sábado, 20 de agosto de 2011

A CRUZ DE CRISTO - 06 – A CRUZ SATISFEZ A TODOS.


Deus escolheu a cruz como modo de perdoar os pecadores e reconciliá-los com Ele. Certamente não havia outra forma de responder a todos os questionamentos da teologia, senão através da cruz. A cruz foi a resposta de Deus ao diabo, à lei, à Sua honra ofendida, á ordem  moral do mundo e ao Seu amor por nós.

Simultaneamente, Deus expressou Sua santidade sem nos consumir, e o Seu amor sem tolerar os nossos pecados, salvando-nos na cruz.

I.                    SATISFAZENDO O DIABO – "depois de ter sido entregue, segundo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de ímpios". (At 2,23).

A noção de que foi o diabo que tomou a cruz necessária é muito forte na Igreja até hoje. Os Cristãos da igreja primitiva reconheciam que desde a queda, e por causa dela, a humanidade esteve cativa não somente ao pecado e à culpa, mas também ao diabo. Pensavam nele como o senhor do pecado e da morte, e como o maior tirano de que Jesus veio nos libertar. Há três implicações deste pensamento.

Þ     Conceder ao diabo mais poder de que ele possui – É como o diabo tivesse adquirido certos direitos sobre o homem, o qual até o próprio Deus fosse obrigado a satisfazer de modo honrável.
Þ     Pensar na cruz como uma transação divina com o diabo – É como a cruz fosse o preço do resgate exigido pelo diabo, para  libertar seus cativos.
Þ     Pensar que o diabo tinha o poder de levar Jesus à cruz – Sobre nós, pecadores, o diabo tem poder da morte - "Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio," (Hb 2,14), contudo ele não mantinha autoridade nenhuma sobre Jesus, que era sem pecado e que derramou sangue inocente. Negamos que o diabo tenha sobre nós direitos que Deus seja obrigado a satisfazer. Conseqüentemente, toda nação da morte de Cristo que a relacione a uma transação com o diabo está fora de cogitação.

Para pensar - "Mas se sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as armas em que confiava, e repartirá os seus despojos". (Lc 11,22) fala sobre o valente que é vencido por aquele que é mais valente. O ultimo atacou o primeiro e o sobrepujou, através da cruz.

II.                  SATISFAZENDO A LEI – "Todo aquele que peca transgride a lei, porque o pecado é transgressão da lei". (1Jo 3,4).

Outra maneira de explicar a necessidade da cruz é a santificação que ela dá à lei. Pecado é “transgressão da lei”. Esta, uma vez quebrada, requer a punição do infrator. A lei deve, portanto, ser sustentada, sua dignidade defendida e suas justas penalidades, pagas. Assim ela é “satisfeita” - "Aliás, conforme a lei, o sangue é utilizado, para quase todas as purificações, e sem efusão de sangue não há perdão". (Hb 9,22).

Em Daniel 6,1-15, o rei Dario, relutantemente, curvou-se ao inevitável e deu ordem para que Daniel fosse atirado na cova dos leões, cumprindo uma lei que ele mesmo sancionara, caindo ingenuamente na armadilha dos sátrapas. Ali, a lei havia triunfado.  Deus não pode abolir a constituição moral das coisas que Ele mesmo estabeleceu.
A conexão de Deus com a lei não é uma relação de sujeição, mas de identidade. Em Deus, a lei é viva, reina no seu trono e é coroada com a sua gloria, pois é a expressão do seu próprio ser moral, o qual é sempre coerente.

III.                SATISFAZENDO À HONRA E À JUSTIÇA DE DEUS – "Tu, que te glorias da lei, desonras a Deus pela transgressão da lei!" (Rm 2,23).

Anselmo Cantuária define pecado como – “não dar a Deus o que lhe é devido” – a saber, a submissão de toda nossa vontade a Ele. Pecar, portanto, é tornar de Deus o que é dele, o que significa roubar dele e, assim, desonrá-lo – "O filho respeita seu pai e o servo, seu senhor. Ora, se eu sou Pai, onde estão as honras que me são devidas? E se eu sou o Senhor, onde está o temor que se me deve? - diz o Senhor dos exércitos a vós, sacerdotes, que desprezais o seu nome e dizeis: que desprezo temos tido por teu nome?" (Ml 1,6).

Se alguém imagina que Deus pode simplesmente nos perdoar do mesmo que devemos perdoar uns aos outros, ainda não considerou a seriedade do pecado – "Aliás, conforme a lei, o sangue é utilizado, para quase todas as purificações, e sem efusão de sangue não há perdão". (Hb 9,22). O pecado desonra a Deus, que tem como mais justo a honra  de  sua  própria dignidade – Rm 2,23. Se desejarmos ser perdoados, devemos pagar o que devemos. Contudo, somos incapazes de fazê-lo - "Mas ele foi castigado por nossos crimes, e esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas". (Is 53,5).

Eis porque, em Cristo Deus, e o homem se encontraram - "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade". (Jo 1,14). Jesus realizou uma obra singular, pois entregou-se à morte – não como se ele fosse devedor, visto que era sem pecado e, portanto, sem nenhuma obrigação de morrer, mas espontaneamente pela honra d Deus – Fl 2,5-8.

Na cruz, a honra de Deus, que lhe fora roubada pelo pecado do homem, foi-lhe devolvida através de Jesus - "e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus". (Cl 1,20). O pecado acarretou uma “quebra de ordem do mundo”, uma desordem tão profunda que foi necessária uma reparação ou uma restituição. A Bíblia chama isso de “expiação”.

IV.                DEUS SATISFAZENDO-SE A SI MESMO – Ez 36,21-23.

A Bíblia usa várias linguagens para acentuar que quando Deus é obrigado a julgar os pecadores, Ele o faz porque deve, se deseja permanecer  verdadeiro a si mesmo. São eles:


Þ     A linguagem da provocação.
Deus descreve-se como provocado à ira por causa da idolatria de Israel – Dt 32,16.21; Jz 2,12; Sl 78,58 – A linguagem da provocação exprime a reação inevitável da natureza perfeita de Deus ao mal.


Þ     A linguagem do ardor.

Essa palavra é aplicada a Deus, cuja ira se acende sempre que vê seu povo quebrando sua aliança - "Os israelitas cometeram uma infidelidade a respeito do interdito. Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zara, da tribo de Judá, reteve para si algumas coisas condenadas, e a cólera do Senhor inflamou-se contra os israelitas". (Js 7,1). De fato, é precisamente quando é provocado à ira que se diz que Ele se queima com ela - "porque eles me abandonaram e queimaram incenso a deuses estrangeiros, irritando-me com a sua conduta; minha indignação inflamou-se contra essa terra, e não se extinguirá mais". (2Rs 22,17).

No calor seco da Palestina o fogo acende-se facilmente. O mesmo acontecia com a ira de Deus por causa do mal do seu povo. Se era fácil acender um fogo durante a estação seca da Palestina, era difícil ,apagá-lo. O mesmo acontecia com a ira divina - "porque eles me abandonaram e ofereceram incenso aos deuses falsos, irritando-me com todas as suas maneiras de agir; meu furor inflamar-se-á contra este lugar, sem que se possa jamais extingui-lo". (2Cr 34,25).

Þ     A linguagem da auto-satisfação.

Em - "Agora depressa derramarei o meu furor sobre ti, e cumprirei a minha ira contra ti, e te julgarei conforme os teus caminhos; e te punirei por todas as tuas abominações.". (Ez 7,8) – a palavra “derramar” vem do termo hebraico kalá que significa – satisfazer, realizar, completar a sua ira contra Judá. A ira de Deus só cessa quando é cumprida - "Caf. O Senhor saciou o seu furor, e derramou o ardor de sua cólera, acendendo um fogo em Sião que a devorou até os alicerces". (Lm 4,11).

Resumindo – Deus é provocado à ira zelosa pelo pecado de seu povo. Uma vez acesa, sua ira “arde” e  não pode ser facilmente apagada. Inevitavelmente, ele a satisfaz exercendo o seu juízo.

V.                  O SANTO AMOR DE DEUS – Os 11,1-9.

O que tudo isso tem a ver com a expiação? Apenas que modo que Deus escolhe para perdoar os pecadores e reconciliá-los consegue mesmo, é, acima de tudo, coerente com seu próprio caráter, não é somente que deve subverter e desarmar o diabo, a fim de resgatar os seus cativos. Nem é somente que  ele deve satisfazer à sua lei, à sua honra, à sua justiça ou â ordem moral. É que deve satisfazer a si mesmo.

No capitulo 11 de Oséias, Deus mostra o seu grande amor por Israel.

·         "Israel era ainda criança, e já eu o amava, e do Egito chamei meu filho". (Os 11,1) – Ele se refere Israel como seu filho;
·         "Eu, entretanto, ensinava Efraim a andar, tomava-o nos meus braços, mas não compreenderam que eu cuidava deles". (Os 11,3). – A quem ensinou a andar, tomando-o nos braços;
·           "Segurava-os com laços humanos, com laços de amor; fui para eles como o que tira da boca uma rédea, e lhes dei alimento". (Os 11,4) – inclinando-se para alimentá-lo.

Contudo, seu filho Israel provou ser um desgarrado e não reconheceu o seu terno amor de pai – “Ele voltará para o Egito e o assírio será seu rei, porque não quiseram voltar-se para mim. A espada devastará suas cidades, destruirá seus filhos, que colherão assim o fruto de suas obras. Meu povo é inclinado a separar-se de mim, convidam-no a subir para o Altíssimo, mas ninguém procura elevar-se.” (Os 11,5-7). Conseqüentemente, merecia ser punido . Mas o que Deus fez? “Como poderia eu abandonar-te, ó Efraim, ou trair-te, ó Israel? Como poderia eu tratar-te como Adama, ou tornar-te como Seboim? Meu coração se revolve dentro de mim, eu me comovo de dó e compaixão. Não darei curso ao ardor de minha cólera, já não destruirei Efraim, porque sou Deus e não um homem, sou o Santo no meio de ti, e não gosto de destruir. (Os 11,8-9).

CONCLUINDO

O madeiro sobre o qual Jesus foi posto para ser crucificado representa para a Igreja muito mais do que uma simples estaca. A cruz é o melhor símbolo escolhido por Deus para representar o seu amor pelos perdidos e para satisfazer a tudo e a todos.

·         A cruz responde a todos os questionamentos a respeito de Deus e da salvação;
·         O diabo não tem sobre nós direitos que Deus seja obrigado a satisfazer.
·         A conexão de Deus com a lei não é uma relação  de sujeição, mas de identidade.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MARIA DE NAZARÉ


MARIA DE NAZARÉ

Maria de Nazaré, filha de Joaquim (ou Eli) e Ana, nasceu na cidade de Nazaré, próximo ao mar mediterrâneo na Galiléia, norte da Palestina.

Nazaré era uma pequena cidade, situada na Baixa Galiléia. As construções eram das melhores da época, por serem nelas usadas pedras calcárias e hábeis canteiros trabalhavam as formas, de acordo com o desejo do futuro morador. As principais plantações eram figueiras e oliveiras. Também o trigo era cultivado com abundância na baixada nazarena. As flores quase naturais dos campos e rebanhos de cabras e carneiros.
Desde menina, Maria apresentou uma característica que a marcou por toda a vida: sua espontaneidade. Sempre dava sua opinião de forma direta e objetiva, não importando a quem. Sempre branda, porém direta e objetiva.
Filha dedicada respeitava os pais e nunca foi motivo de preocupação além das normais, é claro.
Maria casou-se com José - o Carpinteiro. Homem trabalhador e justo, havia tornado-se viúvo de Débora e tinha seis filhos de seu primeiro casamento – Tiago, José, Judas, Simão e duas filhas.
Quando os evangelistas se referem a Jesus, nos seus Evangelhos, eles deixam patenteada a sua condição de filho de Maria e José, como um fato concreto e indiscutível na época, e sem qualquer alusão ao Espírito Santo. O evangelista Marcos é muito claro, quando diz: “Olha, tua mãe, teus irmãos e irmãs estão lá fora à tua procura” (Marcos, 3,32). O evangelista João também o confirma no seguinte: “Depois disto, vieram para Cafarnaum; ele e sua mãe, seus irmãos e seus discípulos” (João, 2,12). Mateus, apesar de responsável pela idéia de Jesus descender do Espírito Santo, também alude à exata filiação de Jesus no seu evangelho, explicando “Porventura não é este o filho do carpinteiro, não se chama sua mãe Maria e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? (Mateus, 13,55). E acrescenta, no versículo 56: “E tuas irmãs, não vivem entre nós?”
Maria adotou os filhos de José como seus e construiu com eles um lar onde prevalecia o amor e o respeito, pois, eles também a adotaram como mãe.
Maria acompanhou Jesus de perto durante toda sua vida. Aliás, se todos os filhos de hoje respeitassem seus pais como Jesus respeitou José e Maria, saberíamos como é uma verdadeira família. Maria teve em José o companheiro de todas as horas e necessidades. Quando teve que fugir para o Egito com Jesus ainda pequeno, foi José que conduziu, a pé, o animal que a levava. Sabiam José e Maria, da missão de seu filho e apoiavam como podiam para que ela se concretizasse.







SIGNIFICADO


  • Origem – Hebraico;
  • Significado – Senhora soberana




PONTOS FORTES E EXITOS

  • Foi à mãe de Jesus;
  • Estava à disposição de Deus;
  • Conhecia e aplicava as verdades do Antigo Testamento;






FRAQUESAS E ERROS



  • Não houve.






LIÇOES DE VIDA

  • Os melhores servos de Deus são pessoas comuns, que se colocam prontamente à disposição dEle;
  • Os planos de Deus envolvem acontecimentos extraordinários na vida de pessoas comuns;
  • O caráter de uma pessoa é revelado por sua resposta a situações e a acontecimentos inesperados.








INFORMAÇOES ESSENCIAIS

  • Locais – Nazaré, Belém;
  • Ocupação – dona de casa;
  • Familiares:
v      Marido – José
v      Filhos – Tiago, José, Judas, Simão e duas mulheres do primeiro casamento de José e Jesus;
v      Parentes:
Ø      Zacarias, Isabel e João o Batista
Ø      Alfeu (irmão de José), Maria, Tiago (o menor) e José;
Ø      Zebedeu, Salomé (irmã de Maria), João o Evangelista e Tiago (comparar Jo 19,25 com Mt 27,56; Mc 15,40.







VERSICULOS - CHAVE


  • “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.” Lc 1,38


A história de Maria é contada nos Evangelhos. A mãe de Jesus foi mencionada em At 1,14.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

ASSUNÇAO DE MARIA (MAE DO MEU SENHOR – Lc 1,43).

Ap 11,19; 12,1-18


Ap 11,19 –

“19. Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva.”

Ap 12,1-6.10 –

“1. Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. 2. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. 3. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. 4. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. 5. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. 6. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. 10. Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus.”

COMENTÁRIO


Ap 11,19.

MARIA É A ARCA VIVA NO NOVO TESTAMENTO

  • Na Arca continha 03 (três) objetos: “Aí estava o altar de ouro para os perfumes, e a Arca da Aliança coberta de ouro por todos os lados; dentro dela, a urna de ouro contendo o maná, a vara de Aarão que floresceu e as tábuas da aliança”; (Hb 9,4). Estes objetos representam simbolicamente a Trindade Santa (PAI – FILHO – ESPIRITO SANTO).
  • Maria ficou grávida do ES (Lc 1,26-35). Carregou dentro do teu ventre por 9 (nove) meses o filho de Deus.
  • Davi ao entrar na cidade ele: “saltava e dançava diante do Senhor” (2º. Sm 6,16).
  • Maria foi à casa de sua prima Izabel. “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, saltou a criancinha no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo”, (Lc 1,41).
  • A Arca ficou por 3 (três) meses na casa Obed-Edom de Get (2º. Sm 6,11);
  • Maria ficou na casa da sua prima Izabel por três meses (Lc 1,56).
  • A arca não podia ser tocada (2º. Sm 6,6-7)
  • Conforme Is 7,14 – “Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”;
  • Maria é esta virgem intocável na qual Deus achou graça e o ES a engravidou conforme Lc 1,30 - 35

Comparando as passagens do Antigo e o Novo Testamento não há duvidas de que Maria foi a Arca do Concerto no Novo Testamento. E ela se encontra no céu junto com a Santíssima Trindade.

Ap 12,1-6.10.

V 1 – Maria apareceu em Fátima no dia 13 de maio de 1917 para três pastorzinhos: Lúcia, Jacina e Francisco que tinham levado suas ovelhas para pastar numa depressão coberta de azinheiros e de oliveiras, que os habitantes do lugar conheciam por “Cova da Iria”. A virgem pediu aos meninos que voltassem ali no dia treze de cada mês, durante seis meses consecutivos. A mensagem que Nossa Senhora foi dando ao longo destes meses, era uma mensagem de penitência pelos pecados cometidos diariamente; a recitação do terço, por essa mesma intenção; e a consagração do mundo ao seu “Imaculado Coração”. Em cada aparição, a Doce Senhora insistiu na recitação do terço, e ensinou aos videntes uma oração para que a repetissem muitas vezes, oferecendo à Deus as suas obras, e em especial, pequenas mortificações e sacrifícios. Eis a oração: “Oh, Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno e levai as almas todas para o céu, principalmente aquelas que mais precisam. Por teu amor, pela conversão dos pecadores e em reparação às ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria”.

Em agosto, a Virgem prometeu um sinal público visível por todos, como prova da veracidade dessas mensagens, e no dia 13 de outubro aconteceu o chamado “prodígio do sol” (Ap.12.1a ”E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do [sol],”). Milhares de peregrinos presentes na Cova de Iria foram testemunhas desse fato extraordinário, que chegou a ser visto por pessoas que estavam a muitos quilômetros do lugar. Nossa Senhora declarou aos meninos que era a “Virgem do Rosário”. Também lhes disse: “É preciso que os homens se emendem, que peçam perdão dos seus pecados e não ofendam mais a Nosso Senhor, que é muito ofendido”.

Palavras de Nossa Senhora em Fátima:

“Não existe problema de ordem material ou espiritual, nacional ou internacional, que a reza do terço não possa resolver”

Maria apareceu também em Medjugorje. Desde 24 de junho de 1981, Nossa Senhora vem aparecendo diariamente em Medjugorje. Ela se apresenta como Rainha da Paz e faz ao mundo um último apelo à conversão, através de seis jovens: Iakov, Ivanka, Ivan, Marija, Mirjana e Vicka, Há mais dois jovens, Jelena e Mariana, que vêem e ouvem a Virgem com o coração, quando estão em oração profunda (locução interior). São as mais longas e mais intensas aparições de nossa história, e Nossa Senhora diz que são as últimas.

A Virgem Maria aparece como uma lindíssima jovem. Sua voz é harmoniosa, parece uma canção; tem cabelos longos e escuros, olhos azuis e faces rosadas. Usa normalmente um vestido de cor cinza (lua) e véu branco (sol). Sobre a cabeça, uma coroa de 12 estrelas (representando aqui as 12 tribos A.T. - Mt.19.28 “Ao que lhe disse Jesus: Em verdade vos digo a vós que me seguistes, que na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também vós sobre doze tronos, para julgar as [doze tribos] de Israel” e no N.T. os doze apóstolos.). Seu aspecto é humano, mas é divina sua beleza. (Ap. 12.1 “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça”).

V 2 – Essas dores e angústias foram às dificuldades que cercaram aquele bendito parto: a viagem desconfortável, o frio, a humilhação, a pobreza, a falta de hospedagem.

V 3 – Representa o poder político e dominador da época. As "sete cabeças" simbolizam a plenitude (o número sete significa a plenitude, a totalidade) de poder. Os "dez chifres" representam os dez governadores senatorias do Império Romano; O "diadema" sobre cada uma das cabeças refere-se à linhagem nobre de cada um dos governadores.

V 4ª – Lúcifer é expulso do paraíso por Deus e traz junto à terça parte dos anjos com ele.

V 4b – De fato, o demônio atentou contra a vida de Jesus desde seu nascimento, na pessoa do perseguidor Herodes.

V 5 – E deu à luz um filho – Qual mulher, que de fato, esteve grávida de Jesus senão Maria? (Is 7, 14 “Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel”). Muitos contestam, dizendo que esta mulher é símbolo da Igreja nascente. Mas, a Igreja nunca esteve "grávida" de Jesus Cristo. Não é a Igreja que nos gerou Cristo. Antes, foi Ele que gerou a Igreja. Foi Ele que a estabeleceu e a sustentou. – um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. (Salmo 2, 7b-9 (Tu és meu Filho, hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão. Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.). Não se refere ao nascimento de Jesus em Belém, mas sim na Paixão, quando então sairá vitorioso pela Ressurreição;

V 6 – Maria fugiu então com o filho para o deserto (Egito). Lá ficou por aproximadamente mil e duzentos e sessenta dias (três anos e meio). Ou seja, do ano 7 AC, ano do nascimento de Jesus, conforme atualmente se acredita, até março-abril do ano 4 AC, ano da morte de Herodes. Perfazendo os três anos e meio de exílio, nos quais a Sagrada Família foi sustentada pela Providência Divina.

Marco Antonio Lana – Teologia Bíblia
lanamensageiro@yahoo.com.br

domingo, 14 de agosto de 2011

JESUS EXPULSA UM DEMONIO DE UMA MENINA – Mt 15,21-28; Mc 7,24-30

21. Jesus partiu dali e retirou-se para os arredores de Tiro e Sidônia.
22. E eis que uma cananéia, originária daquela terra, gritava: Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio.
23. Jesus não lhe respondeu palavra alguma. Seus discípulos vieram a ele e lhe disseram com insistência: Despede-a, ela nos persegue com seus gritos.
24. Jesus respondeu-lhes: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.
25. Mas aquela mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: Senhor ajuda-me!
26. Jesus respondeu-lhe: Não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos. _
27. Certamente, Senhor, replicou-lhe ela; mas os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos...
28. Disse-lhe, então, Jesus: Ó mulher, grande é tua fé! Seja-te feito como desejas. E na mesma hora sua filha ficou curada.

COMENTÁRIO

V 22 – No Evangelho de Marcos (Mc7,26), a origem síro - fenícia dessa mulher foi citada, para precisar o território de sua procedência, que ficava a noroeste da Galileia, onde estavam situadas a cidade de Tiro e Sidônia. Mas Mateus a designa por cananéia, a fim de indicar sua condição de gentia. Os leitores judeus deste Evangelho entenderam imediatamente o que significava Jesus ter ajudado a essa mulher.

V 23 – Os discípulos pediram a Jesus que se livrasse da mulher cananéia, porque ela os incomodava com sua persistente petição. Eles não demonstraram qualquer compaixão ou sensibilidade diante das necessidades dela.

É possível alguém se torne tão ocupado com os assuntos espirituais a ponto de ignorar a pobreza que o rodeia. Isso pode acontecer especialmente se tivermos algum preconceito contra os necessitados ou se estes nos incomodarem. Em vez de ficar aborrecido, atente para as oportunidades que o cercam e faça um esforço para descobrir maneiras de ajudar aos outros.

V 24 – As palavras de Jesus não contradizem o fato de que mensagem de Deus é dirigida a todos (Sl 22,27; Is 56,7; Mt 28,19; Rm 15,9-12). Quando o Mestre pronunciou essas palavras estava no território dos gentios, em uma missão pertinente a este povo. em muitas outras ocasiões, Ele havia ensinado aos gentios. Assim, concluímos que Jesus apenas esclareceu àquela mulher que os judeus deveriam ser os primeiros a ter a oportunidade de aceitá-lo como Messias, porque era vontade de Deus que levassem a mensagem da salvação a todos (Gn 12,3). Jesus não estava rejeitando aquela mulher gentílica; Ele podia estar testando-lhe a fé e usando a situação como outra oportunidade para ensinar que a fé está a disposição de toas as pessoas.

V 26-28 – “Cachorrinho” era o termo que os judeus usavam para se referir aos gentios, porque consideravam que o povo pagão não valia mais que esse animal, quando se tratava de receber a bênção de Deus.

A mulher não discutiu quando a ter ou não o valor de um cão. Concordou em ser comparada com um “cachorrinho”, desde que sua filha pudesse receber a bênção de Deus. Mas Jesus não usou o termo para rebaixar aquela mulher, como fazem os judeus, e sim para mostrar-lhe que Deus não a julgava indigna de sua bênção. Jesus contrapôs a vontade divina de alcançar os gentios à dos judeus de desprezá-los. Ironicamente, muitos judeus perderam a salvação e as bênçãos divinas porque rejeitaram Jesus e muitos gentios foram salvos porque o reconheceram e aceitaram.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A CRUZ DE CRISTO - 05 – O PROBLEMA DO PERDÃO.

Por que Jesus teve de morrer na cruz para que nossos pecados fossem perdoados? Deus não poderia  nos perdoar com nós perdoamos os outros? Não é um método muito rústico e primitivo que uma pessoa tenha de morrer para que Deus nos perdoe? A resposta a estas perguntas é – A cruz de Cristo é o único fundamento sobre o qual Deus perdoa pecados. O perdão para o homem é o mais claro dos deveres; para Deus é o mais profundo dos problemas. Na cruz de Cristo há uma colisão entre a perfeição divina e a rebeldia humana. A cruz de Cristo é fundamental para que Deus nos perdoe pelos seguintes motivos.

I.                    O HOMEM É PECADOR DEMAIS.

Þ     O que quer dizer “pecar”?

Há cinco palavras no grego para descrever a palavra “pecar”.

·         Pecar é errar o alvo – hamartia.
·         Pecar é cometer iniqüidade – adikia.
·         Pecar é ser degenerado – poneria.
·         Pecar é ir alem do limite – parabasis.
·         Pecar é faltar com a lei – anomia.

Þ     O que é o “pecado”?

·         Pecado é a quebra da lei de Deus e a do nosso próprio ser - "eles mostram que o objeto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios, com os quais se acusam ou se escusam mutuamente". (Rm 2,15).
·         Pecado é a tentativa de ser independente de Deus, é a ocupação de uma posição que só a Deus pertence.
·         Pecado é uma hostilidade contra Deus - "Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode". (Rm 8,7).

As pessoas tentam tirar a palavra pecado do vocabulário comum. A Bíblia não cede em sua definição de pecado. Todo homem é pecador e está em rebeldia contra Deus - ”... com efeito, (todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus)," (Rm 3,23).

Herdamos uma natureza pecaminosa que produz toda sorte de pecado – “Porque é do interior do coração dos homens que procedem aos maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem.” (Mc 7,21.23). O pecador é escravo do pecado - "Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo". (Jo 8,34). Somente o Espírito Santo pode convencer o homem da gravidade do seu pecado – “Todavia, digo-vos a verdade, convém-vos que eu vá; pois se eu não for, o Ajudador não virá a vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei. E quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. (Jo 16,7-8).

II.                  DEUS É SANTO DEMAIS.

Þ     Deus é santíssimo.

Este é o fundamento da religião bíblica - "Pois a qual dos anjos disse alguma vez: Assenta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (Sl 109,1)?" (Hb 1,13); “Não, não é a mão do Senhor que é incapaz de salvar, nem seu ouvido demasiado surdo para ouvir, são vossos pecados que colocaram uma barreira entre vós e vosso Deus. Vossas faltas são o motivo pelo qual a Face se oculta para não vos ouvir, porque vossas mãos estão manchadas de sangue e vossos dedos de crimes; vossos lábios proferem mentira, vossa língua entretém pérfidas conversas.” (Is 59,1-3).

·         Ele não pode contemplar iniqüidade. – Ex 33,20-23; Jz 13,22.

·         Quem o contemplou ficou perplexo. – Ex 3,6; Is 6,1-5; Jó 42,5-6; Ez 1,28; Dn 10,9.

·         Os que se defrontaram com a glória de Jesus sentiram-se incomodados. – Lc 5,8; Ap 1,17.

Þ     Deus se ira.

È uma reação santa ao mal:
                       
·         Relação na deterioração moral da humanidade – Rm 1,18.

·         É como um vômito – não se tem controle (Ap. 3,15-16).

·         A santidade de Deus expõe ao pecado e a Sua ira opõe a ele.

Þ     Deus é Altíssimo.

Ele está assentado em um alto e sublima trono - "No ano da morte do rei Ozias, eu vi o Senhor sentado num trono muito elevado; as franjas de seu manto enchiam o templo". (Is 6,1). Ele é alto e exaltado, entretanto Se inclina ao clamor de um servo – “Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor.” (Sl 40,1).

Þ     Deus está distante.

A Bíblia fala que o pecado não pode achegar-se a Deus e que Ele não tolera o pecado. No Primeiro Testamento, muitos são os mandamentos para que o povo mantivesse distancia de Deus - "E Deus: “Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa". (Ex 3,5). Os que não aceitarem a Cristo terão que afastar-se dEle - "Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos". (Mt 25,41).

Þ     Deus é luz e fogo.

Deus é fogo e consumidor, ninguém pode suportar o Seu Calor e o Seu brilho - "A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam". (Jo 1,5); “Porque nosso Deus é um fogo devorador (Dt 4,24)”. (Hb 12,28b). Sem olhar para Cristo, jamais poderíamos ver a gloria de Deus.

O que aconteceria se houvesse uma colisão entre o Deus santo e o homem pecador? O homem seria aniquilado da presença de Deus.

A única maneira de Deus ter a sua justiça satisfeita é através da morte de Cristo.


CONCLUINDO

·         Se o homem é pecador demais e Deus é santo demais, como pode haver reconciliação? Somente através de Cristo, que é Deus e homem ao mesmo tempo. Ele é o único mediador - "Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem" (1Tm 2,5).
·         Só poderíamos ser aceitos por Deus se pagássemos o que devemos a Ele. Somos incapazes de fazê-lo. Jesus satisfez a justiça de Deus.
·         Nem a nossa obediência, nem as nossas boas obras podem nos reconciliar com Deus – “Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos.” (Ef 2,8-10).
·         Não há ninguém que pode trazer satisfação a não ser  o próprio Deus. Mas ninguém deve fazê-lo a não ser o homem; de outra forma o homem não oferece satisfação. Portanto é necessário que alguém que seja Deus-homem o faça. É preciso que a mesma pessoa seja perfeitamente Deus e perfeitamente homem, uma vez que ninguém  pode fazê-lo  sem ser perfeitamente Deus e homem” – Jesus é esta pessoa visto que nEle “Deus, o Verbo e o homem se encontram” (1Tm 2,5; Is 53,11; 1Cor 15,20-22).
·         "Fazei valer vossos argumentos, consultai-vos uns aos outros: quem havia predito o que se passa quem o tinha anunciado desde longa data? Não fui eu, o Senhor, e nenhum outro? Não há Deus fora de mim". (Is 45,21).

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ARAUTOS DE JESUS - 13 – ANÚNCIOS HOJE – Mt 10,5-33.

Vimos que ao longo de toda a historia da Bíblia Deus usou muitos anúncios para anunciar a vinda, a vida e a missão de seu Filho. O mesmo que Deus fez com aqueles deseja fazer conosco hoje. Os anúncios de Jesus são exemplos para nós. Pertence a nós a missão do sermos anunciantes hoje. Jesus desejava que seus discípulos fossem seus anunciadores, por isso escolheu doze e os enviou para pregar o Evangelho. Deu-lhes algumas instruções a seguir. Testemunhar de Jesus é uma obrigação de todos crentes. Jesus disse – “Portanto, quem der testemunho de mim diante dos homens, também eu darei testemunho dele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai que está nos céus.” – Mt 10,32-33 – Se seguirmos a orientações que Jesus deu aos seus discípulos, seremos bons anunciantes.

  1. A GENEROSIDADE DO ANUNCIANTE.

A primeira causa que podemos identificar nas instruções de Jesus aos discípulos é a generosidade com que devíamos proclamar as boas novas. Após dizer-lhes para onde deveriam ir, Ele insistiu – “Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. Recebestes de graça, de graça dai!” – Mt 10,7-8 – Eles deveriam esforçar ao máximo para fazer bem aos outros, porem com total abnegação, ou seja, não poderiam cobrar pelas boas ações que praticassem.

O motivo principal porque deveriam ser generosos era o fato de que haviam recebidos tudo o que tinham de graça. Era o Espírito de Deus que os capacitava a “pregar o Evangelho, curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expelir demônios”. Nada daquilo era feito por algo inerente e eles próprios. O poder não era deles e nem haviam conquistado, mas haviam recebidos tudo como um presente de Deus. Por causa disso, não fazia sentido que se orgulhassem do que haviam recebido e saíssem por ai exigindo respeito, admiração ou dinheiro.

Com relação ao dinheiro, deve ser notado que Jesus não proibiu que seus discípulos recebessem o necessário para sobreviver, pois logo argumentou – “Não leveis nem ouro, nem prata, nem dinheiro em vossos cintos, nem mochila para a viagem, nem duas túnicas, nem calçados, nem bastão; pois o operário merece o seu sustento.” – Mt 10,9-10 – O que estava expressamente proibido era o orgulho, a ostentação, a ganância ou mesmo a economia dos bens recebidos, os quais deveriam ser gastos com toda liberdade com aqueles que necessitam.

Essa generosidade é uma marca do verdadeiro anunciante de Jesus. Como anunciantes hoje é nossa função sermos generosos com este pobre mundo decaído. Há muitos por ai que nada sabem sobre as belas coisas da salvação que nós conhecemos. É uma atitude de generosidade querer compartilhar com eles as boas novas que um dia nos foram reveladas. Alem, disso, não devemos esperar recompensa dos homens. Nossa recompensa virá de Deus.

  1. A CAUTELA DO ANUNCIANTE.

Jesus advertiu seus discípulos para que prestassem muita atenção à maneira como deveriam se apresentar diante dos homens. Ele disse – “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas.” – Mt 10,16 – Seria normal pensar que Jesus quisesse tirar suas ovelhas do meio dos lobos, mas ao contrario, ele as envia para o meio dos lobos.

Não poderia ser diferentes, no meio dos lobos também a ovelhas perdidas que precisam ser resgatadas. Uma ovelha não deve querer se tornar parecida com um lobo para entrar no meio dos lobos. Ele deve manter suas características essencial de ovelha, mas deve ser cuidadosa. Esse cuidado, entretanto, não deve ser de tal forma que a impeça de realizar o obra para a qual foi enviada por isso Jesus disse que, ao mesmo tempo em que seus discípulos devem ser prudentes como as serpentes, também deveriam ser simples como as pombas. Isso sugere um equilíbrio. A prudência da serpente permite não ser importuno, calcular bem as ações, ter consciência do que está ao seu redor.  A simplicidade da pomba é a credulidade natural que os discípulos devem ter a das atitudes verdadeiramente inocentes que estes devem tomar, sem maldades e malicias.

Esse equilíbrio seria necessário porque Jesus sabia que muita perseguição viria sobre seus discípulos. Ele disse – “Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. Sereis por minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos.” Mt 10,17-18 – Com prudência, seus discípulos estariam de sobreaviso para não serem pegos de surpresa pelas dificuldades que viriam. Tal prudência, porém, não deveria impedi-los de fazer o que deviam nem permitir que agissem de forma errada. Por isso Jesus continuou – “Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós.” – Mt 10,19-20 – Eles não precisariam meter os pés pelas mãos  nas horas difíceis. Com a simplicidade das pombas, deveriam confiar em Deus, e esperassem que este falasse em seu lugar.

Esse equilíbrio é extremamente necessário nos dias de hoje para que sejamos autênticos anunciantes de Jesus. Devemos ter consciência da dificuldade de nossa missão, não podemos jamais ser pegos de surpresas e precisamos ser confiantes, crendo que Deus conduzirá de melhor maneira e que mais o glorifique.

  1. A CORAGEM DO ANUNCIANTE.

Podemos ainda destacar como característica de um anunciante de Jesus sua coragem. Jesus fez questão de dizer aos seus discípulos varias vezes – “não temais” – Mt 10,26.28.31 – Ele não disse que eles não precisavam temer porque não teriam problemas, muito pelo contrario, Ele disse – “O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o patrão. Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão. Se chamaram de Beelzebul ao pai de família, quanto mais o farão às pessoas de sua casa! – Mt 10,24-25 – O que Jesus estava querendo dizer era que o mesmo tratamento que os homens dispensaram a ele também proporcionariam a seus discípulos. Esse é o sentido da frase – “o discípulo não está acima do seu mestre” – Se não haviam tratado bem a Jesus, que era o mestre, não se poderia esperar que tratassem bem aos seus discípulos. Com isso Jesus estava claramente indicando que seus discípulos teriam muitos problemas na missão de anunciá-lo.

Isso, porém, não era motivo para temor, conforme as próprias palavras de Jesus – “Não os temais, pois; porque nada há de escondido que não venha à luz, nada de secreto que não se venha, a saber. O que vos digo na escuridão, dizei-o às claras. O que vos é dito ao ouvido, publicai-o de cima dos telhados.” – Mt 10,26-27 – A primeira razão pela qual os discípulos não deferiam era esta – as coisas não ficariam ocultas para sempre. Um dia ficará bem claro para todos quem são os maus e UEM são os discípulos de Jesus. Alem disso, a verdade não poderá permanecer para sempre encoberta. Não há o que temer, a verdade aparecerá de qualquer forma.

Em seguida Jesus acrescentou – “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo no inferno.” Mt 10,28 – O eu Jesus disse foi que o máximo que os homens poderiam fazer com os discípulos era tirar-lhes a vida mas nada poderiam fazer contra a alma dele. Deus, entretanto, é o único com poder para prejudicar tanto a alma quanto ao corpo. Um discípulo de vê ser fiel e corajoso mesmo se com isso tiver de enfrentar a morte. A morte não é o fim para um discípulo de Jesus.

Por fim Jesus arrematou – “Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós.” – Mt 10,29-31 – Esse talvez seja o argumento mais forte para os discípulos fossem corajosos e o anunciassem perante os homens, não importava qual fosse a imposição que recebessem. Nada poderiam invadir o amoroso cuidado de Deus para com eles. Se Deus cuidava até mesmo dos pardais que, para os homens não em qualquer valor, quanto mais de seus discípulos. Nada lhes aconteceria sem a expressa permissão de Deus. Portanto, não havia motivos para temer.

  1. CONCLUSAO.

Como anunciantes de Jesus hoje, devemos nos revestir da mesma generosidade, cautela e coragem recomendadas por Jesus a seus discípulos. Dessa forma seremos realmente eficazes em nossa proclamação do Evangelho. Corações generosos, almas cuidadosas, e línguas corajosas são necessários nos dias atuais. Dessa forma continuaremos a sagrada missão de anunciar de anunciar a Jesus, tomando parte na obra dos profetas e apóstolos e enviados por Deus.