sábado, 15 de setembro de 2012

O EVANGELHO




O Evangelho é um só.

Quando falamos em quatro Evangelhos, estamos nos referindo às quatro redações do mesmo Evangelho, feita por quatro Evangelistas diferentes e datas diversas.

É neste sentido que podemos dizer Evangelho de São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.

Os três primeiros são mais semelhantes entre si. Narram quase sempre os mesmos fatos.

Por isso, são chamados SINÓTICOS.

Os Evangelistas não pretendem escrever uma biografia de Jesus. Seu objetivo principal é provar que em Jesus, cumpriram-se todas as profecias a respeito do Messias. Por isso, a preocupação dos Evangelistas é mostrar a divindade de Jesus e a Sua missão divina. O conteúdo principal da pregação de Jesus é o “Reino de Deus”.



EVANGELHO - Boa Nova ou Boa Notícia.




Mateus: é representado pela figura de um Homem, porque começou a escrever seu Evangelho dando a genealogia de Jesus. Mateus é um nome hebraico que significa “dom de Deus”. Mateus era cobrador de impostos em Cafarnaum, por isso se intitulava “Mateus o publicano”. Era também chamado Levi. Foi convidado pessoalmente por Jesus para ser discípulo. O Evangelho de Mateus é dirigido aos judeus convertidos e quer mostrar que Jesus de Nazaré é o herdeiro das promessas feitas por Deus a Davi. Portanto, Jesus é o Messias anunciado pelos profetas.




Marcos: é representado pela figura de um Leão, porque começou a narração de seu Evangelho no deserto, onde mora a fera Era também chamado de João Marcos. Marcos era primo de Barnabé e discípulo de Pedro. Redigiu o Evangelho a partir das pregações de Pedro. Põe em evidência os milagres de Jesus, pois pretende mostrar a bondade do Senhor e a sua divindade. Seu Evangelho se dirige aos cristãos vindos do paganismo (gregos e romanos).


Lucas: é representado pelo Touro, porque começa o Evangelho falando do templo, onde eram imolados os bois. Lucas nasceu em Antioquia da Síria, de família pagã. Converteu-se por volta do ano 40. Estudou Medicina. Não foi discípulo de Jesus, mas de Paulo. Lucas escreveu o Evangelho como historiador. Talvez pelo ano 67 d.C. Dirige seu Evangelho aos cristãos de origem pagã (gregos e romanos). O objetivo de seus escritos é o fortalecimento na fé. É o evangelista que mais fala do nascimento e da infância de Jesus. Dá destaque especial a misericórdia de Deus


João: é representado pela Águia, por causa do elevado estilo de seu Evangelho, que fala da Divindade e do Mistério Altíssimo do Filho de Deus. É filho de Zebedeu e Salomé. Era pescador do Mar da Galiléia, por onde Jesus passou e o chamou para ser Apóstolo, juntamente com Tiago, seu irmão. João era chamado o “discípulo amado”. Começou a seguir Jesus quando tinha 19 anos e foi testemunha de toda a missão do Senhor.Fala da “vida eterna” como realidade já presente na terra, na Pessoa de Jesus. João escreve aos cristãos.


Marco Antonio Lana

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

LITURGIA DA PALAVRA

 
 
 
Leitura (Isaías 50,5-9)
Leitura do livro do profeta Isaías.

50 5 O Senhor Deus abriu-me o ouvido e eu não relutei, não me esquivei. 6 Aos que me feriam, apresentei as espáduas, e as faces àqueles que me arrancavam a barba; não desviei o rosto dos ultrajes e dos escarros. 7 Mas o Senhor Deus vem em meu auxílio: eis por que não me senti desonrado; enrijeci meu rosto como uma pedra, convicto de não ser desapontado. 8 Aquele que me fará justiça aí está. Quem ousará atacar-me? Vamos medir-nos! Quem será meu adversário? Que se apresente! 9 O Senhor Deus vem em meu auxílio: quem ousaria condenar-me? Cairão em frangalhos como um manto velho; a traça os roerá.

Palavra do Senhor.

Sl 115

1 Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.
2 Por que perguntariam as nações: Onde está o seu Deus?
3 Mas o nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz.
4 Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem.
5 Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem;
6 têm ouvidos, mas não ouvem; têm nariz, mas não cheiram;
7 têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta.
8 Semelhantes a eles sejam os que fazem, e todos os que neles confiam.
9 Confia, ó Israel, no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo.
10 Casa de Arão, confia no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo.
11 Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é seu auxílio e seu escudo.
12 O Senhor tem-se lembrado de nós, abençoar-nos-á; abençoará a casa de Israel; abençoará a casa de Arão;
13 abençoará os que temem ao Senhor, tanto pequenos como grandes.
14 Aumente-vos o Senhor cada vez mais, a vós e a vossos filhos.
15 Sede vós benditos do Senhor, que fez os céus e a terra.
16 Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens.
17 Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio;
18 nós, porém, bendiremos ao Senhor, desde agora e para sempre. Louvai ao Senhor.

Leitura (Tiago 2,14-18)
Leitura da carta de são Tiago.

2 14 De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Acaso esta fé poderá salvá-lo?  15 Se a um irmão ou a uma irmã faltarem roupas e o alimento cotidiano,  16 e algum de vós lhes disser: “Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos”, mas não lhes der o necessário para o corpo, de que lhes aproveitará?  17 Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma.  18 Mas alguém dirá: “Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras”.

Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 8,27-35)
Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu de nada me glorio, a não ser da cruz de Cristo; vejo o mundo em cruz pregado e para o mundo em cruz me avisto (Gl 6,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.

Naquele tempo, 8 27 Jesus saiu com os seus discípulos para as aldeias de Cesaréia de Filipe, e pelo caminho perguntou-lhes: “Quem dizem os homens que eu sou?” 28 Responderam-lhe os discípulos: “João Batista; outros, Elias; outros, um dos profetas”. 29 Então perguntou-lhes Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Respondeu Pedro: “Tu és o Cristo”. 30 E ordenou-lhes severamente que a ninguém dissessem nada a respeito dele. 31 E começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muito, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e pelos escribas, e fosse morto, mas ressuscitasse depois de três dias. 32 E falava-lhes abertamente dessas coisas. Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo. 33 Mas, voltando-se ele, olhou para os seus discípulos e repreendeu a Pedro: “Afasta-te de mim, Satanás, porque teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens”. 34 Em seguida, convocando a multidão juntamente com os seus discípulos, disse-lhes: “Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. 35 Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á”.

Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
TU ÉS O MESSIAS

A pessoa de Jesus não se enquadrava nas categorias da época e era interpretada de formas as mais variadas. Seu modo de ser austero e a maneira incisiva de sua pregação levavam alguns a confundi-lo com João Batista ou com Elias. Pensava-se que Jesus tivesse como que feito reviver em si estas figuras. A postura de Jesus era também identificada com as dos profetas do passado, cujas vidas pareciam servir-lhe de inspiração.
Jesus quis saber a opinião dos discípulos a seu respeito, por não estar bem seguro de como o consideravam. A resposta foi dada por Pedro, em nome do grupo, de maneira correta, e convenceu a Jesus. Ele, de fato, era o Messias.
Entretanto, o Mestre sentiu-se na obrigação de oferecer aos discípulos pistas para a correta compreensão de sua condição messiânica. Seu messianismo leva-lo-ia a confrontar-se com a rejeição das autoridades e com a morte violenta. Ele, no entanto, estava também destinado à ressurreição.
As expectativas em voga giravam em torno de um futuro Messias revestido de glória e poder. Os discípulos, pois, tiveram de fazer um esforço gigantesco para introduzir o sofrimento no messianismo do Mestre. Jamais se esperava um Messias sofredor, como Jesus se proclamava ser. Os discípulos viram-se, portanto, na obrigação de refazer seus esquemas.

Oração 
Senhor Jesus, faze-me compreender que escolheste o caminho da cruz e do sofrimento, para realizar a missão recebida do Pai.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DOUTRINA DA IGREJA - LIÇÃO 02 – A IGREJA NO NOVO TESTAMENTO



“Pois também eu te digo que tu és Pedro (pedra), e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” Mt 16,18

Entre todas as doutrinas, a da Igreja parece ser a mais carente de reflexão em nosso tempo. A reforma protestante no século 16 levou muitos conceitos religiosos a serem examinados pelas Escrituras. Infelizmente, a doutrina da igreja recebeu pouca atenção. Nota-se que a compreensão da natureza da igreja foi influenciada pela cultura, pela situação social, religiosa e política daquele tempo. Não proclamaram uma definição bíblica da igreja, mas se contentaram com a separação da Igreja Católica. Foram muito felizes em suas conclusões sobre temas fundamentais como a salvação, a inspiração das Escrituras, a antropologia, e outras questões centrais, mas os reformadores inexplicavelmente omitiram a eclesiologia. Cabe-me, portanto, voltar à Bíblia para definir o que faz a igreja. Considerei, nesta lição, dois aspectos básicos do assunto.

            I.      A NATUREZA DA IGREJA.

1.      Significado etimológico

A palavra empregada no NT para a igreja é ekklesia. No grego clássico, já se usava esse termo, mas nem sempre tinha conotação religiosa. A etimologia leva kaleo (chamar, convocar). Para os gregos, ess termo se referia a um ajustamento de pessoas por qualquer motivo (“Uns, pois, gritavam de um modo, outros de outro; porque a assembléia estava em confusão, e a maior parte deles nem sabia por que causa se tinham ajuntado.” At 19,32). Pelo contexto deste trecho de Atos percebe-se que não era uma reunião religiosa. Os cidadãos de Éfeso correram para o teatro sem saber qual teria sido motivo da convocação.

Está claro que o termo ekklesia não significa mais do que “assembléia”. Porém notemos que quando o apóstolo usa a frase, “Igreja de Deus” ou a “Igreja de Cristo”, ele indica que o caráter verdadeiro da igreja não está em seus membros, mas em sua cabeça. Griffiths comenta: “uma sociedade cristã, ou seja, um corpo de crentes que pertencem a Cristo, não é um corpo de cristãos (que seria apenas um grupo de pessoas), mas é o corpo de Cristo”. A cabeça, mesmo unida ao corpo, não é idêntica ao corpo. A cabeça é que dá equilíbrio ao corpo. É Jesus, a cabeça da Igreja, quem nutre o corpo para o seu crescimento e edificação (Cl 2,19; Ef 4,15-16). Esta ênfase é importante porque a maioria dos escritores católicos vê a igreja como a extensão de Cristo. As conseqüências desta interpretação mudam significativamente a doutrina de estar unido a Cristo por meio de um relacionamento pessoal com Ele, a estar ligado a uma organização chamada igreja. Estar em Cristo para um católico significa “estar na igreja” e a obediência a igreja é idêntica à obediência a Cristo.
 
2.      Os vários usos da palavra ekklesia (igreja).

  1. Igreja local

Um grupo de cristão em certa localidade (At 5,11; 11,26; 1Cor 11,18; 14,19; 28,35), às vezes se reunia em um local para adorar ao Senhor, como uma assembléia.

Paulo usa o termo também no plural, “as igrejas da Galiléia” (“Ora, quanto à coleta para os santos fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galiléia.” 1Cor 16,1) e “as igrejas da Macedônia” (“Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus que foi dada às igrejas da Macedônia”. 2Cor 8,1).

Podemos depreender daí, o fato de que os pequenos grupos em casas individuais se chamavam ekklesia, e isso indicava que nem a significância da cidade, nem o tamanho numérico da assembléia determinam o emprego do termo. O que conta é a presença de Cristo entre aquelas pessoas (“Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou a vós, ante cujos olhos foi representado Jesus Cristo como crucificado?” Gl 3,1) e a fé que Ele alimenta nelas.

Devemos também cuidar de não nos confundir pensando que a igreja local seja apenas parte do corpo. George Ladd está certo quando afirma: “A igreja local não é parte da Igreja, mas é a igreja em sua expressão local. A congregação local é a igreja... Isso leva a conclusão de que a igreja não é concebida numericamente, mas organicamente”. Como igreja local o primeiro século celebrou o culto na compreensão de que cada comunidade era completa em si mesma. Paulo escreveu à igreja de Corinto, “não vos falta nenhum dom” (1Cor 1,7).

  1. Igreja “domestica”.

Igreja na casa de uma pessoa; muitas vezes eram pessoas ricas ou importantes (Rm 16,5.23; 1Cor 16,19; Cl 4,15; Fm 2). A “ekklesia de Deus” é o titulo certo para descrever um pequeno grupo reunindo-se em uma casa particular, assim como para referir-se à família inteira, no mundo inteiro.

  1. Igreja universal.
A Igreja universal é a comunidade cristã em sua universalidade. Nesse sentido, ela denota o corpo inteiro de crentes verdadeiros em Cristo de todos os séculos, vivos na glória. É provável que este seja o único sentido que ekklesia em Efésios (1,13; 3,10. Veja também Cl 1,18-24; Hb 12,23; Mt 16,18).

A questão em torno da Igreja universal, ou a igreja local, gera muita polêmica. Há intérpretes que negam a existência da Igreja Universal no NT. Griffiths diz: “Não devemos negar a validade do fato que a Igreja Universal é o corpo de Cristo, mas cremos que a figura do corpo é principalmente ilustração de aplicação local”. Paulo chama a atenção dos cristãos em Roma e em Corinto para o fato de que eles, como igreja local, são o corpo de Cristo.

         II.      A ORIGEM DA IGREJA.

1.      No conselho de Deus.

A carta aos Efésios, como se sabe, é toda ela uma eclesiologia. Seu capitulo 1 explica que a Igreja se originou no conselho de Deus (“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.” Ef 1,3-6). A igreja teve origem na mente divina, antes da fundação do mundo. Deus a tinha em mente desde a eternidade e Ele desejava manifestar, através dela, a sua graça.

2.      Historicamente.

  1. No chamado de Abraão.

Com a chamada de Abraão (“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção. Abençoarei aos que te abençoarem, e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” Gn 12,1-3), cria-se o conceito de uma família, um povo que goza de um relacionamento especial com Deus (como estudamos na primeira lição). Abraão foi chamado não somente para buscar uma nova pátria como para  entrar em relação pactual  com Deus. Assim, os descendentes de Abraão e os acontecimentos que se seguem na história de Israel são considerados períodos em que o relacionamento de Deus com sua Igreja se torna mais claramente manifesto. John Stott afirma: “o tema essencial da Bíblia, desde o começo até o fim, é que o propósito histórico de Deus é chamar um povo para si mesmo; que esse povo santo, separado do mundo para lhe pertencer e obedecer...” (já estudamos isso na lição 1).

  1. No Pentecoste.

Embora os cristãos tenham preservado a sua continuidade com Israel, havia algo inteiramente novo no seu conceito de ser o povo de Deus e de servi-lo. A maneira de cultuar e servir a Deus no AT era centralizado. Centralizava-se racionalmente nos judeus. Centralizava-se geograficamente em Israel, Jerusalém, o Templo e o Santo dos Santos. Centralizava-se temporalmente no sábado e em certas festas religiosas. E centralizava-se na hierarquia religiosa mediadora, pois sem os sacerdotes era ilícito oferecer sacrifícios.

Quando vemos à igreja no NT, descobrimos a extraordinária inversão desta forma antiga de servir a Deus. Ao contrario do AT, a igreja cristã é o organismo centralizado somente em Jesus Cristo e caracterizado cada vez mais no NT  por sua descentralização. O povo, o templo, o dia e, de certa forma, o próprio clero são periféricos aos propósitos centrais da igreja.

Foi Pedro quem efetuou a primeira grande ruptura com as formas do Israel antigo no Pentecostes. Doravante seria a presença do Espírito Santo que confirmaria os membros do novo Israel. Pedro foi preeminente no Pentecostes, batizou Cornélio e aos demais gentios que se achavam com ele (At 10). Mais tarde defendeu sua atitude argumentando que, visto que “caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio”, recusar-lhes o batismo seria “resistir a Deus” (At 11,15-17).

CONCLUSAO

Um dos mais antigos teólogos do segundo século, Irineu, Bispo de Lyon e considerado santo pela Igreja Católica e Ortodoxa, tirou essa ênfase no NT quando disse: “Onde está O Espírito de Deus, aí está a igreja e toda a graça”. George Ladd, também, comenta: “A igreja não é para ser vista apenas como uma comunhão humana, resultado de uma fé e experiência religiosa comum. Ela é mais do que isto: é a criação de Deus através do Espírito Santo”.

Marco Antonio Lana

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

LITURGIA DA PALAVRA

 
 
Leitura (Isaías 35,4-7)
Leitura do livro do profeta Isaías.

35 4 Dizei àqueles que têm o coração perturbado: “Tomai ânimo, não temais! Eis o vosso Deus! Ele vem executar a vingança. Eis que chega a retribuição de Deus: ele mesmo vem salvar-vos”.  5 Então se abrirão os olhos do cego. E se desimpedirão os ouvidos dos surdos; 6 então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo dará gritos alegres. Porque águas jorrarão no deserto e torrentes, na estepe. 7 A terra queimada se converterá num lago, e a região da sede, em fontes. No covil dos chacais crescerão caniços e papiros.

Palavra do Senhor

Sl 146

1 Louvai ao Senhor. Ó minha alma, louva ao Senhor.
2 Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto viver.
3 Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há auxílio.
4 Sai-lhe o espírito, e ele volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos.
5 Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está no Senhor seu Deus
6 que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há, e que guarda a verdade para sempre;
7 que faz justiça aos oprimidos, que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados;
8 o Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos; o Senhor ama os justos.
9 O Senhor preserva os peregrinos; ampara o órfão e a viúva; mas transtorna o caminho dos ímpios.
10 O Senhor reinará eternamente: o teu Deus, ó Sião, reinará por todas as gerações. Louvai ao Senhor!
Leitura (Tiago 2,1-5)
Leitura da carta de são Tiago.

2 1 Meus irmãos, na vossa fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, guardai-vos de toda consideração de pessoas. 2 Suponde que entre na vossa reunião um homem com anel de ouro e ricos trajes, e entre também um pobre com trajes gastos; 3 se atenderdes ao que está magnificamente trajado, e lhe disserdes: “Senta-te aqui, neste lugar de honra”, e disserdes ao pobre: “Fica ali de pé”, ou: “Senta-te aqui junto ao estrado dos meus pés”, 4 não é verdade que fazeis distinção entre vós, e que sois juízes de pensamentos iníquos? 5 Ouvi, meus caríssimos irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres deste mundo para que fossem ricos na fé e herdeiros do Reino prometido por Deus aos que o amam?

Palavra do Senhor

A IMPOSIÇÃO DAS MÃOS

A mão é considerada como portadora de força. De certo modo, concentra a força da pessoa e, através dela, é possível transmitir aos outros esta força. Desta forma, torna-se símbolo de poder. Por isso, as pessoas aproximavam-se de Jesus, implorando que lhes impusesse as mãos. Essa era a maneira de usufruir da força divina que Jesus possuía e obter o benefício da cura.

De sua parte, Jesus nunca se recusava a atender ao pedido de quem lhe suplicasse a cura. O efeito da imposição de suas mãos era imediato. Ele agia com a máxima discrição para não suscitar um entusiasmo exagerado e atrair pessoas interessadas apenas em aproveitar-se dele, sem aderir efetivamente ao Reino.

A cura do surdo-mudo, portanto, deu-se longe da multidão e foi seguida da ordem peremptória de não dizer nada a ninguém. Era necessário guardar segredo a respeito do ocorrido. Mas, como era possível manter calado quem fora surdo-mudo e agora tinha recuperado a capacidade de falar corretamente? Como impedi-lo de proclamar, aos quatro ventos, o benefício recebido pela imposição das mãos de Jesus? Eis por que, quanto mais Jesus o proibia de falar, tanto mais ele narrava o ocorrido.

A constatação do povo de que Jesus fazia bem todas as coisas correspondia a reconhecer que, pela imposição de sua mão, o Reino se fazia presente na história humana.

Oração

Senhor Jesus, impõe sobre mim as tuas mãos e liberta-me do egoísmo que impede a comunicação com o meu próximo.

Marco Antonio Lana

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

DOUTRINA DA IGREJA - LIÇÃO 01 – A PREPARAÇAO DA IGREJA NO A.T.



“...Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra,  para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível”. (Ef 5,25-27).

INTRODUÇAO – A NECESSIDADE DE UMA DOUTRINA BIBLICA NA IGREJA.

A doutrina da Igreja é atualmente uma das mais negligenciadas. Este tipo apresenta, dentre outras conseqüências, a proliferação de tantas novas igrejas e seitas, cada uma arrogando a si o direito de ser chamada “a única igreja neotestementária”! Há muita confusão e falta de conhecimento a respeito da verdadeira natureza da igreja. Organizada, e o resultado é que muitos deles estão se afastando, formando células desvinculadas e fora da igreja. Há, portanto, uma necessidade urgente de se estudar o que a Bíblia diz sobre a igreja.

  1. A igreja gloriosa.

Em Ef 5,25-27, Paulo resume  todo o compromisso que o Cristo tem para com a Igreja – Ele a ama e a purifica do pecado, e está preparando-a para ser “uma igreja gloriosa”. A Igreja é do Senhor, que deseja apresenta-la a Si mesmo “sem macula, sem ruga... porém santa e sem defeito”. Infelizmente na historia da Igreja, essa gloria nem sempre e refletida na igreja local. É um fato trágico que o testemunho de tantas igrejas não tenha nada a ver com o retrato da Igreja que Cristo desejava. Semanalmente ouvimos e lemos na mídia sob escândalos envolvendo igrejas que afirmam ser igrejas neotestamentárias.

  1. A igreja com sua imagem deformada.

Ray Stedman no seu livro A igreja corpo vivo de Cristo (Mundo Cristão) sugere que a palavra igreja traz à tona diferentes imagens

    1. A igreja é nada mais do que um esnobe clube religioso;
    2. A igreja é um grupo de ação política, lutando contra os males da sociedade;
    3. A igreja é uma espécie sala de espera para pessoas que estão aguardando o próximo ônibus para o céu;
    4. A igreja é uma reunião de fanáticos religiosos, gozando seu transe de fim de semana;
    5. A igreja é um lugar de barulho forte com bateria e som que vive prejudicando a paz da mesma vizinhança que deseja ganhar para Cristo.

  1. A igreja verdadeira.

Graças a Deus, através dos séculos, sempre tem havido um remanescente fiel - uma força em favor do bem, uma luz no meio das trevas, sal dentro da sociedade, retardando a propagação de corrupção moral dando um novo sabor a vida. E este remanescente é a igreja que queremos ser!

No meio da raça decaída e corrompida, Deus sempre teve um remanescente, separado e santificado para viver em comunhão com Ele e testificar dEle. Uma frase aparece varias vezes nas Escrituras: “Serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo” (Ex 6,7; Lv 26,12; Jr 30,22; Ez 11,20; Ap 21,2-3). Desde o começo, Deus “propôs criar para si mesmo um povo particular”, que no AT que era a nação de Israel, e no NT é a igreja.



            I.      O CHAMADO DE ABRAAO – Gn 12,1-9

Na historia do AT o povo peculiar de Deus começa com a escolha e a chamada de Abraão (“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. Eu farei de ti uma grande nação; abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome; e tu, sê uma bênção”. vs 1-2).

1.       O plano de Deus para Abraão.

Deus tinha um grande plano para ávida de Abraão: que ele fosse uma benção. Através dele e de sua descendência, a graça de Deus para toda a humanidade, vista na criação, e que foi destruída na queda do homem, seria restaurada e cumprida (“Vós sois os filhos dos profetas e do pacto que Deus fez com vossos pais, dizendo a Abraão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra.” At 3,25).

a)      As exigências do plano

- “Sai de sua terra” (v 1ª) – Ur dos caldeus era uma cidade populosa, pecaminosa, violenta e imoral. Deus chamou Abraão para fora daquele ambiente porque Ele exige uma separação total da má influencia para aqueles que querem fazer parte de seu povo. Como vamos notar na próxima lição. A palavra do NT para a igreja no grego (ekklesia) literalmente quer dizer “chamado para fora”.

- “Vai para a terra que te mostrarei” (v 1b) – Deus começa a estabelecer um povo da aliança para si mesmo. O progresso do plano redentor de Deus é evidente ao separar. Abraão e ao transformar Israel em uma grande nação (Bíblia de estudo de Genebra). Como Abraão, somos chamados para fora e para ir ao mundo todo (“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.” – Mc 16,15).

b)      A esfera do plano

“... todas as famílias da terra” (v 3)Deus estava prometendo que o Messias Haveria de nascer da família de Abraão e, através do povo de Deus. Ele quer abençoar todos os povos.

c)       A resposta da Abraão.

“Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu” (v 4; Hb11,8) – Devemos notar que foi Deus quem tomou a iniciativa. Ser membro do povo de Deus depende exclusivamente de uma benção de Deus (predestinação e eleição – “como pela revelação me foi manifestado o mistério, conforme acima em poucas palavras vos escrevi, pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo.” (Ef 1,3-4). Depois é que vêm a resposta humana – “Abraão invocou o nome do Senhor” (v 8).

         II.      O SINAL DA ALIANÇA – Gn 17,7.10-11.

Deus fez uma aliança com seu povo, através de Abraão, e deu como sinal, para os homens, o rito da circuncisão. O sinal mostrava que Deus prometeu ser  Seu Deus, e desejava que eles fossem Seu povo (“Toda a congregação de Israel a observará. Quando, porém, algum estrangeiro peregrinar entre vós e quiser celebrar a páscoa ao Senhor, circuncidem-se todos os seus varões; então se chegará e a celebrará, e será como o natural da terra; mas nenhum incircunciso comerá dela.” Ex 12,47-48). Foi um sinal visível indicando membresia. Somente aqueles que tinham o sinal guardavam o sábado e observavam a ordenação anual de comer na páscoa. Por estes sinais, era fácil para outros distinguirem os israelitas. Ficou claro que esta era uma comunidade com quem Deus, pela sua providencia e graça, teve um relacionamento especial.

É fácil ver a ligação com os dois sacramentos do evangelho dado por Jesus: o Batismo e a Santa Ceia (que iremos estudar depois). São dois sinais indicativos de que pertencemos à comunidade divina.

     III.      DISTINÇAO ENTRE MEMBRO NOMINAL E VERDADEIRO.

Na historia do AT, é claro que dentro daquela comunidade visível, há uma distinção entre membro nominal e o verdadeiro, entre aquele que professa e aquele que pratica (vista também no NT). Na família de Abraão todos os homens foram circuncidados (“No mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael. E todos os homens da sua casa, assim os nascidos em casa, como os comprados por dinheiro ao estrangeiro, foram circuncidados com ele”. Gn 17,26-27), mas veja o comentário de Paulo: (“Não que a palavra de Deus haja falhado. Porque nem todos os que são de Israel são israelitas; nem por serem descendência de Abraão são todos os filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus; mas os filhos da promessa são contados como descendência.” – Rm 9,6-8).

Entre todos os membros da casa de Abraão, somente Isaque foi descendente verdadeiro. Não foi por causa  do sinal externo de circuncisão que Isaque conseguiu fazer parte da herança divina, pois todo o povo possuía a circuncisão e a descendência de Abraão. Isaque possuía ainda a eleição, a promessa de Deus e um nascimento sobrenatural. Em Rm 4,9-17, Paulo argumenta que Abraão gozava das bênçãos da justificação pela fé antes de ser circuncidado.

Por isso é muito importante diferenciar entre o nominal e o genuíno, entre a igreja visível e a igreja invisível, entre a igreja formal cuja membresia pode ser numerada e a membresia espiritual, só conhecida por Deus.

       IV.      A REDENÇAO DE ISRAEL

Conhecemos bem a historia do povo de Israel na escravidão – o povo que Deus escolheu para ser seu povo estava na escravidão e tinha que ser redimido (“Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou Jeová; eu vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, livrar-vos-ei da sua servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes juízos. Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus; e vós sabereis que eu sou Jeová vosso Deus, que vos tiro de debaixo das cargas dos egípcios.” – Ex 6,6-7). Foi assim que Deus instituiu a Páscoa, lembrando-nos que o povo foi redimido pelo sangue do cordeiro. É interessante observar que foi neste contexto que encontramos a primeira referencia à Igreja no AT – “...toda a assembléia da congregação...” (Ex 12,6). Foi quando Israel sob o sangue do cordeiro tinha de comer o cordeiro pascoal (Sl 74,2; At 28,20; Ex 19,5).

          V.      O RENASCENTE FIEL.

Quando estudamos a historia do povo de Deus discemimos a emergência da idéia de um grupo renascente fiel que deseja obedecer à Sua Palavra (cuja membresia é visível somente a Deus), no meio da comunidade de Israel. Este é o verdadeiro povo de Deus.

1.      Elias (“Respondeu ele: Tenho sido muito zeloso pelo Senhor Deus dos exércitos; porque os filhos de Israel deixaram o teu pacto, derrubaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e eu, somente eu, fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem. Todavia deixarei em Israel sete mil: todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que não o beijou.” 1Rs 19,10.18).

Elias achava que estava sozinho, nas havia sete mil homens que não eram visíveis ao homem, somente a Deus. Temos que reconhecer que nem nós, nem nossos lideres, como Elias, podemos dizer quem e quantos são os membros fieis. A Igreja é visível somente a Deus.

2.      Isaias

No tempo dele os israelitas estavam formando alianças com poderes estrangeiros, consultando necromantes (como há membros de igrejas hoje que consultam horóscopos). Isaias formou um grupo de fieis a Deus e à Sua Palavra ( “Is 8,16-20).

Na historia da Igreja, varias vezes tem surgido este tipo de movimento, como, por exemplo, o dos reformadores do século XVI, que não agiram contra um mundo degenerado, mas contra uma igreja corrupta. Atentemos para o fato de que a base é sempre “a lei e o testemunho” dada por Deus.

       VI.      CONCLUSAO

Assim notamos que no AT, quando o povo estava no exílio na Babilônia, foi somente  uma minoria, unida, não meramente por raça, mas por fé em e devoção a Jeová, que respondeu ao desafio de voltar a Jerusalém e reconstruir o templo. Subseqüentemente os judeus da Dispersão deram boas-vindas a seus cultos na sinagoga proselitista entre as nações gentílicas. Tudo isso foi usado para demonstrar que a membresia no verdadeiro Israel  não era racial, ou simplesmente participação ritual em algumas cerimônias, mas algo do coração e da sua condição espiritual – assim o povo de Deus começa a ter uma visão de “todas as famílias da terra”.

Marco Antonio Lana

sábado, 1 de setembro de 2012

LITURGIA DIARIA

 
 
Leitura (Deuteronômio 4,1-2.6-8)
Moisés falou ao povo: 4 1 “E agora, ó Israel, ouve as leis e os preceitos que hoje vou ensinar-vos. Ponde-os em prática para que vivais e entreis na posse da terra que o Senhor, Deus de vossos pais, vos dá. 2 Não ajuntareis nada a tudo o que vos prescrevo, nem tirareis nada daí, mas guardareis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, exatamente como vos prescrevi. 6 Observai-as, praticai-as, porque isto vos tornará sábios e inteligentes aos olhos dos povos, que, ouvindo todas essas prescrições, dirão: ‘eis uma grande nação, um povo sábio e inteligente’. 7 Haverá, com efeito, nação tão grande, cujos deuses estejam tão próximos de si como está de nós o Senhor, nosso Deus, cada vez que o invocamos? 8 Qual é a grande nação que tem mandamentos e preceitos tão justos como esta lei que vos apresento hoje?”

Palavra do Senhor.


SALMO 15

Leitura (Tiago 1,17-18.21-22.27)
1 17 Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade. 18 Por sua vontade é que nos gerou pela palavra da verdade, a fim de que sejamos como que as primícias das suas criaturas. 21 Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia e recebei com mansidão a palavra em vós semeada, que pode salvar as vossas almas. 22 Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. 27 A religião pura e sem mácula aos olhos de Deus e nosso Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e conservar-se puro da corrupção deste mundo.

Palavra do Senhor.
Evangelho (Marcos 7,1-8.14-15.21-23)
Aleluia, aleluia, aleluia.

Deus, nosso Pai, nesse seu imenso amor, foi quem gerou-nos com a palavra da verdade, nós, as primícias do seu gesto criador! (Tg 1,18)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.

Naquele tempo, 7 1 os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham se reunido em torno de Jesus. 2 E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. 3 (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; 4 e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.) 5 Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: “Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras?” 6 Jesus disse-lhes: “Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: ‘Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. 7 Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos’. 8 Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens”. 14 Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: “Ouvi-me todos, e entendei. 15 Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar; mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem. 21 Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, 22 adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. 23 Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”.

Palavra da Salvação.
Comentário ao Evangelho
O QUE SAI DO CORAÇÃO

Uma antiga denúncia profética foi retomada por Jesus. O profeta Isaías teve a perspicácia de perceber o descompasso entre o culto faustoso praticado no templo de Jerusalém e as violências e injustiças que campeavam na cidade. O louvor proclamado com os lábios não correspondia às maldades praticadas com as mãos. O apego exagerado a certas tradições religiosas não chegava a gerar a conversão do coração.

Algo semelhante passava-se com uma ala do farisaísmo no tempo de Jesus. A veneração afetada dos fariseus às normas legais não os impedia de dar vazão às suas más intenções. Aí se revelava o que eram por dentro. A piedade exterior era fachada de um interior cheio de perversidade. A observância escrupulosa das normas de pureza mostrava-se inútil, pois não chegava a atingir seu verdadeiro objetivo: tornar a pessoa internamente pura para Deus.

O discípulo do Reino, no pensamento de Jesus, faz o caminho inverso ao dos fariseus. Sua preocupação maior consiste em não se deixar contaminar pelas malícias que brotam do coração. Pouco lhe importam as coisas exteriores. Comer sem ter lavado as mãos é menos importante do que sentar-se à mesa e partilhar o pão com os necessitados. Ser muito atento na limpeza das louças e talheres só tem sentido se tiver o respaldo de uma vida centrada na prática do amor e da justiça.

Oração
Senhor Jesus, não permitas que eu me iluda, buscando uma pureza exterior, quando a que te agrada é a que provém do meu interior.

Marco Antonio Lana