sábado, 18 de agosto de 2012

DOUTRINA DO ESPIRITO SANTO - LIÇÃO 15 – OS DONS DE SINAIS.

 

 

15 – OS DONS DE SINAIS.

 

Tomemos como ilustração do que chamamos de sinal a imagem produzida pela primeira claridade da manha, que indica que está nascendo um novo dia. O crente que recebe a capacidade de Deus para exercer o dom de cura, milagres ou falar em outras línguas deve ter nestes exercícios o objetivo único de sinalizar o poder do Senhor por meio do feito a ser realizado, de que Aquele que é maior que a claridade está produzindo a luz.

 

Devemos admitir que o Senhor é soberano e pode capacitar Seus filhos para desenvolver os diversos dons apresentados nas escrituras. Entendamos que, em Sua sabedoria, ele pode também limitar ou ampliar esta capacitação em determinados locais, épocas e condições.

Lembremo-nos que nossa fé, bem como a obediência e submissão ao Senhor, precisam acompanhar o crente que possui uma destas capacidades, mediante um viver de simplicidade, visando unicamente à glória de Deus.

I.                  DOM DE CURA –   (1Cor 12,9.28).

Entendemos através de estudo bíblico que este dom é exercido para restituir ou conceder  a saúde física, emocional ou espiritual de uma pessoa, pelo poder do Senhor.

Certamente o uso deste dom contribui para exaltar a grandeza de Deus. Uma prova desta graça foi a experiência do rei Ezequias, que recebeu a cura de uma doença mortal, e teve oportunidade de viver mais quinze anos.

Existem, porém, movimentos que centralizam toda a força de sua existência na ênfase de utilizar este dom. isto limita o plano de Deus para  a sua Igreja, que tem um âmbito muito mais abrangente, e em muitas situações da abertura a heresias e formação de novas seitas.

É importante lembrar:

1. que o crente a quem Deus concede o dom de curar deverá possui o discernimento do Senhor, para que, ao ter contato com um enfermo, tenha também a orientação divina para que ore para a realização da cura;
2. que o mérito  deste feito maravilhoso deve ser exclusivamente do senhor;
3. que o uso deste dom não serve para a exaltação de um crente ou de uma igreja, mas apenas como um dos recursos oferecidos por Deus para a edificação e suprimento do seu povo.

II.               DOM DE LINGUAS – (1Cor 12,10.28.30; 14,1-40).

Consideramos que este dom é a capacidade especial concedida por Deus para falar uma língua diferente da habitual. No 2.º Testamento podemos observar que existem duas formas da prática deste dom. no dia de Pentecostes, os crentes se expressaram em outras línguas, que eram idiomas falados por povos que estavam em Jerusalém párea a festa dos judeus. Já na cidade de Corinto, vemos que os crentes com este dom falavam em línguas estranhas, que nos parece que não eram conhecidas por nenhum povo ou tribo no mundo. Por esta razão, neste segundo caso, Paulo exorta para que houvesse um interprete.

No ensino do apostolo, ele classifica este dom como inferior a outros que contribuem para a edificação da Igreja – “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.” (1Cor 12,28). Ensina também que seu uso deve ser acompanhado por um interprete, em um culto público, limitado a três pessoas – “Se alguém falar em língua, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e cada um por sua vez, e haja um que interprete.” (1Cor 14,27).

Não encontramos nenhuma afirmação direta de que o dom de línguas seja um sinal do batismo no Espírito Santo. Paulo, escrevendo aos romanos – “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo Jesus há de vivificar também os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita.” (Rm 8,9-11) afirma que quem esta em Cristo é habitado pelo Espírito Santo. Aos efésios, ele disse aos que ouvem a palavra da verdade, o evangelho da salvação, em Cristo, que são selados com o Santo Espírito da promessa, até o resgate da sua propriedade – “no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,  qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.” (Ef 1,13-14). É o Santo Espírito do Senhor que capacita o salvo e lhe dá o privilégio de ser instrumento de Deus para promover maravilhas!


III.           DOM DE MILAGRES – (1Cor 12,10.28-29).

 

Esta também é uma capacidade especial dada pelo Senhor a alguns crentes, para realizar feitos sobrenaturais.

Observamos que nas histórias bíblicas, em varias oportunidades, crentes com uma profunda fé e submissão  ao Senhor foram instrumentos na realização de milagres.

 

Podemos ilustrar com alguns destes fatos como o de  Moisés, que usou uma vara para abrir o Mar Vermelho; Elias, que orou para cair chuva do céu, após um longo período de seca; Josué que orou para que o sol parasse; e a igreja primitiva, que  mediante um culto de oração, viu Pedro ser liberto da prisão.

 

Todos estes acontecimentos fugiram à ordem natural e, assim como observamos no dom de cura, serviram para a edificação e suprimento dos filhos de Deus.


CONCLUINDO


Concluímos esta deixando alguns questionamentos práticos para serem analisados.
  • Somos submissos e inteiramente confiantes no Senhor, para que Ele nos conceda poder para realizar sinais;
  • Temos considerado as determinações bíblicas que devem acompanhar exercícios dos dons de sinais? Ou vemos na nossa experiência algo superior ao ensino bíblico?
  • Reconhecemos que os dons de sinais, assim como os demais dons, visam exaltar o nome do Senhor? Reconhecemos, como João Batista, que Ele deve crescer e nós diminuirmos?
Marco Antonio Lana

LITURGIA DIARIA

 
Leitura (Apocalipse 11,19;12,1.3-6.10)
Leitura do livro do Apocalipse.
11 19 Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva. 12 1 Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. 3 Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. 4 Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. 5 Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. 6 A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias. 10 Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus.
Palavra do Senhor.


SALMOS 45

1 O meu coração trasborda de boas palavras; dirijo os meus versos ao rei; a minha língua é qual pena de um hábil escriba. 2 Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; a graça se derramou nos teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre. 3 Cinge a tua espada à coxa, ó valente, na tua glória e majestade. 4 E em tua majestade cavalga vitoriosamente pela causa da verdade, da mansidão e da justiça, e a tua destra te ensina coisas terríveis. 5 As tuas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei; os povos caem debaixo de ti. 6 O teu trono, ó Deus, subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. 7 Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros. 8 Todas as tuas vestes cheiram a mirra a aloés e a cássia; dos palácios de marfim os instrumentos de cordas e te alegram. 9 Filhas de reis estão entre as tuas ilustres donzelas; à tua mão direita está a rainha, ornada de ouro de Ofir. 10 Ouve, filha, e olha, e inclina teus ouvidos; esquece-te do teu povo e da casa de teu pai. 11 Então o rei se afeiçoará à tua formosura. Ele é teu senhor, presta-lhe, pois, homenagem. 12 A filha de Tiro estará ali com presentes; os ricos do povo suplicarão o teu favor. 13 A filha do rei está esplendente lá dentro do palácio; as suas vestes são entretecidas de ouro. 14 Em vestidos de cores brilhantes será conduzida ao rei; as virgens, suas companheiras que a seguem, serão trazidas à tua presença. 15 Com alegria e regozijo serão trazidas; elas entrarão no palácio do rei. 16 Em lugar de teus pais estarão teus filhos; tu os farás príncipes sobre toda a terra. 17 Farei lembrado o teu nome de geração em geração; pelo que os povos te louvarão eternamente.

Leitura (1 Coríntios 15,20-27)
Leitura da primeira carta de são Paulo aos Coríntios.

Irmãos, 15 20 Cristo ressuscitou dentre os mortos, como primícias dos que morreram! 21 Com efeito, se por um homem veio a morte, por um homem vem a ressurreição dos mortos. 22 Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão. 23 Cada qual, porém, em sua ordem: como primícias, Cristo; em seguida, os que forem de Cristo, na ocasião de sua vinda. 24 Depois, virá o fim, quando entregar o Reino a Deus, ao Pai, depois de haver destruído todo principado, toda potestade e toda dominação. 25 Porque é necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. 26 O último inimigo a derrotar será a morte, porque Deus sujeitou tudo debaixo dos seus pés. 27 Mas, quando ele disser que tudo lhe está sujeito, claro é que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.

Palavra do Senhor.

Evangelho (Lucas 1,39-56)
Aleluia, aleluia, aleluia.

Maria é elevada ao céu, alegram-se os coros dos anjos.
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

39 Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. 40 Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. 41 Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42 E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43 Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? 44 Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. 45 Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!” 46 E Maria disse: “Minha alma glorifica ao Senhor, 47 meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, 48 porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, 49 porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. 50 Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. 51 Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. 52 Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. 53 Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. 54 Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, 55 conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. 56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa”.
Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
A GLORIFICAÇÃO DE MARIA

A festa da assunção de Nossa Senhora leva-nos a repensar todo o seu peregrinar neste nosso mundo, pois se trata de celebrar o desfecho de sua caminhada. O fim da existência terrena de Maria consistiu na plenificação de todos os seus anseios de mulher de fé e disponível para servir. A expressão “repleta de graça”, dita pelo anjo, encontrou sua expressão consumada na exaltação dela junto de Deus.

A estreita conexão entre a existência terrena de Maria e a sua sorte eterna foi percebida desde cedo pela comunidade cristã, apesar de a Bíblia não contar os detalhes de sua vida e de sua morte. A comunidade deu-se conta de que Deus assumiu e transformou toda a sua história, suas ações e seu corpo.

O relato evangélico é um pequeno retrato de Maria. Sua condição de mãe do Messias, o “Senhor” esperado pelo povo, proveio da profunda comunhão com Deus e da disponibilidade total em fazer-se sua servidora. Expressou sua fé no canto de louvor – o Magnificat –, no qual proclamou as maravilhas do Deus e as grandezas de seus feitos em favor dos fracos e pequeninos.

A comunhão com Deus desdobrava-se, na vida de Maria, na sua disponibilidade a servir o próximo. A ajuda prestada à prima Isabel é uma pequena amostra do que era a Mãe de Deus no seu dia-a-dia.

Assunta ao céu, Maria experimentou, em plenitude, a comunhão vivida na Terra.

Oração
Pai, conduze-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora, cuja vida se consumou, sendo exaltada por ti. Que, como Maria, eu saiba me preparar para a comunhão plena contigo.

domingo, 12 de agosto de 2012

DOUTRINA DO ESPIRITO SANTO - LIÇÃO 14 – OUTROS DONS DE SERVIÇO.




Você conhece a famosa expressão “20 por 80?” É aquela que afirma que 20% das pessoas fazem 80% do trabalho na igreja. Muitos dos que trabalham tão arduamente na igreja estão ou tem grandes possibilidades de ficar estressados enquanto os que nada fazem estão atrofiados. Em outras palavras, o Corpo de Cristo está doente. Mas o propósito de Deus é que haja saúde mediante uma distribuição igualitária das funções eclesiásticas – “Pois digo isto não para que haja alívio para outros e aperto para vós.” (2Cor 8,13). Embora neste texto Paulo esteja falando sobre contribuição financeira, o conceito aplica perfeitamente à questão dos dons, que é a receita bíblica para a plena restauração da Igreja.

Através deste capítulo, você pode ajudar a sua igreja local, tornando-se um membro saudável, útil, e, auxiliando outros a fazerem o mesmo.

I.            O DOM DE SABEDORIA – (1Cor 12,8a).

Champlin menciona que aqui é focalizada a habilidade de compreender e de transmitir as coisas mais profundas do Espírito de Deus – “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11,33). O próprio Deus dá sabedoria do alto, pura, cheia de misericórdia, imparcial, a qual se traduz em mansidão e condigno proceder através das obras humanas “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada.” (Tg 1,5).

O dom de sabedoria se manifesta em três circunstancias especiais.

  1. Em situação de dificuldades – “...e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava.” (At. 6,10);
  2. Em questões de divisões na igreja – “Para vos envergonhar o digo. Será que não há entre vós sequer um sábio, que possa julgar entre seus irmãos?” (1Cor 6,5);
  3. Em atitude prática do dia a dia – “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom procedimento as suas obras em mansidão de sabedoria.” (Tg 3,13).

Apesar de nem todos os crentes terem este dom, Deus promete sabedoria abundante para cada um de Seus filhos que Lhe pedir – “Ora, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não censura, e ser-lhe-á dada.” (Tg 1,5). Peçamos então e sejamos contados entre os sábios.

II.          O DOM DE CONHECIMENTO – (1Cor 12,8).

Segundo David Kornfield, “aquele que recebeu a palavra do conhecimento – “...a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência.” (1Cor 12,8b) é alguém que tem informações dadas por Deus para situações específicas que de outra forma não seriam conhecidas”. Este dom é conhecido num contexto de intimidade com Deus – “O conselho do Senhor é para aqueles que o temem, e ele lhes faz saber o seu pacto.” (Sl 25,14), que guarda todos os tesouros do conhecimento – “...no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” (Cl 2,3).

Este parece ser o principal dom dos mestres. Envolve a compreensão e a transmissão do conhecimento da Palavra de Deus, e pode ser desenvolvido sempre mediante a ajuda divina, seja pelo estudo ou diretamente por iluminação do Senhor – “...as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.” (1Cor 2,13).

Nossas igrejas precisam de mais pessoas com este dom para ajudar nas Pastorais.

III.        O DOM DA FÉ – (1Cor 12,9).

Embora a fé salvadora, aquela que nos torna juntos – “Justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo,” (Rm 5,1), seja também um dom de Deus – “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus.” (Ef 2,8). “O dom da fé se refere a uma fé miraculosa que parece vir sobre alguns servos de Deus em tempos de crise e oportunidades especiais... (capacitando-os a) triunfar sobre tudo’” - Donald Gee.

Deve ser este tipo de fé que estava na mente de Jesus quando exorta Seus discípulos em Mc 11,22 – “Respondeu-lhes Jesus: Tende fé em Deus.” – e Mt 17,20 – “Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há de passar; e nada vos será impossível.” -  bem como na vida dos heróis da fé citado em Hb 11,4-38, de Pedro e João em At 3,1-8, de Paulo em At 27,21-26 e em outras passagens bíblicas. A fé é necessária para o exercício de todos os dons espirituais. Se não tivermos fé, não nos será possível “agradar a Deus” – “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus.” (Hb11,6a).

IV.         O DOM DE DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS – (1Cor 12,10).

Segundo Kornfield, este dom capacita o crente a perceber e distinguir entre espíritos bons (anjos ou o Espírito Santo), espíritos maus (demônios) e espíritos humanos.
No 2.º Testamento, vemos as seguintes aplicações deste dom.

  1. Identificação de espírito demoníaco disfarçado – “Ora, aconteceu que quando íamos ao lugar de oração, nos veio ao encontro uma jovem que tinha um espírito adivinhador, e que, adivinhando, dava grande lucro a seus senhores. Ela, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: São servos do Deus Altíssimo estes homens que vos anunciam um caminho de salvação. E fazia isto por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Eu te ordeno em nome de Jesus Cristo que saias dela. E na mesma hora saiu.”  (At 16,16-18);
  2. Identificação dos verdadeiros profetas – “Todavia na igreja eu antes quero falar cinco palavras com o meu entendimento, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua.” (1Cor 14,29).
  3. identificação de falsas doutrinas – “Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.” (1Jo 4,1).
  4. exemplos de Jesus – “...e não necessitava de que alguém lhe desse testemunho do homem, pois bem sabia o que havia no homem.”(Jo 2,25) e Pedro – “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno?” (At 5,3).

Em qualquer igreja local, onde os crentes se exercitam na prática dos dons espirituais (e isso deve acontecer em todas), deve estar em funcionamento o dom de discernimento de espíritos, que visa conservar o altar de Deus livre de fogo estranho – “Ora, Nadabe, e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário e, pondo neles fogo e sobre ele deitando incenso, ofereceram fogo estranho perante o Senhor, o que ele não lhes ordenara.” (Lv 10,1).

V.           O DOM DE MINISTÉRIO – (Rm 12,7).

A definição do dom de ministério não está muito clara nas Escrituras, mas parece que significa ajudar os outros em tudo que é necessário, para que certas tarefas sejam feitas para Deus. Alguns estudiosos pensam que aqui está em foco o ofício específico dos diáconos. Porem, apesar de estar naturalmente incluído, as funções aludidas neste versículo parecem ser muito mais amplas que aquelas que cabem aos diáconos. Pois o dom de ministério se aplica tanto ao serviço espiritual (At 6,1-4). Pessoas com este dom apóiam, servem, auxiliam e estimulam os irmãos que atuam em outras áreas, dando-lhes todo o apoio necessário para que o ministério da Igreja seja excelente.

VI.         O DOM DE GOVERNO – (Rm 12,8; 1Cor 12,28).

Este dom envolve capacidade administrativa para presidir, decidir, gerenciar e executar projetos cristãos. De acordo com Champlin, é bem provável que os assuntos relacionados como os negócios da igreja, auxilio aos necessitados, além da conduta da adoração pública, caibam nos “governos”, pois as pessoas assim dotadas sabem o que fazer e como fazê-lo,  mantendo deste modo o funcionamento ordeiro da igreja local. Em primeiro lugar, trata-se de um dom, e somente em seguida é que envolve um “ofício”. Por essa razão é que existem Diáconos, Padres, Bispos, Arcebispos e o Papa. Fica claro que este dom é imprescindível para todos, bem como os membros e até os coordenadores das pastorais e ministérios, porem não como dominadores, mas modelos – “...nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho.” (1Pd 5,3).

VII.      O DOM DE EXORTAÇÃO – (Rm 12,8).

A palavra exortação aqui tem uma riqueza de significados que vai desde encorajar até confortar, conciliar e consolar. Este dom pode ser exercido de forma pública – “E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, confirmando as almas dos discípulos, exortando-os a perseverarem na fé, dizendo que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus.” (At 14,21-22); à distancia, através de cartas – “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12,1-2); e nos bastidores, através do aconselhamento, “ou demonstrando amor aos solitários e trazendo novas forças a quem está desanimado, Barnabé, o filho da consolação, evidentemente tinha esse dom e decerto valeu-se dele para fazer amizade com Saulo de Tarso, conforme relato de At 4,36 – “Então José, cognominado pelos apóstolos Barnabé (que quer dizer, filho de consolação), levita, natural de Chipre.” – e At 9,26-27 – “Tendo Saulo chegado a Jerusalém, procurava juntar-se aos discípulos; mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo. Então Barnabé, tomando-o consigo, o levou aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira o Senhor e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus.” (John Stott)”.

Este é um dom, às vezes, mal compreendido, Palavras duras são ditas em nome desse dom; quando na verdade, exortar é tudo aquilo que o Espírito Santo faz conosco para nos conservar em santidade – “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Ajudador, para que fique convosco para sempre. Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito.” (Jo 14,16.26).

VIII.    O DOM DE CONTRIBUIÇÃO – (Rm 12,8).

Essa idéia permeia toda Bíblia, dede a pratica do dízimo –“E aqui certamente recebem dízimos homens que morrem; ali, porém, os recebe aquele de quem se testifica que vive.” (Hb 7,8), as ofertas especiais  para a construção do Tabernáculo (Ex 36,2-7) e do Templo (1Cor 29,10-17), na forma de doações liberais, como a da viúva pobre (Lc 21,1-4), dos cristãos primitivos (At 4,32-37), e das diversas igrejas (2Cor 8,1-5; Fp 4,14-18). Duas observações finais  devem ser feitas, para evitar fugas estratégicas de nossos compromissos para com Deus e o seu reino – “Honra ao Senhor com os teus bens, e com as primícias de toda a tua renda.” (Pr 3,9); “Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6,33).
  1. Se você é um cristão que possui muitos recursos financeiros, Deus pode ter-lhe dado essa riquezas juntamente com o dom da contribuição. Você já considerou isso? Então comece com o dízimo!
  2. Se você é um cristão de poucos recursos financeiros, precisa se lembrar que isto não é isenta de uma vida de contribuição liberal. Administre tudo como um bom mordomo de Deus. E comece também com o dízimo.

IX.         O DOM DE SOCORROS – (Rm 12,8; 1Cor 12,28).

Esse dom refere-se àquela habilidade doada pelo Espírito Santo de Deus que capacita o crente a sentir a dor do outro como se fosse sua – “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, sem o saberem, hospedaram anjos.” (Hb 13,2), levando-o a providenciar de forma prática e jubilosa, o alivio e a solução do problema – “Pois não só vos compadecestes dos que estavam nas prisões, mas também com gozo aceitastes a espoliação dos vossos bens, sabendo que vós tendes uma possessão melhor e permanente.” (Hb 10,34).

É claro que nem todos os crentes terão a mesma “dose de misericórdia” daqueles que foram dotados especialmente com este dom. Mas a Bíblia está cheia de exortações no sentido de que em nossos relacionamentos sejamos cheios de misericórdia assim como é o nosso Deus. E Jesus nos afirmou que são “bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançaram misericórdia” (Mt 5,7).

CONCLUINDO.

Deu para perceber que do ponto de vista das provisões de Deus (através dos dons), a Igreja Cristã é completa – “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo.” (Ef 4,13). Porém, na prática, nós ainda identificamos muitas deficiências. E quando procuramos as respostas, percebemos que o problema é que muitos cristãos em particular, e a igreja em geral, descartam a doutrina bíblica dos dons, por considerarem perigosa ou desnecessária. Por isso, sugiro que aqueles que têm abandonado os princípios bíblicos que orientam os dons voltem-se para eles, e aqueles que trem desprezado os dons reexaminem a Palavra de Deus e voltem a praticá-los, pois o contrário seremos encontrados lutando contra Deus e Seus planos para a Igreja e para o mundo – “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres, tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo.” (Ef 4,11-12). E quem tentar fazer isso já perdeu a guerra, porque nosso Deus é invencível – “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.” (Jó 42,2).

Marco Antonio Lana

domingo, 5 de agosto de 2012

DOUTRINA DO ESPIRITO SANTO - LIÇÃO 13 – OS DONS DE MINISTÉRIO.

 

 

Há muitos anos, ouvi uma historinha, para crianças, sobre dois patinhos que por engano, nasceram e foram criados com uma galinha. Como era de se esperar, tanto eles como sua mãe adotiva eram frustrados e isso acabava entristecendo toda a família. Por mais que todos se esforçassem eles estavam sempre infelizes, porque nasceram patos, mas estavam sendo educados como frangos.


Mas um belo dia enquanto passeavam em volta de um lago, resolveram entrar e então, com muito entusiasmo exclamaram: “Que bom! Que bom! Descobrimos, foi pra isso que gente nasceu; é por isso que nossas patinhas são assim como leques. Que gostoso!”.

Assim também aconteceu conosco. O nosso Deus nos criou em Cristo Jesus com certas capacidades (dons) que quando exercitadas adequadamente trarão alegrias para Deus,  para outros e para nós mesmos – “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.” (Sl 40,8). Queremos ajuda-lo a compreender melhor seu lugar no Corpo de Cristo e os dons aqui apresentados.

I.                  O DOM DE APOSTOLO –  (Ef 4,11; 1Cor 12,28).

O termo grego aqui empregado quer dizer: alguém enviado com uma missão. Segundo o Dr. John Stott, tem três significados principais no 2.º Testamento, a saber.
  • O cristão como enviado: Uma só vez parece que a palavra “apostolo” é aplicada a todo cristão individual, em Jo 13,16 – “Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.” Assim, todo cristão é tanto um servo como um apóstolo. O verbo apostello significa enviar, e todos os cristãos são enviados ao mundo como embaixadores e testemunhas de Cristo – “De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus.” (2Cor 5,20; “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.”(At 1,8) – para participar da missão apostólica de toda a Igreja – “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviarei ao mundo.”(Jo 17,18); “Disse-lhes, então, Jesus segunda vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.”(Jo 20,21). Este não pode ser o significado em Ef 4,11 – “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres.” – e 1Cor 12,28 – “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.” – pois neste sentido, todos os cristãos seriam apóstolos, ao passo que Paulo escreve que Cristo concedeu apenas “uns” para serem apóstolos.
  • Mensageiros enviados: A palavra é usada por Paulo pelo menos duas vezes para descrever os apóstolos das igrejas, em 2Cor 8,23 –“Quanto a Tito, ele é meu companheiro e cooperador para convosco; quanto a nossos irmãos, são mensageiros das igrejas, glória de Cristo.” – e Fp 2,25 – “Julguei, contudo, necessário enviar-vos Epafrodito, meu irmão, e cooperador, e companheiro nas lutas, e vosso enviado para me socorrer nas minhas necessidades.” – Neste caso, são mensageiros enviados por uma igreja como missionários ou com alguma outra incumbência.
  • Apóstolo de Cristo que eram testemunhas oculares do Senhor ressurreto: O dom do apostolado, tão em destaque aqui, como também em 1Cor 12,28 – “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.” – (primeiramente apóstolos), deve referir-se aos apóstolos de Cristo, um grupo muito pequeno e distintivo, que consistia nos doze, inclusive Matias, que substituiu Judas – “At 1,15-26” – Paulo, Tiago – “Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos da Dispersão, saúde.” (Tg 1,1) – Possivelmente escolhidos e autorizados por Jesus, tinham de ser testemunhas oculares do Senhor ressurreto (At 1,21.22; 10,40-41; 1Cor 9,1; 15,8-9). Deve ser neste sentido que Paulo esta usando a palavra em Efésios referindo-se a si mesmo – “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus.” (Ef 1,1) – e aos seus colegas apóstolos como tendo estabelecido os fundamentos da Igreja – “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina.” (Ef 2,20); “...o qual em outras gerações não foi manifestado aos filhos dos homens, como se revelou agora no Espírito aos seus santos apóstolos e profetas.”(Ef 3,5) – Neste sentido portanto, não há mais apóstolos; entretanto, podemos afirmar que há pessoas com ministério apostólico, que pode ser caracterizado por exercício de autoridade e liderança sobre um certo número de igrejas, serviço missionário pioneiro e implantação de igrejas.

II.               O DOM DE PROFETA – (Ef 4,11; Rm 12,6; 1Cor 12,10.28; 14,3).

No sentido bíblico primário, o profeta era um porta-voz de Deus – Jr 23,16-32 – Sua palavra deveria ser obedecida por todos os crentes. Neste sentido, assim como no caso dos apóstolos, não há profetas hoje. Senão,teríamos de acrescentar suas palavras à Bíblia, e isso é impossível – “Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando.”(Dt 4,2).

Paulo coloca os profetas em segundo lugar, depois dos apóstolos – “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.”(1Cor 12,28), associa apóstolos e profetas como tendo estabelecido o fundamento da Igreja e recebido nova revelação da parte de Deus – “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina.”(Ef 2,20); “...o qual em outras gerações não foi manifestado aos filhos dos homens, como se revelou agora no Espírito aos seus santos apóstolos e profetas.(Ef 3,5). Já que o fundamento foi lançado e não pode ser mudado, os profetas, assim como os apóstolos não tem sucessores. Mas, segundo alguns autores, não é neste sentido restrito que esta palavra é usada em Efésios, Romanos e 1Corintos, e sugerem os seguintes significados.

  • Uma compreensão renovada da revelação bíblica.
  • Uma capacidade para ler os sinais dos tempos, denunciar os pecados sociais contemporâneos e fazer uma aplicação bíblica pertinente.
  • uma capacidade de trazer aos descrentes a convicção de seus pecados, e aos crentes, edificação, exortação e consolação – “Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação.” (1Cor 14,3); “Depois Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram os irmãos com muitas palavras e os fortaleceram.” (At 15,32).
  • “Pronunciamento profético”: Há uma posição adotada que afirma que Deus ainda levanta profetas e profetisas hoje, que falam diretamente em Seu nome e sob Sua inspiração. Neste caso, o Dr. Stott aconselha que estes chamados “pronunciamentos proféticos” nunca podem ter um valor mais do que local e limitado, que devem sempre ser cuidadosamente testados pelas Escrituras e pelo caráter conhecido  de quem fala – “Não extingais o Espírito; não desprezeis as profecias...” (1Ts 5,19-20); “E falem os profetas, dois ou três, e os outros julguem. Se alguém se considera profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor.” (1Cor 14,29.37).

A Igreja e toda a sociedade carecem de profetas de Deus que proclamem Sua Palavra no poder do Espírito e que possam dizer com autoridade: “assim diz o Senhor” e deste modo refrear a corrupção – “Onde não há profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei esse é bem-aventurado.” (Pr 29,18).

III.           O DOM DE EVANGELISTA – (Ef 4,11; 2Tm 4,5).

O termo evangelista vem de uma palavra grega que significa aquele que anuncia boas noticias. Aparece  somente três vezes no 2.º Testamento (Ef 4,11; At 21,8, a respeito de Felipe, e em 2Tm 4,5, a respeito do próprio Timóteo).

Tomando o apostolo Paulo como exemplo de evangelista, este dom parece ser assim caracterizado.

  • Compaixão especial pelos pecadores perdidos – “...e ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1Cor 9,16c).
  • Facilidade e espontaneidade na abordagem das pessoas – “At 17,22-31”.
  • Resultado extraordinários como fruto da pregação. -  “Crispo, chefe da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; e muitos dos coríntios, ouvindo, criam e eram batizados.” (At 18,8); “E muitos dos que haviam crido vinham, confessando e revelando os seus feitos. Muitos também dos que tinham praticado artes mágicas ajuntaram os seus livros e os queimaram na presença de todos; e, calculando o valor deles, acharam que montava a cinqüenta mil moedas de prata. Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.” (At 19,18-20).

IV.             O DOM DE PASTOR – (Ef. 4,11).

O dom de pastor é caracterizado por alguém que foi capacitado por Deus a:

  • Ter um cuidado especial por vidas – “Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Hb 13,17);
  • Fazer uso de uma sabedoria pacificadora – “Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia.” (Tg 3,17);
  • Ser um ouvinte atencioso e paciente – “Sabei isto, meus amados irmãos: Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar.” (Tg 1,19);
  • Preencher as condições bíblicas para o exercício do pastorado – 1Tm 3,1-7; Tt 1,5-9; 1Pd 5,13;

Bispos e presbíteros são termos  correspondentes a pastores nestes textos citados – “De Mileto mandou a Éfeso chamar os anciãos da igreja. Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue.” (At 20,17.28) onde os três termos – pastor, bispo e presbítero – são usados para as mesmas pessoas.

No 2.º Testamento, somente aqui – “E ele deu uns como apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres,” (Ef 4,11), aparece o termo pastor de ovelhas ligado intimamente com a tradição vetero-testamentária desta palavra.

V.                O DOM DE MESTRE – (Ef 4,11; Rm 12,7; 1Cor 12,28).

Temos que reconhecer que embora todo padre deve ser um mestre, tendo o dom de ministrar a Palavra de Deus ao povo, nem todo mestre cristão é também um padre. Por isso, consideremos estes dois dons em separado.

Se observarmos atentamente, perceberemos que os cinco dons considerados no texto básico da lição têm alguma relação com o ministério de ensino; o qual também é citado em Rm 12,7 – “Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino.”; e 1Cor 12,28 – “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro mestres, depois operadores de milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas.”.

A palavra grega usada em Ef 4,11 significa instrutor. Depois que o evangelho é pregado e as pessoas são convertidas, elas precisam ser ensinadas – “E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mt 28,18-20). Ensinar é simplesmente uma capacidade de firmar na vida de cristão, o conhecimento da Palavra de Deus e a sua aplicação em seu pensar e agir, com o objetivo de que sejamos conformes à imagem de Jesus – “...até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo.” (Ef 4,13).

As varias menções no 2.º Testamento evidenciam que os cristãos primitivos priorizavam o ensino, mas para efeito de consulta quero mencionar apenas At 13,1 – “Ora, na igreja em Antioquia havia profetas e mestres, a saber: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes o tetrarca, e Saulo.” – onde os mestres aparecem como figuras de destaque na igreja de Antioquia, que, alias, é citada como modelo em vários aspectos.

Se o próprio Jesus e a Igreja primitiva deram tanto importância ao ensino da Bíblia, a Igreja dos nossos dias precisa esmerar-se nisto também, pois atualmente, devido ao grande crescimento numérico dos evangélicos e das “novidades teológicas” que vem junto, nós temos uma enorme carência de mestres da Bíblia aquecidos pelo fogo do Espírito Santo – “Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus.”

CONCLUINDO


Se você está se perguntando: “O que eu tenho a ver com isso?” sugiro três possíveis respostas.

  1. Pode ser que Deus lhe tenha dado algum destes dons ou ministérios atuais correspondentes. Neste caso, você precisa obedecer.
  2. A Bíblia nos ordena que sustentemos (em todos os sentidos) os que foram chamados para lidar a igreja. Você pode interceder – “e por mim, para que me seja dada a palavra, no abrir da minha boca, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho.”(Ef 6,19), apoiar – “Só Lucas está comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério.”  (1Tm 4,11) e contribuir financeiramente – “Todavia fizestes bem em tomar parte na minha aflição. Também vós sabeis, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo no sentido de dar e de receber, senão vós somente; porque estando eu ainda em Tessalônica, não uma só vez, mas duas, mandastes suprir-me as necessidades. Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta. Mas tenho tudo; tenho-o até em abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus.” (Fp 4,14-18).
  3. Aprenda com aqueles que Deus colocou em posição de liderança e obedeça-os: “Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos falaram a palavra de Deus, e, atentando para o êxito da sua carreira, imitai-lhes a fé. Obedecei a vossos guias, sendo-lhes submissos; porque velam por vossas almas como quem há de prestar contas delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Hb 13,7.17)

Marco Antonio Lana (Teologo)