terça-feira, 21 de julho de 2020

Quem é o Anjo do Senhor na Bíblia?



O ANJO DO SENHOR – Vivendo Pela Palavra 
O Anjo do Senhor é um personagem que aparece algumas vezes em certas passagens bíblicas do Antigo Testamento que registram eventos históricos decisivos. A identidade do Anjo do Senhor é bastante discutida entre os estudantes da Bíblia. Mas apesar de os textos bíblicos não dizerem especificamente quem é o Anjo do Senhor, eles trazem alguns detalhes que nos ajudam a compreender a sua identidade.

Antes, é importante saber que há vários versículos bíblicos que trazem a expressão “anjo do Senhor”; mas que o próprio texto indica simplesmente que se trata de um anjo que está a serviço de Deus. Nesses casos essa expressão pode aparecer inclusive no plural, “anjos do Senhor”, ou com o artigo indefinido, “um anjo do Senhor”.

Essas ocorrências, porém, devem ser distinguidas daquelas em que a expressão aparece com o artigo definido, isto é, “o Anjo do Senhor”. Nessas referências parece haver uma descrição de um anjo que recebeu uma autoridade especial; ou até mesmo uma manifestação visual do próprio Deus.

1. O significado do Anjo do Senhor

A palavra anjo traduz um termo hebraico que significa “mensageiro”. Então a expressão “Anjo do Senhor” significa literalmente: “Mensageiro do Senhor”. Claro que isoladamente o significado dessa expressão indica alguém que é diferente do próprio Senhor.  

No entanto, conforme já foi dito, em algumas ocasiões registradas no Antigo Testamento o Anjo do Senhor é identificado com um portador de uma autoridade singular; alguém que cumpre um propósito especial e relevante em algum estágio da história da redenção. Então em alguns capítulos bíblicos a autoridade e a majestade do Anjo do Senhor são tão impressionantes que tudo indica ser uma referência ao próprio Deus.

Assim, os estudiosos basicamente adotam duas interpretações principais sobre quem é o Anjo do Senhor. A primeira interpretação diz que em algumas passagens bíblicas o Anjo do Senhor realmente é alguém distinto de Deus; portanto ele é um ser celestial criado por Deus e que tem como função cumprir as ordens divinas (cf. Gênesis 21,17; 2 Samuel 24,16; 2 Reis 19,35). Mas em outras passagens bíblicas o Anjo do Senhor parece ser uma clara teofania; isto é, uma manifestação visível do próprio Senhor.

Já a segunda interpretação exclui essa última possibilidade. Ela diz que o Anjo do Senhor é um ser celestial que serve como mensageiro de Deus. Então ao agir como representante real do próprio Senhor no cumprimento de uma missão específica, em caráter extraordinário esse anjo é equiparado ao próprio Deus que o enviou. Em outras palavras, Ele fala como sendo o próprio Deus, pois recebeu d’Ele autoridade para tal.

A primeira interpretação é a mais aceita entre os estudiosos; e também parece ser a que melhor se harmoniza aos textos bíblicos. De fato nem toda referência ao Anjo do Senhor no Antigo Testamento significa uma manifestação visual do próprio Deus; mas certamente há referências que apontam para a presença de Deus manifestada na pessoa do Anjo do Senhor. 

2. Manifestações do Anjo do Senhor

Algumas referências bíblicas que falam sobre o Anjo do Senhor sem dúvida revelam sua identidade divina. Nessas referências o Anjo do Senhor identifica-se com Deus e exerce as prerrogativas divinas. Por exemplo: quando o Anjo do Senhor falou com Agar no deserto, Ele falou como Deus na primeira pessoa do singular (Gênesis 16,10). Depois, a própria Agar entendeu que havia contemplado no deserto o “Deus que vê” (Gênesis 16,13).

Outro exemplo claro de que o Anjo do Senhor é uma manifestação de Deus é a visão que Jacó teve. O Anjo de Deus apareceu a Jacó em sonhos e se identificou da seguinte forma: “Eu sou o Deus de Betel onde tens ungido uma coluna, onde me fizeste um voto” (Gênesis 31,13).

Tempos depois, a Bíblia diz que o Anjo do Senhor apareceu a Moisés no meio de uma sarça ardente que não consumia (Êxodo 3,2). Na seqüência o texto bíblico não deixa qualquer dúvida de que foi o próprio Deus quem se manifestou a Moisés (Êxodo 3,4-22). 

3. O Anjo do Senhor é uma aparição pré-encarnada de Cristo

Mas há uma questão que precisa ser considerada. Algumas vezes o Anjo do Senhor fala tanto como se fosse alguém distinto de Deus; mas ao mesmo tempo também fala na primeira pessoa do singular como se fosse o próprio Deus.

Os estudiosos procuram responder essa dificuldade considerando a pluralidade que há na unicidade de Deus. Em outras palavras, eles recorrem à doutrina da Trindade e defendem que em algumas ocasiões a teofania pela aparição do Anjo do Senhor significou uma manifestação pré-encarnada de Cristo.

Uma passagem que pode ser usada para explicar isto é aquela que descreve o anúncio do nascimento de Sansão. A Bíblia diz que o Anjo do Senhor, em forma humana, apareceu aos pais de Sansão. Quando eles quiseram saber o nome daquele que falava com eles, o Anjo do Senhor respondeu: “Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é Maravilhoso?” (Juízes 13,18).

Na seqüência, ao compreender que havia estado diante do Anjo do Senhor, o pai de Sansão disse à sua mulher: “Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus” (Juízes 13,22). Séculos depois, o profeta Isaías profetizou sobre a vinda do Messias dizendo que seu nome seria “Maravilhoso” (Isaías 9,6); ou seja, o mesmo nome que o Anjo do Senhor usou quando se manifestou aos pais de Sansão.

Também é muito significativo o fato de que o Anjo do Senhor só aparece no Antigo Testamento. Após a encarnação de Cristo no Novo Testamento, não há mais nenhuma manifestação do Anjo do Senhor. Por isso freqüentemente os teólogos reformados consideram que em certas ocasiões do Antigo Testamento realmente o Anjo do Senhor foi uma aparição da Segunda Pessoa da Trindade.

Por Marco Antonio Lana (Teólogo)


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Quem era Jezabel na Bíblia?

Jezebel - PicMix

Jezabel foi a esposa do rei Acabe, rei de Israel. Ela foi uma rainha muito má, que promoveu a idolatria e matou muitos profetas. Jezabel foi condenada por Elias e outros profetas. 

Jezabel era uma princesa, filha de Etbaal, rei dos sidônios. Ela convenceu seu marido Acabe a adorar o deus Baal e foi responsável por promover o culto de deuses pagãos em Israel (1 Rs 21,25-26). Jezabel sustentava 850 profetas dos deuses Baal e Aserá. Esses profetas faziam rituais detestáveis, provocando a ira de Deus (1 Rs 18,18-19). 

Jezabel também tentou destruir quem era fiel a Deus. Ela mandou matar todos os profetas de Deus e poucos sobreviveram (1Rs 18,4). Os profetas de Deus condenaram Jezabel por sua maldade e idolatria. 

Jezabel não tinha escrúpulos. Quando um homem chamado Nabote se recusou a vender sua vinha a Acabe, o rei ficou amuado na cama. Então Jezabel tomou a iniciativa e conspirou para matar Nabote. Ela mandou acusar Nabote falsamente de amaldiçoar a Deus e ao rei e ele foi apedrejado. Depois da morte de Nabote, Acabe tomou sua vinha (1 Rs 21,15-16).  

1. A morte de Jezabel 

Elias profetizou contra Jezabel, por causa do mal que fez a Nabote e com todos os profetas. Ele avisou que Jezabel teria uma morte sangrenta e que os cachorros iriam comer seu cadáver (1Rs 21,23). 

Depois da morte de Acabe, um homem chamado Jeú se rebelou e matou o rei Jorão, filho de Jezabel. Quando Jeú chegou ao palácio, Jezabel o desafiou. Por ordem de Jeú, alguns oficiais pegaram em Jezabel e a atiraram da janela abaixo e Jeú a atropelou com seus cavalos (2 Rs 9,30-33). 

Jeú entrou no palácio e comeu, depois deu ordem para sepultar Jezabel. Mas quando foram sepultá-la, só encontraram seu crânio, seus pés e suas mãos (2Rs 9,34-35). Os cachorros tinham comido tudo o resto. A profecia de Elias foi cumprida. 

Jezabel morreu por ser cruel e idólatra. Ela tinha muita iniciativa mas usou seus talentos de forma errada. Jezabel não se preocupava com o que é certo e errado. Ela manipulou e matou para conseguir o que queria. Era egoísta e não temia a Deus.  

2. Jezabel no Novo Testamento 

Jezabel se tornou símbolo de crueldade, egoísmo e manipulação. Ap 2,20-23 condena uma mulher chamada Jezabel, que dizia ser profetiza e que promovia a idolatria e a imoralidade sexual. Jezabel provavelmente não era o nome verdadeiro dela mas ela tinha as características de Jezabel. 

Quando as pessoas falam de “espírito de Jezabel”, significa alguém que manipula para conseguir o que quer. Essa pessoa ensina coisas erradas e desvia pessoas do evangelho, promovendo o pecado. É uma pessoa perigosa e destrutiva. Provavelmente está debaixo da influência de um demônio. 

3. O que é o espírito de Jezabel?  

De acordo com alguns cristãos, o espírito de Jezabel é um demônio que influencia alguém a ser dominador e manipulador, promovendo a idolatria e outros pecados. A Bíblia não fala sobre um “espírito de Jezabel”. Jezabel era uma rainha muito ruim do Velho Testamento. 

A rainha Jezabel, esposa do rei Acabe, ficou conhecida por sua crueldade e idolatria. Ela promoveu a adoração a um deus falso, chamado Baal, e tentou matar todos os profetas de Deus! Acabe, que também era muito ruim, ajudou Jezabel a cometer várias atrocidades (1 Reis 21:25-26). Jezabel não tinha escrúpulos. Ela até manipulava julgamentos e matava pessoas inocentes para conseguir o que queria. 

Em Apocalipse, Jesus deu um aviso à igreja em Tiatira sobre uma mulher chamada Jezabel, que dizia ser profetisa. Seu nome provavelmente não era Jezabel mas ela era parecida com a rainha Jezabel. Essa mulher conseguiu enganar alguns crentes, desviando-os do evangelho (Apocalipse 2,20-21). Ela promoveu a idolatria e a imoralidade sexual (provavelmente associada a rituais idólatras). 

Jezabel não se arrependeu de seu pecado, por isso Deus prometeu trazer desgraça sobre ela. Essa Jezabel estava ensinando uma doutrina sobre “os profundos segredos de Satanás”, provavelmente levando pessoas a se envolverem com demônios e ocultismo (Apocalipse 2,24-25). 

4. Significado popular do espírito de Jezabel

Algumas pessoas acreditam que existe um demônio que influencia pessoas como essas duas mulheres da Bíblia. Esse é o espírito de Jezabel. A Bíblia não diz se o espírito de Jezabel existe. Uma pessoa com “o espírito de Jezabel” pode ser uma pessoa influenciada por um ou vários demônios, ou alguém com certas caraterísticas negativas que se tornam piores por causa de uma vida de pecado. 

Analisando as vidas das duas mulheres chamadas Jezabel na Bíblia, elas tinham algumas caraterísticas parecidas: 

Poder – ambas abusavam de sua autoridade e estatuto
Manipulação – as duas induziam outras pessoas a fazer coisas erradas, usando métodos desonestos
Idolatria – cada uma desviava as pessoas para adorar deuses falsos

Se alguém tem o espírito de Jezabel, terá essas três caraterísticas. O espírito de Jezabel só tem poder onde existem pessoas como Acabe: pessoas com autoridade que toleram e até apoiam a idolatria e o pecado de Jezabel. Tanto homens quanto mulheres podem ter as caraterísticas de Jezabel.

Não é bom se apressar para acusar alguém de ser uma Jezabel. Muitas pessoas têm acusado mulheres honestas, tementes a Deus, de ter o “espírito de Jezabel” só por terem uma opinião diferente. Mas se a pessoa não está induzindo à idolatria, não tem o espírito de Jezabel.

5. 5 características destrutivas de Jezabel  

Jezabel foi a rainha que ficou conhecida por sua maldade na Bíblia. Ela e seu marido, o rei Acabe, fizeram muitas coisas que desagradaram a Deus. A história de Jezabel serve de aviso para não nos cairmos mesmos erros.  

As características que tornaram Jezabel uma pessoa tão ruim foram:  

1. Idolatria  

Jezabel adorava o deus falso Baal e a deusa Aserá. Sua devoção a esses deuses era tão grande que ela tentou acabar com a adoração ao Deus verdadeiro em Israel! Jezabel sustentou 850 profetas dos seus deuses falsos e seu marido construiu templos pagãos (1Rs 16,31-32).  

Jezabel rejeitou totalmente a Deus e promoveu práticas que Ele detesta. O culto a esses falsos deuses era conhecido por suas práticas repugnantes, como sacrifício de crianças e imoralidade sexual. A idolatria levou Jezabel a cometer muitos outros pecados.  

2. Abuso de poder  

Como rainha, Jezabel tinha uma posição de grande responsabilidade e influência. Sendo culta e inteligente, ela poderia ter usado seu poder para ajudar o rei Acabe a cuidar bem do seu povo. Em vez disso, Jezabel aproveitou sua posição para fazer muitas coisas erradas, promovendo o pecado em Israel e eliminando os seus oponentes (1 Rs 21,25-26).  

3. Egoísmo

Jezabel só pensava em seus próprios interesses e nos interesses de sua família. Ela não tinha escrúpulos. Se alguém a impedia de conseguir o que queria, seria eliminado! Para Jezabel, a justiça e os interesses de outras pessoas não eram importantes. Ela dava mais valor à sua própria vontade.  

4. Manipulação  

Para conseguir o que queria, Jezabel usava qualquer meio necessário. Uma vez, para conseguir a vinha de um homem chamado Nabote, ela manipulou o sistema de justiça e provocou sua morte (1 Rs 21,8-10). Ela não tentou negociar. Jezabel sabia como usar sua influência para manipular.  

5. Perseguição  

A rainha Jezabel não tolerava oposição. Ela tentou matar todos os profetas de Deus, que condenavam sua idolatria (1 Rs 18,4). Quando Elias derrotou e matou os profetas de seus deuses, ela não teve temor de Deus mas jurou matar Elias! Jezabel não aceitava repreensão nem tolerava a ideia que pudesse estar errada. Ela perseguia os seguidores de Deus com ferocidade.  

6. As consequências

Durante muito tempo, Jezabel desfrutou de grande poder e prosperidade. Mas, no fim, ela teve uma morte sangrenta e sem dignidade. Os cães comeram seu cadáver e ela nem sequer teve um enterro digno (2 Rs 9,36-37). A atitude de Jezabel e de Acabe influenciou seus filhos, que também fizeram muitas coisas erradas e caíram na desgraça. Jezabel pensava que estava protegida mas suas más ações acabaram por causar sua queda 


Por - Marco Antônio Lana

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Devemos ungir com óleo?


Introdução
Hoje em dia, muitos têm ungido com óleo buscando curar doentes e consagrar objetivos e pessoas ao Senhor. O objetivo deste artigo não é gerar confusão ou críticas, mas buscar agradar ao Espírito Santo obedecendo às verdades das Escrituras. Por favor, não use este texto em seu intelectualismo hipercrítico pecaminoso, mas em amor corrija seu irmão. Também, não é o alvo deste um detalhamento completo sobre o uso do óleo, principalmente no Antigo Testamento, mas questionarmos o uso dele no Novo com o que é feito atualmente.

Transcrevo abaixo parte do estudo do Pr. Eduardo Dantas[1] sobre o mesmo assunto, o qual nos dará uma boa base para prosseguirmos:

1. A ORIGEM DO ÓLEO

Leia (Êx 30.22-33) observamos que Deus estava estabelecendo as primeiras diretrizes para o seu povo que libertara do cativeiro no Egito e que colocara em uma peregrinação em direção à terra prometida. Estava estabelecendo mandamentos para o culto de um modo geral.
Dentre os mandamentos estava o de que fosse preparado um óleo que foi chamado de óleo sagrado da unção. Era um preparado específico que tinha uma fórmula específica ditada pelo próprio Deus a Moisés e não era, de maneira alguma, somente o óleo da oliveira ou azeite. Era, também, uma fórmula que não poderia ser copiada por ninguém sob pena de ser banido do povo de Deus. O óleo da unção tinha objetivo definido e era o de santificar os elementos do culto, de consagrá-los completamente para Deus, de tal maneira que quem tocasse em algum dos objetos consagrados se tornaria Santo (Vers 29). Mas havia uma proibição: o óleo da unção não poderia, de maneira nenhuma, ser aplicado sobre o corpo de alguém e somente os sacerdotes poderiam ser ungidos com o óleo (Vers 32,33).
2. UNÇÃO DE PESSOAS
2.1 Unção de Reis – Os reis eram ungidos como libertadores para o povo de Israel e para governar sobre o povo como seu pastor: “Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo; porque o seu clamor chegou a mim.” (I Samuel 9:16)
2.2 Unção de Sacerdotes – Deus instruiu Moisés a ungir sacerdotes, de modo a consagrá-los e reconhecê-los como pessoas separadas para servir a Deus através do sacerdócio. Os sacerdotes julgavam sobre as diferenças entre as pessoas do povo, faziam expiação, santificavam o povo perante Deus, ouviam confissões de pecados, eram a ligação entre o povo e DEUS.
2.3 Unção de profetas – O ofício profético era estabelecido pelo ato da unção: “O espírito do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; A ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê glória em vez de cinza, óleo de gozo em vez de tristeza, vestes de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantações do SENHOR, para que ele seja glorificado.” (Isaías 61:1-3 )
Não há uma descrição clara nas Sagradas Escrituras sobre como, ou qual, seria o ritual para a unção de profetas, mas, este fato está razoavelmente estabelecido através do texto de Isaías acima citado.
Diante desses textos acima, concluímos que Cristo cumpriu essas 3 unções de Profeta, Rei, e Sacerdote. Profeta: ao anunciar as Boas Novas, Rei: como Libertador do povo e Rei do universo, e Sacerdote: em fazer a ligação entre o povo e Deus.
3. TIPOS DE ÓLEO
Existem alguns tipos de óleo usado na bíblia para diversos fins tais como:
3.1 Unguento – Gordura misturada com perfumes especiais que lhe davam características muito desejáveis. Era utilizado para ungir os pés dos hóspedes, simbolizando a alegria pela chegada daquele hóspede, e desejando-lhe boas vindas:
“E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com unguento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.” (João 11:2)
Também como era utilizado no cuidado pessoal com o corpo, pois, é um excelente hidratante:
“Naqueles dias eu, Daniel, estive triste por três semanas. Alimento desejável não comi, nem carne nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com unguento, até que se cumpriram as três semanas.” (Daniel 10:2-3)
“Lava-te, pois, e unge-te, e veste os teus vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber.” (Rute 3:3)
3.2 Óleos curativos – O óleo tem poderes curativos, permitindo amolecer feridas e purificá-las. O óleo quando misturado a certas ervas, pode proporcionar medicamentos poderosos para vários males. Não é de surpreender que os médicos em Israel tivessem desde tempos antigos conhecimento destas ervas e da forma de utilizá-las no processo curativo de doentes.
“Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.” (Isaías 1:6)
“E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;” (Lucas 10:34)
3.3 Unguento fúnebre – Este unguento era utilizado na preparação do corpo para o sepultamento, como parte de um processo de embalsamamento:
“Ora, derramando ela este unguento sobre o meu corpo, fê-lo preparando-me para o meu sepultamento.” (Mateus 26:12)
“E as mulheres, que tinham vindo com ele da Galileia, seguiram também e viram o sepulcro, e como foi posto o seu corpo. E, voltando elas, prepararam especiarias e unguentos; e no sábado repousaram, conforme o mandamento.” (Lucas 23:55-56)
Os termos no grego para ungir do Novo Testamento
Antes, de prosseguirmos, quero mostrar um distinção feita pelo Novo Testamento com relação ao “ungir” que em muito nos ajudará. Isto é, há dois termos no grego para “ungir”:
– aleipho (218 αλειφω) de 1 (como partícula de união) e base de 3045; TDNT – 1:229,37; v
1) ungir
Sinônimos ver verbete 5805
– chrio (5548 χριω) provavelmente semelhante a 5530 pela idéia de contato; TDNT – 9:493,1322; v
1) ungir
1a) consagrando Jesus para o ofício messiânico e concedendo-lhe os poderes necessários para o seu ministério
1b) revestindo os cristãos com os dons do Espírito Santo
Sinônimos ver verbete 5805
– 5805 – Sinônimos
218 – é a palavra comum e mundana para ungir
5548 – é a palavra sagrada e religiosa para ungir[2]
Há ainda o termo chrisma, mas o mesmo advém do termo chrio:
– chrisma (5545 χρισμα) de 5548; TDNT – 9:493,1322; n n
1) qualquer coisa untada, ungüento, geralmente preparado pelos hebreus com ervas aromáticas e óleo.
Unção era a cerimônia inaugural para os sacerdotes[2]
Ou seja, há um termo comum e mundano (aleipho) para ungir e um termo sagrado e religioso (chrio  e chrisma). Por mundano não entenda pecaminosa, mas corriqueiro e habitual, como fins medicinais, estéticos ou funerário.
O uso do óleo
Dito isto,  consideremos quatro questões sobre o uso do óleo:
1) O Novo Testamento não prescreve unção com óleo na consagração de ministros
Mas somente a imposição de mãos – considerada pelo autor de Hebreus como “rudimentos da doutrina de Cristo” (Hebreus 6:1,2)
“E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão, e Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; E os apresentaram ante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.” (Atos 6:5-6)

“E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.” (Atos 13:2-3)

“A ninguém imponhas precipitadamente as mãos [para o ministério], nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro.” (1 Timóteo 5 : 22)

Alguém pode argumentar que isso era feito no Velho Testamento e teremos que concordar. Contudo, estamos na Nova Alianças e as leis sacerdotais não mais vigoram, pois temos um novo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e não de Arão (Hebreus 7,11). A unção com óleo nos tempos antigos foi realizada como simbologia para nossa esperança (Romanos 15,4) em dois sentidos 


(i) Cristo foi ungido pelo Pai como nosso Rei-Profeta-Sacerdote com o Espírito Santo e com virtude.

Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu [chrio] com óleo de alegria mais do que a teus companheiros. (Hebreus 1:9)

O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu [chrio] para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração (Lucas 4:18)

Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste [chrio], se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; (Atos 4:27)

Como Deus ungiu [chrio] a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. (Atos 10:38)

Esse é um motivo para grande alegria! Deus ungiu seu  Filho para nos libertar. A unção do Filho está diretamente relacionada a nossa Salvação! Nós temos Aquele que foi ungido diretamente por Deus Pai como Rei, Profeta e Sacerdote.

(ii) Cristo e o Pai, em graça divina, nos tornaram participantes da unção de Cristo nos dando igualmente o Espírito, como também nos tornando reis e sacerdotes diante dele.

Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações. (2 Coríntios 1:21,22)
“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém.” (Apocalipse 1:6)

Não precisamos de nenhuma unção [chrio] de homens, pois já fomos ungidos por Deus. O que nos leva ao próximo ponto.
2) O Novo Testamento não prescreve unção com óleo no Batismo do Espírito Santo
Como vimos anteriormente, a simbologia do óleo e do Espírito do Antigo Testamento foi cumprida em Cristo e em nós quando recebemos o mesmo. Não precisamos ser ungidos com óleo, pois o verdadeiro Óleo, o Espírito, foi derramado sobre nós. 
Vemos nos relatos de batismo com o Espírito Santo somente o uso de imposição de mãos:
“Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.” (Atos 8:17) 

“E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.” (Atos 19:6) 

Outro texto que pode nos auxiliar neste quesito é 1 João 2:20,27:

E vós tendes a unção [chrisma] do Santo, e sabeis tudo.[…] E a unção [chrisma] que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção [chrisma] vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis. (1 João 2:20,27) 

Este texto mostra que nós, todo e qualquer verdadeiro cristão nascido de novo, tem hoje a unção do Santo, o Espírito, porque já a receberam no passado. Vale lembrar que o termo usado para unção é chrisma (Unção era a cerimônia inaugural para os sacerdotes) que provem de chrio que é o termo sagrado e religioso para ungir.

A consequência desta verdade é que não devemos ungir ninguém para “capacitar para o ministério”, porque todo cristão já tem a unção, que é o Espírito, que o capacita.

3) O Novo Testamento não prescreve unção com óleo com o termo religioso e sagrado para curas físicas

Há no Novo Testamento dois episódios que relacionam doenças, cura, ungir e óleo e ambas usam aleipho, o termo com sentido corriqueiro.

E expulsavam muitos demônios, e ungiam [aleipho] muitos enfermos com óleo, e os curavam. (Marcos 6:13)

Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o [aleipho] com azeite em nome do Senhor; E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. (Tiago 5:14,15)

O termo aparece 8 vezes no novo testamento (Mt 6:17; Mc 6:13; 16:1; Lc 7:38,46; Jo 11:2; 12:13; Tg 6:14). Leia os textos se deseja comprovar o uso corriqueiro.

Isso mostra que a intenção de Marcos e Tiago não era uma unção religiosa ou milagrosa, mas a conotação médica explicada no artigo do Pr. Eduardo Dantas. Contextualizado os versículos para os dias de hoje seria algo como: “eles davam o remédio e oravam com fé e Deus curava o enfermo”. Isto significa que Tiago afirma  que o presbítero não deveria zelar só pela saúde espiritual ou pelas questões espirituais, mas também pela saúde física; e que deveria fazer a “oração de fé”. 

Apesar, do termo “oração de fé” dar outro artigo quero fazer uma breve consideração sobre o assunto. 

a) O que é Fé 

Um dos enganos que as pessoas tem atualmente é não saber o que é fé. Coloca-se fé na fé e não fé em Deus. Fé é confiar em Deus, no Seu poder e na Sua vontade e não em nossa própria capacidade de confiar em Deus. Orar com fé não é orar com poder é orar confiante no poder de Deus. Observe que Tiago fala do profeta Elias, que “era homem sujeito às mesmas paixões que nós”. Ou seja, o enfoque não é nossa capacidade ― estamos sujeitos à paixões e falhas ― mas na capacidade de Deus.

b) Óleos, remédios e Fé

Tendo em mente o que realmente significa fé, o perigo de focar na sua fé, no óleo ou no remédio é grande. Quando você faz isso (colocar mais confiança em como você orou, ou se passou óleo ungido ou não, ou até se tomou remédio ou não do que a confiança em Deus), você está cometendo idolatria.

c) Tenha Fé

Por fim, não quero desestimular a oração pelo enfermos, mas quero encorajar segundo a verdade. Não quero que você pense: “agora, tudo que resta é dar o remédio e só dizer Deus seja feita sua vontade”. Não! Quando alguém estiver doente, medique a pessoa e ore para que Deus que a cure, confiando não no remédio, nem na sua capacidade, mas no Deus de Elias (nosso Deus) que fez parar de chover por 3 anos.

4) O Novo Testamento não prescreve a unção para consagrar objetos

Como bem apontou o Pr. Eduardo Dantas somente os objetos relacionados ao templo eram ungidos e consagrados ao Senhor. Esta unção era tão série que não era usada para ungir nenhum objeto caseiro. Logo, quero apresentar três motivos para você não ungir os objetos em sua casa ou igreja:

1) Como dito anteriormente, não estamos mais sob a lei cerimonial do Velho Testamento. Ela foi abolida no novo sacerdócio de Cristo. Portanto preceitos como ungir o templo não são válidos e praticá-los é negar as realizações de Cristo.

2) Não temos mais templos no molde do Antigo Testamento. Sua igreja local não é um templo. Sua igreja local é um edifício onde os templos de Deus se reúnem. Você é o templo de Deus, habitado por Ele, através do Espírito (1 Cor 6,19). Deus não habita em templos feitos por mãos de homens; (At 17,24).

3) Portanto, se há alguma coisa a ser ungida ou consagrada, esta é você, cristão. E não é você que fará isto. Deus já o fez, como vimos anteriormente, através da unção do Espírito.
Isso significa que você não precisa ungir seu carro. Ele já é de Deus, tanto porque toda terra Lhe pertence, quanto pela fato de  você ser apenas um servo e mordomo daquilo que Deus colocou em suas mãos. Não se iluda achando que você pode consagrar alguns itens para Deus e outros não. Nada é teu e tudo que você tem Ele lhe deu para o objetivo exclusivo de exaltar Glória de Deus (e isto inclui o copo onde você bebe o suco). Seu comprometimento de usar qualquer objeto para a glória de Deus já foi feito quando você se converteu. Renove-o e o viva intensamente. 

Conclusão 

Gostaria de resumir topicamente o que foi falado acima para favorecer a compreensão:

1) Podemos observar nas Escrituras dois usos para o termo ungir: o corriqueiro e o religioso. 

a) Sentido religioso:

– No Velho Testamento, temos a simbologia da unção de reis, sacerdotes e profetas e do templo.

– No Novo Testamento, esta simbologia foi cumprida em Cristo de duas formas:

i) Ele foi ungido nosso Rei-Profeta-Sacerdote com o Espírito e com virtude por Deus Pai.

ii) Nós fomos ungidos por Deus com o Espírito como reis e sacerdotes, capacitando-nos para a vida cristã; e nos tornamos templos de Deus, através de Seu Espírito.

–  Portanto, não devemos tomar o lugar de Deus e ungir ou consagrar a alguém ao ministério ou como simbologia do batismo do Espírito Santo.

– Nem devemos consagrar aquilo que Deus já separou para si mesmo. Tudo quanto é nosso já é dele e igualmente, já nos comprometemos quando nos convertemos a usar tal para glória de Deus.

b) Sentido corriqueiro:

– Nos dois testamentos vemos o óleo sendo usado com intuito medicinal, estético e funerário. 

– É neste sentido que Tiago e Marcos nos recomenda ungir as pessoas, ou seja, cuidar de suas doenças. Atualmente, seria o mesmo que dar algum remédio ao doente.

– Portanto, não devemos ungir o doente esperando que essa unção o cure, mas devemos medicá-lo e orar a Deus pela cura com fé, confiando não em óleos e remédios ou em nossa capacidade, mas na capacidade e no poder de Deus. 

Adendo 1: “Não toqueis nos meu ungidos”

Diante do que foi exposto acima, gostaria que você reconsiderasse os versículos de Salmo 105:15 e 1 Crônicas 16:22 que dizem “Não toqueis os meus ungidos”. Gostaria de fazer três observações

1) Os versículos são verdadeiros. Deus nos alerta contra quem toca em Seus ungidos. Não o despreze porque alguns tem abusado dele.

2) Cristo é O Ungido de Deus. Portanto a primeira aplicação do versículo é: “na verdade o Filho do homem vai, como dele está escrito, mas ai daquele homem por quem o Filho do homem é traído [cuspido, batido, entregue, crucificado]! Bom seria para o tal homem não haver nascido.” (Mc 14,21).

3) Todo cristão (e não só alguns seletos) é ungido de Deus (1Jo 2,20.27), portanto ai daqueles que martirizam, abusam ou zombam de cristãos. Estes iram clamar “até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6,10) e Deus em seu devido tempo certamente responderá.
Sendo assim, não fale mal do seu irmão e também não tema denunciar falsos profetas que usam aqueles versículos para defenderem seu pecado.
[1] Dantas, Eduardo. Estudo Bíblico – Óleo de Unção. Acessado em 21 de Maio de 2011. 
[2] DICIONÁRIO BÍBLICO STRONG. © 2002 Sociedade Bíblica do Brasil.