANDEZA DE SERVIR

O Reino de Deus introduziu nova ordem de relações entre as pessoas, muito diferente da mentalidade do mundo. Para quem é mundano, a grandeza consiste em exercer o domínio sobre as pessoas, e mostrar-se cheio de poder, porque a submissão lhe parece fruto do medo. O serviço prestado ao tirano não resulta de um ato amoroso, mas revela-se uma pesada obrigação. 

O Reino, pelo contrário, segue na direção oposta. O domínio transforma-se em serviço. O dominado assume a feição do irmão a quem se deve amar e servir. O poder não é utilizado para oprimir, antes, para libertar. A relação de escravidão transforma-se em relação de fraternidade. A grandeza, portanto, para o discípulo do Reino não consiste em ser servido mas em servir e oferecer a própria vida para que o outro possa crescer.

Foi por esta razão que Jesus convidou Tiago e João a mudarem de mentalidade e pensarem segundo os critérios do Reino. O pedido que fizeram ao Mestre talvez escondesse o desejo de exercerem poder sobre os demais companheiros de discipulado, numa espécie de dominação. Pretendiam ocupar um lugar de destaque junto de Jesus, para usufruir do poder. Jesus denunciou esta maneira errada de pensar.

O discípulo deve espelhar-se nele, enviado pelo Pai para colocar-se a serviço da humanidade e dar a vida pela salvação de todos. Esta é a sua grandeza!

Oração
Senhor Jesus, leva-me a escolher sempre o caminho do serviço feito na gratuidade, para eu me sentir grande junto de ti.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

DOUTRINA DA IGREJA - LIÇÃO 08 – PALAVRAS QUE DESCREVEM OS MEMBROS DA IGREJA – II




“Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo.” (At 2,47).

                I.      INTRODUÇAO.

Temos visto até aqui, pelos termos utilizados na Bíblia para designar os membros da Igreja do Senhor Jesus, que pertencer a esta comunidade espiritual é um privilegio! Vamos relembrar? Somos propriedade de Cristo, fazemos parte de Sua família, pelo Espírito Santo podemos viver no amor, na fé e na pureza; e, em Jesus, somos verdadeiramente livres do poder da morte e do pecado.

Mas para que o homem possa se apropriar de todos os benefícios que estes títulos trazem, ele precisa reconhecer o seu pecado, ser batizado e entregar sua vida. Aquele que pode fazer o que “as coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” (1Cor 2,9).

                                                                                                            II.      DISCIPULOS – (Mt 28,18-20; Jo 13,35; Jo 15,8).

O termo discípulo vem de uma palavra no grego usada para alguém que está aprendendo – um aluno. Jesus fez o grande convite: “Vinde a mim... e aprendei de mim...” (Mt 11,28-29). Alguns cristãos acham que a única coisa que precisam fazer é acreditar a Cristo como Salvador – e só! Mas, não é! Depois de ir a Jesus, temos que aprender dEle. Os primeiros cristãos podiam literalmente aprender de Jesus através dos seus ensinos. A responsabilidade nossa é começar o grande processo de aprender as grandes lições que achamos na Palavra do Senhor. O autor da carta aos Hebreus alerta sobre o perigo de parar de aprender: “Sobre isso temos muito que dizer, mas de difícil interpretação, porquanto vos tornastes tardios em ouvir. Porque, desde a infância sabes as sagradas letras, que podem necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal.” (Hb 5,11-14). Há cristãos que pararam de aprender e, por isso, devem voltar para o jardim da infância! O verdadeiro discípulo é aquele que continua aprendendo.

“... e assim sereis meus discípulos.” (Jo 15,8). Jesus é o modelo que nós, Seus discípulos, devemos, seguir. Após sermos salvos por Cristo, através da habitação do Espírito Santo, podemos ser Seus verdadeiros  seguidores.

Aqueles que produzem muito fruto são autênticos discípulos de Jesus; os que buscam cumprir a mensagem contida em Jo 14,12, a saber, os que crêem no Senhor.

                                                                                                                   III.      SANTOS – (Ef 1,1; 1Cor 1,2; 1Pd 1,15-16).

Todos os cristãos são chamados na Bíblia de santos. A santidade é um dos alvos primordiais de todo cristão, e aqueles que aceitam a mensagem de salvação são, por isso mesmo, denominados santos. Em Cristo, o ser humano vai sendo transformado em seu caráter moral, mediante o fruto do Espírito – “Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade. a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.” - (Gl 5,22-23) segundo a própria imagem de Cristo. A palavra santo, por si mesma, indica alguém dedicado, separado para Deus. O nome de Deus é santo“... porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.” (Lc 1,49), e os que confiam em Cristo, o Ungido de Deus, compartilham agora, e também no futuro, de sua perfeita santidade, mediante a regeneração de aspectos de sua natureza – “Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48).
Nas paginas do Novo Testamento a palavra santo é aplicada aos crentes em três sentidos, a saber:

a)       Como membros de uma comunidade visível e local (At 9,32.41; 26,10);
b)       Como membros da comunidade espiritual (1Cor 1,2; Cl 3,2);
c)        Como pessoas individualmente santas (Ef 1,18; Cl 1,12; Ap 13,10).

                                                                                                                         IV.      ELEITOS – (Ef 1,3-6; 1Pd 1,2; 2,9-10).

A palavra usada em Ef 1,4 para eleito é “escolhido”. Em 1Pd 2,9, os membros da igreja são chamados de “...raça eleita...”. As pessoas são escolhidas por Deus para a salvação – “Nós, porém, sentimo-nos na obrigação de incessantemente dar graças a Deus a respeito de vós, irmãos queridos de Deus, porque desde o princípio vos escolheu Deus para vos dar a salvação, pela santificação do Espírito e pela fé na verdade.” – (2 Ts 2,13), e a evidenciada eleição é autenticada pelos frutos – “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinhos e figos dos abrolhos?” (Mt 7,16); “Com efeito, diante de Deus, nosso Pai, pensamos continuamente nas obras da vossa fé, nos sacrifícios da vossa caridade e na firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, nosso Pai. Sabemos, irmãos amados de Deus, que sois eleitos.” (1Ts 1,3-4). Esta prerrogativa outorga os corpo de Cristo uma estabilidade inquestionável; não há o que nos separe do amor de Deus – “Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8,38-39). A doutrina da eleição nos garante a certeza da salvação. Em 1Pd 2,10 está escrito; “...Vós que outrora não éreis seu povo, mas agora sois povo de Deus; vós que outrora não tínheis alcançado misericórdia (Os 2,25), mas agora alcançastes misericórdia.”

                                                                                                                     V.      SACERDOTES (Ex 19,6; 1Pd 2,9; Ap 15,6).

Em 1Pd 2,5 – “... e quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo, para oferecer vítimas espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo.”, observamos que todos os cristãos são sacerdotes. Mais especificamente “sacerdócio santo”. Cabe o sacerdote o papel de interceder por outrem. A igreja tem o papel de interceder por outrem. A igreja tem o papel de interceder pela conversão daqueles que se acham distantes de Deus, trazendo-os também pela evangelização, isto é, a pregação da Palavra. Sacerdotes são aqueles que pertencem à família real, visto que em Hb 4,14-16 – “Temos, portanto, um grande Sumo Sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, Filho de Deus. Conservemos firme a nossa fé. Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado. Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno.” – Cristo é identificado como Sumo Sacerdote assentado sobre um trono. Cristo pertence à ordem sacerdotal de Melquisedeque – “Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec (Sl 110,4).” (Hb 5.6;7,17) . A idéia de que os sacerdotes cristãos também são reis é baseada em duas passagens bíblicas (“... e vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.” Ex 19,6; “...e da parte de Jesus Cristo, testemunha fiel, primogênito dentre os mortos e soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama, que nos lavou de nossos pecados no seu sangue e que fez de nós um reino de sacerdotes para Deus e seu Pai, glória e poder pelos séculos dos séculos! Amém.” Ap 1,5-6).  A ultima, por se tratar de um texto profético, alude à eternidade futura, seja como for, o verdadeiro cristão desde agora já “reina em vida” (Rm 5,17).

                                                                                                                             VI.      “OS DOS CAMINHOS” – (At 9,2).

Esta expressão é a mais remota forma de se referir aos cristãos. É usado seis vezes no livro de Atos dos Apóstolos (At 9.2; 19,9.23; 22,4; 24,14.22). O termo “Caminho” era empregado para se referir ao Cristianismo, como a “estrada de Deus”. Curiosamente esta expressão surge em passagens relacionadas a incidentes na vida de Paulo, que não tinha um endereço fixo, mas vivia em viagens e expedições missionárias. Podemos também dizer que os cristãos são aqueles que sempre estão com “o pé na estrada”, andando com Deus e semeando a palavra pelos caminhos. Não devemos esquecer que o próprio Senhor Jesus chamou-se de “... o Caminho” (Jo 14,6).

                                                                                                                                                         VII.      CONCLUSAO.

Aprendemos nestas duas lições dez palavras que descrevem o perfil dos membros da igreja. Nós, cristãos, devemos aplicar o significado de cada uma delas em nossa vida, sabendo que fomos comprados pelo Senhor Jesus, separados por Ele para, juntamente com os outros cristãos espalhados sobre a face da terra, brilhar como Luzeiros deste mundo, no qual somos peregrinos, com a missão de interceder pelos perdidos.

Na próxima lição iremos estudar os ordens da Igreja Católica Apostólica Romana.

Marco Antonio Lana

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

LITURGIA DA PALAVRA

 
Leitura (Isaías 53,10-11)
Leitura do livro do profeta Isaías.
53 10 Mas aprouve ao Senhor esmagá-lo pelo sofrimento; se ele oferecer sua vida em sacrifício expiatório, terá uma posteridade duradoura, prolongará seus dias, e a vontade do Senhor será por ele realizada. 11 Após suportar em sua pessoa os tormentos, alegrar-se-á de conhecê-lo até o enlevo. O Justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniqüidades.
Palavra do Senhor.

Salmo 33

Leitura (Hebreus 4,14-16)
Leitura da carta aos Hebreus.
4 14 Temos, portanto, um grande Sumo Sacerdote que penetrou nos céus, Jesus, Filho de Deus. Conservemos firme a nossa fé. 15 Porque não temos nele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado. 16 Aproximemo-nos, pois, confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno.
Palavra do Senhor.
 
Evangelho (Marcos 10,35-45)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo veio servir, Cristo veio dar sua vida. Jesus Cristo veio salvar, viva Cristo, Cristo viva! (Mc 10,45)


Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
35 Aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: "Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos." 36 Ele perguntou: "Que quereis que vos faça?" 37 Eles responderam: "Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda." 38 "Não sabeis o que pedis”, retorquiu Jesus. “Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado?" 39 "Podemos", asseguraram eles. Jesus prosseguiu: "Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado. 40 Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado." 41 Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. 42 Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: "Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. 43 Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; 44 e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. 45 Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos."
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A GRANDEZA DE SERVIR

O Reino de Deus introduziu nova ordem de relações entre as pessoas, muito diferente da mentalidade do mundo. Para quem é mundano, a grandeza consiste em exercer o domínio sobre as pessoas, e mostrar-se cheio de poder, porque a submissão lhe parece fruto do medo. O serviço prestado ao tirano não resulta de um ato amoroso, mas revela-se uma pesada obrigação. 
 
O Reino, pelo contrário, segue na direção oposta. O domínio transforma-se em serviço. O dominado assume a feição do irmão a quem se deve amar e servir. O poder não é utilizado para oprimir, antes, para libertar. A relação de escravidão transforma-se em relação de fraternidade. A grandeza, portanto, para o discípulo do Reino não consiste em ser servido mas em servir e oferecer a própria vida para que o outro possa crescer.
 
Foi por esta razão que Jesus convidou Tiago e João a mudarem de mentalidade e pensarem segundo os critérios do Reino. O pedido que fizeram ao Mestre talvez escondesse o desejo de exercerem poder sobre os demais companheiros de discipulado, numa espécie de dominação. Pretendiam ocupar um lugar de destaque junto de Jesus, para usufruir do poder. Jesus denunciou esta maneira errada de pensar.
 
O discípulo deve espelhar-se nele, enviado pelo Pai para colocar-se a serviço da humanidade e dar a vida pela salvação de todos. Esta é a sua grandeza!

Oração
Senhor Jesus, leva-me a escolher sempre o caminho do serviço feito na gratuidade, para eu me sentir grande junto de ti.