terça-feira, 21 de novembro de 2023

Por que Deus inundou a Terra na Bíblia?

Introdução.

A história de Noé e o dilúvio é uma das mais conhecidas em toda a Bíblia. Registrada em Gênesis 6-8, esta é uma história da misericórdia e do julgamento de Deus ocorrendo ao mesmo tempo. 

 

Nesta história, Deus usou a água como instrumento de julgamento para julgar as pessoas da terra. Você já parou para se perguntar por que Deus inundou a terra? Ele poderia ter usado qualquer meio de julgamento, mas por algum motivo ele escolheu usar água, o que faz você se perguntar se há algum significado nisso?

 

Embora possa não haver uma resposta definitiva para essa pergunta, acho que existem algumas boas especulações e argumentos que você pode fazer sobre porque Deus inundou a terra.

 

Quem foi Noé? 


Noé foi um servo obediente de Deus no Antigo Testamento que encontrou o favor de Deus em meio a um mundo pecaminoso. Ele é mais conhecido por construir uma arca que preservou a si mesmo e sua família, bem como representantes de todos os animais terrestres, de um grande dilúvio que Deus desencadeou em julgamento sobre a terra.

 

Qual é o significado de Noé?

 

O nome Noé significa “descanso”. Deriva do hebraico נוח (nuah), descansar. O nome também pode significar “conforto”.

 

Pode parecer irônico porque a história de Noé não envolve nenhuma dessas coisas. Afinal, Deus inunda a terra, e isso não parece muito descanso ou conforto para seus habitantes. Mas talvez esse nome possa nos lembrar do sentimento que a família de Noé provavelmente sentiu quando finalmente as águas do dilúvio retrocederam e que Deus os confortou com um arco-íris, lembrando-os de que ele nunca mais inundaria a terra inteira.

 

Qual é a história de Noé?

 

Quando Deus viu o quão perverso e corrupto o homem se tornou, Ele se arrependeu de criá-los e decidiu destruir toda a humanidade (Gênesis 6:7). No entanto, Deus deu favor a Noé porque ele viu que ele era justo (Gênesis 6:8).

 

Deus ordenou a Noé que construísse uma arca para abrigar e preservar sua família, bem como todas as espécies masculinas e femininas de animais terrestres, de Sua punição de um dilúvio na terra (Gênesis 6:14-21).

 

A chuva caiu e as águas do dilúvio subiram ao redor da arca por 40 dias, no entanto, Noé e os outros habitantes permaneceram seguros (Gênesis 7:17-18).

 

Depois que uma pomba que Noé enviou voltou com uma folha de oliveira (Gênesis 8:11), esses únicos sobreviventes do dilúvio desembarcaram onde Deus abençoou Noé e seus filhos, encorajando-os a serem frutíferos e se multiplicarem (Gênesis 9:1). Ele também ordenou que eles não comessem carne que ainda tivesse sangue, nem derramassem o sangue vital de seus semelhantes (Gênesis 9:4-6).

 

Além disso, Deus fez uma aliança com Noé e seus filhos, prometendo nunca mais destruí-los, seus descendentes, nem quaisquer criaturas vivas por meio de um dilúvio (Gênesis 9:9-11).

 

Como um sinal de Sua aliança, Deus colocou um arco-íris nas nuvens para servir como um lembrete de Sua promessa a todas as criaturas vivas na terra (Gênesis 9:12-17).


Contexto Histórico

 

Inúmeras culturas antigas ao redor do mundo compartilham histórias de uma grande inundação da qual apenas um homem e sua família escaparam construindo uma embarcação. Os relatos mais próximos da narrativa bíblica têm origem na Mesopotâmia, a partir de textos datados de cerca de 1600 AC.

 

Noé, o protagonista da história, era neto de Matusalém, considerado a pessoa mais longeva da Bíblia, falecendo aos notáveis 969 anos no ano do dilúvio. Seu pai foi Lameque, embora o nome de sua mãe não seja especificado nas Escrituras. Noé representava a décima geração de descendentes de Adão, o primeiro ser humano na Terra.

 

Segundo as Escrituras, Noé era um fazendeiro ou lavrador (Gênesis 9:20) e teve três filhos, Sem, Cão e Jafé, quando já contava com 500 anos de vida. Notavelmente, ele sobreviveu por mais 350 anos após o dilúvio, alcançando a idade de 950 anos antes de seu falecimento.

 

O que mais a  Bíblia diz sobre Noé?

 

Noé é mencionado pela primeira vez na Bíblia quando seu pai Lameque previu a próxima destruição da terra e o papel de Noé na restauração da humanidade:

 

1- “Ele nos consolará no trabalho e no doloroso trabalho de nossas mãos causados ​​pela terra que o Senhor amaldiçoou”. - Gênesis 5:29

 

Ele teve fé inabalável e temor piedoso para construir uma arca quando Deus o advertiu sobre um dilúvio que ele ainda não tinha visto:

2- “Pela fé Noé, quando advertido sobre coisas ainda não vistas, em santo temor construiu uma arca para salvar sua família. Pela sua fé, ele condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que é segundo a fé” - Hebreus 11:7

 

Noé está entre os três homens mais justos do livro de Ezequiel, ao lado de Jó e Daniel:

 

3- “Tão certo como eu vivo, declara o Soberano Senhor, mesmo que Noé, Daniel e Jó estivessem nele, eles não poderiam salvar nem filho nem filha. Eles salvariam apenas a si mesmos por sua justiça”. - Ezequiel 14:20

 

Fatos interessantes sobre Noé

 

Noé é a décima geração descendente de Adão: Seu avô era Matusalém, que é o homem mais velho registrado na Bíblia (Gênesis 5:27). Ele viveu até os 969 anos. Alguns disseram que Matusalém morreu no dilúvio, mas provavelmente ele morreu pouco antes dos eventos acontecerem. Em ambos os casos, não temos detalhes suficientes das Escrituras para saber.

 

O próprio Noé tinha 500 anos quando teve seus filhos Jafé, Sem e Cão: Na época do dilúvio, ele tinha 600 anos (Gênesis 7:6).

 

Ao pisar em terra seca após o dilúvio, Noé construiu primeiro um altar a Deus (Gênesis 8:20): Ele plantou a primeira vinha após o dilúvio, e ele é o primeiro bêbado registrado na Bíblia (Gênesis 9:20-21).

 

Quando o filho mais novo de Noé, Cam, encontrou seu pai bêbado e nu em sua tenda, ele foi e contou a seus irmãos, em vez de cobri-lo. Por esta transgressão, Noé amaldiçoou Canaã, filho de Cam, para ser o mais humilde dos servos de seus irmãos (Gênesis 9:22-26); Após o dilúvio, Noé viveu mais 350 anos, morrendo com a idade de 950 anos.



Por que o julgamento de Deus foi necessário?

 

Ao iniciarmos esta conversa, em primeiro lugar, acho importante reconhecer porque o julgamento foi necessário. Para colocá-lo nos termos mais simples, os corações dos homens eram perversos e maus.

 

E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. 6 Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. E disse o SENHOR: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR.  Gênesis 6:5-8

 

O que vemos no texto acima é quão perverso eram os corações dos homens. Imagine um mundo onde o pensamento do coração de cada pessoa fosse mau? Talvez ainda nossos não estão assim, mas parece ser a direção que ela está indo.

 

Por causa do mal no coração dos homens, Deus trouxe o julgamento porque chegou a um ponto em que ele não podia mais permitir a continuação da condição pecaminosa. 

 

A lição séria aqui é que o pecado não dominará, pois chegará um tempo em que Deus julgará o pecado assim como o julgou nos dias de Noé.

 

Saber da condição do coração dos homens nos ajuda a entender por que Deus trouxe o julgamento, mas não responde por que Deus inundou a terra. Vamos nos aprofundar mais no assunto.

 

Água e Julgamento na Bíblia

 

No relato de Noé vemos que a água é usada como forma de julgamento. Isso não aconteceu apenas aqui, mas há outros exemplos nas escrituras em que a água foi usada como forma de julgamento.

 

O mar Vermelho 

 

Quando os israelitas atravessaram o Mar Vermelho, Deus usou as águas deste mar para destruir o exército egípcio. 

 

26 E disse o SENHOR a Moisés: Estende a tua mão sobre o mar, para que as águas tornem sobre os egípcios, sobre os seus carros e sobre os seus cavaleiros. 27 Então Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o mar retornou a sua força ao amanhecer, e os egípcios, ao fugirem, foram de encontro a ele, e o SENHOR derrubou os egípcios no meio do mar, 28 Porque as águas, tornando, cobriram os carros e os cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; nenhum deles ficou. - Êxodo 14:26-28

 

Faraó e os meninos israelitas

Deus não foi o único que usou a água como forma de julgamento. Faraó fez a mesma coisa com os meninos israelitas que nasceram no Egito. O julgamento de Deus foi por causa do pecado, enquanto o julgamento de Faraó foi resultado do medo.

 

22 Então o Faraó deu esta ordem a todo o seu povo: Todo menino hebreu que nascer, você deve jogá-lo no Nilo, mas deixe toda menina viver.  - Êxodo 1:22

 

Embora o Nilo tenha sido usado como um instrumento de julgamento, é importante reconhecer que da mesma água que trouxe julgamento, também trouxe vida, porque Moisés foi arrancado do mesmo rio Nilo.

 

Água e Criação na Bíblia

A água não era apenas uma forma de julgamento, mas também fazia parte da história da criação. Se você voltar ao relato da criação em Gênesis, observe os dois primeiros versículos.

 

“No princípio Deus criou os céus e a terra. Ora, a terra estava sem forma e vazia, as trevas cobriam o abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.” - Gênesis 1:1-2

 

A água fazia parte do processo de criação.

 

6 E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. 7 E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. 8 E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. 9 E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. 10 E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. Gênesis 1:6-10

 

De acordo com o relato de Gênesis, parece haver um tempo em que a terra estava coberta de água e disso Deus separou as águas e produziu a terra seca que era necessária para as criaturas vivas que ele logo criaria. 

 

Vendo a água em um processo criativo e em um processo de julgamento, acho que isso nos ajuda a responder à pergunta: por que Deus inundou a terra?

 

Por que Noé usou a madeira Gofer para construir a arca

 

A razão pela qual Deus enviou um dilúvio para a Terra

 

Vou dar a vocês dois pensamentos aqui sobre porque Deus inundou a terra. As respostas são julgamento e criação. Deus usou a água para julgar, purificar e limpar a terra de sua condição pecaminosa.

 

A propósito, a água como purificação não era apenas um conceito do Antigo Testamento, ela também aparece no Novo Testamento. A diferença é que o agente purificador que Deus usa no Novo Testamento é a água de sua palavra.

 

25 Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, 26 Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, 27 Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Efésios 5:25-27

 

No entanto, a água tem um propósito duplo e é aqui que a ligo à criação. Lembre-se, na criação, Deus separou as águas e chamou as águas de volta para criar limites de terra seca. Seria possível que Deus estivesse fazendo a mesma coisa com as águas do dilúvio nos dias de Noé?

 

A inundação da terra foi como dar a um artista uma tela nova para criar. Visto que Deus não estava interessado em destruir a terra, mas em recriá-la. Pode ser por isso que Deus escolheu inundar a terra. 

 

Se Deus quisesse destruir a terra completamente, ele teria usado fogo e não água. Lembre-se também que Deus tinha que preservar a vida de Noé, sua família, bem como os seres viventes que estavam na arca.

 

Ao inundar a terra, Deus poderia julgá-la e ao mesmo tempo preservar a vida. Porque Deus usou um dilúvio, a terra permaneceu intacta e quando as águas baixaram foi permitido que a vida continuasse como antes do dilúvio. 

 

E LEMBROU-SE Deus de Noé, e de todos os seres viventes, e de todo o gado que estavam com ele na arca; e Deus fez passar um vento sobre a terra, e aquietaram-se as águas. 2 Cerraram-se também as fontes do abismo e as janelas dos céus, e a chuva dos céus deteve-se. E as águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra, e ao fim de cento e cinquenta dias minguaram. Gênesis 8:1-3

 

O primeiro e o último dilúvio

 

Acho justo dizer que Deus usou o dilúvio como meio de preservação e julgamento. O dilúvio foi o primeiro a destruir a terra e será o último a destruir a terra. Deus ainda julgará o pecador e preservará o santo assim como fez com Noé, porém, escolheu nunca mais fazer isso por meio de um dilúvio.

 

8 E falou Deus a Noé e a seus filhos com ele, dizendo: 9 E eu, eis que estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós. 10 E com toda a alma vivente, que convosco está, de aves, de gado, e de todo o animal da terra convosco; com todos que saíram da arca, até todo o animal da terra. 11 E eu convosco estabeleço a minha aliança, que não será mais destruída toda a carne pelas águas do dilúvio, e que não haverá mais dilúvio, para destruir a terra. - Gênesis 9:8-11 

 

Espero que estes pensamentos sobre porque Deus usou o dilúvio lhe dê uma visão abrangente, mas mesmo que ele o tenha feito por um motivo diferente, é algo com o qual não precisamos nos preocupar novamente

Caim Era do Maligno

Caim nos mostrou o quão perverso o homem poderia ser devido ao pecado. João escreve que Caim era Maligno (1 João 3:12). Ele foi invejo e irado, não compreendeu o verdadeiro propósito do culto ao Senhor, teve sua oferta rejeitada e, por fim, assassinou o próprio irmão.

 

Ele foi a primeira pessoa a nascer na terra, depois da queda do homem. Antes dele, seus pais, foram criados pessoalmente por Deus. É interessante notarmos em seu triste exemplo de vida, como o pecado devastou a natureza original do homem. 


Caim, um seguidor de Satanás

  1. O primeiro humano a nascer: Gênesis 4 relata o nascimento dos primeiros filhos de Adão e Eva: Caim e Abel. Caim era o primogênito e foi recebido por Eva com muita alegria. Ela viu em Caim um presente de Deus para ela (Gênesis 4:1). Após Caim, Adão e Eva também tiveram Abel. Não sabemos exatamente a diferença de idade entre ambos. Alguns estudiosos acreditam na possibilidade de terem sido gêmeos, porém são apenas especulações.
  2. O agricultor: Caim seguiu a profissão de agricultor, enquanto seu irmão Abel era pastor de rebanhos. A Bíblia não fornece mais nenhum detalhe sobre isto. Não temos como saber quem foi o mais sucedido ou qualquer coisa do tipo.
  3. A apostasia de Caim: muito provavelmente Caim e Abel foram instruídos por seus pais nos mandamentos do Senhor. Muitos estudiosos consideram a possibilidade de que o sacrifício descrito em Gênesis 4:3 não tenha sido o primeiro. Porém, mesmo conhecendo a verdade, o pecado tomou conta do coração de Caim e ele seguiu o caminho da apostasia.

 

O culto de Caim

 

No capítulo 4 de Gênesis temos notícias do primeiro sacrifício à Deus descrito na Bíblia. Não sabemos se foi o primeiro da história, mas foi o primeiro descrito na Bíblia Sagrada.

 

  1. O sacrifício rejeitado: Caim trouxe como oferta ao Senhor o fruto da terra, enquanto Abel trouxe sua oferta dos primogênitos das suas ovelhas. Muitos intérpretes discutem sobre o motivo do sacrifício de Caim ter sido rejeitado por Deus. Embora existam diferentes opiniões, provavelmente a oferta de Caim foi rejeitada devido às suas atitudes erradas em relação à comunhão com Deus. O texto de Hebreus 11:4 parece concordar com essa possibilidade.
  2. A atitude interior reprovada: mesmo que existam diferentes opiniões sobre o motivo da rejeição do sacrifício de Caim, é certo que de uma forma ou de outra, sua atitude foi reprovada. O que sabemos é que Caim foi oferecer um culto ao Senhor. Porém, o que deveria ser uma adoração à Deus, para Caim foi um motivo de ira. O fato de naquele momento o semblante de Caim ter mudado e sua ira se mostrado visível, revela o reflexo de uma atitude errada diante de Deus, pelo qual resultou na rejeição de seu sacrifício.
  3. O pecado sempre presente: após a rejeição do sacrifício de Caim, a Bíblia nos mostra a primeira vez que Deus aconselhou o homem após a entrada do pecado no mundo. Deus instruiu Caim para que ele fizesse o bem e não deixasse o pecado domina-lo. Infelizmente, como sempre na história da humanidade, Caim recusou o bem proposto por Deus mostrando que nossa natureza humana foi gravemente corrompida pelo pecado. Sua atitude deixou claro que se não for por uma intervenção Divina, somos incapazes de resistirmos ao mal e escolhermos o bem.

Ele não guardou o próprio irmão

 

Caim não matou Abel por impulso. O texto bíblico mostra que foi uma ação planejada. Ele fez isto mesmo após Deus ter alertado Caim sobre sua conduta.

 

  1. O crime: a Bíblia Sagrada diz que Caim e Abel estavam no campo quando o crime ocorreu. Fora essa informação, não sabemos mais de nenhum detalhe concreto. Alguns estudiosos acreditam que Caim tenha utilizado uma pedra para cometer o crime, porém não sabemos.
  2. O álibi: mesmo Deus conhecendo todas as coisas e sabendo sobre o ocorrido, ainda assim Ele questionou Caim sobre Abel. A resposta de Caim foi uma tentativa de álibi. Ele afirmou que estava em outro lugar e nada sabia sobre Abel. O homem na loucura de seu pecado ainda acredita que é capaz de enganar a Deus.
  3. A marca do crime: como consequência do crime, Caim foi penalizado por Deus com uma marca. Ao mesmo tempo em que essa marca evidenciava sua maldição, ela também preservava a vida de Caim para que ninguém tentasse mata-lo por vingança. Embora muitos especulem, nada sabemos sobre qual foi o sinal que Deus colocou nele.

 

Conclusão

 

Caim foi o primeiro homem a mostrar nitidamente a perversidade que o pecado causou na raça humana. Ele não foi capaz de oferecer um culto verdadeiro a Deus. Ele foi tomado pela maldade e, ainda que alertado sobre suas atitudes pelo próprio Deus, não se arrependeu e foi dominado pelo pecado.

 

Abel, seu irmão, foi citado na Bíblia como um modelo de mártir, um homem de obras justas. Ele é mencionado em Hebreus 11:4 na galeria dos Heróis da Fé. Já Caim, por outro lado, ficou conhecido como sinônimo de impiedade e maldade, um homem pertencente ao maligno.

sábado, 11 de novembro de 2023

Estudo Bíblico de Gênesis 3

Gênesis 3 é o capítulo que fala da Queda do Homem. Um estudo bíblico de Gênesis 3 revela a origem do pecado na humanidade. Esse capítulo é fundamental para que se entenda a história da redenção e a necessidade da graça de Deus.

 

Algumas pessoas consideram a história narrada em Gênesis 3 como sendo uma narrativa simbólica. Outras vão ainda mais além e afirmam que Gênesis 3 registra um mito. No geral essas pessoas defendem que o escritor de Gênesis simplesmente criou uma narrativa que explicasse o despertar da consciência humana.

 

Inclusive, alguns cristãos que tentam combinar a teoria da evolução com o criacionismo bíblico dizem que Gênesis 3 mostra o momento em que o homem evoluiu de sua forma mais primitiva. Mas é claro que esse tipo de interpretação contradiz a Palavra de Deus.

 

Se Gênesis 3 for considerado como algo simbólico ou folclórico, então todo o restante das Escrituras não fará sentido algum. Além do mais, vários textos do Novo Testamento fazem um paralelo direto com a história registrada em Gênesis 3 e contrastam a desobediência de Adão com a obediência de Cristo (cf. Romanos 5). Então se essa história fosse um mito, inevitavelmente Jesus também seria um.

 

A tentação (Gênesis 3:1-3)

 

Deus criou o homem e a mulher e os colocou no Jardim do Éden. Ali havia tudo o que eles precisavam para viver. Eles podiam se ocupar cultivando a terra e guardando o lugar. Bastava apenas que eles obedecessem à ordem de Deus para desfrutar de uma vida de eterna paz e comunhão (Gênesis 2:15).

 

Não sabemos por quanto tempo essa harmonia permaneceu. Mas Gênesis 3 fala que num dado momento a esposa de Adão, Eva, foi tentada pela serpente. O texto bíblico diz que a serpente era mais sagaz que todos os animais selvagens criados por Deus.

 

Na Bíblia a figura da serpente simboliza várias coisas, algumas delas completamente opostas. A serpente pode simbolizar a vida, a sabedoria, o caos, a astúcia, o mal, Satanás, e até ser uma figura de Cristo no caso da serpente levantada por Moisés no deserto (cf. Números 21:4-9; João 3:14).

 

No contexto de Gênesis 3 a serpente serviu como uma personificação do próprio Satanás, o adversário do povo de Deus ao longo da História. Por isso Satanás é chamado no livro do Apocalipse de “antiga serpente” (Apocalipse 12:9; 20:2).

 

É interessante notar que o tentador se dirigiu diretamente à mulher. A Bíblia não explica por que Satanás tentou a mulher e não o homem. Mas muitos estudiosos veem nesse comportamento um ataque à ordem criada por Deus onde o homem deveria exercer a liderança.

 

Se esse for o caso, então o tentador induziu a mulher a usurpar a autoridade do homem. Seja como for, mesmo assim o homem é colocado como o principal culpado pela Queda por ter obedecido a sua mulher.

 

A distorção da Palavra de Deus (Gênesis 3:4,5)

 

Satanás começou sua investida com uma distorção das palavras ditas por Deus. Ele fez a seguinte pergunta: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3:1).

 

Eva respondeu essa pergunta falando sobre a ordem que Deus tinha dado (Gênesis 3:2,3). Deus havia permitido que o primeiro casal comesse do fruto de todas as árvores do jardim, exceto do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Essa árvore estava plantada no centro do jardim ao lado da árvore da vida.

 

Deus falou que se o homem desobedecesse a sua ordem e comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele morreria. Mas aí a serpente argumentou que se o primeiro casal desobedecesse ao Senhor, certamente não morreria (Gênesis 3:4).

 

Esse é o modo de agir de Satanás até hoje. Primeiro ele usa a Palavra de Deus de forma distorcida e depois acaba por fazer com que o homem desacredite dela. Na tentação de Jesus no deserto Satanás fez a mesma coisa. Ele citou a Palavra de Deus de forma isolada e fora de contexto aplicando-a de um modo completamente errado.

 

Daí é possível entender por que tantas comunidades cristãs que distorcem a Bíblia crescem cada vez mais. Todos aqueles que distorcem as Escrituras ao seu bel prazer tem como professor o diabo.

 

A desobediência (Gênesis 3:6,7)

 

Eva não resistiu à tentação e tomou do fruto proibido que lhe parecia apetitoso e agradável aos olhos. Ela também deu de comer do fruto ao seu marido. Além disso, eles se entusiasmaram com a possibilidade de serem como Deus (cf. Gênesis 3:5).

 

Isso significa que Adão e Eva comeram do fruto com a grande pretensão de ser como Deus. Eles não se contentaram em servi-lo e desfrutar de todas as suas bênçãos. Eles não quiseram ter eterna comunhão com Deus e viver sob sua proteção. Mas ao comerem do fruto, eles provaram que o que realmente queriam era tomar o lugar de Deus.

 

Esse comportamento revela o conceito do pecado. Eles falharam em confiar em Deus, assumiram uma posição de descrença, transgrediram a lei divina e afirmaram uma ilusória autonomia. O pecado de Adão e Eva é conhecido como Pecado Original.

 

A tentativa de se esconder de Deus (Gênesis 3:8-13)

 

Gênesis 3 informa que logo que o primeiro casal comeu do fruto da árvore que Deus havia proibido, seus olhos se abriram. Eles perceberam que estavam despidos. A nudez na Bíblia geralmente aponta para um estado de fraqueza, necessidade e humilhação. Por causa do pecado, o homem que havia sido criado como a coroa da criação agora estava numa situação miserável e humilhante.

 

A Bíblia diz que Deus andava pelo jardim na viração do dia (Gênesis 3:8). Provavelmente isso significa um tipo de teofania. Quando Adão e Eva escutaram os passos do Senhor que andava pelo jardim, rapidamente tentaram se esconder dele. Suas consciências os acusavam e os condenavam. Então eles desejaram fugir da intimidade com Deus que anteriormente desfrutavam.

 

Deus perguntou onde o homem estava (Gênesis 3:9). Sendo onisciente, obviamente Deus sabia onde o casal estava escondido. Mas frequentemente Deus ajusta a sua linguagem às limitações humanas como forma de interação. Foi isso o que aconteceu no Éden. Diante da pergunta de Deus, o homem percebeu que não poderia mais se esconder.

 

Em seguida mais uma vez Deus fez uma pergunta ao homem. Ele queria que o homem lhe confessasse quem havia lhe dito sobre sua nudez (Gênesis 3:11). O homem tentou colocar a culpa na mulher e a mulher tentou colocar a culpa na serpente (Gênesis 3:12,13). Além disso, ao dizer a Deus “a mulher que me deste por esposa”, Adão também estava acusando o próprio Deus. Esse é o típico comportamento do pecador. Também é importante notar que em nenhum momento Deus fez qualquer pergunta à serpente; Deus simplesmente destinou Satanás a julgamento (Gênesis 3:14,15).

 

O castigo (Gênesis 3:14-24)

 

Na sequência, Gênesis 3 revela o juízo de Deus sobre Satanás (Gênesis 3:14,15), sobre a mulher (Gênesis 3:16) e sobre o homem (Gênesis 3:17-19). Mas nesse meio há também a revelação da promessa de salvação para o povo de Deus (Gênesis 3:15).

 

Deus amaldiçoou a serpente e predisse sua ruína (Gênesis 3:14,15). Aqui é importante entender que o texto traz uma dupla referência que envolve a serpente e, principalmente, Satanás que se personificou na serpente. Assim, em última análise o juízo de Deus foi dirigido a Satanás.

 

O juízo de Deus sobre a mulher resultou na frustração de seu relacionamento natural dentro do lar. Ela teria que conviver com um processo de parto doloroso e estar subordinada ao seu marido (Gênesis 3:16).

 

É verdade que antes mesmo desse castigo o homem já havia sido colocado por Deus numa posição de liderança (cf. Gênesis 2:18). Mas o problema é que agora a mulher teria de ser submissa não mais a um líder moralmente puro, mas a um líder corrompido pelo pecado. A plena harmonia do relacionamento conjugal agora estaria também prejudicada pelo pecado.

 

Já o juízo de Deus sobre o homem resultou na frustração de sua atividade como provedor (Gênesis 3:17-19). O homem não teria mais o mesmo relacionamento farto e prazeroso com a terra de onde ele tira seu alimento. Tudo seria penoso e fatigante porque a maldição por causa do pecado atingiu também a terra.

 

Além disso, Deus também anunciou que o homem teria que lidar com as consequências de sua desobediência até o momento em que tornaria ao pó da terra (Gênesis 3:19). Foi então que a morte física se tornou uma realidade. Depois Deus preparou vestimentas de pele para que Adão e Eva pudessem vestir (Gênesis 3:21).

 

Alguns estudiosos entendem que como essa provisão de Deus implicou na morte de um animal, talvez já fosse uma indicação do sacrifício expiatório pelo pecado. Por fim Deus expulsou o casal do jardim e colocou querubins para guardar o caminho da árvore da vida (Gênesis 3:23,24).


Conclusão do estudo de Gênesis 3

 

Gênesis 3 registra o evento mais desastroso da história da raça humana: o dia em que o homem desobedeceu a Deus e tentou usurpar o seu lugar. Adão e Eva tiveram sua fidelidade a Deus testada e fracassaram. Ao cair nas artimanhas da serpente, eles demonstraram fidelidade a Satanás.

 

Adão e Eva tinham recebido de Deus tudo o que precisavam. Como foram criados como seres racionais e dotados de responsabilidade moral, eles tinham total condições de obedecer à ordem de Deus. O direito à vida e comunhão com Deus dependia de sua obediência. Por isso a teologia chama esse estágio de aliança das obras.

 

Vale lembrar que Deus colocou a árvore do conhecimento ao lado da árvore da vida. Curiosamente o homem podia comer livremente do fruto da árvore da vida, mas ele preferiu o fruto que conduzia à morte através de sua desobediência.

 

Após desobedecer a Deus, o homem foi contaminado pelo pecado. Sendo ele representante federal da raça humana, Adão lançou toda a humanidade no estado de rebelião contra Deus. Por isso a Bíblia diz que não há um justo se quer, pois todos pecaram.

 

Então com sua natureza pecaminosa, o homem se tornou incapaz de desejar e fazer aquilo que Deus se agrada. Dessa forma a aliança das obras não poderia mais lhe servir como meio de salvação eterna.

 

Cristo em Gênesis 3

 

Mas em Gênesis 3:15 Deus anunciou uma Nova Aliança, a Aliança da Graça, que seria cumprida por Cristo através do qual o homem poderia ser justificado e santificado.

 

O apóstolo Paulo diz que através da ofensa do primeiro Adão todos os homens se tornaram pecadores. Mas a graça de Deus através da obra de Cristo foi muito maior do que a desobediência, o julgamento e a condenação de Adão (Romanos 5:12-21).

 

Jesus Cristo, o segundo Adão, triunfou onde o primeiro Adão fracassou. Enquanto a ofensa do primeiro Adão trouxe morte, os méritos do segundo Adão trouxeram vida. À luz de todo o Novo Testamento, Gênesis 3 revela que Cristo é o Cabeça de um novo povo que é redimido de seus pecados e justificado diante de Deus através de sua obra na cruz. A esse povo Ele restaura o caminho à árvore da vida (cf. Apocalipse 22:2-17). Saiba mais sobre Gênesis 3 lendo um estudo completo sobre a Queda do Homem.

Tanque de Betesda: estudo sobre a cura de um paralítico

 O tanque de Betesda foi o lugar onde Jesus curou um homem doente há 38 anos. Muitas pessoas esperavam por um milagre na água do tanque, mas Jesus curou o paralítico apenas com suas palavras! O poder não estava no tanque de Betesda, mas em Deus.

 

‘Há em Jerusalém, perto da porta das Ovelhas, um tanque que, em aramaico, é chamado Betesda, tendo cinco entradas em volta. Ali costumava ficar grande número de pessoas doentes e inválidas: cegos, mancos e paralíticos. Eles esperavam um movimento nas águas. [De vez em quando descia um anjo do Senhor e agitava as águas. O primeiro que entrasse no tanque, depois de agitada as águas, era curado de qualquer doença que tivesse]’. - João 5:2-4

 

Betesda (Bethesda) significa "casa de Misericórdia". Provavelmente, foi assim denominada devido a busca de inúmeros doentes pela cura (misercórdia) neste lugar. Seria assim, um lugar da graça de Deus, que mostrava favor ao povo dando essa virtude através daquelas águas? Ou um lugar Jesus mostra que Ele próprio era a fonte de cura e misericórdia para todo que cresse nele.

 

Essa piscina provavelmente era usada para nado, mergulhos ou banhos, mas tornou-se famosa pela crença que, ocasionalmente, um anjo agitava as águas. Quando isso acontecia, a primeira pessoa que entrasse na água ficaria curada de qualquer doença que tivesse. Por causa desses milagres, muitos doentes ficavam junto ao tanque, aguardando a oportunidade de serem curadas (João 5:2-4).

 

Como era e onde ficava o tanque de Betesda?

 

Esse tanque de águas possuía cinco pórticos (varandas) em volta, onde os doentes e pessoas em sofrimento ficavam aguardando uma oportunidade para serem curadas. Essa piscina ficava localizada em Jerusalém, num edifício próximo à Porta das ovelhas, também mencionada em Neemias 3:32 e Neemias 12:39. Esse portão ficava a norte do Templo.

 

Alguns estudiosos consideram que havia duas piscinas nas proximidades do Templo. Um tanque superior (2 Reis 18:17), no lado oriente, e outra mais a oeste. Uma piscina seria o tanque de Betesda, próxima à porta das ovelhas e a outra seria o tanque de Siloé, junto ao jardim (Neemias 3:15). Ambas estariam ligadas a uma fonte de água intermitente, que alimentavam esses reservatórios artificiais.

 

Em outro episódio em que Jesus curou um homem cego de nascença, Ele o mandou se lavar no tanque de Siloé (João 9:7). Em ambos os casos, não foi o poder medicinal das águas que possibilitou a cura, mas o poder da Palavra de Jesus Cristo.

 

O paralítico de Betesda

 

Não se sabe muito acerca desse homem, nem mesmo qual é o seu nome. A Bíblia apenas diz que era um homem enfermo que sofria há 38 anos. Não se sabe também que doença ele tinha, mas geralmente é considerado como paralítico, porque não conseguia se mover sem ajuda e também porque ficava ali deitado num leito. Esse homem não teve muitas oportunidades até ali. Provavelmente, quando a água era agitada, ele não tinha ninguém que o colocasse no tanque e, sozinho nunca conseguia ser o primeiro a entrar.

 

‘Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, perguntou: — Você quer ser curado? O enfermo respondeu: — Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada. Quando tento entrar, outro enfermo chega antes de mim’. - João 5:6-7

 

Doente e estagnado

 

Este homem não tinha capacidades físicas para fazer quase nada. Talvez já até tivesse tentado alguma alternativa. Mas agora vivia ali parado e doente. Quem sabe até já tivesse se conformado com essa situação, depois de quase 4 décadas, sem que pudesse ver alguma melhora.

 

Provavelmente, ali paralisado, aquele homem não tivesse ainda ouvido falar sobre Jesus e, por isso, ainda nem cresse nele. Sua mente estava fixada nas inúmeras vezes que fracassara na tentativa de alcançar a cura.

 

Você quer ser curado?

 

Quando Jesus lhe perguntou se queria ser curado, o paralítico explicou sua situação. Era uma vítima paralisada dentro de seus limites, dentro da sua própria vida. Assim, também muitos de nós, podemos estar paralisados emocional, profissional e até espiritualmente. Lamentamos não receber ajuda e até justificamos os nossos sofrimentos por falhas alheias. Mas essa não é a pergunta de Jesus: você quer a cura?

 

Não tenho ninguém...

 

Aquele homem além de paralisado também era solitário. Mesmo que tivesse família ou alguém que o ajudasse com sustento, ou levando e buscando do tanque, provavelmente não poderia contar com a ajuda de alguém 100% do tempo. Ninguém mais deixaria seus afazeres para estar ali à espera do movimento das águas.

 

Fato é que aquele homem arranjou uma triste desculpa para responder à pergunta de Jesus. Ele não estava atento a possibilidade de mudança, mas estava focado na sua solidão e sofrimento. O seu passado estava presente demais, para deixá-lo ir. Muitas pessoas arranjam desculpas para não saírem da sua condição. E acabam por rejeitarem a cura, com medo de se desiludirem novamente.

 

Jesus e a cura inesperada

 

‘Então Jesus lhe disse: — Levante-se, pegue o seu leito e ande. Imediatamente o homem se viu curado e, pegando o leito, começou a andar. E aquele dia era sábado. - João 5:8-9

 

Jesus Cristo provou ter o poder para restaurar a saúde daquele paralítico. Sem nada fazer para merecer, aquele homem recebeu misericórdia de Deus. Cristo graciosamente transformou aquela vida. O paralítico ficou curado e saiu andando! Não esperava que somente por uma palavra tal milagre pudesse acontecer. Mas assim Deus faz!

 

Incompreensão dos judeus

 

Alguns judeus implicaram com o ex-paralítico, porque ele estava carregando sua maca no sábado. Mas o homem respondeu que Aquele que o tinha curado também mandou que levasse sua cama (João 5:10-13). O paralítico ainda não conhecia o nome de Jesus, que tinha se retirado. Aqueles judeus perderam a oportunidade de louvar e agradecer a Deus pela cura recebida. Alguns também nos nossos dias, preferem a retaliação e críticas, em vez de se alegrarem com vitória dos outros.

 

‘Não peque mais, para que não lhe aconteça coisa pior. Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: — Olhe, você foi curado. Não peque mais, para que não lhe aconteça coisa pior. O homem se retirou e disse aos judeus que tinha sido Jesus quem o havia curado. E por isso os judeus perseguiam Jesus, porque fazia essas coisas no sábado. Mas Jesus lhes disse: — Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também. Por isso, os judeus cada vez mais queriam matá-lo, porque além de desrespeitar o sábado, também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.’ - João 5:14-18

 

O que poderia ser pior que ficar doente, "vegetando" durante 38 anos? Jesus deixou bem claro que há coisa pior, muito mais severa que isso. As consequências de uma vida no pecado são graves e o alerta serve para todos nós. Além das bençãos materiais e cura física precisamos nos agarrar a cura espiritual. Pois, o destino eterno daqueles que permanecem em pecado, longe da salvação em Jesus Cristo será muito mais terrível.

 

Essa passagem fala-nos de uma cura maravilhosa, mas também revela a paralisia e estagnação dos judeus para fé no Messias. O legalismo e religiosidade deles os impediam de se mover na fé em Jesus Cristo. Em vez de ficarem felizes e maravilhados com os sinais e cumprimento das Escrituras, os judeus procuraram matar Jesus por curar no sábado! Outra mensagem importante ensinada por Jesus neste milagre, foi a sua identificação com o Pai, revelando-se igual a Deus.

 

Curiosidades sobre o Tanque de Betesda

 

Vários pontos dessa história suscita curiosidade nos leitores da Bíblia, com p.ex., a localização atual de Betesda, ou suposta atuação do anjo nas águas, por que Jesus curou aquele homem e outros. Veja alguma curiosidades relacionadas à Betesda:

 

O que realmente acontecia no tanque de Betesda?

 

Aparentemente, aconteciam curas ocasionais. Por parte dos judeus, havia a crença que um anjo, eventualmente, movimentava as águas. Segundo essa tradição, quando isso acontecia, a água adquiria propriedades curativas e o primeiro a estar na água recebia a cura. Contudo, embora fosse a crença tradicional da época, a Bíblia não afirma que era assim, nem Jesus usou a suposta atuação angelical para curar.

 

Entre outros rumores, havia uma lenda árabe em torno dessa narrativa, mas em vez de anjo, era um dragão vindo do abismo. Quando ele acordava as águas paravam, mas quando dormia, as suas convulsões agitavam as águas e promoviam a cura.

 

Além dessa ainda haviam outras crenças pagãs, como a dos gregos do deus Asclépio (Esculápio para os romanos). Havia cultos e templos dedicados ao deus Asclépio, filho de Apolo na mitologia grega, conhecido como o deus da cura ou da medicina. Sua figura está sempre associada a uma serpente envolta a uma bastão, que é hoje também símbolo da saúde e medicina.

 

Havia mesmo um anjo que agitava a água?

 

É difícil dizer com certeza se aconteciam mesmo milagres por ação de um anjo no tanque. Poderia ser simplesmente uma fonte intermitente, que jorrava e movimentava a água de tempos em tempos, fazendo enfermos sentirem-se curados.

 

Por outro lado, outras interpretações consideram a hipótese de, eventualmente, curas acontecerem ali, pelo propósito soberano de Deus. Poderia então existir um anjo a serviço de Deus, enviado para curar de tempos em tempos naquele lugar? Ou poderia Deus, de alguma outra forma, estender a sua misericórdia sarando alguns? Sim, poderia. Mas, a Bíblia não dá comprovação neste texto, nem em outras passagens que haviam curas efetuadas por anjos, movimentando águas, em nenhuma ocasião.

 

Parece fazer mais sentido, o que alguns estudiosos acreditam: que Jesus, através desse milagre, estava refutando todas as crendices acerca das águas de Betesda. Ao chamar a atenção do doente pa Si, Jesus fez com que ele retirasse seus olhos das águas para depositar fé e esperança na Sua Palavra. Para Cristo, era importante que as pessoas confiassem exclusivamente na misericórdia de Deus.

 

O versículo 4 de João 5 é uma nota explicativa?

 

Outro ponto que levanta muita discussão é acerca de João 5:4. Este versículo aparece na maioria das traduções bíblicas entre chaves, indicando que não consta na maioria dos manuscritos originais mais antigos do Evangelho de João. Provavelmente, algum escriba pode ter adicionado este trecho como uma glosa, uma nota para explicar o porquê tantas pessoas se ajuntavam ali. Essa informação não é central na passagem. Mesmo assim, o trecho não precisa ser desprezado, uma vez que não contradiz nenhuma verdade bíblica, apenas registra um dado que era de conhecimento popular na época. O próprio autor João parece estar ciente da tradição oral, comentada no verso 7 - João 5:7.

 

Descobertas arqueológicas

 

Escavações realizadas em 1888, em Jerusalém, nas ruínas do terreno da igreja de Santa Ana, parecem ter revelado a localização do tanque de Betesda. No local onde muitos peregrinos cristãos falavam de piscinas gêmeas de Betesda, foram descobertas as fundações de uma igreja bizantina, construída pelos Cruzados, sobre o que poderia ter sido os tanques duplos dos tempos de Jesus.

 

Também foi encontrada uma cripta emoldurada imitando os cinco pórticos, onde havia uma abertura no chão para descer até à água, local que foi considerado ser o Tanque de Betesda. Numa das paredes desta ruína ainda havia a representação de um anjo movendo a água, o que parece indicar ser mesmo o local.

 

Além dessas descobertas, também foram encontradas artefactos do período romano, descobertos nas proximidades desses terrenos os quais podem conectar a fama do local com Asclépio, o deus greco-romano da medicina. Esse dado satisfaz o que alguns estudiosos interpretam, sobre a crença comum de cura através de águas medicinais. É possível que já naquele tempo, muitas pessoas buscassem a cura naquelas águas por terem assimilado crendices pagãs.

 

De qualquer forma, havia alguma crença que motivava os doentes irem até ao tanque em busca um milagre. Quer fosse verdade ou não, as pessoas acreditavam que podiam ser curadas em Betesda. Mas apesar de serem genuínas na sua busca, Betesda não era a resposta. As águas do tanque não é o foco principal da história...

 

A verdadeira lição e significado da cura em Betesda

 

A história da cura no tanque de Betesda mostra o poder de Jesus. Enquanto muitos esperavam anos por uma rara oportunidade para serem curados, Jesus mostrou que podia oferecer cura a qualquer um, em qualquer tempo!

 

Não havia esperança para o paralítico de Betesda. A sua condição era semelhante a de muitos outros doentes e sofredores com suas enfermidades. Aos olhos humanos sua situação era impossível, mas Jesus chegou e mudou tudo!

 

Cristo também faz isso em nossas vidas: Ele salva do pecado e nos promete vitória sobre o impossível – a morte. Todos estamos condenados à ela, com os dias contados. Mas Jesus concede vida eterna aos que ouvem, creem e obedecem a Sua voz poderosa.

 

Essa narrativa parece dar um quadro universal da condição humana em todos os tempos. Os doentes em Betesda parecem ser um retrado da humanidade: enferma, debilitada, vulnerável, desacreditada e iludida em diversas crenças, buscando à sua maneira a resposta para sua aflição. Mas Jesus, somente Ele têm as Palavras de Salvação (cura, restauração, vida plena) para o homem. Seja qual for a enfermidade: espiritual, física ou emocional, Jesus pode curar imediatamente! Basta crer na Sua Palavra!

 

Outra lição importante foi dada pelo Senhor Jesus ao paralítico de Betesda e que também serve a nós: ficar paralisado é uma coisa terrível, mas o pecado tem consequências muito piores. Quem continua vivendo para o pecado, e não para Deus, terá que enfrentar um castigo eterno. Se voltar para Jesus significa total mudança de vida.

 

E que não tinha ninguém que o colocasse naquela água (João 5:7) e, portanto, não tinha esperanças de uma mudança positiva em sua vida. A esperança no Cristo é a única esperança que pode realmente nos trazer resultados e nos curar.

 

Referências:

·         BÍBLIA DE ESTUDO GENEBRA. 2ª ed. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil: São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

·         BÍBLIA DE ESTUDO ALMEIDA. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

·         BÍBLIA DE ESTUDO CONSLHEIRA. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil: São Paulo: Cultura Cristã, 2019.

·         NOVO TESTAMENTO INTERPRETADO VERSÍCULO POR VERSÍCULO. Volume II (Lucas e João). Russel Norman Champlin. 9ª impressão setembro de 1995. São Paulo: Candeia, 1995.

·         MILLER, J. Maxwell, “JERUSALEM Name Setting Ancient Sources Archaeological Evidence History Tradition”. Eerdmans Dictionary of the Bible, p. 697.

·         Bible Hub Commentary. Comentários João 5:2-18. Disponível em: Acessado em > 25/01/2022.