sexta-feira, 23 de novembro de 2012

CRISTO REI


Jô 18.33-37

33 - Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?
34 - Jesus respondeu: Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?
35 – Disse Pilatos: Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
36 – Respondeu Jesus: O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo.
37 – Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz.


Comentário

O texto de hoje nos mostra que Jesus vai voltar como Rei universal para fazer o julgamento, a separação final. Jesus separará uns dos outros, assim como os pastores separa as ovelhas dos cabritos. As ovelhas seriam os que praticam o bem e ficará à direita, sinal de salvação, enquanto que os cabritos são os que praticam o mal e ficará à esquerda como sinal de condenação. Portanto precisamos ser pessoas boas, ter misericórdia e solidariedade para com os outros para assim ganhar a salvação.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

PAÍS NA BÍBLIA - LÉIA - Uma mãe que aprendeu a louvar a Deus



A história de Léia é uma história triste. Um casamento que começou com uma mentira, com um marido que não a amava, acabou por levá-la a uma vida amargurada. Léia foi infeliz no casamento.

Jacó teve sua noite de núpcias com Léia pensando que a mulher que quem estava com ela era Raquel, a quem havia amado desde a primeira vez que a vira. Pela manhã, ao acordar e  ver que fora enganado, Jacó foi reclamar com o sogro e recebeu a desculpa de que a irmã mais nova não poderia se casar antes da mais velha, Jacó havia sido, literalmente, passado para trás. Mesmo assim, ele não desiste e por mais 7 anos trabalharia de graça para se casar também  com Raquel. Assim se inicia a história desta família, com duas esposas e duas concubinas. Com traição, inveja, desamor e desrespeito entre seus membros, que marcaria a vida de todos para sempre.

Léia nunca foi amada por seu marido. No entanto, como o projeto de Deus sempre foi o casamento monogâmico – “Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” – Gn 2,18,24. Deus abençoou Léia para que tivesse muitos filhos, enquanto que sua irmã, Raquel, permanecia estéril – “Viu, pois, o Senhor que Léia era desprezada e tornou-lhe fecunda a madre; Raquel, porém, era estéril. E Léia concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben; pois disse: Porque o Senhor atendeu à minha aflição; agora me amará meu marido” - Gn 29,31-32.

Assim como toda mulher que almeja Ter o amor do seu marido, Léia também e, na tentativa de conquistar um pouco de amor e consideração, cometeu erros, mas também acertos.

Amor em trocas de filhos


Apesar de Léia Ter começado a vida de casada já dividindo o marido com a irmã, apesar de seus sonhos e ilusões a respeito do amor terem se desvanecido Deus estava sendo bom e justo para com ela. Deus viu o sofrimento dela e, numa época em que a mulher era honrada porque tinha filhos, ela teve muitos.

Um após o outro, seus filhos nasciam. Ao nascer o primeiro, Rúben, esperou que seu marido a amasse. Ao nascer o segundo, Simeão, esperou que deixasse de ser desprezada. Ao nascer o terceiro, Levi, esperou que seu marido fosse morar definitivamente com ela – “E Léia concebeu e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben; pois disse: Porque o Senhor atendeu à minha aflição; agora me amará meu marido. Concebeu outra vez, e deu à luz um filho; e disse: Porquanto o Senhor ouviu que eu era desprezada, deu-me também este. E lhe chamou Simeão. Concebeu ainda outra vez e deu à luz um filho e disse: Agora esta vez se unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe têm dado. Portanto lhe chamou Levi” – Gn 29,32-34.

Esperanças, esperanças vãs! Nenhuma mulher consegue prender o marido ou conquistar seu amor por causa de filhos. Léia pensou que isso pudesse acontecer e infelizmente, muitas mulheres pensam assim também. E muitas crianças têm vindo ao mundo com a missão de prender seu pai à sua mãe. Isto não é justo, pois uma criança não  carregar um peso destes. O resultado disto pode ser desastroso, se a criança se considerar culpada por não Ter conseguido atingir o objetivo de sua mãe ou de seu pai.

O homem não fica com uma mulher porque ela teve um filho seu e, quando fica, é pelo filho e não pela mulher, o que o fará infeliz do mesmo jeito.

Quando um casamento está ruim, não será nascimento de um filho que mudará esta realidade. O casal deve enfrentar seus problemas e resolvê-los, deve investir no relacionamento para que ele melhore e os filhos nasçam como fruto de um amor genuíno e saudável.

Obstinação pelo amor


Desde o início, Léia deveria saber que seu futuro estava determinado – um casamento sem amor.

Um casamento que começou errado, não por culpa dela, mas começou errado, com mentira e traição. Casamentos que começam errados, com algumas exceções, estão fadados a terminar errados. Infelizmente. Mas não precisava ser assim. Se Jacó se esforçasse por gostar um pouco dela, se Léia se sentisse um pouquinho amada, as coisas poderiam ser melhores. Mas não aconteceu assim. Jacó amava Raquel e pronto, era esta a realidade da vida de Léia.

No entanto, ela estava obstinada a Ter amor. E lutou por isto. Deu sua serva Zilpa para também Ter filhos e aumentar sua prole – “Também Léia, vendo que cessara de ter filhos, tomou a Zilpa, sua serva, e a deu a Jacó por mulher” – Gn 30,9; vendeu a Raquel as mandrágoras que seu filho, Rúben, lhe havia trazido, para que Jacó se deitasse com ela – “Ora, saiu Rúben nos dias da ceifa do trigo e achou mandrágoras no campo, e as trouxe a Léia, sua mãe. Então disse Raquel a Léia: Dá-me, peço, das mandrágoras de teu filho. Ao que lhe respondeu Léia: É já pouco que me hajas tirado meu marido? Queres tirar também as mandrágoras de meu filho? Prosseguiu Raquel: Por isso ele se deitará contigo esta noite pelas mandrágoras de teu filho. Quando, pois, Jacó veio à tarde do campo, saiu-lhe Léia ao encontro e disse: Hás de estar comigo, porque certamente te aluguei pelas mandrágoras de meu filho. E com ela deitou-se Jacó aquela noite” – Gn 30,14-16; disputou Jacó co Raquel, como assim pudesse conquistar o amor desse homem, como se não pudesse haver outra alternativa para sua vida.

Como será que os filhos de Léia a viam?

Nossos filhos devem ver em nós alegria de viver, esperança por dias melhores e não frustração, tristeza, reclamação. É com os pais que os filhos aprendem, em grande parte, a maneira e determinação com que irão enfrentar a vida.
Se Léia pudesse Ter se resignado e aprendido a viver para criar seus filhos, dedicar-se a eles, amá-los, talvez conseguisse Ter uma vida mais feliz.

O poder do louvor

Finalmente, depois de lhe nascer o quarto filho, esta mãe resolveu mudar o rumo dos sentimentos de seu coração e louvou ao Senhor. Deu à criança o nome de Judá, que significa “louvado” e, a partir disto, todos os outros filhos que lhe nasceram, inclusive de Zilpa, sua serva, receberam nomes de regozijo – “E Zilpa, serva de Léia, deu à luz um filho a Jacó. Então disse Léia: Afortunada! e chamou-lhe Gade. Depois Zilpa, serva de Léia, deu à luz um segundo filho a Jacó. Então disse Léia: Feliz sou eu! porque as filhas me chamarão feliz; e chamou-lhe Aser. E disse: Deus me deu um excelente dote; agora morará comigo meu marido, porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom. Depois. disto deu à luz uma filha, e chamou-lhe Diná. Também lembrou-se Deus de Raquel, ouviu-a e a tornou fecunda. De modo que ela concebeu e deu à luz um filho, e disse: Tirou-me Deus o opróbrio. E chamou-lhe José, dizendo: Acrescente-me o Senhor ainda outro filho. – Gn 30,11-13 e 20-24. Mesmo quando lhe nasceu Zebulom e ela voltou a Ter esperança de que seu marido fosse morar com ela por lhe dado tantos filhos. Léia glorificou ao Senhor – “Deus me deu um excelente dote; agora morará comigo meu marido, porque lhe tenho dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom” – Gn 30,20.

Isto é bastante interessante por que foi justamente de Léia e do filho do louvor – Judá que veio a descendência através da qual nasceria Jesus, a maior benção da humanidade.

Reconhecendo o poder de Deus em sua vida

Depois de tantas decepções e cultivo de falsas esperanças, ela passou a reconhecer que só podia esperar em Deus e confiar no Senhor de sua vida. Só mesmo o poder de Deus para fazer com que pudesse ser mãe tantas vezes.

Foi através dos 7 filhos que teve que Léia reconheceu que Deus se importava com sua vida e que desde o início olhava para ela. Deus compensou a tristeza de Léia com a alegria de ter filhos!

Cada criança que nasce é um milagre divino. É o poder de Deus se manifestando através da vida e do corpo de uma mulher. O Salmo 127,3b diz: “e o fruto do ventre o seu galardão”. Deus nos abençoou dando-nos filhos.

Deus se importa conosco. Ele dirige nossa história de nossa família. Não vivemos sem rumo, sem cuidado. Deus abençoa a nossa vida e a de nossos filhos, por amor a Ele, porque sempre teve e sempre terá um propósito para aqueles que temem.

Não amada, porem honrada.

Por que Jacó nunca foi capaz de amar Léia?

Porque ela tinha olhos tenros e não era tão bonita quanto Raquel – “Léia tinha os olhos enfermos, enquanto que Raquel era formosa de porte e de semblante” – Gn 29,17?

Porque amava tanto Raquel que em seu coração não havia espaço nem para demostrar algum afeto por Léia?

Porque cultivou mágoas em seu coração por Ter sido enganado por seu sogro, Labão?

Se foi por este último motivo, teria ele esquecido que havia enganado a seu pai Isaque e seu irmão Esaú alguns anos antes?

Não sei, nem nunca saberei. O casamento é para se concretizar no amor e o amor, no casamento. Essa é a vontade de Deus. Entretanto, as evidencias são de que o casamento de Jacó e Léia não foi marcado pelo amor, por uma vida de sonhos e planos a dois, mas sem dúvida, um casamento de cuja união carnal nasceram 6 filhos dos 12 que formaram as tribos de Israel.

Perto de sua morte, Jacó reuniu os filhos que havia tido com Léia e revelou a eles que a havia sepultado nos túmulos da família ao lado de seus pais e que ele, Jacó deveria ser sepultado ali também – “Depois lhes deu ordem, dizendo-lhes: Eu estou para ser congregado ao meu povo; sepultai-me com meus pais, na cova que está no campo de Efrom, o heteu, na cova que está no campo de Macpela, que está em frente de Manre, na terra de Canaã, cova esta que Abraão comprou de Efrom, o heteu, juntamente com o respectivo campo, como propriedade de sepultura. Ali sepultaram a Abraão e a Sara, sua mulher; ali sepultaram a Isaque e a Rebeca, sua mulher; e ali eu sepultei a Léia.” – Gn 49,29-31.

Como primeira esposa, era este o direito dela. Tristemente constato que foi  somente na sepultura que ela recebeu o que sempre havia de direito seu – o corpo do marido.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

DOUTRINA DA IGREJA - LIÇAO 12 – AS MARCAS DA IGREJA VERDADEIRA



“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular”. (Ef 2,20)

                                                                                                                                                               I.      INTRODUÇAO.

Quando se fala de igreja, especialmente na presente era, é extremamente necessário acrescentar um adjetivo que a qualidade como verdadeira ou falsa.  Para nossa tristeza e vergonha, há uma facilidade, sem precedentes, de se produzir e multiplicar igrejas, sem que isso esteja relacionado ao avanço de reino de Deus na terra. A multiplicação delas tem gerado, talvez, mais confusão do que oportunidades. Como saber se uma determinada igreja é fiel aos princípios do cristianismo?

Dependendo do lugar onde você mora e do leque de opções de igreja só tenha o templo e de evangélica só tenha o nome.

Cada geração é responsável por detectar onde e como se manifesta o pseudocristianismo e combatê-lo com as armas do evangelho. E uma das formas é descobrir as marcas da igreja verdadeira e vivenciá-las na comunidade local. Vejam a seguir algumas marcas da verdadeira igreja.

                                                                                    II.      CRISTO É O FUNDAMENTO – (Mt 7,24; 1Cor 3,11; Ef 2,20).

Em Mt 7,24 está escrito: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha”. Paulo, escrevendo aos coríntios, afirma: “Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo.” (1Cor 3,11). Aos efésios reitera: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular.” (Ef 2,20).

Essas porções da palavra de Deus revelam que grupos de pessoas que tem Jesus Cristo como único fundamento da sua existência e convívio fazem parte da Igreja do Senhor.

É a pessoa de Cristo que define o verdadeiro cristianismo; não é uma filosofia, nem um conjunto de regras, natural ou sobrenaturalmente reveladas. Ele manifestou Sua humanidade ao nascer, crescer, dormir, sentir fome, cansaço e morrer; manifestou Sua divindade ao andar sobre as águas, acalmar a tempestade, curar enfermos e expulsar demônios. Jesus é o único elo entre a terra e o céu, entre o homem e Deus.

Quanto engodo existe em matéria de religião! Quanto engano em nome de Deus! Muitas pessoas se dão por satisfeitas, por fazerem parte de um grupo religioso, mas esquecem de se perguntar: qual é o fundamento? Os meus pés estão postos sobre o que? É rocha ou areia que está sob meus pés?

Os mestres do nosso tempo nos ensinam a edificar nossa vida sobre os fundamentos da auto-ajuda. Afagam nosso ego ao soprar no nosso ouvido que a solução dos nossos males está na força dos nossos braços ou de nossa mente. Todavia, o Mestre dos mestres proclama que da força dos nossos braços o que parece remédio é veneno. Até quando nos demoraremos a entender que a solução dos nossos males não vem de dentro, mas do alto; que o fundamento que resiste a toda prova não é humano, mas é divino?

A verdade é que casa construída sobre outro fundamento que não seja a rocha, que é Cristo, desmoronará um dia como castelo de areia sob a tempestade e não resistirá diante do juízo de Deus.


                                                                 III.      OS MEMBROS SÃO OVELHAS REGENERADAS – (Jo 3.3.5; 10,27).

O apóstolo João registra as palavras de Jesus que afirmam: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (Jo 3,3). E um pouco mais adiante Jesus reafirma: “Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” (Jo 3,5).

Não adianta ter apenas pele de ovelha. Não há nenhum valor em ser descendente de Abraão – “Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.  já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo”. (Mt 3,9-10). Revestir-se de roupagens religiosas não nos transforma em filhos de Deus. Como Jesus asseverou: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mt 7,21).

Desde os tempos bíblicos, muitas pessoas, infelizmente, levam a vida cristã como se fosse uma ficção, um teatro, uma telenovela onde quem melhor representa maior destaque terá. A proposta do evangelho é de nos transformar em filhos de Deus, não em atores.

A igreja é composta por pessoas que nasceram de novo; por vidas que carregam na bagagem a experiência do novo nascimento. Uma pessoa pode até freqüentar uma igreja assiduamente, entoar os louvores, participar do coral, ministrar aulas na escola bíblica, orar em voz alta  no templo, contribuir com dízimos e ofertas, pregar de forma entusiasmada, fazer evangelismo ou mesmo escrever uma lição sobre tudo isso, mas, se não tiver a experiência do novo nascimento, não faz parte da igreja do Senhor, não entrará no reino de Deus.

            IV.      FÉ, ESPERANÇA E AMOR SÃO SUAS PRINCIPAIS VIRTUDES – (Jo 13,35; Rm 5,1-5; 1Cor 13,13; Gl 5,5-6; Cl 1,3-5; 1Jo 2,6).

Essas três palavras – fé, esperança e amor – traduzem as principais virtudes da igreja do Senhor na terra. Vejamos cada uma delas separadamente.

  1. A fé (1Pd 1,1-9).

Neste texto, Pedro destaca três aspectos da fé.

a)      Sua função – “que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo.” (v. 5)

A partir do versículo 3 o apóstolo discorre sobre o que Deus fez por nós através de Jesus (vs 3,4). Afirma também que somos guardados pelo poder de Deus (v.5). No mesmo verso, todavia, diz que isso é mediante a fé. Parece que, no conjunto de tudo o que é necessário para homem chegar à salvação, há um espaço a ser preenchido por Ele – que não se preenche com obras, mas somente pela fé.

b)       Seu valor – “para que a prova da vossa fé, mais preciosa do que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, redunde para louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.” (v 7).

O ouro, que é considerado a posse mais preciosa, é perecível, mesmo depois de passar pelo fogo, processo usado para purificá-lo das impurezas que o acompanham. O valor da fé supera o desse metal precioso. Os benefícios da fé são eternos enquanto os do outro são temporais. Somente uma cegueira espiritual profunda pode explicar por que os homens correm avidamente à busca do que o ouro oferece na mesma proporção em que abandonam os benefícios da fé.

c)       Seu objetivo – “Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.” (v 9).

A fé tem uma finalidade definida: a salvação da alma. A fé tem um tempo de validade. Não haverá necessidade de termos fé quando estivermos no céu. Portanto, o tempo em que a fé é necessária vai desde o dia da nossa conversão até o dia quando nos encontrarmos com o Nosso Senhor Jesus Cristo. Quando dia chegar, em meio a muito regozijo, o objetivo da fé estará concretizado.

  1. A esperança (Rm 8,24-25; 1 Ts 1,3).

Howard Marshall define esperança como “a expectativa confiante de que Deus continuará a cuidar do seu povo e que o fará a cuidar do seu povo o que o fará vencer as provações e os sofrimentos até chegar à bem–aventurança futura na sua presença”. Nessa esperança fomos salvos, diz Paulo em Rm 8,24 -  “Porque na esperança fomos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?”. A respeito deste versículo a Bíblia Shedd observa de forma apropriada que “somos salvos na esperança, não por esperança. A salvação é pela fé”. Há uma expectativa que atravessa o coração da Igreja de que todas as promessas de Jesus se concretizarão em breve. Essa sensação nos mantém confiantes enquanto vivemos em um mundo hostil e mau.

Uma vez que a esperança está baseada nas promessas registradas nas Sagradas Escrituras torna-se um poderoso combustível para a Igreja em sua peregrinação na terra. Quem pode nos desanimar se o que nos espera é um futuro glorioso? Nada do que os nossos olhos  já viram se compra com aquilo que Deus tem reservado para os seus. Essa é a nossa bendita esperança, razão pela qual devemos enfrentar as adversidades confiantes.

  1. O amor (Rm 5,5; 12,9-21; 1Cor 13).

Vimos que a fé e a esperança têm um raio de ação dentro da linha do tempo. Chegará um momento em que ambas perderão o sentido de existência. O amor, todavia, é eterno, portanto jamais acabará – “O amor jamais acaba” (1Cor 13,8ª). Dada sua extensão de existência e valor intrínseco o amor é superior à fé e à esperança. Sem o amor não há significado em nada do que fazemos nem mesmo no mais alto grau de doação e sacrifício – “E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.” (1Cor 13,3). Sem o amor, o exercício das nossas capacidades especiais recebidas de Deus fracassa no cumprimento de suas funções – “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria”. (1Cor 13.1-2). As qualidades do amor extrapolam qualquer experiência humana – “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá”. (1Cor 13,4-8). Apenas na vida de Jesus podemos ver o amor sendo praticado em todas as suas dimensões. Não obstante, é o amor que deve coordenar nossos relacionamentos (Rm 12.9-21). A fonte do amor é Deus Pai e o Espírito Santo o derrama em nosso coração – “... e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5,5). Por isso, ao falarmos sobre o amor, temos a sensação de termos em nossas mãos sujas e imperfeitas uma jóia rara beleza e profundo valor.




                                                                                                                                                                V.      CONCLUSAO.

Estas marcas mostram como é a Igreja do Senhor Jesus Cristo ao mesmo tempo em que nos servem de referencias para nortearmos nossa caminhada cristã como igreja. Se por um lado, por meio delas, detectarmos quem não é igreja, por outro poderemos saber o quanto estamos perto ou longe do ideal de Deus para nós.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

LITURGIA DA PALAVRA

Leitura (Daniel 12,1-3)
Leitura da profecia de Daniel.

12 1 “Naquele tempo, surgirá Miguel, o grande chefe, o protetor dos filhos do seu povo. Será uma época de tal desolação, como jamais houve igual desde que as nações existem até aquele momento. Então, entre os filhos de teu povo, serão salvos todos aqueles que se acharem inscritos no livro. 2 Muitos daqueles que dormem no pó da terra despertarão, uns para uma vida eterna, outros para a ignomínia, a infâmia eterna. 3 Os que tiverem sido inteligentes fulgirão como o brilho do firmamento, e os que tiverem introduzido muitos (nos caminhos) da justiça luzirão como as estrelas, com um perpétuo resplendor”.

Palavra do Senhor.


Salmo 16
Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio!

Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,
meu destino está seguro em vossas mãos!
Tenho sempre o Senhor ante meus olhos,
pois, se o tenho a meu lado, não vacilo.

Eis por que meu coração está em festa,
minha alma rejubila de alegria
e até meu corpo no repouso está tranqüilo;
pois não haveis de me deixar entregue à morte
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

Vós me ensinais vosso caminho para a vida;
junto a vós, felicidade sem limites,
delícia eterna e alegria ao vosso lado!
 
Leitura (Hebreus 10,11-14.18)
Leitura da carta aos Hebreus.

10 11 Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, 12 Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus, 13 onde espera de ora em diante que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés. 14 Por uma só oblação ele realizou a perfeição definitiva daqueles que recebem a santificação. 18 Ora, onde houve plena remissão dos pecados não há por que oferecer sacrifício por eles.
Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 13,24-32)
Aleluia, aleluia, aleluia.
É preciso vigiar e ficar de prontidão; em que dia o Senhor há de vir, não sabeis, não! (Lc 21,36)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.

Naquele tempo, 13 24 disse Jesus a seus discípulos: “Naqueles dias, depois dessa tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará o seu resplendor; 25 cairão os astros do céu e as forças que estão no céu serão abaladas. 26 Então verão o Filho do homem voltar sobre as nuvens com grande poder e glória. 27 Ele enviará os anjos, e reunirá os seus escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu. 28 Compreendei por uma comparação tirada da figueira. Quando os seus ramos vão ficando tenros e brotam as folhas, sabeis que está perto o verão. 29 Assim também quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está próximo, às portas. 30 Em verdade vos digo: não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. 31 Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. 32 A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai”.

Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
MINHAS PALAVRAS NÃO PASSARÃO

O modo como Jesus descreveu o fim dos tempos se encaixava no horizonte teológico da época. De fato, esperavam-se abalos sísmicos e outros fenômenos terríveis, quando Deus interviesse, definitivamente, na História.

A intenção de Jesus, porém, não era a de incutir terror no coração dos discípulos e, assim, convertê-los em fanáticos anunciadores do fim do mundo. Seu único desejo era o de levá-los a permanecer vigilantes, de maneira a estarem sempre preparados para o encontro com o Senhor.

A parábola da figueira aponta nesta direção. O agricultor atento sabe quando a árvore está para frutificar. Igualmente, o discípulo, quando discerne, sabe reconhecer quando se aproxima a vinda do Senhor, e tem consciência de estar preparado para recebê-lo.

A exortação de Jesus não tem um tempo limitado de validade. Seu valor é eterno, como eternas são todas as palavras de Jesus. Elas não passarão, embora tudo o mais perca seu valor. Assim, é absolutamente certa a vinda do Filho do Homem e a necessidade de manter-se vigilante e preparado para acolhê-lo. É, também, firme a palavra do Senhor que apresenta o amor como critério do juízo final, a recompensa para quem se mantiver fiel e a comunhão definitiva com o Pai, como destino último do cristão. Por conseguinte, o discípulo sensato deixa-se guiar pelas palavras de Jesus, de forma a evitar contratempos.

Oração

Senhor Jesus, que eu me deixe guiar por tuas palavras, e me mantenha vigilante, na caridade, à tua espera.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

DOUTRINA DA IGREJA - LIÇÃO 11 - OS SACRAMENTOS DA IGREJA CATOLICA APOSTOLICA ROMANA


 


“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama.” (Jo 12,21ª).
                                                                                                                                                                 I.      INTORDUÇÃO
A Igreja Católica celebra sete sacramentos, que são: batismo, confirmação (ou crisma), eucaristia, reconciliação (ou penitência), unção dos enfermos, ordem e matrimônio. Segundo sua doutrina, "todos os sacramentos estão ordenados para a Eucaristia «como para o seu fim» (S. Tomás de Aquino)". Na eucaristia, renova-se o mistério pascal de Cristo, atualizando e renovando assim a salvação da humanidade.
O sacramento católico é um ato ritual destinado aos fiéis, para eles receberem a graça de Deus, e destinado também a conferir sacralidade a certos momentos e situações da vida cristã. Eles foram instituídos por Jesus Cristo como "sinais sensíveis e eficazes da graça [...] mediante os quais nos é concedida a vida divina" ou a salvação e foram confiados à Igreja. Através destes sinais ou gestos divinos, "Cristo age e comunica a graça, independentemente da santidade pessoal do ministro", embora "os frutos dos sacramentos dependam também das disposições de quem os recebe".
Ao celebrá-los, a Igreja Católica, através das palavras e elementos rituais, alimenta, exprime e fortifica a sua fé e a fé de cada um dos seus fiéis. Estes sinais de graça constituem uma parte integrante e inalienável da vida cristã de cada fiel. Os sacramentos são necessários para a salvação dos crentes por conferirem a graça de Deus, "o perdão dos pecados, a adoção de filhos de Deus, a conformação a Cristo Senhor e a pertença à Igreja".
O Espírito Santo prepara para a recepção dos sacramentos por meio da palavra de Deus e da fé que acolhe a palavra nos corações bem dispostos. Então, os sacramentos fortalecem e exprimem a fé. O fruto da vida sacramental é ao mesmo tempo pessoal e eclesial. Por um lado, este fruto é para cada crente uma vida para Deus em Jesus; por outro, é para a Igreja o seu contínuo crescimento na caridade e na sua missão de testemunho.
Os sacramentos são então gestos de Deus na vida de cada crente, expressando-se simbolica e espiritualmente, por conseguinte, eles são considerados:
  • sinais sagrados, porque exprimem uma realidade sagrada, espiritual;
  • sinais eficazes, porque, além de simbolizarem um certo efeito, produzem-no realmente;
  • sinais da graça, porque transmitem dons diversos da graça divina;
  • sinais da fé, não somente porque supõem a fé em quem os recebe, mas porque nutrem, robustecem e exprimem a sua fé.
                                                                                                                                                     II.      OS SACRAMENTOS
a)      BATISMO
“Imediatamente foi batizado, ele e toda a sua família.” (At 16,33ª)
O batismo é entendido como o sacramento que abre as portas da vida cristã ao batizado, incorporando-o à comunidade católica, ao grande corpo místico de Cristo, que é a Igreja em si. Este ritual de iniciação cristã é feito normalmente com água sobre o batizando, através de imersão, efusão ou aspersão. Ou, utilizando outras palavras do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "o rito essencial deste sacramento consiste em imergir na água o candidato ou em derramar a água sobre a sua cabeça, enquanto é invocado o Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". O batismo significa imergir "na morte de Cristo e ressurgir com Ele como nova criatura".
O batismo perdoa o pecado original e todos os pecados pessoais e as penas devidas ao pecado. Possibilita aos batizados a participação na vida trinitária de Deus mediante a graça santificante e a incorporação em Cristo e na Igreja. Confere também as virtudes teologais e os dons do Espírito Santo. Uma vez batizado, o cristão é para sempre um filho de Deus e um membro inalienável da Igreja e também pertence para sempre a Cristo.
Embora o batismo seja fundamental para a salvação, os catecúmenos, todos aqueles que morrem por causa da fé (batismo de sangue), [...] todos os que sob o impulso da graça, sem conhecer Cristo e a Igreja, procuram sinceramente a Deus e se esforçam por cumprir a sua vontade (batismo de desejo), conseguem obter a salvação sem serem batizados porque, segundo a doutrina da Igreja Católica, Cristo morreu para a salvação de todos. Quanto às crianças mortas sem serem batizadas, a Igreja na sua liturgia confia-as à misericórdia de Deus, que é ilimitada e infinita.
Idade:
Na Igreja Católica, batizam-se tanto crianças como convertidos adultos que não tenham sido antes batizados validamente (o batismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido pela Igreja Católica visto que se considera que o efeito chega diretamente de Deus independentemente da fé pessoal, embora não da intenção, do sacerdote).
Mas a Igreja Católica insiste no batismo às crianças porque "tendo nascido com o pecado original, elas têm necessidade de ser libertadas do poder do Maligno e de ser transferidas para o reino da liberdade dos filhos de Deus". Por essa razão, a Igreja recomenda os seus fiéis a fazerem tudo para evitar que uma pessoa não batizada venha a morrer em sua presença sem a graça do batismo. Assim, embora o sacramento deva ser ministrado por um sacerdote, diante de um enfermo não batizado, qualquer pessoa pode e deve batizá-lo, dizendo "Eu te batizo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" enquanto, com o polegar da mão direita, desenha uma cruz sobre a testa, a boca e o peito do enfermo.
O fato de que o batismo seja geralmente ministrado a crianças recém-nascidas, que, por isso, não estão entrando na vida cristã por vontade própria, explica que se requeira a estas pessoas a recepção de um outro sacramento, a crisma, quando cheguem a uma idade em que tenham discernimento e capacidade intelectual suficiente para professarem conscientemente a sua fé e decidirem se querem ou não permanecer na Igreja Católica. Se sim, confirmam a decisão que os seus pais ou responsáveis fizeram em seu nome no dia do seu batismo. Entretanto, como este sacramento imprime caráter, quem recebeu o batismo, independente de que o confirme ou não através do sacramento do crisma ou confirmação, estará batizado para sempre.
Simbolos:
Na Igreja Católica, o sacramento do batismo tem vários símbolos, mas existem quatro principais, que são eles: água, óleo, veste branca e a vela. Cada um representa um mistério na vida do batizado. Além desses símbolos (que são os principais) o rito romano ainda estabelece o sal, mas este símbolo só é usado conforme as orientações pastorais das Igrejas particulares.
Os significados dos símbolos:
  • Água: representa a passagem da vida "pagã" para uma "nova vida". Tem o fator de purificação, lavando-nos do pecado original.
  • Óleo: representa a fortaleza do Espírito Santo. Antigamente, os lutadores usavam o óleo antes das lutas para deixarem seus músculos rígidos e assim poderem vencer. Na nova vida adquirida pelo batismo ele tem a mesma função, revestir o batizado para as lutas cotidianas contra as ciladas do maligno.
  • Veste branca: representa a nova vida adquirida pelo batismo. Quando tomamos banho vestimos uma roupa limpa, no batismo não seria diferente. Somos lavados na água e vestidos de uma nova vida.
  • Vela: tem dois significados: o Espírito Santo e o dom da fé. Pelo batismo somos revestidos de muitas graças e a principal é o Espirito Santo, pois seremos unidos a Deus como filhos para sermos santificados e esta santificação é realizada através do Espírito Santo. A fé é um dom fundamental para nossa vida, é através dela que reconhecemos Deus e por ela recebemos as suas graças
b)      EUCARISTIA
“Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.” (Mt 26,26-28).
É a celebração em memória de Cristo, recordando a santa ceia, a paixão e a ressureição, em que o cristão recebe a hóstia consagrada.
É o sacramento culminante, que dá aos fieis a oportunidade de receber e ingerir fisicamente o que consideram como sendo o corpo de Jesus Cristo, em que se transformou o pão consagrado pelo sacerdote, assim como o vinho se transforma no Seu sangue.
No sacramento da eucaristia, a hóstia consagrada (o pão) é distribuída aos fiéis, que a colocam na boca e ingerem lenta e respeitosamente.
Para receber a hóstia, o fiel deve estar em “estado de graça”, ou seja, deve ter antes confessado os seus pecados e recebido o perdão divino através do sacramento da confissão ou penitência.
A consagração não faz parte do sacramento da eucaristia. É um rito precedente e separado. É um ato que só os sacerdotes têm o poder de praticar.
Normalmente, a consagração acontece durante a celebração da missa, rito também chamado de santo sacrifício. O sacrifício é precisamente o ato da consagração. Consiste na recriação, durante a missa, de um momento da última ceia dos apóstolos com Cristo, quando Ele serviu pão e vinho aos apóstolos, dizendo-lhes que aquilo era o seu corpo e o seu sangue.
A Igreja Católica sustenta que, quando o sacerdote pronuncia as palavras rituais “Isto é o meu corpo” em relação pão e “Isto é o meu sangue” em relação vinho, acontece um fenômeno chamado transubstanciação, ou seja, a substância material que constitui o pão se converte no corpo de Cristo e a que constitui o vinho se transmuda no Seu sangue.
O pão transubstanciado é distribuído aos fiéis que, ao ingerirem a hóstia estão ingerindo o corpo de Cristo. A eucaristia é considerada o sacramento da ação de graças, na acepção da palavra original grega εχαριστία (transc. "eukharistia").

c)       CRISMA OU CONFIRMAÇAO
Confirmação do batismo, ou crisma: o batizado reafirma sua fé em Cristo, sendo ungido durante a cerimônia, recebendo os sete dons do Espírito Santo. A unção é feita pelo bispo ou padre autorizado, com óleo abençoado na quinta-feira da Semana Santa.
É um sacramento instituído para dar oportunidade a uma pessoa – que foi batizada por decisão alheia e que tem, perante a Igreja, compromissos assumidos por outras pessoas em seu nome diante da pia batismal – de confirmar o desejo de ser membro da família cristã dentro da Igreja Católica e de reafirmar aqueles compromissos, depois de atingir a “idade da razão”.
Simplificadamente, a cerimônia consiste na renovação das “promessas do batismo”, mediante perguntas do bispo, que em geral a preside, feitas em voz alta e do mesmo modo respondidas pelo crismando perante a comunidade.
Como o batismo, o crisma também imprime caráter, podendo ser ministrado apenas uma vez a cada pessoa.
Por ser um ato de afirmação de compromissos, a pessoa pode jamais receber o crisma ou, indo participar da cerimônia, deixar de confirmar esses compromissos.
Quem não foi crismado ou se recusou a renovar os compromissos do batismo, pode fazê-lo em qualquer tempo.
O crisma é, portanto, um sacramento dependente, complementar ao batismo, já que não tem qualquer significação se ministrado a quem não tenha sido batizado.
d)     RECONCILIAÇAO OU PENITENCIA
“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (Mt 10,32; Lc 12,8).
É a confissão dos pecados a um sacerdote, que aplica a penitência para, uma vez cumprida, propiciar a reconciliação com Cristo. Por outras palavras, é o sacramento que dá ao cristão católico a oportunidade de reconhecer as suas faltas e, se delas estiver arrependido, ser perdoado por Deus.
O reconhecimento das faltas é a sua confissão a um sacerdote, que pode ouvi-la em nome de Deus e conceder àquele fiel Seu perdão.
Do ponto de vista formal, o confessante se ajoelha perante um sacerdote, o confessor, e lhe declara que pecou, que deseja confessar o que fez e pedir a Deus que perdoe os seus pecados.
Após ouvi-lo, cabe ao sacerdote oferecer as suas palavras de conselho, de censura, de orientação e conforto ao penitente, recomendando a penitência a ser cumprida.
O confessado deve rezar a oração denominada ato de contrição, após o que o sacerdote profere as palavras do perdão e abençoa o penitente, que se retira para cumprir a penitência que lhe foi prescrita.
A Igreja Católica considera o sacramento da penitência um ato purificador, que deve ser praticado antes da Eucaristia, para que esta seja recebida com a alma limpa pelo perdão dos pecados. Mas, entende-se também que esse efeito purificador é salutar, sendo benéfico para o espírito cada vez que é praticado.
Um dos mais rígidos deveres impostos ao sacerdote pela Igreja é o segredo da confissão.
O sacerdote é rigorosamente e totalmente proibido de revelar o que ouve dos fiéis no confessionário. O descumprimento desse dever é considerado um dos maiores e mais graves pecados que um sacerdote pode cometer e o sujeita a penalidades severíssimas impostas pela Igreja.
Nas últimas décadas, especialmente após o Concílio Vaticano II – e tendo em vista crescentes dificuldades decorrentes do número insuficiente de sacerdotes – a confissão individual vem sendo substituída por uma confissão comunitária, em que a narrativa dos pecados não é feita aos demais participantes, mas os erros cometidos são revistos silenciosamente por cada pessoa, antes de juntos todos orarem o “ato de contrição”.
e)      UNÇAO DOS INFERMOS

A unção dos enfermos é o sacramento pelo qual o sacerdote reza e unge os enfermos para estimular-lhes a cura mediante a fé, ouve deles os arrependimentos e promove-lhes o perdão de Deus. Pode ser dado a qualquer enfermo, e não somente a quem pode falecer a qualquer momento.

f)       ORDEM
“Não negligencies o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbítero.” (1Tm 4,14).
O sacramento da ordem concede a autoridade para exercer funções e ministérios eclesiásticos que se referem ao culto de Deus e à salvação das almas. É dividido em três graus:
  • O episcopado confere a plenitude da ordem, torna o candidato legítimo sucessor dos apóstolos e lhe confia os ofícios de ensinar, santificar e reger.
  • O presbiterato configura o candidato ao Cristo sacerdote e bom pastor. É capaz de agir em nome de Cristo cabeça e ministrar o culto divino.
  • O diaconato confere ao candidato a ordem para o serviço na Igreja, através do culto divino, da pregação, da orientação e, sobretudo, da caridade
g)      MATRIMONIO
“Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne.” (Gn 2,24).
O sacramento que, estabelecendo e santificando a união entre um homem e uma mulher, funda uma nova família cristã. O matrimônio é celebrado na Igreja e santificado na indissolubilidade e na fidelidade;
É um dos sacramentos que imprimem caráter, embora de forma distinta do batismo, do crisma e da ordem. Estes três últimos deixam no fiel que o recebe uma marca indelével que o acompanha por toda a eternidade. Quem foi batizado ou crismado, quem foi ordenado sacerdote terá essa condição independente de qualquer coisa, inclusive de que decida depois converter-se a outro credo religioso ou abandonar o sacerdócio.
O matrimônio imprime caráter sobre o casal, sobre o conjunto que os dois nubentes passaram a formar, e é, por isso, doutrinariamente indissolúvel. O caráter impresso pelo matrimônio se dissolve com a morte de um dos cônjuges. É um sacramento que só se consuma havendo dois participantes. A morte de um dissolve o casal, extinguindo o matrimônio.
Outra característica peculiar do sacramento do matrimônio é que não é ministrado pelo sacerdote, mas pelos noivos que, realizando-o perante a Igreja, pedem e recebem do sacerdote a bênção para a nova família que nasce.