quinta-feira, 8 de março de 2012

Mateus 21,33-43.45-46

Mateus 21,33-43.45-46


Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer encontre vida eterna (Jo 3,16).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

“Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país. Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha. Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro. Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo. Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: ‘Hão de respeitar meu filho’. Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: ‘Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!’ Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram. Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?” Responderam-lhe: “Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo”. Jesus acrescentou: “Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos’? Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele”. Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava. E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta”.

Palavra da Salvação.
Comentário do Evangelho
DEUS NÃO SE DEIXA VENCER

A história de Israel, que se desenrolou como uma espécie de luta entre Deus e o povo eleito, é como que a parábola de toda história humana. Enquanto Deus se empenha em salvar a humanidade, esta insiste em caminhar para a condenação. Ele vai lhe apresentando os meios necessários para que se salve, mas o ser humano continua destruindo a obra divina. Deus confia na conversão do coração humano; este, no entanto, frustra, continuamente, a confiança divina.

Apesar disto, o Pai mostra-se sobremaneira paciente. O primeiro gesto de rebeldia do ser humano seria suficiente para merecer a punição. Afinal, ele é quem tem uma dívida de gratidão para com Deus. Criado com todo o carinho, fora-lhe dadas as condições para viver em comunhão com o Criador e com os demais seres humanos. Dele se esperava frutos de amor e de justiça. No entanto, seu coração perverteu-se, levando-a a se rebelar contra Deus. Até mesmo Jesus, que representa o gesto supremo da boa-vontade divina de salvar o ser humano, acabou sendo crucificado.

Ao ressuscitar seu Filho, o Pai estabeleceu-o como sinal de seu amor pela humanidade. Sempre que o ser humano quiser voltar-se para Deus, pode contar com Jesus. Aquele que fora rejeitado pelo ser humano, o Pai constituiu-o como "pedra angular" da salvação.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Evangelho (Lucas 16,19-31)

Evangelho (Lucas 16,19-31)

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!
Felizes o que observam a palavra do Senhor de reto coração; e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
“Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: “Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava. Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico. Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico. Até os cães iam lamber-lhe as chagas. Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio. Gritou, então: ‘Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas’. Abraão, porém, replicou: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento. Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá’. O rico disse: ‘Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos’. Abraão respondeu: ‘Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos!’ O rico replicou: ‘Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos’.”
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
O EGOÍSMO PUNIDO
A visão estreita da pessoa egoísta não lhe permite ir muito além do limitado círculo de seus interesses. Vive fechada em seu pequeno mundo, cultivando seus projetos mesquinhos. O sofrimento e as necessidades dos outros são, para ela, coisa sem nenhuma importância. O "outro" não existe!
A desventura dos egoístas consiste em não perceber que estão construindo sua própria condenação. Recusar-se a viver em comunhão com o próximo revela uma recusa mais fundamental: a de viver em comunhão com Deus. Idolatrando os bens deste mundo, acreditam ser supérflua a presença de Deus em suas vidas. Na raiz da incapacidade de fazer-se servidor, numa atitude de generosidade e desprendimento, está a perigosa pretensão de ocupar o lugar reservado unicamente a Deus. Sua auto-suficiência leva-os a prescindir do Criador, e a recusar-se a recorrer a ele. Em suma, fecham as portas para a sua salvação.
Engana-se quem conta com uma segunda possibilidade de alcançar a salvação. Quando o rico da parábola, naquele lugar de tormento dá-se conta de sua insensatez, pretende que Deus mande alguém para advertir seus cinco irmãos, a fim de que não tenham sorte semelhante. Seu pedido, porém, não é aceito.
A história humana está repleta de apelos ao amor e ao serviço. Basta um pouco de atenção e disponibilidade para escolhermos este caminho exigente. Caso contrário, só nos restará um castigo inadiável.

terça-feira, 6 de março de 2012

Mateus 23,1-12

Mateus 23,1-12


Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

Lançai para bem longe toda a vossa iniqüidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ez 18,31).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse: "Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos. Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens. Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos. E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado". “

Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
A FALTA DE MISERICÓRDIA
A sensibilidade de Jesus para a falta de misericórdia, no trato mútuo, era evidente. A menor atitude de menosprezo ou insensibilidade, em relação ao próximo, chamava-lhe a atenção. Por isso, aproveitava estas ocasiões para advertir os discípulos.
Os escribas e fariseus estavam, constantemente, na mira de Jesus. Eles tinham certos comportamentos com os quais o Mestre não podia compactuar, por não serem movidos pela misericórdia. Assim, impunham, às pessoas de boa-fé, um acúmulo de prescrições, ao passo que eles mesmos não se sentiam obrigados a cumpri-las. Igualmente, com ar de importância, exigiam que as pessoas lhes deixassem os primeiros lugares nos banquetes, nas sinagogas e nas praças, e que as chamassem com o título honroso de "rabi". E muitas coisas mais! Toda essa maneira de se comportar é que os discípulos deveriam evitar. O Mestre foi explícito: "Não imiteis suas ações!", pois não primam pela misericórdia.
O discípulo espelha-se no modo de agir de Jesus. Contrariamente aos escribas e fariseus, o Mestre não se prevaleceu dos pequenos e fracos, antes, procurou agir com extrema humildade e discrição, jamais buscando grandezas e honrarias mundanas. Seu agir misericordioso desmascarava a arrogância de seus adversários.

AS PARÁBOLAS DE JESUS - A PARÁBOLA DO FARISEU E O PUBLICANO



(Evangelho de Lucas cap. 18 vers. 9-14)

Disse Jesus também esta parábola a alguns  que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros; Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar : um fariseu, e o outro publicano. O fariseu, posto em pé , orava de si para si mesmo , desta forma: Ó Deus , graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu , mas batia no peito , dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos  que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque tudo o se exalta será humilhado ; mas o que se humilha será exaltado” .

Lição  que extraímos :

O fariseu era justo aos seus próprios olhos. A pessoa pensa ser justa por causa dos seus próprios esforços , não tem consciência da sua própria natureza pecaminosa, da sua indignidade e da sua permanente necessidade de ajuda, misericórdia e graças de Deus. Por causa dos seus destacados atos de compaixão e da sua bondade exterior, tal pessoa acha que não precisa da graça de Deus. O publicano, por outro lado , estava profundamente consciente do seu pecado e culpa e, verdadeiramente arrependido , voltou-se do pecado para Deus, suplicando perdão e misericórdia . Tipifica o verdadeiro filho de Deus

Quem eram os fariseus ?

Eram os membros de uma seita de judeus, que ostentavam grande santidade exterior na sua vida. Aquele que não tem senão a ostentação da virtude: hipócrita. Sob um rigorismo aparente , os fariseus escondiam os hábitos mais depravados. Jesus Cristo , tendo-lhes desmascarado o orgulho e a hipocrisia , comparou-os a sepulcros caiados , por fora, e cheios por dentro de podridão e negrura; os fariseus ligaram-se com os príncipes dos sacerdotes contra ele,amotinaram a população e fizeram-no condenar ao suplício da cruz. Esta palavra (fariseu) diz-se, no figurado, dos beatos falsos e d’aquele que só têm a máscara da piedade e virtude .

Quem eram os publicanos ?

Eram os cobradores dos dinheiros públicos entre os antigos romanos . Homens de negócios .

No versículo 13 – lê-se  : mas batia no peito – isto era sinal de angústia .

No versículo 14 - Jesus diz que o publicano foi para casa justificado.

Para o apóstolo Paulo  a justificação é a benção fundamental de Deus , pois essa benção tanto salva do passado como assegura o futuro . Por outro lado, significa  perdão , e o fim das hostilidades entre Deus e nós mesmos. O indivíduo justificad, por conseguinte, pode ficar certo que nada será capaz de separá-lo do amor de seu Deus

segunda-feira, 5 de março de 2012

Evangelho (Mateus 23,1-12)

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!

Lançai para bem longe toda a vossa iniqüidade! Criai em vós um novo espírito e um novo coração! (Ez 18,31).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
Dirigindo-se, então, Jesus à multidão e aos seus discípulos,disse: "Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés. Observai e fazei tudo o que eles dizem, mas não façais como eles, pois dizem e não fazem. Atam fardos pesados e esmagadores e com eles sobrecarregam os ombros dos homens, mas não querem movê-los sequer com o dedo. Fazem todas as suas ações para serem vistos pelos homens, por isso trazem largas faixas e longas franjas nos seus mantos. Gostam dos primeiros lugares nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas. Gostam de ser saudados nas praças públicas e de ser chamados rabi pelos homens. Mas vós não vos façais chamar rabi, porque um só é o vosso preceptor, e vós sois todos irmãos. E a ninguém chameis de pai sobre a terra, porque um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem vos façais chamar de mestres, porque só tendes um Mestre, o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo. Aquele que se exaltar será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado".
Palavra da Salvação.

Comentário ao Evangelho

A FALTA DE MISERICÓRDIA

A sensibilidade de Jesus para a falta de misericórdia, no trato mútuo, era evidente. A menor atitude de menosprezo ou insensibilidade, em relação ao próximo, chamava-lhe a atenção. Por isso, aproveitava estas ocasiões para advertir os discípulos.

Os escribas e fariseus estavam, constantemente, na mira de Jesus. Eles tinham certos comportamentos com os quais o Mestre não podia compactuar, por não serem movidos pela misericórdia. Assim, impunham, às pessoas de boa-fé, um acúmulo de prescrições, ao passo que eles mesmos não se sentiam obrigados a cumpri-las. Igualmente, com ar de importância, exigiam que as pessoas lhes deixassem os primeiros lugares nos banquetes, nas sinagogas e nas praças, e que as chamassem com o título honroso de "rabi". E muitas coisas mais! Toda essa maneira de se comportar é que os discípulos deveriam evitar. O Mestre foi explícito: "Não imiteis suas ações!", pois não primam pela misericórdia.

O discípulo espelha-se no modo de agir de Jesus. Contrariamente aos escribas e fariseus, o Mestre não se prevaleceu dos pequenos e fracos, antes, procurou agir com extrema humildade e discrição, jamais buscando grandezas e honrarias mundanas. Seu agir misericordioso desmascarava a arrogância de seus adversários.

Oração

Espírito de misericórdia, livra-me de seguir o mau exemplo de quem, no trato com o próximo, prima pela arrogância e pela insensibilidade.

domingo, 4 de março de 2012

Lucas 6,36-38

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!

Senhor, tuas palavras são espírito, são vida; só tu tens palavras de vida eterna! (Jo 6,63. 68).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

“Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos. Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados; dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também".

Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
O AGIR CRISTÃO
O cristão tem consciência de que suas ações superam os limites das relações humanas, para desembocar no Pai. Por isso, todo gesto humano, sem exceção, tem algo a ver com Deus: deve inspirar-se nele, de quem receberá o prêmio ou o castigo.
O eixo fundamental da vida cristã deve ser a misericórdia. O motivo é simples: a misericórdia é o eixo fundamental do agir do Pai. E, pela misericórdia, o cristão reproduz um modo de ser característico de Deus.
Jesus indicou-nos algumas maneiras de expressar a misericórdia: não nos tornar juízes do próximo, e por conseguinte, abster-nos de condená-lo; perdoar sempre, e sermos capazes de doar nossos bens, com generosidade. A misericórdia, portanto, consiste em colocar-se diante do próximo com a humildade de quem se sabe servidor, e com a consciência de não ter o direito de julgá-lo e condená-lo. Isto compete ao Pai. A pessoa misericordiosa está sempre disposta a reatar, mediante o perdão, os laços rompidos pela inimizade.
A contrapartida da misericórdia humana é a misericórdia divina. O Pai não julga nem condena a quem foi capaz de ser misericordioso. Perdoa a quem foi capaz de perdoar. E a quem soube doar, dá com superabundância.
O cristão não pode perder de vista esta dimensão de seu agir. A falta de misericórdia resultará fatal, no momento de seu encontro com o Pai.
Oração:
Espírito de misericórdia, reveste todas as minhas ações com a misericórdia, característica do Pai, levando-me a ser, para o meu próximo, a revelação da bondade divina.

SERMAO DA MONTANHA - LIÇÃO 04 - A INFLUENCIA DO CRISTÃO


“Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus.” – Mt 5,16.

  1. INRODUÇÃO.

Já estudamos as bem-aventuranças que descrevem o caráter do cristão. Agora Jesus enfatiza a necessidade de o cristão exercer influencia para o bem no mundo ao seu redor. Que influência devemos exercer num mundo tão cheio de mal, corrupção e violência?

Para definir a natureza dessa influencia, Jesus usa duas figuras comuns do lar – sal e luz. Qual é o lar, por mais pobre que seja que não usa tanto o sal como a luz? Sal e luz são itens indispensáveis em qualquer lar.

  1. VOCES SÃO O SAL DA TARRE (Mt 5,13).

I.              A função do sal – v. 13.

No mundo antigo, o sal era algo de muito valor. O sal tem, pelo menos, três características;

a)    Sal é tempero – que dá sabor à comida.

Essa é a característica mais conhecida. Já pensou comida sem sal? É tão insípido, como o próprio Jó reconheceu – “Come-se uma coisa insípida sem sal? Pode alguém saborear aquilo que não tem gosto algum?” Jó 6,6.

A influência do cristão no mundo deve ser como o sal para a comida - a presença do cristão dá um novo sabor ao ambiente no escritório, na faculdade, na fábrica, outros. Será que nossa presença tem essa influência positiva? Infelizmente, muitas pessoas consideram que o cristão tira o sabor da vida.

b)   Sal é preservador – evita a putrefação.

No mundo antigo a sal era o preservador mais comum. Antes da invenção da geladeira, o sal era usado para preservar a carne e o peixe do apodrecimento. Até hoje é usado na tão conhecida carne-de-sol do Nordeste.

Assim, se o cristão vai ser “o sal da terra”, deve ter uma influencia anti-séptica no mundo. A presença do cristão deve evitar o progresso do mal, derrotando a podridão ao seu redor.

É uma tragédia que a Igreja não tem exercido influencia maior para o bem no meio político, sindical e social, como o verdadeiro “sal da terra”.

“Os cristãos foram colocados por Deus numa sociedade secular para retardar esse processo de podridão. Deus pretende que penetremos no mundo. O sal cristão não tem nada de ficar aconchegado em elegantes e pequenas despensas eclesiásticas; nosso papel é o de sermos “esfregados” na comunidade secular, como o sal é esfregado na carne para impedir que apodreça” – Stott.

c)    Sal é ligado à pureza

Não há duvida que sua brancura brilhante fez essa ligação fácil. Os romanos diziam que o sal era a coisa mais pura de todas as coisas, porque veio das coisas mais puras, o sol e o mar.

Se o cristão vai ser o “sal da terra”, tem de ser um exemplo de pureza. Uma das características da sociedade em que vivemos é o rebaixamento dos padrões de pureza. Não há mais restrições na área moral – sexo antes do casamento é normal, e infidelidade no casamento é comum. Os filmes com senas de sexos explícitos na TV e no cinema, as piadas sujas na fábrica e no escritório são áreas nos quais o cristão tem deve ser mais corajoso na condenação do mal. “as vezes, os padrões de uma comunidade afrouxam-se por falta de um explicito protesto cristão” – Stott.

O cristão não pode se retirar do mundo, mas deve “conservar-se puro da corrupção deste mundo” – Tg 1,27. E isso não é nada fácil. O cristão é “chamado a ser um purificador moral, em um mundo, onde os padrões morais são baixos, instáveis, ou mesmo inexistentes” (Tasker).

II.            A eficácia do sal – v. 13.

A eficácia do sal é condicional. Para continuar a ser útil, o sal tem de conservar a sua salinidade. É um fato que o sal não pode perder sua qualidade salinidade. Stott explica que “o cloreto de sódio é um produto químico muito estável, resistente a quase todos os ataques. Mas provavelmente Jesus está alertando seus discípulos de que o sal pode se tornar adulterado por impurezas e, quando isso acontece, “para nada mais presta”. A mesma coisa pode acontecer aos discípulos. A salinidade do cristão vem do seu caráter descrito nos oitos bem-aventuranças; se não servem ao Senhor pelas suas boas obras, se tornarão inúteis e serão rejeitados. O problema, muitas vezes, é que o crente se deixa contaminar pelas impurezas do mundo, e, por isso, perde a sua capacidade de influenciar.

a)    É irrecuperável – “como lhe restaurar o sabor?”. Não há remédio para o sal sem a sua salinidade,
b)   É inútil – “para nada mais presta”
c)    É condenado à destruição – “Lançado fora, ser pisado pelos homens”

Não há duvida a respeito da verdade que Jesus está ensinando. Se não estamos sendo úteis, então seremos jogados fora. Inutilidade sempre traz desastre. E não se esqueça! O cristão é sal, e ano açúcar!




3.    VOCES SÃO A LUZ DO MUNDO (Mt 5,14-16).

Luz é uma figura muito importante nas Escrituras. ”Deus é luz” – 1Jo 1,5. Isaias 9,2 fala da vinda de Jesus – “O povo que andava em trevas viu uma grande luz”. A missão de Israel era ser “luz para os gentios” (Is 42,6; 51,4-5). Paulo nos lembra que “para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. – 2Cor 4,4.

  1. A função da luz (v. 14-15).

É interessante que Jesus convoca seus seguidores a ser aquilo que Ele mesmo é – “Eu sou a luz do mundo” – Jô 8,12. Aqueles que permanecem em Cristo, a verdadeira Luz. A luz de Jesus, brilhando neles, aparece em casa rosto, nas palavras, nas ações, e ilumina o mundo ao redor.

a)    A luz deve ser vista.

As casas na Palestina eram bastante escuras, com uma abertura pequena que servia de janela. A posse da luz de Cristo faz com que seus discípulos sejam visíveis, como uma “cidade edificada sobre um monte”, que pode ser claramente vista a quilômetros de distancia. Os Cristãos não podem se esconder e deixar de brilhar para Cristo.

Esse texto enfatiza que não pode haver discípulos secretos. A nossa fé deve ser vista na maneira pela qual tratamos o balconista na loja, a doméstica em casa, o porteiro no prédio, o empregado no serviço.

b)   A luz dissipa As trevas.

Paulo, ao escrever aos filipenses, enfatiza sua função – “... filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo,” Fl 2,15. O mundo não pode permanecer em trevas.

c)    A luz avisa do perigo.

Revela os perigos que nos cercam neste mundo tenebroso.

d)   A luz é um guia.

“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho.” Sl 119,105. Pelo nosso testemunho brilhante, dirigimos muitos no cominho certo.

e)    A luz deve brilhar no MUNDO.

É bom observar que o lugar onde devemos brilhar para Jesus é o mundo, onde as trevas dominam

Jesus não disse “Vós sois a luz da igreja”, mas “vós sois a luz do mundo”

  1. O resultado da luz (v. 16)

a)    Outros podem ver as nossas boas obras.

Jesus esclarece que as nossas boas obras são essa luz. Essa expressão abrange tudo o que o cristão faz e diz, demonstrando sua fé cristã. Em outras palavras, refere-se ao seu testemunho diário.

b)   Outros podem glorificar ao nosso Pai nos céus.

Nossas boas obras não devem chamar a atenção para nós, mas para Deus. “Quando os homens vêem tais obras, disse Jesus, glorificam a Deus, pois elas encarnam as boas novas do seu amor que nos proclamamos” (Stott).

4.    CONCLUSÃO.

Não há duvida que Jesus esteja enfatizando que deve haver uma diferença fundamental entre o cristão e não cristão, entre a Igreja e o mundo. “Este tema é básico no Sermão da Montanha. O Sermão foi elaborado na pressuposição de que os cristãos são por naturezas diferentes, e convoca-nos a sermos diferentes na prática. Provavelmente, a maior de todas as tragédias da Igreja ao longo de sua história... tem sido a sua constancia de conformar-se à cultura prevalecente, em lugar de desenvolver uma contracultura cristã”.  Diz Stott.

Assim aprendemos que fomos colocados no mundo com este papel duplo: como sal, para interromper, ou pelo menos retardar este processo da corrupção moral e espiritual, e como a luz, para desfazer as trevas.

“Jesus chama os seus discípulos para exercerem uma influência dupla na comunidade secular: uma influencia negativa, e uma influencia positiva, de produzir a luz nas trevas. Pois impedir a propagação do mal, é uma coisa; e promover a propagação da verdade, da beleza e da bondade é outra”. Stott.

sábado, 3 de março de 2012

Evangelho (Marcos 9,2-10)


Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória!
Numa nuvem resplendente fez-se ouvir a voz do Pai: Eis meu Filho muito amado, escutai-o, todos vós (Lc 9,35).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
“Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e João, e conduziu-os a sós a um alto monte. E transfigurou-se diante deles. Suas vestes tornaram-se resplandecentes e de uma brancura tal, que nenhum lavadeiro sobre a terra as pode fazer assim tão brancas. Apareceram-lhes Elias e Moisés, e falavam com Jesus.  Pedro tomou a palavra: “Mestre, é bom para nós estarmos aqui; faremos três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Com efeito, não sabia o que falava, porque estavam sobremaneira atemorizados. Formou-se então uma nuvem que os encobriu com a sua sombra; e da nuvem veio uma voz: “Este é o meu Filho muito amado; ouvi-o”. E olhando eles logo em derredor, já não viram ninguém, senão só a Jesus com eles. Ao descerem do monte, proibiu-lhes Jesus que contassem a quem quer que fosse o que tinham visto, até que o Filho do homem houvesse ressurgido dos mortos. E guardaram esta recomendação consigo, perguntando entre si o que significaria: “Ser ressuscitado dentre os mortos””.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A cena da transfiguração contrasta com a perspectiva de sofrimento e morte que aguarda Jesus em Jerusalém, da parte dos chefes religiosos locais. A narrativa, em estilo apocalíptico, caracterizada por fenômenos espantosos, abalos da natureza, nuvens e voz celestial, que indicam a presença e comunicação de Deus, confirma a fi liação divina de Jesus e seu caráter de enviado para anunciar e instruir a todos. Moisés, representante da Lei, e Elias, representante do profetismo, haviam subido à montanha ao encontro de Deus. Agora, estando Jesus a orar no alto da montanha, Moisés e Elias vêm a ele. O ponto alto é a voz que proclama: "Este é o meu Filho amado. Escutai-o!"Do ponto de vista de uma interpretação messiânica escatológica, a transfiguração seria o prenúncio da ressurreição, como coroação dos sofrimentos de Jesus em sua Paixão (segunda leitura). A obediência cega à Lei, que exprime a vontade de Javé, é premiada, conforme o modelo de Abraão. Esta concepção é prenhe de violência, particularmente quando a premiação é a conquista das cidades dos inimigos e a supremacia sobre todas as nações da terra (primeira leitura). Sob outro ponto de vista, pode-se ver na transfiguração a revelação da condição divina de Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, na simplicidade de seu convívio entre nós. Os discípulos devem perceber em Jesus a nova condição humana glorificada pela encarnação do Filho de Deus. Não se trata de esperar um messias poderoso, mas, sim, de reencontrar a dignidade e a grandeza da condição humana, em tudo que ela tem de justo, bom, verdadeiro e belo. Ao entrarmos em comunhão de amor com Jesus e com o próximo, Deus é glorificado e nos é comunicada sua vida divina e eterna.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Evangelho (Mateus 5,43-48)

Salve, ó Cristo, imagem do Pai, a plena verdade nos comunicai!
Eis o tempo de conversão, eis o dia da salvação (2Cor 6,2).
Poclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
“Disse Jesus aos seus discípulos: “Tendes ouvido o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito”.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
AMAR OS INIMIGOS

O mandamento de amar os inimigos é característico do projeto de Jesus. Esse mandamento é, em última análise, a pedra de toque da perfeição cristã. Quem é capaz de bendizer a quem o maldiz, fazer o bem a quem o odeia, orar por seus perseguidores e caluniadores, está muito próximo do modo divino de agir. Pelo contrário, quem ama somente àqueles que o amam, ou saúda apenas os seus parentes e amigos, age tão somente como os pagãos, que desconhecem a Deus.
Inspirando-se no Pai, o discípulo de Jesus ama, sem fazer distinção entre maus e bons, justos e injustos. Todos são irmãos, igualmente merecedores de seu amor. Os inimigos, no entanto, por representarem um desafio especial, devem particularmente polarizar sua atenção. Amando-os, o discípulo dará provas de sua condição de filho do Pai celeste.

A paixão e morte de Jesus exigiu dele pôr em prática o mandamento ensinado aos discípulos. Rodeado de inimigos, perseguidores e caluniadores, embora sabendo-se inocente, teria tido razão para odiá-los. Jesus, porém, venceu esta prova, ao implorar ao Pai que os perdoasse. Aliás, nada, nas cenas da paixão, deixa entrever ódio no coração do Mestre, em relação aos seus carrascos. A cruz é, para os cristãos, um sinal evidente de que, de fato, é possível amar os próprios inimigos.

Oração

Espírito de perfeição, dispõe meu coração a imitar o exemplo de Jesus que, na cruz, nos deu a maior prova de amor aos inimigos

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PARÁBOLA DO JUIZ INÍQUO


 

(Evangelho de Lucas cap. 18  vers. 1-8)  

Disse-lhe Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer: Havia em certa cidade um juiz  que não temia a Deus , nem respeitava homem algum. Havia também , naquela mesma cidade , uma viúva que vinha ter com ele, dizendo : Julga a minha causa   contra o meu  adversário. Ele, por algum tempo, não a quis atender ; mas , depois , disse consigo : Bem que eu não temo a Deus,  nem respeito homem algum; todavia  , como esta viúva me importuna, julgarei a sua causa , para não suceder que , por fim , venha a  molestar-me.  Então , disse o Senhor : Considerai no que diz este juiz iníquo. Não fará Deus justiça aos seus escolhidos , que a ele clamam dia e noite , embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que , depressa , lhes fará justiça. Contudo , quando vier o Filho do Homem , achará , porventura, fé na terra?

Lição que extraímos :

O dever de orar sempre . O empenho constante de Jesus era levar seus seguidores reconheceram a necessidade de estarem  continuamente em oração , para cumprirem a vontade de Deus nas  suas vidas .
Os cistãos devem perseverar em oração em todo tempo , até a volta de Jesus. Nesta vida temos um adversário que é  o Satanás .A oração pode nos proteger do Maligno, Através da oração os filhos de Deus devem clamar-lhe contra o pecado e por justiça . A oração perseverante é considerada como fé.  Nos últimos dias antes da volta de Cristo haverá um aumento de oposição diabólica às  orações dos fiéis . Por causa de Satanás e dos prazeres do mundo , muitos deixarão de ter uma vida de perseverante oração . Os verdadeiros escolhidos de Deus (isto é ..., os que perseveram na fé e na santidade), nunca cessarão de clamar a Deus pela volta de Cristo à terra , a fim de destruir o poder  de Satanás e presente sistema iníquo deste mundo. Perseverarão na oração, para Deus , “depressa fazer justiça”, e para Cristo reinar em justiça , sabendo que a segunda vinda é a única esperança veraz para este mundo.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

SERMÃO DA MONTANHA - LIÇÃO 03 – O CARATER DO CRISTÃO (2)


“Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face de Deus?” – Sl 42,1-2

  1. INTRODUÇÃO.

Gerações de expositores bíblicos têm aclamado as Bem-aventuranças como revolucionárias. As afirmações de Jesus são opostas à maneira que o mundo pensa. O mundo acha que a verdadeira felicidade vem de popularidade, riqueza, sucesso, beleza física, mas Jesus vira tudo de cabeça para baixo. Ele declara que a verdadeira alegria (que vem do conhecimento do favor divino) pertence não aqueles que parecem estar no topo do mundo, mas aos pobres de espírito, àqueles que choram, que tem fome e sede de justiça.

Vamos considerar detalhadamente cada bem-aventurança. Sugiro que os primeiros quatros tratam do relacionamento do cristão com Deus, e as ultimas quatro do relacionamento do cristão com o próximo.

  1. O RELACIONAMENTO DO CRISTÃO COM DEUS – Mt 5,3-6.

                      I.    Os humildes de espírito (v 3).

A palavra pobre ou humilde descreve o homem que não tem absolutamente nada – o homem que, pelo fato de não ter nada neste mundo, põe toda a sua confiança em Deus. Assim Davi escreveu o Sl 34,6 – “Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o livrou de todas as suas angústias”. Gradualmente, a palavra pobre passou ater o sentido de uma humildade dependência de Deus. Esta bem-aventurança ensina duas verdades:

a)    Reconhecer a nossa pobreza espiritual.

Não temos nada a oferecer a Deu. O homem humilde de espírito é aquele que reconhece a sua pobreza espiritual. Veja o que Jesus falou à Igreja de Laodiceia – “Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.” – Ap 3,17. Era uma igreja auto-satisfeita e bastante superficial. Quantos cristãos satisfeitos com seu estado espiritual cm seu estado espiritual são como o fariseu – “Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!” Lc 18,11-13. O publicano estava totalmente dominado pela percepção da sua falência moral e destruição espiritual – isto é ser humilde de espírito. “Porque eis o que diz o Altíssimo, cuja morada é eterna e o nome santo: Habitando como Santo uma elevada morada, auxilio todavia o homem atormentado e humilhado; venho reanimar os humildes, e levantar os ânimos abatidos.” Is 57,15; “Fui eu quem fez o universo, e tudo me pertence, declara o Senhor E o angustiado que atrai meus olhares, o coração contrito que teme minha palavra.” 66,2.




b)    Receber o reino dos céus.

O reconhecimento da nossa pobreza espiritual é a condição indispensável para receber o reino de Deus. O que Jesus enfatiza é que o reino dos céus é oferecido somente àqueles que são humildes de espírito. Feliz é o crente que reconhece a sua pobreza espiritual.

                    II.    Os que choram (v 4).

Está é uma bem-aventurança estranha. A palavra chorar é uma apalavra muito forte, usada para o lamento pelos mortos, lamentação por um parente querido – “E, rasgando as vestes, cobriu-se de um saco, e chorou o seu filho por muito tempo.” Gn 37,34 (Jacó quando pensou que seu filho José estava morto). Aqui não é o choro de luto, mas o choro de arrependimento. Quando Jesus se aproximou da cidade de Jerusalém, chorou pelo pecado do povo impenitente – “Aproximando-se ainda mais, Jesus contemplou Jerusalém e chorou sobre ela.” Lc 19.41. deve haver da parte do cristão essa tristeza pelos pecados dos outros – lagrimas quando vemos um irmão cair no pecado, em vez de fofoca sobre seu pecado.

Mas o que deve nos levar às lagrimas é a tristeza dos nossos próprios pecados, aquilo que Paulo descreve – “De fato, a tristeza segundo Deus produz um arrependimento salutar de que ninguém se arrepende, enquanto a tristeza do mundo produz a morte.” 2 Cor 7,10. Há uma ligação entre as primeiras duas bem-aventuranças. Ser “humilde de espírito” é sentir convicção pelo pecado; “chorar” é demonstrar contrição. Veja alguns exemplos bíblicos dessa tristeza pelo pecado – Davi (Sl 38,4.18); Isaías (Is 6,5); Pedro (Lc 5,8; Mt 26,75);  Paulo (Rm 7,15.18-19.24).

Somente aquelas pessoas que choram pelos seus pecados serão consoladas pelo único conforto que pode aliviar o desespero, que vem pelo perdão da graça infinita de Deus – “Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.” (Ap 21,3-4). De fato, bem-aventurado o cristão com o coração compungido!

                   III.    Os mansos (v 5).

Não é fácil traduzir esta palavra do grego. Manso é uma palavra usada para descrever um animal que foi domesticado  e treinado a obedecer ao comando do seu mestre. Alguém manso é uma pessoa que demonstra autocontrole. Moises foi considerado um varão “mui manso” “Ora, Moisés era um homem muito paciente, o mais paciente da terra.” Nm 12,3. Bem-aventurado é o cristão que tem todo o impulso e toda a paixão natural sob controle e sabe quando deve e quando não deve irar-se – “Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas.” Mt 11,29.

São essas pessoas “mansas” que “herdarão a terra”. Scott comenta – “A condição pela qual tomamos posse de nossa herança espiritual em Cristo, não é a força, mas a mansidão, pois tudo é nosso se somos de Cristo”. É a bem-aventurança da pessoa cuja vida é controlada por Deus!



                  IV.    O que tem fome e sede de justiça (v 6).

A fome aqui não é a fome que a gente tem antes do almoço – “Estou com fome!” é a fome de uma pessoa que não tem absolutamente nada para comer. É a sede de um moribundo desesperado para beber água. Quantos desejaram justiça? É quando um homem morrendo no deserto deseja comer e beber. Qual é a natureza dessa justiça?

a)    Justiça moral.

É o caráter e a conduta do crente que deve agradar a Deus. Devemos desejar ardentemente um coração que agrada a Deus. Sede é um sinal de saúde. Quando a gente não tem apetite é motivo de preocupação. Como é triste ver em nossas igrejas uma falta de fome e sede de Deus! O salmista demonstrou a atitude correta – “Como o cervo anseia pelas correntes das águas, assim a minha alma anseia por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e verei a face de Deus?” Sl 42,1-2.

b)    Justiça social.

Uma grande preocupação dos profetas menores foi a com as injustiças sociais que prevalecem – “Por isso, porque oprimis o pobre e lhe extorquis tributos em trigo,” Am 5,11; “Quando passará a lua nova, para vendermos o nosso trigo, e o sábado, para abrirmos os nossos celeiros, diminuindo a medida e aumentando o preço, e falseando a balança para defraudar? (Compraremos os infelizes por dinheiro e os pobres por um par de sandálias.) Venderemos até o refugo do trigo.” Am 8,5-6. Demonstramos fome dessas justiças quando buscamos a libertação dos oprimidos e a promoção dos direitos humanos.

  1. O RELACIONAMENTO DO CRENTE COM O SEU PROXIMO.

I.              Os misericordiosos (v 7).

A misericórdia é compaixão e socorro para uma pessoa que não tem a mínima possibilidade de ajudar a si mesmo. Uma grande ilustração dessa verdade se acha na parábola do Bom Samaritano, que “usou de misericórdia” para com o viajante que foi assaltado no caminho de Jerusalém a Jericó e abandonado semimorto – Lc 10,25-37. Há tantas pessoas abandonadas pela sociedade e, muitas vezes, pela própria igreja, que necessitam de um ato de misericórdia da nossa parte. Muitas pessoas preferem isolar-se da situação dolorosa da humanidade.

II.            Os limpos de coração (v 8).

Este foi o grande desejo de Davi – “Cria em mim, ó Deus, um coração puro.” Sl 51,10. Isso quer dizer que o coração limpo é o coração sincero. Como há uma grande necessidade do crente ser sincero, transparente, livre de falsidade no seu relacionamento com ouros! Vale a pena meditar no comentário de Stott – “Como são poucos os que dentre nós, vivem uma vida aberta! Somos tentados a usar uma máscara diferente e representar um papel diferente, de acordo com cada ocasião. Isso não é realidade, mas representação, que é a essência da hipocrisia”. E são poucas que verão a Deus, tanto agora com os olhos da fé, como no futuro, quando chegarmos na presença do Senhor, face a face! Esta é a bem-aventurança do cristão que “não entrega a sua alma à falsidade!”



III.           Os pacificadores (v 9).

Há uma grande necessidade hoje em dia de pacificadores – na industria, entre empregador e empregado; na família, entre pais e filhos; na igreja, ente a liderança e membros, e entre um membro e outro – “Exorto a Evódia, exorto igualmente a Síntique que vivam em paz no Senhor.” Fl 4,2! A coisa mais fácil é criar caso, incentivar atritos. É preciso da nossa parte um grande esforço, como Paulo nos mandou – “Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” Ef 4,3. Cada cristão tem de ser um pacificador, mas isso só é possível quando gozamos paz com Deus, a fonte de toda paz. Somos chamados a “seguir a paz com todos” (Hb 12,14) e, se depender de nós, “ter paz com todos os homens” (Rm 12,18).

IV.          Os perseguidos por causa da justiça (v 10-12).

O Senhor nunca disse que seria fácil ser cristão. O preço pode ser bem alto. A vida cristã é difícil quando vivemos de acordo com a palavra de Deus. Pode haver perseguição física por causa da nossa fé, mas muitas vezes a perseguição é muito mais sutil, sejam calunias que temos de levar ou a perda de amigos porque somos cristãos. Até hoje, em vários países, ser cristão é sofrer expulsão de casa, ou meso morte como mártir. “A condição de ser desprezado ou rejeitado, injuriado e perseguido é um sinal do discipulado cristão, da mesma forma que um coração puro ou misericordioso” (Stott). Não há duvida que a perseguição é simplesmente o conflito entre dois sistemas de valores irreconciliáveis.

Perseguição tem sido a marca dos fieis no decorrer da historia. Em relação ao tempo do AT lemos: “Outros sofreram escárnio e açoites, cadeias e prisões. Foram apedrejados, massacrados, serrados ao meio, mortos a fio de espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelha e de cabra, necessitados de tudo, perseguidos e maltratados, homens de que o mundo não era digno! Refugiaram-se nas solidões das montanhas, nas cavernas e em antros subterrâneos.” Hb 11,36-38. No inicio da Igreja os discípulos sofreram a calunia de estar embriagados – “Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce.” At 2,13; os discípulos foram presos e se lhes ordenou que “absolutamente não falassem nem ensinassem em nome de Jesus.” At 4,18; Estevão foi apedrejado e tornou-se o primeiro mártir.

a)    Motivo da perseguição.

*      “Por causa da justiça” – não há crédito em ser perseguido por causa da nossa estupidez pecado (“Se fordes ultrajados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois vós, porque o Espírito de glória, o Espírito de Deus repousa sobre vós. Que ninguém de vós sofra como homicida, ou ladrão, ou difamador, ou cobiçador do alheio. Se, porém, padecer como cristão, não se envergonhe; pelo contrário, glorifique a Deus por ter este nome.” 1Pd 4,14-16.
*      “Por minha causa” – Quando aceitam Cristo e a salvação que Ele oferece. Num mundo onde Cristo foi rejeitado (e crucificado), seu seguidores devem esperar compartilhar dos sofrimentos dEle – “Anseio pelo conhecimento de Cristo e do poder da sua Ressurreição, pela participação em seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na morte,” Fl 3,10.

b)    Reação diante da perseguição.
“Regozijai-vos e exultai”
c)    Premio pela perseguição.

“Grande é o vosso galardão” – veja Rm 8,18; 2 Cor 4,17; Tg 1,12; 1Pd 4,13.

  1. CONCLUSAO.

Todos os cristãos devem demonstrar todas as características detalhadas aqui. Cristãos não têm a liberdade de escolher alguma área especial e negligenciar outra, mas são chamados a crescer em tosos os aspectos – “Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo.” Ef 4,15.