Um estudo sobre sua vida, sua missão, seu silêncio e seu legado à luz das Escrituras
Texto-chave:
“Não é este o filho do carpinteiro?” — Mateus 13:55
INTRODUÇÃO
José de Nazaré é uma das figuras mais discretas e, ao mesmo tempo, mais importantes nos relatos da infância de Jesus. Os Evangelhos não registram nenhuma palavra pronunciada por ele. José aparece principalmente em Mateus e Lucas, cumpre sua missão e depois desaparece silenciosamente da narrativa.
Esse silêncio, porém, não significa falta de importância.
José foi o homem escolhido para assumir legalmente a paternidade de Jesus, proteger Maria, conduzir sua família e introduzir Jesus socialmente na linhagem davídica.
Por isso, estudar José exige distinguir três níveis de informação:
1. O que a Bíblia afirma claramente — nossa fonte principal e normativa.
2. O que pode ser reconstruído historicamente — a partir do contexto judaico do século I.
3. O que aparece nas tradições e escritos apócrifos — informações importantes para conhecer a história das tradições cristãs, mas que não possuem a mesma autoridade das Escrituras.
1. QUEM FOI JOSÉ?
José era um judeu que vivia em Nazaré, na Galileia.
Mateus o apresenta como:
“José, seu marido, sendo justo...”
Mateus 1:19
Essa pequena declaração é uma das maiores descrições bíblicas sobre José.
Ele era um homem justo.
No contexto bíblico, isso significa mais do que ser simplesmente uma “boa pessoa”. José aparece como alguém que temia a Deus e procurava agir de acordo com a vontade divina.
Quando descobriu que Maria estava grávida antes de viverem plenamente como marido e mulher, enfrentou uma situação extremamente difícil.
Inicialmente decidiu deixá-la secretamente (Mt 1:19).
Mas quando Deus lhe revelou que a criança havia sido concebida pelo Espírito Santo, José obedeceu.
“Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e recebeu sua mulher.”
Mateus 1:24
Aqui encontramos uma característica fundamental de José - ele obedecia quando Deus falava.
2. JOSÉ ERA DESCENDENTE DE DAVI
José pertencia à linhagem do rei Davi.
Mateus começa seu Evangelho apresentando a genealogia que conduz até José:
“Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo.” - Mateus 1:16
Observe cuidadosamente a linguagem.
Mateus não diz - “José gerou Jesus.”
Ele muda a construção e afirma que José era - “marido de Maria, da qual nasceu Jesus.”
Isso preserva duas verdades importantes:
l Jesus nasceu verdadeiramente de Maria;
l José não é apresentado como pai biológico de Jesus.
Entretanto, José exerce uma verdadeira função legal, familiar e social de pai.
Por meio dessa relação legal, Jesus é reconhecido dentro da casa de Davi.
O anjo inclusive chama José de “José, filho de Davi...” - Mateus 1:20
Isso mostra a importância histórica e messiânica de José.
3. POR QUE JESUS ERA CHAMADO “FILHO DO CARPINTEIRO”?
Mateus 13:55 registra - “Não é este o filho do carpinteiro?”
Marcos apresenta Jesus da seguinte maneira: “Não é este o carpinteiro...?”
Marcos 6:3
Isso sugere que Jesus foi conhecido socialmente pelo mesmo ambiente profissional associado a José.
O termo grego empregado é - téktōn
Tradicionalmente traduzido como carpinteiro.
Entretanto, téktōn possui significado um pouco mais amplo.
Pode indicar um
l artesão;
l construtor;
l trabalhador especializado;
l profissional que trabalhava com madeira;
l e possivelmente também com outros materiais empregados em construções.
Portanto, imaginar José exclusivamente como um fabricante de pequenos móveis pode ser limitado.
Ele provavelmente pertencia à classe dos trabalhadores manuais especializados.
4. COMO PODERIA SER A CARPINTARIA DE JOSÉ?
Nazaré era uma pequena comunidade da Galileia.
O trabalho de um téktōn poderia envolver a fabricação ou reparação de:
l portas;
l vigas;
l telhados;
l instrumentos agrícolas;
l móveis;
l utensílios domésticos;
l estruturas para construções.
É bastante plausível que Jesus tenha aprendido o ofício dentro do ambiente familiar.
Marcos 6:3 chamar Jesus de “carpinteiro” fortalece essa possibilidade.
Temos então uma imagem extraordinária:
Aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas (Jo 1:3) trabalhou, durante sua humanidade, com as próprias mãos.
O Criador entrou no mundo do trabalho humano.
5. JOSÉ E MARIA
Quando José entra na narrativa bíblica, Maria estava prometida em casamento a ele.
“Estando Maria, sua mãe, desposada com José...” - Mateus 1:18
O casamento judaico envolvia compromissos muito mais fortes do que o conceito moderno de noivado.
Mesmo antes da convivência matrimonial definitiva, o compromisso possuía caráter jurídico.
Por isso Mateus pode chamar José de “marido” de Maria enquanto descreve aquela situação.
Quando José percebeu a gravidez, decidiu “deixá-la secretamente.” Isso revela uma combinação extraordinária:
justiça e misericórdia.
Ele não queria expor Maria publicamente.
Antes, porém, que executasse sua decisão, recebeu a revelação divina.
6. O PRIMEIRO SONHO DE JOSÉ
Mateus relata:
“Eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor...” -Mateus 1:20
O anjo explicou:
“O que nela foi gerado é do Espírito Santo.”
José recebe então uma missão:
“Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus...” - Mateus 1:21
Esse detalhe é extremamente importante.
José deveria dar o nome à criança.
No contexto da narrativa, esse ato expressa sua aceitação pública e legal da criança.
José recebe Jesus como seu filho perante a sociedade, embora soubesse que sua concepção era sobrenatural.
7. JOSÉ NÃO ERA O PAI BIOLÓGICO DE JESUS
A Escritura é cuidadosa nesse ponto.
Lucas registra - “Jesus... como se cuidava, filho de José...” - Lucas 3:23
A expressão “como se cuidava” indica a percepção social.
As pessoas conheciam Jesus como filho de José.
Mas a teologia do nascimento virginal afirma que sua concepção aconteceu pelo poder do Espírito Santo.
Portanto:
Pai eterno / divino: Deus Pai
Mãe segundo sua humanidade: Maria
Pai legal e terreno: José
José não gerou biologicamente Jesus, mas exerceu verdadeira responsabilidade paterna em sua vida familiar.
8. JOSÉ NA VIAGEM A BELÉM
Lucas relata que José precisou viajar:
“Da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi, chamada Belém...” - Lucas 2:4
Por quê?
Porque - “era ele da casa e família de Davi.”
José levou Maria consigo.
Assim, por meio das circunstâncias históricas, Jesus nasceu em Belém.
Isso se relaciona à expectativa profética associada a Miqueias 5:2.
A providência divina utiliza acontecimentos políticos e decisões humanas para realizar seus propósitos.
9. JOSÉ DIANTE DA MANJEDOURA
A Bíblia concentra a atenção no menino Jesus. José está presente como responsável pela família. Imagine o contraste teológico. José era um trabalhador simples.
Entretanto, diante dele estava aquele que o Evangelho apresenta como o Salvador.
José sustentava humanamente aquele que sustentava todas as coisas pelo poder de sua palavra.
Ele protegia a criança que posteriormente seria confessada pela Igreja como Senhor.
Esse é um dos grandes paradoxos da encarnação.
10. JOSÉ E A APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO
Lucas 2:22-24 relata que Jesus foi apresentado no templo.
José e Maria cumpriram aquilo que estava estabelecido na Lei.
A oferta apresentada foi:
“um par de rolas ou dois pombinhos.”
Essa possibilidade aparece em Levítico 12:8 para famílias que não tinham condições de oferecer um cordeiro.
Isso sugere uma família de recursos econômicos modestos. José não aparece como homem rico. Era trabalhador.
Isso também ajuda a compreender o ambiente social no qual Jesus cresceu.
11. JOSÉ E A FUGA PARA O EGITO
Um dos momentos mais dramáticos ocorre em Mateus 2.
Herodes queria matar Jesus.
Novamente Deus fala com José através de um sonho:
“Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egito...” -Mateus 2:13
Observe a resposta.
José não debate.
Não adia.
“Levantando-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe e partiu para o Egito.” - Mateus 2:14
José abandona temporariamente sua casa, sua profissão e sua estabilidade. Tudo para proteger Jesus e Maria.
Aqui José aparece como - guardião da família que Deus lhe confiou.
12. JOSÉ COMO REFUGIADO
A fuga para o Egito também mostra a vulnerabilidade assumida pela família de Jesus.
José precisou viver temporariamente longe de sua terra.
Não sabemos exatamente onde permaneceram no Egito nem quanto tempo ficaram.
Qualquer afirmação detalhada nesse sentido ultrapassa as informações bíblicas.
O importante teologicamente é perceber:
Deus protegeu o Messias utilizando a obediência de José.
Providência divina e responsabilidade humana aparecem trabalhando juntas.
13. O RETORNO DO EGITO
Depois da morte de Herodes, o anjo novamente aparece a José.
“Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel...” Mateus 2:20
José obedece novamente.
Entretanto, ao saber que Arquelau governava a Judeia, teve receio de ir para lá. Após nova orientação divina, dirige-se para a Galileia.
A família estabelece-se em:
Nazaré.
Por isso Jesus posteriormente seria conhecido como - Jesus de Nazaré.
14. QUANTAS VEZES DEUS FALOU COM JOSÉ EM SONHOS?
Mateus registra quatro episódios principais de orientação divina a José:
1. Mateus 1:20 — receber Maria.
2. Mateus 2:13 — fugir para o Egito.
3. Mateus 2:19-20 — retornar para Israel.
4. Mateus 2:22 — dirigir-se à região da Galileia.
Há algo interessante aqui.
José não possui discursos registrados. Entretanto, repetidamente - Deus fala e José age.
Sua espiritualidade aparece principalmente através da obediência.
15. JOSÉ E JESUS AOS DOZE ANOS
A última aparição clara de José ocorre em Lucas 2.
Jesus tinha doze anos. A família foi a Jerusalém para a festa da Páscoa. No retorno, José e Maria perceberam que Jesus não estava entre os viajantes.
Depois de procurá-lo, encontraram-no no templo.
Maria disse:
“Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura.” - Lucas 2:48
Jesus respondeu:
“Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” -Lucas 2:49
Aqui encontramos uma distinção teológica extraordinária.
Maria chama José - “teu pai”.
Jesus fala sobre - “meu Pai”.
José era seu pai no âmbito familiar e legal.
Deus era seu Pai em sentido único e eterno.
16. O DESAPARECIMENTO DE JOSÉ DA NARRATIVA
Depois de Lucas 2, José desaparece praticamente da narrativa evangélica.
Quando Jesus inicia seu ministério público, Maria continua aparecendo. José, não.
Isso levou à antiga conclusão de que José provavelmente havia morrido antes do ministério público de Jesus.
Entretanto, devemos fazer uma distinção importante:
A Bíblia não relata diretamente a morte de José.
Portanto, afirmar que José morreu antes da crucificação é uma conclusão histórica bastante plausível, mas não uma declaração explícita das Escrituras.
17. JOSÉ ESTAVA VIVO NA CRUCIFICAÇÃO?
Provavelmente não. Um dos principais argumentos encontra-se em João 19:26-27.
Na cruz, Jesus entrega Maria aos cuidados do discípulo amado:
“Mulher, eis aí teu filho.”
E ao discípulo:
“Eis aí tua mãe.”
Se José estivesse vivo e presente como marido de Maria, seria estranho Jesus transferir dessa maneira o cuidado de sua mãe.
Isso fortalece a interpretação tradicional de que José já havia morrido.
Mas novamente:
isso é uma inferência, não uma afirmação explícita da Bíblia.
18. QUANTOS ANOS TINHA JOSÉ?
A Bíblia não informa. Também não informa sua idade quando se casou com Maria. A imagem popular de José como um homem bastante idoso vem principalmente de tradições cristãs posteriores e de escritos apócrifos. Portanto, não podemos afirmar biblicamente que José era velho. Ele poderia ter sido um homem jovem ou adulto em idade matrimonial normal.
A Escritura simplesmente não informa.
19. JOSÉ FOI CASADO ANTES DE MARIA?
A Bíblia também não afirma isso. Entretanto, algumas tradições antigas sustentaram que José teria sido viúvo e possuído filhos de um casamento anterior. Essa interpretação foi utilizada especialmente para explicar os chamados - “irmãos de Jesus”.
Mateus 13:55-56 menciona:
· Tiago;
· José;
· Simão;
· Judas;
· e irmãs de Jesus.
Existem historicamente diferentes interpretações cristãs sobre quem seriam esses irmãos.
20. QUEM ERAM OS IRMÃOS DE JESUS?
Três interpretações tornaram-se particularmente conhecidas.
1. Irmãos biológicos
Muito comum entre protestantes. José e Maria teriam tido filhos normalmente depois do nascimento de Jesus. Nesse entendimento, Jesus seria o primogênito de Maria.
2. Filhos anteriores de José
Presente em antigas tradições cristãs. José teria sido viúvo, e os irmãos de Jesus seriam filhos de seu casamento anterior.
3. Parentes próximos
Muito presente na tradição católica. Os chamados irmãos seriam parentes próximos, e não filhos de Maria.
A Bíblia identifica essas pessoas como “irmãos”, mas não fornece uma explicação genealógica suficientemente detalhada para resolver todas as discussões históricas posteriores.
21. JOSÉ NOS LIVROS APÓCRIFOS
José ganhou enorme desenvolvimento nas tradições cristãs posteriores.
Entre os escritos mais importantes estão:
Protoevangelho de Tiago e História de José, o Carpinteiro.
Esses documentos não pertencem ao cânon bíblico protestante e não devem ser utilizados como possuindo a mesma autoridade dos Evangelhos. Entretanto, possuem grande valor para estudar:
l desenvolvimento das tradições cristãs;
l piedade popular;
l história da interpretação;
l mariologia;
l tradições sobre José.
22. A “HISTÓRIA DE JOSÉ, O CARPINTEIRO”
A História de José, o Carpinteiro é um texto cristão apócrifo preservado especialmente em tradições orientais.
Nele, Jesus aparece narrando acontecimentos relacionados à vida e à morte de José. O documento apresenta informações que não aparecem nos Evangelhos canônicos. Entre elas estão tradições sobre:
l a idade de José;
l casamento anterior;
l filhos;
l viuvez;
l casamento com Maria;
l velhice;
l doença;
l morte de José;
l presença de Jesus junto ao seu leito.
Esses elementos devem ser tratados como tradição apócrifa, não como fatos bíblicos comprovados.
23. OS FILHOS DE JOSÉ SEGUNDO A TRADIÇÃO APÓCRIFA
Algumas tradições apócrifas apresentam José como viúvo e pai de filhos antes de receber Maria.
A História de José, o Carpinteiro, em suas formas tradicionais, associa a José filhos chamados:
l Tiago;
l José;
l Judas
l Simão.
e filhas tradicionalmente chamadas:
l Assia/Ásia;
l Lídia.
Há variações de nomes conforme manuscritos, traduções e tradições textuais.
Isso é extremamente importante. Esses nomes das filhas de José não aparecem nos Evangelhos canônicos.
Portanto, não devemos ensinar:
“A Bíblia diz que as filhas de José eram...”
O correto seria:
“Segundo determinada tradição apócrifa, José teria tido...”
Essa distinção protege a integridade do estudo bíblico.
24. A MORTE DE JOSÉ NOS APÓCRIFOS
A História de José, o Carpinteiro desenvolve extensamente os últimos momentos da vida de José.
O texto apresenta José enfrentando a realidade da morte e Jesus permanecendo próximo dele.
A narrativa procura transmitir esperança diante da morte e enfatizar a presença e o poder de Cristo.
Do ponto de vista histórico, isso nos ensina mais sobre a espiritualidade das comunidades que preservaram o texto do que sobre aquilo que podemos demonstrar acerca da morte real de José.
25. BÍBLIA × TRADIÇÃO APÓCRIFA
Precisamos manter uma metodologia teológica segura.
Assunto | Bíblia | Tradição posterior/apócrifa |
José era carpinteiro/artesão | Sim | Sim |
José era descendente de Davi | Sim | Sim |
José era marido de Maria | Sim | Sim |
José não era pai biológico de Jesus | Sim | Sim |
José protegeu Jesus | Sim | Desenvolvido |
José fugiu para o Egito | Sim | Desenvolvido |
José morreu antes da crucificação | Não afirma diretamente | Sim |
José era idoso | Não informa | Algumas tradições dizem que sim |
José era viúvo | Não informa | Algumas tradições dizem que sim |
José possuía filhos anteriores | Não informa | Algumas tradições afirmam |
Idade exata de José ao morrer | Não informa | Tradições fornecem números |
Jesus esteve ao lado de José em sua morte | Não informa | Narrado em textos apócrifos |
Essa tabela estabelece um princípio fundamental:
A tradição pode ser estudada historicamente sem ser elevada à autoridade das Escrituras.
26. A TEOLOGIA DO SILÊNCIO DE JOSÉ
Talvez uma das características mais impressionantes de José seja - não possuímos nenhuma palavra dele registrada na Bíblia.
Maria fala.
Zacarias fala.
Isabel fala.
Simeão fala.
Ana aparece proclamando.
Os pastores falam.
Jesus fala.
José permanece silencioso.
Mas seu silêncio é acompanhado por ações.
Ele:
l recebe Maria;
l dá o nome a Jesus;
l protege a criança;
l foge para o Egito;
l retorna quando Deus ordena;
l estabelece a família em Nazaré;
l conduz Jesus a Jerusalém;
l trabalha;
l sustenta sua casa.
José nos ensina que existem momentos em que a fidelidade fala mais alto do que discursos.
27. JOSÉ COMO PAI
José oferece um modelo importante de paternidade responsável. Ele não era pai biológico de Jesus. Mesmo assim assumiu plenamente sua responsabilidade.
Isso ensina que paternidade bíblica envolve muito mais do que geração biológica.
Envolve presença, proteção, provisão, educação, exemplo e responsabilidade.
José estava presente quando sua família precisava dele.
28. JOSÉ COMO MARIDO
Quando recebeu a ordem divina, José recebeu Maria. Ele colocou a vontade de Deus acima de sua própria reputação. Imagine os comentários que poderiam surgir em Nazaré. José conhecia a verdade revelada pelo anjo. Mas os vizinhos não necessariamente conheciam. Sua obediência poderia custar-lhe reputação.
Mesmo assim - José escolheu obedecer a Deus em vez de viver para a aprovação das pessoas.
29. JOSÉ COMO TRABALHADOR
José também apresenta uma verdadeira teologia do trabalho.
l Ele não era sacerdote.
l Não era escriba.
l Não era fariseu.
l Não era governante.
l Era trabalhador.
l E Deus colocou seu Filho dentro da casa de um trabalhador.
l Isso dignifica profundamente o trabalho cotidiano.
A espiritualidade bíblica não acontece apenas dentro do templo.
Também acontece:
l na oficina;
l na construção;
l no campo;
l na família;
l no serviço;
l na responsabilidade diária.
30. JOSÉ E A PROVIDÊNCIA DIVINA
A vida de José demonstra um princípio reformado fundamental:
Deus governa soberanamente a história enquanto utiliza meios humanos para cumprir seus propósitos.
Deus poderia proteger Jesus milagrosamente sem José.
Entretanto, decidiu utilizar José.
Deus ordenou - “Foge para o Egito.”
José precisou levantar-se e viajar.
Aqui encontramos:
soberania divina + responsabilidade humana.
A providência não elimina a ação humana. Ela a incorpora ao propósito soberano de Deus.
31. JOSÉ NÃO É O CENTRO DA HISTÓRIA
Esse ponto precisa ser enfatizado.
l José é importante.
l Maria é importante.
l Os apóstolos são importantes.
l Mas nenhum deles ocupa o centro da redenção.
O centro é:
JESUS CRISTO.
José não salva Jesus no sentido redentor.
Ele o protege fisicamente segundo a providência de Deus.
Mas posteriormente é Cristo quem realiza a salvação.
O menino protegido por José seria aquele que morreria pelos pecadores.
32. CRISTO NO CENTRO
A verdadeira grandeza de José está relacionada àquele a quem serviu.
José aponta para Cristo.
Sua história participa do cumprimento das promessas messiânicas relacionadas à casa de Davi.
Jesus é apresentado como - “Filho de Davi.”
José pertence à casa de Davi.
Mas Jesus é maior que Davi.
José era carpinteiro.
Jesus foi chamado carpinteiro.
Mas Cristo veio construir algo muito maior - sua Igreja.
José trabalhou madeira.
Cristo carregaria madeira até o Calvário.
José protegeu Jesus quando criança.
Jesus entregaria voluntariamente sua vida quando chegasse sua hora.
33. DA CARPINTARIA À CRUZ
Existe uma poderosa imagem teológica.
Na juventude, Jesus provavelmente conheceu:
madeira, ferramentas, suor e trabalho.
Anos depois, outra madeira entraria em sua história:
a cruz.
Entretanto, devemos distinguir poesia teológica de afirmação histórica.
A Bíblia não diz que José fabricava cruzes nem estabelece diretamente uma relação entre sua carpintaria e o Calvário.
Ainda assim, como aplicação homilética, o contraste é poderoso:
O Carpinteiro de Nazaré caminharia em direção à madeira do Gólgota.
34. CINCO LIÇÕES DE JOSÉ PARA HOJE
1. Obedeça mesmo quando não compreender tudo
José recebeu revelação suficiente para obedecer, não explicações para todas as perguntas.
2. Proteja aquilo que Deus colocou sob sua responsabilidade
José protegeu sua família.
3. Trabalhe com dignidade
Seu trabalho simples fazia parte de sua vocação.
4. Não viva buscando reconhecimento
José desapareceu da narrativa, mas cumpriu sua missão.
5. Coloque Cristo no centro
A grandeza de José não está em chamar atenção para si mesmo.
Está em servir ao propósito relacionado a Cristo.
35. CINCO CARACTERÍSTICAS ESPIRITUAIS DE JOSÉ
Podemos resumir seu caráter bíblico em cinco palavras:
JUSTIÇA — Mateus 1:19
MISERICÓRDIA — não quis expor Maria
OBEDIÊNCIA — Mateus 1:24
CORAGEM — Mateus 2:14
FIDELIDADE — Lucas 2:41-51
José demonstra uma fé que não vive apenas de palavras.
Ele escuta.
Ele crê.
Ele levanta.
Ele obedece.
36. O MAIOR LEGADO DE JOSÉ
José não deixou livros.
Não deixou discursos registrados.
Não deixou cartas.
Não realizou milagres registrados.
Não fundou igrejas.
Mesmo assim deixou um extraordinário testemunho.
Seu legado pode ser resumido assim:
José recebeu aquilo que Deus lhe confiou, protegeu aquilo que Deus colocou sob sua responsabilidade e permaneceu fiel enquanto sua missão durou.
CONCLUSÃO
José, o carpinteiro, permanece como uma das grandes figuras silenciosas da história bíblica.
Sua vida nos leva da pequena Nazaré até Belém, do nascimento de Cristo ao Egito, do retorno à Galileia à juventude de Jesus.
Depois disso, José sai silenciosamente da narrativa.
Mas Cristo permanece.
Essa talvez seja uma das maiores lições de sua história.
O verdadeiro servo não precisa permanecer no centro.
Cristo precisa permanecer.
José cumpriu sua missão e saiu de cena.
Jesus continuou caminhando.
Da carpintaria de Nazaré para as estradas da Galileia.
Das estradas para Jerusalém.
De Jerusalém para o Gólgota.
Do Gólgota para o túmulo.
E do túmulo para a ressurreição.
Por isso, quando estudamos José, não devemos terminar simplesmente admirando o carpinteiro.
Devemos olhar para aquele que foi conhecido como:
“o filho do carpinteiro”
e confessar que Ele é muito mais:
JESUS CRISTO, O FILHO DE DEUS, SENHOR E SALVADOR.
PERGUNTAS PARA EBD OU GRUPO DE ESTUDO
1. Por que Mateus chama José de “homem justo”?
2. Qual era a importância de José pertencer à casa de Davi?
3. O que significa a palavra grega téktōn?
4. Jesus provavelmente aprendeu a profissão de José?
5. Por que José decidiu deixar Maria secretamente?
6. Qual foi a importância de José colocar o nome em Jesus?
7. Quantas vezes Deus orientou José através de sonhos em Mateus?
8. O que a fuga para o Egito revela sobre José?
9. Por que muitos estudiosos entendem que José morreu antes da crucificação?
10. A Bíblia informa a idade de José?
11. A Bíblia afirma que José havia sido casado anteriormente?
12. Quem eram os “irmãos de Jesus”?
13. O que os escritos apócrifos dizem sobre José?
14. Podemos utilizar os apócrifos com a mesma autoridade da Bíblia?
15. O que o silêncio de José nos ensina?
16. O que José ensina aos pais?
17. O que José ensina aos maridos?
18. O que sua profissão ensina sobre a dignidade do trabalho?
19. Como vemos a providência divina em sua história?
20. Por que Cristo, e não José, deve permanecer no centro desse estudo?
VERSÍCULO PARA MEMORIZAÇÃO
“Despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor.”
Mateus 1:24
FRASE FINAL
José não precisou de um púlpito para demonstrar sua fé. Sua oficina, sua família, sua obediência e seu silêncio tornaram-se o testemunho de um homem que recebeu uma missão de Deus e permaneceu fiel a ela.
Soli Deo Gloria.