quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

TIAGO, A FÉ EM AÇÃO - LIÇÃO 08 – FÉ E OBRAS


“Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta.” Tg 2,26.

  1. INTRODUÇÃO.
Você acreditaria numa pessoa que se diz eletricista, mas não consegue trocar uma lâmpada? Você acreditaria num homem que diz ser excelente piloto, mas não consegue estacionar o carro numa garagem? Você acreditaria em alguém que diz ser matemático, mas não sabe o resultado de 8 x 8? Tiago também quer saber como é que uma pessoa pode dizer que tem fé, mas não possui esta fé? O problema é sério!

Qual é a fé que salva? Como conciliar Romanos 3,28 – “Porque julgamos que o homem é justificado pela fé, sem as observâncias da lei.” com Tiago 2,24 – “Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé?”? Estaria Tiago contradizendo o ensino de Paulo? Qual o papel das obras na salvação?

  1. QUAL É O PROBLEMA?

“De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo?” – Tg 2,14.

O versículo acima, que é uma pergunta, leva-nos ao ponto central deste parágrafo, ou desta lição. Tiago quer saber como uma pessoa sem obras pode dizer que está salva? Antes que você pense errado, acompanhe comigo algumas observações.

A.   Tiago inicia o parágrafo fazendo uma pergunta – (Tg 2,14).

Uma pergunta não é uma afirmação. Uma pergunta chama ou espera uma resposta. Então, o autor está apenas iniciando o diálogo com seus leitores. A palavra “aproveitará”, no grego, significa “lucro ou vantagem”. Não pense que Tiago esteja pregando a salvação pelas obras, contradizendo o apóstolo Paulo. Analise as três afirmações a seguir.

a)    Tiago dirige suas perguntas a alguém que defende a “fé somente”.
b)    Tiago não afirma que a fé não pode salvar; ele está dizendo que a fé que essa pessoa afirma ter, ou seja, uma fé sem obras, não pode salvar.
c)    Paulo e Tiago querem dizer a mesma coisa com a palavra “obras”, atos praticados em obediência à Palavra de Deus. A diferença entre eles é o contexto em que estas obras são praticadas. Paulo nega que as obras possam ter algum valor em nos colocar num relacionamento com Deus; Tiago insiste em que, uma vez estabelecido o relacionamento, as obras são essenciais  (Douglas Môo, Tiago: Introdução e Comentário, pag. 100.

B.   Tiago ilustra de cinco maneiras o ensino que quer transmitir – (Tg 2,15-25).

a)    Indiferença em face dos irmãos necessitados – (vs. 15-17) – Como reage o cristão? Ele se despede das pessoas necessitadas usando palavras evasivas e piedosas: “Vá em paz, irmão”, ou “Estarei orando por você”. Mas o necessitado não está precisando de oração, e sim de auxilio material. Observe que Tiago não está falando de alguém na Igreja que está querendo um carro mais novo ou uma casa na praia ou no campo. Ele está falando de gente na Igreja que não em o pão de cada dia roupa suficiente para se cobrir ou se proteger do frio. O prefeito, não cristão, de uma cidade do interior de São Paulo fez a seguinte afirmação: “Quando vejo um mendigo na rua, tenho a certeza que ele não é cristão”. Que testemunho bonito, demonstrando que os cristãos estão cuidando dos seus.

b)    Pergunta retórica – (v. 18) – É o que os gregos chamavam de diatribé, isto é, “questões e objeção que são postas na boca de um crítico imaginário” (F.F. Bruce); recurso literário que Paulo usou muito na carta aos Romanos. “Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.”. Tiago não está simplesmente desafiando alguém de maneira inconseqüente, ele só declara que a fé sem obras não é uma fé genuína e não pode ser provada.

c)    Demônios – (v. 19) – Pode soar estranha a afirmação que demônios crêem! Todavia, observe duas coisas. Primeiro, o autor pergunta: “Crês que há um só Deus.” A confissão da unidade de Deus – “Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.” (Dt 6,4) - fazia parte da doutrina básica recitada duas vezes ao dia pelo judeu piedoso. Jesus confirmou isto em Mc 12,18-29. A segunda coisa a observar é a natureza da “fé” dos demônios,. Que é uma mera apreensão intelectual. Aceitar certas coisas como verdadeiras não significa um envolvimento ou entrega pessoal. Na época de Jesus (assim como nos nossos dias) muitas pessoas acreditaram que Ele era quem dizia ser, mas nem por isso se tornaram Seus discípulos (cof. Jô 6,14-15). O próprio Pilatos declarou duas vezes, a inocência de Jesus Cristo (Jô 18,38; 19,4). Resumindo – Tiago está afirmando que esta espécie de “fé demoníaca” é um simples reconhecimento de uma verdade. Eles chegam a tremer (literalmente, “eriçar cabelos”), mas sabemos que não são salvos. A fé salvadora vai além do intelecto, pois afeta nossa vontade e nossas ações.

d)    Abraão – (vs 20-24) – Agora Tiago volta ao passado, e vai buscar o personagem do Antigo Testamento que ficou conhecido como “E assim se tornou o pai de todos os incircuncisos que crêem.” (Rm 4,11b), Abraão. Interessante notar que é o mesmo homem de quem o apóstolo Paulo lança mão quando quer ensinar a doutrina da justificação pela fé em Rm 4. Todavia, existe uma diferença crucial que precisa ser feita. Quando Paulo fala da Abraão, ele menciona Gn 15,1-6, onde Deus fez a promessa e Abraão – “Abrão confiou no Senhor, e o Senhor lho imputou para justiça.” Gn 15,6. Quando Tiago cita Abraão como parte do seu argumento, ele menciona o homem que está sendo provado por Deus em Gn 22 e conclui: “Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas.” Tg 2,22. Os dois escritores do Novo Testamento citam o mesmo Abraão, mas Paulo está em Gn 15, na promessa; enquanto Tiago está em Gn 22, quando Isaque já é um cumprimento vivo e palpável. Em outras palavras, quando Abraão ofereceu seu filho Isaque, mostrou com esta obra a sua fé.

e)    Raabe – (v. 25) – A história de Raabe é descrita em Josué 2,1-21, e também é citado em Hebreus 11,31. Ela havia se convencido de que “Senhor, vosso Deus, é o Deus nas alturas dos céus e aqui embaixo na terra.” Js 2,11. Baseada nesta “fé”, ela “por ter recebido os mensageiros e os ter feito sair por outro caminho?” – Tg 2,25. O autor de Hb enfatiza a fé de Raabe, enquanto Tiago assinala as obras de Raabe.

C.   As conclusões de Tiago – (Tg 2,17,24,26) – Observe como estes versículos começam:

·         v. 17 – “Assim também...”
·         v. 24 – “Verificais que...”
·         v. 26 – “porque, assim como”

São palavras que exprimem uma conclusão. Significam que Tiago apresenta um relato racional da sua tese doutrinária: uma fé sem obras é falsa, inoperante, estéril e morta.

  1. O QUE SIGNIFICA?
Podemos responder à pergunta acima com as seguintes afirmações.

a)    Obras não produzem fé; mas a fé produz obras, e as obras confirmam a fé.
b)    O contraste é entre a fé sem obras e obras sem fé, e não entre fé e obras.
c)    A questão não é uma opção entre fé e obras; mas sim entre a fé viva e morta.
d)    Tiago nunca afirma que as obras podem salvar; mas sim que a fé genuína e viva sempre redundará em boas obras.

Alguns acham que o ensino de Tiago contradiz o ensino de Paulo acerca da justificação pela fé. Todavia, o quadro comparativo abaixo procura esclarecer a questão.



PAULO


TIAGO
  1. O que Paulo rejeita são obras sem fé.
  2. Paulo nega a eficácia das obras antes da conversão.
  3. Paulo declara como ninguém é justificado.
  4. Paulo confirma a declaração por Deus da nossa retidão.
  5. Abraão foi justificado porque creu em Deus.
  1. O que Tiago rejeita é fé sem obras.
  2. Tiago apela à necessidade das obras depois da conversão.
  3. Tiago enfatiza como alguém deve viver depois de justificado.
  4. Tiago fala da demonstração de nossa retidão.
  5. Abraão foi justificado porque obedeceu a Deus.



Não temos que fazer opção por um ou outro. Temos que aceitar o ensino dos dois, porque eles se completam, e não se contradizem. Quando somos confrontados com a doutrina da salvação pelas obras, temos que chamar o Teólogo Paulo, como fizeram os reformadores. Entretanto, quando somos confrontados pelos que acham que obras são desnecessárias para os cristãos, devemos ouvir o pastor Tiago.

  1. O QUE APREDEMOS?
a)    Que desafios há para nós nesga lição?
b)    O que aprendemos de novo?
c)    Há neste texto alguma proposta para mudamos algo em nossa vida?
d)    Que outros textos confirmam sete ensinos?

  1. CONCLUSÃO.
Por toda a epistola de Tiago fica claro que o problema dos irmãos destinatários não era a ortodoxia (doutrina correta), mas a ortopraxia (prática correta). Eles não tinham problemas com o “crer”, mas com o “fazer”. É um desafio para todos nós, que enfatizamos tanto a salvação pela fé em Cristo Jesus, e constantemente nos aquecemos que nossas obras serão julgadas. No encerramento desta lição, vale reler 2Co r 5,10 – “Porque teremos de comparecer diante do tribunal de Cristo. Ali cada um receberá o que mereceu, conforme o bem ou o mal que tiver feito enquanto estava no corpo.”

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ANUNCIAÇAO A MARIA

 
Evangelho (Lucas 1,26-38)
Aleluia, aleluia, aleluia.
Eis a serva do Senhor; cumpra-se em mim a tua palavra! (Lc 1,38)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
1 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28 Entrando, o anjo disse-lhe: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo". 29 Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30 O anjo disse-lhe: "Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32 Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33 e o seu reino não terá fim". 34 Maria perguntou ao anjo: "Como se fará isso, pois não conheço homem?" 35 Respondeu-lhe o anjo: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36 Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37 porque a Deus nenhuma coisa é impossível". 38 Então disse Maria: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". E o anjo afastou-se dela.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A AGRACIADA DE DEUS
O Anjo do Senhor definiu Maria como a repleta de graça. Nesta afirmação, está contido um movimento de dupla direção: de Deus para Maria - de Maria para Deus. E, neste movimento articula-se o mistério divino na vida da mãe de Jesus.
Deus, em seu amor infinito pela humanidade e desejoso oferecer-lhe salvação, escolheu Maria para colaborar no seu plano de salvação. Esta escolha não se explica com parâmetros humanos, mas se perde nos abismos da liberdade divina. Deus concede, à jovem de Nazaré, a riqueza de suas graças: a predispõe a ser sua interlocutora, dando-lhe sensibilidade para captar os apelos divinos e tornando-a capaz de ir além de si mesma para  decidir-se a aceitar o projeto divino de salvação.
Maria, por sua vez, embora elevada a um nível altíssimo de santidade, que lhe fora comunicada pela plenitude da graça divina, conservava a simplicidade e a humildade de quem se sabia servidora. Em seu coração, não houve lugar para a soberba e a vanglória. Agraciada por Deus, mantinha-se no escondimento, não exigindo para si tratamento condizente com sua condição de mãe do Filho de Deus. Bastava-lhe saber-se cumpridora da vontade de Deus, ajudada pela graça que a planificava. Não ambicionava grandezas mundanas, uma vez que possuía o bem mais precioso: estava repleta do próprio Deus.
Oração 
Senhor Jesus, que minha vida se inspire no exemplo de Maria, em sua disposição para cumprir a vontade de Deus.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

TIAGO, A FÉ EM AÇÃO - LIÇÃO 07 – A FÉ SEM PARCIALIDADE


“Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas,” At 10,34.


  1. INTRODUÇAO.

Tiago aqui levanta um problema  de ordem interna da Igreja que deve ser tratado com muito cuidado e discernimento espiritual: o problema das diferenças entre os membros da Igreja. Não tomar partido, ou seja, não tratar os irmãos em Cristo com parcialidade deve ser a nossa opção como servos do Senhor Jesus Cristo – “Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a vida eterna.” Rm 6,22. Honrar um irmão na congregação em detrimento do outro é, no mínimo, uma atitude incoerente em relação à fé cristã – “Conseqüentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor. É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus.” Ef 2,19-22 – que, portanto, deve ser evitada.

Tiago foi incumbido de enfatizar a ética cristã. Ele apresenta essencialmente o ensino de Cristo. Tem-se dito que a epistola de Tiago é baseado no sermão da montanha. Examinando-a com cuidado, verificamos que, até certo ponto, essa afirmação faz sentido – Mt 5,1-16.

No trecho de Tg 2,1-13, Tiago condena a parcialidade dentro do Corpo de Cristo, que é a Igreja. Se Cristo é o Senhor de nossa vida, por que não podemos fazer acepção de pessoas?

Para responder esta pergunta, vamos considerar pelo menos três razoes.

  1. PORQUE É INCOMPATIVEL COM O CARATER DE DEUS.

Acepção é a tradição de uma palavra grega que significa literalmente “receber o rosto”. No Novo Testamento ela é usada primeiramente como uma tradução literal da palavra hebraica do Antigo Testamento que corresponde ao nosso termo acepção. “Receber o rosto” é fazer julgamento e estabelecer diferenças baseadas em considerações externas, tais como aparência física, status social ou raça. Deus jamais agiria assim, conforme freqüentes afirmações  nas Escrituras:

*      “Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas.” – Rm 2,11;
*      “Senhores, procedei também assim com os servos. Deixai as ameaças. E tende em conta que o Senhor está no céu, Senhor tanto deles como vosso, que não faz distinção de pessoas.” – Ef 6,9;
*      “Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas,” – At 10,34;
*      “Quem cometer injustiça, pagará pelo que fez injustamente; e não haverá distinção de pessoas.” – Cl 3,25.

a.      A discriminação vai contra o caráter de Deus, que nos criou à Sua imagem e semelhança – Gn 1,26-27.
b.      A discriminação vai contra o caráter de Deus, que oferece oportunidades iguais de salvação para todos os povos, independente de raça, cor e posição social – 1Tm 2,3-6.
c.      A discriminação vai contra o caráter de Deus, que julga de maneira imparcial as ações dos homens – At 10,34-35.

As indagações de Tiago – Tg 2,4-7 – parecem demonstrar certo favoritismo da parte de Deus pelos pobres. É mais fácil ter fé quando  se é pobre? Aparentemente sim. “Para Tiago os ricos são perversos e os pobres são piedosos – “Ouvi, meus caríssimos irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres deste mundo para que fossem ricos na fé e herdeiros do Reino prometido por Deus aos que o amam?” Tg 2,5 – Isso pode ter sido uma situação toda peculiar às pessoas a quem ele escreve” (Arthur Duck). Sabemos que o pobre pode ser tão ruim, tão ganancioso e com pensamento tão pervertido quanto o rico. O pobre só não tem as mesmas oportunidades.

*      Deus não julga o pobre por ser pobre. O fato é que todos aqueles que buscam a Deus de todo o coração vão achá-lo, quer sejam pobres ou ricos.
*      Deus não é influenciado por aparência. Logo, nós que professamos  a nossa fé em Jesus, Senhor da Gloria, também não devemos ser influenciados por aparência.

  1. PORQUE É INCOMPATIVEL COM OS PRINCIPIOS CRISTAOS.

Arthur Duck afirmou que: “Como cristãos não podemos aceitar as divisões sociais e políticas que o mundo impõe sobre nós. A fé cristã tem que acabar com as distinções que existem na sociedade”.

A expressão: “Ouvi, meus caríssimos irmãos...” (Tg 2,5) demonstra certa severidade da parte de Tiago, mas ao mesmo tempo revela o seu cuidado pastoral pelas ovelhas. É como se ele estivesse dizendo: “favorecendo aos ricos vocês estão indo contra Deus, que favorece aos pobres”. Todos sabiam que Deus escolhera Israel no passado: e os próprios judeus se viam como o povo escolhido de Deus:
*      “Porque amou teus pais, e elegeu a sua posteridade depois deles, tirou-te do Egito com a força de seu poder.” – Dt 4,37;
*      “Não é porque sois mais numerosos que todos os outros povos  que o Senhor se uniu a vós e vos escolheu; ao contrário, sois o menor de todos.” – Dt 7,7;
*      “Porque és um povo consagrado ao Senhor, teu Deus, o qual te escolheu para ser um povo que lhe pertença de um modo exclusivo entre todas as outras nações da terra”. – Dt 14,2.

Mas aqui Tiago o termo “eleição” de modo especifico aos pobres. Peter Davids informa-nos que “a maior parte dos membros da Igreja Primitiva era considerada de pobres como a de Jerusalém – ‘Vós conheceis a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza. ’ – 2 Cor 8,9. Tiago está aplicando o ensinamento de Jesus sobre os pobres – ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração.’ – Lc 4,18; ‘Então ele ergueu os olhos para os seus discípulos e disse: Bem - aventurados vós que sois pobres, porque vosso é o Reino de Deus!’ – Lc 6,20. Jesus selecionara os pobres como os especialmente contemplados com o Seus reino. Eles são favorecidos aos olhos de Deus, visto que Deus os vê de modo bem diferente. Isto é, os pobres não são pessoas desprezíveis, mas são escolhidos para serem ricos na fé e herdeiros do reino”. Entretanto, é importantíssimo ressaltar que a pobreza em si não é caminho para a salvação, mas apenas deixa o coração mais fértil ou mais aberto para a semente do evangelho de Jesus Cristo.

Tiago faz determinadas perguntas e afirmações: - “Porventura não escolheu Deus os pobres deste mundo para que fossem ricos na fé e herdeiros do Reino prometido por Deus aos que o amam? Não são porventura os ricos os que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? Não blasfemam eles o belo nome que trazeis?” (Tg 2,5-7), provando com elas que havia acepção de pessoas naquela comunidade cristã. Examinamos essas perguntas:

*      “Não são porventura os ricos os que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais?” v 6.

“Oprimem” – palavra usada também em At 10,38, para falar dos oprimidos pelo encardido. Se a questão aqui envolve um julgamento legal, a igreja se colocou contra um individuo pobre e não contra todos os pobres.

·         Menosprezo e opressão são características dos ricos de fora da Igreja, com raras exceções, que não deveriam acontecer entre os salvos.

É muito provável que alguns judeus ricos estivessem arrastando os cristãos diante dos tribunais, assim como Paulo fazia antes de sua conversão – At 8,1-3 – Paulo teve de suportar as mesmas coisas que impusera sobre os outros – At 16,19-26 – “Os ricos arrastavam os cristãos pobres para os tribunais por dos motivos: Primeiro, quando o pobre necessitava de um empréstimo, o rico dava com juros elevados. E quando surgia disputa na hora do pagamento ou o pobre não tinha como restituir o empréstimo, o rico contratava o melhor advogado e ambos associavam. Resultado: o pobre ficava mais pobre e o rico mais rico. A segunda forma do rico arrastar o pobre para os tribunais era por acusações caluniosas, acusando os cristãos de perturbarem a tranqüilidade e a ordem da comunidade.” (Peter Duck)

*      “Não blasfemam eles o belo nome que trazeis?” v 7.

“Blasfemar o nome invocado sobre os cristãos” mostra claramente que havia perseguição religiosa contra eles. O termo “trazeis” se refere à ocasião em que o nome de alguém é invocado sobre outra pessoa, passando a primeira a se tornar sua prosperidade. O nome de Jesus havia sido invocado sobre os cristãos e eles se tornaram posse de Deus – “Vós, porém, é uma raça escolhida, um sacerdócio régio, uma nação santa, um povo adquirido para Deus, a fim de que publiqueis as virtudes daquele que das trevas vos chamou à sua luz maravilhosa. Vós que outrora não éreis seu povo, mas agora é povo de Deus; vós que outrora não tínheis alcançado misericórdia (Os 2,25), mas agora alcançastes misericórdia.” (1 Pd 2,9-10).

A Igreja deve tomar muito cuidado para não se assemelhar àqueles que blasfemam  o bom nome que sobre ele foi invocado – “Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Ap 12,17).

  1. PORQUE É INCOMPATIVEL COM A NATUREZA DA IGREJA.

Não é possível hoje pensarmos numa Igreja tão somente para um grupo determinado de pessoas. A Igreja não pode estar aliada a um grupo político ou social, pobres ou ricos, ou a determinado grupo étnico – “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos estejais em pleno acordo e que não haja entre vós divisões. Vivei em boa harmonia, no mesmo espírito e no mesmo sentimento. Pois acerca de vós, irmãos meus, fui informado pelos que são da casa de Cloé, que há contendas entre vós.” (1 Cor 1,10-11). A Igreja tem de estar de portas abertas para todas as camadas sociais. Foi Jesus quer reforçou o ensinamento da lei de que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo. Essa lei se baseia no modelo de Cristo, que não fazia diferença entre o rico e o pobre – Ele morreu por todos (Rm 5,5-8). Jesus nos ensinou a amar o próximo. O mandamento especifico citado por Tiago – “Amaras ao próximo como a ti mesmo” é um dos prediletos de Jesus que o citou varias vezes nos evangelhos.

Três princípios básicos devem governar nossos relacionamentos na Igreja – Tg 2:

a)      O amor ao próximo deve ser evidenciado em obediência e submissão à Palavra de Deus – v 8.

Em varias passagens do Antigo e do Novo Testamento, somos exortados a amar o Senhor Deus e de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, de todo o nosso entendimento e de toda nossa força – “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.” Dt 6,5 e Mc 12,30 –. Este é o primeiro e o maior mandamento, como ensinou Jesus. O segundo mandamento  é o amor pelos nossos semelhantes – “Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe.” Mc 12,31 e Jo 13,34 –.

b)     Violar um mandamento é desobedecer ao próprio Deus e faz com que a pessoa se torne culpada diante dEle – vs 9-11.

“Neste aspecto é interessante observar que, no cristianismo primitivo, o mandamento do amor estava intimamente ligado aos mandamentos do próximo da segunda tábua do decálogo – “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.” Mt 19,18-19 e Rm 13,9 –. Portanto, embora empregue uma lógica extraída do A.T., Tiago a aplica a uma situação nova” (Douglas J. Môo, Tiago – Introdução e Comentário).

c)      A justiça e o amor exigem que todas as pessoas sejam tratadas com dignidade – VS 12-13.

Há muitos que pensam que amar é um mero sentimento prazeroso no coração. Isto não é verdade. De acordo com a Palavra de Deus o próximo é a pessoa a quem devemos amar, sem demonstrar nenhuma parcialidade. Todos merecem nosso amor e respeito.

Tiago defende o ensino bíblico de que a pessoa que guarda todas as leis de Deus, mas quebra um único princípio se toma culpada de todos os outros. Para Peter H. Davids, a razão que alicerça este ensino é o truísmo (verdade trivial). Isto não significava que as más conseqüências são sempre as mesmas, não importando que mandamento a pessoa quebra, mas significa que, quando alguém quebra um mandamento, demonstra uma atitude básica contra o Outorgador da lei que caracteriza tal pessoa como transgressor – “Maldito o que não conserva as palavras desta lei e não a cumpre! E todo o povo dirá: Amém!” Dt 27,26.

  1. CONCLUSAO.

À luz do ensino do Tiago podemos concluir que a acepção de pessoas é um pecado contra o mandamento do amor – “Se cumprirdes a lei régia da Escritura: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18), sem dúvida fazeis bem. Mas se vos deixais levar por distinção de pessoas, cometeis uma falta e sereis condenados pela lei como transgressores.” Tg 2,8-9, e que este mandamento é que deve governar aqueles que professam fé em Jesus Cristo – “Meus irmãos, na vossa fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, guardai-vos de toda consideração de pessoas.” Tg 2,1. Tiago dá ênfase a dois verbos “falar’ e “proceder” – Tg 2,12; os verbos estão no tempo presente, enfatizando que a maneira de “falar” e “proceder” deve ser a nossa conduta de vida. Aquele que não usou de misericórdia não pode esperar receber um julgamento misericordioso. Isso vem como uma advertência para todos os cristãos – “Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o julgamento.” Tg 2,13. Jesus ensinou: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!”– Mt 5,7.

“Pelas misericórdias de Deus as nossas boas ações são aceitas diante dEle como evidencia de que a salvação pela misericórdia de Deus nos alcan

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

PERSONAGENS DA BIBLIA - JOSÉ – FILHO DE JACÓ



José ou José do Egito (em hebraico יוֹסֵף, significando "Yahweh acrescenta"; Yôsēp em hebraico tiberiano; mais tarde designado como צפנת פענח, Tzáfnat panéach ou Ẓáfənat paʿnéaḥ, em hebraico padrão ou Ṣāp̄ənaṯ paʿănēªḥ em hebraico tiberiano, do egípcio que significaria "Descobridor das coisas ocultas") foi o décimo primeiro filho de Jacó, nascido de Raquel, citado no livro do Génesis, no Antigo Testamento, considerado o fundador da Tribo de José, constituída, por sua vez, da Tribo de Efraim e da Tribo de Manassés (seus filhos). Quando foi coroado como um homem de confiança ao Faraó, foi-lhe concedida a mão de Azenate, filha de Potífera, Sacerdote de Om.

Filho preferido de Jacó, apesar de não ser o seu primogênito (mas o primeiro filho de Raquel, a mulher que mais amava), José nunca escondeu a sua posição de superioridade em relação aos outros irmãos, que se ia manifestando através de sonhos em que a sua figura tomava sempre um lugar de destaque e liderança. O favoritismo, de que era alvo por parte do pai, valeu-lhe a malquerença dos irmãos, que o venderam, por 20 moedas (sheqel) de prata, como escravo a mercadores ismaelitas, os quais levaram José ao Egito do período da XVII dinastia.

Já no Egito, foi comprado por Potifar (oficial e capitão da guarda do rei do Egipto), de quem conquistou a confiança e tornou-se o diligente dos criados e administrador da casa. Na casa de Potifar, acabou estudando com um escriba e aprendeu o antigo egípcio. Foi preso após acusação injusta de tentativa de abuso da mulher do seu amo, depois de uma tentativa frustrada de sedução por parte desta.

Na prisão, tornou-se conhecido como intérprete de significado dos sonhos. Lá, ele decifrou o sonho do copeiro-chefe e padeiro-chefe do palácio do Faraó, que foram presos acusados de conspiração. Segundo a interpretação de José, o sonho do padeiro-chefe indicava que este seria enforcado, mas o do copeiro-chefe indicava que este seria salvo, tendo isto mesmo ocorrido.

Vale ressaltar que àquela época a casta dos sacerdotes se opunham ao faraó, apoiavam um outro faraó, Taá II, que tinha domínio no Alto Egito e sempre estavam por trás das fomentações de conspirações. O faraó Apopi I pertencia a linhagem dos hicsos, um povo que havia invadido e tomado o poder no Egito.

Um dia, o Faraó teve um sonho profético no qual sete vacas magras comiam sete vacas gordas e mesmo assim continuavam magras Para explicar seu sonho, ele convocou todos os sacerdotes do Egito para decifrá-lo. Nenhum desses conseguiu, então o copeiro-chefe se lembrou do escravo na prisão, José, que tinha decifrado seu sonho e indicou-o ao Faraó. Então, o Faraó chama José e este consegue dar uma interpretação que o satisfaz, de que o Egito passaria por sete anos de fartura e sete anos de seca, consecutivos.

Logo após a interpretação de José, o Faraó, muito satisfeito com a inteligente interpretação de José, dá a José um anel de seu dedo e o nomeia Adon do Egito, um cargo semelhante a chanceler, apesar de algumas versões da bíblia trazerem a palavra Governador.

José, então, ordena que se construam celeiros para guardar a produção do Egito durante os anos de fartura. Em verdade, também, José, nos anos em que passou na prisão, havia se inteirado da situação política do Egito e sabia também que nos anos de seca apenas ele, do Baixo Egito, teria comida criando assim uma vantagem sobre o soberano egípcio Taá, apoiado pela casta sacerdotal e que governava o Alto Egito. E assim aconteceu. Nos sete anos de seca, José, que vendia os cereais dos celeiros reais a preço de ouro, conseguiu comprar para o Faraó quase a totalidade das terras do Alto Egito.

José reencontra-se também, com os seus irmãos, que pensavam erradamente que José ia matá-los. José depois se apresentou a seu pai que correu aos braços arrependido, e com a chegada destes, com seu pai, ao Egito. É assim que o povo israelita se instala no Egito, antes de ser escravizado e, mais tarde, libertado sob a liderança de Moisés

É possível que durante os anos de seca os sacerdotes tenham conseguido despertar a ira popular contra José e Apopi I, o faraó hicso, pois é durante esses anos que acontecem vários conflitos civis contra os governantes que terminaram com a vitória do faraó Taá II e seu exército, que tomaram primeiro Mênfis e depois a então capital Tânis. Vendo-se sem condições de vencer, Apopi e seus vassalos refugiam-se em Aváris, a cidade fortaleza construída pelos hicsos. Os hicsos acabaram finalmente vencidos, depois de aproximadamente 500 sobre as terras do Egito, por Ahmés I filho de Taá, na XVIII dinastia. É muito provável que José tenha morrido durante esses combates contra Taá II ou em um dos conflitos civís. Mesmo com a ascensão demorada de José, que era cárcere e, depois de Deus o usar como intérprete para os sonhos do Faraó Ramsés, se tornar o 2º na terra do Egito, nunca foi vista uma mudança de ego em José. Após o encontro com sua família, José arranjou a melhor terra no Egito para que sua família morasse. José viveu muitos anos até sua morte, mas nunca se esqueceu da aliança de Deus para o povo de Israel. Essa aliança foi a de que a terra de Canaã, onde morava seu pai Jacó, seria dada à Abraão e seus descendentes. Antes de sua morte, José pediu para que fosse enterrado na Terra de Canaã, pois era a Terra que Deus tinha dado a Abraão e seus descendentes por herança. O povo de Israel somente saiu do Egito na época de Moisés.









SIGNIFICADO


  • Significado: Aquele que acrescenta; descobridor das coisas ocultas.
  • Origem: Hebráico





PONTOS FORTES E EXITOS

·         Saiu com poder da escravidão para governar o Egito;
·         Ficou conhecido por sua integridade pessoal;
·         Foi um homem de sensibilidade espiritual;
·         Preparou uma nação para sobreviver a fome.







FRAQUESAS E ERROS


  • O orgulho juvenil provocou o atrito com seus irmãos



L



LIÇOES DE VIDA

  • O importante não são apenas os acontecimentos ou as circunstancias da vida, mas é atitude com relação a eles;
  • Com ajuda de Deus, qualquer situação pode ser usada para o bem, mesmo quando as pessoas desejam utilizá-la para o mal.









INFORMAÇOES ESSENCIAIS

  • Locais: Canaã e Egito;
  • Ocupações: pastor de ovelhas, escravo prisioneiro e governador;
  • Familiares:
v      Pais: Jacó e Raquel
v      Irmãos: Rubem, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Diná (única irmã), Benjamim, Gade, Aser, Dã, Naftali.
v      Esposa: Asenate;
v      Filhos: Manasses e Efraim.








VERSICULOS - CHAVE


  • “Poderíamos, disse-lhes ele, encontrar um homem que tenha, tanto como este, o espírito de Deus?” – Gn 41,38






SUA HISTORIA É EMCONTRADA EM:



  • Gn 30-50;
  • Hb 11,22